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  • há 3 semanas
A polícia está fazendo um trabalho no entorno das escolas mas é preciso ficar atento às atitudes dos filhos.

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Transcrição
00:00A Polícia Civil fez hoje, gente, uma operação para combater o tráfico de drogas
00:05que acontece no entorno das escolas aqui da Grande Vitória.
00:10Já parou para pensar nisso? Então vamos ver primeiro o que disse o delegado sobre essa operação.
00:16Foram cumpridos 14 mandados de busca e apreensão no endereço de indivíduos que estão sendo investigados
00:23por vender drogas no entorno dessas escolas, além de cooptar crianças e adolescentes para o tráfico de drogas.
00:31Além disso, em conjunto com a Polícia Militar, nós realizamos um trabalho preventivo nessas escolas
00:38com o objetivo de conscientizar essas crianças acerca dos males que as drogas trazem para a saúde desses indivíduos.
00:47Agora as investigações seguem para arrecadar mais elementos de provas e ao final do inquérito
00:53indiciarmos essas pessoas e encaminharmos para a justiça.
00:58Pode acreditar, minha amiga, meu amigo, porque o entorno das escolas é estratégico para os traficantes.
01:04Por isso, operações como essas são tão importantes.
01:08Mas não adianta, né? Só a polícia agir, escola, família, todo mundo, gente, precisa se envolver.
01:16Então tem que ser dentro de casa, tem que ser fora de casa.
01:19Vamos bater um papo sobre esse assunto, olha só, aqui no nosso estúdio.
01:22Eu recebo o capitão Eliandro, da Patrulha Escolar.
01:26Também recebo aqui Enikele, gente.
01:29Enikele é mãe de um adolescente.
01:31Já já vai falar para a gente também sobre essa realidade, né?
01:34E a Sátina Pimenta, que é psicóloga.
01:36Primeiro, eu queria começar com você, capitão Eliandro,
01:39que você explicasse para a gente por que as escolas acabam se tornando um ponto estratégico para os traficantes.
01:46Qual é a realidade hoje, a situação dessas escolas aqui na Grande Vitória?
01:50Boa tarde.
01:51Boa tarde.
01:54Primeiro, eu gostaria de elogiar a sua chamada, né?
01:56Pedindo que a família se dirigisse à sala, que é um assunto realmente importante e que precisa envolver todos os
02:04agentes,
02:05todos os atores, todas as pessoas que estão presentes na vida de jovens e adolescentes.
02:10Não é uma guerra fácil e muito menos para poucas instituições ou poucas pessoas.
02:17As escolas, assim, não são todas, mas tem grande parte que estão em bairros de alta vulnerabilidade, né?
02:23Em que realmente o tráfico de drogas costuma ter uma força nesse sentido.
02:29E acaba se tornando ali um ambiente um tanto quanto sensível a esse respeito.
02:35Primeiro, pela circulação de jovens e adolescentes que estão nessa idade de tomar decisão, de fazer escolhas,
02:47muitas vezes erradas, infelizmente.
02:50Mas torna-se ali um local, além da grande circulação de jovens e adolescentes,
02:56um local onde se evita grandes confrontos, principalmente por causa da vitimização.
03:05E, infelizmente, às vezes as escolas, elas estão localizadas entre ou próximo a locais de tráfico,
03:13que acaba ocasionando também a questão da insegurança por parte da guerra entre essas pessoas, né?
03:21Os envolvidos no tráfico.
03:23N. Kelly, você como mãe de três filhos, mas focando agora especificamente na adolescente que você tem em casa,
03:30você já tinha parado para pensar que o perigo também pode estar ali?
03:33Porque até então a gente pensa assim, não, mas meu filho não faz isso, meu filho não vai até...
03:37Meu filho não usa drogas, ele não vai até uma boca de fumo.
03:40Mas não, agora, não é de agora, também está indo até eles.
03:45Já parou para pensar nesse perigo, N. Kelly?
03:47Boa tarde.
03:48Boa tarde, já, já sim.
03:50Eu tenho uma filha, a Emily, de 15 anos, e hoje, na escola que ela estuda, em Cariacica, fica perto
03:57de um batalhão.
03:59Então, assim, creio eu que inibe um pouco, como o capitão disse, né?
04:05Então, cria, mesmo sendo uma escola ao lado do batalhão, a gente fica preocupado, porque tem o estacionamento.
04:13E, às vezes, essas pessoas, eles querem, quanto maior é o perigo, parece que eles sentem mais a vontade de
04:22estar ali, né?
04:23A sua filha, por exemplo, ela vai sozinha para a escola, volta sozinha? Como é que é? Você leva, busca?
04:29Não, ela volta comigo, né? Porque como ela faz handball, pela manhã ela estuda e ela fica na escola, dentro
04:38da escola.
04:40Uma hora, inicia o handball. Aí o handball acaba 4h40.
04:45Então, nesse intervalo, eu busco o meu filho que sai às 17h20, né? Às 17h20.
04:50Então, ela fica lá me esperando e ela retorna comigo.
04:53E para ir para a escola, ela vai de ônibus.
04:56Ela vai com um grupo de amigos.
04:57Aí vai uma mãe, a Giovana, né?
05:00E mais três amigas.
05:02Elas vão juntas.
05:03Quando uma ou outra falta, aí ela vai de carro hoje mesmo.
05:07Hoje eu levei ela de carro.
05:09Então, você tenta sempre ter algum responsável, você ou a mãe de outro colega, justamente para tentar proteger os filhos,
05:17né?
05:17Exatamente. E o celular é minha comunicação com ela.
05:20Quando eu não consigo falar com ela no celular, eu fico doida.
05:24E tem o vigia da escola também, que eu sempre estou antenada com ele.
05:29Eu cheguei, eu bato um papo com ele, ele me dá o feedback da Emily todinho.
05:35Mas já fez amizade, já.
05:36Coisa de mãe, né?
05:38Coisa de mãe, mãe preocupada.
05:39Até porque, Satina, essa é uma idade, quando a gente fala, né?
05:43Que os traficantes estão ali também na frente.
05:46Gente, eu lembro.
05:48Eu, quando eu era estudante, tinha turminha que acabava a aula, ficava ali na calçada da frente.
05:53E sabe, Deus, o que acontecia depois da aula, né?
05:56Se trata exatamente de um grupo que os pais têm que ter mais atenção nessa faixa etária, principalmente da adolescência.
06:03Satina, boa tarde.
06:04Boa tarde, boa tarde para todo mundo.
06:07A adolescência, por si só, é uma fase de desenvolvimento de muito conflito.
06:11Por quê?
06:12Porque ela vai romper com a lógica do que o meu pai quer, do que a minha mãe quer e
06:17quem eu vou ser daqui para frente.
06:19Então, é a construção de um eu.
06:20E esse eu, ele pode ser conflituoso, porque ele vai precisar experimentar um monte de coisa.
06:26Então, você pode perceber que os adolescentes, eles pulam de grupo em grupo.
06:29Eles vão pulando.
06:30Eles têm um amiguinho aqui, depois tem um amiguinho ali, porque eles vão experimentando coisas para descobrir quem eles são
06:37para a vida adulta, para a próxima fase, né?
06:41Nesse momento, ele se torna, então, muito confuso, porque ele não é mais o pai, ele não é mais a
06:46mãe e ele também não está formado.
06:49Então, todo mundo que chega, aquelas pessoas que chegam perto dele, acabam se tornando influências.
06:54E essas influências, elas podem ser negativas e podem gerar um eu que vai trazer dano para esse adolescente.
07:03Então, sim, é um momento que a gente precisa ter muita atenção, precisa estar do lado dos nossos adolescentes.
07:08E, principalmente, eu falo muito isso para os adolescentes que eu atendo, dou aula de vida numa escola em Jardim
07:14Camburi.
07:15Eu falo muito isso com eles.
07:16Os pais de vocês precisam ser os seus bons ouvintes.
07:20Não os amiguinhos, mas os bons ouvintes.
07:24Capitão Leandro, de acordo com a sua vivência, com as suas experiências, né, que atuam nessa patrulha escolar,
07:30você percebe que é mais fácil aliciar esses adolescentes, né, oferecer, estar ali naquele comércio, eles têm essa curiosidade de
07:38experimentar?
07:39O que você percebe de acordo com a sua vivência?
07:41Então, a questão da experimentação das drogas, principalmente a maconha, tem diversas facetas, né?
07:49Foi feito recentemente, no ano de 2020, uma pesquisa, no curso de aperfeiçoamento de oficiais, por um capitão.
07:57E ele investigou justamente a questão das drogas no ambiente escolar da rede pública estadual.
08:03E ali nós temos hoje acesso a alguns números muito interessantes, principalmente sobre as motivações que levaram ao uso.
08:11Então, nós temos ali, a curiosidade não é uma das primeiras questões, mas é incidente, sim.
08:20Só que a grande maioria vai para a experimentação da droga pela fuga, por problemas familiares, ou por outros problemas
08:31que vivem, não sei, familiar, né?
08:33Então, é esse primeiro contato.
08:36Nós temos, então, a possibilidade de qualquer jovem ou adolescente fazer esse primeiro uso, essa experimentação, pela própria idade, né?
08:45Pela impetuosidade da idade, a curiosidade.
08:49Mas nós temos também a questão do aliciamento, que é um outro fator preocupante, principalmente, e volto a repetir, nas
08:56sociedades, né?
08:57Nas comunidades mais vulneráveis, principalmente, a questão do tráfico em si.
09:04Nós temos ali jovens e crianças que contemplam dentro da comunidade onde vivem, ou a vida fácil, porém curta do
09:16tráfico, ou a vida dura da maioria dos trabalhadores, né?
09:20Então, às vezes, a opção por ir pelo caminho mais fácil, porém com maiores danos, às vezes prepondera nessas comunidades
09:30carentes.
09:30Porém, voltamos a repetir, a suscetibilidade está em qualquer aluno de classe social, exatamente.
09:40Até porque, vou falar uma coisa para vocês, de acordo com a minha experiência, o que eu já passei, eu
09:48estudei em escola particular.
09:51E isso existia na escola particular, né?
09:54E a gente vem aqui também debater a questão da escola pública, por quê?
09:58A gente vê que nesses bairros, das comunidades, na periferia, acaba que atrai até mesmo a criança, o jovem, o
10:06adolescente, para o tráfico de drogas.
10:08Exatamente.
10:09Essa é uma realidade.
10:10Sim.
10:11E agora a gente vai ver, vamos acompanhar um áudio que uma mãe enviou para a gente, por medo, ela
10:17pediu para a gente não identificá-la.
10:19É claro que a gente vai respeitar.
10:21E ela falou, que já viu sim, viu com os próprios olhos, a venda de drogas perto da escola.
10:28Eu, como mãe de aluno da escola de Vitória, já apresentei várias vezes o crime em frente às escolas.
10:37Até mesmo dentro das unidades escolares.
10:42Traficantes vendendo drogas, armados, batendo, viciados, perto de alunos, na entrada e na saída das aulas.
10:52Tá meio complicado, né?
10:57Colocar um filho hoje para a escola porque temos medo de que aconteça alguma coisa.
11:05Para, para pensar.
11:07Você matricula seu filho na escola, sua intenção é que ele seja um excelente, um grande profissional, tenta dar a
11:14melhor educação para ele dentro de casa.
11:16Estou falando daquela educação de berço mesmo.
11:18E aí a gente ouve um relato desse de uma mãe.
11:21É de dar medo, né?
11:22Parece que é o fim do mundo, não é verdade?
11:23Olha só a audácia dos traficantes, por exemplo, no Rio de Janeiro.
11:27Tem tudo a ver com esse áudio que ela mandou para a gente.
11:30Dentro da escola está acontecendo isso também.
11:33No mês passado, a polícia prendeu 16 suspeitos de tráfico de drogas que usavam escolas e creches como ponto de
11:42venda dos entorpecentes, gente.
11:43É, você não ouviu errado, não.
11:46Escolas e creches funcionavam como bocas de fumo em três comunidades no Rio de Janeiro.
11:51A escolha desses endereços era para justamente, né?
11:55O quê?
11:55Pensa ali, tem a presença de crianças, professores, funcionários.
11:59Aí isso faz o quê?
12:00Dificulta a realização de operações policiais.
12:03Olha aí que absurdo.
12:05Acaba que se torna uma estratégia, né, capitão?
12:08Tem criança, tem professor, é uma creche.
12:10Então, peraí, vamos aproveitar esse cenário que aí dificilmente vai haver confronto, né?
12:16Vocês já se depararam com essa realidade também aqui?
12:19Já tivemos alguns casos esse ano, inclusive.
12:23Tivemos algumas apreensões, cerca de 11 ocorrências.
12:29Porém, nós ressaltamos que o trabalho está sendo intenso nessa área de combate e prevenção aos de drogas.
12:39Durante muito tempo, lidar com o assunto drogas e assim com outros assuntos era um tabu.
12:45Não podia ser abordado abertamente, principalmente no ambiente escolar, dependendo da faixa etária.
12:51E nós temos presenciado, né, vivenciado que cada vez mais as crianças são abordadas por quem não deveria ser abordada
13:01com o assunto droga através do aliciamento.
13:04Então, nós temos feito um trabalho intenso, através de palestras, de campanha, tanto da patrulha escolar com as palestras, quanto
13:11das unidades operacionais através do PROERD,
13:14que é o Programa de Resistência às Drogas, um programa importantíssimo, aplicado em todo o país e aqui no Espírito
13:20Santo também,
13:21que é justamente oferecer às crianças e depois às adolescentes.
13:27Eu costumo dizer que hoje em dia não adianta criar mais barreiras.
13:30As barreiras, elas são transponíveis.
13:32Nós precisamos dar escudos para as crianças.
13:35E aí, através da informação, do conhecimento, do diálogo, da atenção, não só da escola, propriamente dito, mas também dos
13:44pais em casa, das igrejas.
13:46Toda sociedade organizada, ela precisa investir mais na criança.
13:50E eu costumo dizer em algumas capacitações que nós damos, se nós quisermos uma sociedade melhor, no futuro, a gente
13:58precisa investir nela agora.
14:00Os futuros médicos, jornalistas, policiais, bombeiros, psicólogos, estão hoje nas escolas.
14:06Então, nós precisamos colaborar para que eles caminhem bem, façam as boas escolhas.
14:11Satina, daqui a pouquinho eu quero que você conte para a gente quais são os agentes envolvidos nessa educação dos
14:16nossos filhos,
14:17tanto dentro de casa, quanto fora também na rua.
14:20Agora, só para a gente aumentar o nosso bate-papo, eu vou conversar agora com a Sheila.
14:24Ela tem cinco filhos que estudam em escola pública.
14:28Boa tarde, Sheila.
14:29Obrigada pela sua participação.
14:31Esse assunto te preocupa parar para pensar que o perigo também está ali na porta da escola das crianças?
14:38Boa tarde, Malperta.
14:40Com certeza, com certeza é uma preocupação diária dos pais, de nós pais, é uma preocupação sempre, é todos os
14:48dias.
14:49E o que você, como mãe, o que você faz, o que você tem feito diante dessa realidade?
15:00Primeiro ponto que eu acredito que tem que ser o principal é a conversa, aquele diálogo aberto, dentro de casa.
15:06Eu acredito que tudo começa dentro de casa, né?
15:10A instrução, o acompanhamento das amizades também, com certeza, para conhecer como eles andam, o grupinho que eles frequentam, amigos
15:21de celular, de WhatsApp.
15:24A gente precisa estar em cima.
15:25Então, assim, esses são os principais pontos.
15:28O meu principal é a instrução dentro de casa mesmo, que eu costumo falar tudo abertamente com eles, entendeu?
15:35Eu não gosto de esconder nada não, porque é melhor eles aprenderem em casa do que terem a curiosidade de
15:42perguntar na rua e serem apresentados a coisas que não deveriam, né?
15:46Tá certo. Continua com a gente, daqui a pouco eu volto a falar com você, porque tão importante quanto repreender
15:52através dessas ações, das operações que a polícia realiza aqui nas escolas da Grande Vitória, é também educar, como a
15:59Sheila bem disse.
16:00Agora, quais são os agentes envolvidos nessa educação dos nossos filhos, que é importante a gente pensar como um todo,
16:06né?
16:07Verdade. Olha que bacana. O Estatuto da Criança e do Adolescente, ele vai falar para a gente que três são
16:13os sujeitos que precisam tomar conta da criança.
16:16Família, Estado e Sociedade. Por que isso?
16:20Porque a criança e a adolescência são sujeitos sociais, eles estão expostos à sociedade.
16:26Então, a família tem o papel de construção da base sólida, aquela base do caráter, dos princípios, daquilo que é
16:36certo e daquilo que é errado.
16:38A gente vai para dentro da escola, a escola tem a produção da lógica formal, da educação formal.
16:43Isso quer dizer que cada um tem o seu lugar e eles têm que ficar ali sem precisar conversar.
16:48Não muito pelo contrário, eles têm que estar juntos, sempre coadunando, falando como é que está meu filho aqui dentro
16:55da escola, com quem que ele está andando, como é que ele está, não só os estudos, mas as relações
17:00sociais que eles estão.
17:01Como é que está em casa? Está legal? Vocês estão batendo papo com ele? Troca.
17:06As trocas dentro da escola e dentro da família, elas são extremamente necessárias.
17:11E a sociedade, como que vem? Ela vem ofertando para essa criança e esse adolescente espaços de vivência, espaços seguros,
17:21espaços onde ele vai poder viver essa adolescência, viver essa infância de maneira saudável e de maneira correta.
17:29Porque ele tendo essa possibilidade, você pode colocar uma banca de droga na frente da escola, que ele vai parar
17:36e tendo a base, tendo a consciência, ele vai falar, não quero.
17:41Essa é a lógica. Se a gente pega esse adolescente, principalmente adolescente, né, capitão, antes que esse tráfico pegue, antes
17:49que aquele amiguinho que já está meio desnorteado pegue, a gente traz ele para a gente.
17:56Essa é a parte mais importante. Traz para você. Você está vendo seu filho longe de você? Traz ele para
18:03você.
18:03Ah, eu vou ficar passando a mão na cabeça do meu filho. Não é passar a mão na cabeça do
18:07seu filho.
18:08É ser aquele sujeito que ele vai confiar para poder falar as coisas, para estar junto, para a hora que
18:14o problema acontecer, pai, mãe, vem aqui, deu ruim.
18:18O que eu faço daqui para frente? Daqui para frente é assim. E o que você precisar, eu vou estar
18:23do seu lado.
18:24É esse o nosso papel.
18:26Enikele, na prática, vamos lá, eu voltei aqui um pouco no meu tempo e lembrei o seguinte, né, meus pais
18:32me acompanhavam, faziam exatamente o que você contou, de levar para a escola, ou então uma outra mãe, uma outra
18:38tia que vai e pega.
18:40Só que à medida que eles vão crescendo, a gente começa também a soltando para ter confiança, para trabalhar a
18:46própria autonomia dos nossos filhos, né?
18:49E como é que você fica? Como é que fica o seu coração quando chega aqueles momentos que falam assim,
18:54pronto, agora ela precisa ir, é a vez dela ir sozinha para a escola.
18:58Como é que fica essa confiança?
18:59Eu sempre levei a Emily e buscava, sempre. Chegou um dia, ela virou para o meu esposo e falou assim,
19:06pai, eu quero ir de ônibus.
19:08Aí eu falava assim, meu Deus, você tem a oportunidade de ir para a escola de carro e você quer
19:13ir de ônibus? Ela nunca andou de ônibus na vida dela.
19:16E quer experimentar, né, Sátina? Quer ter essa oportunidade.
19:19Há 12 anos. Então, a primeira vez que ela andou de ônibus. Então, assim, eu fiquei doida.
19:24Aí foi aonde nos juntamos, eu e a Giovana, na qual a Giovana, a ONQL. Eu trabalho lá em Novo
19:31Brasil, eu vou para o terminal de Itacibarra e eu consigo fazer essa logística. Beleza.
19:36Então, assim, eu fiquei doida, né? Então, assim, por quê? Nessa, de casa para o ônibus, né, para o ponto,
19:44do ponto para o terminal, do terminal para a escola, aquilo ali pode acontecer várias coisas.
19:49Então, assim, eu tive essa preocupação.
19:51Por isso que blindar nem sempre basta, né? Não é só isso. É a conversa, né?
19:57E eu sempre, assim, lá em casa, a gente é sempre muito aberto. Eu sempre falei com a Emily. Eu
20:02falo direto para ela.
20:04Emily, o que se planta, se colhe. Se você plantar um fruto ruim, você vai colher um fruto ruim. Nada
20:12na vida fica escondido.
20:15Então, assim, a minha comunicação com ela, eu sempre falo isso para ela. Então, assim, não é questão de colocar
20:21medo, entendeu?
20:22Mas ela ter essa consciência, que se eu fizer alguma coisa de errado, eu vou, lá na frente, eu vou
20:29estar magoando meu pai e magoando a minha mãe e me prejudicando.
20:32Capitão, como que a própria sociedade também pode contribuir? Porque eu até recebi aqui algumas mensagens, né?
20:40Luciane Amaral fala, gente, quem não sabe que na frente de escolas públicas e particulares tem, sim, o tráfico de
20:45drogas.
20:46Como que a própria sociedade, esse áudio da mãe que a gente ouviu, pode contribuir para que a gente não
20:53veja isso acontecer?
20:55A primeira fonte oficial de colaboração é o Disco Denúncia, 181. Isso é muito importante, esse canal ser utilizado para
21:03informar e também colaborando com a atenção, né?
21:10Tudo que se resume a cada pai, cada mãe, cada ente familiar cuidar do seu.
21:17Então, são nessas duas vertentes. A denúncia, né? Observação e a denúncia sem se expor e para isso temos o
21:23Disco Denúncia, 181.
21:25E também no trabalho de conscientização, de aproximação, de preocupação com as crianças e com os adolescentes.
21:32E da patrulha, né? Que você atua aí na patrulha escolar, né? De que forma vocês realizam até mesmo um
21:37trabalho preventivo, né?
21:38Estão dentro da sala de aula, com palestras?
21:41Exatamente. São muitas escolas. O Estado tem mais de duas mil escolas, se formos juntar as estaduais, as municipais e
21:50as particulares.
21:50Nós não conseguimos estar em todas as escolas ao mesmo tempo, em todos os turnos.
21:56Então, nós trabalhamos, né? Nós focamos a parte interna, trabalhar com a pessoa humana mesmo, com a criança e com
22:02o adolescente, através da conscientização.
22:04Ministramos muitas palestras com diversos temas, não só de drogas, prevenção às drogas, mas o bullying, né?
22:12A própria questão da violência doméstica, nós trabalhamos isso também.
22:15Então, o nosso enfoque maior é trabalhar com a pessoa, com o aluno, com essas palestras.
22:20E atendemos uma... Assim, quando vamos à escola tratar o público interno, automaticamente o policiamento ao entorno é feito.
22:28Só que sempre o foco vai ser a pessoa.
22:31Tá certo, gente. Obrigada pela participação de vocês.
22:34A gente tá aqui falando de trabalho de repressão e também prevenção.
22:39É esse o nosso papel, a gente prevenir, levar esse assunto pra dentro dos lares capixabas,
22:44pra que muitos pais e muitas mães não venham sofrer com esse tema que a gente sabe que, infelizmente, destrói
22:50famílias, né?
22:51Acho que o maior desgosto que um pai e mamãe pode ter é ver o filho envolvido no mundo da
22:55criminalidade, que a gente não quer de jeito nenhum.
22:58Obrigada pela participação de vocês.
22:59Um beijo, Sheila.
23:00Dá um beijo na criançada aí, ó.
23:02Cinco beijos, tá bom?
23:04Multiplica aí na sua casa.
23:05Obrigada.
23:06Tchau.
23:06Tchau.

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