Troco os meus olhares com a quietude dos peixes e vagueio numa ondulação combinada com o arrepio mastigado das águas que morrem na indiferença das horas.
Nem o feitiço da luz em relâmpagos no seio das águas lisas me acordam deste flutuar harmonioso e sereno numa fusão clandestina entre o profano e o sagrado.
O meu caminho abre-se nas clareiras profundas e brancas das areias em janelas de rostos cristalinos onde procuro repousar este destino.
Aí, sou a casa abandonada no navio que perdeu o leme e deixou a esperança da alegria na linguagem impaciente dos mastros
Nem a tarde nem a noite acordam a cumplicidade silenciosa destas solitárias ondas.
Nelas, abandono as memórias na quietude da sombra dos juncos.