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Como conversar com as crianças sobre abuso sexual?
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NotíciasTranscrição
00:00Presta atenção, você que é pai, mãe, avô, avó, hoje é o dia nacional de combate ao abuso e exploração
00:08sexual de crianças e adolescentes.
00:11Os dados da Secretaria de Segurança Pública mostram que nesse ano, 532 crianças foram vítimas de abuso aqui no Estado.
00:22No mesmo período do ano passado, foram 551, uma redução de 3,45%.
00:30Só que mesmo com essa queda, minha gente, os números são alarmantes.
00:37As meninas são a maioria das vítimas e a gente precisa, urgente, aprender a conversar com os nossos filhos.
00:46Essa é a melhor forma de prevenir, educando, orientando, vamos bater um papo sobre esse assunto aqui no nosso estúdio.
00:53Eu converso com a psicóloga Sátina Pimenta, boa tarde Sátina, seja bem-vinda.
00:59A gente também recebe aqui a Nayara Costa, muito obrigada, que é mãe de duas meninas, né?
01:05Todo mundo conhece a Nayara ali na nossa bancada, no Espaço Gourmet, mas ela hoje vai participar como mãe, trazendo
01:12esse relato.
01:12E a Carolina Prata, que é conselheira tutelar. Obrigada também, Carol, pela sua participação.
01:18Primeiramente, Nay, a gente queria saber a idade das suas meninas e como que você conversa com elas, né?
01:24Existe já esse assunto, essa prevenção na sua casa?
01:28Então, lá é a Laura, né, de 10 anos e a Liz de 5 anos.
01:32A gente sempre conversa com elas, até na hora do banho, que a gente vai dar banho, a gente conversa
01:36muito com elas.
01:38Mas, na hora de falar das partes, eu falo o que é verdade, o real.
01:43Eu acabo não usando termos pequenos, diminutivos para falar, eu falo...
01:47Porque, assim, quando for para a escola, quando for nos outros lugares, vai saber o que é os nomes certos
01:52dos órgãos.
01:53Então, a gente fala, não pode mexer, ninguém pode tocar, é só a mamãe.
01:58Nem meu marido dá banho nelas, por exemplo, elas de 4 anos para cá, elas tomam banho sozinhas.
02:05A gente vai lá, dá aquela averiguada, mas, assim, a independência a gente já criou já para elas conseguirem fazer
02:10tudo sozinhas.
02:11Tomar banho, comer tudo sozinha.
02:13Para ter essa autonomia de defesa também, né?
02:16Exatamente. E falar, né, que ninguém pode tocar, que ninguém pode mexer.
02:19A gente fala muito com elas, muito.
02:21Satina, eu acredito que muitos pais tenham essa dúvida, tem essa dúvida, por quê?
02:27A partir de que momento? Existe uma idade mínima para a gente conversar com os nossos filhos?
02:32E como fazer isso?
02:34E de forma que, de fato, eles vão conseguir entender que seja compatível com a linguagem deles.
02:42Como que a gente faz isso?
02:44Eu acho que isso é importantíssimo, né?
02:46A gente tem que saber a linguagem para cada época da vida, para cada momento do desenvolvimento.
02:54Não tem uma idade específica para a gente falar sobre a questão do corpo, mas a gente pode já começar
03:00falando sobre o cuidado.
03:02Então, quem é que cuida de mim?
03:03Quem é que cuida de mim é a mamãe e o papai.
03:07Ou é a vovó, o vovô, né, que a gente tem nossas famílias extensas, obviamente, que também são nossa rede
03:12de apoio.
03:13E outra pessoa pode cuidar de mim?
03:15Não, se é outra pessoa estranha, que você não conheça, chegue para você e te oferce algum cuidado,
03:21ou alguma coisa que seja um alimento, não é para estar, porque quem cuida de você é esta rede aqui.
03:28Com o tempo, a gente vai poder começar a falar sobre a questão do corpo,
03:33porque eles não sabem ainda o que é esse corpo, não tem, né?
03:37Essa diferenciação do corpo.
03:39Quando eles começam a aprender o que são essas partes, aí sim, aí a gente vai falar sobre uma questão
03:46mais direcionada,
03:47as partes íntimas, né, de como isso pode acontecer, com quem vai cuidar dessas partes íntimas,
03:56e até quanto é cuidado e até quanto não é cuidado.
04:01Por quê?
04:02E aí ela pode falar até melhor do que eu, porque o abusador, quando ele abusa de uma criança,
04:08ele não abusa falando, estou abusando de você.
04:12Muito pelo contrário.
04:14Entende?
04:14É amor e afeto.
04:16É isso aí.
04:17Ele traz uma lógica de carinho, de cuidado, vem aqui que eu amo você, vem aqui que eu vou te
04:23dar um presente.
04:24Olha que lindo, que maravilhoso.
04:26É essa, Carol, a estratégia do abusador para se aproximar das crianças?
04:30Basicamente sim, né?
04:32Eles vão sempre pelo convencimento do cuidado, do afeto, do carinho, do...
04:40Isso não é um problema, sabe?
04:42E sempre um passinho de cada vez.
04:47Dificilmente, para além de casos que ocorram na rua, que sejam espontâneos de violência contra crianças e adolescentes,
04:54contra mulheres, enfim, o abusador, ele vai cativando espaço, ele vai conquistando confiança.
05:04E todas formas de violência, né, mas muito mascaradas em carinho e cuidado.
05:11Agora, o que a gente se pergunta, Satina, assim, não é, essa conversa não é uma única vez, né?
05:16Ah, conversei já com minha filha, não é só uma vez, né?
05:20Só que ao mesmo tempo, por exemplo, eu converso com a Maitê, a minha de sete anos,
05:24só que quando eu vou falar com ela em alguma outra situação, ela fala,
05:27mamãe, você já falou sobre isso.
05:30Como é que a gente leva para as crianças essa importância de reforçar o assunto?
05:35É, mamãe, você já falou sobre isso e a gente vai ser assim sempre de tudo.
05:39É só para não esquecer.
05:41É só para não esquecer.
05:42Não, minha filha, mas a mamãe está falando só para a gente reforçar, para você não esquecer, né?
05:46O que está acontecendo e tudo mais.
05:48E também, eu acho que é muito importante que a gente ensine comportamentos.
05:53Porque do mesmo jeito que também não podem tocar em mim, eu também não posso tocar no outro.
05:59E aí, quando você traz para essa criança que ele também tem que respeitar o corpo do coleguinha,
06:05isso reverbera de uma forma diferente.
06:07Então, você pode pegar o coleguinha e beijar?
06:10Eu sei que é um movimento de carinho, mas calma lá, o coleguinha quis que você beijasse ele?
06:15Você pediu que isso acontecesse?
06:17Porque quando for você, você também tem que dar autorização.
06:20Então, a gente gera uma cultura de respeito ao nosso corpo e ao corpo do outro,
06:26que é extremamente importante.
06:27A partir daí, a gente vai ter um adulto que vai também respeitar,
06:32que também não vai entender que o outro é objeto, que pode ser manipulado da forma que quiser,
06:37porque eu também não sou.
06:38Então, é uma educação que tem que ser, não com medo, se fizer alguma coisa, mas com respeito.
06:47Então, você respeita o outro, o outro também tem que te respeitar.
06:50Se você está respeitando, o outro tem que fazer.
06:52Então, espera aí, se ele não está fazendo alguma coisa errada.
06:54Muito importante essa dica, viu?
06:57Inclusive, eu percebo isso exatamente entre os irmãos.
07:00Eu falo, opa, respeita o irmão.
07:03Então, sinal de que a gente está no caminho certo, né?
07:05Isso, muito bom.
07:05A Anai contou aqui sobre os cuidados com o apelido,
07:09que ela busca ter isso com as meninas, com as suas filhas.
07:13E a psicóloga infantil, Emanuele Figueiredo, fez um alerta importante.
07:18A gente não sabe como conversar com os filhos sobre esse assunto.
07:22E essa conversa precisa começar assim.
07:26Olha só.
07:27Vamos começar pelo básico.
07:29Ensinando o seu filho sobre as partes íntimas e de proteção do seu corpo.
07:34Por exemplo, ao ensinar o seu filho sobre as partes íntimas do seu corpo,
07:38por mais que você possa usar apelidos,
07:41mas na sequência diga o nome científico da parte do seu corpo.
07:46Todo o corpinho da criança, ele tem as zonas de proteção.
07:50E isso precisa ser ensinado a essa criança.
07:53Então, quando você fala, filho, lava o lulu, filha, lava a pepeca,
07:57que é a sua vagina, que é o seu pênis.
08:01Por que isso, pessoal?
08:03Porque quando o abusador se aproxima da sua criança para abusar, para molestar,
08:07ele vai usando apelidos infantis.
08:11Então, eu posso tocar no seu lulu, eu posso brincar com o seu biscoitinho, com a sua pepeca.
08:18E a criança associa isso de uma forma positiva e acaba permitindo por muitas vezes.
08:23Porque ele não entende que aquilo é uma zona de proteção e que aquilo tem um nome real.
08:28Então, oriente o seu filho de uma forma correta.
08:30Falar de sexualidade não é errado.
08:34O seu filho precisa entender que sexualidade faz parte da sua vida.
08:38E isso precisa ser ensinado de uma forma prudente e sensata.
08:44Muito bem explicado, né?
08:45E é isso, Sashina.
08:46A gente tem que ter cuidado com esses apelidos,
08:48assim como a Anai já vem praticando também dessa forma com as meninas dela.
08:52Sim, nós precisamos ter cuidado principalmente porque o abusador pode usar outros nomes.
08:58Entende?
08:59Então, se a gente consegue trazer a realidade do que é cada parte do nosso corpo,
09:04o que a gente pode sentir, o que não pode sentir, até quando pode sentir,
09:09então o abusador não consegue enganar essa criança.
09:13Porque ele vai trazer um nome e a criança vai olhar e vai falar
09:16não, isso daí é um lugar que a minha mãe falou que não pode ninguém mexer.
09:21Isso daí é uma coisa que a minha mãe falou, o meu pai falou que eu não posso fazer.
09:25Esse é um lugar que eu não posso tocar, porque tem a troca também.
09:30Tem a troca dentro do abuso.
09:32Então, esse é um lugar que eu não posso tocar no corpo do outro.
09:35Então, a gente precisa, a gente precisa sempre trazer a realidade.
09:40A gente tem que pensar, Roberta, que nossos filhos não viram em uma bolha.
09:44Não dá para a gente colocar eles em uma bolha.
09:46Nós somos seres sociais e eles se socializam hoje muito mais cedo do que antes.
09:52Então, eles vão ir para dentro de escolas, eles vão estar usando banheiros compartilhados,
09:57por exemplo, com crianças de outras idades.
10:00Se a gente finge que aquilo dali não acontece, e acontece há milhares de tempos,
10:06a gente tem aí a Araceli como um grande símbolo do nosso Estado,
10:10se a gente fingir que isso não acontece, a gente está se negando a proteger.
10:14E a nossa função é a proteção.
10:16A gente trouxe o dado aqui no início, né?
10:18A gente falou de uma redução de aproximadamente 3 a 4%.
10:24Mas só que, infelizmente, esse número de denúncia é maior do que a gente imagina, Carol?
10:30Com certeza.
10:32A sub-identificação de casos de violência não tem precedentes.
10:36Ela é uma realidade concreta.
10:39A Manu trouxe uma informação muito importante, que a gente não é errado educar.
10:45Educar protege.
10:47Mascarar que é errado.
10:49É isso que expõe nossas crianças, né?
10:52E aí gera esses dados aí de mais de 500 casos.
10:54Nós não chegamos em junho.
10:56E o triste é que tem casos que nem foram denunciados.
11:01Nem foram denunciados.
11:02Que nem entraram para essa estatística.
11:04Porque, infelizmente, Roberta, a maior área de incidência de violência sexual
11:08contra crianças e adolescentes estão dentro dos lares.
11:11Ou com pessoas muito próximas.
11:13Num passado recente, o movimento de defesa das mulheres
11:19quis desconstruir aquele ditado popular de briga de marido e mulher,
11:23ninguém mete a colher.
11:23A gente também precisa desconstruir que pai e mãe podem educar da forma como quiser.
11:31Porque a gente também tem que interferir quando a gente sabe que uma criança está sofrendo violência.
11:37Garantir a proteção de uma criança é política de redução de danos de futuro.
11:42De adultos com menos problemas de saúde mental, mais conscientes do seu papel.
11:48Então, investir na infância, em política pública da infância, é obrigação prevista no Estatuto da Criança Adolescente.
11:55E, ainda assim, a gente tem muita dificuldade de garantir isso.
11:58E, rapidinho, vou só interromper.
12:01Ouvir, Roberta.
12:02A gente precisa ouvir as nossas crianças.
12:04Eu tenho uma pergunta sobre isso.
12:06Como que a gente consegue identificar se as nossas crianças estão ocultando alguma informação
12:12ou se elas estão trazendo uma verdade e a gente também não está prestando atenção?
12:16Daqui a pouquinho, você vai trazer essa resposta, viu, Satina?
12:19É porque amanhã, gente, a morte da menina Gabriele Vitória completa dois anos.
12:25A Gabriele, ela foi espancada e estuprada pelo padrasto.
12:30Eles viviam no interior do Estado.
12:32E essa é uma dor que a família, é claro, não consegue superar.
12:37Pela internet, eu vou conversar agora com a Fernanda, que é a tia da Gabriele.
12:41Fernanda, muito obrigada, mais uma vez, pela sua participação.
12:46Qual é o sentimento?
12:48Saber que amanhã, esse caso, esse triste caso, completa dois anos.
12:53Hoje, a gente está aqui fazendo esse alerta para muitas outras crianças.
12:57Quantas e quantas e quantas são vítimas, assim como a Gabriele foi.
13:02Qual é o sentimento, Fernanda?
13:05É um sentimento de tristeza, né?
13:08Porque dois anos, né?
13:10Esse ano, ela ia completar oito anos em fevereiro, foi muito triste.
13:14É uma semana que a gente fica muito triste, a família toda.
13:19A mãe estava se relacionando com o padrasto aproximadamente há seis meses, né?
13:26A família tinha percebido alguns sinais de que algo estava acontecendo de errado com a Gabriele?
13:34É porque ela começou a ficar com esse homem e depois ela mudou, ficou muito longe da família, né?
13:42Ficou seis meses sumida.
13:45E quando ela apareceu, já apareceu com a menina no hospital.
13:49Foi na hora do choque que a gente tomou.
13:51Então, quer dizer, a família, de uma forma em geral, os familiares ficaram sem muito contato, sem muita proximidade, né?
13:59Que eles foram morar ainda mais para o interior da região, não é isso?
14:03Isso.
14:05E nisso, quando vocês tiveram o contato, passados seis meses, foi o pior de todos, então, né?
14:12Que veio a notícia.
14:15Isso, porque aí, né?
14:16Ela deu a entrada no hospital falando que a menina tinha caído de bicicleta, mas na realidade não.
14:23A menina tinha sido estupada e espancada.
14:25Ela entrou no hospital às duas da manhã, né?
14:30No final da quinta-feira.
14:31No sábado, ela foi transferida para a Vitória.
14:34Aí, quando foi na quarta da outra semana, ela chegou a falecer.
14:38Mas ela encontra presa e o padrasto também.
14:42E o que mais choca todo mundo é saber que a mãe sabia de tudo.
14:48A mãe era conivente com tudo o que acontecia.
14:51De que forma que isso repercutiu aí na sua cidade?
14:55Aí, todo mundo ficou horrorizado, né?
14:58Todo mundo ficou horrorizado, porque ele ficou sumido durante 48 horas, o padrasto.
15:04Todo mundo saiu para poder procurar ele, porque todo mundo ficou em desespero, né?
15:08Então, a menina de seis anos, seis pancadas, estupadas, foi horrorizante.
15:13Fica com a gente, Fernanda.
15:14Já, já volto a falar com você.
15:16Só quero trazer esse ponto muito importante aqui para o nosso estúdio, com a psicóloga Sátina Pimenta.
15:22Sátina, quando a gente olha para os nossos pais, né?
15:25Para a nossa família, a gente tem um sentimento, é o que deveria ter de quê?
15:30De proteção.
15:31E aí, a gente imagina isso passando na cabeça da criança no sentido totalmente oposto.
15:36Não, ali eu não tenho proteção.
15:39Olha a fragilidade que essa criança se encontra.
15:43Sim, até peço desculpa por ter interrompido, mas é algo que é muito importante, sabe?
15:50As crianças, elas normalmente falam o que está acontecendo.
15:53Elas falam, Roberta.
15:55A gente que não quer ouvir.
15:56Ou a gente não quer ouvir por achar que é uma bobeira,
15:59ou a gente não quer ouvir porque a gente quer ter aquela pessoa ali do nosso lado
16:03e não quer admitir que aquela pessoa está maltratando o nosso pequeno, a nossa pequena.
16:09Então, por alguns motivos, a gente acaba não ouvindo.
16:13E aí, quando a gente para de ouvir, eles param de falar.
16:18E aí, cada vez mais, o abusador ganha mais força, mais poder.
16:23E aí, ele fala, você já falou com a sua mãe, ela nem te deu bola.
16:27Você vai tentar agora de novo?
16:29É mais fácil ela te mandar embora do que me mandar embora.
16:32Até porque sou eu que pago a conta da casa.
16:34Sou eu que faço isso, sou eu que faço aquilo.
16:36Porque a mulher, ela pode, inclusive, saber.
16:39Mas ela pode estar sendo ameaçada.
16:41Ela pode, inclusive, estar sofrendo violência, assim como aquela criança.
16:45E não conseguir fugir desse ciclo que está ali instaurado.
16:50Entende?
16:50Então, quando a gente fala sobre a necessidade dos locais que essa criança está vivendo, convivendo,
16:58ouvirem, é muito importante, escola, familiares, pais, colegas de amigos, que sejam,
17:05ouçam as crianças, porque elas falam.
17:08Elas só vão se calar se a gente parar de dar voz.
17:10Olha só o comentário da Marilsa.
17:12Ela fala que precisa, sim, educar crianças sobre a cultura do corpo, respeito com os outros.
17:18Mas ela também acha muito importante ensinar que existem pessoas ruins, até mesmo na família e amigos.
17:24E é preciso ensinar, é preciso ensinar a contar para a mãe, transmitir essa confiança.
17:30Essa palavra que a Marilsa está aqui falando com a gente, transmitir essa confiança.
17:35É essa a pergunta que eu queria te fazer.
17:37O que faz a criança se sentir confiante em contar aquilo para alguém?
17:44Por que eu digo alguém?
17:46Porque, às vezes, o abusador é o pai, é o padrasto, é a mãe.
17:50Então, o que faz ela ter essa confiança em relatar isso, às vezes, para a professora, por exemplo?
17:56Bacana.
17:58A criança vai se socializar em diversos espaços.
18:02E dentro desses espaços, a gente trabalha com a lógica de que ela tem...
18:07Eu converso com ela sobre tudo, tudo que dá para conversar, obviamente, né?
18:12Eu me coloco à disposição para sempre ouvi-la.
18:15Eu não tiro de lado e falo, ah, mas isso é bobeira.
18:20Então, eu dou importância para aquilo que é falado.
18:23Pode ser, desde a questão do abuso, como, por exemplo, é uma brincadeira.
18:27Então, meu filho está brincando e quer me contar uma história.
18:30Se eu começo a mostrar para ele que eu me desinteresso por aquilo que ele fala,
18:33ele vai parar de estar do meu lado.
18:35Ele vai parar de querer me contar as coisas.
18:37Coisas pequenas e coisas grandes.
18:41Está vinculado ao afeto também, né?
18:43A criança cria confiança quando ela se sente acolhida, quando ela se sente transmissão de afeto.
18:48E a escola tem um papel crucial nesse processo da rede intersetorial.
18:53A escola é o segundo lugar que a criança passa a maior parte da vida dela.
18:58Então, sentir-se acolhida no ambiente escolar, sentir-se amada no ambiente escolar,
19:03também dá a ela um local de confiança, de transmitir.
19:07Por isso que também é tão importante, quando isso que o Sátil traz,
19:09é a gente treinar os profissionais que têm contato direto com a criança,
19:15de saber acolher a demanda deles, de saber escutá-los,
19:19de permitir espaços que eles falem, né?
19:22E para além disso que você traz, a gente também tem uma outra coisa super importante.
19:26A gente tem no Brasil uma lei que chama-se Lei da Escuta Especializada,
19:30que é uma lei para garantir a não revitimização dessas crianças.
19:35Elas já foram violentadas, violadas, massacradas.
19:39E a gente tem uma lei que é para proteger ainda o pós, que não é posto em prática.
19:46E aí vira uma violência institucional ainda sobre as nossas crianças e adolescentes.
19:50Elas revivem toda essa dor.
19:52Elas revivem em todo momento isso.
19:54E não conseguem trabalhar a superação do trauma.
19:57Que já já a Sátil não vai explicar para a gente.
20:01Mas, Nay, você percebe isso na criação?
20:04Eu vejo o jeito que você tem esse carinho, esse afeto com as suas meninas.
20:09Às vezes que elas já participaram aqui com a gente no programa.
20:12Você tem essa troca com elas?
20:15E do outro lado, ainda mais quando tem uma que está começando a entrar na adolescência,
20:19há também essa verdade de lá para cá também?
20:23Então, a gente sempre fala, né?
20:25Eu até, de escola também, às vezes ela chega estranha, assim.
20:29Toda meio aquada.
20:30Eu falo, aconteceu alguma coisa?
20:31Conta para a mamãe o que aconteceu.
20:33Não, não é nada.
20:34Então, assim, tudo a gente vai perguntando.
20:35Porque até mesmo na escola a gente tem que perguntar.
20:38Porque, por exemplo, a minha estuda pelo integral o dia inteiro.
20:40Ela está na escola de manhã, toma um banho na escola.
20:43Aí eu pergunto, quem te dá banho?
20:45Por mais que a gente saiba, mas eu quero ouvir da boca dela quem dá o banho.
20:50Quem é que está com você?
20:51Quem te acompanha?
20:52Quem vai no banheiro?
20:53Essas coisas assim.
20:54A gente tem que ficar de olho também.
20:55E aprender, foi aquilo que ela falou, ouvir as crianças.
20:58A gente tem que ouvir.
20:58A criança não vai mentir.
21:00Às vezes a mãe e a criança falam, para com isso, menina.
21:02Você está mentindo?
21:03Obeirece.
21:03E a criança acaba não querendo falar, né?
21:06Igual a minha.
21:07A minha está com 10 anos.
21:07Já foi que já está na pré-adolescência.
21:09A mulher já está naquela fase, assim, e a gente fica mais de olho ainda.
21:12Porque tem os exemplos das outras colegas.
21:14Convive com várias classes sociais, com vários tipos de pessoas.
21:17Então, a gente fica de olho, né?
21:19Tem que ficar esperto.
21:20Por exemplo, quer ir para a escola sozinha.
21:21Eu falei, você não vai para a escola sozinha.
21:22Enquanto tiver condições de levar e te buscar, você vai.
21:25A gente, seu pai vai te buscar e vai te levar.
21:27Você não vai sozinha.
21:28Porque nesse decorrer do caminho, a gente não sabe.
21:30Se passa uma pessoa, se passa, se conversa com alguém.
21:33Não sei, o tio dali, o fulano daqui, para e conversa, né?
21:37Não, toma uma bala, toma um brinquedo, toma um boneco.
21:40Então, assim, a gente fica preocupado.
21:41Então, eu prefiro levar e trazer.
21:43E conversar constantemente.
21:44Não só eu, mas igual a minha mãe também.
21:45Minha mãe também conversa muito com elas.
21:47Minha mãe, né?
21:48Fala muito com elas sobre isso.
21:50Estuda essa parte também da psicologia infantil, né?
21:53De você aprender a falar, de você ouvir as crianças, né?
21:57Essa parte toda.
21:58Perfeito, Nay.
21:59Para a gente finalizar, o nosso tempo está acabando.
22:01Carol, vamos falar da importância da denúncia?
22:03Vamos.
22:04Sempre importante.
22:07Denunciar é a forma de a gente que tem melhor para ajudar.
22:11A gente não precisa ter confirmação da violência.
22:13Caso suspeitos também precisam ser denunciados.
22:16Suspeitos são confirmados.
22:18A gente tem diversos canais, né?
22:21190 sempre.
22:23Disque 100, que é o Disque do Governo Federal.
22:26O 181 da SESP, da Segurança Pública.
22:29E o Conselho Tutelar do seu território.
22:31O Conselho Tutelar tem uma função importantíssima no acolher esse comunicado e disparar para a rede de proteção.
22:39Então, sempre nos procurar.
22:41A gente nunca vai ter, Roberta, a fórmula mágica e exata do sucesso pleno da não violência.
22:48Mas passa exatamente porque a Nara falou, diálogo com as crianças.
22:53A gente precisa conversar com os nossos filhos.
22:56Entregar um celular e não participar desse processo.
22:59A tecnologia está aí para ser usada, mas a gente tem que estar junto com as crianças nesse momento.
23:04Então, a conversa entre famílias é o caminho para a prevenção.
23:11Perfeito, gente.
23:12Muito obrigada pela participação de vocês.
23:14Se deixasse, a gente tinha assunto aqui, uma tarde inteira.
23:17Um beijo, viu?
23:18Dá um beijo para os meninos, tá?
23:20Tchau, gente.