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  • há 57 minutos
Veja os sinais que podem indicar agressividade em usuários de drogas. A psicóloga Letícia Santana e o André, que vai compartilhar a experiência sobre a relação com as drogas, conversam sobre esse comportamento e os riscos do consumo de drogas para a família.

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Transcrição
00:00Como é triste, né gente? Como as drogas levam a violência para dentro das casas, das famílias.
00:07Vamos bater um papo sobre esse assunto? Vem cá, chega aqui pertinho.
00:11Aqui no nosso estúdio eu recebo a psicóloga Letícia Santana.
00:15Muito obrigada pela sua participação, Letícia.
00:17E a gente também recebe aqui o André.
00:20O André vai contar para a gente a história dele.
00:23Você viveu cenas parecidas, não é isso, André? Boa tarde.
00:27Sim, boa tarde aos ouvintes, boa tarde.
00:30Vivi, sim, violência com a minha esposa, violência verbal com o meu pai, com a esposa do meu pai, né?
00:39E foi muito triste, assim.
00:41Às vezes eu fico com vergonha de falar, mas a gente precisa falar, porque a recuperação que eu estou tendo,
00:51né?
00:51Porque a recuperação todo dia a gente tem que trabalhar ela dentro da gente.
00:55Então, é muito triste.
00:58Mas eu preciso falar, porque existem pessoas que precisam de ouvir isso, entendeu?
01:02Você, durante os quatro anos, você fez uso de qual tipo de droga?
01:07Foi o crack.
01:08O crack.
01:09Quatro anos eu usei crack.
01:10Saí da igreja e comecei a usar cocaína.
01:14Aí achava que a cocaína não estava fazendo mais efeito.
01:17Aí passei para o crack.
01:18Aí foi que eu fui para o fundo do poço mesmo.
01:22Em que momento que você começou a transformar a sua personalidade, ter sinais mais agressivos por conta das drogas?
01:30É porque o crack, ele leva a pessoa a ter uma abstinência muito forte, né?
01:36O desejo de usar muito forte.
01:39Então, aí eu percebi que eu estava já dominado e não conseguia parar.
01:43E como que você expressava essa agressividade, André?
01:48Ah, era, principalmente na abstinência, era terrível.
01:53Agredia a minha esposa.
01:56Às vezes eu usava droga, eu procurava alguma coisa para fazer, mas nem sempre achava, né?
02:03E furtava.
02:04São coisas terríveis que a gente faz que hoje eu sinto vergonha do que eu fiz aquilo.
02:10Mas é muito importante, como você mesmo já disse, é muito importante abrir isso para fazer um alerta.
02:17É verdade.
02:18E aí, Letícia, a gente quer entender qual é a relação das drogas com essa agressividade, com essa mudança no
02:25comportamento
02:26que, às vezes, a pessoa está iniciando ali naquele caminho e pensa assim, não, mas é uma coisa minha.
02:32Não, minha família não tem nada a ver.
02:33Mas, sim, a família pode acabar pagando por isso também.
02:37Sim, boa tarde a todos.
02:38Boa tarde.
02:39Assim, parabenizando mesmo a coragem do André, que já teve aqui algumas vezes, né, André?
02:43E é tão importante mesmo, assim, ouvir dele que esteve nesse lugar e saiu desse lugar.
02:49Porque a gente está falando de algo que interfere na química do seu cérebro.
02:54E que traz mesmo uma reação, muitas vezes, de violência num contexto de privação dessa droga.
03:00Então, a agressividade, muitas vezes, ela está presente quando esse indivíduo que já está tomado pelo vício
03:06se vê longe dessa química, né, vamos dizer assim.
03:11E a família acaba sendo o meio que mais recebe a influência dessa agressividade porque está ali na convivência diária,
03:18né?
03:19Como que era a sua reação no dia seguinte, quando você estava naquele momento de cara limpa?
03:25Você conseguia se recordar, André, de tudo o que acontecia?
03:29Consegue sim recordar, consegue, mas a química da droga, ela é terrível.
03:36Ela neutraliza o amor da família, entendeu?
03:40Ela neutraliza o carinho que a gente sente pela esposa, pelos filhos, entendeu?
03:47Eu quero falar algo aqui muito triste, que eu sinto vergonha.
03:51Hoje eu cuido dela direitinho, que é minha filha.
03:54Eu usei droga perto da minha filha, entendeu?
03:57Aí hoje eu paro para pensar o que a droga fez comigo, entendeu?
04:03Eu perdi todo o sentido de amor pela minha família, pela responsabilidade que eu fiz diante de Deus e dos
04:10convidados do casamento,
04:12de ser fiel, de amar, entendeu?
04:14Então, a droga é droga.
04:16Ela faz a gente fazer coisas que a gente não quer fazer e acaba fazendo.
04:19Mas não sinta vergonha, não.
04:22O apelido dele hoje, gente, é André Vencedor, justamente porque ele deu a volta por cima.
04:27Está aqui, com muita coragem, dando esse relato e levando esse alerta para as famílias.
04:33E aí, Letícia, a gente se pergunta, diante dessa situação, o que a família, naquele exato momento,
04:40de que forma que a família pode ajudar?
04:43Às vezes a pessoa está naquela euforia, está naquele momento tão agressivo, a gente não sabe se contém, se sai
04:50de perto.
04:51Como que a gente age?
04:53Pois é, Roberta.
04:54É tão difícil te dar essa resposta, porque não existe uma regra.
04:58Porque muitas vezes a família também está numa situação de vulnerabilidade, vivendo e sendo vítima, muitas vezes, dessa violência.
05:05Agora, uma questão muito importante é o acolhimento e a busca por elementos que possam trazer uma intervenção
05:14nesse indivíduo, nesse componente da família que está adoecido.
05:18Porque a gente precisa compreender que a dependência química é um adoecimento
05:21e nessa condição precisa de tratamento, precisa de intervenção e precisa de ajuda.
05:26Então, no caso da família que está sofrendo diretamente a violência ou a agressividade,
05:31fruto dessa questão química, ela precisa muitas vezes se afastar desse indivíduo pela própria preservação da integridade dela.
05:38Mas também buscar estratégias sociais, familiares, redes de apoio, igreja, como você bem mencionou essa questão,
05:46para que esse sujeito, ele possa sim ter a chance de ser reabilitado, né?
05:50Tinha alguém da sua família, alguém conseguia te conter diante de um ataque desses que você tinha de agressividade, André?
05:58Não, não tinha não.
06:00O que que fazia, então, você acalmar?
06:05Quando eu estava usando droga, aí fazia eu acalmar, eu ficava tranquilo, entendeu?
06:10Mas depois que passava aquela onda da droga, entendeu?
06:15A agressão era... porque quando eu usava droga, eu ficava calmo, entendeu?
06:20Quando eu não usava, eu estava na abstinência, eu era respondão, eu era agressivo verbalmente, entendeu?
06:28Eu era terrível.
06:29O André trouxe uma fala anterior, Letícia, que me chamou atenção, que ele falou assim,
06:34que a droga fez neutralizar o amor pela família.
06:37Começa assim, começa com essa frieza no sentimento, e aí depois isso pode ir aumentando?
06:43É porque a gente está falando de um ciclo, né, Roberto?
06:46Um ciclo que ele muitas vezes se retroalimenta.
06:49A gente sabe que às vezes o André mencionou que ele fazia uso de cocaína.
06:52Nem sempre a cocaína é a droga de entrada.
06:55Às vezes a droga de entrada é o álcool, a maconha, não sei se o André tem essa experiência.
06:59E aí depois ele vai buscando drogas mais fortes para buscar o mesmo efeito, né, o mesmo efeito de prazer
07:06que as drogas anteriores traziam.
07:08E aí fica nesse ciclo de uso e abstinência, né, e na abstinência vem a agressividade e acaba buscando por
07:16drogas mais fortes.
07:17E a gente precisa entender que esse ciclo, muitas vezes, ele não consegue ser quebrado pelo próprio indivíduo.
07:23Porque aí a droga já tomou conta das suas funções, dos seus mecanismos de escolha e está completamente envolvido naquele
07:31ciclo dopaminético que a droga traz.
07:34E aí é importante sim que haja um agente externo para trazer essa ruptura.
07:38Não sei se o André pode dizer para a gente como é que ele conseguiu fazer esse corte.
07:43Porque realmente, quando a droga, ela entra e ela toma conta do indivíduo, ele também toma conta das suas vontades,
07:49das suas relações afetivas.
07:51A única coisa que ele quer é usar aquela substância para sentir novamente esse prazer, né?
07:55Então daqui a pouco você vai contar para a gente, André, como é que foi que você conseguiu sair de
08:00todo esse contexto,
08:01porque a gente está vendo o que a droga pode causar, né?
08:04Não só a dependência, devastar o indivíduo em si, mas toda a família, destruir a base da família que é
08:11o amor.
08:11E olha, gente, não foi só esse caso que a gente mostrou agora, não.
08:15Uma menina de 13 anos, ela foi agredida pelo pai, depois de não conseguir comprar para ele as drogas que
08:23o pai estava tanto pedindo.
08:24O agressor foi denunciado pela mãe da adolescente e não voltou mais para casa. Vamos ver.
08:31Uma verdadeira sessão de tortura.
08:34A menina de 13 anos teve braços e costelas quebrados, vítima de uma ação selvagem do próprio pai.
08:42Luane estava casada com Juan há quase 20 anos.
08:45Ela revelou que o homem já tinha um histórico de agressões, mas contou que nunca tinha passado por nada parecido
08:54com as crianças.
08:55Eu falava para ele, enquanto é comigo, eu posso aguentar até onde eu quiser.
08:59Mas se você mexer em um dos nossos filhos aí, vai ser diferente.
09:02Juan Carlos Costa é alcoólatra e viciado em drogas.
09:07Ele cuidava dos três filhos quando teve uma crise de abstinência.
09:11E pediu que a mais velha fosse a uma boca de fumo comprar drogas.
09:16O local fica próximo à casa da família, em Santa Cruz.
09:20Como os criminosos se negaram a vender os entorpecentes, a menina foi espancada ao explicar a situação ao pai.
09:29A adolescente foi socorrida pela mãe e levada ao Hospital Municipal Pedro II.
09:35Debilitada, a menina está se locomovendo sobre cadeira de rodas e não tem ido à escola.
09:42Mãe e filha prestaram depoimento na delegacia de Santa Cruz, onde o caso segue em investigação.
09:49Mesmo com um pedido de medida protetiva, uma semana após o crime, o homem voltou a procurar a mulher e
09:56os três filhos,
09:57que com medo buscaram refúgio na casa de parentes.
10:01Não caiu na minha cabeça que uma pessoa, sendo um pai, que poderia estar ajudando, cuidando, a fazer isso.
10:10Porque ele nunca bateu nas crianças em questão de agredir.
10:13Ele corrigia, sim, mas em questão de agredir, nunca, nunca.
10:17É difícil, né, pra gente que tá aqui assistindo, entender que de fato só tem uma única explicação.
10:23A gente tá falando aí das drogas, dos efeitos dela, como ela pode devastar uma família e romper, né, esse
10:29amor do pai e filha.
10:31E aí a gente se pergunta, em que momento que geralmente começa a aparecer esses sinais de agressividade?
10:38Vamos bater um papo também, convidar aqui pra nossa conversa?
10:41A doutora Letícia Mamério, ela é psiquiatra e ela vai explicar melhor pra gente, até porque através, às vezes, dos
10:48sinais agressivos que muitos pais começam a se dar conta
10:52que o filho ou a filha pode estar usando droga, Letícia.
10:56Muito obrigada pela sua participação.
10:58Boa tarde, gente.
11:00Boa tarde a todos.
11:00Boa tarde a todos.
11:30Permissividade de uso, tá?
11:33E a maior parte das pessoas começa pelo álcool.
11:37Tanto que a gente vê muitas pessoas bebendo e até ficando um pouco transtornada.
11:44Isso.
11:45A gente tem várias histórias, inclusive em jornal, toda semana, é violência, violência física, é acidente.
11:56Então, assim, o álcool, o quantitativo do dano pelo álcool, ele é maior até do que pelas drogas ilícitas, tá?
12:07Justamente porque ele é uma droga lícita, aceitável pela sociedade e isso faz com que ele seja tão devastador.
12:17Outra coisa que eu queria pontuar, Roberta, é que a droga, ela não dá violência, assim, ela não gera violência
12:26só quando você está em abstinência.
12:29Dependendo do tipo da droga, ela pode gerar violência também quando você está sob o efeito dela.
12:38Então, o André, ele usava droga e ficava calmo.
12:42Mas não é assim com a grande maioria das pessoas que fazem uso de drogas, tá?
12:47As drogas, inclusive, que têm um efeito estimulante, como cocaína, crack, eles tendem a dar muita agressividade e agitação no
13:00período de efeito da droga, tá?
13:02A gente não precisa chegar na abstinência para isso, não.
13:05E explica pra gente o porquê disso, doutora Letícia, como que a droga age no nosso organismo que pode fazer
13:12com que a pessoa comece a ficar mais agressiva e chegar a atos de violência?
13:17Às vezes com quem a pessoa até ama, que foi o caso que a gente viu do pai com essa
13:21filha.
13:23Então, as drogas, elas são divididas pra gente, do ponto de vista técnico, em classes, né?
13:29Então, quando a gente fala da classe dos estimulantes, que é principalmente aqui no Brasil, a gente tá falando de
13:37cocaína, de crack,
13:40essas drogas, elas vão agir no cérebro causando um aumento do estímulo.
13:47Então, você vê que as pessoas, às vezes, ficam dias e dias e dias sem ter necessidade de comer,
13:52elas podem andar quilômetros sem ter necessidade de descanso, não dormem, porque eles são substâncias que causam agitação.
14:05Então, elas fazem com que o cérebro trabalhe no ritmo muito mais acelerado, né?
14:10E nesse caso, você pode ter crises e surtos de agressividade.
14:14A pessoa, ela não tá nem enxergando quem que tá ao redor dela.
14:20E isso que eu ia perguntar, a gente se pergunta assim, aonde é que tá o amor?
14:25Cadê o amor?
14:26Naquele momento ali do que a gente acabou de mostrar, de um pai que quebrou.
14:30O pai quebrou a filha ali, uma menina, uma adolescente de 13 anos.
14:34Então, na visão dele, se fosse a filha, se fosse qualquer outra pessoa ali, ele faria o mesmo?
14:40Do mesmo jeito.
14:42Ali, assim, é transcede, entendeu, Roberta?
14:47Transcede.
14:47Ele não pensa em quem é que tá ali.
14:49Ele não consegue pensar.
14:50É como se o cérebro estivesse em curto circuito.
14:55A rotação tá muito, muito, muito, muito, muito maior do que o normal.
15:00E os neurônios, a transmissão dos impulsos no cérebro, eles não tão funcionando como funciona
15:07num cérebro que não tá sob efeito da droga, né?
15:11Então, isso é uma coisa muito comum.
15:13Outra coisa comum de dar a esses surtos de agressividade é o que a gente chama de delírio
15:21persecutório, que a droga pode causar.
15:24A pessoa tem a sensação de que ela está sendo perseguida.
15:28E aí, ela não vê que a família, ela não vê nada.
15:32Na verdade, ela tá sendo perseguida, querem matar e por aí vai.
15:36Ela só vai se defender e o ser humano é um animal.
15:40Então, pra se defender, ele é capaz de qualquer coisa.
15:44Na cabeça dele, ele tá sendo agredido, entendeu?
15:47Perfeito.
15:48Já volto a falar com você, doutora Letícia Mamere, que aqui no estúdio eu quero repercutir
15:52com a Letícia Santana os efeitos que isso pode trazer, por exemplo, pra essa adolescente.
15:57Olha o que o pai dela, a pessoa que ela tem como referência de amor, talvez ali de exemplo,
16:04tinha até então.
16:05Olha o que o pai, na visão dessa adolescente, pôde fazer com ela.
16:09Sim, e essa menina precisa de muito acolhimento, né, Roberto?
16:12Porque a gente parte do pressuposto que uma família equilibrada, estruturada, onde afeto,
16:17amor, cuidado, é a base pra que a autoestima se fortaleça, pra que a saúde emocional se
16:23consolide.
16:24Então, diante de um episódio como esse, essa menina precisa ser cuidada, precisa ser
16:28ouvida, precisa ser assistida na sua dor, tanto física quanto emocional e nas suas
16:34vulnerabilidades, né?
16:35E mesmo que esse pai, né, depois passe por algum processo de transformação, até
16:40essa reconexão com os dois também precisa ser bastante trabalhada, porque com certeza,
16:45assim, fica aí uma ferida emocional bastante significativa e importante na vida dessa menina
16:51e ela precisa mesmo de um olhaço.
16:53Você conseguiu se reconectar com a sua filha, embora, vamos deixar bem claro que o André
16:58não chegou a esse ponto com a filha, né, André?
17:01Não, não, agredi assim não, mas agredi a minha esposa.
17:05Isso aí tem que ser construído, essa confiança tem que ser construída.
17:11A gente sabe, eu tenho ciência que existe ainda alguma coisa que precisa ser trabalhada,
17:17entendeu?
17:18A gente se dá bem, tudo, mas é algo que não é rápido, trabalhado rápido.
17:24Tem que ser trabalhando ao dia a dia.
17:26No dia seguinte, você, depois que se dava conta do que tinha acontecido, você chegava
17:32a se arrepender, batia esse sentimento de arrependimento, André?
17:35Sim, o arrependimento, ele vem quando você está sem o uso da droga, entendeu?
17:39Mas é... quando vem a abstinência, você esquece tudo, entendeu?
17:44É isso que a doutora Letícia Mameri explicou pra gente?
17:47É como se o cérebro tivesse entrado ali em curto circuito e aí se não for, se não
17:53fosse a sua esposa ou qualquer outra pessoa na frente, o impulso era o mesmo?
17:57Era o mesmo.
18:02Hoje, olhando pra trás, tudo isso que você passou, qual é a lição que você tira disso
18:07tudo, André?
18:09A lição é dolorida, dói muito, mas é algo que eu não posso arrancar de mim.
18:15Eu tenho que ter inteligência e sabedoria pra conviver com isso a cada dia.
18:19Eu já sei que droga é uma droga, então eu não posso voltar pra esse caminho.
18:24Eu sei que eu vou perder minha esposa, eu sei que eu vou ser agressivo, então eu tenho
18:28que seguir, entendeu, o caminho que Deus tá preparando pra mim, entendeu?
18:33Quais prejuízos você chegou a ter por conta das drogas?
18:37Ah, eu acho que o prejuízo maior que um pai de família pode causar com isso é perca
18:44da família, né, de estruturar tudo, o amor, entendeu?
18:50Em vez de a gente tá passeando, viajando, eu tô usando droga, creio que eu perdi muita
18:56coisa, perdi muita coisa, mas graças a Deus eu me conscientizei, né, estou aqui graças
19:03a Deus pra testemunhar isso e dizer que droga é uma droga e não presta.
19:08Deixa eu voltar a falar com a doutora Letícia Maméri, que ela vai explicar agora pra gente
19:12também quais são as principais drogas, ela já falou algumas, do crack, a cocaína, o
19:18álcool também, né, doutora Letícia?
19:20As principais que podem levar essa agressividade, né, pro ser humano.
19:27Então, as principais, assim, que a gente vê no nosso país, tá, em termos de frequência
19:33de uso, ainda são essas.
19:35A gente tem o uso da maconha, que pode dar um efeito um pouco diferente inicial, mas que
19:45dá demais delírio persecutório, então é normal a pessoa entrar num quadro de paranoia
19:52e muitas vezes fazer uma besteira porque tá completamente fora de si, tá no meio da
20:00paranoia.
20:01A gente tem as drogas sintéticas que estão ganhando cada vez mais força e que é muito
20:08complicado, porque não se sabe direito nem o que que tem nessas drogas sintéticas, nem
20:12o que que eles colocam.
20:13Imagina, as pessoas estão utilizando coisas que não sabem nem o que que tem ali dentro,
20:18né, e que podem dar dos mais diversos efeitos.
20:23Mas hoje, a grosso modo, no nosso país, o que a gente vê, inclusive nas ruas, é álcool
20:30e crack, né, cocaína, mas mais no dia a dia das ruas mesmo, é álcool e crack.
20:38Doutora, olha só o comentário aqui da Sueli Marques, ela disse, meu filho, quando era dependente,
20:43nunca foi agressivo comigo e nem com o pai, mas com as namoradas, ele às vezes era agressivo.
20:51O nível de violência, ele pode ir aumentando?
20:56Claro, assim, à medida que você tem uma degradação maior desse cérebro e das relações,
21:05você pode ter uma consequência em relação à violência pior, né.
21:12Talvez ele tenha, ele apresentasse mais violência com as namoradas do que com os pais,
21:18porque pode ser que elas estivessem mais ao lado dele, sob o efeito da droga, do que
21:25os pais, né, porque muitas vezes eles preferem se isolar um pouco para fazer o uso da droga,
21:33isolar dos pais.
21:35E doutora, uma dúvida que a gente tem, desculpa te interromper, que a gente tem um tempinho
21:40um pouco mais apertado, desculpa, é a respeito do momento, o ideal é, claro, fazer um tratamento,
21:46mas diante daquela crise, naquele momento que ele está agressivo, o que a família pode fazer?
21:53Eu sempre oriento chamar a polícia.
21:58Polícia, SAMU, porque o que acontece?
22:01A força é descomunal na crise, tá?
22:07A pessoa está fora de si e o tamanho da força também é muito maior do que um tamanho de
22:14força natural
22:15que aquela pessoa teria e pode acontecer de tudo, pode acontecer morte.
22:21Então, nesse momento, a pessoa precisa ser contida e precisa ser levada a um centro de atendimento
22:28para que seja feita medicação para tirar ela desse surto.
22:32E para isso, não vai ser o pai, a mãe, a namorada, a esposa que vai conseguir fazer.
22:38Vai ter que ter ajuda especializada, ou da polícia, ou do SAMU, ou dos dois, não tem jeito.
22:47Então, não queira resolver o problema e pensar que, ah, eu não vou fazer isso porque eu vou estar prejudicando.
22:55Não, você pode estar salvando a vida dele, salvando a sua vida e salvando a vida de outras pessoas envolvidas.
23:02Porque a gente também não sabe o que a pessoa pode fazer contra ela mesma, né, Roberta?
23:08É que a gente está falando de violência contra terceiros, mas muito do que a gente sabe de histórias de
23:15suicídio
23:18foram quadros de surtos em uso de droga e a pessoa acaba atentando contra a própria vida, né?
23:25Tá certo. Doutora Letícia Mamério, muito obrigada pela sua contribuição com esse assunto muito importante.
23:30Obrigada.
23:30Obrigada, viu? Uma boa tarde para você.
23:32Obrigada, boa tarde.
23:33E para a gente finalizar esse assunto, como a gente já apresentou o André, como o André vencedor,
23:38que esse é o nome que ele se tornou conhecido, eu queria que você, respondendo a pergunta da Letícia Santana,
23:44como é que você fez para sair desse ciclo?
23:47Quando a minha esposa foi embora. Quando a minha esposa foi embora, aí eu parei de usar droga uns dias,
23:53mas mesmo assim tentava usar, mas depois que eu vi que ela foi embora mesmo, aí a ficha caiu.
24:00Buscou ajuda?
24:01Busquei.
24:02Qual foi a ajuda principal?
24:04Eu fui na casa de um amigo e um amigo, o Ricardo, ele me direcionou a um rapaz que estava
24:10aqui do Paraná
24:11e eu fui parar numa clínica que foi a Igreja Luterana Livre de São Geraldo II, que pagou todas as
24:17minhas despesas
24:18para mim fazer o tratamento lá no Paraná. Aí quando eu comecei a fazer o tratamento, eu não consegui ficar
24:23lá
24:23porque estava tendo um problema aqui no estado de muita chuva e eu pensava que a minha esposa não estava
24:29entrando
24:29em contato comigo por causa que tinha acontecido alguma coisa com ela.
24:34Perfeito. Parabéns por você ser um vencedor, viu André?
24:36Obrigada.
24:36Obrigada, viu? Sinto orgulho da sua história, de você ter ressignificado tudo isso.
24:40Obrigado.
24:41Letícia Santana, o nosso tempo acabou, mas a gente sabe que ele está deixando aqui uma grande lição, né?
24:45De como é possível dar a volta por cima.
24:46Sim, uma grande lição para toda a sociedade, mas principalmente para a filha dele, para a família dele,
24:52que vê nele um desejo de reestruturar a própria história, escrever de novo.
24:57Eu tenho certeza que agora com uma trajetória muito mais feliz.
25:01Tá certo, gente. Muito obrigada, viu?
25:03Obrigada.
25:03Uma boa tarde para você.
25:04Boa tarde.

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