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Pais devem alertar seus filhos e intensificar educação sobre drogas
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00:00O número de pessoas que consumiram drogas nos últimos 10 anos aumentou 23% em relação à década anterior.
00:10Esses números foram divulgados pelo Relatório Mundial sobre Drogas 2023.
00:17Outro dado preocupante é que quase 40 milhões de pessoas sofreram algum tipo de transtorno associado ao uso de drogas.
00:29Um aumento de 45%, gente.
00:32O relatório afirma ainda que a disseminação das drogas atingiu patamares sem precedentes,
00:39ao mesmo tempo em que as redes de tráfico se tornaram cada vez mais ágeis.
00:47Números que a gente falou agora, esses números são preocupantes, que revelam como as drogas são um desafio para quem?
00:53Para as famílias, para a saúde pública, também para a nossa segurança.
00:58E esse vai ser o assunto agora que a gente vai debater, eu conto com a sua participação.
01:02Aqui no nosso estúdio eu recebo o professor da UFIS, o psiquiatra doutor Waldir Campos.
01:07Muito obrigada pela sua participação.
01:10Boa tarde.
01:10Boa tarde.
01:11A gente também recebe aqui o professor do curso de mestrado em segurança pública da UVV, Marco Aurélio.
01:19Muito obrigada também pela sua presença, professor. Seja bem-vindo.
01:22E o Franklin Nunes, que ele vai contar, vai dar o relato dele sobre as drogas.
01:28Você iniciou nesse mundo com quantos anos, Franklin? Boa tarde. Seja bem-vindo.
01:33Boa tarde, tudo bom? Eu iniciei, tinha aproximadamente 15 anos de idade.
01:42O que te motivou?
01:45Esse período foi um período de mais amizade, né? Mais amizade, influências.
01:53E pessoas chamavam para participar de festas, eventos, em outros locais, né?
02:03Até alguns locais mais reservados.
02:06E que já tinha um grupo já assim, já meio formado ali, né?
02:10Já sabia tudo o que rolava naquele grupo?
02:12Já sabia tudo.
02:12Eu era o único, eu não sabia o que rolava, né? Mas me chamaram e eu comecei a participar, né?
02:19Dessas festas, desses eventos, desses convites.
02:24E ali começou o primeiro início, né? Se iniciou ali, naquele momento.
02:30Você começou com a maconha e qual foi a pior droga que você chegou a usar?
02:38Aí eu iniciei com cigarro, com bebida e depois passei para o fristo, né?
02:47Que era uma mistura com um pouco de cocaína com a maconha.
02:53Depois eu continuei com a maconha pura e depois passei para a cocaína.
03:02Quais foram os prejuízos que isso trouxe para a sua vida, Franklin?
03:05Ah, teve muitas perdas. Primeiro, perda de si mesmo, né?
03:12Que é a falta de autoestima, já não tinha mais autoestima, já não tinha mais aquele comprometimento, aquela responsabilidade.
03:23Eu comecei a ter também conflitos no relacionamento da família, né?
03:28Com meu padrasto, com a minha mãe, com as minhas irmãs.
03:32E ali começou a surgir, né? Vários conflitos, né?
03:36Isso foi até quantos anos?
03:39Eu fiquei, principalmente, uns seis, sete anos envolvido.
03:45Doutor Valdir, assim como o Franklin, toda semana a gente recebe aqui alguém que tem um relato muito parecido.
03:52Quantas famílias estão se identificando com a fala dele?
03:55E aí a gente traz essa análise, um aumento de 23%.
03:59O que está por trás disso?
04:01O que tem motivado esse número cada vez maior de usuários de drogas?
04:05Então, apesar das drogas tradicionais adivindas das plantas, né?
04:11Como a maconha, a cocaína, os opioides, nas últimas décadas tem surgido o que nós chamamos de novas substâncias psicoativas.
04:22Então, essas novas substâncias psicoativas, elas imitam o efeito dessas drogas tradicionais.
04:29Então, muitas delas têm o efeito mesmo.
04:31São canabinoides sintéticos, têm a ação muito similar aos opioides.
04:38Aí entra, né?
04:39Que surge o fentanil, similar a fentanil.
04:42E, então, essas drogas hoje, elas ampliaram muito.
04:49Elas são vendidas até sem prescrição médica.
04:52Surgiram muitos produtos que são vendidos nas farmácias e sem qualquer prescrição médica.
05:01Então, isso aí é que vai justificar, então, o aumento acentuado das drogas.
05:07E aí a gente sabe...
05:08Só terminando, quanto mais drogas, então, né?
05:11A gente tem, mais pessoas vão utilizar as drogas e maiores serão os problemas adivindos disso aí.
05:18Até porque a gente sabe que começa com uma, vai tendo curiosidade de partindo para outras e, assim, o mercado
05:25vai só crescendo, né?
05:26Isso.
05:26A descrição do Franklin, ela é característica.
05:30Isso é, vamos dizer assim, a figura de livro, né?
05:34Geralmente, as pessoas começam usando as drogas lícitas, o cigarro e o tabaco.
05:39E isso é de pesquisa, né?
05:40Nós temos pesquisa no país já mostrando que as pessoas começam a usar...
05:45Os jovens, né?
05:46Começam a usar as drogas lícitas por volta dos 12 anos e meio de idade.
05:50Começam usando o tabaco, o álcool.
05:53Lá pelos 13 anos já estão usando, então, a maconha e os inalantes, né?
05:58Cola e tudo mais.
06:00E lá pelos 14 anos já estão usando cocaína e crack, né?
06:04Que é devastador.
06:06Então, existe um histórico, um percurso que a pessoa vai seguindo, né?
06:12Por causa do que o Franklin bem frisou no caso dele, as pessoas são influenciadas.
06:18Então, assim, por os pares, né?
06:20Os jovens, para entrar em algum grupo, muitas vezes eles precisam de fazer uso dessa substância,
06:28senão eles não entram para esse grupo.
06:29Então, aí, essa influência faz com que a pessoa seja pressionada, então, a utilizar
06:35aquela droga.
06:36Então, já que tem essa relação, professor Marco Aurélio, cresce o número de usuários,
06:41aí, ao mesmo tempo, cresce o número de drogas sendo ofertadas no mercado para atender
06:46também essa demanda e isso alimenta esse comércio.
06:51De que forma que isso é refletido na nossa segurança?
06:56Então, assim, aumenta a oferta porque é um grande negócio, tá?
07:01Dinheiro, né?
07:02Aumentando a oferta, como o doutor falou, aumenta o consumo, né?
07:06Então, que abaixa o preço também, né?
07:09Então, quer dizer, a gente, antigamente, há 20 anos atrás, 30 anos atrás, para comprar
07:13um celular era muito difícil, né?
07:15Agora, todo mundo tem.
07:17Então, quer dizer, você aumenta muito a oferta, o preço cai e isso torna a substância
07:23mais acessível para as pessoas.
07:26E aí, tem a questão de quê, né?
07:29A gente tem, na segurança pública, o problema se concentra muito nas drogas consideradas ilícitas,
07:37né?
07:38Então, o álcool, por exemplo, é um grave problema de saúde pública, né, doutor?
07:41Exato.
07:42Mas, né, você tem propaganda de álcool na televisão o tempo inteiro.
07:47A gente tem o caso dos Estados Unidos, né, da lei seca, que quando proibiram o álcool,
07:52o álcool se tornou um problema de segurança pública, inclusive, com grandes criminosos
07:56da história dos Estados Unidos, se desenvolveram graças à proibição do álcool.
08:02Porque, ao proibir, tornou ele mais lucrativo, né?
08:05Tirou a regulação, né?
08:07E aí, as pessoas começam a vender bebidas alcoólicas sem nenhuma qualidade, sem nenhum
08:11controle de qualidade, o que acabou piorando a situação nos Estados Unidos, até que a lei
08:16seca foi revogada.
08:17Então, o fato, o comércio ilegal desentorpecente está aumentando cada vez mais porque é um
08:23grande negócio e aí gera os problemas de segurança pública porque tudo que está
08:28fora da normatização do Estado vai gerar problemas, né?
08:33Então, você pega o empréstimo no banco, você tem uma série de proteções para quem
08:38deu o crédito e para quem contraiu o crédito, né?
08:41Agora, você pega dinheiro com agiota?
08:43Não, né?
08:44Se você não pagar, ele vai mandar uma pessoa armada na sua casa.
08:48Então, se você compra uma substância na farmácia, você tem uma regulação.
08:52Você sabe de onde veio aquela substância, sabe qual o controle de qualidade, tem imposto
08:56sobre ela, você tem regulação da Anvisa, do Estado.
08:59Se você tem um mercado absolutamente ilegal, ele é totalmente descontrolado.
09:03Então, ele é muito mais lucrativo, ele é muito mais violento e ele vai gerar problemas
09:10mais graves ainda de saúde pública e vai repercutindo na segurança pública também.
09:15Então, é um debate que a gente precisa fazer, o mundo precisa fazer como lidar com essa situação,
09:21né?
09:21Porque a forma como a gente está lidando, pelos números, inclusive, a gente vê que não
09:26está melhorando, né?
09:28Então, penso que é isso que é importante a gente discutir também, né?
09:31E a gente precisa prestar atenção a respeito também das consequências que isso traz
09:38para o próprio indivíduo, porque de acordo com esses dados que a gente mostrou hoje, quase
09:4340 milhões de pessoas sofreram algum tipo de transtorno associado ao uso das drogas.
09:53Quais são esses transtornos que podem surgir, doutor?
09:57Que às vezes a pessoa, o jovem, o adolescente, pensa ali na onda, está pensando no momento,
10:03naquele efeito que, depois o Franklin vai falar para a gente, que é uma falsa sensação
10:08de prazer, né, Franklin?
10:10Mas isso depois traz consequências para a própria saúde do indivíduo.
10:14Sim, veja bem, as pessoas usam as drogas, né?
10:20Porque, de fato, elas geram prazer inicial, só que depois tem um preço a pagar por causa
10:26disso aí.
10:29Então, as drogas, vou até fazer, vou pedir licença aos telespectadores, assim, quem
10:36quer ficar doido?
10:37Se você perguntar assim, você quer ficar doido?
10:40Ninguém quer ficar doido.
10:41Você pode perguntar a qualquer pessoa, você quer ficar doido?
10:44Ninguém quer ficar doido, né?
10:46Doido é o psicótico, né?
10:48O quadro grave na psiquiatria.
10:49Mas as pessoas usam drogas para ficarem loucas, doidas.
10:55Então, as drogas, elas mimetizam os quadros psiquiátricos.
11:00E se a pessoa já tem uma vulnerabilidade, quer dizer, uma tendência a desenvolver algum
11:06transtorno mental, essa droga vai ser um gatilho.
11:09Então, existe uma relação muito próxima, né, grande, assim, do uso de drogas e dos
11:17transtornos mentais.
11:18Então, pessoas com transtornos mentais, por exemplo, transtorno afetivo, com depressão
11:22ou bipolaridade, elas são mais impulsivas, né?
11:25Elas têm humor, muitas vezes, quando entram em crise, mais exaltadas e acabam até tendendo
11:32a fazer consumo de substâncias também.
11:35O que vai acontecer, que a gente até viu na reportagem anterior, que as drogas vão,
11:41então, piorar esse problema do transtorno mental.
11:45E piorando o problema do transtorno mental, a pessoa vai também piorar o problema do
11:51consumo de droga.
11:52Aí nós temos o que nós chamamos de comorbidade.
11:54A pessoa tem duas patologias para ser tratada, né?
11:59Então, quando ela chega para a gente, vai tratar só a questão, muitas vezes, da droga,
12:04mas vai tratar também a questão de um transtorno mental, que é de base, que está por detrás
12:10disso tudo aí.
12:11E que ninguém comenta, né?
12:13Os amigos na roda comentavam isso com você?
12:15Não.
12:15Não?
12:16Não.
12:16No início, você tinha essas sensações que o adolescente, que o jovem busca de ter
12:21essas alucinações?
12:23Como é que era isso?
12:26Eu comecei a trocar o dia pela noite, né?
12:31Trocava o dia pela noite, saía numa sexta, quinta-feira, pra ficar dois, três dias fora,
12:40e fora os horários que não batiam, né?
12:43Chegava sempre meia-noite, uma hora da manhã, duas horas da manhã, a madrugada toda, até
12:49três, quatro horas, às vezes amanheceu o dia, e quando chegava na segunda-feira, aí
12:56começava a vir os transtornos, né?
12:58Porque o corpo já não estava bem, né?
13:03Já existia muita falta em si no corpo, e no relacionamento com a família, né?
13:09Em si mesmo.
13:10Na hora da onda, você super gostava?
13:13Na onda estava vivo.
13:13Estava legal.
13:15Aí depois vinha a baixa?
13:16Depois vinha a baixa, aí dores de cabeça, dores no corpo, uma insatisfação, um incômodo
13:21muito grande no corpo, tentando tomar remédio pra passar aquela lombra, né?
13:29Algumas dores também no estômago, encharqueca, dores constantes, mas em si, quando ia chegando
13:36no horário de seis, sete horas, nove horas da noite, começava a vir, né?
13:41Então, os primeiros sintomas, o efeito, né?
13:45De possuir aquelas drogas, o corpo, em si, ele desejava, né?
13:49Que eu participava daquilo ali, entendeu?
13:54Se começava a sentir falta, né?
13:55Da cocaína, do efeito, da droga.
13:59E tem um detalhe que chama a atenção, doutor Valdi, nesse relatório, é que apenas uma
14:06a cada cinco pessoas que desenvolvem esse transtorno, essas pessoas têm um suporte, têm uma ajuda
14:13da saúde pública pra se tratar.
14:16À medida que esse número só vai crescendo, são pessoas que vão ficando pra trás.
14:22E a consequência disso também na nossa saúde pública, são coisas que a gente precisa parar
14:27pra pensar?
14:28Sim, é muito preocupante isso, né?
14:31A gente sabe que em locais que você não tem assistência à saúde mental, né?
14:37Assistência às doenças psiquiátricas, até o índice de suicídio é maior.
14:43Então, que é a consequência, né?
14:46E sim, fatal.
14:50Mas o que o Franklin tá falando é essa questão de quando a pessoa, ela usa a droga, ela vai
14:56ficar sem a droga, ela entra em abstinência, que são sintomas advindos, então, da falta
15:02da droga no organismo.
15:04Conforme a droga que se tá usando, no caso, por exemplo, cocaína, só pras pessoas que
15:09estão nos assistindo entender por que que muitas vezes a pessoa fica internada, ou tem
15:14que ficar internada em determinado período de tempo, porque é uma abstinência, você
15:19trata uma abstinência de cocaína, é coisa de três meses.
15:22Obviamente, com o uso de medicamentos, a gente consegue interromper ou abrandar mais esses
15:30sintomas durante esse período.
15:32Mas um tratamento, por exemplo, de dependência de opioides, fentanil, né?
15:37Que agora tá muito consumido.
15:38Que a gente vai falar dele agora.
15:40Exato.
15:40São seis meses.
15:42Entendeu?
15:42Então, assim, a pessoa não tem, ninguém aguenta, ele pode falar muito bem, você vai
15:47ficar três meses sentindo abstinência, ou seis meses com sintomas desconfortáveis.
15:54E pra completar, as drogas, como eu falei, elas mimetizam os transtornos psiquiátricos
16:01e geram sintomas de depressão, sintomas de ansiedade.
16:05No caso, por exemplo, da maconha, que as pessoas consideram, né?
16:09A droga que vem só de uma planta, é inofensiva, gera uma síndrome gravíssima, que chama-se
16:15síndrome amotivacional, onde a pessoa perde completamente a motivação.
16:21Entra num quadro muito parecido com o que nós temos na esquizofrenia, que é um quadro grave
16:28e na psiquiatria, né?
16:29Um quadro de um transtorno mental grave, onde a pessoa tem o que nós chamamos de sintomas
16:34negativos.
16:34Então, ela fica, assim, desligada do mundo, ela fica no mundo dela, no autismo, né?
16:39No autismo, assim, separada, isolada, não cuida de si, da sua higiene.
16:45Enfim, o mundo pra ela não existe, só aquele lugarzinho que ela está.
16:49Então, é muito preocupante.
16:50No ponto do fentanil, presta atenção, pai e mãe, porque a gente precisa muito da sua
16:56atenção pra essa nova droga, porque aqui no Brasil, o problema das drogas atinge principalmente
17:02pessoas com idades entre 15 e 64 anos.
17:06A maconha é a mais usada, em seguida a cocaína, ainda também tem o crack.
17:12E nós somos um dos países que mais consomem crack no mundo.
17:16E agora, as novas drogas atraem os jovens.
17:22A gente está dando aqui o exemplo do fentanil.
17:24Aqui no Espírito Santo, esse ano, a polícia fez duas apreensões de drogas e foram encontrados
17:31diversos frascos de fentanil, que hoje é a droga que mais mata nos Estados Unidos.
17:38A primeira apreensão, não sei se você recorda, a gente vai te relembrar, foi em fevereiro desse
17:42ano, quando um laboratório foi encontrado em Cariacica.
17:46Foram 31 frascos de fentanil.
17:49E agora, na última terça-feira, terça-feira agora, dessa semana, 41 frascos foram apreendidos
17:56no bairro da Penha, aqui em Vitória.
17:58O fentanil tem um poder viciante muito grande.
18:02E aqui no Brasil já tivemos mortes por causa do uso dessa droga e a gente vai ver agora.
18:10Um medicamento 50 vezes mais forte que a heroína.
18:15100 vezes mais potente que a morfina.
18:19E todo cuidado é pouco.
18:21Nas mãos erradas, pode custar a vida.
18:24Foi o que aconteceu com uma auxiliar de enfermagem que morava aqui em Itapeva, no interior de
18:29São Paulo, cidade que fica a 300 quilômetros da capital paulista.
18:33A mulher, de 47 anos, fazia uso do fentanil.
18:37Mas no dia 8 de julho de 2020, a aplicação foi fatal.
18:41Antes mesmo de injetar todo o líquido, ela não aguentou a dose.
18:46O filho da auxiliar de enfermagem afirmou que a mãe era dependente do medicamento.
18:50E o que ela mais precisava era de ajuda para largar o vício e não ter acesso fácil ao
18:56anestésico.
18:57Então, é uma regra que esse medicamento deve ser difícil de ser liberado, não é porque
19:03não tem por que ela ter conseguido de fácil como ela conseguiu.
19:06Esse médico anestesista foi viciado em fentanil durante 8 anos.
19:11Usava o medicamento todos os dias.
19:14A cada 2 horas, eu tinha que fazer o uso de uma pequena dose, para voltar a uma pseudonormalidade.
19:23O anestesista travou uma dura batalha para conseguir se livrar do vício.
19:27E até hoje, luta para não cair na tentação.
19:31Eu passei 5 anos sem pegar naquela droga na mão novamente.
19:36Eu não encostava nela.
19:37Hoje, ela não me afeta mais, graças ao tratamento, né?
19:41Se eu parar de fazer a recuperação, fatalmente eu vou voltar a adoecer e posso voltar a usar
19:46droga novamente.
19:47No ano passado, 170 mil pessoas morreram por overdose do fentanil nos Estados Unidos,
19:54segundo dados da Vigilância Sanitária Norte-Americana.
19:57A situação dos norte-americanos acendeu o alerta aqui no Brasil e o Ministério da Justiça
20:04criou um protocolo compartilhado com os Estados Unidos para monitorar a substância.
20:09Mas a gente está numa situação ainda diferente do que acontece nos Estados Unidos, em que
20:13de fato a gente tem uma epidemia de mortes por fentanil e esperamos nunca chegar nesse ponto.
20:19Mas as pessoas já estão morrendo por aqui também.
20:23É uma dor incurável.
20:25Ninguém tem como, assim, medir o tamanho da dor que a gente tem, sabe?
20:34Meu Deus, a gente viu aí um relato, um depoimento muito importante de um médico, um anestesista
20:39que foi viciado em fentanil.
20:42Mas antes da gente repercutir o caso dele, vamos lá, professor Marco Aurélio.
20:47A gente está falando de um medicamento que ele é usado dentro de hospitais.
20:51Mas como que isso vai parar na mão de traficantes?
20:56Então, assim, por exemplo, a cocaína era remédio também, né, doutor?
21:00Era usada, chegou a ser usada.
21:02Então, muitas das drogas que vão parar na rua, elas começam sendo usadas como medicamentos,
21:08opioides, né, que sustentam também alguns remédios, e vão parar na rua.
21:12Então, o fentanil faz um caminho que não é tão diferente de outras substâncias anteriores.
21:21E aí, por enquanto, ainda está circulando entre meios mais de classe média aqui no Espírito
21:26Santo.
21:26O Espírito Santo é um estado portuário.
21:30Então, a facilidade de chegada e de saída.
21:33Mas ainda está circulando em meios de classe média.
21:36Estados Unidos já está caminhando para um modelo tipo crack.
21:40E como uma empresa também, uma empresa ilegal, uma empresa criminosa,
21:44mas funciona segundo lógicas de mercado.
21:47Você precisa ter novos produtos, precisa reduzir o custo.
21:50Então, de repente, você usa uma substância mais forte
21:52para poder ter um maior impacto, com menor custo e você ganhar mais dinheiro.
21:58Então, essas lógicas econômicas também estão presentes no tráfico.
22:02Então, vamos procurar.
22:04Olha, isso aqui consegue um efeito mais forte.
22:06Vamos roubar do hospital, funcionário, servidor, médico, estudante.
22:12Está tendo um desvio, né?
22:13A própria Polícia Civil já falou isso essa semana.
22:16Ou seja, o que está por trás disso é uma quadrilha muito maior do que a gente imagina,
22:21que está ali agindo em diversos setores.
22:24Desde a nossa saúde, a gente pensa que é só cenário de filme.
22:27Mas não, acontece aqui.
22:29A questão é que é isso, né?
22:31O que é?
22:32Onde vai a saúde pública?
22:33Onde vai a segurança pública?
22:35E eu acho que talvez a grande questão seja que a gente não deveria separar essas coisas.
22:40Deveria tratar essas coisas de uma forma mais integrada.
22:44E aí, ao lidar com o problema dos entorpecentes, lidar de forma integrada.
22:49Porque o que acontece?
22:51A gente tem, muitas vezes, um foco muito grande em algumas substâncias e em alguns locais.
22:57Que normalmente são das comunidades mais pobres.
23:01E em outros locais, que são pessoas de situação social mais privilegiada.
23:06E certos tipos de drogas que são consumidos por pessoas da classe média alta.
23:10Você tem um foco diferenciado.
23:12Que, às vezes, acaba sendo menos violento, sendo menos agressivo.
23:16É a coisa do jovem, rapidamente, o jovem de periferia, rapidamente classificado como traficante.
23:23O jovem de classe média, muitas vezes, com a mesma quantidade de entorpecentes.
23:26Ou até entorpecentes mais fortes, já é considerado como usuário.
23:31E aí, o jovem de periferia não tem acesso ao tratamento, como a gente estava falando no bloco anterior.
23:36O jovem de classe média tem.
23:37Então, por exemplo, um a cada cinco tem acesso ao tratamento.
23:41Quem são esses quatro que não têm acesso ao tratamento?
23:44Então, são coisas que a gente precisa pensar.
23:46Agora, sempre vão surgir as drogas novas.
23:48Porque a empresa, como sempre tem um modelo de celular novo, tem um modelo de tablet novo, tem um modelo
23:54de roupa novo.
23:55Então, o tráfico, a empresa criminosa do tráfico, sempre vai buscar novos produtos, novas substâncias,
24:03para produzir novas sensações e também por uma questão de custo, de novos mercados.
24:09Então, a droga que se consome numa rave, por exemplo, não é uma droga que se consome numa balada sertaneja.
24:15São dois perfis diferentes.
24:18O estilo de música tem certos tipos de substâncias que você usa mais no dance, no trap, que são mais
24:27psicodélicos.
24:28Conforme os grupos, né?
24:30Conforme as tribos, né?
24:31E aí, eu quero saber aqui do Franklin, como que o jovem se comporta, qual é a reação do adolescente
24:37quando surge uma nova droga no mercado?
24:42A curiosidade, né?
24:44De conhecer.
24:46E por já estar num grupo já ali envolvido, né?
24:51A sensação, igual o Marco Aurélio comentou, né?
24:57Que é acerca de sensações, né?
25:01Novas sensações.
25:03E cada vez que a droga mais aumenta, a adrenalina, aumenta a curiosidade da pessoa querer conhecer.
25:11O que foi que aconteceu comigo, né?
25:13Através do cigarro, da maconha, da cocaína, de conhecer novas drogas, né?
25:20Isso já está sendo distribuído, passado e ali vai aumentando aquela adrenalina.
25:25O corpo começa a se sentir vontade de participar de mais adrenalinas.
25:31E aí, essa droga aí já vai aumentar mais a sensação, né?
25:35O corpo vai fazendo esse pedido e os traficantes vão se aproveitando disso, não é verdade?
25:41Professor Valdir, então há um grande interesse.
25:43Tem gente que está consumindo essas drogas com essas misturas e nem sabe.
25:48E é aí que também está outro grande perigo.
25:52Sim.
25:54Como foi dito, né?
25:56Essas drogas, para se tornarem mais baratas e mais disponíveis, elas acabam sendo misturadas.
26:03E surgem, então, essas novas drogas.
26:06Então, só para ter ideia do que foi falado aqui, assim, de 2001 a 2022, só a indústria de canabinoides
26:15cresceu 156%.
26:18Então, quero chamar a atenção para quem está nos assistindo.
26:22Quanto mais permissiva é uma comunidade ao consumo de drogas, mais as pessoas vão usar drogas,
26:29porque elas vão entender que isso não faz mal, né?
26:33Quer dizer, não faz mal, então pode usar.
26:35Se está legal, é porque eu posso usar.
26:38Foi dito aqui.
26:39E o maior problema que nós temos em relação às drogas no país são com as drogas quais?
26:45As drogas lícitas, legalizadas.
26:47No caso, o álcool e o tabaco, que são os dois maiores problemas de saúde pública relacionados ao consumo de
26:54drogas.
26:55Então, portanto, você legalizar uma droga não significa que você vai controlar o consumo dessas drogas,
27:03porque as pessoas tendem a buscar conforme o mercado, né?
27:10Elas vão procurar, quando a droga é legalizada, muitas vezes ela não vai na farmácia comprar,
27:17ou lá no local onde venda a droga toda produzida.
27:22Eles vão comprar no câmbio negro, porque sai mais barato.
27:26E esse mercado do narcotráfico, ele é muito inteligente nesse aspecto,
27:33porque ele consegue conduzir muitos jovens a fazer o uso dessas substâncias,
27:39cada vez mais substâncias novas que eles vão misturando ali,
27:45e produzindo drogas com efeitos, como o Franklin falou,
27:50cada vez mais, assim, que vai aumentar essa sensação, vamos dizer assim, psicodélica, né,
27:56que as pessoas querem ter, essa sensação de sair fora de si,
28:00essa sensação desligada à realidade,
28:03essa sensação de fugir, né, assim, dos problemas.
28:07Então, existem diversos fatores que vão justificar por que uma pessoa usa droga,
28:11mas nenhuma pode explicar completamente, mas as pessoas usam drogas muitas vezes
28:17para poder melhorar o rendimento, porque quer estudar mais, porque quer ser mais inteligente,
28:23ou porque ela não está bem e quer ficar bem, ou porque ela está bem e quer ficar melhor ainda,
28:28ou porque ela tem um problema de depressão e ela quer melhorar esse problema,
28:32porque ela quer melhorar o rendimento do trabalho.
28:35Então, a gente pode citar aqui no caso, né, assim, o ribite que os motoristas usam
28:40para poder ficar acordado, para poder render no trabalho,
28:44e aí a gente lembra dos estudantes também, que usam os anfetamínicos
28:49para poder melhorar os concurseiros, né, seu desempenho.
28:52E isso vai ter um custo, tá?
28:57Vai pagar...
28:58Uma hora a conta vai chegar.
28:59A conta vai chegar.
29:00O nosso tempo já acabou, mas eu só queria que a gente finalizasse,
29:03Franck, você dizendo como que você fez para sair dessa vida.
29:08Eu conheci, né, foi através da igreja.
29:11Igreja, fé.
29:12É, foi através da igreja, através da palavra de Deus, né,
29:16o pastor pregando, eu visitando essa instituição,
29:20e ali eu tive um encontro com Deus, né, tive um encontro com Deus,
29:26e comecei a fazer as visitas, e através dessas visitas,
29:31eu passei por um processo de libertação.
29:34Amém, que bom.
29:35Que bom que a gente está aqui mostrando que é possível sair dessa,
29:38e o quanto é importante você conversar com o seu filho, com o seu neto,
29:41com o seu sobrinho, sobre esse assunto.
29:43Gente, obrigada pela participação de vocês.
29:45Uma boa tarde, viu?
29:47Obrigado.
29:47E um feliz dia dos pais para quem é pai, né?
29:49Tá, João?
29:49Obrigado.
29:50Obrigado.