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Aprenda como denunciar a importunação sexual
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NotíciasTranscrição
00:00Um idoso de 66 anos foi preso por importunar sexualmente uma mulher dentro de um ônibus de viagem.
00:08Esse crime absurdo aconteceu em um ônibus que saiu de Afonso Cláudio com destino à rodoviária de Vitória.
00:15E segundo a vítima e também as testemunhas que estavam ali no ônibus, o homem passou a mão nas pernas
00:22dela
00:23e ele chegou até deitar no colo da mulher, gente.
00:26Hoje, chegando na rodoviária em Vitória, a polícia militar já guardava o ônibus e prendeu esse idoso.
00:34Ele na hora negou o fato para todo mundo ali da polícia, mas acabou sendo autuado por importunação sexual
00:42e encaminhado, viu, ao centro de triagem de Viana.
00:46E a gente vai falar sobre esse assunto aqui no nosso programa porque eu tenho certeza que você aí de
00:51casa nunca sofreu isso.
00:52Graças a Deus, eu espero que não, mas conhece alguém que tem uma história parecida.
00:56Não é verdade?
00:58Infelizmente.
00:58E aqui no nosso estúdio eu recebo então Vitória Cordeiro Clem, que foi a vítima que sofreu essa importunação
01:06que a gente acabou de contar.
01:07Obrigada pela sua participação.
01:09Boa tarde.
01:10Boa tarde.
01:10Larissa Lobo, que é psicóloga, também muito obrigada, Larissa, pela sua presença aqui no Fala Espírito Santo.
01:15Doutora Ana Maria, advogada, que também vai participar com a gente.
01:18Ela vai contar se isso é crime, que a gente já sabe que é, qual é a tipificação.
01:23Mas antes eu queria entender, queria saber como é que está o seu sentimento depois de tudo isso que você
01:28enfrentou.
01:30Desde ontem, tá?
01:31Aquele sentimento de angústia, aquele sentimento de julgamento das pessoas, aquela falta de ansiedade atacada,
01:38porque é algo agora que vou ficar com medo todos os dias isso acontecer, seja andando no dia a dia,
01:46seja novamente uma viagem.
01:48E é um meio de transporte que você usa praticamente todo mês?
01:52Todo mês, às vezes duas vezes do mês, às vezes três.
01:57Você está com medo agora?
01:59Então, um certo medo, um certo receio.
02:04E você já tinha vivido essa situação em algum momento, em outras situações também?
02:11Por exemplo, a gente estava até conversando antes aqui nos bastidores, né?
02:14No dia a dia, se você, no coletivo, aqui dentro da Grande Vitória...
02:18Sempre acontece, né?
02:20Você está utilizando o Transcall, o Pá, você dá aquela roçada em você, aquela encostada, aquela apalpada.
02:28Hoje, eu já não utilizo tanto mais o transporte público, por conta disso.
02:33Por conta disso.
02:34E o que que te fez, dessa vez, reagir?
02:37Foi o incentivo de outras mulheres que estavam no coletivo.
02:41Porque, acredito que não fossem elas que me incentivassem, eu provavelmente teria deixado passar mais uma vez.
02:49E aí, a gente está praticamente todo mês, doutora Ana Maria, divulgando, assim como a Vitória, outros casos, chega a
02:59embrulhar o nosso estômago, né?
03:01Como mulher, ou então, até mesmo espero que os homens, homens também de verdade, também achem isso um absurdo, é
03:07de embrulhar o estômago.
03:09E a gente se pergunta, até quando a gente vai ver esse tipo de cena se repetir, doutora?
03:16Então, Roberta, esse é um tema bastante relevante.
03:20Ele costuma até voltar muito em épocas de carnaval, e é importante que ele volte, é importante que ele seja
03:25debatido.
03:27A importunação sexual, nesse formato que a gente tem hoje, é um crime, de certa forma, novo, porque ele é
03:34de 2018.
03:35Então, é uma lei que está aí, pertinho da gente.
03:38É importante que as pessoas entendam que existe, sim, um aspecto cultural que precisa ser revisto.
03:44E que todo ato sexual, por mais simples que seja um beijo roubado, uma mão boba, como a gente costuma
03:54chamar,
03:55todo aquele ato que tem a participação de outras pessoas, ele necessariamente precisa da anuência das outras pessoas.
04:03O que é isso? Precisa haver uma concordância, precisa haver uma reciprocidade.
04:09Ele é um crime que tutela a liberdade sexual, que é justamente a liberdade de ter esses atos, praticar esses
04:16atos, com quem quiser e se quiser.
04:19Então, por isso, sempre que não há anuência, é importunação.
04:24E é tão importante a gente frisar essa palavra, importunação sexual, porque muita gente confunde com assédio.
04:30Mas não, é importunação, né, doutora? Explica pra gente, assim, rapidamente a diferença.
04:35Exato, não é assédio. A gente ouve muito, até por conta de filmes, né?
04:39Sempre quando se fala em uma investida sexual não autorizada, se fala em assédio.
04:45Mas o crime de assédio, ele necessariamente implica uma relação de hierarquia entre o autor e a vítima.
04:52É o que acontece, por exemplo, quando essa investida ocorre no trabalho, né?
04:57Um chefe que age dessa forma com uma subordinada, né?
05:03Ou, às vezes, até numa fala.
05:05Olha, se você não fizer algo comigo, você não vai ter uma promoção.
05:11Então, o assédio, ele precisa necessariamente dessa relação de hierarquia.
05:17Larissa Lobo, já deu pra sentir na fala da Vitória o quanto que ela está carregando, né, os traumas, as
05:24consequências disso que ela já falou que já parou de andar de coletivo aqui na Grande Vitória.
05:30E agora, infelizmente, vem mais um caso, né, que a gente consegue sentir o drama dela.
05:37O que que isso pode ir ocasionando na vida, não só da Vitória, mas de outras mulheres que venham a
05:42sofrer?
05:43Vamos lá.
05:44Primeiro, sinto muito que você tenha passado por isso.
05:48É, assim, é bom até a gente frisar, Betta, que tem até uma naturalização.
05:54Então, assim, nesse caso, ela reagiu porque ela teve incentivo, ela teve um suporte, um acolhimento de outras pessoas,
06:01que provavelmente não existiu em outros casos pelos quais ela passou.
06:04E provavelmente, em outros casos que ela passou, houve até a naturalização desse assédio.
06:09Então, a primeira coisa que eu acho importante frisar é não naturalizar quando ocorrer.
06:15E as consequências são justamente o que a gente está vendo na vítima, né?
06:19É o rebaixamento do humor, uma ansiedade disfuncional pelo receio de acontecer novamente,
06:24porque essas importunações, elas geram uma sensação de vulnerabilidade gigantesca,
06:29porque a pessoa está sozinha, às vezes a primeira reação não é se defender por receio, por medo de qual
06:35vai ser a reação dessa outra pessoa.
06:38Então, gera-se uma ansiedade disfuncional daquilo acontecer novamente, acontecer em um outro ambiente,
06:44de não conseguir se proteger de o que mais grave poderia ter acontecido.
06:48Então, a gente tem muitos reflexos no estado emocional da pessoa, desde o rebaixamento de humor ou de uma ansiedade
06:54disfuncional,
06:54na parte da autoestima também, que pode ficar um pouco abalada, dependendo de como essa história é propagada,
07:02se existe uma culpabilização dessa vítima, isso pode gerar um dano, um abalo na autoestima dela, na autoconfiança,
07:09pode modular novos comportamentos.
07:11Então, se ela deixa de pegar aquele ônibus, ou se ela passa a não se expor tanto socialmente, deixar de
07:17sair de casa,
07:17então a gente tem uma gama gigantesca de possibilidades de reflexos negativos nesse emocional e nesse comportamental da vítima.
07:24Vitória, você estava sozinha no ônibus, sozinha que eu digo assim, não tinha amiga, não tinha parente, não tinha ninguém
07:29viajando com você.
07:30Não, não.
07:31Tinha só uma conhecida, mas ela estava mais à frente, mas a gente não tem tanto contato assim.
07:37E o que te encorajou na hora para reagir?
07:41Eu acho que se eu não me exaltasse, como eu me exaltei dentro do ônibus, eu acho que ele não
07:46pararia.
07:48Então, assim, foi algo mesmo para a minha defesa.
07:52E isso aconteceu, você no trajeto então de Afonso Cláudio até Vitória.
07:57Eu fico me colocando no seu lugar, você ainda ter que enfrentar uma viagem com esse sujeito dentro do ônibus.
08:04Porque tudo começou já quase na saída de Afonso Cláudio, mais ou menos na altura de São Luís.
08:09Quando ele já começou a fingir que estava dormindo e encostando em mim.
08:14E eu empurrando ele e ele voltava.
08:17Eu pedi várias vezes para ele parar de encostar em mim.
08:21Ele até um certo momento ele parou.
08:23Só que depois acabou que, como eu tinha tomado um remédio para a minha ansiedade, para poder descansar um pouco,
08:29eu acabei pegando no sono.
08:31E quando eu acordei, ele já estava me apalpando nas minhas pernas.
08:38Meu Deus, é inacreditável isso, né?
08:40Dói para a gente ouvir, imagina para ela viver tudo isso.
08:44Pela internet, a gente também vai convidar agora aqui, para o nosso bate-papo, a Adriana Aparecida Martins.
08:50Ela também já foi vítima de importunação sexual dentro de um coletivo.
08:55Boa tarde, Adriana. Obrigada pela sua participação.
08:59Conta para a gente como é que foi.
09:00O que aconteceu com você na época?
09:04Boa tarde, Roberta.
09:07Então, comigo foi um caso, assim, até bem parecido com esse.
09:11Eu embarquei no Transcol, no centro de Vila Velha, com destino a Campo Grande.
09:16E a pessoa que eu sentei ao lado dele, ele já estava no coletivo.
09:20E ele começou também a se encostar muito em mim, né?
09:24E até assim, de uma forma que começou a ficar exagerado, né?
09:28Não era natural mais.
09:30E eu tentava, assim, olhava para ele, tentava fazer uma...
09:34Ficar séria para ver se isso ia fazer ele parar, mas ele não parava.
09:39Até que eu também senti a mão dele, eu estava com os olhos fechados, recostada.
09:43Eu senti as mãos dele encostando na minha coxa.
09:46E aí eu abri os olhos e eu vi que ele estava tentando me abraçar.
09:49Eu levantei e nesse momento, assim, as pessoas que estavam no ônibus, os rapazes, eles interviram, eles vieram na minha
09:57defesa, né?
09:58E eu acabei indo mais para o fundo do ônibus, saindo daquela situação.
10:03É uma situação, assim, que você demora para...
10:06Parece que não está acontecendo com você, é uma situação difícil de entender no momento.
10:09Você ficou meio perdido, meio paralisado, né?
10:12Mas, graças a Deus, eu tive muita ajuda, as pessoas me defenderam, né?
10:17E o motorista seguiu com o ônibus, não permitiu que ele desembarcasse, não abriu as portas, né?
10:24Quando abria para alguém desembarcar também, os passageiros impediram ele desembarcar.
10:28E a gente seguiu a delegacia de Campo Grande, onde ele foi preso.
10:32Isso que eu ia perguntar, né?
10:33De que forma que as pessoas dentro do coletivo se comportaram?
10:36Então, você se sentiu amparada pelas pessoas que estavam lá também, pelos outros passageiros?
10:42Sim, eu fui amparada, fui encorajada, porque, sinceramente, não sei se eu, se não fosse o encorajamento das outras pessoas,
10:50se eu teria tomado essa atitude.
10:52Eu não sei no momento se eu teria coragem, acredito que não.
10:55Então, eu fui muito encorajada também, né?
10:57A seguir adiante, a ir até a delegacia para registrar a queixa, né?
11:02E levar o caso adiante.
11:04Muito importante a gente tocar nesse assunto.
11:05Já volto a falar com você, Adriana.
11:07Eu quero saber, antes de eu até trazer uma pergunta aqui para a Larissa Lobo,
11:11quero saber se você recebeu o apoio também das pessoas que estavam dentro do ônibus.
11:16Recebi.
11:17Graças a Deus, eu tive um apoio muito grande dos passageiros, principalmente das mulheres.
11:22Me apoiaram, me acolheram.
11:24E os homens, Vitória?
11:26Os homens, teve dois rapazes que, eles me ajudaram pedindo para o rapaz,
11:31esse senhor está saindo de perto de mim, me deixar quieta, eles ajudaram nisso.
11:36Mas também teve aqueles que criticaram.
11:38Quando cheguei na rodoviária, que os passageiros deixaram eu passar à frente,
11:43um senhor também, que estava lá à frente, falou,
11:46eu não sei para que é tanto circo, não tinha necessidade disso tudo.
11:49Então, assim, é algo que já traz para a gente aquele sentimento de
11:52eu vou ficar calada para evitar mais julgamento.
11:57Larissa, qual é a importância?
11:59Porque, às vezes, quem está em casa agora acompanhando, pensa assim,
12:02mas eu nunca, graças a Deus, isso nunca aconteceu comigo.
12:05Mas para quem presencia uma cena como essa, seja no coletivo, seja na fila do banco,
12:11locais públicos, aonde quer que seja, para quem presencia uma cena como essa,
12:16qual é a importância, seja homem ou mulher, de fazer o acolhimento dessa vítima?
12:22Então, como a gente mencionou anteriormente, normalmente quando tem esses casos
12:27gera um sentimento de vulnerabilidade gigantesco.
12:29Se a pessoa está lidando sozinha, em estado de alerta, está abalada, está confusa,
12:35os pensamentos completamente acelerados, sem saber muito o que fazer,
12:38fica muito mais difícil para essa pessoa tomar uma decisão de se defender,
12:42ou de denunciar, de lidar pelo tempo que for necessário, a seguir uma viagem sozinha.
12:48Então, é importante que as pessoas ao redor acolham justamente para que ela tenha esse amparo
12:53para caso ela decida denunciar ou para tirar essa vítima de perto da pessoa,
13:00tirar essa vítima de perto do assediador.
13:03Então, é importante que as pessoas ao redor acolham para ela ter condições de se movimentar
13:08de alguma maneira, e até para incentivar, incentivar a denunciar, incentivar a se defender,
13:13até para se posicionar em contra, porque é importante o nosso papel enquanto sociedade
13:18que a gente se posicione contra esses casos.
13:21Então, tem esse papel enorme de acolher, para incentivar ela a se defender, a denunciar,
13:28a buscar o que é correto, o que existe dentro da nossa justiça,
13:32e até para a gente, enquanto sociedade, ir inibindo mais esses comportamentos,
13:37do que quando a gente assume essa postura de espectador, isso acaba incentivando.
13:43Se essa pessoa sabe que ela não vai ter nenhum retorno desse comportamento,
13:48ela vai se sentir mais autorizada, entre algumas aspas, para repetir esses comportamentos.
13:54Igual esse senhor falou para ela, que acaba que naturaliza, qual é a necessidade desse circo todo.
14:01Infelizmente, a gente vê que a sociedade acha isso, ainda mais a gente está aqui para mudar,
14:09ainda acha isso normal, nós não somos objetos, nós não somos.
14:14Agora, doutora Ana Maria, a partir desse momento, dali em diante, o que a vítima tem que fazer,
14:20qual é a obrigação também da empresa, do motorista?
14:25Vamos lá, a gente teve um ganho muito grande, de uns anos para cá, em relação à legislação dos crimes
14:31sexuais,
14:32é que eles deixaram de ser a ação penal pública condicionada à representação, o que é isso?
14:37A vítima, ela necessariamente precisava externar o seu desejo de processar aquele criminoso.
14:43Para uma ação penal pública, então hoje, o Ministério Público, a autoridade policial,
14:49tomando conhecimento desse fato, ele tem a obrigação legal de apurar,
14:54ainda que a vítima não externe essa vontade.
14:57Existe a obrigação legal do Estado de fazer algo, de movimentar criminalmente aquela pessoa.
15:04Está certo?
15:05Eu queria fazer um alerta aqui, Roberta, que eu acho que é muito importante,
15:08levando em consideração essa fala dela aqui hoje.
15:11A diferença entre o crime de importunação e o crime de estupro é a violência ou grave ameaça.
15:18Então, por exemplo, se alguém toma um remédio, não foi o caso de hoje,
15:23mas perde os sentidos a ponto de ficar desacordada,
15:29e aquela pessoa investe contra quem está desacordado,
15:34quando a gente entende que está incapaz de qualquer reação,
15:37isso não é mais importunação, isso é estupro.
15:40Porque nesses casos, assim como nos casos de menores de 14 anos, a violência é presumida.
15:47Então, no caso dela, que ela tomou o remédio porque ela estava com crise de ansiedade,
15:54tratando isso dentro do ônibus, ela ainda pode entrar como um crime de estupro, doutora?
16:01Nos casos em que a pessoa se encontra impossibilitada de qualquer tipo de reação,
16:06ou seja, de manifestar a sua anuência ou não àquele ato,
16:10no caso em que a pessoa está desacordada, seja por embriaguez,
16:15seja, por exemplo, se a pessoa tem alguma deficiência mental,
16:18que não consegue anuir, não consegue externar a sua vontade,
16:22essa violência que não precisa ter existido, ela passa a ser presumida.
16:26Então, configura-se o crime de estupro e não mais a importunação.
16:30E olha, aqui no nosso Facebook, várias mulheres também desabafando,
16:36é o caso da Elza Araújo, ela fala,
16:38eu já sofri diversas vezes, mas em todas as vezes eu reagi.
16:43E ela disse que ter medo é pior.
16:46A Maricida Borges também comenta, fala,
16:49é revoltante essa safadeza desse senhor, nojento.
16:53A Cris Martins também participa com a gente,
16:55ela diz, uma vez o cara começou a se esfregar em mim.
16:58A minha reação foi gritar dentro do ônibus.
17:02Ele, assustado com a minha reação, deu um sinal e desceu do ônibus
17:06quando o ônibus parou.
17:07E aí, a gente vê, Larissa, que mulheres se calam.
17:11Infelizmente, né?
17:12A gente está falando aqui da importância, os números.
17:15Inclusive, olha só, nós perguntamos à Secretaria de Segurança
17:19daqui do Estado os números de crimes de importunação sexual em ônibus.
17:24E neste ano foram registrados quatro casos.
17:28Em todo o ano passado foram 18 casos, mais de um caso por mês.
17:34A SESP pede que as vítimas registrem o boletim de ocorrência sempre
17:40para que os casos sejam investigados.
17:44Vamos lá, 18 casos no ano passado.
17:50É possível isso?
17:51Claro que não.
17:53Foram muito mais casos do que 18.
17:55A gente volta mais uma vez na tecla.
17:57Só que a gente contou quantos casos, né?
18:00A gente mostrou aqui o da Vitória,
18:03o da outra telespectadora também, a Adriana,
18:05que entrou com a gente aqui também por ligação de vídeo.
18:08E aí a gente se pergunta, por que tem ainda mulheres que se calam?
18:12Que não tem coragem.
18:14É o quê?
18:14É o medo da situação?
18:16Exatamente.
18:17É justamente a falta de coragem.
18:20É o medo.
18:21Porque não se sabe qual vai ser a reação da pessoa.
18:24Se vai ser diante da negativa,
18:26se ele vai se tornar mais agressivo,
18:28se ele vai tentar alguma abordagem pior, mais intensa.
18:32Qual vai ser a reação das pessoas do entorno?
18:35Então, quando o senhor tem essa fala absurda com a vítima, por exemplo,
18:38o que isso ensina?
18:39O que isso mostra?
18:40Então, das próximas eu não vou nem reagir.
18:42Porque eu vou sofrer dois traumas.
18:44Além de eu sofrer o trauma da importunação em si,
18:47eu ainda vou ser julgada,
18:48ainda vou ser culpada pelo que eu sofri.
18:51Então, isso faz com que a mulher,
18:52diante de uma situação dessa,
18:54ela acabe não sabendo como lidar
18:56e às vezes escolhendo se calar,
18:59escolhendo não denunciar,
19:00escolhendo não gritar,
19:02escolhendo não pedir ajuda
19:03pelo receio do comportamento se agravar
19:05e pelo receio de ser violada novamente
19:09pelas pessoas ao entorno.
19:11Nesse trajeto ainda,
19:13cerca de duas horas de viagem
19:15de Afonso Cláudio para Vitória,
19:16duas horas, duas horas e trinta,
19:17três horas e meia.
19:19O que que te deu mais medo?
19:22Foi o medo mesmo final, assim,
19:25foi dele sair do outro lado da poltrona,
19:28tentar novamente alguma coisa
19:30vindo para cima de mim,
19:31porque às vezes o medo da nossa reação
19:34é a reação da outra pessoa,
19:36porque quando mesmo eu não quis expor
19:39essa situação,
19:40cheguei até a postar alguma coisa,
19:42mas entre amigos,
19:43na rede social,
19:45por conta desse julgamento de tudo.
19:47Então, assim,
19:48se a mulher possivelmente
19:50tivesse tido alguma reação com ele,
19:52ele poderia tentar reverter a situação,
19:54como ele tentou na reportagem anterior,
19:56dizendo que ele estava achando
19:58que a bolsa dele estava comigo.
20:00Então, traz todo esse medo para a gente,
20:02da pessoa tentar reverter a situação.
20:06Deixa eu voltar a falar com a Adriana,
20:07que ela também já enfrentou isso,
20:09só que dentro de um coletivo aqui na Grande Vitória.
20:12Adriana, o que que mudou, né,
20:14no seu comportamento,
20:15o que que você precisou mudar
20:16para garantir um pouco mais de segurança?
20:19Roberto, assim,
20:21é complicado quando a gente precisa
20:22do coletivo todos os dias, né,
20:24mas, assim,
20:25hoje em dia eu evito bastante
20:27quando eu vou me sentar,
20:29eu evito bastante sentar perto de homem, né,
20:31então, porque já tem aquele sentimento.
20:34E quando alguém encosta,
20:35às vezes até mesmo acidentalmente na gente,
20:38a gente já cria essa defesa,
20:40autodefesa,
20:41achando com medo da pessoa estar
20:43tentando se aproveitar,
20:45tentando, né,
20:47tentando importunar novamente.
20:49Então, assim, a gente,
20:50eu tenho que usar o coletivo todos os dias,
20:52mas hoje, assim,
20:53eu procuro avaliar melhor, assim,
20:55quem, perto de quem eu fico,
20:57já troquei de assento, né,
20:59para evitar essas situações.
21:01E não tem como, né,
21:02é um medo que vai,
21:03vai estar com a gente para sempre.
21:06Tá certo, Adriana,
21:07obrigada pela sua contribuição
21:09aqui no Fale o Espírito Santo,
21:11recebam o nosso abraço,
21:12obrigada pela confiança aqui no nosso trabalho,
21:14viu, um beijo para você.
21:16A gente está o tempo inteiro se adaptando, né?
21:19Viu ali a Adriana falando que
21:20a gente tem que,
21:22ela busca uma outra cadeira,
21:24e às vezes se desconfia de algo,
21:27já muda a posição ali dentro do coletivo,
21:30ao invés da sociedade,
21:32ao invés das pessoas que têm
21:34esse costume,
21:36ao invés delas se modificarem, né?
21:38Acaba que a vítima que tem que,
21:39mais uma vez,
21:40se adaptar, Larissa.
21:42Sim, a vítima acaba tendo que adotar comportamentos
21:44para tentar se proteger,
21:47para tentar evitar,
21:48isso acaba, assim,
21:50diminui as chances dependendo do comportamento,
21:52então, se ela realmente não senta perto de homens,
21:54se ela opta por ficar perto de mulheres,
21:56ou, né,
21:57se ficar mais atento,
21:58às vezes até parar de pegar o coletivo
21:59quando a pessoa tem a possibilidade,
22:01porque não é a realidade de todo mundo.
22:04mas ela pode ter também comportamentos,
22:07adaptação e mudança de comportamentos
22:08que são mais desfuncionais,
22:10de se isolar,
22:11de não querer ter contato com outras pessoas,
22:15e mesmo diminuindo as chances,
22:18mesmo ela tomando comportamentos
22:20para tentar se defender,
22:22para criar um ambiente de mais segurança,
22:23isso ainda não é garantido
22:24que nunca mais vai acontecer,
22:26porque ela pode estar no ambiente de trabalho,
22:29ela pode estar na rua,
22:30ela pode estar em qualquer ambiente,
22:31pode acontecer,
22:33então,
22:33não é somente a mulher,
22:35realmente a mulher mudar o comportamento,
22:37é assim,
22:37a gente garantir, né,
22:38e tudo mais,
22:40é garantir não,
22:40perdão,
22:41a gente tentar adotar comportamentos de segurança,
22:44mas isso não é garantido
22:45de que a gente não vai sofrer
22:46nenhum tipo de importunação.
22:48Agora,
22:48para a gente finalizar,
22:49doutora Ana Maria,
22:50esse senhor já foi encaminhado
22:51para o centro de triagem de Viana,
22:53e ele pode pegar,
22:55qual é a pena, né,
22:55até quanto tempo de cadeia,
22:57como é que fica?
22:58A pena hoje,
22:59para o crime de importunação,
23:01é de 1 a 5 anos,
23:02é um crime que a autoridade policial,
23:05ela não pode arbitrar fiança,
23:07porque a pena máxima é superior a 4 anos,
23:09então,
23:10ele sendo preso,
23:11por exemplo,
23:11o delegado não pode arbitrar fiança,
23:13então,
23:13ele vai para o presídio,
23:14ele tem que passar pela audiência de custódia,
23:17onde,
23:17se houver fiança,
23:18ela vai ser arbitrada pelo juiz,
23:21né,
23:21e aí,
23:22com a análise dessa prisão,
23:23ele pode ser,
23:24pode ser decretada uma prisão provisória para ele,
23:26ou ele pode ser posto em liberdade,
23:29mediante algumas condições,
23:30essa análise deve estar sendo feita hoje.
23:33Olha,
23:34a gente tem aqui o comentário,
23:36do Gilberto Marcelino,
23:38que bacana ter uma participação masculina,
23:40ainda mais para esse assunto,
23:41ele está aqui encorajando,
23:43falando,
23:43mulheres têm que gritar,
23:45coloca a boca no trombone,
23:46sim,
23:47chamar a atenção,
23:48chamar a polícia,
23:49a gente precisa sempre pensar,
23:53né,
23:53na nossa segurança,
23:54na nossa saúde mental,
23:56e a gente agradece,
23:58por você ter confiado no nosso jornalismo,
24:00ter vindo aqui no Fala Espírito Santo,
24:02e ao mesmo tempo,
24:03encorajar outras mulheres,
24:05que já passaram por isso,
24:07ou então,
24:07quem ainda,
24:08né,
24:09infelizmente,
24:09venha a sofrer uma importunação sexual,
24:12a colocar a boca no trombone,
24:14como disse o Gilberto Marcelino,
24:16que é um telespectador,
24:17um homem que sempre acompanha o Fala Espírito Santo,
24:19Obrigada,
24:19viu, Vitória,
24:20pela sua participação.
24:20Eu que agradeço a oportunidade,
24:22tá,
24:23mostrando isso aqui,
24:23encorajando mais mulheres,
24:25a denunciarem,
24:26porque,
24:27um dos nossos maiores medos,
24:28é denunciar,
24:28e não dar em nada,
24:29e realmente dá,
24:31é só a gente buscar,
24:32e ir atrás.
24:33Tá certo,
24:33obrigada pela participação,
24:35de todas vocês,
24:36viu,
24:36e olha só,
24:37a Águia Branca,
24:38empresa do ônibus,
24:39onde o caso aconteceu,
24:41informou,
24:41viu, gente,
24:42que instrui os motoristas,
24:44para lidarem nessas situações,
24:46e contribui com as autoridades,
24:48policiais,
24:49em casos de importunação sexual,
24:52como ocorrido.
24:53A empresa,
24:54inclusive,
24:55lamenta,
24:55e se coloca à disposição da polícia,
24:57para fornecer,
24:58qualquer informação,
25:00que ajude,
25:01na resolução do caso.