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00:08Muito bom dia, bem você está no ar, obrigada pela sua companhia nesta manhã.
00:13Nem todo conflito precisa terminar em um longo processo na justiça.
00:17Dívidas, pensão alimentícia, desentendimento entre vizinhos ou problemas com empresas
00:22podem ser resolvidos de forma mais rápida e pacífica através do diálogo.
00:28Na próxima semana, de 3 a 6 de novembro, acontece em todo o Brasil a Semana Nacional da Conciliação,
00:35uma oportunidade para quem quer encerrar uma disputa ou um acordo.
00:40A conciliação e a mediação ajudam a desafogar o judiciário e, principalmente,
00:45dão às próprias pessoas envolvidas a chance de construir a solução juntas.
00:51Para explicar como funciona esse caminho e a importância de mediar e conciliar na sociedade,
00:55a gente recebe a conciliadora de conflitos, Helena Galvão, da Casa da Justiça e Cidadania de Jaboatão.
01:03Bom dia, Helena, tudo bem?
01:05Bom dia, é um prazer estar aqui com vocês.
01:07Olha, é um serviço muito importante, muito importante, que economiza dinheiro,
01:14que economiza o desgaste das pessoas estarem procurando advogado, entrando na justiça,
01:19mas só que é um serviço até um pouco conhecido da população, né?
01:24A gente precisa divulgar mais essa história da conciliação fora do judiciário.
01:30Eu queria que você explicasse para a gente um pouquinho como é que funciona,
01:33quem pode acessar e, principalmente, como é que vai funcionar a Semana da Conciliação.
01:38Bem, hoje está mais divulgado, né, é até um marco para quem vive nessa área, né,
01:46e é muito bom, porque, como você bem falou, o judiciário realmente são várias demandas.
01:54Então, quando se fala de um assunto que pode ser tratado entre si, entre as partes, né,
02:00eu costumo dizer nas minhas conciliações que vocês constroem o acordo.
02:05Então, as partes já vêm com aquela necessidade, eles sabem o que precisam, né?
02:12Então, é muito mais prático, né, porque aí você pode sentar naquela mesa,
02:21eu tenho uma mesinha, a gente tem uma mesinha redonda, um de frente para o outro, as duas partes,
02:26e ali eles externam.
02:28E a conciliadora, ela vai só ministrar a conversa que incline para o sucesso da conciliação.
02:38Mediar, né, evitar a confusão, né?
02:39Então, evitar, porque às vezes existe a emoção, existem coisas que precisam ser ditas.
02:45Então, a gente está ali para equilibrar, para que evite de não aproveitar aquele momento, né,
02:52e desandar a conversa, e aquela conversa ter um êxito.
02:57Cita um exemplo aí de um caso que você resolveu recentemente.
03:01Ah, tem vários, inclusive teve um há pouco tempo que eles voltaram.
03:08Era um divócio, era um divócio, e eles voltaram.
03:12No meio da conversa foi falado, tinha aquele ponto que precisava ser dito,
03:18e por questões de emoções, de cada um ter suas emoções guardadas, eles voltaram.
03:25A gente só precisa de uma boa conversa.
03:27De uma boa conversa.
03:28E aí, o que é que acontece?
03:29A gente terminou a audiência de conciliação, eles saíram, pediram um tempo,
03:35eu sugeri um tempo, eu digo, olha, eu estou vendo a emoção no meio,
03:38eu sugeri um tempo, e aí eles saíram para almoçar,
03:42perguntaram o horário que eu estaria ainda.
03:46Sim, na tarde, eu quero que você volte à tarde, para a gente continuar a conversa.
03:49Exatamente.
03:50Me perguntou, eu disse, não, eu estou aqui, pode voltar, sem problema.
03:54Fui, fiz outra audiência, que já estava, era uma pensão alimentícia,
03:58foi uma coisa que já estava sendo na prática, a gente só fez formalizar,
04:02e quando eles voltaram, vieram me dar a notícia.
04:05Menino, olha só.
04:06E foi muito bonito, e tiramos fotos, foi muito bonito,
04:10e assim, a gente vê a importância de uma conversa.
04:14Estou achando que esse almoço aí, hein, Dola?
04:16Ele levou ela para o melhor restaurante do Recife.
04:20Exatamente.
04:23Prometeu viagens e uma transformação também.
04:25Com certeza.
04:26E a mulher, a mulher, a mulher, não quer caixão de dinheiro não.
04:29Não adianta só um lado, tem que realmente ir ali e ver os dois lados,
04:34existem duas partes, existem várias outras coisas que interferem no relacionamento,
04:41que pode ter chegado àquele afastamento.
04:44Mas ali eles pararam e agradeceram a mim, eu fiquei muito lisonjeada de saber que eu estava ali naquele momento,
04:52né?
04:52Aquele momento tão especial.
04:54Deve ser muito satisfatório, né?
04:54Muito.
04:55E eles voltarem, porque eles poderiam ter ido embora.
04:57E até perguntaram, se a gente não voltar, eu já tinha, eu já estava sentindo, não tem problema, a gente
05:02vai arquivar.
05:03E aí não tem dano nenhum, a gente vai e dá, procede, e diz que não teve então.
05:09Briguezinha vizinho, tem muito.
05:10Muito também.
05:11É mesmo, é som alto.
05:13Som alto, a gente chama.
05:15Teve um bem interessante que foi com a igreja.
05:17Sim.
05:19O pastor e ele brigando.
05:21Já foi chamado pastor e a gente vai com todo o respeito para todos os lados,
05:28tanto com o vizinho, com aquela pessoa, aquele morador,
05:33tanto com um lado quanto com o outro.
05:35E o pastor não queria abrir mão do barulho.
05:38É, ele explicou.
05:39Sim.
05:39Mas assim, teve um consenso dos dois lados e foi muito bonito também, da parte dos dois.
05:44Ele não se dava conta.
05:46Então tem momentos que a necessidade da conversa é tão grande,
05:51você muitas vezes está atrapalhando uma pessoa e você não dá conta.
05:54Porque você está envolvida ali na situação, né?
05:57Às vezes você leva para o lado pessoal, você já está magoado contra a coisa, aperreada.
06:01Quando você tem uma terceira pessoa...
06:03Que equilibra, não está envolvida em muitos lados.
06:07Aí você começa a enxergar de outra maneira e impede, como eu estava dizendo no começo,
06:13essa sua ida ao judiciário, contratado, advogado, defensor público,
06:18para resolver uma questão que ela pode ser resolvida em uma conversa.
06:21Eu acho que hoje as pessoas são muito nervosas, muito intolerantes.
06:25Então qualquer coisa é faísca, principalmente no trânsito.
06:28No trânsito, sua armaria é faísca.
06:30Então quando você vai para um serviço de conciliação,
06:33as pessoas tendem a ouvir uma terceira pessoa e refletir sobre aquilo que elas estão fazendo.
06:40Como é que a pessoa acessa esse serviço lá em Jaboatão?
06:43Olha, eu hoje...
06:45Minha vida praticamente, eu posso dizer, a minha vida na conciliação foi dentro da defessoria pública.
06:54Foram 12 anos.
06:56E hoje eu estou na Casa da Justiça e Cidadania.
06:59É muito... A gente atende a população de Jaboatão.
07:02É muito fácil.
07:04Chegou o presencial...
07:06A pessoa sozinha.
07:08Sozinha.
07:08Não precisa da outra parte, não.
07:09Não, não.
07:10Sozinha.
07:10Não, a gente encaminha um convite e a outra parte geralmente dá certo.
07:15Geralmente.
07:16Entendi.
07:16Eu acho que é 90% dar certo de ter acesso à outra parte.
07:20Não estou dizendo que os 90% eu consiga.
07:22Eu estou no equilíbrio de 70% de êxito e para mim já é uma vitória.
07:28Porque eu sou apaixonada pela conciliação.
07:30Então, quando a gente vê que está dando resultado, é muito bom, é muito gostoso.
07:35Então, hoje é a Casa da Justiça e Cidadania.
07:38E é da Procuradoria do município de Jaboatão, nos Guararapes.
07:42Onde é que chegando lá, vai ser encaminhada para o pessoal da triagem.
07:48O pessoal da triagem já pega só seus dados.
07:52Ele externa quem é a outra parte.
07:54A gente pergunta se é um ex-cônjuge, é um relacionamento, é seu vizinho.
07:59Pergunta, faz algumas perguntas básicas, é uma triagenzinha e convida a outra parte.
08:05E é tudo convidado.
08:06É maravilhoso porque nada com imposição.
08:10Quando chega lá, a outra parte vem meio, sabe, quer que eu vou vir aí, quer que eu vou ver,
08:15quer que eu...
08:15E ela é super acolhida.
08:18E a gente escuta o outro lado.
08:20Você faz essa desculpa individualizada com o outro lado primeiro?
08:23Depende.
08:24Ou é frente a frente?
08:26Depende.
08:27Eu costumo primeiro perguntar quem veio buscar.
08:31Eu já pergunto como é a situação para poder saber como vou no momento.
08:35A gente vai se dirigir àquela problemática, né?
08:38Aquele assunto que eles sozinhos não conseguiram resolver.
08:42Eu costumo dizer sempre isso.
08:44Geralmente, quando chegam, eu me apresento e digo, gente, vocês estão aqui para vocês mesmos construírem um acordo.
08:51Eu sou apenas uma intermediária de vocês.
08:54Então, eu estou aqui para tirar dúvidas porque a gente também, lá na Casa da Justiça, a gente também tem
09:00a questão de orientação jurídica.
09:02Então, muitas vezes ali no meio da conciliação, eles fazem uma pergunta que a gente não pode advogar.
09:08A gente não pode, mas assim, responder de uma maneira genérica, a gente responde para os dois lados.
09:14E é muito gostoso.
09:16É muito bom.
09:16Entendi.
09:17Então, essa semana da conciliação, que acontece na próxima semana, de 3 a 6, como é que as pessoas têm
09:22acesso a outros locais no estado de Pernambuco?
09:25Por exemplo, existe o Sejusque, que é dentro do fórum, que é a capital, né?
09:30Que é dentro do fórum de Ana Bezerra.
09:32Existe lá o andar do Sejusque, quinto andar.
09:36E na própria recepção já é direcionada.
09:39Se você chegar no terro, na recepção do fórum de Ana Bezerra e dizer, eu estou interessada em fazer uma
09:45conciliação.
09:46Ou seja, eu preciso saber como funciona.
09:48Tem pessoas que não sabem, né?
09:50E aí elas são orientadas o passo a passo para que elas presencialmente possam fazer isso.
09:59E também tem o lado que você pode se cadastrar pelo site.
10:04Pelo site do TJP.
10:08Ah, entendi.
10:09Mas, por exemplo, eu preciso que é de Olinda, que é lá em Jaboatão.
10:11Também pode se direcionar sempre para os povos.
10:14Você é só de Jaboatão ou não?
10:16Não, o meu só de Jaboatão.
10:17Hoje eu só atendo o Jaboatão.
10:19Entendi.
10:20Porque é por localidade, pelo seu endereço.
10:24Mas eu sou conciliadora de Pernambuco.
10:27Eu já atendi em Caruaru.
10:30Então é Pernambuco todo.
10:31Só que hoje eu tenho um compromisso com Jaboatão.
10:34Entendeu?
10:35E é muito gratificante a gente ver o resultado, né?
10:38A procuradoria está investindo muito nisso aí.
10:41Sim.
10:41E me diz uma coisa.
10:42Tem muita reincidência de casos assim.
10:45As partes foram lá, resolveram um conflito, ok, não sei o que.
10:49E aí dois meses depois elas voltam de novo.
10:51Não posso dizer que existe muita reincidência, mas eu já observo algumas.
10:57Não é muito, é raridade.
10:59Não é a maioria.
11:00A maioria resolve.
11:00Não, a maioria resolve e fica tudo ok.
11:03Até porque, veja mesmo, um fato muito bom que você falou.
11:07Você tocou num assunto muito importante pra que as pessoas tenham conhecimento.
11:12Após o acordo, vira obrigação.
11:15Você não tem como voltar atrás, a não ser que você volte pra fazer outro acordo.
11:19Ou seja, é um acordo até você chegar e assinar.
11:22Entendi.
11:23Você assinou, se comprometeu com aquela pessoa.
11:25Ah, as pessoas assinam.
11:25E o juiz homologa.
11:27Ah, que legal.
11:28É muito bom.
11:29É muito importante.
11:30Então ali, não é só de boca não.
11:32Não, não.
11:33A pessoa assina aquilo que ela tá se comprometendo a fazer.
11:36Exatamente.
11:37E aí é homologado.
11:38Exatamente.
11:38É muito bom.
11:39Lena, obrigada, viu, pela sua participação aqui.
11:43E parabéns pelo seu trabalho, né?
11:44Muito obrigada.
11:45De servir muito à sociedade, né?
11:47Principalmente nessa resolução aí de vários conflitos.
11:50Obrigada, viu?
11:51Lembrando que tem várias pessoas envolvidas.
11:52Eu vim da Defensoria Pública com o doutor Manuel Gerônimo, com o doutor Henrique Seixas.
11:57Eu hoje em dia tô com o Gil da Caminha, que é minha coordenadora.
12:00Eu queria muito que ela estivesse aqui hoje, ela não tá.
12:02Raiane Mendes, que ela trabalha comigo diretamente.
12:05Então, são pessoas envolvidas que a gente para pra ouvir uma família, pra abraçar aquela família.
12:10Então, quem chega na frente da gente, a gente diz que a gente tem a obrigação de tentar ajudar.
12:16Pelo menos tentar.
12:17Maravilha.
12:18Obrigada, viu?
12:19Obrigada a vocês.
12:20E olha, agora a gente faz um rápido intervalo.
12:22Na volta, vamos falar sobre os avanços no diagnóstico e no tratamento do autismo
12:26e como essas mudanças têm transformado a vida das crianças e das famílias.
12:31Sai daí, já, já.
12:39Bem, você de volta.
12:41Olha, no primeiro bloco a gente tava falando sobre conciliação, né?
12:43Eu esqueci de perguntar, não foi, Dola?
12:45Se ir lá fazer conciliação e sogra com Nora.
12:50Hein, Dola?
12:51Até 2018.
12:52Tá fechado até 2018.
12:55Porque uma amiga minha quer saber, sabe?
12:56Uma amiga minha quer saber pra fazer uma conciliação de sogra com Nora.
13:01Mas é porque quando a sogra não gosta de Nora, é porque a Nora é muito maravilhosa.
13:05Sabia?
13:05É, essa é a questão.
13:08Mas, ó, o assunto agora é autismo.
13:11Nos últimos anos, o diagnóstico tem chegado mais cedo e as formas de acompanhamento estão
13:16cada vez mais individualizadas, o que faz toda a diferença no desenvolvimento das crianças
13:22e na qualidade de vida das famílias.
13:24Para falar sobre os avanços no diagnóstico e no tratamento do autismo, a gente recebe
13:29a psicopedagoga Helena Possidonio.
13:33Acertei?
13:33Bom dia, acertou.
13:35Tudo bem, Helena?
13:36Bom dia.
13:37Tudo bem, querida.
13:38Olha, esse avanço, né, no diagnóstico de crianças com autismo, até mesmo de adultos,
13:44né, com autismo, que viveram toda uma vida.
13:46Sim.
13:47Tentando buscar explicações, né, e chega lá para os 30, 40 anos, até 50 anos.
13:52Foi o caso da atriz Letícia Sabatella, que descobriu aos 53 anos que tinha autismo.
13:58Esse avanço, ele faz com que a pessoa descubra cada vez mais cedo, né, descubra com mais especificidade,
14:05é isso, e pode ajudar no tratamento.
14:08Explica pra gente um pouquinho.
14:08É importante falar que hoje não vivemos uma epidemia de autismo ou modinha, como eu
14:19costumo escutar muitas pessoas que, assim que me conhecem, querem falar sobre o assunto
14:24e essa pergunta sempre surge, né, das pessoas que têm menos informação, nesse caso, e querem
14:31saber se realmente virou moda ser autista, porque hoje todo mundo é autista, criança,
14:36adolescente, adulto, quando saiu o diagnóstico da própria atriz, questionaram muito, né,
14:43ah, por que descobriu agora?
14:45Porque realmente esse avanço de uns 10 anos pra cá ou mais, da ciência, das pesquisas,
14:52artigos científicos, hoje a gente tem muito material, né, pra se debruçar sobre o assunto
14:58e uma qualidade, uma precisão nesse diagnóstico e também ele vem cada vez mais precoce,
15:06que é muito importante, porque o autismo ele é um atraso no desenvolvimento, então se
15:13o indivíduo ele tem uma idade cronológica X e a idade cognitiva dele não repercute esse
15:21ganho de habilidades que ele precisaria ter, né, então é claro que a gente precisa atuar
15:28o quanto antes pra poder ir tentando recuperar e trabalhar no ensino dessas habilidades.
15:36Precoce, você diz, por que idade?
15:39Olha, hoje a gente consegue já, assim, no caso médico, os pais que são os primeiros a
15:45ter contato com essa criança antes de um ano, né?
15:49Antes de um ano já é possível o diagnóstico?
15:51Quando é bebê, sim, já é possível, porque dentro da linha de desenvolvimento, do comportamento
15:56desses bebês, você já vai percebendo uma diferença grande, né, nesse desenvolvimento.
16:03Quando os pais já têm outro filho, conseguem comparar melhor, né, quando não, é importante
16:10que o pediatra, né, se atente, esteja com toda essa formação, com os protocolos.
16:16Que seja, que o desenvolvimento do bebê, ele seja equivalente à idade, ao esperado
16:22para a idade, né, e se não for, já acende um alerta, já vai procurar um...
16:26Não quer dizer que seja, mas é importante você buscar, né, a informação o quanto antes,
16:33porque esse tempo é precioso, né, na intervenção.
16:37Eu imagino que existe muita negação, né, das famílias, né, a família, ela percebe
16:42um comportamento diferente na criança e não quer admitir a possibilidade de um
16:47antismo.
16:48Exatamente.
16:48E aí o que acontece?
16:49Ela está adiando o início da terapia.
16:54Isso acontece muito?
16:55Muito.
16:56Normalmente, é exatamente por conta dessa negação, né?
17:00Você sonhou aquele filho que você idealizou, esperou, imaginou, vai parecer comigo, vai
17:06parecer, vai fazer tal coisa.
17:08Aí vai crescer, vai ser médico, vai ser advogado, então você já vai projetando toda
17:12uma carga ali, futura, para aquele filho.
17:15Então, esse filho não olhar no seu olho, não responder tanto emocionalmente, socialmente,
17:22isso já vai causando impacto.
17:24Quando esse filho não fala mamãe, papai, não balbucia, né, que é aquele presente que
17:30ele dá para os pais logo no início da sua vida, isso vai causando uma frustração muito
17:36grande, né?
17:37E aí, desses pais vivenciarem esse processo daqui, que eles saiam dessa negação em procurar
17:44essa ajuda, né, realmente atrasa o início das terapias, das intervenções, que poderiam
17:52ser muito mais, assim, ter uma eficácia muito maior nesse início de vida do que esse indivíduo
17:58chegando na adolescência para a gente, né?
18:00Porque se ele já tem um atraso no desenvolvimento, se ele já está com essa diferença de ganho,
18:06né, de desenvolvimento, para a gente chegar a atuar, para que diminua o quanto antes essa
18:15distância do que a gente precisa para ele poder viver e para a escola, garantir a sua
18:20cidadania já vai ficando complicado, né?
18:23Você vai perdendo também aquelas janelas de oportunidade, de aprendizagem, você sabe
18:28que tem a plasticidade neural, então a gente vai perdendo chance de ter mais sucesso e ter
18:36mais evolução.
18:37Talvez aquela criança, ela passasse do espectro, assim, do nível 3 de suporte para o 2, para o 1,
18:44que, às vezes, só sabe, quanto antes começar a terapia, melhor.
18:51Entendi.
18:51E você falou uma coisa muito importante sobre autismo ser moda, ser muito autista.
18:57A gente, quando a gente se olhar, a gente olhar para a nossa infância, para a adolescência,
19:01na escola, sempre teve uma pessoa neurodivergente, um no mais.
19:05Sim, sim.
19:05A questão é que eles não eram tratados como neurodivergentes, né?
19:08Eles eram tratados de forma pejorativa, eles eram excluídos, eles eram pessoas que não
19:16tinham uma relevância na questão do tratamento, na questão da atenção, na questão do direcionamento,
19:24do ensino, da educação, como se tem hoje, né?
19:26Então a gente sempre vai lembrar de uma pessoa que tem todas as características que eu estou
19:32falando, né?
19:33E hoje não, hoje a gente tem um tratamento, um avanço no diagnóstico, né?
19:39Um diagnóstico mais preciso e que ajuda muito, né?
19:42Tanto as famílias quanto a pessoa também.
19:45Sobre tratamento, né?
19:46O que é que hoje tem de mais moderno?
19:48Eu vejo que existem muitos institutos de autismo, né?
19:53Que aí ali dentro se trabalha uma questão multidisciplinar, né?
19:58De vários profissionais.
20:00A pessoa, né?
20:02Descobriu que a sua criança é autista, né?
20:05Por onde começar o tratamento?
20:07Então, é como a gente falou, quanto antes melhor, porque temos mais oportunidades.
20:13Cada indivíduo vai ter um formato de tratamento, vai ter um protocolo específico, de acordo
20:19com a idade também.
20:22O principal é uma boa avaliação, tá?
20:26A gente lembra, como você falou, você bem falou, que tínhamos esses indivíduos.
20:32Não é que vem aumentando a quantidade, mas eles estão sendo diagnosticados.
20:39O que antes não era, né?
20:41Era uma população mais negligenciada, onde não era nem considerada como tal.
20:48Era a pessoa que ia depender o resto da vida dos pais.
20:51E hoje não.
20:53Com as terapias, né?
20:55E cada vez mais avançando a pesquisa científica, as terapias baseadas em evidências científicas,
21:02e eles têm uma condição muito maior de exercer essa cidadania, de ser considerado
21:07um cidadão e não uma pessoa que vai depender dos pais para o resto da vida.
21:11Eles podem entrar na escola, frequentar ambientes sociais, dos mais variados.
21:18É por isso que a gente vê eles hoje em todo lugar, né?
21:21Porque antes eles se escondiam.
21:23Tem relatos até de crianças que eram amarradas no pé da mesa, viviam encercados como animais
21:31dentro de casa.
21:32São relatos não tão antigos assim, tá?
21:35É isso que chama a atenção.
21:36Mas as terapias se baseiam em muita evidência científica.
21:40Para o adulto, essas terapias, elas ainda podem ajudar em alguma coisa?
21:47Ou já foi, o adulto já se desenvolveu, já tem a personalidade, já tem tudo?
21:53Então, normalmente esse diagnóstico tardio, você observa em indivíduos com autismo leve,
22:00né?
22:00Que chama leve, mas de leve não tem nada, né?
22:03No nível 1 de suporte.
22:04São aquelas pessoas que fazem assim, ah, mas eles são tão inteligentes, como é que
22:08é autista?
22:09Porque eles são inteligentes, não tem a ver com a inteligência, né?
22:13Tem a ver com um certo atraso no desenvolvimento.
22:15Muitas vezes o autista com nível 1 de suporte tem até altas habilidades, né?
22:20Então, assim, o que ele sofreu de ansiedade e ainda sofre hoje, por isso o diagnóstico é
22:28a base para ele poder entender, ele se aceitar, existir esse acolhimento até por parte desse
22:35indivíduo, né?
22:36De ele se aceitar, se ver como tal.
22:38E saber que esse diagnóstico não invalida, ele não está inválido, não acabou com a
22:43vida dele.
22:44A gente começa com um novo olhar, né?
22:46E aí, esse indivíduo adulto, ele tem mais chances de ter sucesso na vida, pois eles vão
22:53para a terapia, seja acompanhamento psiquiátrico, com psicólogo, medicação, né?
22:59E o principal, a resposta do porquê que eu sou diferente, porquê que eu sou estranho.
23:04E isso traz um conforto e também estratégias para ele lidar com toda a diferença.
23:12Maravilha.
23:13Muito obrigada pela sua participação aqui no programa, tá?
23:16Valde sempre.
23:17Obrigada também, eu quero agradecer.
23:19E obrigada pelo carinho da sua audiência.
23:21Amanhã a gente se encontra às 8h35 da manhã aqui na TV Tribuna, hein?
23:25Cheiro!