00:00Sábado para tudo. Você que acompanha o Balan Geral, se viu uma história incrível aqui no Balan Geral, não viu?
00:06Vocês viram, não viram? A Dayana, gente, é uma ex-moradora de rua. Eu tava assistindo em casa, tá?
00:12Ela viveu 23 anos sofrendo todo tipo de violência. Ela rompeu com vício em drogas, olha só.
00:19E depois de muita luta, passou em primeiro lugar no IFE, gente.
00:23Ei, beleza! Dayana, gente, teve muita ajuda do Centro Pop, que a gente já mostrou aqui no Balan Geral, inclusive.
00:31Durante toda essa jornada, o Centro Pop foi parceiro, hein? Desde o ano passado.
00:35O sonho dela é ser psicóloga e ajudar outras pessoas que passam pela mesma situação vivida por ela.
00:42Mas, ó, essa história não acabou por aí, não. Prepare o seu coração.
00:48Tem algo muito especial que ainda não foi ao ar.
00:51Nem eu vi, hein? Ai, meu Deus do céu. Vamos ver, confere aí. Ai, Jesus!
00:56Eu ficava só aqui, de frente pro Pop, na torre ali, usando droga, sem dormir, comendo, comida estragada.
01:04Falei, nossa, não faz mais efeito, não quero.
01:08Passou uma moça da igreja e falou, ó, Deus te mandou te falar, hein?
01:14Ele te ama, hein?
01:15Falei, ah, Deus me ama o quê? Se Ele me amasse, eu não tava aqui usando.
01:18Deus te ama, ela foi, voltou de novo, eu soltei a fumaça na cara dela.
01:23Ó, preste atenção aqui que Deus vai te fazer.
01:26Ela foi e contou uma coisa que aconteceu na minha vida.
01:30Ela foi embora. Quando ela foi embora, que eu fui fumar a minha última pedra, não me deu vontade, eu
01:35joguei fora.
01:36Aí, no outro dia, eu fui receber o meu auxílio, dia 10 de fevereiro de 2021.
01:43Eu fumei, fumei, fumei, a bordagem passou, me olhou, fiquei sem graça.
01:47Eu tava de pernoite no noturno.
01:50Não voltei.
01:51No dia 12 de fevereiro, eu voltei lá, o seu grátis deixou entrar.
01:57Eu entrei e tomei banho.
01:58Quando eu acabei de tomar banho, comecei a me cortar, bater a cabeça na parede, me enforcar, tentar me enforcar,
02:05eles me seguraram.
02:07Falei, eu vou sair, eu vou sair.
02:08O seu grátis veio, me olhou, ele é assim, do seu tamanho grande, me abraçou.
02:13Eu chorando, ele falou, você não vai sair daqui.
02:16Falei, eu quero usar, eu quero usar.
02:18E ao mesmo tempo eu falei, eu não quero mais usar, mas eu não consigo.
02:21Ele me abraçou e falou, Dayana, você é como se fosse minha filha.
02:25Nem meu pai falou isso quando era vivo.
02:27Você é como se fosse minha filha, daqui eu não deixo.
02:30Aí eu chorei muito e falei, a partir de hoje, eu não quero mais o próprio.
02:35Não quero.
02:37Meu Deus do céu.
02:38Olha só, nós encontramos com a Dayana, gente, exatamente na época que ela vivia nas ruas.
02:43Lá no início de 2021.
02:45Vamos ver, junto comigo.
02:56Uma vida sem perspectiva.
02:58Hoje, por exemplo, o senhor dorme aonde durante a semana?
03:01Eu, em qualquer lugar aqui na rua, entendeu?
03:04Na rua, aqui, às vezes, deixa a gente dormir aqui no abrigo, aqui.
03:07Uma vida de escolhas, na maioria das vezes, errada.
03:1115 para 16 anos eu comecei a usar o crack e até hoje eu não consigo largar.
03:17Uma vida exposta a todos os perigos.
03:21O maior desafio é matar um leão de cada dia, né?
03:25Os inimigos, assim, muita maldade na rua, né?
03:36Diante de todos os desafios que essa população vive em plena pandemia, encontramos a Dayana Mary.
03:42Ela conta que o maior sonho é reencontrar a mãe.
03:46Eu aprontei muito com a minha mãe e essa vida do crack não é boa, né, gente?
03:52A jovem de apenas 30 anos conta que está limpa, sem drogas, já há algum tempo.
04:00Eu mesmo quis.
04:01Dessa vez que não quis, fui eu.
04:02Não fui clínica, não fui cadeia, não foi nada.
04:06Eu determinei com a minha técnica lá no centro pobre e pedi.
04:11Eu quero parar.
04:12E vai fazer dois meses que eu parei.
04:17Dayana deixa um recado para a mãe.
04:20Mãe, se a senhora estiver me assistindo, me procura, por favor, no centro copo de Vitória.
04:26O que você quer dizer para sua mãe quando você chegar perto dela?
04:29Eu te amo.
04:37Meu Deus do céu.
04:40Marla, peraí, calma, gente.
04:43Você sabia que a Dayana, que você encontrou nas ruas, é a mesma mala que passou no IFES?
04:49Você sabia dessa coincidência?
04:53Pois é, eu estou passada.
04:55Eu ouvindo agora a reportagem, gente, que bacana.
04:58E eu lembro que na época ela queria ver a mãe dela.
05:03Difícil falar, eu também estou aqui.
05:05Legal, que legal.
05:05Eu fiquei muito feliz.
05:07Fim de ano.
05:08Eu lembro que ela estava lá, onde é a Obraia?
05:10Lá em cima, na Cidade Alta, lá, perto do palácio.
05:14Ela estava lá, jogada.
05:16Aí eu conversei com ela.
05:19Aí ela falou assim, meu sonho é conhecer minha mãe.
05:22Eu lembro que eu dei um abraço nela.
05:23Falei que eu tinha um filho, que o meu sonho...
05:27Foi você que fez comigo, Obraia, que o meu sonho era que o meu filho também se formasse.
05:30Aí ela falou, eu estou há dois meses sem usar entorpecente, sem usar droga.
05:35E eu vou me formar.
05:38Ela falou, eu vou me formar.
05:39E eu nunca mais vi essa moça.
05:41Que bacana, eu estou muito feliz.
05:43Obrigada, gente.
05:44Ai, fiquei feliz mesmo.
05:46Ganhei meu presente do Papai Noel, Michel.
05:49Marla, mas segura aí, segura o coração, porque ela acabou ainda não.
05:53Você lembra, gente, que a moça da igreja falou para a Dayana ver o que Deus faria na vida dela?
05:59Não foi isso?
06:00Não foi isso, Marla?
06:01Então vamos lá.
06:03Prepara o coração e dá só uma olhada no que aconteceu.
06:06Vamos ver.
06:07Um belo dia, a Marla estava fazendo uma pesquisa lá em cima, na Catedral, no final de fevereiro.
06:16Eu tinha três semanas sem usar já e lutando.
06:20A minha colega Mariana, de situação de rua também, foi lá conversar com ela, que ela
06:25queria ajuda, se o povo podia ajudar pessoal de situação de rua.
06:30Aí ela foi e me chamou quando eu estava vindo.
06:32Ela falou, Marla, aquela menina ali está sendo um exemplo para a gente.
06:36Ela começou a parar e está lutando.
06:38Eu fui e falei, Marla, eu posso te pedir um negócio?
06:43Deixa eu pedir, se minha mãe estiver vendo, para quem conhece minha mãe, aonde ela estiver,
06:49se ela pode me dar uma chance.
06:51Só para eu falar com ela.
06:53Aí a Marla falou assim, fala Dayana, pode falar.
06:56Eu falei um pouco da minha vida assim e pedi perdão à minha mãe.
07:00Falei, mãe, por favor, se a senhora estiver me vendo, eu estou lutando.
07:03Eu falei, eu parei mesmo agora, por favor.
07:06Gente, quem conhecer a Ana Cristina Souza Umbelino, por favor, me ajuda, gente.
07:11Sou a Dayana Melris Souza Umbelino, me ajuda a encontrar minha mãe.
07:15Aí, uma semana depois, o pessoal lá de cima, do Noturno e aqui, acho que foi também,
07:25até que a ajuda do Balanço Geral passou um moço de carro e falou,
07:29Dayana, você, onde está a tua mãe?
07:31Falei, o quê?
07:33Eu passei o aniversário com a minha mãe.
07:35De muitos, muitos anos sem ver minha mãe, gente, eu passei com ela.
07:39Ela foi pegando confiança, assim, ficava com medo.
07:42E hoje em dia, dia 24, dia 25 de dezembro, vai ser meu primeiro aniversário com a minha família.
07:50Gente, vocês nem imaginam o que é isso.
07:54Natal.
07:55Não, aniversário não, é Natal que eu vou passar com a minha família.
07:59Eles estão muito animados, muito mesmo.
08:02Hoje eles batem palmas e choram, minha mãe chora.
08:06Dá um abraço, manda um abraço e agradece a Mala, então.
08:09Mala Bermude, muito obrigada.
08:12Olha como é que eu estou hoje.
08:14Eu falei, eu mudei, estou mudando.
08:17Aí, a Mala, parabéns para você, pela sua reportagem.
08:21Você é 10.
08:27Obrigada.
08:28Você está muito gata, maravilhosa, gostosa.
08:30Feliz Natal para você, para a sua família.
08:33Michel, isso que vale a pena.
08:35É por isso que eu faço jornalismo.
08:37Estou muito feliz que ela conseguiu mudar de vida.
08:39Eu, meu amigo cinegrafista O'Brien, balança a câmera aí, O'Brien.
08:43A gente fez essa reportagem e olha só que felicidade.
08:48Que é o amor, Marla.
08:49O amor é a maior das evoluções.
08:51É a maior.
08:52E olha só, gente.
08:53Nós fazemos jornalismo para mudar a vida das pessoas.
08:58É uma gratidão, uma satisfação enorme poder participar da mudança de vida da Dayana.
09:03Nós queremos acompanhar o seu Natal, Dayana, porque você é uma inspiração.
09:07Para todos nós aqui, para todos que estão acompanhando o Balão Geral,
09:11nós vamos colocar o telefone da nossa produção para acompanhar você e sua família nesse Natal.
09:16Está aqui o nosso WhatsApp, estou colocando aqui para você, 279-9945-5213.
09:25Tá bom?
09:26Eu não sabia de nada disso.
09:28Estou emocionado mesmo, estou com a voz embargada.
09:31Marla também não.
09:32A gente entrevista muita gente, né, Marla?
09:35Muita gente, diariamente.
09:36Jamais eu iria imaginar que você...
09:38Eu lembro, eu lembro dessa história aqui na minha mente,
09:41mas não lembrava que era a mesma personagem, Marla.
09:47Porque ela está muito diferente, para você ver que, graças a Deus, ela encontrou o caminho, né?
09:52Ela encontrou a luz, encontrou o destino, pelo motivo pelo qual ela está aqui na Terra.
09:57Parabéns, Dayana.
09:59Parabéns, parabéns.
10:00E eu quero passar esse Natal com você para a gente comer peru de Natal junto, hein, garota?
10:04Muito bom, muito bom.
10:05E olha só, eu quero falar com você então, Dayana.
10:08Vou colocar de novo o telefone aqui.
10:10Ó, quem estiver vendo a Dayana, às vezes não está assistindo, está trabalhando,
10:13mas avisa ela, anota 99455213.
10:17A gente quer acompanhar esse momento lindo, esse primeiro Natal que ela vai passar ao lado da família,
10:23abraçadinha com a mãe dela, bom demais.
10:25Ela está voltando ao primeiro amor, que é o amor de Deus e o amor de mãe.
10:28Bom demais.
10:29Marla, um beijo, coração quentinho, irmã.
10:32Receba o meu abraço.
10:34Agradecer também o Rodrigo Schreder, né, nosso colega, nosso repórter maravilhoso,
10:38que reencontrou essa personagem fantástica.
10:40A vida é feita de encontros e reencontros.
10:42Marla, um beijo, parabéns, tá?
10:45Muito orgulho de você.