00:00A Priscila sofreu abuso sexual durante a infância e adolescência.
00:04O abusador era um familiar.
00:06A violência que sofreu marcou e prejudicou diversas fases da vida dela.
00:11Eu gostava de me isolar, eu gostava de me mutilar, de me machucar.
00:17Você sente nojo de você mesmo, você sente culpa.
00:22E isso desencadeou sérios problemas na minha vida toda.
00:26Eu tive déficit de atenção, dificuldade de aprendizado.
00:31A enfermeira conta que na época chegou a dizer o que estava acontecendo,
00:35mas não foi levada a sério pelos familiares mais próximos.
00:38Hoje, ela tem 40 anos.
00:40A 5 faz tratamento psicológico.
00:43Para ela, é fundamental ouvir as crianças.
00:47Preservar a criança, proteger a criança, você vai estar salvando a vida dela.
00:53Eu costumo até dizer que se fosse para eu ter vivido, passado pelos sentimentos ruins que eu passei durante a
01:03vida toda,
01:03eu preferia nem ter sobrevivido para contar essa história.
01:08Então, hoje eu conto essa história pedindo e fazendo apelo mesmo para que os pais tenham esse olhar para o
01:15seu filho,
01:16tenha mais amor e mais atenção pelo seu filho.
01:18A história da Priscila se soma de tantas outras pessoas que já passaram e passam por abuso e exploração sexual
01:26infantil.
01:26Em todo o ano passado, foram 856 casos de estupro de vulnerável de crianças e adolescentes de 0 a 17
01:35anos.
01:35Neste ano, de janeiro a abril, o número já chega a 284.
01:40E esses são os casos conhecidos, mas há muitas crianças que ainda sofrem em silêncio.
01:46Por isso, é necessário e primordial prestar atenção aos sinais.
01:51A gente consegue identificar numa criança, por exemplo, mudanças bruscas de comportamento,
01:57a criança se retrair bruscamente, repentinamente.
02:02Com pessoas do convívio, a criança se manifesta de uma forma violenta, ou agressiva, ou agitada.
02:10O trabalho de prevenção e orientação tem que ser feito desde cedo.
02:14É o que acredita a coordenadora pedagógica do Serviço de Engajamento Comunitário.
02:20Através do diálogo, que são as rodas de conversa, através das atividades,
02:24que, por exemplo, para a educação infantil, que é a faixa menor, faixa etária menor,
02:27são através de dinâmicas lúdicas.
02:30Com os adolescentes, já é mais direcionado, mas sempre levando para eles a questão da confiança.
02:36Você demonstra quais são os atos, quais são as atitudes, leva informações aonde ele pode perceber o risco que ele
02:43pode estar correndo
02:44e qual é a forma de prevenção, aonde ele pode ir buscar auxílio e orientação para que aquilo não venha
02:49a ocorrer.
02:50A instituição atende cerca de 250 crianças em situação de vulnerabilidade social e é apoiada pelo Instituto Américo Boaz.
02:59Aqui, o acolhimento é a palavra de ordem.
03:03Segundo a Dani, o mesmo deve acontecer em casa.
03:06Quando os responsáveis, eles mantêm um diálogo aberto, demonstrando para a criança,
03:12olha, você pode ficar à vontade em procurar a mamãe para conversar, o papai ou a titia, ele não vai
03:17procurar o externo.
03:19Então, quando você percebe que alguma coisa na criança, o comportamento, a fala, o acanhamento, muitas vezes, não está legal,
03:26há algo que a criança quer te dizer e que ela está procurando uma forma, uma confiança,
03:30ou seja, onde ela se sinta confortável para que ela venha a tocar no assunto.