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  • há 2 dias
Casos de pessoas que usaram drogas e cometeram atos violentos

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Transcrição
00:00E a gente segue o programa repercutindo a história do homem que surtou e morreu
00:05depois de fazer o uso de bebida alcoólica e drogas.
00:09Uma combinação muito perigosa, viu gente?
00:12Segundo as investigações, esse homem teve um mau súbito no início da manhã desta segunda-feira,
00:17mas tudo teria começado pela madrugada, quando ele ingeriu muita bebida alcoólica e drogas
00:24nesta pracinha aí que a gente está mostrando na região de Maruípe.
00:27A nossa equipe encontrou no local várias garrafas de bebidas e pinos de cocaína vazios.
00:35Em surto, esse homem foi até um poço de combustíveis que fica em frente ali na pracinha.
00:40Entrou na loja de conveniência e ele danificou o vidro e agrediu, abraçou fortemente a ponto de precisar chamar o
00:47SAMU.
00:48Então, ele agrediu uma atendente.
00:51Desorientado, ele correu pelas ruas do bairro, tentou invadir o quartel da polícia militar.
00:58Vários homens foram atrás dele, tentaram segurá-lo, mas ele acabou caindo no meio da avenida e morreu.
01:07E a gente sabe...
01:09Volta aqui, vem cá, chega aqui pertinho.
01:10Porque os surtos, gente, provocados pelo uso de bebidas e principalmente drogas, isso é muito mais comum do que a
01:18gente pensa, do que a gente possa imaginar.
01:21Por isso, a gente precisa conversar com os nossos filhos, com os nossos netos, tá?
01:27Abre os olhos, presta atenção.
01:29Sobrinhos também sobre o problema da droga.
01:33Então, vamos bater um papo sobre isso.
01:35Participa com a gente, porque aqui no nosso estúdio eu recebo a psicóloga, Anny Dautro.
01:39Obrigada pela sua participação, Anny.
01:41Uma boa tarde, viu?
01:42E também, doutor Alamo Lutfi.
01:46Falei certo?
01:47Falei certo.
01:47Falei que ele é médico e já atuou.
01:50Tem uma experiência muito grande com a saúde mental.
01:53Ele vai participar também com a gente.
01:55Seja bem-vindo, viu, doutor?
01:56Eu queria que você começasse explicando pra gente de que forma que a droga age no nosso
02:03organismo, no nosso cérebro, que leva até esse ponto que a gente acabou de noticiar, infelizmente.
02:10Certo, Roberta.
02:13Acontece de drogas que são consideradas psicoativas, inclusive o álcool, a cocaína, o crack.
02:22Eles têm a característica de poder alterar o nosso comportamento, causando impulsividade,
02:33causando déficit da nossa condição de julgar o que está acontecendo no nosso entorno,
02:42agressividade.
02:44E, na verdade, você acaba perdendo o nexo com aquele ambiente que você está.
02:50Os estímulos que, para nós, são normais, de um convívio interpessoal, eles passam a
02:58ter uma outra qualidade.
03:00Eles passam a ser entendidos por aquele que fez aquele uso abusivo como algo que pode estar
03:07gerando para ele algum tipo de dúvida sobre o que pode acontecer com ele e ele mesmo respondendo
03:15agressivamente a diversas situações, né?
03:18Só que muita gente que está em casa agora, acompanhando o programa, se pergunta assim,
03:23até porque, principalmente quem algum dia na vida já experimentou ou faz, infelizmente,
03:29o uso dessas drogas, fala assim, ah, mas já usei isso, nunca aconteceu comigo, não.
03:34Não cheguei a esse ponto, né?
03:36Para chegar até esse ponto, doutor.
03:39É aí que as pessoas têm essa falsa segurança, né?
03:44Porque a autoconfiança, nessas horas, a pessoa destrói, né?
03:49Mas, para chegar até esse ponto, com a primeira vez que usa, dependendo da quantidade,
03:55explica para a gente, para chegar a um ponto de surto.
03:59O que acaba acontecendo é uma multiplicidade de fatores que podem chegar a esse ponto de extrema
04:08gravidade de comportamentos que são bastante deletérios para a vida, para a sociedade.
04:15Geralmente, o uso de substância psicoativa, o álcool, eles são combinados, né?
04:21A pessoa, geralmente, já não toma só álcool.
04:23Então, nesses casos muito graves.
04:26Não tem doses seguras, porque existe uma característica pessoal de tolerância para aquela substância.
04:35Mas, o entorpecimento, a convivência em grupos de festa, estou no carnaval e eu estou alegre,
04:45eu estou feliz, eu estou aqui me divertindo, eu não quero fazer mal para ninguém.
04:49Uso mais uma vez, uso mais outra e, no momento que eu vou, eu não consigo perceber que eu já
04:57estou falando.
04:58Geralmente, a gente já viu essa pessoa.
05:00Ele está agitado, ele está andando para lá e para cá, ele está conversando de uma maneira
05:05que não é mais apropriada.
05:06Então, nós que estamos observando aquela cena, estou falando, nossa, mas ele está alterado,
05:12mas ele mesmo não sabe.
05:14E o continuar desse uso, em alguns casos, pode chegar ao ponto dele perder completamente a razão
05:23e, com a descrição desse caso, que não é isolado, é algo pandêmico no mundo,
05:30difícil ficar, muitas vezes, notório em situações em que tem essa repercussão social,
05:39mas, infelizmente, é uma condição bastante comum no Brasil e, por que não dizer, no mundo inteiro também.
05:48Agora, Anny, o doutor trouxe uma fala muito interessante, né?
05:51Quando ele disse que a pessoa faz esse uso para ficar mais alegre.
05:56E, infelizmente, a gente sabe o quanto, hoje em dia, as pessoas têm buscado as drogas pensando nisso, né?
06:03Querendo criar aquele momento, aquela sensação momentânea.
06:08Com certeza. A gente entende que todos os nossos comportamentos, a gente tem mais, geralmente, mais de uma função.
06:15Então, tem, sim, a questão de sentir aquela alegria.
06:19Às vezes, você passou por... Vamos pensar aí no carnaval.
06:22Perto ali do feriado, você passou por algumas coisas que não foram legais.
06:26Então, a bebida e outras drogas, elas vão trazer ali um alívio, uma distração maior.
06:32E a gente tem também uma questão do suporte social.
06:34É muito comum que, principalmente no carnaval, a gente esteja falando de um ambiente que a gente tem várias pessoas
06:40fazendo a utilização dessa droga.
06:43Afins, digamos, entre aspas, recreativos, né?
06:46Acham que é porque é festa, vão ficar mais alegres, né?
06:50E as pessoas acabam criando essa falsa sensação.
06:54Exatamente. E esse suporte social que a gente tem, acaba também sendo muito reforçado para a gente.
06:59Então, a gente tem sempre que lembrar disso também, né?
07:02Querendo ou não, a gente tem uma...
07:05O ser humano, de forma geral, a gente procura pela aprovação dos nossos amigos, da nossa família.
07:11Então, no momento em que eu estou ali com outras pessoas que também estão utilizando,
07:15eu acabo procurando, buscando essa aprovação.
07:17Isso serve para todas as pessoas, né?
07:19Nós somos assim.
07:20E isso também aumenta a probabilidade de se fazer uso, né?
07:24Por isso que a gente fala também, tome cuidado com quem você está no carnaval,
07:28se são pessoas de confiança.
07:30E isso também é muito importante quando a gente fala sobre o uso e abuso de diversas substâncias.
07:35Ali no caso, era um homem, já segundo a nossa equipe de reportagem,
07:38que esteve apurando, né?
07:40Apurou todas as informações ali pela manhã, que foi a Natália Munhão, estava lá.
07:45Se tratava de um homem com idade aproximadamente aí de 40 anos.
07:49Mas a gente sabe, principalmente, eu chamo a sua atenção, meu amigo, minha amiga,
07:53você que tem adolescente em casa, é uma fase que se torna mais influenciável?
07:58Com certeza.
07:59A gente entende que a nossa maior fase, a nossa fase que a gente mais vive essa questão
08:04do suporte social, da aprovação social, é na adolescência e na juventude, né?
08:09É por isso que a gente vê, principalmente nessa fase de adolescência e juventude,
08:13a criação de muitas tribos, né?
08:15Por muitas vezes a gente fala sobre essas tribos.
08:17Então, isso acaba, sim, aumentando a probabilidade nessa fase de a gente ter um uso maior, né?
08:24A gente fala aí sobre um abuso da substância, não só um uso, né?
08:28Mas um abuso mesmo de qualquer tipo de substância.
08:30E a gente chama, com certeza, sempre a atenção para a bebida alcoólica,
08:35porque é o que a gente tem como mais comum no Brasil e no mundo,
08:39mas a gente tem os níveis mais alarmantes de dependência, de abuso,
08:43em relação à bebida alcoólica.
08:44E olha só, como o doutor disse, não é um caso isolado, gente.
08:48Em janeiro desse ano, nós mostramos uma outra história também,
08:52de um homem que surtou e invadiu um condomínio em Vila Velha.
08:56Esse homem estava em surto e quebrou uma das portas de vidro do condomínio,
09:02conseguiu entrar no prédio e foi parar no oitavo andar.
09:06Olha isso!
09:07Ele foi contido pelos moradores e levado para a garagem até a chegada da polícia.
09:12Quando os PMs chegaram, ele estava muito nervoso, ofereceu resistência e custou, viu, gente, a ser contido.
09:20Logo em seguida, o que aconteceu?
09:21Ele desmaiou por duas vezes e morreu.
09:24No boletim de ocorrência, os militares relataram que esse homem tinha sinais de estar sob o efeito de drogas.
09:32Doutor, a gente se pergunta, nessas horas, o que a gente pode fazer com essas pessoas que estão sob o
09:39efeito desses entorpecentes de drogas,
09:41em estados, como o senhor bem disse, extremos, às vezes, pela associação de álcool também?
09:47O que a gente, família, ou então, o que os vizinhos, o que a população pode fazer?
09:52Como que a gente deve agir?
09:53É uma situação extrema de risco, tanto para a pessoa que fez o uso, como para os entes familiares e
10:04também para a sociedade em comum,
10:06inclusive o patrimônio público.
10:10São situações extremas em que, na verdade, existe a necessidade de uma intervenção,
10:18seja da equipe de guarda civil, da segurança pública e também da saúde pública, no caso, o SAMU precisar intervir.
10:31É muito difícil a gente entender qual a reação e nível de agressividade que essa pessoa pode dispender para quem
10:45está perto.
10:46Então, na medida do possível, rapidamente chamar a segurança pública, o SAMU, se afastar...
10:54Enquanto isso, até chegar esse serviço, tem algo? A gente se afasta?
10:58Você estava até continuando e eu te interrompi, doutor.
11:01Em alguns casos, a família e pessoas que são próximas têm o potencial de acalmar a pessoa.
11:11Ela interpreta que aquela pessoa é do convívio dela, olha, calma, mas não é algo que a gente consegue prever
11:19facilmente.
11:20Se existe alguém com uma força física muito grande, é preciso conter a pessoa,
11:27mas, às vezes, essa necessidade de utilização de força, ela tem um caráter que pode dificultar um pouco em situações
11:37do convívio geral.
11:38A mãe não vai conseguir conter um filho, um homem, que está apresentando uma desorganização tão grande do comportamento.
11:46E é a primeira a tentar, geralmente.
11:49Tem até um comentário aqui da Letícia Pimenta, ela fala o problema, principalmente nos efeitos que isso provoca.
11:56Existem pessoas e pessoas, ela disse que já conviveu com pessoas que utilizavam e só trazia transtornos agressivos para dentro
12:04de casa.
12:04E a gente vai conversar agora pela internet com o Renato Teixeira.
12:08Ele já usou, gente, vários tipos de drogas e hoje ajuda outras pessoas a se livrarem desse vício.
12:17Antes de você contar para a gente como é que você conseguiu se livrar, Renato, primeiramente, boa tarde.
12:22Explica como é que era o seu comportamento, você também ficava agressivo?
12:28Boa tarde a todos, né?
12:30Agradecer pela oportunidade de estar aqui hoje, né?
12:33E respondendo a sua pergunta, sim.
12:36Eu fiz o uso abusivo de vários tipos de substância, né?
12:41Cheguei ao consumo de crack.
12:43Consumi crack por mais ou menos 16 anos da minha vida.
12:47E eu cheguei, sim, nesse estado de surto.
12:52Eu tive um primeiro surto no ano de 2013.
12:57Eu tive um surto psicótico, aonde que resultou em diversas machucadas no meu corpo,
13:04porque eu acabei entrando a uma mata dentro, né?
13:06Com...
13:07Tendo visões de perseguição.
13:10E demorei dois dias para chegar em casa.
13:13Então, assim, poderia ter morrido, poderia ter sofrido algum acidente.
13:19E, graças a Deus, não aconteceu.
13:22E, além desse surto, eu ainda passei por uma depressão profunda, né?
13:27Aonde que eu tentei o suicídio.
13:30Através de envenenamento, eu cheguei num descontrole total da minha vida.
13:36Ao ponto de achar que a única solução possível seria a morte.
13:41E aí, como é que você encontrou, então, essa solução, Renato?
13:47Olha, eu encontrei essa solução.
13:49Na verdade, eu costumo dizer que o uso de droga, as perdas que ele trouxe na minha vida,
13:55ele me afunilou, né?
13:56As consequências foram me afunilando.
13:59Eu cheguei a morar vários anos nas ruas, dentro das Cracolândias.
14:04E até dentro das próprias Cracolândias, porque é uma evolução.
14:11A dependência química, ela evolui.
14:13E os próprios usuários de drogas já não me queria, eu, usuário de droga, por perto.
14:19Então, eu fui afunilado e eu conheci a Rede Abraços, que é um programa do governo.
14:25Eu fui encaminhado com a comunidade terapêutica, projeto Resgate Vida.
14:31E ali começou a mudar.
14:33Eu comecei a tomar conhecimento que o meu problema não era apenas o uso específico de uma substância.
14:42Mas era o meu comportamento, era a busca de aceitação social, que estava tudo ligado.
14:48Então, eu passei a tomar conhecimento do que eu tinha desenvolvido, que era a dependência química.
14:54Eu comecei a receber ferramentas, meios de lidar com o meu emocional já muito abalado, uma perda muito grande de
15:04princípios, de caráter.
15:05E eu precisei resgatar tudo isso.
15:08Isso foi restaurado através de programas de recuperação que foram ofertados dentro da comunidade.
15:15E Renato, diante desses episódios que você contou pra gente, eu imagino, eu fiquei me fazendo essa pergunta, como é
15:24que ficava a sua família?
15:26Olha, a minha família ficava em total desespero.
15:30Porque, assim, o uso de droga, o uso de droga te coloca em um estado de total insanidade.
15:37O indivíduo, quando ele está sobre o poder de substância, ele não tem poder de decisão sobre a próxima, ele
15:45não tem poder de escolha mais.
15:47Ele chega ao ponto de viver dominado pelo uso de droga, que causa insanidade.
15:53Quando um indivíduo está surtado, e eu vi você fazendo essa pergunta pro doutor, e como conter uma pessoa que
16:00está em surto, e muitas das vezes, hoje nós temos que...
16:04Eu sugiro que recorra muito, sim, a acionar o 190, a polícia militar, muitas das vezes, porque uma intervenção de
16:14uma pessoa que não tem preparação,
16:16com uma pessoa que está em surto, que não tem capacidades mentais de decisão naquele momento, é muito perigoso.
16:25Eu estive nesse estado.
16:28E aí, você disse, né, que a família ficou enlouquecida.
16:33Imagino que foram várias tentativas, e eu quero trazer essa pergunta, já volto a falar com você, Renato, pra Anne
16:38D'Alto, que é psicóloga,
16:39o quanto a família se desestrutura, principalmente mães que não sabem mais o que fazer.
16:48E é uma pessoa, a gente está falando aí de pessoas que também precisam de ajuda, né, Anne?
16:53Com certeza.
16:54A gente lembra que sempre o apoio profissional é o indicado, né, tanto pra essa pessoa que tem aí o
17:01transtorno por uso de substâncias, né,
17:03que é o como a gente chama atualmente, quanto pra família, principalmente porque, geralmente, a família não sabe o que
17:09fazer,
17:09e uma orientação de um profissional, seja um psiquiatra, seja um psicólogo, pode auxiliar essa família.
17:15O que você, enquanto família, pode fazer para essa pessoa, seja seu filho, seu irmão, né, seu pai, o que
17:22a gente vê muitas vezes.
17:23Então, realmente, um profissional vai ser a melhor pessoa, um profissional, inclusive, especializado em dependência química,
17:30vai ser a melhor pessoa pra fazer essa orientação.
17:33Mas aquelas pessoas que, infelizmente, a gente está falando de uma realidade que nem todo mundo tem acesso a um
17:40psicólogo, né?
17:42Quantas e quantas mães a gente recebe aqui, gente, na portaria da TV Vitória, implorando por um tratamento pro filho
17:48que é dependente químico.
17:49Como que essa mãe, como que esse pai, podem, inicialmente, pensar assim,
17:55eu preciso tomar o controle da situação, eu preciso ajudar o meu filho, eu preciso ajudar o meu neto.
18:01Qual o primeiro passo que ela precisa internamente?
18:04É, com certeza, pra si, pra si mesmo, né, é a gente auxiliar essa pessoa a enxergar que existe um
18:10problema.
18:10Muitas vezes, essas pessoas, como a gente mesmo comentou aqui, são pessoas que não enxergam que existe um problema,
18:17que existe uma dependência, né?
18:19Então, muitas vezes, a pessoa, ah, não, é só porque eu gosto, quando eu quiser parar, eu paro.
18:24É o que muitas vezes a gente ouve, né?
18:26Então, são fins recreativos, aquilo que a gente falou aqui no início, entre aspas, né?
18:31Sim, socialmente, eu só bebo socialmente, né?
18:34Eu só faço uso dessa substância aqui socialmente.
18:37Então, a primeira coisa é essa pessoa pedir ajuda, inclusive pra outras pessoas da família,
18:42pra outras pessoas de confiança, a fazer essa pessoa enxergar que existe, sim, uma dependência, né?
18:48É o nosso primeiro passo.
18:50Depois, caso essa pessoa não tenha condições de procurar...
18:52Tem muitas mãos também que tapam só com a peneira, né?
18:54Sim.
18:55Não querem enxergar o problema, aceitar essa realidade.
18:58A primeira coisa é a aceitação.
18:58A primeira coisa é a aceitação da família e da própria pessoa.
19:01Se essa pessoa não tiver condições depois de arcar com qualquer tipo de tratamento profissional,
19:08ajuda profissional, o Renato mesmo falou, a gente tem a Rede Abraço, que é maravilhoso,
19:13é do governo, né?
19:14Então, sendo assim, você pode procurar, inclusive fica aqui no centro, né?
19:17Então, a gente tem essa possibilidade e você pode procurar uma unidade básica de saúde,
19:22você pode procurar a Rede Abraço.
19:24Sempre a gente vai ter uma pessoa que vai poder te encaminhar, fazer esse encaminhamento
19:28da melhor forma e de maneira gratuita.
19:30Aí você disse, Anny, você pode procurar a Rede Abraço, mas e aquele que não quer
19:36procurar?
19:37Doutor, aí vem a internação compulsória.
19:40Isso faz diferença a pessoa querer ou não na internação compulsória?
19:44Faz diferença no resultado final do tratamento?
19:48Faz bastante diferença, viu, Roberta?
19:51O fato de você ter chego ao esclarecimento que o uso de substância está sendo prejudicial,
20:01deletério à sua saúde, faz com que você aceite de forma mais suave, de forma melhor a utilização
20:11eventual de medicações, de terapias, de sessões, de você se integrar em espaços que normalmente
20:21você utilizava.
20:23E como bem o Renato comentou, que você vai perdendo, né?
20:28Você vai afunilando, estreitando os seus interesses.
20:32Você gostava de jogar um futebol, de ler, de passear, de música.
20:38Tudo isso vai se perdendo e vai se colocando a vida apenas em função de buscar a substância
20:49para aplacar aquela ansiedade, aquela, entre aspas, fissura, como eles chamam,
20:56para você ter novamente aquela momentânea sensação de prazer que a droga e as substâncias
21:05acabam oferecendo para o usuário.
21:08E como que os pais identificam de que chegou a hora?
21:13É hora de internar.
21:14O que a gente percebe na característica desse indivíduo de que é preciso dar esse passo,
21:20doutor?
21:21É muito interessante e importante que as famílias tenham um diálogo, né?
21:29Muitas vezes os compromissos e a vida com necessidades outras, sem que seja a orientação dos filhos,
21:41familiar, conversas, saber o que está fazendo, com quem está andando, quais são os seus hobbies,
21:49porque você sabendo disso, de como funciona, como que é o cotidiano da pessoa, você começa a entender,
21:57puxa, mas ele gostava tanto de futebol, puxa vida, mas ele gostava tanto de sair, de ir no cinema,
22:04ele não faz mais isso, agora ele vai para um lugar que eu não sei mais onde é, não sei,
22:09fica, muitas vezes, tempos fora de contato com quem eu não sei quem é.
22:16Muitas vezes eu estou em casa, mas estou irritado, tenho alteração de sono, de paladar, de ingestão de alimentos.
22:27A mudança não precisa ser drástica, mas isso geralmente acontece aos poucos.
22:34Mas você conhecendo qual é o padrão de funcionamento da pessoa, do cotidiano, daquele adolescente,
22:42daquele adulto e a modificação chama bastante atenção para a gente conversar sobre isso, né?
22:50O que está acontecendo?
22:52E aí a gente chama atenção para que essa conversa aconteça, não depois, né?
22:59Não só depois, mas que exista, que esse diálogo exista mesmo, seja presente na vida da família,
23:05porque muitos jovens depois vão para os consultórios falar que não tinha esse diálogo em casa, Anny?
23:11É o que a gente mais ouve, na verdade.
23:14Quando a gente atende adolescentes, jovens, o que a gente mais ouve é essa questão.
23:18Eu não tenho diálogo em casa, eu não tenho quem conversar e muitas vezes vai procurar o que a gente
23:23chama de pares, né?
23:24São pares desviantes.
23:26Então, vai procurar em amigos esse diálogo, esse conforto, esse carinho, esse amor.
23:30E aí muitas vezes se envolve em vários tipos de substâncias, exatamente procurando esse diálogo que não encontrou em casa.
23:37Então, está aí a importância da família dar esse suporte, dar carinho, dar amor e que isso fique claro,
23:43porque o que a gente ouve muito das famílias é, nossa, mas eu sempre demonstrei, sempre comprei tudo o que
23:49queria,
23:50ou eu sempre estive aqui por perto, mas será que isso ficou claro para esse adolescente, para esse jovem?
23:57Então, precisa ficar claro, né?
23:58Não é só demonstrar que ama, é importante falar que ama, né?
24:03Então, essa demonstração precisa ficar o mais clara possível.
24:06Vamos ver então com o Renato, né? O que que o fez ir parar no mundo das drogas?
24:11O que que te levou para esse caminho, Renato?
24:15Olha, o que me levou para esse caminho, na verdade, no começo da minha influência, eu cresci numa família com
24:23dificuldades estruturais.
24:26E eu acabei indo parar muito cedo nas ruas, né?
24:29Aos 9 anos de idade, eu já estava nas ruas e eu comecei a fazer o uso de solventes,
24:36tini, cola na época, e eu fui tendo uma evolução.
24:40Mas, assim, ao decorrer da minha vida, a minha família se estruturou,
24:46mas eu já tinha usado várias substâncias.
24:49E como todas as pessoas que começam e que acabam dependentes,
24:54eu achava que eu tinha um controle.
24:56Quando a minha família já estava estruturada para me voltar, que eles queriam me ajudar,
25:03eu já era um dependente, eu não reconhecia, mas eu já tinha me tornado um dependente químico.
25:09E aí, entrou todo o sofrimento, né?
25:11Entrou todo o sofrimento de uma família que deseja ter o seu ente querido dentro de casa,
25:17acompanhando, vivendo numa sociedade.
25:21Existe o dependente químico que está doente, que não consegue enxergar o seu real estado.
25:27Então, assim, um dos motivos meus foi o início da minha vida, a minha desestruturação familiar.
25:34E o que foi crucial?
25:36Quero que você deixe um recado aí para o pessoal de casa.
25:42Então, o crucial para mim querer sair dessa vida foi eu enxergar a realidade que o uso de drogas tinha
25:52me levado.
25:53Foi eu me deparar e entender que eu não era dono mais nem sequer da roupa que estava no meu
26:00corpo.
26:01Que eu tinha entrado num estado de depressão profunda,
26:05que eu tinha toda uma família que me amparava,
26:10mas que eu, há muito tempo, estava afastado dela.
26:14Então, assim, foi muito difícil enxergar isso.
26:17É muito difícil admitir para si mesmo que você cavou tão fundo
26:22que você já deixou de estar no fundo do poço, você já está abaixo do fundo.
26:27Então, foi enxergar, encarar a minha realidade,
26:30ver que eu tinha me tornado um dependente químico
26:33e de que eu precisava de ajuda.
26:36Renato, a gente te parabeniza porque você deu a volta por cima
26:39e você ressignificou toda a sua história.
26:42Hoje você tem uma família para chamar de sua.
26:45Parabéns.
26:46Obrigada mais uma vez.
26:48Muito obrigada por você estar aqui trazendo esse relato
26:50e mostrando para outras pessoas que existe, sim,
26:54uma luz no fim do túnel e que existe uma saída.
26:56Obrigada de todo o coração pela sua participação aqui com a gente, tá?
26:59Um dia eu quero te receber aqui no nosso estúdio e te dar um abraço, tá joia?
27:05Combinado, estarei aí sim um dia.
27:07Eu que agradeço pela oportunidade e uma excelente tarde para todos.
27:11Tá certo.
27:12Um beijo para você.
27:14Doutor Almo, obrigada.
27:15Obrigada, Renato.
27:16Obrigada, doutor Almo.
27:17Pelas suas explicações.
27:18Volte sempre ao Fala Espírito Santo e Anne também, viu?
27:21Obrigada.
27:21Obrigada.

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