A terra não é mulher Mulher é fruto de palavras claras Que habitam o corpo Quando o corpo anoitece E não lhe habitam estrelas Embora na pele lhe nasça trigo E nas rubras flores os lábios E nas gotas de orvalho as lágrimas Na noite tuas pálpebras fechadas E na luz da manhã teus olhos em flor A terra não é mulher Mulher é trigo fora desse trigo de sol e vento O rosto e o colo que a terra não conhece A alma que afaga o corpo tão lasso Que desmaia ao iniciar da lua É o sabor e o cheiro das flores em beijo As pálpebras que a terra nunca teve De olhos interiormente iluminados As sílabas que a terra não sabe dizer Onde os rios nascem e há crianças ao sol!
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