- há 2 semanas
Nosso assunto é de uma doença que tem atingido pessoal cada vez mais jovens. No estúdio, a psiquiatra Nathalia Gurgel fala sobre os sintomas e a Ana Carolina conta como foi receber o diagnóstico da mãe, que tinha 59 anos quando foi diagnosticada com demência.
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NotíciasTranscrição
00:00E aí a gente se pergunta o que explica o diagnóstico de demência em pessoas cada vez mais jovens
00:06e quais são os sinais de alerta, em qual é a diferença entre estar esquecido
00:10pra gente diferenciar o começo de uma demência.
00:14Esse vai ser o nosso assunto de agora.
00:16Aqui no nosso estúdio eu recebo a psiquiatra, a doutora Natália Gurgel.
00:20Muito obrigada, doutora, pela sua participação, viu?
00:22E a gente também recebe aqui a Ana Carolina.
00:25Obrigada, Ana, também pela sua contribuição.
00:28Gente, a mãe dela foi diagnosticada com demência quando tinha o quê?
00:3258?
00:33Em 66.
00:33Tá, fala com a gente no microfone, perdão.
00:36Perdão, desculpa.
00:36Com 66 anos foi quando saiu o veredito mesmo, mas eu identifiquei com 58, ela começou com esquecimento
00:45e aí todo mundo achava que era batela, nada, isso é normal, é muita coisa na cabeça.
00:50E aí quando eu fui fazer realmente, levar ela numa especialista, porque era muito caro, né?
00:58O exame é muito caro, é muito difícil também, foi diagnosticado sim, com 66.
01:04Mas olha aí, doutora, aos 58 anos começaram a aparecer ali, foi o momento em que tudo começou.
01:09E a gente vê a idade do Pedro Manso, que tem 51 anos.
01:14A gente tá falando de pessoas novas, o que que explica, né, esse diagnóstico de demência em pessoas cada vez
01:20mais cedo aparecendo isso?
01:23Então, na verdade, o quadro demencial, ele é um quadro de origem genética, né?
01:27Então, esse quadro, ele é um quadro de demência precoce, porque antes dos 65 anos de idade, mas a origem
01:35é genética.
01:35Então, quem tem a predisposição pode vir apresentar e aí não tem um período específico, isso vai muito de indivíduo
01:42para indivíduo.
01:43Mas para, então, quem tem essa predisposição, esses sinais estão aparecendo mais cedo?
01:50Não, não tem nenhuma evidência que isso esteja aparecendo mais cedo, não.
01:54Eu acho que é uma questão, inclusive, o que me chama a atenção no caso do humorista, é que ele
01:59associa isso à Covid, né?
02:01E teve uma questão que é a névoa cerebral pós-Covid, que é um quadro cognitivo, que é caracterizado pela
02:09perda de memória, por uma alteração cognitiva.
02:12E aí eu me pergunto se, de repente, ele não pode estar se referindo a isso quando ele associa isso
02:17à pós-infecção do Covid.
02:20Agora, no caso dele, tem relação, então, com a mãe, que a mãe dele, ele relatou isso, que a mãe
02:27sofreu também com Alzheimer.
02:29A mãe tem Alzheimer, entendi.
02:30Então, vem essa carga genética?
02:31Então, tem a questão genética.
02:33Aham, carga genética.
02:34E aí, na investigação, a gente sempre pergunta se o paciente, ele tem um familiar com alguma doença de Alzheimer.
02:40A demência de Alzheimer é a mais comum.
02:43Então, a gente vai fazendo esse diagnóstico.
02:45Aí tem os exames clínicos, geralmente esse idoso começa a apresentar, ou não idoso, no caso dele não é idoso
02:51ainda, né?
02:51Começa a apresentar alterações de memória, começa, às vezes, a apresentar alterações comportamentais.
02:56E com isso, muitas vezes, um familiar acaba observando, né?
03:01Porque o próprio paciente, ele acaba não tendo essa crítica, essa consciência, muitas vezes, de que ele está perdendo a
03:05memória.
03:05Então, alguém que está de fora observa, leva esse paciente numa avaliação de um especialista, existem alguns exames, alguns testes
03:13de rastreios, exames de imagem que podem ser realizados.
03:17E, através disso, a gente consegue fechar esse diagnóstico, iniciar o tratamento e a evolução do quadro, ele depende muito
03:25dessa avaliação e desse tratamento o mais rápido possível.
03:29E quando que a gente fica preocupado, hein? Que a gente está naquele esquecimento, é tanta coisa acontecendo ou não?
03:35É um sinal de alerta, igual a Ana Carolina observou na mãe dela.
03:40Então, quando isso começa a ficar, a trazer muitos prejuízos para o dia a dia da pessoa.
03:45Então, assim, situações que ela está habituada, por exemplo, ela começa a esquecer com muita frequência, ela começa, por exemplo,
03:51a tomar medicação.
03:52Ela tem um horário específico para tomar a medicação e ela começa a esquecer se ela tomou a medicação ou
03:57não.
03:58Pessoas que, às vezes, colocam, aqui a gente está com a panela no fogão, coloca a panela no fogão e
04:03esquece a panela.
04:04E, às vezes, tem um acidente doméstico.
04:06Então, esse tipo de coisa, quando começa a acontecer, já é uma característica de um quadro mais grave e precisa
04:12ser investigado, porque realmente pode ser o início de um quadro demencial.
04:15Ana Carolina, quais foram os sintomas que você identificou de imediato na sua mãe, os comportamentos dela?
04:21Então, a mamãe sempre foi muito ativa, né?
04:24Então, ela fazia tudo sozinha, ia na Glória fazer compra, andava de ônibus, sempre sozinha.
04:29E aí, ela começou, por duas vezes eu tinha saído com ela e a ela, onde eu estou?
04:35Ela esquecia, tinha lapsos, né?
04:37Que é o que eles chamam de lapsos de memória.
04:40Só que aquilo começou a se tornar com muita frequência.
04:43Ela começou a se perder na rua.
04:45Só que eu sou muito conhecida e sempre tenho um anjo, né?
04:49E, Carol, ó, sua mãe está perdida aqui na Glória.
04:52Carol, ó, sua mãe, mamãe já acharam ela aqui no centro de Vitória.
04:55Uma vez me ligaram, eu fiquei doida.
04:59Começou a se tornar com muita frequência.
05:01E lá em casa, nós somos em três.
05:02Aí, eu, meu irmão e minha irmã.
05:04Quando eu comecei a falar que eu achava que ela estava com Alzheimer, todo mundo ficou assim,
05:09não, impossível, nada, isso é coisa, muita preocupação, muita coisa na cabeça.
05:15Tinha histórico na família?
05:16Aí é que eu ia chegar nesse ponto.
05:18Não existe nenhum histórico familiar.
05:21Muito pelo contrário, entendeu?
05:23E mamãe sempre gostou muito de ler, apesar dela ser analfabeta, ela não sabe escrever,
05:27mas ela sempre gostou muito de ler, ela tem muitos livros.
05:30Ela sempre lia, todo dia ela estava com o livro na mão e todo mundo falava assim,
05:34não, impossível.
05:36E um dos principais exercícios é a leitura, né, doutora?
05:40Então, e é possível sim, né?
05:43Para mim, não foi surpresa quando foi diagnosticado veramente ali com o médico,
05:50mas para muita gente, até hoje, tem gente que olha para a mamãe e fala assim,
05:54eu não acredito que sua mãe ficou assim.
05:57O que explica, doutora?
05:58Olha só, então, pelo que a Ana Carolina está aqui relatando,
06:01a mãe fazer todos os exercícios, digamos assim, de prevenção que os especialistas indicam, né?
06:07Sua mãe também gostava de música?
06:08Ela ama música.
06:09Aí, está vendo, doutora?
06:10A gente vai aprendendo que não fala Espírito Santo, né?
06:12Sim, e ela está citando a fase de negação, né?
06:15Que é justamente quando a família tem essa dificuldade ali de aceitar o diagnóstico, né?
06:20É muito difícil para os filhos, né?
06:22Lidar com o diagnóstico de um quadro demencial, dá muito medo, né?
06:25Então, você está retratando isso, né?
06:28O que é muito comum no nosso dia a dia.
06:30Então, é comum, mas as pessoas parecem que têm medo, né?
06:34Eu tenho medo de...
06:36Gente, eu fico me cobrando o tempo inteiro, doutora, porque eu fico assim, eu não esqueço nada.
06:42Eu fico me cobrando o tempo inteiro, é ali, aquela é igual um robozinho no meu cérebro.
06:45Porque se eu esquecer aquele copo ali...
06:47Fala bem perto do microfone.
06:48Se eu esquecer aquele copo ali, eu já fico assim, ai meu Deus do céu, será que eu estou com
06:52Alzheimer?
06:53Porque essa cobrança se torna interior.
06:56Uma vez que eu cuido da mamãe, aí qualquer coisinha, eu fico com aquele medo de esquecer isso, esquecer aquilo.
07:03Você acaba se cobrando internamente e é muito ruim, tá?
07:07Eu vou de medo.
07:08Como que a Ana Carolina, assim como outras pessoas que também estão acompanhando o programa, que tem esse histórico na
07:13família, podem trabalhar de forma preventiva?
07:17Tem algo ainda mais específico, doutora?
07:19Na verdade, assim, é cuidar da saúde mental de uma forma geral, né?
07:23Ter uma dieta balanceada, atividade física regular.
07:28Tem uma questão, assim, de consumo, por exemplo, de azeite de oliva extra virgem, ômega 3.
07:34Tem várias questões que podem contribuir, mas, assim, realmente é estar atento, é observar, né?
07:39Fazer essa autoavaliação, identificar se você realmente está tendo algum quadro inicial e procurar ajuda.
07:46Porque, realmente, se a pessoa tem a predisposição e ela vier a desenvolver, como eu disse, quanto antes melhor ela
07:52identificar, ela vai tratar e isso vai ter um melhor prognóstico.
07:56Então, acho que, né, é a partir daí.
07:57Ela consegue tardar quando faz esse diagnóstico mais cedo?
08:03Muitas vezes, sim.
08:04Com tratamento adequado, com as medicações hoje que existem disponíveis, né, e que cada vez mais estão sendo melhoradas, é
08:10possível, sim, retardar esse desenvolvimento da doença.
08:14Ó, e Pedro Manso não é o único famoso diagnosticado com demência, até porque são vários tipos, tá, gente?
08:21Alzheimer é um deles, é o principal, como a doutora disse, é o que mais acomete, né?
08:25Um dos mais brilhantes atores de Hollywood, o Bruce Willis, está cada vez mais debilitado por causa da demência, segundo
08:34o Astro, né, segundo a família do Astro.
08:37Em 2022, ele teve o diagnóstico e a evolução da doença tem sido rápida.
08:42Há pouco tempo, também, veio a público a notícia de que o jornalista Maurício Kubrusli também foi diagnosticado com demência.
08:52A doença dele, gente, é a mesma do ator Bruce Willis e atinge as regiões frontal e temporal do cérebro.
09:00Acontece uma perda progressiva das funções cerebrais.
09:04E é muito importante a gente trazer esses casos à tona para chamar a sua atenção, observar, né, se está
09:11acontecendo isso com algum familiar ou até mesmo com você.
09:15Agora, a pessoa que está passando por isso, geralmente, ela tem essa negação, né?
09:21Tem essa negação e uma dificuldade mesmo, né, de identificar.
09:25Então, é importante, eu tenho um caso, assim, que me marcou muito de um idoso que estava fora do país.
09:30E ele estava com esse quadro inicial de demência forontotemporal e ele ficou desinibido.
09:35E aí, ele chegou a sediar uma pessoa, né, uma moça e ele foi preso.
09:39Ele ficou preso quase um mês por conta desse episódio.
09:42Então, assim, até o juiz lá entender que ele estava num quadro demencial, ele ficou, né, cerca ali de um
09:47mês.
09:48Então, é uma situação que ele não tinha essa crítica, ele não tinha entendimento, não sabia que estava doente.
09:53Só quando voltou para o Brasil que pôde realmente iniciar o tratamento.
09:56Então, a pessoa realmente, ela não tem essa crítica e é uma situação bem delicada.
10:00Tá, olha só, tem aqui o comentário de William.
10:03Ele diz que tem 35 anos, doutora.
10:05Ele falou que esquece muitas coisas.
10:08Às vezes, está no trabalho, as pessoas acabam de falar uma coisa com ele e aí, três minutos depois, já
10:13esqueceu no meio do caminho.
10:15Custa a lembrar novamente.
10:17Ele quer saber se isso é normal ou se pode ser o início de uma demência.
10:22É pouco provável com essa idade.
10:24É provável que isso, de repente, tenha uma associação, às vezes, com um quadro de ansiedade que provoca muito esquecimento,
10:30provoca alterações cognitivas.
10:32Ou alguma questão, às vezes, de uma desorganização, um sono de má qualidade que, às vezes, também faz com que
10:37a pessoa, durante o dia, tenha ali algum esquecimento, fique mais desatenta.
10:41Então, é possível que tenha outra causa.
10:44Acredito que não tenha relação com a demência pela idade e por essas características aí que ele descreveu.
10:48Tem mais um comentário aqui interessante, da Lindauro, ela diz, coitado, meu Deus, eu tive Covid, hoje eu tenho muito
10:54esquecimento.
10:55Tem a ver com Covid?
10:56Ela também faz esse relato.
10:58E aí, Diego Simão, ela está aqui também no meu ponto, né?
11:01Nosso diretor de imagem que está hoje aqui com a gente.
11:04Ele também percebeu essa associação pós-Covid.
11:07Existe mesmo essa relação, doutora?
11:08Existe.
11:09É a névoa pós-Covid, que foi muito descrita, inclusive, na literatura, nos estudos que saíram após a pandemia.
11:16E ela é ocasionada por esse processo inflamatório que envolve o sistema nervoso central.
11:21Então, é queixa cognitiva, de esquecimento, lapso de memória, tudo isso faz parte desse quadro de névoa e é muito
11:27comum.
11:28E é importante tratar, né?
11:30Caso aconteça, para que se restabeleça, né?
11:32Porque é muito ruim estar esquecendo as coisas o tempo todo e gera um desconforto, né?
11:36Eu que o diga.
11:38Obrigada, doutora, pela sua participação.
11:39De nada, querida. Eu que agradeço.
11:40Eu confesso que pós-Covid, eu também estou sofrendo muito com isso, viu?
11:44Obrigada, dona Carolina. Obrigada, Roberta, mais uma vez. Boa tarde a todos.
11:47Leva um abraço nosso para a sua mãe, tá joia?
11:49Ela está assistindo a gente.
11:51Como é que é o nome dela?
11:52Dona Lucie.
11:53Dona Lucie, ó! Um beijo especial para a senhora.