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Cerca de 15 milhões de brasileiros têm diabetes
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NotíciasTranscrição
00:00Olha, presta atenção porque hoje é o dia mundial de combate ao diabetes.
00:04No Brasil, cerca de 15 milhões de pessoas têm a doença e apenas, minha gente, apenas metade sabe disso.
00:12Aqui no Espírito Santo, segundo dados da pesquisa do sistema que monitora fatores de risco e proteção para doenças crônicas,
00:20quase 10% da população com mais de 18 anos é diabética.
00:25De janeiro a outubro de 2023, foram 1.022 mortes por causa do diabetes aqui no nosso estado.
00:35Então, esse vai ser o nosso assunto do quadro.
00:37E aí, doutor, participa com a gente, manda suas dúvidas, suas perguntas, porque se a gente tem uma data,
00:43é para conscientizar as pessoas sobre a importância, então, da prevenção.
00:48Vem cá, participa com a gente, chega aqui pertinho.
00:50Aqui no nosso estúdio, eu recebo a endócrino, doutora Sabrina França.
00:55Obrigada, doutora, pela sua participação.
00:57Obrigada mais uma vez.
00:58E a também Luana Lipaus.
01:00Luana e um bebezão de 36 semanas, né?
01:04Fala para a gente aqui no microfone.
01:05Boa tarde.
01:06Boa tarde.
01:07Estou aqui com o Álvaro de 36 semanas.
01:09Álvaro?
01:10Isso, Álvaro Augusto.
01:11Está quase chegando.
01:12Calma aí, aguenta as pontas aí, Álvaro.
01:14Mas, primeiro conta, você descobriu o diabetes de que forma?
01:18Então, no meio da pandemia, eu comecei a sentir os sintomas.
01:22Eu sou técnica de enfermagem e eu trabalhava em home care à noite.
01:25Então, assim, eu comecei a abrir um quadro de poliuripolitipsia,
01:29que é o aumento da sede, o aumento de urina, né?
01:34Aí, eu achei estranho e percebi esse sintoma de diabetes.
01:38Aí, pela manhã, eu fiz uma ponta de dedo no meu trabalho e estava 300.
01:43Aí, assim, eu tomei um susto muito grande.
01:46Aí, logo depois, a filha do meu paciente ligou e falou assim,
01:48Luana, o aparelho está com problema, não está certo aquele resultado seu.
01:52Porque foi um valor exorbitante, né?
01:54Porque o normal é de 70 a 100, né, doutora?
01:58Então, aí eu fiquei preocupada e falei assim, amanhã eu faço de novo.
02:03No outro dia, também deu 240.
02:05Aí, eu fiquei assustada.
02:06Era no meio da pandemia, tudo fechado.
02:08Foi em outubro de 2020, né?
02:12Tinha 10 meses de pandemia, eu acho, mais ou menos.
02:14E aí, eu passei logo no laboratório e fiz uma hemoglobina glicada e uma glicemia de jejum,
02:20que deu um valor de 8,4 de hemoglobina glicada.
02:23E jejum também estava quase no 280.
02:26Eu ia, assim, no hospital só atendendo a Covid, eu sem saber o que fazer.
02:30Aí, ele conseguiu um telefone de uma endócrina para me consultar online.
02:35E aí, ela passou medicações orais e falou, Luana, diagnóstico de diabetes tipo 2.
02:39E eu estava com sobrepeso, eu tinha 83 quilos.
02:41E aí, eu comecei uma dieta low carb, fazendo, caminhando, né?
02:45O que a academia estava fechada.
02:47E aí, fui fazendo, fui me tratando até eu conseguir na minha endócrina que eu fazia o tratamento.
02:53Aí, quando eu cheguei nela, ela falou assim, Luana, vão tirar essa medicação,
02:56que era uma medicação de alto custo.
02:57E colocou uma mais, com valor menor.
03:00E usar mais vezes durante o dia, que era o glifagem.
03:04E aí, eu fui perdendo peso, perdendo peso.
03:07E a glicemia sempre mantendo alta, mantendo alta, 300, 400.
03:12E eu não entendendo, fazendo dieta low, não estou entendendo.
03:15Hemoglobina para 10 e nada de acontecer.
03:18E eu, muito magra, muito magra, perdi 33 quilos em 10 meses.
03:23E ainda assim...
03:25E ainda assim, a médica não está entendendo o que está acontecendo.
03:27E ela não pediu o exame de anticorpos, que era para diagnosticar o outro tipo de diabetes,
03:33que é o que eu tenho, que eu sei hoje, meu diagnóstico hoje, que é diabetes tipo 1,
03:37que é um diabetes autoimune, que é descoberto mais na infância e na adolescência.
03:41Então, peraí, vamos por partes.
03:42Vamos pedir a explicação para a doutora, para não confundir a gente.
03:46Calma aí.
03:47Doutora, primeiro é importante a gente levar essa informação para o pessoal de casa,
03:51que assim como a Luana, essa pessoa tem um estilo de vida, está tudo bem, não tem diabetes.
03:56E pá, de repente, aparece lá no diagnóstico, né?
04:00Então, a gente precisa estar sempre acompanhando, primeiro de tudo, né?
04:03Boa tarde.
04:04Boa tarde.
04:04Como você falou, né?
04:05O Dia Mundial do Diabetes existe para quê?
04:08Para conscientização.
04:10E o tema da campanha desse ano é justamente esse, né?
04:13É educar para prevenir o futuro, né?
04:17E por quê?
04:18Porque no caso do diabetes tipo 2, a prevenção faz toda a diferença.
04:23Existe como você evitar de se tornar diabética.
04:26Se tem histórico familiar, se você sabe que você tem um risco maior, você vai evitar.
04:31Você vai evitar de ganhar peso, você vai adquirir estilo de vida saudável,
04:35você vai praticar exercício, se precisar tomar alguma medicação.
04:39Mas no caso do tipo 1, não tem como evitar.
04:42É um diabetes autoimune.
04:43O que é uma doença autoimune?
04:45É aquela doença que o organismo, ele produz anticorpos, que são células de defesa,
04:49que reconhece qualquer célula e órgão do corpo como estranho e acaba destruindo.
04:54Então, no caso do diabetes tipo 1, são anticorpos, né?
04:58Contra o pâncreas ou contra a insulina ou contra as células produtoras de insulina
05:02e vai destruindo isso aí.
05:04Geralmente, é um quadro agudo, a criança ou adolescente começa a se sentir mal,
05:11urinar muito, sentir muita sede, perder peso.
05:14E aí, quando vai fazer o exame de sangue, a glicose está muito alta.
05:17E pode aparecer assim, repentinamente, igual aconteceu o caso da lua.
05:20Geralmente, repentina.
05:21Às vezes, aparece assim, já a criança tendo uma convulsão, entrando em coma,
05:25com um quadro mais grave.
05:26E aí, no hospital, vai descobrir que aquilo é uma certa acidose de diabetes,
05:30que é uma complicação aguda do diabetes tipo 1, né?
05:34E o diabetes tipo 2 já tem como prevenir.
05:36Como a Luana já era adulta e estava um pouco acima do peso e fazendo um acompanhamento com endócrino,
05:43justamente, eu entendo que realmente houve essa dúvida.
05:47Apesar da glicose estar muito alta.
05:50E por quê?
05:50Porque, às vezes, a pessoa não sente nada.
05:52Então, ela está lá.
05:54Um em cada dois, né?
05:56Não sabe que tem diabetes.
05:57Pois é, eu trouxe até essa informação.
05:59Porque a gente tem aqui que 5 milhões de brasileiros têm a doença e não sabem.
06:07Mas é exatamente...
06:08Aí você fala assim, ah, mas como é que sabe que tem a doença?
06:10Sabe que tem porque...
06:11A pesquisa sabe e eu não sei.
06:13Mas, enfim, porque o diabetes passa por uma fase de pré-diabetes,
06:18que é uma fase evitável, que você pode prevenir.
06:21E tem os fatores de risco associado.
06:24Então, quando ela apresentou uma glicose de 300, a primeira, né, o pensamento nosso é o diabetes tipo 2 do
06:32adulto.
06:32Só que existe um tipo 1 tardio que a gente chama de LADA, que é Latent Auto-Imune Diabetes of
06:37Adults.
06:38Quer dizer, o diabetes latente do adulto.
06:40Ele vai...
06:42O pâncreas vai ser destruído, mas numa fase adulta.
06:44E a glicose no diabetes tipo 2, geralmente, você...
06:48Ela, como técnica de enfermagem, tem a oportunidade.
06:51Então, ela teve a sorte de, naquela hora, sentir uma coisinha diferente, fez uma pontinha de dedo.
06:56Nem todo mundo tem isso.
06:57Então, às vezes, a pessoa passa meses aí se sentindo mal, achando que é estresse de trabalho.
07:03Por isso que tem que ter educação e conhecimento da doença.
07:06É estresse de trabalho, é mal-estar, é um calor.
07:10Aí você vai tendo aquele monte de sintomas e jamais vai pensar que sua glicose está alta no sangue.
07:14E qual é o risco, quais são os riscos da ausência desse diagnóstico?
07:21No caso do diabetes tipo 2, as complicações vão muito além da glicose alta.
07:26Você tem outras, você tem a obesidade, o processo inflamatório crônico, às vezes uma hipertensão, um colesterol mais alto.
07:35E aí você tem um risco cardiovascular aumentado sem saber.
07:38Você não tem sintoma e o seu risco está ali aumentado.
07:41No caso do diabetes tipo 1, as mesmas complicações do risco cardiovascular, mas você tem risco dessas complicações agudas.
07:48Porque, veja bem, Roberta, o diabetes tipo 1, o pâncreas, ele zera a produção de insulina dele.
07:53O diabetes tipo 2 tem insulina.
07:55Então, se você toma um remédio, ajuda o seu pâncreas a funcionar.
07:59Já o tipo 1, não.
08:00Você precisa da insulina, não adianta dar remédio.
08:03E foi isso que a médica, que a segunda médica começou a perceber.
08:05Uai, você está tomando remédio, está emagrecendo de uma forma errada, porque a glicose, ela fica alta no sangue.
08:11Não tem insulina para jogar ela dentro da célula.
08:13Aí o organismo, ele lança a mão do tecido adiposo, do tecido muscular para produzir energia.
08:19Por isso que emagrece tanto, é um emagrecimento ruim, perde massa muscular, perde uma gordura boa.
08:25E aí, você não tem insulina.
08:28Se você não tiver insulina e sofrer uma infecção, qualquer processo agudo, sua glicose vai a 500, 600.
08:34Aí você corre o risco de entrar em coma, de ter uma convulsão, de ter uma complicação muito grave, sem
08:39saber.
08:39A mesma coisa o diabético que já sabe, que tem diabetes tipo 1, que usa insulina, ficar sem insulina um,
08:45dois dias.
08:45Ele corre um risco maior.
08:46E, Bona, como é que está hoje o seu tratamento?
08:48Então, aí, depois de toda essa repercussão, eu faço, né, até hoje o tratamento pela Santa Casa,
08:56mas porque eu não consegui achar um endócrino dentro do meu plano, porque são maravilhosas minhas endócrino,
09:01e não saí, porque foram elas que descobriram isso.
09:03Quando elas entraram no consultório, ela entrou assim e falou assim,
09:07você perdeu 33 quilos em 10 meses e está com a glicemia alta, faz um exame chamado Antigade,
09:13que é o exame de anticorpos, né, doutora?
09:15E aí, traz para mim o mais rápido possível.
09:17Quando eu cheguei, eu, assim, eu olhei, mas eu não queria acreditar, acho que o valor dele é...
09:22Altíssimo.
09:23Altíssimo.
09:23Então, eu falei assim, gente, tem alguma coisa muito diferente.
09:26Quando eu cheguei nela, eu falei assim, doutora, está pronto o exame.
09:29Ela falou assim, Luana, você vai entrar com insulina hoje, porque senão você vai entrar em uma cetocidose,
09:34você vai entrar em coma sem saber.
09:36Eu já tinha aquele, aquele bafalcólico, hálito cetônico, então, assim, eu não entendia o que estava acontecendo.
09:42Eu fiquei assim, eu, por ser da enfermagem, eu não sabia o que era um diabético tipo 1.
09:47Já sabia o diabético tipo 2, que era histórico familiar, de sedentarismo, de uma alimentação.
09:51Mas o tipo 1, que é insulina dependente, jamais tinha visto.
09:55E no caso dela ainda grávida, né, pode passar também para o bebê, doutora?
10:00Não.
10:00Não, não tem esse risco.
10:02Não tem esse risco.
10:02Mas existe também o fator genético, por exemplo, se meu pai tem, eu também posso vir.
10:07Olha, o diabetes tipo 2, esse fator genético é muito mais forte do que o diabetes tipo 1.
10:13Eu costumo dizer que diabetes tipo 1 é um sorteio, né?
10:17Um sorteio para o bem, não vamos dizer um sorteio para o mal, porque Deus reserva para cada um de
10:20nós uma peculiaridade,
10:23uma surpresa que pode ser boa, né?
10:24A gente se cuida melhor, a gente dá mais valor à nossa saúde.
10:29Mas é muito mais comum o tipo 2 ter esse histórico familiar do que o tipo 1.
10:33Tem alguém na sua família de tipo 1?
10:35Não, eu sou a primeira.
10:37Não é tão comum assim.
10:38Já o tipo 2, às vezes a pessoa teve um diabetes gestacional, ou está com a glicose ali naquela fase
10:44de pré-diabetes,
10:45você vai ver, o pai tem, o tio teve, tem mais pessoas na família.
10:49Também tem um comentário aqui do Flávio Jesus, já vi uma pessoa ficar cega por causa do diabetes.
10:54Claro que eu vou botar a perna e a gente sabe que pode chegar a esse ponto, né, doutora?
10:58As complicações crônicas, né?
11:00Tanto cardiovascular quanto as microvasculares, que são dos pequenos vazinhos lá da retina, do rim,
11:06e da questão da vascularização, da inervação, aí a pessoa machuca, não está sentindo mais nada,
11:11porque tem uma alteração na sensibilidade, e aí junta com o problema vascular, aquilo no cicatriz,
11:17e infelizmente não é, é assim, muito comum.
11:21É porque a gente não vê no nosso dia a dia, mas é muito comum as amputações mesmo.
11:26Josiane Bober diz, minha irmã sempre foi saudável, virou diabética na gestação, está sempre subindo.
11:32Doutora, é importante a gente finalizar com essa resposta, né?
11:36Mesmo que a saúde esteja tudo em dia, mesmo que você aparentemente seja saudável, né?
11:40De quanto em quanto tempo a gente precisa fazer os nossos exames?
11:43Então, a pessoa, até os 40, né, a gente, se você tem um estilo de vida saudável e tudo mais,
11:50você não tem que se preocupar tanto, você tem que ficar atento aos sintomas,
11:53se não tem história familiar, eu estou dizendo para diabetes, né?
11:57Mas você sempre faz, você faz exame ginecológico de rotina,
12:01você vai fazer um exame cardiológico para poder entrar numa academia, fazer um exercício,
12:06então o exame de glicose, ele faz parte do exame do dia a dia.
12:09Mas, a partir dos 40, é fundamental que você faça pelo menos uma vez por ano
12:14os seus exames de rotina, incluindo uma glicose, um colesterol, um hemograma, né?
12:18Para você descartar essas doenças que são assintomáticas, né?
12:22E que a gente acha que está tudo bem e nem sempre está tudo nos confortos.
12:26Obrigada pela sua participação, voto sempre.
12:28Obrigada, Roberta.
12:29E a gente está aqui fazendo esse alerta justamente para lembrar, eu preciso fazer o exame.
12:35Obrigada, Luana, pela sua participação.
12:37Dá um beijo no Álvaro, tá bom?
12:38Que em breve vai estar aí nos braços da mamãe, se Deus quiser.