Pular para o playerIr para o conteúdo principal
O Brasil pode colher 112,9 milhões de toneladas de milho na segunda safra, segundo estimativa da Agroconsult. Em entrevista ao Real Time, André Debastiani, coordenador do Rally da Safra, explica os riscos da gripe aviária e os impactos sobre o mercado de proteínas. 

🚨Inscreva-se no canal e ative o sininho para receber todo o nosso conteúdo!

Siga o Times Brasil nas redes sociais: @otimesbrasil

📌 ONDE ASSISTIR AO MAIOR CANAL DE NEGÓCIOS DO MUNDO NO BRASIL:

🔷 Canal 562 ClaroTV+ | Canal 562 Sky | Canal 592 Vivo | Canal 187 Oi | Operadoras regionais

🔷 TV SINAL ABERTO: parabólicas canal 562

🔷 ONLINE: https://timesbrasil.com.br | YouTube

🔷 FAST Channels: Samsung TV Plus, TCL Channels, Pluto TV, Roku, Soul TV, Zapping | Novos Streamings

#CNBCNoBrasil
#JornalismoDeNegócios
#TimesBrasil

Categoria

🗞
Notícias
Transcrição
00:00A segunda safra de milho do Brasil está prevista para atingir um recorde de 102 milhões e 900 mil toneladas,
00:14o que representa um crescimento de 10,5% em relação ao ano passado.
00:18A gente vai falar agora ao vivo com o coordenador do Rally da Safra, o André DeBastiani.
00:23André, boa tarde para você, seja bem-vindo ao Real Time.
00:26Olá, Marcelo. Satisfação falar contigo aqui e ter a oportunidade de trazer um pouco desse levantamento que a gente está fazendo para o Brasil todo.
00:34André, que fatores explicam essa previsão recorde da safrinha?
00:39Bom, a gente tem, o primeiro deles diz respeito à questão diária, Marcelo.
00:45Não sei se o pessoal está lembrado aqui, mas se nós retomarmos a safra anterior,
00:49era um momento que nós tínhamos aí um cenário de preços baixos para milho, custos bastante elevados,
00:56e a gente reduziu bastante a área da segunda safra de milho.
00:59Esse cenário desse ano, ele começa diferente, a gente está plantando mais área.
01:03Então, a gente até mesmo recupera a parte daí da área que a gente perdeu ano passado,
01:08sobe um pouquinho em relação a 22, 23.
01:10Então, estamos indo para uma área de 17,9 milhões de hectares.
01:15É o primeiro fator positivo do nosso cenário.
01:18O segundo fator é o fator tecnologia.
01:22Eu acho que o produtor tem feito um bom trabalho,
01:24tem apostado muito na tecnologia que existe hoje aí
01:27para conseguir alcançar tetos produtivos altos.
01:31E, por fim, que talvez seja o mais importante aqui da nossa análise,
01:35diz respeito ao comportamento climático.
01:37E esse era um ano que a gente tinha muita dúvida em relação ao comportamento dessa safra de milho,
01:42porque a gente plantou ela mais atrasada.
01:44Então, para quem está mais familiarizado, sabe que plantio de milho,
01:47ao longo do mês de março, já é um plantio que tem um risco climático muito maior.
01:53Esse ano a gente plantou mais tarde, mas o clima ajudou.
01:58O mês de abril foi sensacional em termos de chuva.
02:00O mês de maio o Centro-Oeste ainda também recebeu chuvas.
02:03E isso deve fazer, sim, com que a gente caminhe para uma alta produção do milho segunda safra.
02:09A gente sempre costuma chamar essa segunda safra de safrinha,
02:13mas não sei se no caso do milho isso vale, mas tem algumas culturas em algumas regiões
02:17que a segunda safra já está maior que a primeira, né?
02:20Pois é, não dá mais para a gente falar em safrinha, não.
02:23Quando a gente fala da safra verão, são 27 milhões de toneladas.
02:27Quando a gente fala da safra inverno, que seria a safrinha,
02:30estamos falando de 112,9.
02:33Olha só a diferença.
02:34Então os produtores, é um pouco força do hábito a gente falar safrinha,
02:39mas os produtores me chamam a atenção quando falo safrinha,
02:41porque eles falam, André, aqui de Inha não tem mais nada, é safrão.
02:45Exatamente. O que você espera para o preço do milho até o fim do ano?
02:49Bom, a gente já viu o preço do milho cair bastante ao longo desse mês de maio,
02:54muito em função já de uma expectativa de uma safra grande.
02:58Nós vamos colocar no mercado esse ano em algo em torno de 140 milhões de toneladas de produção.
03:04Isso exerce, sim, pressão em termos de preço,
03:07que é o que a gente está vendo nesse momento.
03:10Então o que a gente deve ver a partir de agora é ainda o preço pressionado
03:14por conta de esse volume que está entrando no mercado
03:17e a gente fica muito à mercê agora do desempenho,
03:20tanto no nosso mercado interno, que temos gripe aviária
03:23que de uma certa forma mexe com esse xadrez,
03:26e também como que vai ser o desempenho das nossas exportações
03:30para aí sim a gente conseguir equilibrar o nosso balanço de oferta e demanda interno.
03:35Já que você falou em gripe aviária,
03:37qual você acha que vai ser a principal consequência dela para o caso do milho?
03:42Então, ainda, Marcelo, é muito difícil você conseguir dimensionar,
03:46porque vai depender muito do que vai acontecer nesses próximos 28 dias.
03:50Se, de fato, esses próximos 28 dias, que é o período aí que a gente tem de monitoramento,
03:57aparecer em novos casos, a gente começa a ter impactos maiores
04:01em termos não só de exportação, mas também de alojamento interno.
04:06Mas caso a gente consiga passar esses 28 dias,
04:09eu diria que a gente não tem tanto impacto assim no nosso consumo de milho.
04:13Então, eu acho que é um período agora muito importante
04:15de a gente observar o que vai acontecer.
04:18Eu queria que você desse uma repassada para a gente
04:21em quais são as principais regiões produtoras de milho no Brasil.
04:26Muito bem.
04:26Bom, quando a gente fala em milho segunda safra,
04:29a gente tem como principal estado produtor o estado do Mato Grosso,
04:34que planta aqui uma área de mais de 7 milhões de hectares,
04:38dentro de uma área de quase 17,9, que é o que a gente planta no Brasil.
04:43Então, de fato, ele é o estado mais importante em termos de produção,
04:47seguido aqui, tanto do estado de Goiás como do estado de Paraná,
04:51que estão aí na casa em torno de 14 milhões de toneladas de produção,
04:56o estado do Mato Grosso em torno de 50 milhões de toneladas.
04:59E eu posso dizer para vocês que, quando a gente olha para o estado do Mato Grosso e Goiás,
05:03o primeiro e o segundo colocado aqui em termos de produção,
05:07a gente está falando de dois estados que têm sua safra praticamente já garantida.
05:13São estados que têm uma safra mais cedo, né?
05:17E o clima correu de forma muito bem.
05:20O estado do Paraná acolhe na sequência também,
05:23mas ainda precisa de alguma questão em torno de chuva.
05:27E depois a gente caminha para outros estados,
05:28como é o caso do Mato Grosso do Sul,
05:30que também ainda precisa um pouco de chuva para consolidar a sua safra.
05:32Então, não podemos falar aqui dos quatro principais estados em ordem.
05:36Mato Grosso, seguido de Goiás e Paraná, andando quase que junto.
05:40E daí sim, o Mato Grosso do Sul.
05:41Isso que você falou do clima, da chuva aí,
05:44esse ano parece que teve um plantio um pouco mais tardio.
05:46Eu até queria que você me confirmasse isso.
05:48Eu queria entender como é que os produtores ajustam as estratégias
05:51para garantir a produtividade boa, mesmo com condições climáticas assim.
05:58Então, a nossa indústria é a céu aberto, né?
06:01A gente depende muito da condição climática
06:03para a gente conseguir iniciar os nossos trabalhos de campo.
06:06E a segunda safra de milho, ela é a segunda safra
06:08porque ela vem logo após a safra de soja.
06:11Então, a gente fica muito na dependência da colheita da soja
06:14para começar o plantio do milho.
06:16Quando que isso acontece?
06:17Em janeiro, a gente começa a colher as primeiras áreas de soja.
06:20Esse ano, no mês de janeiro, pega o centro-oeste,
06:22ele foi bastante chuvoso.
06:23Então, as lavouras de soja acabaram alongando um pouco o seu ciclo,
06:27o que é positivo, elas produziram muito bem.
06:30Só que apertou um pouco mais o calendário do plantio do milho.
06:33Então, a gente começou a plantar em janeiro,
06:35mas adentrou até março.
06:37O produtor, ele faz muito uma programação,
06:40porque, claro, a gente não pode pensar que vai colher e plantar
06:43e colher tudo na mesma hora.
06:44Então, ele tem que fazer uma programação ao longo da sua safra.
06:49E ele tenta fazer com que essa programação de plantio
06:51não entre no mês de março,
06:54que é o período que tem maior risco.
06:56Quando ele começa a entrar em março,
06:59ele já começa a diminuir um pouco do nível de investimento
07:02e já prevendo que são lavouras que não vão dar um retorno tão alto.
07:07Isso, caso não chova.
07:08Num ano como esse, que choveu,
07:10então, até mesmo essas lavouras mais tardias,
07:12ele vai conseguir colher um pouco melhor.
07:15Mas, de forma geral, o planejamento passa por isso.
07:17Invisto mais nas primeiras áreas
07:18e as últimas, já sabendo desse risco,
07:21tiram um pouco a mão no investimento.
07:23Como é que o Brasil está posicionado no mercado exportador de milho?
07:28Então, o Brasil é um player importante no mercado de milho.
07:32A gente deve fazer, esse ano, algo acima de 40 milhões de toneladas.
07:38Estamos ainda atrás dos Estados Unidos.
07:40Mas, nós somos já um player bastante relevante.
07:44Há um aspecto muito importante no nosso mercado de milho,
07:47que o nosso mercado de milho interno, ele também é grande.
07:50Tanto por conta do consumo das proteínas animais,
07:53milho para fazer ração para as proteínas animais,
07:56como também o milho que a gente utiliza na indústria de etanol.
08:00Então, hoje, o nosso consumo interno, ele vem crescendo,
08:03já está batendo aí quase 97 milhões de toneladas.
08:08E o que sobra, de fato, é o que a gente direciona para as nossas exportações.
08:11E é justamente do milho, segundo a safra,
08:15de onde a gente tira as exportações.
08:17Por isso que o nosso calendário, a gente começa o ano muito mais focado em soja,
08:21nas exportações de soja.
08:23E, no segundo semestre, a gente vira a chave para conseguir exportar milho,
08:28que é o que a gente deve fazer a partir desse mês de junho.
08:32E para quem o Brasil mais exporta, André?
08:35No Brasil, as exportações são bastante pulverizadas.
08:39Mas a gente faz o mercado europeu, o mercado dos Emirados Árabes.
08:43É o mercado que a gente atende.
08:45Começamos a atender a China, apesar de que agora a China saiu desse mercado de importação,
08:50não é mais tão relevante.
08:52Mas é uma exportação bastante pulverizada hoje.
08:56O milho é uma cultura interessante porque ele está no Brasil desde o descobrimento.
09:00A gente sabe que, por exemplo, os portugueses gostavam muito de cuscuz marroquino.
09:04Como aqui, inicialmente, foi difícil plantar trigo,
09:07eles inventaram cuscuz de milho,
09:08que é uma coisa que se popularizou no Brasil.
09:11Tem no Brasil inteiro, mas principalmente no Nordeste.
09:13Mas nos últimos anos a gente percebe que a plantação de milho,
09:20as grandes plantações para exportação,
09:23elas se profissionalizaram muito mais.
09:25Eu imagino também que houve investimento em melhoramento genético,
09:29enfim, em espécies mais adaptadas ao nosso clima.
09:33O que você tem para falar para a gente
09:35sobre essa evolução tecnológica mesmo no cultivo de milho no Brasil?
09:39Então, foi uma evolução fantástica e justamente,
09:45e mais fantástica ainda quando a gente olha para a questão da segunda safra,
09:48porque quando você comentou aí o descobrimento do Brasil,
09:51naquela época, e não precisamos ir tão longe assim,
09:53se a gente voltar aí em torno de 10 anos,
09:56a gente tinha uma participação do milho verão muito maior,
10:01porque, de fato, a gente concorria com a soja para plantar o milho.
10:05Como acontece nos Estados Unidos?
10:06Os Estados Unidos hoje escolhem ou plantar a soja ou plantar o milho.
10:10E no Brasil a gente teve uma evolução em termos de desenvolvimento genético
10:15muito grande ao longo desses últimos anos,
10:18que permitiu que fossem desenvolvidas híbridos,
10:22com ciclos menores,
10:24e que a gente conseguisse posicionar ele ao término da colheita da soja.
10:29Então, para mim, essa é a maior revolução que a gente tem no mercado de milho,
10:33é a ascensão do milho segunda safra,
10:36porque no Brasil a gente passa a fazer duas,
10:39ou até mesmo três safras aí,
10:40quando a gente trabalha aí com pivô,
10:43e trabalhando com altas produtividades.
10:45Hoje a gente começou a colher milho aí nas áreas irrigadas,
10:49já falando em produtividade de 200 sacos,
10:52os primeiros milhos que a gente está colhendo agora na segunda safra,
10:55estamos colhendo milho de 160, 170 sacos por hectare.
10:59Então, são resultados fantásticos.
11:01E o milho, só para você entender,
11:03dentro do sistema produtivo do cerrado brasileiro,
11:06ele entrou no início muito mais como uma cobertura,
11:09por isso doinha, do safrinha.
11:11Você plantava o milho só para plantar,
11:12para ter uma cobertura,
11:14não deixar o solo descoberto.
11:16E passou a ser hoje muito importante dentro da renda do produtor.
11:20Tanto que quando a gente olha para o cerrado,
11:22a gente costuma falar que a soja paga a conta,
11:25e o milho é o que traz hoje o lucro para o produtor.
11:28Então, sem dúvida alguma, essa revolução foi fantástica
11:31e ela exerce um papel muito importante na geração de renda para o produtor
11:37e na geração de renda para a sociedade como um todo.
11:42Porque a nossa agroindústria cresceu muito,
11:44o próprio mercado de etanol, a partir de milho,
11:48teve um crescimento gigantesco e está gerando renda,
11:51está gerando emprego ao longo de todo esse Brasil.
11:54Muito interessante. André DeBastiani, coordenador do Rally da Safra.
11:58Obrigado pela sua participação hoje aqui no Real Time.
12:01Boa tarde.
12:02Obrigado pela oportunidade, Marcelo.
12:05De fato, a gente está começando esse trabalho
12:06de percorrer as regiões produtoras do Brasil
12:08e nos próximos dois meses a gente vai estar validando
12:11essa produção que a gente comentou aqui a campo
12:13e daí vamos ter a oportunidade de trazer os números fechados
12:16com as análises de cada uma das regiões do Brasil.
12:19Por favor, volte para conversar com a gente.
12:20Boa tarde.
Seja a primeira pessoa a comentar
Adicionar seu comentário

Recomendado