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  • há 12 horas
Neste episódio, Dra Alice Sarcinelli convida Dr. Leonardo Lima (médico clínico oncologista) e Dr. Dário Santuchi (cardiologista) para esclarecer tudo sobre o transplante de coração, além de tratar sobre a recente "polêmica" sobre o Faustão.

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Transcrição
00:07Olá, sejam bem-vindos ao Checkup Saúde. Eu sou a Alice Sarsinelli e essa é a sua conexão com os
00:13maiores especialistas do Espírito Santo. Gente, hoje nós vamos falar de um caso que foi trazido
00:19à tona pela necessidade do apresentador Faustão. Vamos falar sobre o transplante cardíaco,
00:25o transplante de coração. Para isso, temos aqui um cardiologista. Seja bem-vindo, doutor Dário Santucci.
00:33Olá, doutora Alice. Muito obrigado pelo convite. É um prazer estar aqui no Checkup Saúde e falando
00:38sobre cardiologia, que é um tema que eu adoro. Perfeito, doutor. Vamos começar explicando,
00:43porque eu acho que muita gente nem sabia que a gente poderia tirar o coração de uma pessoa e
00:49colocar em outra, né? A gente ouve muito falar de transplante, mas eu ouvi muita gente realmente,
00:55assim, surpresa pelo fato de haver a possibilidade de transplante cardíaco. Conta um pouquinho
01:02sobre o que é esse transplante, se é algo rotineiro, se para a medicina é algo que já
01:07acontece há bastante tempo. Isso aí. O transplante cardíaco, o primeiro transplante cardíaco do mundo,
01:13ele foi na África do Sul, né? Vamos dizer assim. E já é um tratamento já comum na cardiologia, né?
01:22O que é o transplante cardíaco, né? A gente pega um órgão, né? De um paciente que teve,
01:28por exemplo, uma morte cerebral, né? E aí tem um órgão, no caso o coração, que é sadio, né?
01:36Então a gente detecta uma pessoa que necessita desse coração, né? Vamos dizer assim, em linhas gerais,
01:42para a população leiga entender. Então é feita uma cirurgia que é retirado, então, este órgão,
01:49o coração, né? E transplantado para esse outro paciente. Então a gente tem toda uma equipe
01:56especializada, é a cirurgia cardíaca, né? Que faz isso. São vários médicos envolvidos, tem vários
02:01tipos de exame para ver compatibilidade, né? Enfim, é uma estrada longa aí até dar tudo certo,
02:08casar certo o transplante, né? Mas já é, sim, uma terapia comum, né? Na cardiologia, né?
02:17Habitual. No Brasil, é um centro transplantador de referência mundial, né? O Brasil, ele tem essa
02:24marca, né? E Espírito Santo também faz.
02:28Inclusive cardíaco a gente faz aqui no Estado também?
02:31Faz no Estado, sim. Inclusive a gente teve um caso de exceção, que geralmente são centros
02:38transplantadores, né? A gente tem um centro transplantador, que é uma equipe especializada,
02:43o SUS, ele centraliza esse tipo de processo, né? Que é o transplante, então, em determinadas
02:48equipes, né? Em Linhares, nós tivemos um em caráter de exceção, dada a necessidade
02:53ali da situação, mas é no Espírito Santo feito sim, tá? Lá no Espírito Santo, pra contar
02:59um pouco mais, lá em Linhares, a gente teve o primeiro caso de transplante do interior do
03:05Espírito Santo, em Linhares, né? Nós fazemos cirurgia cardíaca lá de maneira habitual,
03:10né? Em média, duas cirurgias por dia e uma, infelizmente, ela não ocorreu como deveria.
03:18Uma síndrome muito rara, chamada síndrome pós-cardiotomia, que é relacionada à cirurgia
03:23cardíaca, o coração dessa paciente, ele não funcionou mais, né? E aí ela foi mantida
03:29em aparelhos, né? Mantendo a manutenção dos outros órgãos, então o coração não
03:35funcionava, mas ela tinha como se fosse um coração artificial que trabalhava pro corpo
03:39todo, né? Enquanto ela era listada na fila de prioridade do transplante, né? E dada a
03:46gravidade do caso, que ela não podia nem ser mobilizada por quem estabilizava, os remédios
03:51não funcionavam, acabou, Deus, né? Eu tenho muita fé, Deus botou a mão, é maravilhosa
03:59essa história, e o órgão acabou que foi na mesma cidade, no mesmo hospital. Nossa!
04:05É, e foi assim, fantástico, uma coisa de livro, eu inclusive escrevi muita coisa sobre
04:11isso aí. E essa então paciente foi, vamos dizer assim, brindada, né? Deus olhou muito
04:18por ela, ela tem uma filha, eu lembro como se fosse hoje esse evento. E aí o que é
04:24raro de acontecer, né? Que é difícil de ter órgão, dada a situação, muita gente
04:29ainda não aceita doar órgãos, né? Isso é uma coisa que a gente tem que vir à população
04:35e alertar que é salvar vidas, né? Você declarar que é doador de órgãos. Muita gente ainda
04:41se nega a isso. E aí essa abençoada, essa nossa paciente, no mesmo hospital, e vamos
04:48dizer assim, é questão de metros, na outra UTI, surgiu o coração compatível, né?
04:54Maravilha.
04:54E aí foi aquela corrida toda, e ela foi transplantada, tá viva, tá bem, e deu tudo
04:59certo, curou ali aquela situação de dano. E foi excepcional porque ela não tinha condição
05:05nem de movimentar. E a pressão caía e ela perderia a vida a qualquer momento.
05:10Doutor, e no caso do Faustão, ele teve então essa necessidade de um transplante devido
05:17a uma insuficiência cardíaca. Então, além da gente muitas vezes desconhecer que um órgão
05:23pode ser transplantado, muita gente ficou se perguntando o que é essa insuficiência
05:27cardíaca. Será que eu tenho insuficiência cardíaca? Será que eu também corro algum risco
05:32em relação ao meu coração? Explica pra gente.
05:35Isso, ó. A insuficiência cardíaca é o, na cardiologia a gente disse que é o final
05:39de qualquer processo cardiológico, vamos dizer. Um exemplo, se eu tenho a hipertensão que
05:45ela não é tratada de maneira correta, o que que vai ser a via final, vamos dizer?
05:50Vai ser a insuficiência cardíaca, né? Então, se eu tenho um problema do colesterol alto
05:55que gerou infarto e eu não cuidei desse processo bem, não preveni, não fiz as medidas
06:00corretas, o que que vai ser o final? A insuficiência cardíaca. Então, se eu tive
06:04uma miocardite, né? Por qualquer motivo, a via final, se eu também não tiver os
06:10cuidados, é a insuficiência cardíaca. Então, é a linha, vamos dizer, esse diagnóstico
06:14de insuficiência cardíaca, ele é o coração batendo fraco, né? Seria isso.
06:20Traduzindo, seria isso. Exatamente. Mas o que levou a essa insuficiência é que tem
06:24que ser investigada. Tem que ser investigada, tratada de maneira efetiva, né? Mas em linhas
06:30gerais, a insuficiência cardíaca, ela é um coração mais fraco. O que que o
06:34coração faz? Ele bombeia, né? Então, tem a força de bombeamento e a força de
06:39relaxamento. Então, nós temos dois tipos de insuficiência cardíaca. A de
06:44contração, que perde a contração ou ela perde o ato de relaxar. Isso causa o que?
06:50Uma má perfusão, né? O coração, ele serve para isso, para perfundir todos os
06:55outros órgãos. Jogar sangue no corpo todo, bombear. Para a ponta do dedo, depende do
07:01coração. Então, do cérebro, qualquer órgão, a gente depende dele, né? O ponto
07:05central. E quando ele fica fraco, tudo começa a funcionar mal. A gente começa a ter
07:10disfunções orgânicas, né? Então, a insuficiência cardíaca, ela é essa via
07:14final, né? Graças a Deus, nós temos muito tratamento para isso. Medicamentoso, então,
07:21nós evoluímos demais a sobrevida, mas é uma doença que a gente tem que informar muito
07:29bem, porque o tratamento é eficaz, né? Mas não tratado, a gente é igual câncer.
07:37E aí, fica aquela pergunta, né? Um paciente internado, no caso dessa sua paciente, graças
07:42a Deus, teve aí essa sorte, realmente, de conseguir logo em seguida um coração. Mas
07:48como você mantém a pessoa viva, se ela já não tem mais um coração ali que funcione
07:53adequadamente? Ela tem que viver em coma? Como que isso funciona?
07:57Não, não, não. Pode ser necessário coma, é verdade. Induzir a sedação, a intubação,
08:03e etc., para manter os outros órgãos todos funcionando bem, né? Hoje a gente tem uma
08:08série de processos. O primeiro é remédio. A gente tem alguns remédios orais mesmo, que
08:13melhoram a contratilidade muito. A gente avançou muito nisso. É importantíssimo deixar
08:19isso claro. E assim, é importante? É. Mas remédio a gente avançou demais. E existem
08:25também alguns remédios que são feitos na terapia intensiva, na UTI. Alguém, a gente
08:31já deve ter escutado noradrenalina, dobutamina, milrinone. Então, existem alguns remédios
08:37que fazem o quê? Aumenta a contratilidade do coração, ele fica mais forte, só que se
08:42eu desligo essa bomba, o coração volta a ter problema. Aí o rim é mal perfundido,
08:47diálise. Então, entra nas disfunções de todos os órgãos, né? E é isso que é a
08:54indicação, no caso, neste momento, do nosso querido lá, Faustão. Então, ele está
09:00dependente de remédios para que o coração faça a função dele. E essa é a indicação
09:07aí da questão do transplante no caso específico dele. Então, a gente tem
09:11insuficiência cardíaca, ela está dependente de remédio, a gente tem algum
09:16suporte, descoração artificial e etc. Mas o tratamento curativo para essa
09:20insuficiência cardíaca terminal, vamos dizer assim, é o transplante.
09:24Transplante. E aí, doutor, o caso do Faustão também trouxe aquela questão, né? Um homem
09:29que a gente ouvia que cada programa dele, ele ganhava milhões. Um homem que, né,
09:35mega milionário e está aí precisando do SUS, vem aquela questão. Agora falaram que ele
09:41está com prioridade, vai furar fila. Explica para a gente, como é que funciona
09:46essa fila do transplante? Está baseado nesse caso que o senhor contou lá em
09:50Linhares mesmo, né? Que deveriam ter outras pessoas esperando ou realmente é
09:56tudo via SUS? Existe possibilidade de furar? Porque eu leio alguns comentários na
10:00internet, ah, claro, é rico, vai conseguir logo, vai furar a fila. Como que funciona?
10:05Então, é, existe uma ordem de prioridade e não importa se você tem dinheiro ou não.
10:12Isso aí não vai fazer diferença. Quem regula isso é o SUS, né? O SUS tem a lista de
10:17prioridade, né? Então, o centro transplantador, ele é o SUS, né? Então, isso é o governo
10:23que regula, vamos dizer assim, e não tem essa, esses comentários, vamos dizer assim, são
10:28fakes, né? Então, existem prioridades. O caso que eu contei, qual que era a prioridade?
10:33A prioridade era que ela estava com o coração funcionando fora do corpo. Então, ela tinha
10:38uma máquina que se acabasse a luz, acontecesse qualquer acidente, qualquer coisa, ela ia
10:45parar, ia morrer. O Faustão, ao que eu li, ele está dependente de remédios. Então, remédios
10:53estes que mantêm o coração batendo na condição necessária. E muito provavelmente, ele está
10:58no hospital de excelência, foi tentado retirar esse remédio várias vezes. É assim que
11:04funciona. Então, o paciente está, às vezes recupera com remédio, às vezes não. E pelo
11:09que está tudo dizendo, é isso. A prioridade dele é, ele é totalmente dependente de remédio
11:14na veia. Aquelas bombas que a gente chama de bomba de infusão, fica ali continuamente
11:19injetando o remédio e se desligar, ele vai começar a ter hipotensão e ter as repercussões
11:25de um coração que não funciona de maneira adequada, né?
11:29E como desconfiar, doutor, que a gente tem algum problema cardíaco, né? E que pode
11:34levar, de repente, a uma insuficiência por algum desses problemas. Quais são os sintomas
11:39de que algo não vai bem com o nosso coração?
11:42Isso aí, ó. O sintoma, vamos dizer assim, primordial na insuficiência cardíaca é falta
11:47de ar, né? O que a gente, nós médicos, chamamos de dispneia. Então, a falta de ar, ela
11:53é o sintoma que alerta, né?
11:56Subindo escada, parado, como é que é?
11:58Exatamente. Por exemplo, eu tenho, a gente chega a ter falta de ar parado, em momentos
12:03mais avançados. Mas uma grande dica, assim, para o médico é, ah, eu andava um quarteirão.
12:08Agora, quando eu ando meio quarteirão, eu estou ficando cansado. Eu comecei a ganhar
12:13peso sem justificativa. A minha perna começou a inchar, né? Então, eu estou tendo o que a gente
12:19chama de edema. Se eu aperta ali o tornozelo, fica aquela fóvea, né? Aquele buraco. Então,
12:25é coisa que pode, não quer dizer que é, mas pode ser, você deve procurar um médico
12:30que pode ser algum problema nos rins, pode ser algum problema hormonal ou pode ser insuficiência
12:34cardíaca, né? Então, assim, é o sintoma principal. Nos casos mais avançados, para se ter noção,
12:41a pessoa não consegue nem deitar, porque ela tem falta de ar. Ela precisa botar um travesseiro
12:46para ela ficar em pé, tamanha falta de ar. Eu acho que quem teve Covid começou a experimentar
12:52um pouquinho o que é uma falta de ar mesmo severa, né? Muita gente conheceu o que é o sintoma
12:57de uma verdadeira falta de ar. É isso aí, é terrível. Quem passou por isso, os pacientes
13:03nossos de insuficiência cardíaca relatam que a pior sensação do mundo é você puxar e não
13:09tem ar, né? E é muito comum também, eles comentarem com a gente assim, ó, no meio da madrugada
13:14eu tenho que abrir a janela para respirar, porque é o horário onde você andou o dia
13:19todo, a perna inchou e quando ele deita, ele começa a reabsorver esse edema. E aí
13:23três horas depois, quatro horas depois que ele começou a dormir, ele acorda com falta
13:27de ar. E aí ele abre a janela e acha que é para puxar ar. São sinais de insuficiência
13:32cardíaca, né?
13:33Doutor, e vamos pensar aqui, né? O senhor falou que não existe o fura-fila, mas o Faustão,
13:39com todos os milhões que ele tem, existiria alguma alternativa para ele poder comprar
13:45um coração? Pode-se ir para um outro país? Tem alguma outra saída que não essa fila
13:52única do sistema único de saúde?
13:54Para transplante, não, né? Para transplante não existe isso. Ele vai respeitar a fila,
14:00as prioridades, é todo mundo igual, não tem essa de ter poder aquisitivo, vai mudar o
14:07custo das coisas, não. Agora, existem tecnologias que podem ajudar no tratamento da insuficiência
14:13cardíaca que envolve recursos. Por exemplo, circulação extracorpórea, SEC, que a gente
14:19chama, né? Existe máquina, ECMO, desculpa, existe máquina que fazem esse trabalho, né?
14:25E aí talvez, eventualmente, isso poderia ser adquirido, comprado, mas também é momentâneo.
14:31É um tipo de máquina que dá suporte de vida até o transplante, né? Isso seria em alguma...
14:38O máximo que a gente poderia falar sobre questão de poder aquisitivo seria isso.
14:43Ter uma sobrevida até conseguir um implante de melhor qualidade, o transplante, desculpa,
14:49de melhor qualidade.
14:50Exatamente. Na minha cabeça, minha opinião...
14:53Montar uma UTI na própria casa dele ao invés de ficar internado no hospital, ter esse tipo...
14:58Agora, Estados Unidos, pensar num país de primeiro mundo, nós temos o melhor do primeiro mundo
15:04aqui no Brasil, é isso?
15:05Nós temos, sim. O SUS hoje é exemplo de transplante, né? O Sistema Único de Saúde, ele é premiado
15:13mundialmente por conta do sistema de transplante do Brasil. É fantástico. A gente consegue aqui
15:19muito bem. Falta o quê? Mais recursos, né? E também doadores.
15:25Doadores. Doadores. Acho que é importante a gente deixar o alerta aqui. Quem é que pode doar, doutor?
15:30Isso aí. Todo mundo pode doar, né? É só você se declarar como doador de órgãos, né? É claro que
15:38isso tem
15:38algumas nuances, né? Eu estou dizendo em linhas gerais, mas ali, na carteira de identidade, por exemplo,
15:45você pode alegar isso, né? Ou então, nos seus próprios familiares. Você deixa um documento dizendo que você
15:51quer ser doador de órgãos. Isso, várias vezes, é uma dificuldade. A gente... Isso acontece comigo direto.
15:58Direto. Eu trabalho muito em UTI e, muitas das vezes, a gente dá a opção e a pessoa não aceita.
16:06A família não aceita.
16:07A família não aceita. E vai saber qual que é a... Qual que era a vontade do paciente, né?
16:13Então, assim, deixar isso expresso em vida é muito importante.
16:16O que é o medo dessas famílias? Por que que elas se negam? Seria uma coisa estética?
16:20Ou tem medo dele ainda poder estar vivo? O que que passa na cabeça? O que que eles relatam?
16:25Exatamente. Eu já tive experiência de, assim, eu não quero ver o coração do meu neto batendo
16:30no outro peito. São coisas, assim, paradigmas que a gente precisa conversar mais.
16:35Nós, quanto aqui no programa de entrevista, a gente tem que falar mais sobre isso e o quão importante
16:43que é. Então, aquele ato que nós tivemos lá em Linhares, hoje, nós temos uma jovem
16:51vivendo plenamente.
16:52Com a sua família, com a sua filha.
16:54Exatamente.
16:55Porque alguma família de que perdeu alguém ali, teve esse ato generoso, esse ato de coragem.
17:01Exatamente.
17:02E eu acho que tem muito aquele medo de quando é declarada morte encefálica.
17:05O que que é a morte encefálica, doutor? Quando chega pra família, né?
17:09Que aí tá vendo que os órgãos estão funcionando, o corpo ainda tá funcionando.
17:14Como que é esse momento?
17:15É isso aí. A morte encefálica é um protocolo muito rígido, tá?
17:19Muito rígido. Precisa de vários médicos envolvidos pra se dar esse diagnóstico.
17:24Precisa de um médico intensivista, o médico de plantão.
17:27Enfim, é... Isso também é uma coisa que deve ser dita, né?
17:30As pessoas têm medo disso.
17:31Ah, e se errar o diagnóstico? Não existe isso.
17:34Então a gente faz todo o protocolo, faz a manutenção dos órgãos, né?
17:39E aí então a gente faz uma arteriografia, em geral a gente faz esses procedimentos, pode ser dopla, e vê
17:45o fluxo sanguíneo cerebral.
17:48Esse é um dos protocolos. Existem vários, na verdade.
17:51Mas nada é feito de maneira... O que eu queria deixar claro, assim, nada é feito de maneira...
17:59Inconsequente.
17:59Isso.
18:00Que há, talvez, de maneira duvidosa, né?
18:03Exatamente. É muito criterioso, tá?
18:05Então pra se declarar uma morte encefálica é um critério, um protocolo muito rígido, né?
18:11E aí então é feita a abordagem com a família, e se aceito, a gente dispara uma cascata de procedimentos
18:21e a gente consegue reaproveitar a grande parte dos órgãos.
18:24Desde os olhos, até pulmão, coração, bastante órgão.
18:29E aí é uma corrida quanto tempo, doutor? É quanto tempo, assim, após a morte de uma pessoa que esses
18:34órgãos ainda podem ser doados?
18:36É isso. Isso é imediato, praticamente, né?
18:38Então aconteceu ali o pior momento pra família, né?
18:42A gente já tem que fazer... Infelizmente, assim, é nesse momento...
18:46De dor.
18:47De dor que esse embate do médico, ele tem que ir ali e dar essa oportunidade pra outras vidas, né?
18:54É um momento muito difícil pro médico, né?
18:56Mas a gente tem que fazer isso. É um dever nosso, como médico, ajudar as outras vidas, né?
19:01Dar essa oportunidade de ajudar e de ser ajudado.
19:05Exatamente. E salva muita gente.
19:08Doutor, e quem não pode doar órgãos?
19:10Então, se tiver alguma doença infecciosa, por exemplo, em linhas gerais, assim,
19:16há um paciente oncológico que tem metástases, por exemplo, pra alguns órgãos.
19:20Esse órgão, ele não vai ser implantado, né?
19:23Não vai ser transplantado, desculpa.
19:25Mais uma vez, pra qualquer coisa que for feito, há protocolos muito rígidos, criteriosos, né?
19:32Mas em geral, em linhas gerais, assim, pra população leiga, é paciente oncológico
19:38ou paciente que tiver alguma doença infecciosa, um exemplo, HIV, né?
19:43Então, esse paciente, a gente vai ter que estudar melhor essa situação.
19:48Mas em geral...
19:49Doutor, e a gente pode escolher pra quem a gente vai doar?
19:51Não. Não pode escolher.
19:55Salvo em casos, por exemplo, eu tenho casos de família, etc.
20:00Tem algumas situações específicas que isso pode acontecer, né?
20:06Mas em geral, a gente respeita aquela forma rígida do SUS.
20:11Da fila.
20:12Exatamente.
20:13Doutor, e aí vamos pensar, né?
20:15No melhor caso, como foi dessa sua paciente, que conseguiu ali um coração,
20:19qual que é a expectativa de vida de uma pessoa depois de conseguir um implante?
20:24Então, fica lá naquela fila, já é uma angústia, conseguiu.
20:28Eu penso que o primeiro problema possa ser a rejeição, que eu queria que o senhor explicasse um pouquinho,
20:34e depois a sobrevida, né?
20:36A vida nova desse paciente.
20:38Qual que é a previsão?
20:39Isso aí.
20:39A gente tem vários cuidados, né?
20:42O coração, né?
20:43Esse coração transplantado, ele é um coração compatível,
20:48mas nós precisamos de alguns cuidados, né?
20:50E um desses cuidados é quanto à imunidade ali desse paciente.
20:55Então, ele toma remédios que abaixam um pouco a imunidade, né?
20:58E para que esse órgão seja efetivo.
21:02Aceito pelo corpo, né?
21:03É, em linhas gerais, isso.
21:05Exatamente, seja aceito pelo corpo.
21:06Acho que essa é a melhor palavra, né?
21:08Então, assim, a vida é normal depois disso?
21:11É, é normal.
21:12A gente tem uma vida normal, alguns cuidados específicos, né?
21:16Mas, a vida é normal, esse paciente volta à plenitude.
21:20Os órgãos que, no caso específico do transplante,
21:24os outros órgãos que estavam funcionando mal por conta do coração,
21:27voltam a funcionar bem, né?
21:28E aí a gente tira o problema, que era a insuficiência cardíaca,
21:33e coloca um coração novo.
21:34Vai ter que ter cuidados, vai ter que ter acompanhamento, vai.
21:37Mas a sobrevida aí, a gente prolonga muito a vida desses pacientes.
21:41E tem uma média em anos, doutor, do que esperar?
21:44Quem tá aí torcendo pelo Faustão, aí conseguiu o transplante,
21:47há quanto tempo de vida?
21:49Pra conseguir ou...
21:50No pós, tem uma média?
21:52Depende dos cuidados, da assistência, etc.
21:55São várias nuances.
21:57Eu não quero aqui botar um ponto de corte.
21:59E, doutor, vamos falar um pouquinho, então, sobre prevenção,
22:02que a gente tá quase chegando ao final,
22:04mas falar pra nossa população sobre os cuidados cardíacos.
22:07O que a gente pode fazer pra prevenir, pra não chegar a uma insuficiência cardíaca,
22:13não precisar de um transplante?
22:15Exatamente.
22:15Primeira coisa é a vida de hábitos saudáveis, né?
22:19Então, o sedentarismo e a obesidade,
22:22ela é grande parte dos problemas cardiovasculares, né?
22:27Um dos principais, ele é a hereditariedade,
22:30é algo que a gente não pode modificar,
22:31mas a obesidade e o sedentarismo, elas são muito importantes, né?
22:36O tabagismo, cigarro...
22:38Cigarro eletrônico, agora tá na moda, né?
22:41Cigarro eletrônico...
22:42Até os jovens também?
22:43Também.
22:44Isso aí, faz mal do mesmo jeito ou pior.
22:46Então, cigarro eletrônico, o que a gente chama do pendrive...
22:49O pendrive...
22:51O pendrive, ele faz mal.
22:53Bem, e aí entra a questão do colesterol, né?
22:57Que desde cedo é bom a gente acompanhar, igual a gente conversou.
23:02O colesterol, o LDL, né?
23:04Que é o colesterol ruim.
23:05E o HDL, que é o colesterol bom.
23:07A gente deve acompanhar isso.
23:09O LDL, quanto mais alto, pior.
23:11E o HDL, quanto mais alto, melhor.
23:13Então, o HDL é o colesterol bom.
23:15E o LDL, o ruim.
23:17Então, a gente tem que cuidar muito bem destes colesteróis, né?
23:20A gente tem metas específicas com o cardiologista.
23:23Isso a gente cuida como?
23:24Com alimentação?
23:26Alimentação e exercício físico.
23:27Todo mundo que vem aqui, gente, vocês já sabem, né?
23:30Qual que é o segredo?
23:31Tem que se alimentar bem, tem que evitar fritura, tem que ir lá da sua caminhada, não é isso, doutor?
23:36É isso mesmo.
23:38Para qualquer doença é isso.
23:39O mais difícil, ninguém faz, que é a atividade física e se alimentar bem.
23:43Todo mundo quer um remédio milagroso, né?
23:46Perfeito.
23:47Muito obrigada, doutor Dário, pelos seus esclarecimentos aqui no Check-Up Saúde.
23:51É isso, eu que agradeço.
23:52Muito obrigado pela oportunidade.
23:54É muito gostoso falar sobre cardiologia.
23:55Eu estou à disposição para qualquer novo programa.
23:59Esse foi o Check-Up Saúde de hoje.
24:01Te espero na semana que vem.

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