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  • há 3 semanas
Desafios da internet colocam a vida de adolescentes em risco

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Transcrição
00:00Presta atenção, pai, mãe, avô, avó, nesse alerta que a gente vai fazer.
00:05Isso é muito, muito importante.
00:07Nós já falamos aqui no programa sobre as mortes causadas pelos desafios da internet.
00:15Mais uma criança morreu.
00:17Dessa vez foi nos Estados Unidos.
00:19Jacob Stevens, de 13 anos.
00:22Ele tomou, gente, 12 comprimidos de antialérgico para um desafio do TikTok.
00:30O objetivo era o quê com isso, Roberta?
00:32Era gravar as reações dele tendo alucinações.
00:36Mas ele não resistiu à alta dose do medicamento.
00:40O pai do adolescente contou que os amigos, os amigos filmavam, né, Jacob?
00:47Quando ele começou a ter convulsões e não resistiu.
00:52E olha só, se você pensa que isso acontece lá nos Estados Unidos, está enganado.
01:00Em junho do ano passado, a Maitê, de apenas 15 anos, foi vítima desses desafios na internet.
01:08Esse caso, minha gente, aconteceu em Itapuá, em Santa Catarina.
01:13A gente vai conversar agora com a mãe da Maitê, a Sandra Regina.
01:18Sandra Regina, muito, muito obrigada pela sua participação em abrir o seu coração de mãe
01:25para fazer esse alerta aqui para os nossos telespectadores capixabas que estão acompanhando o programa.
01:33E eu queria que você começasse falando como é que tem sido a sua vida de 10 meses para cá.
01:40Boa tarde, obrigada pela oportunidade do programa.
01:44A minha vida mudou, na verdade, né?
01:46Não tem nem como explicar e nem expressar, porque a Maitê era uma menina incrível, linda,
01:54uma filha maravilhosa, uma estudante, líder de classe e simplesmente, em questão de 3 horas,
02:03eu chego em casa, ela está enforcada.
02:06Então, mudou completamente a minha vida.
02:08A minha vida virou de cabeça para baixo.
02:09Eu acho das irmãs também, do meu filho que é autista também.
02:14E a gente não sabe nem se a gente vai conseguir recuperar a estrutura emocional, psicológica, enfim.
02:23Qual é a sensação que te dá quando a gente noticia esses casos, que não são casos isolados,
02:30que a gente vê que volta e meia estão acontecendo,
02:34a gente precisa chamar a atenção das famílias e também das nossas autoridades para isso.
02:39Qual é a sensação que isso te dá?
02:42Dá uma revolta, porque a gente sabe o que aconteceu com a Maitê,
02:48que não foi só o TikTok, foi um jogo também, que foi um crime cibernético.
02:54Eu não considero a minha filha como uma suicida, jamais,
02:58porque não tem nem cabimento, como foi me passado, que ela é uma suicida.
03:04Uma revolta que a gente cuida dos nossos filhos.
03:07Eu fui sempre uma mãe presente, sempre.
03:10O caso dela chocou o município todo, porque é uma cidade pequena aqui, em Itacoaí, em Santa Catarina.
03:17E que a gente não tem justiça.
03:20Que perde-se muito tempo com coisas fúteis.
03:23E o que é mais importante, que é pegar essas pessoas que estão por trás de um jogo,
03:28por trás de telas de celular, de tablets, de TV, de PC, que destroem famílias.
03:35Então, eu fico até emocionada, porque é difícil, é muito difícil.
03:41É uma revolta muito grande.
03:42Quando eu cheguei, que eu fui na delegacia,
03:45Quando eu soube que ia ser arquivado o caso dela, eu morri de novo.
03:50Entendeu?
03:51A sensação de que a cena do velório, de tudo...
03:57Eu morri de novo, praticamente, assim, sabe?
04:00Você começou a estudar um pouco sobre esse assunto, né?
04:04E o que você descobriu?
04:05Um homem ficava instigando, induzindo a Maitê?
04:10Sim, o que acontece?
04:12Na verdade, são fases, né?
04:15É tudo um...
04:15Não é assim, começa a jogar hoje e amanhã já se coloca uma corda no pescoço,
04:20ou se joga de um prédio.
04:24São processos, né?
04:25Então, o que eu percebi com a minha filha, que a gente se passou...
04:29Eles não sabem ainda que a Maitê se enforcou, que a Maitê está morta.
04:33Menos de 24 horas que a gente enterrou ela, a gente entrou no jogo.
04:38E a primeira coisa que a pessoa falou, que o cara falou, foi você está viva ainda?
04:42E ali eu comecei a ver...
04:47Me deu uma revolta, porque a minha vontade era de...
04:49Se eu pudesse pegar a mão, enfiar no jogo e enfiar ele para mim,
04:53para me enforcar ele também, eu tinha que ter feito isso.
04:56Mas o que eu percebi, que eu fiquei estudando, que a gente se passou por ela,
05:00é que eles induzem aos poucos.
05:02Eles falam para as crianças, para os jovens, para os adolescentes,
05:07que ninguém vai escutar eles, que não adianta eles reclamarem dos problemas,
05:13que ninguém vai escutar, que eles tinham que trabalhar isso dentro deles, entendeu?
05:18E a forma que chega a um determinado ponto, que eles falam assim,
05:22mas existem formas de você se enforcar.
05:24E aí a gente perguntou, mas existem formas de você morrer.
05:27Aí a gente perguntou como enforcar, do que foi o caso da Maitê, né?
05:29Aí a pessoa falou, não, existem outros métodos que você pode se enforcar,
05:34você pode se matar sem sentir dor, entendeu?
05:38Então, assim, começa toda uma história ali, por trás da morte da Maitê,
05:44e que o que eu pesquisei, o que eu vi, que é assim,
05:48esses crimes que estão acontecendo,
05:50o nosso último crime que teve foi em Blumenau, bem pertinho daqui,
05:55do cara chegar e matar,
05:57são tudo consequências de jogos, assim,
05:59porque eles estudam o perfil da pessoa que está atrás do outro lado, entendeu?
06:06Eles estudam, eles vão ver o perfil.
06:08Se a pessoa já tem um perfil de meio de, né, de psicopata, essas coisas,
06:12eles vão para o caminho do psicopata.
06:14O que é? Matar, entendeu?
06:16Preparar aquela mente para matar,
06:18para entrar em escola,
06:21para fazer o que faz o que a gente está vendo no Brasil.
06:23E o outro é a forma que eles fizeram com a minha filha.
06:26Ah, ela não é, não entra nesse perfil de sair matando,
06:29mas ela pode se matar, entendeu?
06:32Então, é isso, sabe?
06:35O que aconteceu com a minha filha,
06:36e eu espero que, aproveitando aqui, né,
06:40que o perigo,
06:42antigamente a gente tinha medo que os traficantes iam na escola,
06:45oferecer droga e beber a avó.
06:47Hoje já não, hoje o perigo está dentro de casa,
06:49e é um perigo invisível, que você não consegue ver.
06:52Quando você vê, já é tarde demais,
06:55que nem aconteceu com a minha filha, sabe?
06:56Sandra, você falou agora, e assim, me arrepiei aqui no estúdio,
07:01porque você disse muito bem,
07:03o fato do filho estar em casa,
07:05o fato dele estar no quarto dele,
07:07deitado na cama,
07:08nem sempre quer dizer que ele está seguro, tá?
07:12Continua com a gente,
07:13porque aqui no nosso estúdio a gente vai debater esse assunto agora,
07:16a gente quer contar com a sua participação,
07:18para fazer esse alerta para os pais,
07:20já já a gente volta a falar com essa mãe,
07:23eu preciso ter fôlego, né?
07:24E aí a gente se pergunta,
07:26se você é de casa,
07:27não sabe como conversar sobre esse assunto com seus filhos,
07:31com os netos,
07:31como fazer esse alerta,
07:33presta atenção,
07:34porque aqui agora a gente vai conversar
07:36com a psicóloga Sátina Pimenta.
07:39Sátina, obrigada pela sua participação.
07:41Boa tarde para todo mundo.
07:41Boa tarde, seja bem-vinda, viu?
07:43Muito forte, né?
07:44Ouvir esse relato dessa mãe.
07:46E a gente também recebe aqui o advogado
07:49Fábio Fábio...
07:50Perdão.
07:51Fábio Fabiano.
07:52Ou Flávio.
07:55Flávio.
07:55Eu estava errada ali,
07:56mas ó, eu estou me corrigindo.
07:58Perdão.
07:59Flávio Fabiano é doutor, advogado,
08:01vai participar com a gente.
08:02Muito interessante isso que a mãe falou,
08:05que ela disse,
08:05não foi um crime de suicídio,
08:07não foi um suicídio,
08:08foi um crime cibernético.
08:10A gente quer que o senhor também esclareça isso para a gente,
08:12mas antes, Sátina,
08:14explica para a gente
08:14como que essas crianças,
08:17como que esses adolescentes
08:19são atraídos.
08:21Ah, estou ali jogando,
08:23estou aqui na internet,
08:24estou num joguinho,
08:25como que isso acontece?
08:27Então,
08:28boa tarde novamente, né?
08:30O que acontece, Roberta?
08:31É importante que a gente entenda a lógica do perfil, né?
08:35Então, essas pessoas que são
08:37os manipuladores da lógica da dark web
08:41e que chegam até essas crianças
08:43verificam como esse perfil acontece.
08:47Então, por exemplo,
08:48aquela criança,
08:49ela vê jogos mais violentos,
08:54aquela criança vê vídeos
08:56de situações de tristeza,
09:01de isso, daquilo.
09:02Então, cabe exatamente ali.
09:04Então, eles vão escolhendo essas crianças
09:07mediante aquilo que ela
09:08vai usando ali
09:10dentro daquelas redes sociais.
09:12E aí, eles falam,
09:13hum,
09:14essa daqui eu consigo
09:15trazer, manipular.
09:17Hum,
09:18esse daqui eu consigo
09:19fazer tal coisa.
09:20E aí,
09:20eles vão começar a fazer o contato,
09:23vão começar a trazer
09:24coisas que interessam
09:26àquela criança
09:27e principalmente
09:28àquele adolescente,
09:30entende?
09:30e vincular.
09:32Além disso,
09:33eles fazem também
09:35um movimento
09:36que é um movimento
09:37de exposição.
09:38Ou você faz
09:40ou eu te exponho.
09:43Por quê?
09:43Porque eles conseguem fazer,
09:46encontrar dados
09:47e informações
09:48que a gente,
09:49mero mortal,
09:50não consegue.
09:51Então, eles começam
09:52a ameaçar
09:53aquelas crianças.
09:54Vou contar pro seu pai
09:55que você fez tal coisa,
09:57falou com tal coleguinha,
09:57aquilo, aquilo, aquilo.
09:58Vou contar pra sua mãe
10:00que você tirou essa foto
10:01e mandou lá pro coleguinha.
10:03Entendeu?
10:04Aí começa uma chantagem.
10:05E aí começa a chantagear.
10:07E isso é incrível
10:08porque, assim,
10:09a gente se preocupa muito
10:10com a tenridade,
10:11com os pequenos, né?
10:13Na internet.
10:14Mas, na verdade,
10:15o nosso olhar principal
10:16tem que ser pro adolescente.
10:18Porque é o adolescente
10:19que tá na fase
10:22do desenvolvimento
10:23da confusão,
10:24de querer entender
10:25quem ele é.
10:25Então, quando essas pessoas,
10:27elas chegam,
10:29elas chegam
10:29e podem ser recebidas
10:30por aquele adolescente
10:31que não sabe ainda
10:33como se constituir.
10:34E aí ele vai.
10:37Doutor,
10:37eu tava conversando também
10:38nos bastidores
10:39com a Sandra,
10:40mãe da Maitê,
10:41e ela também contou
10:42um pouquinho aqui pra gente
10:43que, depois,
10:45ela conseguiu manter
10:46esse contato
10:47com essa pessoa
10:49que induziu
10:50a Maitê
10:51a fazer tudo isso.
10:52Qual é o entendimento
10:54da justiça?
10:54porque essa mãe,
10:55ela foi muito clara ali,
10:57ela falou assim,
10:58minha filha não foi
11:00vítima de um suicídio,
11:02aquilo ali foi
11:02um crime cibernético.
11:04Qual que é o entendimento
11:05da justiça sobre isso?
11:07Boa tarde a todos.
11:08Boa tarde,
11:08seja bem-vindo.
11:09O que a gente deve fazer
11:11no primeiro momento
11:11é, de fato,
11:12investigar.
11:13Porque aquilo que parece
11:15uma simples instigação,
11:17que seria um crime
11:18ínfimo,
11:20você tá instigando
11:21alguém a cometer um ato,
11:22pode se tornar algo
11:24muito maior,
11:25conforme foi explicado
11:26pela doutora aqui.
11:28No direito,
11:29no sistema de justiça,
11:32essa instigação aí,
11:34da forma que está ocorrendo,
11:35não está mais como instigação.
11:37Por quê?
11:38Essa chantagem
11:39se torna
11:40uma coação moral.
11:42E a coação moral,
11:43ela pode estar,
11:44inclusive,
11:44irresistível.
11:45A vítima
11:46sem condições
11:47de resistir
11:48àquele fato,
11:50àquela imputação
11:51que está ocorrendo,
11:52àquelas chantagem.
11:55O excesso
11:56induzirá
11:57a prática
11:58de um crime,
11:58porque ela tira
11:59a capacidade
12:00de auto-dissernimento
12:00da pessoa.
12:02Ela domina
12:03a pessoa.
12:03E a pessoa
12:04dominada
12:05pode vir
12:06a praticar
12:07um ato
12:08contra a própria vida.
12:09Então,
12:10a gente sai
12:10da instigação
12:11e induzimento,
12:13que seria
12:13algo mais simples,
12:14e passa,
12:16de fato,
12:17para um homicídio,
12:19porque a pessoa
12:20não teve condições
12:20de resistir
12:21e foi obrigada
12:22a dar cabo
12:23na própria vida.
12:24Não mais somente
12:25um auxílio
12:26ou induzimento
12:27ao suicídio.
12:28Tudo isso aqui
12:29são crimes dolosos
12:31contra a vida.
12:32Poderá
12:32sair da esfera
12:33culposa,
12:34que é aquela situação
12:35da imprudência,
12:37um adolescente
12:38que fica pilhando o outro,
12:39ó, você tem que fazer
12:40e tal,
12:41partindo para a coação.
12:44A coação,
12:45ela tira a capacidade
12:46da pessoa
12:46de resistir.
12:47E, pelo que parece,
12:49é este o caso.
12:50E como é que faz
12:51para comprovar isso?
12:53As provas
12:54podem estar
12:55nas conversas,
12:56porque geralmente
12:57tem alguns registros
12:58lá de
12:59você tem que fazer,
13:00senão eu vou falar
13:01para a sua mãe.
13:02Se você não fizer,
13:03eu vou expor
13:03uma foto sua,
13:04eu vou publicar,
13:05vou mostrar que você
13:06não tem coragem,
13:07que você é covarde,
13:08que você é frouxo.
13:09Eu vou mostrar
13:10uma foto sua nua.
13:11e tudo isso
13:13vai encurralando
13:15a pessoa
13:16de forma
13:17que a própria
13:19capacidade de discernimento
13:20é reduzida
13:21e ela não consegue
13:24resistir
13:24àquela pressão
13:26que está sendo dada
13:27e atinge
13:29o objetivo
13:30daquele
13:31que está
13:32a coagindo.
13:33Pessoa,
13:34tome um remédio,
13:36faça isso,
13:37pegue uma corda.
13:38Não é possível
13:39a gente entender
13:40que alguém
13:41que dá uma ordem,
13:42nós estamos falando
13:43de uma ordem,
13:44ela tirou a capacidade
13:45de discernimento
13:45de uma adolescente,
13:47alguém que está
13:47com a sua mentalidade
13:49ainda em formação,
13:50que não tem o pleno
13:52entendimento
13:52do que de fato
13:54pode ocorrer,
13:55impõe medo,
13:56impõe pânico
13:57e fala,
13:59pegue uma corda.
14:00A gente não pode entender
14:01que isso é somente
14:03uma tentativa
14:05de brincadeira.
14:06não pode entender
14:07que isso também
14:08é uma imprudência,
14:10porque poderia ser
14:11um crime culposo,
14:12não é o caso.
14:13E eles,
14:13os criminosos,
14:15eles têm essa consciência
14:16e vão agindo
14:17exatamente pelas beiradas,
14:19né?
14:19Muito provavelmente
14:21devem, inclusive,
14:22ganhar dinheiro
14:23com esse tipo de coisa,
14:24porque esses vídeos,
14:25certamente,
14:26eles estão no mercado
14:27sendo vendidos.
14:29Ó,
14:29tem o vídeo
14:30de uma pessoa aqui,
14:30uma adolescente
14:31de 13 anos,
14:3214,
14:33que se filmou
14:36dando cabo
14:37à própria vida.
14:38Então,
14:38ela está monetizando
14:39uma desgraça
14:41que ela provocou
14:43e impôs
14:44contra alguém.
14:45Deixa eu voltar
14:46a falar com a Sandra,
14:47mãe da Maitê,
14:48porque ela me contou
14:49que ela teve acesso
14:50a essas conversas.
14:52Você, na verdade,
14:52até se passou
14:53pela própria Maitê.
14:55E o que você descobriu
14:56nessas conversas,
14:57Sandra?
15:00assim,
15:00o que a gente
15:01pôde perceber
15:03que, no caso,
15:04eu estava até
15:04com uma psicóloga
15:05do lado,
15:06que era a professora dela,
15:08que eles são
15:09muito astutos
15:10e que eles não falam
15:13assim, ó,
15:13coloque uma corda
15:14no pescoço.
15:15Eles incentivam
15:16tu colocar uma corda
15:17no pescoço,
15:18entendeu?
15:19E o que eu percebi
15:20assim,
15:20o mais triste
15:21que a gente,
15:22se passando dias,
15:24né,
15:24que tipo,
15:24a gente entrou no jogo
15:25e a gente percebeu
15:27que parece que foi
15:28uma coisa meio coletiva,
15:29sabe?
15:30Parece que eles
15:30combinaram mais pessoas
15:32a fazer a mesma coisa
15:34que a Maitê,
15:35porque a Maitê,
15:35ela se enforcou,
15:36quando eu cheguei em casa,
15:38a Maitê,
15:38ela se enforcou sentada,
15:40que a maioria dos adolescentes
15:42que estão se enforcando
15:43hoje estão sentados.
15:44É mais ou menos
15:45parecido com o que a Má fez,
15:46sabe?
15:47Então, assim, ó,
15:48eles sentam,
15:49foi feito um ritual,
15:50a gente,
15:51o que eu percebi
15:51que foi feito um ritual
15:53antes de chegar
15:54o enforcamento,
15:56sabe?
15:57Então, assim,
15:59ele não falou assim,
16:01ó,
16:01Maitê,
16:02coloca uma corda no pescoço
16:03que agora tu vai morrer.
16:04Não,
16:05eu acredito muito que
16:06a Maitê,
16:07ela morreu sem saber
16:08o que estava fazendo
16:09e sem saber
16:09que ela ia morrer,
16:11sabe?
16:12Eu tenho certeza absoluta
16:13pela educação que a gente deu,
16:14pela conduta dela,
16:15entendeu?
16:16Uma menina que todo mundo
16:17queria ficar perto,
16:18linda,
16:19líder de classe,
16:20sabe?
16:20Que ajudava todo mundo,
16:22eu tenho certeza absoluta
16:23que ela jamais,
16:24de sã consciência,
16:26colocaria uma corda
16:27no pescoço
16:28simplesmente por colocar.
16:29Não.
16:30Conversando com a psicóloga
16:31também,
16:32o que a gente percebeu
16:33que provavelmente
16:34ele fez
16:35o que o doutor falou,
16:37ou a Giela,
16:38eu vou contar pra tua mãe,
16:39eu sei onde que está
16:40o endereço,
16:41eu vou matar
16:41a tua família,
16:43entendeu?
16:44A gente acredita muito nisso,
16:45sabe?
16:45Que teve uma ameaça
16:48pra ela chegar
16:49e se enforcar.
16:50e eles são muito astutos.
16:52O que eu mais,
16:53fiquei mais indignada ainda
16:54é que ele é casado,
16:55ele tem uma filha de colo
16:59e eu fiquei muito revocada,
17:01sabe?
17:01Muito revoltada mesmo,
17:02porque como que uma pessoa
17:04tem uma filha de colo
17:07vai induzir uma outra menina
17:08de 15 anos,
17:09entendeu?
17:10A se enforcar.
17:11Isso é muito desumano,
17:12entendeu?
17:13É muito cruel,
17:14entendeu?
17:15É muito doentio,
17:17assim,
17:17é muito insano,
17:18sabe?
17:19É muito,
17:19muito insano saber
17:20que uma pessoa
17:21que era mais velha
17:21até provavelmente
17:22do que eu,
17:23entendeu?
17:25Fez isso com a tua filha,
17:26entendeu?
17:28É isso que você falou,
17:29Sandra,
17:29é muito,
17:31muito insano.
17:32Os nossos telespectadores
17:33estão aqui,
17:34a Elisiane participa
17:35com a gente no Facebook,
17:36ela falou,
17:36Roberta,
17:37boa tarde,
17:37que dor dessa mãe,
17:38porque quando uma mãe
17:39perde um filho,
17:41todas nós perdemos juntas,
17:42né?
17:42A gente tem o mesmo sentimento,
17:44a gente sabe o que é
17:45o amor de mãe.
17:47E a gente tem mais
17:47participações aqui,
17:49as pessoas,
17:50a Maricilda fala,
17:51parece que é uma lavagem
17:52cerebral que as pessoas fazem,
17:53parece que hipnotizam
17:54as pessoas.
17:56É isso,
17:56Sátira,
17:57porque ao mesmo tempo
17:57existe a curiosidade,
17:59né?
17:59Que começa na infância,
18:01na adolescência maior ainda,
18:03agora também a intensidade
18:04dessa curiosidade
18:05que pode também
18:07se tornar preocupante,
18:09atrelado aos jogos.
18:11Sim,
18:11essa intensidade,
18:12ela se torna preocupante.
18:14O que a gente pode perceber?
18:15Quando a gente entra
18:17na adolescência,
18:18nós normalmente queremos
18:19pertencer a grupos,
18:22né?
18:22Então,
18:22quando ela conta que
18:23foi uma coisa coletiva,
18:25percebam,
18:25pessoas estão se juntando
18:28para fazer uma ação.
18:30Então,
18:30talvez eu queira participar
18:31desse grupo,
18:32talvez eu queira
18:33não estar mais sozinha,
18:35talvez eu queira
18:36ter esse sentimento
18:38de pertencimento.
18:39e acaba que
18:40nesse sentimento
18:41de pertencimento,
18:42eu tenho comportamentos
18:44que me permitam
18:46estar ali
18:47e ser aceita.
18:49Então,
18:49provavelmente,
18:50talvez ela não sabia mesmo
18:51que estava se enforcando.
18:53E aí,
18:53essa intensidade,
18:55como você diz,
18:56que vem através
18:57da internet,
18:58das redes sociais
18:59e tudo mais,
19:00ela vai trazer
19:01para essa criança
19:02ou para esse adolescente
19:04uma falta de discernimento
19:05daquilo que está fazendo.
19:07Entendeu?
19:08Doutor,
19:08explica para a gente
19:09a diferença,
19:09principalmente para essa mãe,
19:11de um crime
19:12que induz
19:13ao suicídio
19:15para um homicídio.
19:17Mãe,
19:18vou falar para ela
19:19diretamente,
19:20não houve suicídio.
19:23Qual é a situação?
19:24Existe um induzimento,
19:25a instigação
19:26e o auxílio ao suicídio.
19:28Isso é o quê?
19:29Uma pessoa
19:30que já está com uma ideia,
19:31já está pré-disposta,
19:33já deu sinais
19:34que tem interesse
19:36em tirar a própria vida.
19:37o que não parece
19:38que é o caso
19:39dessa filha,
19:40que é uma menina maravilhosa,
19:42boa na escola,
19:43excelente filha.
19:44Não é o caso.
19:45A ideia não estava
19:47na cabeça dela.
19:48Então,
19:48a gente sai do crime
19:49de induzimento,
19:50auxílio e instigação
19:51ao suicídio.
19:53Mas,
19:54a partir do momento
19:55em que a jovem
19:56é ameaçada,
19:59coagida
19:59e perde a capacidade
20:02de dizer sim
20:03ou não
20:05em que ela é tomada
20:06a uma violência
20:08contra ela,
20:09a gente parte aí,
20:10nesse caso,
20:11para um crime
20:12realmente de homicídio.
20:14Ele obrigou
20:15que ela se matasse
20:16se não haveria
20:17outras consequências.
20:18Então,
20:19aí,
20:20de fato,
20:20há um crime de homicídio.
20:22O matar
20:23não significa pegar,
20:24ir lá e fazer
20:25com as próprias mãos,
20:26não.
20:26não é somente
20:27isso,
20:28não.
20:28Nesse caso,
20:30ele tirou
20:30as possibilidades
20:31dela de resistir.
20:33Houve uma coação
20:34moral irresistível.
20:35Então,
20:36ela veio e se matou
20:37em razão
20:38dele ter obrigado
20:39a se matar.
20:41Tá certo,
20:41gente.
20:41Muito obrigada
20:42pela participação
20:43de vocês.
20:43A gente agradece
20:44muito o depoimento
20:45dessa mãe.
20:46Abriu o coração.
20:47A gente pede licença,
20:48né,
20:49mãezinha?
20:49Obrigada,
20:50viu, Sandra?
20:50Que você receba
20:51o nosso abraço
20:52aí no seu coração.
20:54Uma boa tarde
20:55para você.
20:56Eu acho que de tudo isso
20:57a gente faz esse alerta
20:58para a gente se aproximar
21:00dos nossos filhos,
21:01né,
21:02para a gente tentar
21:02monitorar o máximo possível
21:04o que era o que já
21:05essa mãe fazia
21:06e principalmente conversar.
21:07Um abraço,
21:08gente.
21:08Boa tarde.

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