- há 4 meses
Prosa caipira
Categoria
📚
AprendizadoTranscrição
00:02Mas a gente tem cada coisa, tá louco, viu?
00:07Tempo de criança, eu sou do tempo do sabugo ainda.
00:12Hum, isso aqui quebrava um gaião na roda.
00:18Eu vou deixar pra mim contar essa história pra vocês mais tarde.
00:23Porque eu lembro que na casinha de barro que nós morávamos,
00:28meus pais é aqui de Minas Gerais, região de Botelhos, Parmeral, né?
00:36Então, casaram ali em Parmeral e foram pro Paraná.
00:39E meu irmão, o mais velho, nasceu aí em Botelho, foi registrado em Botelho.
00:46Eu já nasci lá no Paraná.
00:48E lá nós morávamos naquelas casinhas na beira da mata, em fazenda,
00:52e nós andávamos só descartes.
00:54Eu lembro a primeira vez que eu fui comprar um sapato,
00:57que o pai viu comprar uma botina pra mim,
00:59eu tava com...
01:01Eu acho que 18.
01:08Aí, foi experimentando, experimentou 40, não serviu.
01:15Aí, eu não sei o que que deu no pai,
01:18e o pai foi lá, veio com um sapato, 36.
01:22Adivinha, ficou bão demais.
01:24Cortou minhas unhas.
01:28Aí, ficou forgadinho.
01:32E nós andava descartes,
01:34entrava aquele bichinho de pé no racho do carcanhar.
01:39Ai, meu Deus, quando entrava um bichinho daquele,
01:42como coçava gostoso.
01:46O pai tinha 3, 4 rachos no carcanhar.
01:50O véio ia até no mangueirão de porco,
01:52lá botava o pé só pra entrar bichinho no racho do carcanhar.
01:56E nós morávamos em casa de barro,
01:58dormia eu, o pai e a mãe numa cama só.
02:01E o pai dormia no campo só pra ficar esfregando o carcanhar na parede,
02:07coçando, a noite inteira coçando.
02:10De tanto coçar, ia caindo o barro,
02:12tinha aquela valeta na parede.
02:15Às vezes, eu escutava ele falando sozinho,
02:17mas como é bom o bicho no racho?
02:20Ah, no outro dia, eu tava lá no mangueirão pra pegar bichinho também.
02:32E, então, a gente vai lembrando dessas coisas,
02:35depois vai crescendo, vai mudando tudo.
02:38Eu, quando cresci, eu já fui pra São Paulo,
02:41já peguei um serviço lá no Palácio do Governo.
02:44E, tempo, pão.
02:46Tempo do Jânio Quadro, eu era querido.
02:49O Jânio Quadro, quando saiu, deixou um presente pra mim.
02:52Fui ver um quadro.
02:54Falei, ai, pra mim não esquecer dele.
02:56O Jânio Quadro me deu um quadro.
02:58Aí, ele saiu, entrou Ademar de Barro.
03:02Quando o Ademar de Barro saiu, deixou outro presente.
03:05Fui ver um pote de barro.
03:07Falei, ué, esses homens estão gostando de mim mesmo.
03:10O Jânio Quadro me deu um quadro,
03:11Ademar de Barro me deu um pote de barro.
03:13Negócio tá bom.
03:15Saiu Ademar de Barro, entrou Carvalho Pinto,
03:18e eu saí do serviço.
03:36Vai que a coisa continua, ó.
03:41Ah, Deus me livre.
03:45Ué, tempo nosso eu voltei pra roça,
03:47porque na roça é muito melhor.
03:49Eu tenho um primo meu,
03:5132 anos, nunca tinha usado uma cirula.
03:54Vocês sabem o que é cirula?
03:57Cirola era um escoecão que vinha pra cima do imbigo
03:59e ia amarrar pra baixo do joelho.
04:02Esse meu primo nunca tinha usado cirula,
04:04chamava Tonho.
04:06E a mãe dele falava,
04:08meu filho, você tem que usar cirula,
04:10Tonho, você tá na idade de casar,
04:1132 anos.
04:14Ele falava,
04:14a mãe, eu não gosto não,
04:15experimentei a do pai e fica ralando.
04:19Tonho, se as moças descobriram
04:21que você não usa cirula pro bairro da carça,
04:24elas veem que você não é homem de casamento,
04:25você não arruma casamento, Tonho,
04:27você tá encaiado, Tonho.
04:30Ah, eu não gosto não.
04:31Aí teve uma festa,
04:32vai o meu primo, Tonho.
04:34Não é que ele começou a conversar com a mocinha,
04:37ela chamada Maria,
04:38e começou os dois se entrosar e conversar.
04:42Nossa, ele chegou pra mãe dele,
04:43que é minha tia,
04:44falou, mãe,
04:45eu acho que eu arrumei uma namorada.
04:47Eu falei com ela,
04:48ela falou que quer,
04:49eu também quero,
04:50e faz a cirula pra mim,
04:52que agora eu uso.
04:53Essa eu quero casar,
04:54porque ela é bonita.
04:56Aí minha tia,
04:57nossa, vai desencaiar o filho.
04:59Correu na cidade,
05:00comprou três metros de pano.
05:03Fez um cuecão pra ele,
05:05um cirrolão,
05:06gastou dois metros.
05:08Ele falou,
05:09nossa,
05:09mãe, ainda sobrou um metro,
05:10mas é meu, hein?
05:11Ela falou,
05:12é, Tonho,
05:12esse metro fica aqui em casa,
05:14às vezes rasga,
05:15a mãe remenda pra você e tal.
05:17Gastou dois,
05:18esse metro é teu,
05:19mas fica guardadinho aqui em casa.
05:21Semana inteira,
05:22ele botava o cirrolão pro baixo da casa,
05:24se rodeando em volta da casa
05:25e falando sozinho.
05:27Chega,
05:28é,
05:28é,
05:29é domingo,
05:29eu vou mostrar pra Maria.
05:31Eu acho que ela vai gostar,
05:32tem até florzinha.
05:34E não vê,
05:35é hora de chegar o domingo,
05:36pra ir mostrar pra namorada,
05:37pra ela ver que ele já podia casar.
05:39Ih,
05:40chegou o domingo,
05:41ele botou o cirrolão,
05:43deu um lacinho pra cima do imbigo,
05:44dois lacinhos pra baixo do joelho,
05:46jogou perfume pra tudo,
05:47quando é canto,
05:48vestiu a carça arriscada,
05:51ajeitou a camisa,
05:52carchou o sapatão
05:53e machou pra estrada.
05:55Andando e falando,
05:56chega lá,
05:57a primeira coisa que eu vou mostrar pra Maria,
05:58ela vai gostar,
05:59porque,
06:00é,
06:00as florzinhas bonitas e tal,
06:02e ela vai casar comigo.
06:04Acontece que ele tinha comido
06:05umas carnes gordas,
06:08hum,
06:10tinha chupado umas laranjas baianas
06:12com bagasse e tudo.
06:15Ah,
06:16na metade do caminho,
06:17a barriga deu um sinal,
06:18que,
06:19que,
06:19que,
06:23ai,
06:24é justo hoje.
06:25E a barriga foi apertando,
06:27a dor de barriga,
06:28ele não aguentou,
06:29mas entrou no meio do cafezá,
06:31pra sortar a paçoca.
06:34Tirou a carça,
06:35pendurou no gai do pé de café,
06:37tirou a cirola com cuidado,
06:39pra não sujar,
06:40pendurou no outro gain lá,
06:42e,
06:45ah,
06:45fez o que tinha que fazer,
06:47levantou,
06:47vestiu a carça,
06:48carçou o butinão e rumou embora.
06:52Esqueceu de botar a cirula por baixo.
06:55E andando e falando,
06:56eu chego lá,
06:56vou mostrar pra Maria.
06:59Nossa,
07:00ele foi chegando,
07:01a moça na janela,
07:02ei,
07:02Maria,
07:03vem cá,
07:04vamos ali atrás da paineira,
07:06eu vou mostrar uma coisa,
07:07pra você estar debaixo da cárcia.
07:09Ela falou,
07:10mostra,
07:10Tony,
07:11que eu quero ver.
07:13Ele arreio a cárcia,
07:14ela falou,
07:15nossa,
07:15que tamanho!
07:18Ele falou,
07:18ainda tem um metro em casa.
07:31A sorteira até hoje.
07:37Caso nós estamos em 16, irmão,
07:40eu lembro quando nós era criança,
07:42nós dormia tudo numa cama só.
07:45E nós rezávamos toda a noite
07:47pra nossa irmã mais velha casar,
07:49pra forgar um pouquinho.
07:51Aí ela casou,
07:53nós sortamos até foguete de alegria.
07:55Aí passamos a dormir em 17.
08:03Ah, meu Deus.
08:06Adiantou nada.
08:10Não tem coisa que é do arco da velha.
08:14O gente,
08:15nós contamos muitas histórias,
08:16desde mineiro,
08:18de baiano,
08:19de português.
08:20Uma vez que o português arrumou a namorada,
08:23ele mandou fazer um terno branquinho de linho,
08:26botou o terno,
08:27pra ir ficar noivo.
08:29E ficou noivo tudo e foram pro jardim.
08:33Aí sentaram-se num banco do jardim,
08:35debaixo de uma árvore,
08:36aquele calor,
08:37e a noiva não podia nem encostar no paletó,
08:40ele já estava.
08:41Encostava mais do paletó do que a da moça.
08:44Um passarinho com a barriguinha meia ruim.
08:48Eu acho que tinha comido muita mora,
08:51rebitou o rabinho e deixou cair.
08:54Acertou em cheio o paletó do português.
08:57Nossa, o português já começou a xingar,
08:59procurando uma pedra.
09:00A noiva dele, muito delicada,
09:02tirou um lencinho da bolsa,
09:03falou,
09:04o que é isso, meu bem?
09:05Não precisa xingar,
09:06olha o lenço,
09:06limpa.
09:07Limpa que jeito,
09:08o Arthur é aquele,
09:08tá?
09:18A turma de baiano tomando banho numa represa.
09:21E os baianos pulavam lá de cima do barranco.
09:24Quando é exói,
09:25um baiano se afogando,
09:26socorro!
09:27Gute, gute, gute, gute,
09:28engolindo água.
09:30Um falou,
09:30Raimundo vai morrer.
09:31Nossa mãe,
09:32vamos salvar.
09:32Já pulou uns seis lá.
09:34Baiano já tinha engolido uns 20 litros de água.
09:38Arrastaram o baiano,
09:39deitar na beira da represa,
09:41e aperta e pula em cima,
09:42que sai água nata,
09:43tudo trancado.
09:45Aí um baiano falou,
09:46se arrede,
09:48deixe pra mim,
09:48que eu vou salvar Raimundo.
09:50O outro falou,
09:51como?
09:52Eu vou chupar a água dele,
09:54pela boca dele,
09:55com a minha boca.
09:56Não tem outro lugar pra eu sair,
09:57no outro lugar eu não ponho a minha.
10:02Se arrede.
10:03E já baixou boca com boca,
10:05e...
10:07Primeiro agorpado,
10:08um litro jogou pra lá.
10:10Voltou de novo,
10:12e...
10:14Dois litros.
10:16Quarenta minutos,
10:17tirando água,
10:18a barriga do baiano,
10:19da mesma altura.
10:20Aí um molequinho,
10:21que tava observando,
10:22cutucou nele,
10:23falou,
10:23moço,
10:24se não tirar o bumbum dele,
10:26dentro da água,
10:26vai secar,
10:27represa.
10:40Criançada descobre tudo, né?
10:42Nossa.
10:43Criança descobre.
10:44Menino empurrou a saia da mãe dele,
10:46falou,
10:46mãe,
10:46tá cheirando chifre queimado.
10:49Ela falou,
10:49fala baixo,
10:50o seu pai tá com febre.
10:56Tem gente que não pega na hora, né?
11:01É sim,
11:02às vezes a gente conta uma piada,
11:04e a pessoa fica esperando,
11:06assim,
11:06pensando que ainda não terminou.
11:11Um casalzinho namorando no jardim,
11:14o guarda ia passando,
11:15a mocinha falou,
11:16olha o guarda,
11:17guarda.
11:29Dois tobogãs conversando,
11:32vocês sabem o que é tobogã?
11:34Escorregador gigante.
11:36Os dois conversando,
11:38um falou pro outro,
11:39como os anos passam depressa, né?
11:49Pois é.
11:52Entrei na farmácia pra comprar ou melhorar,
11:55o farmacêutico velhinho,
11:57esfregando o supositório do caderno,
11:59esfregava,
12:00chacalhava.
12:02Falei,
12:02o senhor tá tentando escrever com supositório?
12:05Ele olhou e falou,
12:06é, onde será que eu enfiei minha caneta?
12:18Os velhinho é fogo,
12:20casalzinho de velho na fazenda,
12:22olhando pro pasto.
12:24Aí a velhinha saiu na janela,
12:25viu o boi cruzando com a vaca.
12:27A velhinha falou,
12:28velho,
12:29vem cá, vê.
12:29O velhinho foi chegando,
12:32o que foi?
12:33Olha lá.
12:34Não é que o velhinho se animou?
12:37Ih,
12:38teve festa.
12:40Outro dia a velhinha levantou,
12:42fritou bolinho,
12:43fez café,
12:43levou na cama pro velho,
12:45tratando ele na parma da mão.
12:47E de zóio no pasto.
12:52Lá pras quatro horas da tarde,
12:54ela viu novamente o boi cruzando com a vaca.
12:57Ela falou,
12:57velho,
12:58vem cá.
12:59Ele falou,
12:59não vou não,
13:00tô cansado.
13:02Ela,
13:03vem aqui logo.
13:05Aí o velhinho foi chegando,
13:07o que que foi?
13:07Ah lá.
13:10Grande coisa.
13:12Grande coisa pra você,
13:13velho,
13:14frouxo.
13:15Aquilo é que é ser forte.
13:17Olha lá o tolão.
13:18O velho falou,
13:20observa pra você ver se é a mesma vaca.
13:37Zéinho é fogo.
13:39Tem coisa que é do arco da véia, tá louco.
13:43Tem mineiro aí?
13:44Tem.
13:48Mineirinho tá assistindo a missa.
13:50Vá de lá rezando a missa e o mineirinho lá.
13:52Fiel.
13:53Um camarada sentado perto olhou uma nota de cinquenta real.
13:58No pertinho do pé do mineiro.
14:01O cara deu um jeitinho,
14:02enquanto o mineiro viu a mão do homem passando,
14:04o mineirinho botou o pé em cima.
14:07Já tava vendo?
14:10Coçou a canelinha,
14:11catou o cinquentão e ó,
14:13o cara cutucou no mineiro e falou,
14:15o mineirinho.
14:21Aí o homem falou,
14:22bom,
14:23tá falando que vai rachar comigo.
14:26Terminou a missa o cara,
14:28o cara falou,
14:28cadê o mineiro?
14:29Ih,
14:30o mineiro já tá lá na rua com os passão compridos.
14:34Camarada correu atrás,
14:35bateu nas costas,
14:36vem cá,
14:37o que é que foi?
14:39Cinquenta real que nós achamos lá dentro da igreja.
14:42Eu catei,
14:43é meu.
14:44Você falou que você ia rachar comigo.
14:46Imagina que dentro da igreja eu ia fazer assim pra você,
14:49ó,
14:49ó,
14:49ó.
15:01Vai brincar com o mineiro,
15:03vai.
15:04Não,
15:05minerado é fogo.
15:06Uma turma de mineiro fazendo mutirão
15:08pra terminar um serviço
15:10numa roça,
15:11lá roçando o passo.
15:12Uns oitenta mineiros.
15:13e a foice vai rolando.
15:15Fiaco,
15:15hoje nós caba com a que saça,
15:17vamos nós.
15:17Fiaco,
15:17tchau,
15:18tchau,
15:18e vai levando aquele eito.
15:20Um poço abandonado,
15:22um coitado do mineiro não viu.
15:24Quando vir,
15:25já tava caindo no poço.
15:26É tchum!
15:28Poço raso,
15:28uns quarenta e nove metros só.
15:31Quando tiraram o mineiro,
15:32depois de umas oito horas,
15:34já tava morto.
15:35Botaram ele lá no meio da grama,
15:37do capim.
15:38Um falou,
15:38quem que vai avisar a mulher dele?
15:40A mulher dele chora só de ver matar um frango?
15:43Aí tinha um mineirinho lá no meio,
15:44falou,
15:45e eu vou.
15:46O finado era meu compadre,
15:49a mulher é a minha compadre,
15:50eu vou avisar a compadre
15:51que o compadre morreu.
15:52Eu já tomei do zóio nela mesmo.
15:56E rumou pra casa da compadre,
15:58certo,
15:58pensando no caminho.
15:59Agora a compadre tá viúva.
16:04Chegou,
16:04bateu parma,
16:05saiu a compadre na porta.
16:07Vamos entrar, compadre.
16:08Mais tarde,
16:10tem uma notícia pra te dar a compadre.
16:13O compadre,
16:14o teu marido,
16:14caiu no poço e morreu.
16:16Nossa mulher levou um susto,
16:18deu um pulo e começou a chorar
16:20e as lágrimas caindo.
16:21E ele com vontade de consolar,
16:23comadre,
16:24e agora não vai escapar mesmo.
16:26E tal.
16:26E ela chorando,
16:28pegou na ponta da saia,
16:29lá embaixo,
16:29e levantou pra enxugar o zóio.
16:32E ela enxugando o zóio,
16:34ela falou,
16:34o compadre do céu,
16:35o senhor já viu uma desgraça
16:37desse tamanho,
16:39compadre.
16:40Ele olhou e falou,
16:41só a de vaca,
16:42comadre.
16:52Ah, minerada é fogo.
16:56Mulher morava no décimo andar do prédio.
17:00Aí ela falou pra nora dela,
17:01vai terminando o almoço aí,
17:03que eu vou comprar umas coisinhas
17:04que tá fartando.
17:05Pegou o elevador,
17:07desceu,
17:08atravessou a rua,
17:09foi no mercado,
17:09comprou ele,
17:10aí vem com a sacola.
17:16Quando ela entrou no elevador,
17:18que fechou a porta,
17:20mesma história.
17:21Tinha comido algumas carnes gordas,
17:24a barriga já deu o sinal,
17:26que é...
17:29Ela falou,
17:30acho que é só o vento.
17:33Eu não vou segurar não,
17:35tô sozinha aqui no elevador,
17:37e o elevador subindo devagarzinho.
17:39Ah, gente,
17:40sortou um,
17:41o negócio ardeu.
17:43Nossa, mãe.
17:44Aquilo circulou,
17:45ela falou,
17:46nossa,
17:46parece que eu comi papo de urubu.
17:48Ai, ai, ai.
17:50Se entrar alguém aqui,
17:51já vai saber que foi eu,
17:52o que que eu faço.
17:53Aí lembrou que tinha comprado
17:55um litro de desinfetante de eucalipto.
17:58Ela falou,
17:59ainda bem.
17:59Tirou aquilo,
18:01jogou inteiro no elevador.
18:03Acabou de jogar,
18:05o elevador parou,
18:06ela encostou na parede,
18:07entrou um bêbado.
18:09O bêbado entrou,
18:10eu pra cara da mulher,
18:11falou,
18:11nossa dona,
18:12cagar no calipiar, hein?
18:14Grira,
18:15não é?
18:16não é?
18:20Aqui.
18:25Obrigado.