- há 21 horas
A doença afeta cerca de 20 milhões de brasileiros e um em cada três adultos com diabetes não sabe que tem a doença.
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00:00Olá, eu sou Guilherme Silva, editor de saúde de A Gazeta, e a partir de hoje você também me acompanha
00:06aqui no videocast do Se Cuida,
00:08onde vamos falar sobre qualidade de vida, bem-estar, doenças e principalmente tratamentos e prevenção.
00:15Hoje eu recebo a médica endocrinologista Flávia Tessarolo para falarmos sobre diabetes,
00:22doença que afeta cerca de 20 milhões de brasileiros e onde um a cada três adultos com diabetes não sabe
00:29que tenha doença.
00:30Doutora, obrigado pela sua presença. Por que é importante falarmos sobre diabetes?
00:36Por isso que você falou. Primeiro eu agradeço o convite de estar participando nesse assunto tão importante
00:42e o que você começou falando é muito relevante.
00:46A maior parte dos adultos com diabetes não vai saber que tem diabetes porque a doença começa lentamente.
00:56Então a glicose alta, que é a marca do diabetes, é o que vai levar aos sintomas e às complicações
01:06agudas e crônicas do diabetes,
01:08a glicose vai aumentando devagar ao longo dos anos.
01:12Na maior parte das pessoas com diabetes tipo 2, que é o mais prevalente.
01:18Então níveis pouco elevados de glicose não dão sintomas e a pessoa convive com aquilo às vezes seis anos sem
01:26saber que tem diabetes.
01:27E quando se faz o diagnóstico, quando ela apresenta sintomas, muitas vezes já se decorreram anos com diabetes sem saber
01:37que tem a doença
01:38e na hora desse diagnóstico a gente já vai estar muitas vezes diante de complicações crônicas.
01:44Comprometimento dos rins, comprometimento dos nervos periféricos, por exemplo.
01:48Então a gente não pode esperar sintomas aparecerem.
01:52E aí como é que a gente tem que proceder então?
01:55Fazer exame de rotina.
01:57Então o diagnóstico de diabetes é simples, um exame simples de rotina, que é a glicemia de jejum, hemoglobina glicada,
02:04que é um exame que avalia aí a média da glicose dos últimos três meses, isso tudo colhido no sangue,
02:10a gente já sabe se a pessoa tem diabetes ou não.
02:13Quais números são parâmetros pra gente analisar, pro médico analisar?
02:17A glicose de jejum acima de 126, colhida em duas ocasiões diferentes, ou uma hemoglobina glicada maior ou igual a
02:266,5%,
02:28ou uma glicose colhida ao acaso, assim, sem jejum maior que 200, a gente já tem que, já pode dizer
02:35que a pessoa tem diabetes.
02:37E lembrando que existe a normalidade, glicose de jejum até 99, hemoglobina glicada menor que 5,7,
02:46e tem aquela área cinzenta aí que a gente chama de pré-diabetes, que é glicose entre 100 e 125,
02:55glicemia de jejum entre 100 e 125, hemoglobina glicada entre 5,7 e 6,4.
03:01Só que a gente tem que ficar muito atento com esse termo, porque muitas vezes a pessoa pensa assim,
03:07ah, é só pré-diabetes, e como o valor não é muito alto, a pessoa não tem sintoma, ela vai
03:13deixando e não se cuida.
03:14Só que pré-diabetes não é pré-doença.
03:17Então, a gente, esse nome, a meu ver, é até inadequado por esse motivo,
03:24porque o pré-diabetes, ele pode levar às mesmas complicações do diabetes.
03:29Aumenta a chance da pessoa ter um problema cardiovascular, um infarto, um derrame,
03:35comprometimento dos rins, comprometimento dos nervos periféricos.
03:38Então, o pré-diabetes precisa ser tratado como diabetes.
03:43O mesmo tratamento ou é um tratamento diferenciado?
03:45O mesmo tratamento. A gente precisa avaliar o paciente.
03:48Então, a base do tratamento, modificação do estilo de vida, atividade física,
03:53uma alimentação adequada e muitas vezes medicamentos, sim.
03:57São quatro tipos da doença?
04:00São vários tipos de doença.
04:02Os quatro são principais?
04:03Vamos lá.
04:04Então, o mais frequente é o diabetes tipo 2.
04:0790% da população tem diabetes tipo 2, que é aquele diabetes que geralmente ocorre em adultos,
04:14que tem geralmente uma história familiar de diabetes.
04:17Então, um pai, um irmão com diabetes, que está muito relacionado a sobrepeso, obesidade, sedentarismo.
04:26Então, a pessoa tem, às vezes, hipertensão associada, colesterol, triglicerídeo associado.
04:33Cerca de 5% é de diabetes tipo 1.
04:37O diabetes tipo 1 é aquele que é caracterizado por falência das células do pâncreas que produzem insulina,
04:46que a gente chama de células beta.
04:48O que é que é insulina?
04:50É a chave que abre a porta das células para a glicose entrar.
04:55Então, a glicose a gente come, a glicose aumenta no sangue e ela é o principal combustível para nossas células.
05:02Só que, para entrar, ela precisa de uma chave.
05:04E essa chave é a insulina.
05:06Então, no diabetes tipo 1, ocorre falência dessas células que produzem insulina.
05:11Então, a pessoa não vai produzir insulina.
05:15E aí, a glicose aumenta e aumenta de maneira importante.
05:19E a pessoa é dependente de injeções de insulina, várias injeções ao dia por toda a vida.
05:26Esse diabetes só ocorre geralmente na infância, inicia geralmente na infância, nos adolescentes.
05:32Mas a gente tem diabetes tipo 2, que é aquele da obesidade, do sobrepeso, acontecendo também em crianças e adolescentes,
05:41porque a gente tem visto obesidade aumentar em crianças e adolescentes.
05:46E a gente tem também diabetes tipo 1, que ocorre, é diagnosticado na vida adulta.
05:52Então, a gente tem um pico aí de aparecimento de diabetes tipo 1 na infância, na adolescência.
05:59Mas a gente tem idosos também.
06:01Depois dos 70 anos, a gente pode ter diabetes tipo 1.
06:04Eu tenho vários no consultório que, às vezes, acham que tem diabetes tipo 2.
06:09A gente vai olhar, é um diabetes tipo 1.
06:11Então, ele pode ocorrer em qualquer fase da vida.
06:14A gente tem o diabetes chamado LADA, que é o diabetes latente do adulto,
06:20que também, às vezes, a pessoa acha que é um diabetes tipo 2,
06:26mas vai ver, é um diabetes que tem deficiência de insulina.
06:31A gente tem diabetes gestacional, temos diabetes relacionados a doenças pancreáticas.
06:37Então, pessoa que teve pancreatite, câncer de pâncreas, fibrosis cística,
06:43que é uma doença que compromete o pâncreas, podem desenvolver diabetes pancreático.
06:49Temos diabetes, o MOD, que a gente chama que é diabetes monogenético,
06:54defeitos de determinados genes que levam ao aparecimento do diabetes.
06:59Então, a gente tem história familiar importante, mas é diferente do diabetes tipo 2.
07:04A gente tem diabetes relacionado a doenças endócrinas.
07:09Então, por exemplo, doença chamada acromegalia, uma doença rara,
07:14em que o corpo produz muito hormônio de crescimento no adulto.
07:18E o hormônio de crescimento no adulto pode levar ao aparecimento do diabetes.
07:22O síndrome de Cushing, que é o diabetes relacionado ao excesso de glicocorticoides,
07:29que pode ser endógeno, que o corpo produz, ou exógeno, que o paciente toma.
07:35E agora tem-se falado do diabetes tipo 5, que é uma entidade que a OMS ainda não reconheceu,
07:42mas que a Federação Internacional de Diabetes reconheceu sim.
07:46E é um diabetes relacionado à desnutrição.
07:49Então, primeiramente descrito em crianças africanas que passaram a vida com subnutrição, desnutrição,
08:00e aí abrem um quadro de diabetes.
08:03Só que na hora que a gente vai olhar, não é diabetes tipo 1,
08:06porque não tem anticorpos, que são soldados de defesa que atacam o pâncreas
08:11e provocam falência aí da produção de insulina.
08:14Não tem característica de diabetes tipo 2, não é um diabetes monogenético.
08:19Então, relacionado à desnutrição, a por que isso acontece, ainda não está muito claro.
08:25Tem várias linhas de investigação aí, mas é um diabetes que ainda não foi reconhecido
08:32pela Organização Mundial de Saúde.
08:34O corpo, ele dá sinais de que a gente está com diabetes?
08:38Como identificar?
08:42Como a gente falou no início, na maior parte das vezes no diabetes tipo 2,
08:46como a doença evolui lentamente, o paciente não tem sintomas.
08:50Mas, às vezes, a pessoa chega no consultório falando assim,
08:53ah, doutora, eu quero fazer um check-up, olhar todas as minhas vitaminas, meus hormônios,
08:58porque eu estou muito cansado, eu acho que eu estou com alguma deficiência de hormônio e vitamina.
09:02E muita gente não sabe que diabetes também descontrolado dá cansaço.
09:06Então, às vezes, a pessoa sente cansaço, indisposição, visão turva.
09:12À medida que a doença vai evoluindo, começa a urinar demais, acordar de madrugada para urinar,
09:19ter muita sede, às vezes tem dormência nas pernas.
09:24E no diabetes tipo 1, geralmente o início é mais marcado, porque ocorre uma falência aí da produção de insulina
09:32e a glicose vai aumentar rápido. Então, aquela criança, aquele adolescente vai perder peso rápido,
09:38vai ter muita sede, muita fome, vai acordar de madrugada para urinar
09:45e pode evoluir para um quadro que a gente chama de cetoacidose diabética,
09:49que é um quadro grave, se a gente não reconhecer e tratar.
09:52Como que é o tratamento hoje?
09:55Hoje a gente está vivendo uma época muito feliz do tratamento do diabetes.
10:01Eu me formei em 1997 e naquela época a gente só tinha para fazer metformina,
10:07sulfoniureas, que é uma classe de medicamento, insulina regular e NPH.
10:12Hoje a gente vive uma época que a gente tem várias medicações,
10:16várias medicações, várias classes de medicamentos por via oral,
10:21a gente tem os análogos de GLP-1, semaglutida, liraglutida,
10:26a gente tem o agonista duplo, GLP-1-GIP, que é a tisepatida,
10:30e temos várias insulinas.
10:32Então, além da NPH irregular, temos várias insulinas de ação rápida,
10:37ultra rápida, de ação prolongada, então insulina degludeca, insulina glargina.
10:42Então, várias medicações que a gente vai escolher de acordo com o perfil do paciente.
10:48Então, se é um paciente com diabetes tipo 1, eu vou precisar repor insulina para ele,
10:54múltiplas doses de insulina por dia, então a gente vai precisar utilizar insulina lenta,
10:59que vai imitar a produção de um pâncreas normal,
11:03que o pâncreas normal produz insulina lenta,
11:06mas todas as vezes que a gente come, ele produz insulina extra.
11:11Então, a gente vai tentar imitar isso, com injeção de insulina lenta,
11:15injeções de insulina rápida para as refeições,
11:19ou o melhor dos mundos é a gente poder oferecer para esse paciente
11:22um sistema de infusão contínua de insulina, que é a bomba de insulina.
11:27No diabetes tipo 2, a gente vai ter que escolher de acordo com o perfil do paciente.
11:32Então, se esse paciente precisa perder peso,
11:36eu vou trabalhar com medicações que contribuem para isso,
11:40que existem medicamentos antidiabéticos que são neutros em relação ao peso,
11:46que favorecem o ganho de peso ou que fazem o paciente perder peso.
11:50Então, o peso é um parâmetro importante que a gente precisa avaliar na hora de escolher a medicação.
11:56E hoje em dia, a gente sabe que, além de tratar a glicose,
12:03o que mais esse remédio oferece?
12:05Então, a gente tem medicamento que oferece proteção renal,
12:10redução da progressão da doença renal,
12:13redução de evento de infarto, de derrame.
12:18Se esse paciente já teve um evento, ele vai ser mais protegido do segundo.
12:22Então, a gente precisa entender o que o paciente tem, o que ele precisa
12:27para poder escolher o remédio.
12:29Outra coisa, medicamentos hoje em dia que reduzem gordura no fígado,
12:34existe muita associação de diabetes tipo 2 com esteatose hepática metabólica,
12:39que é o acúmulo de gordura no fígado,
12:40que se a gente não trata, pode virar cirrose, pode virar câncer de fígado.
12:45E tem medicamentos que tratam diabetes, que tratam peso e que tratam isso também.
12:49Então, vai depender do perfil do paciente,
12:53mas a base do tratamento, a gente não pode esquecer,
12:58que o paciente precisa incorporar na rotina uma atividade física,
13:02uma alimentação saudável.
13:04Se o paciente fizer o tratamento certinho, dá para viver bem com diabetes hoje?
13:10Com certeza, só que existe o que a gente chama de memória metabólica.
13:14Então, muitas vezes o paciente recebe o diagnóstico de diabetes,
13:18não cuida direito,
13:20e lá na frente, passou 10, 15 anos, ele resolve cuidar,
13:25só que o corpo guarda na memória os anos de sem controle,
13:31e com isso ele pode vir apresentar a complicação crônica lá no futuro.
13:36Então, o tempo é crucial.
13:38Teve o diagnóstico, a gente precisa iniciar logo o tratamento,
13:44trazer esse paciente para a meta,
13:46para a gente não ter problema nem agora e nem no futuro.
13:49E por isso a importância do diagnóstico precoce também.
13:52Então, não esperar sintomas,
13:53é incorporar o exame de diagnóstico de diabetes na rotina anual,
13:59principalmente se a pessoa tiver fator de risco.
14:02E aqueles pacientes que não tratam, quais são os perigos?
14:05A gente vê que muitos podem ter problemas nos pés e tudo mais.
14:10Quais são as consequências?
14:11A gente tem as consequências agudas,
14:14então, por exemplo, um diabetes muito descompensado,
14:18um diabetes tipo 1 não tratado.
14:20O paciente entra em coma,
14:22ele leva a certa acidose diabética,
14:24que é uma situação que coloca em risco.
14:28Então, é uma complicação aguda do diabetes.
14:30E as complicações crônicas são aquelas,
14:32redução da função renal,
14:35então, ele pode ter que precisar de hemodiálise ou diálise peritonial.
14:40A gente pode ter retinopatia diabética com cegueira,
14:44então, ele pode perder a visão por isso.
14:46Pode ter comprometimento dos nervos periféricos e, com isso,
14:50neuropatia com dores nas pernas, às vezes incapacitante.
14:55A neuropatia também pode comprometer,
14:58além dos nervos periféricos, outros nervos,
15:01que são os nervos que controlam a bexiga,
15:04então, ele pode começar a ter retenção urinária.
15:07Os nervos que são importantes para a função erétil do pênis,
15:12então, o homem pode ter impotência.
15:14Nervos que são importantes para o esvaziamento do estômago,
15:17então, ele pode ter dificuldade de esvaziamento do estômago,
15:22que é a gastroparesia, que a gente chama.
15:24Então, a gente precisa...
15:27E uma coisa importante que eu não falei é a doença cardiovascular.
15:31Então, a principal causa de morte de um diabetes tipo 2
15:35é a doença cardiovascular, o infarto, o derrame cerebral.
15:39Então, é verdade que o diabetes pode alterar o coração,
15:42rins e vasos,
15:44são os preços do diagnóstico.
15:46Super verdade.
15:47E um dado importante,
15:48o que mais mata uma pessoa com pré-diabetes que não se cuida?
15:53são as doenças cardiovasculares.
15:55Então, esse ambiente de glicose alterada, sem controle,
16:01é muito ruim e favorece o aparecimento desse tipo de problema.
16:06As chamadas canetas emagrecedoras,
16:08veio para revolucionar o tratamento da doença?
16:11Com certeza.
16:12Antigamente, a gente não esperava esse tipo de resposta com esse tipo de medicação.
16:20Então, primeiro, eles vieram para revolucionar,
16:22porque são medicações potentes para o tratamento de sobrepeso e obesidade.
16:27E, quando a gente avalia um diabetes tipo 2,
16:31a raiz do problema é a resistência à insulina,
16:35que ocorre naquela pessoa que está acima do peso.
16:37Então, tratar o diabetes tipo 2 é tratar também resistência à insulina e obesidade.
16:43Então, a gente precisa tratar a obesidade,
16:45e são medicamentos potentes para isso.
16:47Hoje, a gente fala em perdas de peso,
16:49que até então só se conseguia com cirurgia bariátrica,
16:52com esse tipo de medicamento.
16:54Então, além de tratar o peso,
16:55eles são potentes para tratamento do diabetes.
16:59E hoje, a gente tem visto, por exemplo,
17:02tirzepatida trazer o paciente para níveis de glicose,
17:06como se ele não tivesse diabetes.
17:08Então, a gente tem visto reversão de pré-diabetes.
17:12Então, eles vieram, sim, para revolucionar,
17:15trazendo também, além do controle do diabetes e do peso,
17:19outros benefícios.
17:21Por exemplo, benefício cardiovascular,
17:24redução de risco de semaglutida,
17:27dizepatida também, redução de risco cardiovascular,
17:30redução de progressão de doença renal,
17:35que a semaglutida mostrou,
17:37redução de fibrose de fígado,
17:40que a semaglutida mostrou,
17:42e que a tirzepatida tem mostrado aí nos estudos.
17:45Com tanta oferta de remédios, né,
17:49para tratar a doença,
17:50por que ela segue matando tanto?
17:53Primeiro que, eu acho que, infelizmente,
17:57o acesso não é para todo mundo.
18:00Então, a gente tem remédios muito bons,
18:03não só os análogos de Lp1,
18:05mas os inibidores de SGLT2 também,
18:08por exemplo,
18:08da apaglifosina,
18:09empaglifosina,
18:10que são medicamentos que também entregam
18:13melhora de proteção cardiovascular,
18:16proteção renal.
18:17Só que o acesso não é para todo mundo,
18:19são medicamentos ainda caros,
18:22custo elevado,
18:24a patente da semaglutida caiu agora em março,
18:2720 de março,
18:27então, com isso,
18:28a gente está chegando agora a novas opções,
18:31com custo melhor,
18:32mas ainda assim,
18:33o custo é alto,
18:36e é uma doença crônica.
18:38Então, é aquela história, né,
18:40todos os dias você precisa cuidar.
18:43Você imagina uma pessoa com diabetes tipo 1,
18:46ela precisa pensar na glicose dela 24 horas por dia,
18:51ela vai sentar para comer,
18:53ela precisa saber quanto de insulina
18:55ela vai precisar fazer naquele momento,
19:00vai ter que fazer conta.
19:02Então, uma coisa que é rotina para todo mundo,
19:04vai no automático,
19:05você acorda,
19:06toma seu café da manhã,
19:07toma seu banho,
19:08o paciente que tem diabetes tipo 1,
19:10principalmente,
19:11ele tem que pensar
19:12como que a minha glicose amanheceu,
19:14o que eu vou comer,
19:16quanto de insulina eu vou precisar fazer,
19:18eu vou fazer muito exercício agora,
19:20como é que vai ficar a minha glicose,
19:21vai subir, vai cair.
19:23Então, é uma doença
19:25que você precisa pensar 24 horas por dia.
19:27E aí, a gente tem que pensar
19:30na monitorização também.
19:32Então, o uso dos sensores
19:34trouxe um avanço muito grande também
19:38para esses pacientes,
19:39não só com diabetes tipo 1,
19:41principalmente para eles,
19:42mas também para o tipo 2.
19:43Então, o paciente consegue olhar
19:47em tempo real agora
19:48como que é a sua glicose.
19:51Antes, a gente só tinha
19:52a ponta de dedo
19:53que mostrava só uma fotografia
19:55durante as 24 horas do dia,
19:59duas, três,
20:00quantas vezes o paciente fizesse.
20:01Então, é uma doença
20:03que precisa ser gerenciada
20:06a todo momento.
20:08não é fácil isso.
20:11A gente sabe que o estilo de vida
20:12tem impacto no controle,
20:16o estresse tem impacto,
20:18a falta de sono,
20:19a falta de uma boa noite de sono
20:21tem impacto.
20:22Então, tudo atrapalha o diabetes.
20:25Então, na hora de cuidar,
20:26o paciente tem que melhorar
20:27o estilo de vida como um todo
20:29e ter acesso a medicamentos
20:33que sejam adequados
20:34para o caso dele.
20:36Então, muitas vezes,
20:37isso no dia a dia
20:38não é possível.
20:39O que leva uma pessoa
20:40a ter diabetes?
20:42Aí vai depender.
20:43Então, como a gente tinha falado,
20:44o diabetes tipo 2,
20:46a raiz do problema
20:48é a resistência à insulina.
20:50Então, às vezes,
20:51o pâncreas até produz insulina
20:53de maneira adequada
20:54ou até mais do que precisaria,
20:57mas aquele acúmulo de gordura
21:00no abdome
21:02vai provocar resistência
21:05à ação dessa insulina
21:06e mais uma série
21:08de outros fatores.
21:09Então, existem pelo menos
21:1012 defeitos descritos
21:12para desenvolvimento
21:14de diabetes tipo 2.
21:16Um deles,
21:17e o mais importante,
21:18é a resistência à insulina.
21:19No diabetes tipo 1,
21:21como a gente falou,
21:23o que leva a pessoa
21:25é a falência dessa célula.
21:27A ter diabetes
21:28é a falência das células
21:29que produzem insulina.
21:30geralmente,
21:31o que ocorre
21:32é uma destruição
21:33dessas células
21:34por células de defesa.
21:37Soldados de defesa
21:38do corpo,
21:38que a gente chama
21:39de anticorpo,
21:40eles aumentam
21:42e destroem essas células.
21:43E por que isso acontece?
21:45Existe uma predisposição
21:46de determinada genética,
21:49vírus podem desencadear,
21:52deflagrar
21:53esse sistema
21:54de ataque
21:57de alto anticorpos
21:58contra o pâncreas.
22:00E aí,
22:01o que mais levaria?
22:04Dependendo,
22:04por exemplo,
22:05se for um diabetes gestacional,
22:06a gravidez
22:07é um ambiente
22:09que a gente chama
22:09de diabetogênico.
22:10Por quê?
22:11Porque a placenta
22:12produz vários hormônios
22:14que são,
22:15criam uma resistência
22:16à ação da insulina.
22:18Então,
22:18a mulher tende
22:19a ter diabetes gestacional
22:20e a partir de 24 semanas
22:22a gente testa
22:23todas as mulheres
22:24para diabetes gestacional.
22:26Então,
22:26vai depender
22:27do tipo de diabetes.
22:28A prevenção,
22:29então,
22:30começa no dia a dia,
22:31né?
22:31Ter uma boa alimentação,
22:33praticar exercícios físicos,
22:34ter uma boa qualidade de sono.
22:36É isso?
22:36E quando procurar ajuda?
22:38A prevenção
22:39começa
22:39desde a infância.
22:41Vou te dizer,
22:42desde antes
22:42que a gente nasce.
22:44Porque,
22:44dependendo do ambiente
22:46intraútero
22:47que a gente foi gerado,
22:48a gente tem
22:49uma predisposição maior
22:50de diabetes
22:51no futuro.
22:52Então,
22:53a gente tem que cuidar
22:54das nossas crianças
22:56desde cedo,
22:57estimulando hábitos
22:58de vida saudáveis,
23:00amamentação,
23:01leite materno,
23:03atividade física,
23:05menos ultraprocessado,
23:08mais comida de verdade.
23:10e se a pessoa
23:12incorporar
23:13o exame
23:14de diabetes
23:16na rotina anual,
23:17principalmente
23:18se tiver história familiar,
23:20pais,
23:20irmãos com diabetes,
23:22se essa pessoa
23:22tem colesterol alto,
23:24triglicerídeo,
23:25hipertensão,
23:26se a mulher teve
23:26diabetes gestacional,
23:29se teve síndrome
23:29de ovário policístico,
23:31são as pessoas
23:32que têm mais risco,
23:33então,
23:33elas precisam
23:36ter mais cuidado
23:37nessa prevenção.
23:38se está acima
23:40do peso também
23:42e procurar
23:43ajuda
23:43sempre que
23:44desconfiar,
23:46não esperar
23:47os sintomas
23:50mais avançados
23:51aparecerem,
23:52que é urinar demais,
23:53ter muita sede,
23:54perder peso,
23:55não está se sentindo bem,
23:57está cansado,
23:58está achando aí
23:59que pode estar
24:01com deficiência
24:02de hormônio,
24:03de vitamina,
24:03lembra da glicose também.
24:05Para saber mais,
24:06você acessa
24:06a gazeta.com.br
24:08barra se cuida.
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