- há 3 semanas
Adolescente não aguenta críticas pela internet e tira a própria vida.
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00:00Vamos falar sobre os ataques de ódio na internet que atingem tanto os famosos quanto anônimos
00:07e podem ter consequências graves.
00:10A cantora de forró, Valkyria Santos, infelizmente acaba de perder o filho de apenas 16 anos.
00:18Segundo ela, o menino tirou a própria vida depois de receber comentários de ódio pela internet.
00:24Ele postou um vídeo no TikTok, que é uma rede social muito conhecida entre os adolescentes, está na modinha.
00:31Ele postou uma brincadeira.
00:32Segundo a mãe, Lucas achou que as pessoas iam gostar, iam achar engraçada essa brincadeira que ele fez, mas não
00:38foi isso que aconteceu.
00:40E aí, gente, os comentários foram pesados, teve uma triste consequência.
00:44Lucas Santos não suportou, não aguentou as críticas e acabou se matando.
00:50Agora, é importante a gente fazer um alerta que as crianças e adolescentes, eles ainda não estão, gente, emocionalmente preparados
00:58para lidar com as críticas, com o lixamento virtual, que se torna cada dia mais comum, não é verdade?
01:04Então, bora bater um papo sobre esse assunto com a psiquiatra doutora Janine Moscon.
01:09Obrigada pela sua presença aqui no Fale Espírito Santo.
01:12Uma pena que é para a gente falar de um assunto tão triste, né?
01:15Sim, e cada vez mais comum, infelizmente.
01:18Agora, doutora, o que a gente até conversou antes, né, pelo telefone, se quando a gente é criticado, nós adultos,
01:26a gente já fica mal, já dói lá no coração, né?
01:32Imagina, então, uma criança, um adolescente, eles absorvem mais, tem mais impacto neles?
01:40Sim, as crianças e adolescentes, elas têm características, né, psicológicas, de estrutura mental, diferente dos adultos.
01:48Então, eles têm uma necessidade maior de aprovação, de validação do seu comportamento, né?
01:55É muito comum a criança e o adolescente, eles quererem ser amados pelos seus pais, admirados,
02:01e também pelos seus pares, ou seja, pelos outros adolescentes, pelas outras pessoas.
02:07Agora, as crianças, os adolescentes, diante desse momento que a gente vive, essa era digital, excesso de redes sociais,
02:18as crianças, os adolescentes, eles estão preparados para lidar com essas situações?
02:24E de que forma que a gente, que a família, pode ajudar também?
02:28Então, eu acredito que não, assim como as famílias também não estão completamente preparadas.
02:35A gente tem que entender que a gente está numa transição de gerações, né?
02:39A maioria dos pais, dos parentes, não teve esse contato tão grande com as telas, computadores, redes sociais,
02:47isso tudo é muito recente na nossa história.
02:50As crianças e os adolescentes, no entanto, eles já nasceram nesse mundo.
02:54Então, a gente não tem como imaginar o retroagir disso.
02:58Isso vai fazer parte da nossa vida.
03:01Mas a gente tem que entender que essas crianças e adolescentes, eles têm que ter orientação, supervisão.
03:08Não é você dar um celular na mão de uma criança e de um adolescente,
03:12deixar ela no quarto, ele ficar lá trancado, isolado, e você não saber com o que ele está falando,
03:18o que ele está vendo, o que ele está postando.
03:21A gente tem que ter cuidado com essa questão de postar intimidade, endereço, a criança postar com uniforme, falando da
03:30rotina.
03:31Isso pode também expor a família e essa criança adolescente a vários tipos de violência,
03:36não só esses ataques de ódio, que a gente fala, os ataques dos haters,
03:41de pessoas que estão ali, infelizmente, que pegam a sua tristeza, a sua vida miserável,
03:47para instituir a miséria na vida do outro, simplesmente de agredir por agredir.
03:53Como que a gente trabalha na cabeça dos nossos filhos, dos nossos netos,
03:58daquele adolescente que está ali dentro da nossa casa, esse ataque de ódio?
04:02Porque ele já tem redes sociais, que inclusive, gente, muitas dessas redes são proibidas para menores de 13 anos.
04:09Só que ainda assim a gente sabe que, independente da idade, já tem criança de 8 anos que tem.
04:16Conheço crianças que com 7 anos já tem a própria rede social, que é a mãe que faz, mas que
04:20coloca o nome da criança.
04:23Como que a gente prepara a cabeça dos nossos filhos?
04:26Acho que, como eu estava falando, a questão da supervisão é muito importante.
04:30Quanto mais jovem, é claro que a gente tem que estar mais de olho, sabendo mais o que está acontecendo.
04:36Acho que é importante a gente lançar mão de censuras que as próprias redes sociais colocam.
04:42Se você faz, inserir a criança, mas coloca num perfil infantil, porque você já seleciona um pouco do conteúdo que
04:51ela vai ter contato.
04:52Os pais, as mães, os avós, a família em geral, os cuidadores.
04:57Eles têm que estar preparados, a gente tem que se informar.
04:59Às vezes não sabe o que é um TikTok, o que o menino está postando, não está acompanhando.
05:04Isso é importante a gente saber o que o nosso filho está colocando.
05:07Então, minha amiga, você que está aí acompanhando agora o Fala Espírito Santo, você que não sabe o que é
05:12o TikTok, o que é o Instagram,
05:14mas que você sabe que seu neto tem, ah, meu neto tem um negócio lá na rede social dele, então
05:19é importante você se informar.
05:21Sim, muito importante.
05:22O que é o TikTok, o que faz o TikTok, o Instagram, o Facebook, qual é a diferença?
05:28Que tipo de conteúdo que é postado? Um é vídeo, o outro é mais foto, o outro é texto, enfim.
05:35A gente saber o que está chegando e ir colocando, olha, se eu postar isso, isso tem um risco.
05:42Você está se expondo, você tem que pensar que nem todo mundo que está ali é seu amigo.
05:48Apesar de aparecer esse nome, né? Número de amigos.
05:51Seguidores, né?
05:52Seguidores.
05:57Seguidores.
05:58Gretchen, que é amiga da Valkyria, que é a cantora de forró, mãe do Lucas, né, que se matou.
06:03Então, o que a Gretchen fez?
06:04Ela usou as redes sociais para repudiar a atitude dos chamados haters da internet.
06:10Vamos ver um trecho do que ela disse.
06:12Olha só, acompanhe.
06:14Tanto que eu falo para vocês, tanto que eu digo para vocês sobre os haters,
06:21sobre essas pessoas que entram para falar mal das pessoas.
06:24Eu sou uma caraca velha, forte.
06:28Vocês não vão conseguir fazer isso comigo.
06:31Mas vocês conseguem fazer isso com crianças, porque esse menino tinha apenas 16 anos, é uma criança.
06:38E o que vocês haters fizeram com ele chama-se crime.
06:43Vocês não sabem até onde a maldade de vocês pode chegar.
06:47Vocês deveriam se colocar no lugar das mães de vocês nesse momento.
06:53E ver que o que vocês estão fazendo poderia estar acontecendo com a mãe de vocês.
06:59Com qualquer um de vocês.
07:01Vocês não pensam no que vocês estão fazendo.
07:04Vocês não têm noção de onde vai a maldade de vocês, haters.
07:12Explicando aí para você, minha amiga, o que é o haters, né?
07:15A Gretchen até falou.
07:16São pessoas que entram na internet, entram para fazer um comentáriozinho maldoso.
07:22São pessoas que praticamente a gente pode dizer que já virou até profissão, tá?
07:26São esses os haters.
07:28É o termo agora usado no momento.
07:30E aí, doutora, na internet, esses comentários maldosos ganham ainda mais proporção?
07:38Sim.
07:39Porque vamos imaginar como era antigamente.
07:41Uma criança se implicava com a outra na escola.
07:44Aquilo ali você tinha a supervisão de uma professora, de uma pedagoga, da própria família.
07:48E aquilo se encerrava.
07:50Um conteúdo que é lançado na internet, ele não tem fim.
07:53Ele pode ser repostado, repassado inúmeras vezes e vai tomar uma proporção no tamanho dessa...
08:01Na cabeça dessa criança e desse adolescente, que para ele aquilo é eterno.
08:07Na verdade, esses comentários, eles são passageiros.
08:10É a coisa do momento.
08:11Eles vão durar dias e aquilo acaba, porque essas pessoas se alimentam disso, né?
08:17Dessas notícias, desse tipo de comportamento.
08:20Não vai durar tanto.
08:21Mas uma pessoa que não tem vivência, ela acha que aquilo...
08:25Ela não vai dar conta de esperar aquilo acabar, esfriar.
08:28A Grécia falando ali, né?
08:30Eu sou o macaca velho.
08:32Olha a diferença da experiência.
08:34E, com certeza, ela já passou por muita coisa.
08:37Desde que ela começou a carreira dela.
08:39E hoje ela consegue se manter estável.
08:42E, com certeza, está recebendo um monte de comentário.
08:45Mas, para ela, isso vem de uma forma mais tranquila, entre aspas.
08:49Nem sempre mais... Ela vai ter mais recurso emocional.
08:52Ela está mais calejada, né?
08:53Já o adolescente aí, de 16 anos, o Lucas, não tinha experiência com isso.
09:00Não tinha essa vivência.
09:02Sim.
09:02Os pais também não, porque, né?
09:04Uma outra geração.
09:06E aí, acaba que a gente não suporta.
09:09Sim, eles ficam muito expostos, muito vulneráveis.
09:12Como eu falei, essa necessidade de autoafirmação.
09:16Eles estão formando a personalidade.
09:18Então, o rapaz igual o Lucas, ele não tem ainda a personalidade completamente formada.
09:23Um rapazinho, adolescente, criança, eles ainda...
09:26Isso a gente vai ter depois dos 20 anos, para meninos, para as meninas.
09:30Então, a gente tem que entender que, assim, até legalmente, o menor de 18 anos é visto diferente.
09:36Por conta de diferenças biológicas que a gente tem, né?
09:40E a vivência psicológica e tudo isso que cada um vai ter o seu perfil.
09:44E tudo isso, somado a esse contexto de pandemia que a gente vive, se torna ainda mais uma panela de
09:50pressão?
09:51Com certeza.
09:52Vamos imaginar.
09:53As crianças passaram o ano passado todo dentro de casa.
09:57Voltaram às aulas, né?
09:58No final do ano.
10:00O que uma criança vai fazer em casa?
10:01Vamos pensar na rede pública, que muitas escolas não conseguiram se adaptar.
10:06Não conseguiram ter aula online realmente, eram só algumas atividades.
10:10A questão de falta de acesso à internet, era uma internet compartilhada para todo mundo.
10:17Então, assim, a criança, ela vai estar, talvez, sem...
10:21Com certeza teve uma queda do rendimento escolar.
10:24E aí, acontece o quê?
10:26Ele começa a buscar outra coisa.
10:28A criança não vai passar o dia inteiro sentada olhando para o teto.
10:31Então, ele vai começar a viajar na internet, navegar, interagir com redes sociais.
10:36Muitos pais trabalhando em casa, né?
10:38O home office.
10:39E aí, para dar aquele sossego.
10:41Toma aqui o internet, né?
10:42É, toma o celular.
10:44Vai lá, fica um pouquinho que mamãe tem que trabalhar, papai tem que trabalhar.
10:47A gente entende isso, né?
10:48Não é uma crítica no sentido de que fizeram com maldade.
10:51Não, eu mesma fiz isso em casa com duas crianças, né?
10:55Difícil de você se dividir, né?
10:57Entre o trabalho da casa, o cuidado com a criança, você apoiar nos estudos, você ainda
11:02tem que fazer o seu trabalho.
11:04Muita gente ficou estressada.
11:05Adultos e crianças.
11:07Hoje tem muita criança e adolescente que não está conseguindo voltar para a escola.
11:10Que tem crise de pânico, você vai para a escola.
11:12Que tem fobia de sair na rua, fobia social.
11:15mental, foram, assim, teve um agravamento e um surgimento de muito sofrimento mental
11:20para essa geração.
11:21E a gente vai ver ainda mais o impacto disso mais adiante, né?
11:25Que a gente ainda não sabe como que vai ser.
11:28E olha só, gente, para participar aqui desse nosso bate-papo, doutora, presta bem atenção.
11:33A gente convidou a Xana.
11:34A Xana, ela é mãe de duas meninas que são muito presentes nas redes sociais, a Nina e a
11:39Malu.
11:39E a Xana, gente, ela sabe muito bem como são as críticas nas redes sociais.
11:45Xana, Nina e Malu estão aqui com a gente participando agora do Fala Espírito Santo.
11:50Boa tarde, obrigada pela presença de vocês.
11:52Vem cá, me conta, já receberam também mensagens ofensivas nas redes sociais com ataques de
12:00ódio?
12:01Boa tarde, Roberta.
12:03Tudo bem contigo?
12:04Pois é, os ataques são, eles são demais, viu?
12:09Infelizmente, a Nina participou, não faz muito tempo, de um reality musical, né?
12:15Onde ela cantava.
12:16E é uma exposição muito grande, né?
12:19São milhares de pessoas que te assistem.
12:22Então, teve muito elogio, né?
12:25Muita gente gostou da voz dela, muita gente amou a apresentação dela, mas tem aqueles
12:29haters, né?
12:30Que são sem noção, são pessoas que não têm amor próprio, sabe?
12:34Que não têm amor ao próximo, não têm amor a nada.
12:37Porque é cada absurdo que você lê e é justamente isso que vocês estavam falando.
12:42É importante o pai e a mãe estar acompanhando para filtrar esse tipo de ataque, né?
12:48A Nina, ela sabe que teve os ataques, mas ela não leu os ataques.
12:54O que acaba, eu acho, sendo uma boa segurança para ela.
13:02Ela não ter essa exposição, assim, dessa forma, né?
13:07Ler isso tudo seria terrível para ela.
13:09Eu li, infelizmente, e realmente, ai, é desdoer, assim, sabe?
13:15São coisas horríveis que as pessoas falam.
13:18E, graças a Deus, oi.
13:20Você fez um comentário aí que me chamou a atenção, para eu entender.
13:24Você lê esses comentários maldosos, cheios de ódios, e você repassa, conta para elas
13:31ou não?
13:32Você filtra e fica para você?
13:35Eu falo que tem gente falando, né?
13:37Para ela ter ciência de que acontece, né?
13:41Para ela não ficar também.
13:42Porque é aquele negócio, eu sou mãe de uma criança de 12 anos, mas a gente está preparando
13:47ela para o mundo, né?
13:48E o mundo não é só flores, não é só beleza.
13:51E, então, a gente prepara ela da melhor forma possível, tentando blindar de uma certa
13:56forma, mas preparando para o mundo.
13:58Então, sim, ela tem consciência de que teve os ataques, mas ela não sabe o nível de
14:02ataque, sabe?
14:03Ela não sabe o nível de maldade dessas pessoas.
14:08E aí, deixa eu perguntar, então, agora, tanto para a Malu quanto para a Nina, como que
14:14fica o coração de vocês?
14:16Qual é o sentimento quando a mãe conta?
14:18Olha, teve um comentário aqui, minha filha, que não foi legal, a mamãe está apagando
14:21esse comentário.
14:24Então, para mim, quando ela me falou isso, eu fiquei tranquila porque eu sabia que eu
14:31não queria que isso chegasse até mim, sabe?
14:33Que isso me afetasse, porque se cada comentário ruim que eu recebesse todos os dias me afetasse,
14:39eu não sei o que eu estaria fazendo aqui agora.
14:42mas eu tento não absorver nada de comentário ruim.
14:47Minha mãe não me mostrou, ela só me falou que tinha pessoas falando mal de mim, para
14:52eu ter consciência e eu sei que ela está certa, porque eu tenho que saber disso.
14:56Mas eu prefiro não absorver, então, eu não olhei, não quis saber, eu não quero saber
15:02e eu só soube que tinha coisas ruins.
15:06Agora você tem 12 anos, não é isso, Nina?
15:08Sim, eu tenho 12 anos.
15:10Ô mãe, quero saber de você, daqui a pouquinho ela está virando uma adolescente, né?
15:17Vai estar cada vez mais interagindo com as redes sociais.
15:21E aí, qual é o seu medo quando se fala dela ter cada vez mais autonomia com o Instagram
15:29dela, com o Facebook, o TikTok?
15:32Sabe que eu até me emociono, né?
15:35Porque eles crescem e a gente não consegue proteger para sempre.
15:39E você vê a história desse menino de 16 anos, saber que daqui a pouco a minha filha
15:44tem 16 anos, sabe?
15:45Ela vai ter acesso.
15:47Isso me dói, me corta o coração, porque eu sou mãe e sinto a dor da outra mãe, né?
15:53É terrível a gente ter que passar por isso, ver uma mãe sofrendo, né?
15:57Eu acho que a gente, como mãe, como educadora, como parente mais próximo, que cuida, que educa,
16:03a gente tem que preparar justamente essas crianças, sabe?
16:07Dar muito amor, muito afeto, mostrar que o mundo não é só esses ataques, sabe?
16:12Porque eles vão continuar existindo.
16:14Eu não tenho o poder, eu gostaria de ter o poder de apagar tudo e disso não afetar minha
16:18filha em momento algum, mas eu sei que isso não vai acontecer, eu sei que vai além
16:22de mim, que as pessoas, elas não vão deixar de destilar o ódio, sabe?
16:26Na internet.
16:27Isso só é triste.
16:28Eu acho, assim, que a gente tem que preparar os nossos filhos na muito amor, estar de olho
16:33o quanto for necessário, se tiver que ficar de olho para ela, com ela com 20 anos, com
16:3730 anos, eu vou ser esse bloqueio, né?
16:40Gostaria de ser, sei que não vou conseguir fazer isso para sempre, mas de verdade, eu acho
16:45que a gente precisa pensar na educação dos nossos filhos, preparar eles, conversar
16:49muito com eles, falar muito sobre o psicológico deles, porque isso é algo que mata.
16:56Está aí o Lucas, né?
16:58Verdade.
16:59Chana, aí eu vou aproveitar aqui a presença da psicóloga que está com a gente aqui no
17:03estúdio, para saber, da psiquiatra, perdão, para saber, doutora, a atitude dessa mãe,
17:11da Chana, né?
17:12Que filtra essas mensagens, não deixa chegar até a filha dessa forma, né?
17:17Então, ela ameniza.
17:19É um caminho certo?
17:20Então, olha que legal, assim, vamos destacar, né?
17:23Ela falou de afeto, né?
17:25De reforçar a questão da autoestima, de dar carinho, ou seja, de dar proteção e
17:29segurança.
17:30Ela falou de filtrar dentro do possível, mas não só filtrar e preparar essa criança.
17:37Você vê o discurso da menina, olha, eu sei que isso existe, e é importante a criança
17:43saber que isso existe, mas que nem tudo que está ali colocado é verdade, porque ele
17:49lendo, ele não vai conseguir fazer essa diferença do que é verdade, o que é, ele vai absorver
17:53aquilo como uma verdade.
17:55Então, assim, o que a gente puder fazer no sentido de proteção, mas também no sentido
18:00de orientação, porque a gente não está 24 horas por dia.
18:03Ela me parece ser uma mãe que tem, assim, muito tempo, disponibilidade para estar com
18:08as crianças e muita, não só disponibilidade, disposição, né?
18:12De fazer esse papel.
18:13Mas nem todo mundo tem, então a gente vai ter que sim dar, às vezes, uma podada, olha,
18:19isso aqui ainda não está na hora, não é legal, vamos deixar um pouco mais para frente,
18:23vamos conversar sobre isso.
18:25Ó, aqui no Facebook a gente está tendo participações de diversos telespectadores.
18:29A Patrícia toca num ponto muito importante, que os pais estão deixando cada vez mais
18:33os filhos terem acesso, os filhos novinhos, a celular, aparelhos eletrônicos, como uma
18:40forma para que a criança não lhe tome o tempo, né?
18:43Que é aquilo que a gente estava comentando antes.
18:45E que já ouviu falar de mães que colocam celulares nas mãos de seus filhos para que
18:51eles esqueçam até de comer.
18:54Olha isso.
18:55É a nova babá eletrônica, né?
18:57O celular é a nossa nova babá eletrônica.
18:59E a gente tem que pensar também, às vezes, o tempo que esse pai e essa mãe passam.
19:03Às vezes, o celular está ali com a criança, mas a mãe e o pai estão ali também na rede
19:07social.
19:07E o exemplo, né?
19:08Não só o exemplo, o tempo que ele poderia estar interagindo com esse filho, fazendo
19:12algum tipo de brincadeira, fazendo esse fortalecimento do vínculo emocional, ele está ali no Instagram,
19:18né?
19:19Que hoje é a rede mais popular, dentro dos adultos, ele está ali no Instagram e a criança está
19:24ali do lado também, no computador, no celular, enfim, em alguma tela.
19:28Já a Lourdes Ferreira, ela está, ela emitiu a opinião dela, ela falou, quando uma pessoa
19:32chega ao ponto de tirar a própria vida por causa de críticas, é porque não aceitam
19:36ser contrariadas.
19:38É assim que funciona com os adolescentes?
19:40Porque eles têm um comportamento diferente dos adultos, né?
19:42É isso que a gente tem que entender, né?
19:44Quando a gente fala assim, de criança e adolescente, a gente está falando de sujeitos que ainda
19:50não têm a sua psique completamente formada, a sua estrutura mental, a sua segurança, autoestima.
19:57Então, assim, tem que lembrar também que criança e adolescente é muito impulsivo, né?
20:03Então, aquela coisa, por que a criança faz pirraça, se joga no chão?
20:06Ela realmente tem dificuldade de lidar com esse enfrentamento, confronto, dificuldade
20:14de lidar com frustração.
20:16Isso faz parte dessa fase do desenvolvimento.
20:19E a gente vai educando.
20:20E isso é educar, não é só botar na escola.
20:23Certo.
20:23Olha, a Lenira Moura, ela fala, eu faço o TikTok e uma vez aconteceu uma crítica, uma
20:30crítica contra ela, né?
20:31Por conta de um vídeo, mas nas lives tem os ataques também.
20:36Ela falou que tem que saber sobressair e que dá muita raiva mesmo, só que ela finge
20:41que não é comigo, né?
20:42Ela falou, ela botou, ela finge que não é com ela no caso.
20:45E aí, doutora, nesse exato momento, tem muitos pais, muitos vovós que estão acompanhando
20:52o Fala Espírito Santo, falam assim, ai meu Deus, estou vendo essa entrevista, dá aquele
20:56medo.
20:56Será que eu mando, então, meu neto, meu filho cancelar esse aplicativo, né?
21:01Essa rede social?
21:02A gente também não pode também demonizar as redes sociais, né?
21:07Para além de uma questão de demonizar, a gente tem que entender que é um caminho evolutivo
21:13que eu considero sem volta.
21:15A gente já usou dinheiro, a gente foi para o cheque, era cartão e hoje a gente já faz,
21:20usa Pix, PicPay, né?
21:22Estou citando aqui porque todo mundo está usando isso no dia a dia.
21:25Da mesma forma que teve até uma brincadeira...
21:27E a tendência é cada vez mais, né?
21:29É, a gente, a tecnologia, ela faz parte hoje da nossa vida, né?
21:33Uma pessoa, por exemplo, uma vovó, um vovô que não sabe mexer num caixa eletrônico,
21:38ele vai ter dificuldade de atendimento num banco, não é só para criança e para o adolescente.
21:43Então, assim, a gente tem que entender isso, né?
21:47Que isso faz parte, a gente vai ter que se aproximar disso, aproximar das crianças e dos adolescentes.
21:52Às vezes é cortar, dependendo do nível de prejuízo que aquela criança está tendo,
21:57não consegue mais estudar, não consegue ter horário.
22:01Sempre, eu já atendi casos, assim, de adolescente agredir a mãe e o pai porque queria que ele saísse, né?
22:07Da rede social ou do jogo.
22:11Então, assim, chega num ponto desse, uma linha já foi ultrapassada, né?
22:15De uma criança ou adolescente bater, morder, jogar um objeto numa mãe, num pai, a gente já ultrapassou.
22:20Não adianta também você esperar chegar nesse ponto para você se ligar de que tem alguma coisa errada.
22:25E recentemente, a gente até mostrou um caso que aconteceu em São Paulo,
22:30que uma mãe excluiu a conta da filha, a filha tinha mais de 2 milhões de seguidores, né?
22:36Então, assim, ela fez certo, ela fez errado?
22:38Enfim, isso dividiu muitas opiniões, porque a menina é uma adolescente,
22:44ela utilizava as redes, tinha mais de 2 milhões de seguidores.
22:46Olha só, quem vive nas redes sociais é o sonho de quem vive, né?
22:51Alcançar essa quantidade de seguidores.
22:53Mas, ao mesmo tempo, a mãe falou, não quero ver minha filha fazendo esse tipo de dancinha
22:57nas redes sociais que não tem conteúdo nenhum.
23:00Enfim, opinião da mãe.
23:01É, para além, assim, da exposição que me parece que a jovem estava tendo,
23:06tinha um prejuízo importante, né?
23:09Assim, no comportamento dela.
23:10Ela passava o dia inteiro em função daquilo, ela vivia aquele mundo virtual como o mundo real.
23:17Num primeiro momento, me parece, pelo que eu vi da reportagem, que houve um conflito, sim,
23:22entre as duas, essa adolescente ficou resistente, mas na entrevista ela já fala assim,
23:26caramba, eu acho que eu estava precisando disso.
23:29Então, olha o papel importante da mãe, no caso, né?
23:32Do familiar, do cuidador, de ir em cima, né?
23:35De identificar, às vezes, antes que a criança vai conseguir identificar,
23:39olha, peraí, tá demais.
23:41E a gente tem esse papel.
23:44Falar não é papel de pai, de mãe, de cuidador.
23:47Colocar limites, né?
23:48Sim, de família, sim, claro.
23:50Vamos voltar a falar aqui com a Xana, que tá lá com a Nina, com a Malu, né?
23:54Xana, já aconteceu aí na sua casa de você também pensar assim,
23:58opa, tô achando que eu vou dar uma pausa na rede social das meninas,
24:02nas redes sociais delas.
24:04Já aconteceu, inclusive, aconteceu a pausa, tá?
24:08A Nina voltou pra rede social na segunda-feira,
24:11ela ficou um mês longe das redes sociais, né?
24:15Nas férias, eu acho que fazia tempo que ela não passava umas férias assim,
24:20longe das redes, né?
24:22Sem mostrar tudo o que tá acontecendo.
24:24A Nina realmente é uma criança que posta sobre muitas coisas legais.
24:29A Nina é escritora, né?
24:30Então, ela posta sobre os livros, sobre a importância da literatura.
24:33Gosta também de fazer a dancinha ali,
24:36gosta também de fazer alguma coisa mais pro lado da comédia,
24:40mas tem muita consciência na publicação dela.
24:43Mas eu achei necessário, sim, ter que dar uma pausa.
24:45Acho que é importante a gente pensar que é legal a gente estar na rede,
24:50mas é legal, né, pra mostrar coisas legais, coisas interessantes,
24:53incentivar realmente a leitura de outras crianças,
24:57o desenvolvimento, mas é legal também a gente pensar na nossa saúde mental, né?
25:01No quão isso é importante a gente passar momentos só nossos, né, em família.
25:06A gente incentiva tanto isso, né?
25:07A gente incentiva tanto isso e não fazer, não faria sentido algum, né?
25:12Então, a gente deu essa pausa, ficou aí um mês sem rede social
25:16e tá voltando agora e também tá super divertido,
25:20tá voltando a falar de literatura, né?
25:22Falando da importância de ler, né?
25:24O quanto isso é importante, o quanto isso desenvolve.
25:27Então, se você tem coisas legais pra mostrar e incentivar,
25:31acho que é super importante, sim, mostrar isso.
25:34Tá certo.
25:34Gente, obrigada pela participação de vocês.
25:37Tá aqui um exemplo, né, de equilíbrio,
25:39de como utilizar as redes sociais,
25:40ter essa proximidade com os filhos,
25:42saber conversar sobre o assunto.
25:44Obrigada, um beijo pra vocês.
25:45Obrigada, querida.
25:46Beijo, Roberta.
25:48Beijo, tchau.
25:48Tchau, linda.
25:50Saudade do Espírito Santo, viu?
25:51Beijo grande.
25:52Beijo, tchau.
25:54Tchau.
25:54Doutora Janine, obrigada também pela sua participação.
25:56Eu que agradeço, querida.
25:58Muito legal, muito bacana aí o exemplo dela, né?
26:01Eu acho que é um exemplo a ser seguido mesmo, assim,
26:04vamos escutar essas experiências positivas.
26:07Viu aí?
26:07Vovô, vovó, papai, mamãe?
26:09Então, tá bom.
26:09Vamos agora tirar de positivo, né,
26:11isso que a gente debateu aqui no estúdio.
26:13Obrigada, viu?
26:14Eu que agradeço, querida.
26:15Até mais.