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  • há 3 semanas
Jovens lidam com as frustações abusando do uso e consumo de drogas, remédios e bebidas

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Transcrição
00:00E esse a gente sabe que é um problema que os estudiosos já apontam.
00:05A geração de hoje, muitos não conseguem lidar com as frustrações, com as perdas, com os medos
00:13e acaba indo por um outro caminho, descontando da bebida, outros nas drogas, outros em remédios.
00:22Isso se torna um grande problema e também um perigo.
00:25E a gente vai bater um papo sobre esse assunto agora.
00:27Vem cá, participa com a gente.
00:29Aqui no nosso estúdio, eu recebo a psicóloga Luciano Infantini.
00:32Muito obrigada pela sua participação, Lu, mais uma vez aqui no programa.
00:36Obrigada.
00:36Boa tarde.
00:36E a gente também recebe aqui o Marcos.
00:39Marcos, ele é personal trainer e ele até se identifica em certa parte com essa história
00:45que a gente acabou de mostrar aí, né?
00:46Sim, sim, sim.
00:47Até porque minha avó também, ela veio a falecer e eu passei também por essa situação.
00:51E diferente dele, né?
00:53Em vez de eu ir para esse lado das drogas, da bebida, eu tentei fazer o diferente, focar
01:00mais no trabalho, focar mais na minha vida diária, nos meus afazeres e evitar de deixar
01:07que a cabeça acaba você levando para esses prazeres momentâneos, né?
01:11Que é esses prazeres de droga, bebida, que querendo ou não, em vez de te ajudar, te atrapalha
01:16mais e mais, te faz você afundar mais e mais, né?
01:18Você perdeu a sua avó há seis anos.
01:21O que ela representava para você?
01:23Como é que era a sua relação com a sua avó?
01:25Minha avó era uma segunda mãe para mim, ela sempre morou lá com a gente lá e ela
01:29passou pela situação e acabou vindo a falecer, né?
01:32Ela teve uma queda, ficou acamada, com isso veio algumas comorbidades.
01:36Ela veio a falecer e, nossa senhora, foi muito difícil.
01:40Tivemos um período muito grande de sofrimento, mas temos que modificar um pouco o foco, né?
01:46Como é que você fez, então, Marcos, para modificar esse foco?
01:51Eu tentei mais, tipo, trabalhar mais vezes, focar mais nos treinos em si e tentar também
01:57ajudar minha mãe a passar por essa situação, que para ela é muito mais difícil ainda,
02:02porque era mãe dela, né?
02:03Então, ela precisou muito da minha ajuda.
02:06Então, eu tentei focar nessas situações para tentar elevar.
02:10Lu, esse relato aqui do Marcos, infelizmente, a gente sabe que não é todo mundo que enfrenta
02:17com certa maturidade, porque é um sentimento que a gente não consegue...
02:22Só quem vive, só quem passa por isso, que sabe dizer como que é enfrentar, seja ele
02:26qual for, né?
02:28Uma perda de um ente querido, um outro rompimento, às vezes, de um relacionamento.
02:34Cada um encara de um jeito diferente.
02:36Mas o que faz uma pessoa, assim como o Marcos, decidir por outro caminho, né?
02:41Você, eu vou enfrentar esse luto?
02:43Ou, então, o que faz uma pessoa, às vezes, tentar tapar o sol com a peneira, né?
02:50Bom, Roberta, é multifatorial, né?
02:53Sempre essas questões a gente não pode falar de uma única causa, mas uma coisa que eu observo
02:58é uma cultura de permissividade que já vem há muito tempo e respaldada por algumas
03:03teorias educacionais nada científicas, sabe?
03:06Hoje a gente vê no Instagram, eu acho até um absurdo as pessoas letradas com nível
03:12superior e tudo, ficam cultuando como educar as crianças sem dizer não.
03:16Acho que você já deve ter ouvido, visto sites, Instagram e coisa do tipo.
03:21E isso não tem, eu reforço, não tem embasamento científico, porque a criança precisa entender
03:26o não desde sempre.
03:27A criança não tem que ser abusada, não tem que ser agredida, violentada, mas o não,
03:31ele é parte, ele é constituição, né?
03:34Do nosso estar em sociedade.
03:37E aí, assim, eu vejo isso, sou professora do ensino superior há 22 anos, há 22 anos
03:42eu escuto, ah, é verdade que não pode dizer não para a criança?
03:44Eu falo, não existe isso, tem que dizer não para a criança.
03:47Um não, com amor, com carinho.
03:49Então, assim, o que isso tem a ver com frustração?
03:52A criança fica desprotegida, ela não sabe lidar com as frustrações.
03:55Receber um não porque não vai comer um pirulito antes do almoço, é importante para ela entender
04:02que na vida não é o que ela quer o tempo todo.
04:04Então, ela vai aprender que não pode comer o pirulito, depois ela vai aprender que não
04:07pode bater no coleguinha, depois ela vai aprender que não pode, enfim, tem coisas que ela não
04:12pode fazer.
04:13E aí, quando esse não chega na idade adulta ou mesmo na adolescência, ela já está
04:18mais tranquila, ela já sabe lidar mais com isso.
04:20Então, eu vejo, né, como um fator, assim, bastante cruel até da cultura, né?
04:25De, ah, vamos criar a criança sem dizer não.
04:27Para quê?
04:27Para ela sofrer lá na frente?
04:28Quando protege demais, quando blinda demais, uma hora a vida naturalmente vai fazer com
04:34que a pessoa fique frente a frente com esses sentimentos.
04:38E vai criar uma fragilidade, né?
04:40Porque ela vai buscar apenas pelos sentimentos positivos.
04:43As crianças hoje querem sentir prazer, felicidade e não sentir dor, não sentir medo, não sentir
04:50raiva.
04:51Só que isso é parte da vida.
04:52Todas as emoções existem para que a gente sinta.
04:56Elas querem nos dizer alguma coisa.
04:58Então, não é assim, ah, eu vou fugir das emoções negativas e só quero sentir prazer,
05:02alegria e felicidade.
05:03Isso não existe, né?
05:04É parte da vida, mas a gente tem que ter calma, resignação, como você teve, né?
05:08Você está de parabéns, inclusive, porque requer muita maturidade emocional.
05:13É muito difícil, né, nesse momento, você, igual a questão que eu falei, de você procurar
05:18prazeres momentâneos, né?
05:20Você quer, tipo, tampar aquela dor com uma coisa rápida, que muitas vezes vai para a
05:26questão da bebida, vai a questão das drogas em si e que vai ser, como diz, né, momentâneo.
05:32Passou a dor, volta de novo e você vai afetando.
05:36Você tem que passar pelo luto, né?
05:37Eu acho assim.
05:38A gente vai convidar aqui pro nosso bate-papo, gente, a Letícia Pimenta.
05:42Ela perdeu a mãe faz cinco anos e também passou por momentos difíceis.
05:46Não é isso, Letícia?
05:47Boa tarde.
05:48Obrigada pela sua participação, viu?
05:51Queria que você voltasse pra gente como é que foi, né, o Itô, como é que está sendo
05:56pra você até hoje encarar essa dor.
06:00É o que você falou no início da entrevista.
06:04A gente acaba perdendo o chão.
06:06A gente não tem, parece que a gente vai caindo num buraco, sem fundo.
06:11Aí você vai olhando assim, gente, aonde eu tô?
06:13Por que que aconteceu isso?
06:15Porque é uma perda.
06:17Eu perdi minha mãe e minha mãe era tudo pra mim.
06:21Em todos os sentidos, né?
06:23Tinha um momento que eu fazia coisa errada, lógico, e ela automaticamente já me aconselhava,
06:31não é assim, não vai ser assim.
06:34Por outro lado, ela sempre falou bem assim, é isso mesmo que você quer?
06:38Vai em frente.
06:40Eu falo assim, ela me deu maior força pra minhas viagens atrás da Ivete, por exemplo.
06:48E a perda dela foi, assim, não dá nem pra imaginar a sensação do vazio que ela faz.
06:56Então, a gente, assim, drogas nem tem, não, como é que se diz, não é do meu caráter isso, né?
07:09Mas a bebida, infelizmente, a gente acaba utilizando um meio pra esquecer um pouco dos problemas, entendeu?
07:20E esse seu caso, Letícia, o que que você começou a perceber em relação à bebida?
07:25Aumentou a frequência?
07:26Você começou a fazer uso de outras bebidas também?
07:29O que que você percebeu em relação ao seu comportamento?
07:33Bom, até mesmo pelo fato de que, muitas vezes, a gente acaba se entregando por causa que vem a ansiedade,
07:45vem a depressão, vem o lado negativo das coisas que, tipo, bate aquela sensação que você não é autossuficiente, né?
07:57Por que que estão acontecendo tantas coisas ao lado mais negativo do que positivo?
08:03Daí você acaba bebendo pra tentar tampar o sol com a peneira.
08:09Uma forma de criar um refúgio, né?
08:11Continua com a gente, Leia, que eu vou trazer esse seu caso, então, aqui pro estúdio, com a Luciana Infantini,
08:16ela é psicóloga.
08:17Lu, assim como a Letícia, a gente sabe quantas outras pessoas, né?
08:20Como eu já disse, às vezes é um rompimento amoroso, às vezes é a perda de um ente querido,
08:27que a pessoa não sabe lidar com aquilo e acaba se refugiando, no caso da Letícia, pro álcool.
08:32Mas tem pessoas que pras drogas, outros pra medicamentos.
08:35Por quê?
08:36Então, Roberta, como eu disse, todo sentimento, ele existe pra ser sentido, né?
08:41Com relação à tristeza, tem uma coisa muito interessante, é que a gente pode aprender com ela.
08:45A tristeza nos ensina que nós somos frágeis, que nós dependemos uns dos outros enquanto sociedade.
08:52Então, isso nos mostra que em momentos, assim, a melhor coisa é buscar rede de apoio.
08:56Buscar uma avó, um tio, né?
08:58Como você fez, tentar ajudar sua mãe.
09:00Então, essa fragilidade, ela acaba nos ensinando também como viver melhor em sociedade.
09:07E a outra coisa é a ressignificação que acaba acontecendo, né?
09:10Eu lembro de um caso, assim, já bastante antigo, em que a pessoa ressignificou a dor da perda,
09:19falando, né, de uma forma muito bonita, né, que não queria que aquela dor fosse embora,
09:26porque era uma forma de honrar a pessoa que tinha ido.
09:29Eu achei lindo, lindíssimo.
09:31Eu arrepio até hoje de lembrar da maturidade dessa pessoa, de falar,
09:34é isso, a dor não vai desaparecer, mas eu vou viver apesar da dor.
09:39No caso da bebida, das drogas, dos remédios, né, que as pessoas também ficam dependentes
09:45de vários medicamentos, são sensações momentâneas que a pessoa também busca
09:52para mascarar aquela dor?
09:54Sim, sim, mas é como você falou também aqui, né, ainda bem que você percebeu, é fugaz,
10:00passa rápido e a dor está lhe incomodando.
10:03Então, a melhor coisa é encarar essa dor de frente, olhar para essa dor, o que essa dor
10:07está querendo mostrar, ressignificar essa dor e depois ela vai embora, sabe?
10:12Mas não dá para fugir.
10:13Quanto mais se foge, parece que mais essa dor persegue.
10:16Mais ela vira um fantasma e, às vezes, exagerado, né?
10:19Marcos, você conseguiu ressignificar essa dor?
10:23Como assim, ressignificar?
10:24Dá um novo sentido.
10:25Dá um outro sentido.
10:26Sim, sim, sim, com certeza.
10:28Hoje a gente consegue ter um entendimento melhor, né, sobre tudo o que ocorreu, que ela estava
10:34passando por um sofrimento muito grande, ela já estava acamada, entendeu?
10:38Ela já estava sofrendo com aquela situação, entendeu?
10:42O que ocorreu, a gente tentamos, da melhor forma, ressignificar e sair daquele luto terrível
10:49que estávamos.
10:50Agora, olha só que interessante, né?
10:52A profissão dele, a profissão do Marcos.
10:54Ele trabalha com atividades físicas, é professor, né?
10:59E isso sempre é, a gente percebe que a atividade física é sempre uma recomendação para fugir,
11:07para fugir não, perdão pela palavra, viu?
11:09Para você saber lidar, enfrentar mesmo essa dor, querendo ou não, o trabalho dele acabou
11:16ajudando, né?
11:17É, você deve ter percebido isso também, né?
11:21E a gente recomenda atividade física porque ela vai mostrando a força que nós temos interna,
11:26mesmo quando nós nem acreditamos nessa força.
11:28E às vezes vem pelo condicionamento físico, né?
11:31E isso se reflete também na psique.
11:33E é claro que sem contar que, do ponto de vista biológico, tem endorfinas, tem algo
11:39químico ali acontecendo que dá uma sensação prazerosa.
11:41Então, é super recomendado.
11:43Pode falar, perdão.
11:44E aí vai a questão do prazer momentâneo.
11:47Procura prazer momentâneo na endorfina.
11:50Melhor, né?
11:51Exatamente, é muito melhor.
11:53E além de você estar cuidando da sua saúde, você está tendo um prazer.
11:56E não vai ser só momentâneo, né?
11:58Com o ganho da sua massa muscular, melhora a sua estética também.
12:03Qualidade de vida, né?
12:04Qualidade de vida, saúde.
12:06De dentro pra fora, realmente.
12:07Deixa eu voltar a falar com a Letícia Pimenta, que ela participa com a gente por ligação
12:11de vídeo.
12:12Letícia, uma outra dica que a Luciane passou aqui pra gente, né?
12:16É se aproximar de outras pessoas, ter essa rede de apoio e, de repente, criar um vínculo
12:22ainda maior.
12:23E eu acredito que foi isso que aconteceu também com você e com a sua avó, depois da perda
12:28da sua mãe?
12:29O que que aconteceu?
12:30A pandemia veio, né?
12:32E aí a gente teve que, se fazer igual a outro, ficar mais em casa.
12:39E nesse período, a minha avó, que morava comigo, ela foi pra casa da minha tia.
12:44E era a única rede de apoio que eu tinha, assim, naquela época.
12:49E automaticamente eu me vi sozinha.
12:53Mas aí vocês falaram uma coisa que faz coerência, o trabalho.
12:57Porque, tipo assim, foi nesse momento, depois de dois anos, que eu me vi, assim, me preparada
13:05pra, como se fosse uma missão de vida.
13:08Tipo assim, cuidar de idosos.
13:11Me faz, tipo, como se eu tivesse cuidando novamente da minha mãe, mas me dedicando pras
13:17outras, entendeu?
13:18Olha isso, a Luciana Infantino tá até aqui falando, elogiando, né?
13:22Como que foi a forma que ela ressignificou essa dor.
13:24Exatamente, parabéns também.
13:26Conseguiu ressignificar, dando um propósito de vida super nobre pra sociedade, né?
13:31Doando pra outras pessoas.
13:33Perfeito.
13:33Foi muito bom.
13:34Agora, olha só, a gente vai ver o relato do Luciano Francisco.
13:38O irmão dele passou por uma separação.
13:41Teve dificuldades pra lidar com esse momento.
13:43E o final, gente, foi muito triste pra toda a família.
13:47Eu perdi um irmão, Roberta, há uns três anos atrás.
13:52Ele foi pra Rio Bananal, conheceu uma pessoa lá e trouxe ela pra cá, pra Cariacica.
14:00Aí eles casaram.
14:02Aí com pouco tempo, o casamento foi desgastando e tal.
14:06Ela arrumou outra pessoa e separou dele.
14:09Aí ele não aguentou suportar essa dor.
14:13Aí começou a partir pra cerveja.
14:16Depois da cerveja, ele foi pra cachaça.
14:19Da cachaça, ele foi parar nas drogas, entendeu?
14:22Nós fizemos de tudo pra poder ajudar ele.
14:25Internamos ele, colocamos numa clínica boa.
14:29Dava o suporte que ele merecia, entendeu?
14:32Fizemos de tudo, mas na realidade ele não suportou isso.
14:38Foi se enfiando cada vez mais no álcool, nas drogas.
14:42E acabou que três anos atrás, agora, ele faleceu.
14:47Isso foi uma dor muito forte pra nós, pra toda a família.
14:50Nós sentimos muito.
14:53Luciano, obrigada pelo seu depoimento, viu?
14:55E a gente vê o quanto que a família sofre, né, Lu?
14:57Verdade.
14:58Isso envolve todo mundo.
14:59Envolve todo mundo.
15:00E, assim, claro que pode ter condições específicas dele, já talvez de história de alcoolismo na família e tudo.
15:05A gente não pode descartar essas questões.
15:07Mas eu percebo muito, assim, que a falta desse apoio também profissional, né?
15:14Que eu digo de psicologia mesmo, profissionais de psicologia ou dessa rede.
15:18Isso pode também ser um fator que deixa a pessoa mais tempo, né, propensa a essas fugas, assim.
15:25E hoje, a gente produzindo esse estúdio, a gente soube de casos, por exemplo,
15:30que a pessoa, às vezes, quantos jovens, quantos adolescentes não estão sabendo lidar nem com o término do namoro.
15:38E isso tá fazendo com que muitos pais, muitos avós fiquem desesperados.
15:43Porque vê que o neto ou filho está afundando mesmo na bebida, tá indo, de repente, por um caminho ainda
15:51pior que o das drogas.
15:53E aí, Lu, quais são os sinais que a gente observa que, tipo, não, ele não tá simplesmente distraindo só,
15:59tá pior ainda.
16:01Quais são os sinais?
16:03Assim, eu trabalho com adolescente, né, Roberta?
16:05Então, eu sei bem o que é essa realidade, porque eu tô o tempo todo ali e já vi casos
16:11de término num dia e no outro,
16:13ou a pessoa querer uma medicação pra acabar com a dor, né?
16:15Então, é um pouco disso que a gente tava falando anteriormente.
16:17Agora, da parte da família, eu acho que tem que haver esse apoio a sentir a dor.
16:23Se você, é uma pergunta simples que a família pode fazer, olha, meu filho, você gostava dela?
16:28Ah, mãe, gostava.
16:30Então, é normal você sentir dor, sabe?
16:32Eu acho que isso vai desmistificando essa coisa, assim, de que, ah, eu não posso sentir dor, eu não posso
16:36sofrer.
16:36Por que que não pode sofrer?
16:38Por que que não pode sentir dor?
16:39Se ele gostava, ele vai sofrer.
16:41Mas é claro que essa dor não é eterna, ela vai passar.
16:44E aí, ele vai aprender com essa dor, ele vai ter outras pessoas.
16:47Então, acho que os pais têm que incentivarem um pouco os filhos a enfrentar essas emoções.
16:53Todas elas, eu repito, todas as emoções são pra serem sentidas e elas nos ensinam alguma coisa.
16:58Você trouxe uma frase que eu acho que é importante a gente repetir, que você disse que essa nova geração
17:03só está disposta a sentir os bons sentimentos.
17:07É, os chamados, porque não são, né?
17:10Apenas isso, porque é isso que eles estão aprendendo desde criança.
17:14E nas redes sociais também.
17:16E, Roberta, eu não acho que é só os pais.
17:18Mas, como eu falei, tem um discurso aí, midiático, muito forte, dessa cultura da permissividade, que eu acho perigoso, do
17:25educar pelo sim, não dizer não.
17:27E tem também essas redes sociais que colocam que todo mundo é feliz o tempo todo, o prazer, a felicidade.
17:33E que não é assim.
17:35Então, acho que a família tem que meio que botar, ajudar a criança e o adolescente a botar o pé
17:38no chão.
17:39A vida não é isso aí que está aparecendo na internet, não.
17:41E o Marcos está aqui também para poder mostrar que é possível enfrentar, seja a dor que for, seja uma
17:48perda de um ente querido, mas é possível enfrentar e seguir a vida, né, Marcos?
17:52Seguir a vida e ressignificar, né?
17:55Como a nossa colega que deu a entrevista também, falando que ela ressignificou, até aprendendo, né, que ela conseguiu ajudar
18:04o próximo, dando a idoso também.
18:05E sempre focar em coisas boas, focar em coisas boas, coisas que vão te levar para frente.
18:12Tentar colocar foco naquilo que vai te ajudar, que vai te elevar.
18:17Não, infelizmente, em bebidas, bagunças, baladas, drogas, que são prazeres momentâneos que vão acabar te jogando para trás e ver
18:27isso para frente.
18:27Agora, é só importante também a gente falar que, mais uma vez frisando, como a Luciana disse, o sentimento do
18:34luto, ele tem um período também, né, Lu?
18:37Sim, sim.
18:38Que varia, né, Roberta, de pessoa para pessoa.
18:40É difícil a gente estimar quanto tempo demora para passar o luto.
18:44Mas a gente pode pensar assim, ele falou em 15 dias, por exemplo.
18:46É perfeitamente aceitável, né, diante de uma morte, você tirar esse tempo para você sair do ar, não trabalhar, né?
18:53Então, mas é muito difícil estimar.
18:55É 15 dias, é um mês?
18:56Mas a partir de quanto tempo isso chama atenção para uma depressão?
19:00Vamos pensar assim que seis meses, né, Roberta?
19:02A partir de seis meses, você começa assim, não, tem algo errado aí.
19:05Precisa buscar ajuda.
19:06Tá certo, Lu, obrigada pela sua participação mais uma vez.
19:08Obrigada.
19:09Obrigada também, Marcos.
19:10Deixa eu mandar um beijo especial para a Letícia Pimenta, que participou também com a gente.
19:14Obrigada, Lu, obrigada, viu?
19:16E mais uma vez, feliz aniversário, que foi seu aniversário essa semana.
19:19Um grande beijo para você.
19:20Tchau.

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