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  • há 23 horas
Neste episódio, o médico Dr. Alberto Stein, especialista no assunto, juntamente com Maria Machado, da Central Estadual de Transplante do Espírito Santo, esclarecem dúvidas acerca do transplante de órgãos e sua importância. Deseja ser um doador ou gostaria de saber mais sobre o assunto? Acompanhe isso e muito mais no programa de hoje.

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00:07Olá, sejam bem-vindos ao Check-Up Saúde. Eu sou a Alice Sarsinelli e essa é a sua conexão com
00:13os
00:14maiores especialistas em saúde do Espírito Santo. Gente, hoje o programa é uma chamada para você.
00:20Fica aqui que a gente vai falar de transplantes de órgãos e a sua doação, o seu conhecimento
00:26sobre o assunto são fundamentais. O Brasil é exemplo no transplante de órgãos para o mundo e isso é dado
00:35para o cidadão via SUS. Vamos tirar todas as dúvidas hoje, tem muita verdade sobre o assunto e por isso
00:42nós trouxemos aqui grandes especialistas. Sejam bem-vindos, doutor Alberto Sten, cirurgião do aparelho digestivo.
00:50Exato. Seja bem-vindo, doutor. Obrigado, Alice. Mais uma vez, é um prazer estar aqui com você
00:55e falando de um tema que a gente é apaixonado, né? Sobre transplantes, que é um tema tão importante
01:03e existe ainda, depois de vários anos, né? Você falou que o Brasil é referência, mas existem ainda
01:09muitos mitos e nós estamos aqui para tentar esclarecer todos eles. Muito obrigado.
01:14Eu que agradeço. E seja bem-vinda também, Maria Machado. Maria que é da Central Estadual de Regulação
01:21de Transplantes de Órgãos, não é isso, Maria? Sim. Sou especialista, sou enfermeira, especialista em doação
01:29e transplantes de órgãos e é um prazer estar aqui com vocês falando sobre esse tema que é tão importante
01:36que ainda está cheio de tabus, né? E onde a gente enfrenta aí uma recusa familiar muito alta
01:42e que a gente precisa discutir, tirar todas as dúvidas e aperfeiçoar cada vez mais o nosso programa aqui no
01:50Estado.
01:51A gente começa chamando a atenção para os números, né? Existe uma fila de espera, por isso o propósito
01:56da gente trazer esses esclarecimentos. Como é que está a nossa fila de espera para a doação de órgãos
02:02aqui no Estado, Maria? Hoje estão escritos 1.994 pacientes aguardando por um órgão, né?
02:11Sendo estes aí 880 aguardando por um transplante de córnea, 10 aguardando por um transplante de fígado,
02:182 para o transplante cardíaco e 1.112 aguardando por um transplante renal.
02:23É, os números realmente são muito grandes. O que que explica esses números, doutor Alberto?
02:28Olha, eu estava, quando ela estava falando, né? A Maria estava falando, eu lembrei que há um tempo atrás
02:33a nossa fila de córnea era zerada.
02:35Praticamente zerada.
02:36Praticamente zerada. Então, é claro que nós tivemos algumas, algumas percorrências com a pandemia
02:45que limitou um pouquinho essa, vamos dizer assim, essa doação principalmente de córnea na época.
02:52Por isso que esse número de córnea é tão disparate, 800, né? Um pouquinho mais.
02:5780, 80.
02:58Mas ainda a gente, a pandemia já passou, né? Então, agora nós estamos numa fase já pós-pandemia
03:04e a gente precisa correr atrás e recuperar esses números. A gente tem potencial sim
03:09para zerar a fila de córnea, que em tese é uma doação que ela não precisa estar com o paciente
03:17ainda
03:18com o coração batendo, que é os outros órgãos, né? Então, é um pouco mais fácil de você conseguir
03:25a doação das córneas, comparando com o rim, com o fio, que aí a gente pode falar um pouquinho mais.
03:32Então, tem muito trabalho para a gente melhorar sobre isso.
03:37Mas, como a Maria já salientou, eu acho que ainda a doação, a negativa familiar,
03:44que gira historicamente em torno de 50%, é um tema que a gente precisa.
03:50Por isso que eu agradeço o espaço para a gente falar sobre isso.
03:53O que é 50%, Alice? De todos os potenciais doadores, que são pessoas que tiveram o diagnóstico
04:01de morte encefálica, por conta, no caso desses órgãos que eu falei, fora córnea,
04:06a família nega no momento que é abordado pelas enfermeiras, pelas responsáveis, pela equipe de doação.
04:13Então, a família, por questões religiosas, por dúvidas, será que ele realmente está morto
04:20ou não está morto? Então, existem muitas dúvidas.
04:24E para isso, esse espaço é importante, para a gente conseguir melhorar essa histórica negativa familiar
04:32que gira em torno de 50%.
04:34Então, se a gente fizer uma conta simples, a gente pode dobrar o número de doadores no Espírito Santo
04:39e praticamente zerar as filas.
04:41De rinho é mais difícil, que tem quase 1.112.
04:451.112, mas nós temos só 10 de fígado. É um número, vamos dizer assim, não é real,
04:52porque ainda a gente precisa melhorar também o acesso a esses pacientes que precisam de um transplante
04:59para chegar lá na minha fila. Então, uma cadeia toda de encaminhadores públicos e privados,
05:06eles precisam melhorar essa cadeia. Então, existem ainda pacientes que não chegam a mim
05:12para terem o benefício do transplante, porque acabam que os encaminhadores ou ele tem dificuldade
05:18para fazer os exames e acaba não tendo a oportunidade.
05:24Então, esses 10 números de transplante de fígado, ele é bom, porque a gente transplantou,
05:29a gente já está com o nosso grupo lá no Hospital Meridional, nós fechamos 450 transplantes até hoje.
05:3998% pelo SUS. Existe um ou outro convênio que aceita.
05:43Hoje, no Estado do Espírito Santo, para órgãos, coração, fígado e rins, a grande maioria todos
05:51são feitos pelo Sistema Único de Saúde, através da Secretaria de Estado da Saúde.
05:55Esse ano, nós estamos intensificando a política de regulação, onde vai dar mais acesso a esses pacientes
06:03aos centros transplantadores. Hoje, nós temos dois, o Hospital Meridional e o Hospital Evangélico de Vila Velha,
06:10que traz todas as modalidades de transplante. Então, com isso, a gente hoje tem uma equipe técnica
06:17especializada de alta complexidade muito boa dentro do nosso Estado, onde esses pacientes vão conseguir
06:24ter acesso a esses dois centros transplantadores, através da política de regulação.
06:29E aí, quando você aborda essas famílias, né, que teve lá o seu ente declarado com a morte encefálica,
06:35essa abordagem é só nos hospitais públicos ou nos hospitais privados também?
06:40Essa abordagem é feita pelas Comissões Intra-Hospitalares de Doação de Órgãos, né,
06:45que é uma equipe multidisciplinar formada por enfermeiros, médicos, psicólogos, assistentes sociais,
06:49que ficam dentro de todos os hospitais do nosso Estado.
06:53E a partir do momento que a gente tem esse diagnóstico de morte dentro do hospital,
06:56a família, ela é chamada, né, e essa equipe que está preparada para poder receber essa família,
07:04orientá-la quanto ao processo, não tendo nenhuma dúvida quanto ao processo, né,
07:08ela, é dada ela a oportunidade de fazer a doação, é um direito, né, da família fazer a doação desses
07:15órgãos.
07:16Então, todas as orientações são dadas nesse momento e aí que ela assina o termo de doação de,
07:22é, o termo de doação.
07:24Vamos falar um pouquinho do termo então, doutor?
07:26Também existe muito mito e verdade em relação a essa assinatura do termo, né?
07:30Se eu posso pré-determinar, se só podem doar se eu pré-determinei que eu poderia,
07:36como que isso funciona de verdade diante da lei.
07:38Perfeito, Alice.
07:40Uma coisa que eu quero lembrar, que a Maria apontou,
07:44é que é obrigação dos médicos, da assistência,
07:49quem está dando assistência a esse potencial doador,
07:52de informar a central que esse paciente é lei.
07:56Então, se eu tenho um paciente que evoluiu com morte encefálica,
08:00existem critérios para isso, é obrigação do agente de saúde, do médico, do enfermeiro,
08:06do intensivista que está cuidando desse paciente,
08:08informar a central e aí começar todo o protocolo, existe em todo um protocolo, né?
08:14E aí você chama família.
08:15Então, eles fazem um trabalho fantástico de treinar como abordar a família nesse momento
08:22tão doloroso, né? Para a família.
08:24Mas, respondendo a sua pergunta, né?
08:26Existe todo um protocolo, né?
08:28Para definir se o paciente está com morte encefálica ou não.
08:31No Brasil, ainda precisa de dois médicos, né?
08:35Geralmente é um intensivista e mais um neurologista, na grande maioria dos cenários,
08:40mas pode ser não um neurologista, pode ser um médico especialista em UTI.
08:43E além disso, a gente faz, além dos critérios clínicos que o médico que está assistindo ele faz,
08:49no Brasil é obrigado a fazer, além disso, um exame comprobatório,
08:55como o eletroencefalo, o ultrassom cerebral, para ver se existe ainda fluxo ou não sanguíneo dentro do cérebro,
09:03ou uma arteriografia também, para ver se tem cérebro.
09:07Então, é muito, é muito correto.
09:10No Brasil...
09:10Um dos protocolos mais rígidos do mundo é o nosso.
09:13Do mundo. Por exemplo, em Portugal e na Espanha, não há necessidade desses exames complementares.
09:22Se um médico habilitado declarar que aquele paciente tem morte encefálica, está resolvido.
09:28O Brasil, ele, antecipando a todas essas questões, ele ainda acrescenta esses exames comprobatórios
09:35para melhorar, vamos dizer assim, a segurança da família.
09:39Nós temos um arcabouço jurídico muito consolidado hoje no Brasil.
09:46Nós temos leis, decretos, portarias e resoluções que dão todo o norteamento do nosso processo de trabalho.
09:54Então, vários atores estão envolvidos nesse momento para que a família tenha segurança
09:59e que esse diagnóstico, quando é dado, não há nenhum tipo de dúvida
10:04e a família possa, sim, dizer sim para a doação com toda a segurança.
10:08Ou seja, a gente foge da questão de um problema do próprio SUS.
10:14O SUS está preparado, as equipes estão preparadas.
10:18Aqui no Estado, a legislação está preparada.
10:21Falta você aí em casa ser sensibilizado, entender da importância de conhecer sobre esse assunto,
10:28que hoje a sua família pode ser uma doadora, mas amanhã também pode ser uma receptora, não é isso?
10:33Todos nós nascemos receptores. Poucos nascem doadores.
10:38E você sabe, Alice, só acrescentando, que a chance da gente precisar de um transplante
10:45ao longo da vida, estatisticamente falando, é de 3 a 5 vezes maior do que a chance de a gente
10:52ter
10:53uma morte encefálica e ser um doador.
10:56Então, a gente tem um caso que marcou muito a nossa trajetória de uma família que um jovem
11:03acabou falecendo com 18 anos, teve um acidente de carro, teve conformado a sua morte encefálica,
11:13que a família já tinha conversado, daí a importância de você declarar a sua vontade
11:19com seus familiares, no almoço de família, no domingo, no seu bate-papo informal.
11:24Não precisa ser por escrito.
11:25Não precisa assinar nada, Alice. Não precisa nenhum documento assinado em cartório,
11:31tá, na sua identidade, nada.
11:32Basta você manifestar a sua vontade ao seu ente querido, ao seu familiar,
11:37a quem, em tese, vai ficar responsável por você, por assumir essas responsabilidades
11:43no momento que se for declarado com a morte encefálica.
11:45E esse caso, a família já tinha conversado, esse jovem já tinha se manifestado
11:53como sendo um doador se acontecesse alguma coisa.
11:57Ele sim foi, a gente transplantou ele, um transplante de fígado,
12:00e, alguns anos depois, o pai dele, desse jovem que doou, ele precisou de um transplante.
12:07E a gente, e ele foi acraciado com a outra pessoa que doou os órgãos para ele.
12:13Então, esse foi, assim, o ciclo da vida.
12:15Aquilo, esse caso, marcou muito a minha carreira, entendeu?
12:19Aqui, a gente tem um compromisso de te escutar também.
12:22Você pode me acessar pelas redes sociais,
12:24arroba, doutora Alice Sarsinelli, enviar as suas dúvidas.
12:27Vamos trazer agora a dúvida de um ouvinte, que pode ser a sua também.
12:32Após a doação, o corpo fica deformado?
12:37É, ótima pergunta.
12:38É caixão fechado, o corpo não pode passar pelo velório.
12:42Como que isso acontece, doutor?
12:43Isso é uma pergunta muito comum, né?
12:46Para vocês que mexem diretamente com a doação, com a família.
12:51E não, isso...
12:52Porque o que é a doação do órgão, né?
12:55É uma cirurgia, como se o paciente fosse passar por uma cirurgia.
12:59E é uma cirurgia complexa, né?
13:02Geralmente, demora de três a quatro horas para os cirurgiões irem e fazerem as remoções,
13:08às vezes, do coração, dos pulmões, do fígado, do pâncreas, do intestino.
13:13Então, é uma cirurgia complexa.
13:15E após a remoção dos órgãos, esse...
13:19O corpo do paciente que doou, ele é completamente reconstituído, que a gente fala, né?
13:24Recomposto, como se tivesse passado por uma cirurgia normalmente.
13:29Então, o paciente, ele pode sim ser velado, não precisa ser com caixão fechado.
13:35Isso é mito, isso não é verdade.
13:36A lei, inclusive, né, doutor? Desculpa, falando.
13:40Ela traz, né, em um de seus artigos, que a equipe médica, ela tem que devolver o corpo para a
13:47família condignamente.
13:49Então, nós não podemos entregar um corpo para a família que ele não tenha dignidade para ser sepultado.
13:54Então, no caso das mulheres, quando a gente tem, por exemplo, a doação de pele, né?
13:59Então, a gente sempre usa as partes posteriores do corpo dessa paciente para que, no momento do sepultamento, se for
14:07usar uma blusa curta, não tenha nenhum impacto.
14:12Quando a gente faz aí a extração do globo ocular, né?
14:16Então, a família, às vezes, imagina que vai ficar aquele olho fundo.
14:19Não, são colocadas próteses de silicone ou de isopor e faz com que o rosto fica normalmente reconstituído, como se
14:28não tivesse tido doação.
14:30Se você não falar no velório que ali, né, vocês fizeram a doação dos órgãos, ninguém vai perceber.
14:36Aí você falou de doação de pele, me veio um questionamento.
14:39Quem são esses pacientes que precisam?
14:41Eu acho que é importante a gente sentir na pele também que nós poderíamos precisar dessa doação de órgãos, né?
14:49Quais são os casos que levam as pessoas a precisar de uma doação de órgãos de pele, por exemplo?
14:55É, então, falando sobre transplantes, né?
14:57E a atividade de transplante, ela evoluiu absurdamente.
15:01Pra você ter ideia, o primeiro transplante de fígado foi na década de 60.
15:04Nós estamos falando aí de...
15:06Eu sou ruim de matemática, vamos lá.
15:0940 mais 20...
15:1160 anos.
15:12Nós estamos completando 60 anos dos primeiros transplantes.
15:15Então, isso ao longo da evolução da humanidade é muito pouco.
15:19E as indicações dos transplantes, eles foram aumentando.
15:23Não sei se vocês lembram, mas tem um ou dois anos atrás que foi aqui no HC de São Paulo,
15:28foi transplantado o útero pra uma pessoa, pra uma moça que tinha um problema pra ela gestar.
15:34Foi um transplante, ela teve o filho e depois removeram por causa...
15:38O multivisceral também, né, doutor?
15:39O multivisceral, que hoje a gente consegue transplantar fígado, coração, intestino.
15:46Então, basicamente, são pessoas que determinado órgão, ele chegou a falência, a exaustão completa, incapaz de se recuperar.
15:55E cujo único... a única solução é você colocar um órgão novo.
16:00Essa é a definição de transplante.
16:02E a medicina evoluiu.
16:03Mas, classicamente, o coração, o fígado, os pulmões, o pâncreas, o intestino, a pele.
16:13Eu vou dar um exemplo da pele.
16:14São os grandes queimados.
16:15Pacientes que perderam grandes áreas por queimadura e necessitam de um...
16:21Pode ser utilizada uma pele pra recobrir grandes...
16:25Grandes extensões.
16:27Então, esses são menos... vamos dizer assim, são mais raras as indicações.
16:33Osso, existem pacientes que a gente pode fazer a captação de osso e pra alguma enxertia, um paciente com algum
16:41trauma ortopédico.
16:42Mas os clássicos, né, que são os que motivam a nossa fila, é o coração, o fígado, o pulmão, os
16:48rins, que são...
16:50Vamos dizer assim, o que acontece do rim, né?
16:53Por que tem muita gente no rim também?
16:54Porque tem a hemodiálise, que segura esse paciente vivo.
16:59Que é uma máquina que simula o rim, que a pessoa tem que ficar dependente dela, né?
17:04Isso. E aí, a fila vai aumentando, porque vai entrando uma gente.
17:07Depende da extracompatibilidade, né?
17:09Exatamente.
17:10Que é um grande dificultador aí, porque eu preciso achar alguém que seja compatível, né, geneticamente comigo.
17:17E aí eu tenho órgãos que podem ser doados de vivos pra vivos e só de mortos pra vivos, não
17:25é isso?
17:25Exatamente, exatamente.
17:27Os que podem ser doados em vida, é, se a gente pode doar parte ou metade de um pulmão, já
17:33que a gente tem dois pulmões,
17:35coração a gente não pode, sem o coração a gente não sobrevive.
17:38Então, um rim dá, nós temos dois.
17:40Então, em vida, parte do pulmão ou um pulmão, um rim, parte do fígado, a gente consegue doar, a medula
17:48óssea,
17:48que é, em tese, também outro tipo de doação, e o intestino.
17:53A gente consegue doar parte de um intestino pra uma criança ou parte pra um adulto, dependendo do tamanho.
17:59Então, esses são, basicamente, os que a gente pode doar em vida.
18:02Já falando do ponto de vista do doador falecido, todos esses que podem ser doados em vida, além do coração
18:10e do pâncreas.
18:12Então, só relembrando, coração em morte encefada.
18:16São oito pessoas beneficiadas numa doação.
18:20Exatamente.
18:20E eu, como vivo, querendo ser doador, né, destes órgãos que podem ser doados, existe algum banco que regule isso,
18:29que eu possa ir lá pra algum tipo de órgão?
18:31A medula óssea, sim, não é isso?
18:33Sim, é diferente, né, a gente não tem um banco de órgãos, né, assim,
18:38quando há uma necessidade, né, dentro da sua família, né, das pessoas mais próximas a você.
18:45Se você é isto compatível e você quer doar, por exemplo, pra sua amiga, né, um rim, né,
18:53então você vai passar por todo um processo jurídico junto com a equipe transplantadora,
18:58esses médicos vão avaliar suas condições clínicas, vai avaliar os seus exames,
19:03e você, sendo isto compatível com a outra pessoa, vocês poderão fazer essa doação.
19:09Quando a gente fala em doadores até quarto grau, né,
19:14de parentesco, não precisa de ordem judicial.
19:18Se você vai doar para uma pessoa que não é do seu grau de parentesco,
19:23aí sim entra uma autorização judicial, a central essa doação de transplante,
19:29junto com a equipe médica pra poder avaliar essa doação e sim ser possível realizá-la.
19:33É, porque isso me fez pensar naquele mito de que acordei numa banheira gelada,
19:39sem algum órgão que foi doado, ou vou comprar um órgão de você, né,
19:44que não é meu parente, mas eu pego uma pessoa numa condição econômica inferior e proponho ela a vender.
19:52Isso existe? A lei tá aí pra poder... é um mito?
19:55Vamos falar um pouquinho disso.
19:57Isso é um mito, né, doutor?
19:58Isso é um mito muito grande.
19:59Isso é um mito muito grande.
20:01No Brasil existem leis muito rígidas sobre isso e, mais uma vez,
20:07pra você conseguir tirar um órgão de uma pessoa e conseguir implantar ela,
20:12existe uma estrutura médica tão grande pra conseguir fazer esse processo,
20:18que é... eu não consigo imaginar isso não acontecendo em grandes hospitais, né,
20:25que é a maioria dos hospitais. Só pra lembrar do que ela falou de istocompatibilidade,
20:30pra você doar pra alguém da sua família, ou se alguém da sua família está precisando,
20:36obviamente que você precisa estar em ótimas condições de saúde,
20:39mas primeiro você tem que ser compatível com o sangue.
20:42Então, é como se fosse uma doação de sangue de uma pessoa pra outra.
20:47Então, você tem que ser compatível a BO, então sangue A pra sangue A,
20:51o doador universal, o sangue A poderia doar pras outros, né, o sangue B pro sangue B.
20:56E aí, no caso do fígado e do coração, do fígado principalmente,
21:00que ele tolera muito essa questão, só isso justifica, só isso tá bom.
21:05Já o rio, o coração, você precisa de ter mais detalhes,
21:12e aí existem toda essa estrutura montada,
21:14por isso que é impossível você, sem essa estrutura de avaliar se o órgão é compatível ou não.
21:21É uma cirurgia extremamente complexa, tanto pra remoção do órgão, quanto pra implante,
21:26e além do mais, existe um tempo determinado que o órgão consegue ficar fora da circulação sanguínea.
21:34E esse tempo, por exemplo, pro coração e pro pulmão, são quatro horas.
21:39Então, eu tenho que ter uma logística tão grande pra eu conseguir remover o coração e o pulmão
21:45e conseguir implantar na pessoa em até quatro horas,
21:47que às vezes eu ligo pra Maria, Maria, me arruma o helicóptero do governo estadual,
21:53que ajuda a gente bastante, o Nota Air,
21:56pra buscar um órgão no sul do estado, no norte do estado,
22:00pra trazer aqui pra Vitória, pra diminuir meu tempo de isquemia.
22:04E a Força Aérea Brasileira também, a Força Aérea Brasileira,
22:07ela nos apoia, né, então a central de transplante, ela é responsável pela logística, né,
22:12nada pode dar errado, então tem doações em que a gente utiliza
22:17a logística terrestre aqui no estado, é a nossa, pela central de transplantes,
22:21que são duas vans que fazem o transporte das equipes.
22:24Nós, às vezes, utilizamos a Polícia Federal, nós utilizamos o Nota Air, nós utilizamos a FAB,
22:31então, assim, são tantas pessoas envolvidas dentro de um processo de doação e transplante.
22:35E é isso mesmo? É 24 horas?
22:38É 24 horas, 7 dias na semana.
22:40Exatamente.
22:41E 365 dias no ano.
22:43As equipes estão...
22:44A gente não dorme.
22:45As equipes estão 100% disponíveis pra ajudar quem tá precisando receber um órgão, né.
22:52O que é importante dizer, assim, quando a gente tem uma doação aqui no estado, por exemplo, né,
22:56e que a gente não achou o receptor compatível,
22:59esse órgão que foi captado pela equipe, ele é ofertado pra Central Nacional de Transplantes.
23:04Então, esse órgão, ele vai ser alocado em outro estado dentro da federação, né.
23:08Então, isso é muito importante, porque se a gente não utiliza esse órgão aqui,
23:12porque a gente não achou um receptor compatível,
23:14ele vai ser direcionado para um outro receptor de outro lugar aqui dentro do nosso país.
23:20Então, assim, é uma luta contra o tempo, tudo tem que funcionar, é uma orquestra.
23:27Todos têm que trabalhar na mesma sintonia, pra que nada aconteça de errado
23:32e a gente consiga levar esse órgão com segurança e tranquilidade
23:36pras equipes que vão lá transplantar, no caso do Dr. Alberto.
23:39É o SUS que dá certo.
23:41Eu te digo que é emocionante, é prazeroso e digno o nosso trabalho,
23:48porque é um SUS que funciona, né.
23:52Toda a parte da regulação desse órgão,
23:54todas as pessoas que estão envolvidas nesse processo
23:57podem ter certeza que nós trabalhamos
24:00pra que cada vez mais esses receptores possam aí ter uma nova oportunidade de vida.
24:06Afinal de contas, não adianta a gente ter toda a tecnologia do mundo
24:09sem que a gente tenha aí o sim dessa família
24:12e a gente tenha esse bem maior que esse órgão
24:15pra poder chegar a essas equipes e elas poderem fazer o trabalho dela.
24:19Maravilhoso.
24:19Doutor, nós estamos quase no finalzinho, mas eu queria que o senhor delimitasse
24:23quem são os possíveis doadores.
24:26Quem pode e quem não pode se tornar doador
24:29depois de declarada a morte encefálica.
24:31Tá.
24:31Falando sobre a morte encefálica,
24:33pessoas que têm diagnosticado câncer invasivo,
24:38câncer com metástase,
24:40ele não pode ser um doador.
24:41Então, só a gente lembrar aqui,
24:43tudo de doença que pode ser transmitido através do órgão pra outra pessoa
24:48é uma contraindicação.
24:50Então, se eu tenho um paciente que tem um tumor maligno,
24:53ele tem o risco de levar esse órgão
24:56ou uma célula que a gente não diagnosticou pro paciente que vai receber.
24:59Então, câncer de uma maneira geral,
25:01existem tumores benignos do cérebro que causam,
25:05podem ter causado a morte encefálica,
25:07mas ele aí pode ser um doador.
25:10Pacientes, já é uma contraindicação relativa,
25:12mas em tese, HIV,
25:14pacientes que são HIV positivos
25:16podem levar aquele vírus pra aquela pessoa.
25:19Mas existe transplante entre HIV positivo do doador
25:23com o receptor positivo.
25:25Então, eu não posso pegar um órgão de quem é HIV
25:28pra botar num paciente que não é HIV.
25:31E o paciente que está por conta da morte encefálica,
25:35por conta de infecções,
25:36que aí seria uma contraindicação clínica,
25:38com condições muito ruins de perfusão dos órgãos,
25:43onde os órgãos, eles...
25:44Sentem-se primeiro.
25:45Iam causar risco ao paciente.
25:48Então, esse acaba não evoluindo com morte pra doação.
25:51Mas em tese, resumindo,
25:53os tumores malignos,
25:55portadores de tumores malignos,
25:57infecções como HIV ou HTLV,
26:00que são vírus que podem ser transmitidos
26:02pra o paciente que vai receber,
26:05e em condições muito extremas do doador,
26:08onde a pressão está muito baixa,
26:09e aí os órgãos acabam sofrendo com esse dano.
26:13Perfeito.
26:14Esse foi o Check-Up Saúde de hoje.
26:16A gente termina parabenizando o trabalho
26:19dessa equipe maravilhosa,
26:21representando aí o SUS,
26:22que realmente dá certo.
26:24Parabéns, Maria.
26:25Parabéns, doutor Alberto.
26:26E até semana que vem.
26:28E até semana que vem.

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