- há 14 minutos
Quais são as consequências de quem tenta entrar no presídio com drogas.
Categoria
🗞
NotíciasTranscrição
00:00Eu recebo o psicanalista Carlito Garcia, obrigada pela sua participação mais uma vez.
00:06Também recebo o Juan Fernandes, que é presidente dos sindicatos dos policiais penais.
00:10Obrigada também, Juan.
00:12E a Líbina de Barros, que no passado, ela também já se arriscou muito por conta de um amor que
00:19na verdade não era amor, né Líbina?
00:22Boa tarde.
00:23Boa tarde, Renata. Mais uma vez aqui.
00:26É Robertinha, gente.
00:27Fica à vontade, sinta-se em casa.
00:28É minha amiga, Renata.
00:31Realmente, no passado, eu tive um relacionamento.
00:34Hoje, eu olhando para trás, eu vejo que é uma doença, né?
00:39A gente acha que está apaixonada, igual eu vi o caso dessa senhora, ela com 55 anos, um mês de
00:46relacionamento e ela já se arriscou dessa forma.
00:50Hoje, eu olhando para trás, eu vejo que é uma falta de amor próprio, né?
00:53Até comigo mesma, até eu mesma não tinha esse amor pela minha vida como eu tenho hoje, né?
00:59E muitas mulheres, muitas meninas, elas têm essa falta de amor próprio, elas se arriscam desse tal ponto de não
01:08pensar nem que...
01:16E uma pessoa que, às vezes, elas nem conhecem.
01:21Libina, você se arriscou de diversas maneiras, mas não chegou exatamente a esse ponto, né?
01:26A levar droga para dentro do presídio.
01:29Mas, se na época, o seu companheiro tivesse feito esse pedido, do jeito que você estava emocionalmente envolvida, você teria
01:38coragem de fazer isso?
01:40Olha, Roberta, como eu já falei aqui muitas vezes, eu me envolvi com 14 anos nesse mundo e, com 17
01:47anos para 18, eu já comecei a me arrepender, né?
01:51Já comecei a abrir os olhos, ver que não era aquilo que eu queria para a minha vida, eu via
01:55que eu queria mais.
01:56Então, quando eu comecei a frequentar a prisão, né?
02:03Eu já tinha 19 anos, então eu já estava com uma mente meia lá e meia cá.
02:09Eu acreditava que eu estava apaixonada, acreditava que minha vida ia mudar, que ele ia mudar, que a minha vida
02:15ia ser diferente, coisa que não acontece.
02:18Mas eu também já estava pensando que o meu filho, ele precisava de mim, eu já estava pensando que se
02:25eu fosse presa, se eu fosse pega algum dia, ninguém estaria por mim.
02:30E o desgosto que eu ia dar na minha mãe.
02:32Então, assim, eu já estava com a mente já pensando para o lado do bem.
02:37Mas, quando eu assumi esse relacionamento, quando eu assumi esse compromisso, né?
02:41Essa paixão desenfreada, esse amor louco, né?
02:45Que a gente acha que é, mas não é, eu, sim, eu teria coragem porque eu fazia tudo.
02:52Porque era o amor da minha vida, né?
02:54É aquela coisa, ele precisa, eu preciso, mas ninguém precisa.
02:58A gente precisa de nós mesmos para ser feliz.
03:00Precisamos das nossas atitudes para fazer o bem para nós mesmos.
03:03E, Carlito, o que leva uma mulher a se sujeitar a esse ponto, né?
03:08A gente corre risco de vida.
03:09Quantas vezes a gente já noticiou aqui no programa de pessoas, de mulheres que, às vezes, engolem a droga para
03:17poder tentar entrar no presídio, né?
03:18Correndo risco daquilo explodir dentro dela, esconde nas partes íntimas.
03:22Olha o tamanho do risco que uma mulher se sujeita a correr.
03:26O que explica isso?
03:27Boa tarde.
03:28Boa tarde, Roberta.
03:29Boa tarde a todos os telespectadores.
03:30Um dos fatores que a gente vê que influencia uma mulher hoje a se permitir uma situação dessa é a
03:39falta de uma verdadeira identidade.
03:41Quando a pessoa não sabe quem ela é, ela acaba se sujeitando a todo esse processo.
03:47E um também dos fatores que eu também tenho percebido ao longo desse momento de analisar pessoas é a falta
03:53de paternidade.
03:54Muitas vezes, por não ter tido alguém ali na infância para dar uma direção, uma provisão, uma proteção, isso acaba
04:02influenciando para que lá na frente ela busque um meio de se sentir aceita.
04:07Igual como ela acabou de falar aqui no seu testemunho breve, a questão de uma segurança que a vida no
04:16sistema acaba tentando proporcionar.
04:19Só que é uma vida que, infelizmente, ela é totalmente passageira, acaba rápido e o fim nós temos visto o
04:27que tem levado aí.
04:27E vamos parar para pensar na prática, Juan, qual é a chance de uma mulher ser pega ao tentar entrar
04:36com uma droga no presídio?
04:38Tem grande chance disso dar errado? Boa tarde.
04:41Boa tarde.
04:42Pois bem, chance sempre existe, tanto dela conseguir adentrar quanto de ser pega, né?
04:47A questão que a gente está discutindo aqui é a pessoa se expor a esse risco, entendeu?
04:52De colocar uma droga ali dentro do seu interior, do interior do seu corpo, que pode haver também o rompimento
04:59do material do invólucro ali dentro e trazer prejuízos graves à saúde da pessoa que está conduzindo.
05:06E também com o aperfeiçoamento, foi citado aqui, o sistema penitenciário passou por uma evolução muito grande, principalmente dentro do
05:13Estado do Espírito Santo.
05:15Foi feito altos investimentos ali, principalmente no que tange a questão da profissionalização dos servidores.
05:22Dos policiais penais que ali atuam, quanto na questão dos materiais também, que são empregados para você coibir ali a
05:30tentativa de adentrar, não só com drogas, também com outros materiais ilícitos, né?
05:34Hoje, algumas unidades já dispõem do sistema Body Scan, que foi o que ali conseguiu flagrar, né?
05:40A senhora ali adentrando a unidade prisional, um objeto estranho dentro do corpo dela, que não seria pego pelo detector
05:47de metais, que uma grande parte das unidades só dispõe do detector de metais, fragilizando, assim, a segurança, né?
05:53Das unidades prisionais capixabas.
05:56Então, assim, são feitos investimentos para se coibir essa tentativa e até para você também resguardar a pessoa, que da
06:05mesma forma que se coloca uma quantidade menor ali,
06:08a qual foi encontrada agora, né?
06:10Dez unidades de rachis que foi encontrada na mulher, da próxima vez tentam forçar para ela tentar adentrar com uma
06:17quantidade maior dentro das suas partes íntimas ali, o que pode aumentar ainda mais o risco da sua integridade física.
06:25Agora, tem um detalhe que chama muita atenção.
06:26Vamos parar para pensar na idade, né?
06:29Dessa mulher, 55 anos.
06:31Geralmente, qual é o perfil das mulheres que mais se arriscam, Juan?
06:35Normalmente, as mulheres que mais se arriscam são mulheres mais jovens, né?
06:38Que tem, às vezes, aquela ilusão, aquela fantasia de se achar as belezas da vida criminosa, né?
06:45Tem casos também que a gente, muitos casos que a gente, nós acabamos ali identificando dentro dessas pessoas que estão
06:52se sujeitando a isso,
06:53é que é algo que já vem de família.
06:55Quando você vê ali, foi citada a relação paterna, o pai, normalmente, o pai já está preso, o irmão já
07:01está preso,
07:02Então, já tem uma cultura ali dentro da própria família que a pessoa acaba não vendo como algo tão grave.
07:08E acaba se expondo àquele tipo de risco ali.
07:11Casos mais que têm que ser avaliados ali de uma forma mais individual, como dessa senhora de 55 anos,
07:17um mês de relacionamento se expor a uma situação dessa, passa pela questão da psicologia,
07:23ou até da psiquiatria, para avaliar melhor ali a condição emocional daquela pessoa ali,
07:29para se sujeitar à situação a qual se encontra hoje.
07:32Presa, na unidade prisional feminina, passando pelos mesmos rigores da pessoa que ela quis ajudar anteriormente.
07:39E ninguém melhor para falar disso do que você, Carlito.
07:42Exatamente isso que o Juan, esse aspecto que ele falou, os aspectos psicológicos, psiquiátricos,
07:48que levam uma mulher aos 55 anos, encarar isso como se fosse,
07:53se der errado, está tudo bem.
07:57Acho que a pessoa não consegue nem pensar nas consequências, nem medir as consequências disso.
08:04Sim, os padrões geracionais, que é transmitido também de pai para filho,
08:07isso acaba influenciando de uma tal forma com que a pessoa não consiga enxergar o perigo.
08:12Eu moro na comunidade da Grande São Pedro, e ali eu tenho observado como que os jovens,
08:18mesmo vendo os seus amigos e aliados no sistema morrendo e padecendo,
08:24eles ainda continuam, porque eles acreditam que não vai acontecer com ele.
08:29Assim também aconteceu com tanto essa moça, que é essa senhora que foi presa,
08:34tanto com outras jovens também, como ele acabou de relatar aqui,
08:38que se envolve, porque geralmente a faixa etária de idade que começa a entrar,
08:44que o crime começa a recrutar, é justamente aí dos 14, 15, 16 anos,
08:50aonde eles começam justamente a elogiar, valorizar, falar coisas que ela quer ouvir,
08:58transmitir aquela falta de segurança e acaba iludindo.
09:01Por não ter em casa, muitas das vezes, a afirmação de um pai,
09:05a afirmação de um familiar que gera nela ali aquele nível de confiança,
09:11acaba buscando fora, porque todo mundo tem essa necessidade de se sentir aceita.
09:16E torna a dizer, o emocional da pessoa fica muito aberto quando não tem em casa
09:22e acha fora de casa.
09:24E esses casos, gente, são muito mais comuns do que a gente pensa.
09:28Nós já mostramos aqui na TV Vitória, por exemplo,
09:30que no ano passado aumentou em 70% o número de mulheres,
09:35o número de pessoas tentando entrar com drogas nos presídios capixabas.
09:3940 pessoas foram flagradas e muitas são mulheres,
09:44que dizem que fazem isso por amor.
09:47E não é só amor entre as... não é apenas o amor entre casais, não.
09:52Em fevereiro desse ano, duas mães, a gente está falando de mães,
09:56foram flagradas tentando levar drogas para os filhos durante uma visita.
10:00Os dois casos aconteceram também na penitenciária de Churí, viu, gente?
10:04Uma das mulheres, segundo a polícia, escondeu quatro buchas de maconha na cintura
10:09e tinha três pinos de cocaína na bolsa.
10:12A outra, segundo os agentes, também tentou entrar na penitenciária com cocaína
10:16e mais de 30 buchas de maconha escondidas nas axilas
10:20e admitiu, tá, que a droga era para o filho que estava preso.
10:24Juan, depois que uma mulher, né, uma pessoa encontrada tentando entrar com droga no presídio,
10:29deu errado, caiu a casa, o que que acontece?
10:32Pois bem, quando é identificado ali, né, já se faz ali a suspeita,
10:38no caso, por exemplo, o equipamento de body scan,
10:41ele identifica que tem um objeto estranho ali dentro da pessoa.
10:45Já se faz ali mesmo uma entrevista para a pessoa questionando o que seria aquele tipo de material
10:50e, na maioria dos casos, a própria pessoa já revela ali mesmo
10:54que se trata de um material ilícito ali, que estava levando pouco para o filho
10:58ou, no caso, ali para o marido, para um relacionamento que ela estava vivenciando.
11:04E os segmentos que são dados, acionados ali, no caso, informados aos CODES, né,
11:10as autoridades policiais e encaminhado até o Departamento de Polícia Judiciária
11:14para ser averiguado, para ser dado o segmento, assim como foi dado nesse caso,
11:19que foi autuado ali por tentado entrar com a droga e encaminhado posteriormente ao presídio.
11:25No preso em si, quando ele também tem participação nesse caso,
11:29ele é feito um processo administrativo disciplinar dele.
11:34Se for um caso, um regime de semiaberto, ele pode até, por determinação judicial,
11:38sofreu uma regressão de regime, então ele também sofre as sanções ali pela tentativa,
11:43que, de acordo com a lei de execução penal, a tentativa é punida como um fato consumado, entendeu?
11:49A gente até tem um vídeo do delegado Marcelo Nolasco explicando para a gente
11:53sobre esse crime de tentar entrar no presídio com drogas, sobre a pena.
11:58Ele vai explicar para a gente, olha aí.
12:00A conduta de tentar ingressar em presídios com drogas é crime, crime de tráfico de drogas.
12:08Com uma pena de reclusão de 5 a 15 anos.
12:13E, neste caso, ainda incide um aumento de pena de 1 sexto a 1 terço.
12:21Ou seja, uma pessoa que tente ingressar em um presídio para levar drogas,
12:27mesmo que seja para um companheiro ou para um filho,
12:30estará sujeito a uma pena de reclusão de até 25 anos.
12:36As mulheres precisam estar atentas de que as maiores prejudicadas com esta conduta serão elas mesmas.
12:46Olha só, a gente está aqui com a Libna, que ela deu uma reviravolta na vida dela,
12:50mudou completamente o estilo de vida, uma superação.
12:54Mas ela conhece várias amigas que não tiveram o mesmo desfecho, né, Libna?
13:01Porque tentaram, também tiveram essa ousadia de se arriscar tentando entrar com droga no presídio.
13:08Eu presenciei meninas ao meu lado, na fila, eu um pouco mais atrás, ela um pouco mais à frente.
13:16E, quando ela entrou, ela já saiu presa.
13:19Nunca mais eu vi, porque ninguém vai procurar saber o que aconteceu com ela.
13:24Não é amiga, não vai.
13:25O cara que está preso, não vai.
13:27É só a família dela.
13:28Se não tiver família, ela vai estar sozinha.
13:31Também já tinha, na época, várias amigas que levavam para os maridos,
13:36que levavam como fonte de renda mesmo, né?
13:42Então, nesse mundo, a gente vê todo o tipo de pessoas e todo o tipo de atitude.
13:49E, dentro da minha cabeça, naquele momento, eu já trabalhava um fato.
13:54Eu não quero isso para a minha vida.
13:56Não, isso aqui não.
13:58E sabia que aquilo que elas estavam fazendo, uma hora ia dar errado.
14:03E, na época que eu fazia visita, não tinha ainda esse sistema que tem hoje.
14:08E sempre se ouvia falar que iam colocar.
14:11E elas já ficavam muito preocupadas.
14:13Porque o raio-x, ele detecta, né?
14:15Tudo.
14:16Então, elas já estavam preocupadas e sempre falavam que era mês que vem,
14:19que era mês que vem, mas eu acho que demorou ainda muito tempo para isso acontecer.
14:24Mas o fim é sempre trágico, Roberta.
14:27É o que o doutor falou.
14:31É uma questão de identidade, é uma questão de paternidade,
14:36é algo que falta dentro, que vem lá do começo,
14:39que eu consegui detectar dentro de mim, porque eu já tinha uma cabeça já pensando nisso.
14:44Então, quando eu descobri quem eu era e que eu realmente queria,
14:48e o que realmente faltava na minha vida,
14:50não era uma pessoa de fora que nunca tinha me visto que ia suprir, talvez, a falta de paternidade.
14:57Seria alguma coisa dentro de mim que eu teria que achar aquilo dentro de mim.
15:01Ninguém ia me fazer feliz, só eu mesma.
15:04E elas fazem isso procurando a segurança da vida louca, né?
15:09Porque, ah, eu estou por cima, né?
15:11Porque tem muita gente que tem medo e acaba pensando que vão ter uma segurança.
15:17E a segurança é falsa, porque quando elas se pegam nessa situação,
15:20eles não vão ajudar ela.
15:22O crime não vai ajudar ela.
15:23Elas vão estar sozinhas do mesmo jeito.
15:25E essas pessoas, se elas não tiverem uma identidade forte,
15:29quando chegar lá na frente, ela vai ser aquela mãe que vai levar a droga para o filho,
15:34porque ela ainda está com a identidade desfalcada e natural.
15:38Ela tem ainda um problema.
15:39Naturaliza também, né?
15:40Cresceu daquele jeito.
15:41Exatamente.
15:42Acha aquilo normal e vai perpetuar para a próxima geração.
15:45Ah, é meu filho, coitado, eu vou fazer isso para ele, coitadinho.
15:50Não é coitadinho, ele é meu filho, ele fez errado, ele tem que pagar e eu tenho que ser dura.
15:54Mas ela não é dura porque ela ainda está com a identidade, né?
15:57Como ele falou.
15:58E vamos lembrar que, como você bem disse, Libra, que se for o inverso,
16:02se a mulher estiver lá dentro, o homem...
16:05Não vai.
16:06Na época, nem sei se existe ainda Tucum.
16:09A gente chamava de Tucas na época, né?
16:11Porque, ó, cuidado que você vai para Tucas.
16:14Gente, eu acho que a fila lá, antigamente, era bem pequena.
16:17Não tinha aquele negócio de ter uma fila gigantesca para entrar igual no presídio masculino.
16:23Né?
16:23Eu acho que a fila nem existia.
16:26Agora não.
16:27Você chega no presídio masculino, a fila é gigantesca.
16:30Você leva o dia todo para o ventrão lá dentro e elas ficam abandonadas lá,
16:34quando elas são pegas nesse cenário.
16:37E, Juan, geralmente, quais são as partes que as mulheres mais usam para esconder as drogas?
16:42O que vocês encontram?
16:43As partes mais comuns são, no caso ali, né?
16:47O vagina.
16:48A mulher faz a introdução do material ali.
16:51Ou, no caso, o sutiã também é utilizado bastante.
16:56Ou em algumas mulheres que têm um pouco mais de obesidade, um pouco mais até embaixo da própria barriga ali,
17:03né?
17:04São tentadas várias formas para se ludibriar a segurança para adentrar.
17:08No caso das mulheres, assim como foi dito, está sendo dito aqui, é algo muito grave, que deve ser muito
17:15pensado.
17:15Porque a gente vê, assim, hoje a gente tem aproximadamente 23 mil presos no Estado do Espírito Santo,
17:22sendo uma média de 22 mil presos masculinos e mil e poucas mulheres que estão detidas.
17:30A proporcionalidade de visitas para mulheres é baixíssima, assim.
17:34Literalmente, a mulher em si, ela é utilizada ali como um instrumento, por muitos ali criminosos, né?
17:39Que se utiliza, às vezes, de uma fragilidade emocional que ali observam.
17:43Ou até da questão da alienação parental, né?
17:47Ali com relação nos casos das mães, para tentar usufruir de benefícios.
17:51E quando tem esses casos que a mulher é detida,
17:5599% dos casos, ela é desassistida, assim, totalmente por parte da família,
17:59por parte do suposto romance ao qual ela estava vivendo, por parte dos filhos,
18:04muito em função também de grande parte das pessoas ali já estarem envolvidas, né?
18:10No âmbito criminal.
18:12E também por uma questão, às vezes, até uma questão do machismo, uma questão cultural mesmo,
18:18que a mulher é utilizada como objeto e, posteriormente, quando não atende mais a finalidade, é largada.
18:23Aí cadê a sensação de poder?
18:25É uma falsa sensação, né, Calito?
18:27Só para a gente finalizar, queria que você deixasse essa palavra para quem está em casa agora acompanhando a gente.
18:32Como nós estamos batendo essa tecla aqui, que é a falta de uma identidade distorcida,
18:39ela faz com que a pessoa queira buscar cada vez mais o prazer imediato.
18:43E o mundo do crime vai oferecer essa falsa ilusão, né?
18:47Essa ilusão quando a pessoa vive e entra naquele caminho ali.
18:50É muito importante que você, mulher, que está nos vendo aqui agora, entenda o seguinte, quem é você?
18:58Quem é você?
18:58Primeira coisa, tem que perguntar quem sou eu, aonde eu quero chegar e o que eu estou fazendo para contribuir
19:05aonde eu quero chegar.
19:06Então, quando você começa a se perguntar, você começa a ver que o caminho que você está andando
19:11é totalmente um caminho errôneo, um caminho perigoso, um caminho que vai gerar consequência não somente para você,
19:17mas para as pessoas que estão em tua volta.
19:20Então, é muito importante.
19:22Eu falo isso com propriedade porque eu já estive também desse lado, já estive também no sistema, no crime.
19:28Hoje, graças a Deus, liberto, transformado.
19:31Mas eu sei o que é estar aí também.
19:33Então, a falta de uma identidade correta na vida, a afirmação de alguém, faz com que a gente venha a
19:39querer procurar esse prazer imediato.
19:42Mas dá tempo de sair ainda, com certeza.
19:44Muito obrigada pela participação de vocês.
19:47Está aqui Histórias de Superação da Libna, do Carlito também, que é psicanalista falando com propriedade sobre esse assunto.
19:53E, Juan, obrigada também pela sua participação, viu?
19:55Obrigada.