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  • há 12 horas
Adolescente ataca escola em São Paulo

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Transcrição
00:00Nós, pais, você, que é avô, que é avó, tio, tia, você se pergunta, e aí, eu converso com o
00:07meu filho?
00:08Eu converso com o meu neto ou não? A partir de qual idade? Como fazer isso?
00:13Vem cá, vem cá que a gente tem muito a aprender com ela, a psicóloga Luciana Infantini.
00:18Obrigada pela sua participação mais uma vez aqui no Fala Espírito Santo. Boa tarde.
00:23E hoje a gente também recebe aqui o Leandro Gomes, que é pai de quatro filhos, né?
00:28Leandro, obrigada pela sua participação, uma boa tarde.
00:30Obrigado, boa tarde.
00:32Quando você, como pai, vê uma notícia como essa, qual é a primeira sensação que isso te traz, Leandro?
00:39Olha, é uma sensação de impotência mesmo, a gente vê como que a gente vê essa situação em todo, não
00:46só no nosso estado, mas em todo o país, e a gente fica realmente preocupado, né?
00:51Até então era um assunto que a gente não tinha, né?
00:54Assim, essa preocupação, a gente não tinha essa recorrência, a gente via acontecendo lá fora, em outros países, e aqui
01:01até então isso não era notícia.
01:03Mas, infelizmente, essa realidade vem mudando.
01:07Você já conversou sobre esse assunto com os seus filhos?
01:10Eu converso bastante com eles, né?
01:15Não só eu, mas a minha esposa também, a gente conversa bastante, só que a gente fica com esse receio,
01:21né?
01:21Porque não é só, isso não depende só da conversa que nós temos, mas também com os amigos, com os
01:29colegas da escola.
01:31Então, realmente, isso é bem preocupante mesmo.
01:34É uma preocupação coletiva, né?
01:35Coletiva, exatamente.
01:36A gente tem a preocupação com os nossos filhos, até porque quando a gente coloca na escola, a gente pensa
01:41que é o lugar, depois da nossa casa, o lugar mais seguro do mundo, mas tem uma vírgula nessa história.
01:47A partir de que momento que você, então, decidiu conversar com eles?
01:51Olha, eu já converso desde o início mesmo, né?
01:55Já tem muito tempo, desde pequenos mesmo.
01:57A gente orienta eles em relação aos comportamentos, o que fazer numa situação de uma violência na escola, né?
02:09Então, é assim, é bem difícil mesmo, mas a gente tenta orientá-los, né?
02:15E aí, você percebe de que forma a absorção deles?
02:19Eles entendem o que você está falando?
02:22Primeiro, qual é a faixa etária dos que mais te traz, dos filhos, né?
02:26Que mais te trazem essa preocupação nesse momento?
02:29Eles têm 15 anos.
02:30São gêmeos?
02:31São gêmeos, gêmeos de 15 anos.
02:33E os outros não te deixam tão preocupados agora nessa fase?
02:36Isso, é que eu tenho uma menorzinha, né?
02:37De um ano e oito meses, e já tenho uma maior também, que é de 23 anos.
02:42Tá, então com esses gêmeos de 15 anos, como que você fala sobre esse assunto com eles?
02:47É, a gente conversa, né? A gente fala em relação ao comportamento.
02:52Eu nem sei se eu faço corretamente também, tem isso também, né?
02:56Porque é igual ontem mesmo, por exemplo, a coordenadora da escola entrou em contato comigo
03:02e eu tiro alguns benefícios deles exatamente por comportamentos, né?
03:09Então, assim, a gente tenta orientar, conversar, né?
03:14Mas a gente nunca sabe, né?
03:16A educação é algo que a gente só vê realmente o resultado a longo prazo.
03:21Luciane, acho que muitos pais ficam nesse receio, assim como eu, assim como o Leandro e o pessoal de casa.
03:28A partir de que momento? A gente deve levar esse assunto aos nossos filhos?
03:32Eu gostei da sua palavra agora, não é nem pode, a gente deve, deve, Roberta.
03:36Por quê? A omissão da família é justamente o que vai resultar em comportamentos que a gente está vendo hoje
03:42no Brasil com tanta frequência.
03:44Então, a família é importantíssima para dar estrutura, controle.
03:49A criança não vem com controle emocional.
03:51Ela não sabe, ela grita, ela chora.
03:53Até do ponto de vista neurológico, ainda não está pronta, né?
03:56As áreas inibitórias, então ela tem essa dificuldade.
03:59Quem tem que educar, em primeiro lugar, no primeiro momento, é a família.
04:04É claro, Roberta, que como eu falo com uma criança de dois anos, é muito diferente da forma de falar
04:11com 15 anos.
04:13Mas tem que ser falado desde sempre.
04:15Achou ótimo, você fez certíssimo, tem que falar desde sempre.
04:19Bateu no coleguinha, conversa com, olha, não é um comportamento correto, não é adequado.
04:24Porque, assim, resolução de conflitos, né?
04:27Conflitos existem, é inerente da nossa espécie.
04:29E resolução de conflitos, ela pode ser agressiva, como tem sido.
04:34Pode ser assertiva, que é o ideal e que a gente precisa ensinar os nossos filhos a fazer, né?
04:39E pode ser também passiva, o que a gente sabe hoje como psicólogo que também não é legal.
04:43Passivo é aquele que não enfrenta situações, foge, né?
04:46Fica com medo, então ele também pode, lá na frente, apresentar comportamentos de risco.
04:51Mas vamos pensar assim, o que é ser assertivo?
04:53É ensinar a criança a reconhecer o sentimento dela, a frustração, a raiva e aprender a lidar com isso.
05:01E aprender a falar com coleguinha e aprender a conviver apesar disso.
05:06Então, ser assertivo, acho que o principal papel, ensinar a ser assertivo, né?
05:11É o principal papel dos pais e isso tem que ser continuado na escola.
05:16Não adianta depois na escola só haver a preocupação com o conteúdo, conteúdo e a questão comportamental.
05:21Agora vamos pensar, nós tivemos, né, recentemente o ataque à escola em Aracruz.
05:26Tivemos uma tentativa também na escola Heber Lousada, em Jardim da Penha.
05:33Tivemos casos também em escolas na Serra.
05:36E a gente se pergunta, eu devo também e de que forma mostrar esses casos para os meus filhos?
05:44Vamos dizer assim, antes deles perguntarem, deles comentarem, é importante sim, Roberta, porque eles vão saber disso de alguma forma.
05:53O coleguinha vai falar, as redes sociais.
05:55Então, antes que eles saibam de uma forma distorcida, é importante que a família chame, mostre, atente.
06:04Olha, meu filho, olha que coisa horrível isso, que não é um comportamento aceito na sociedade.
06:09Olha só, sabe?
06:10Mostrar mesmo, marcar que não é um comportamento aceito.
06:14Porque lá na frente tem consequências, porque fere o outro.
06:18É importante sim, Roberta.
06:19E olha só, vou convidar agora a Carla Silva, ela vai participar com a gente pela internet.
06:24Ela tem duas filhas que estudam na escola, lá em Aracruz, onde aconteceu um ataque em novembro do ano passado.
06:31Infelizmente, quatro pessoas morreram, 13 ficaram feridas.
06:35Carla, boa tarde, obrigada pela sua participação.
06:38Como é que fica, né?
06:40Como é que você lida com esse assunto, com as suas filhas, depois do que aconteceu e diante de mais
06:45um caso agora,
06:46que nós também noticiamos, esse que é de São Paulo.
06:50Boa tarde a todos, boa tarde, Roberta.
06:54Então, a gente fica sem saber o que fazer, né?
06:57Sempre orientando nossos filhos.
06:59Na verdade, é um filho meu que estuda lá.
07:02O ano passado foi a minha filha, né?
07:05Mas ela terminou o terceiro ano de uma forma assim, trágica, né?
07:09Sem formatura, sem direito a praticamente nada.
07:13E esse ano começou o meu filho lá, né?
07:17A estudar na escola Primo Bite.
07:19Todos os dias eu fico pedindo a Deus para poder guardar a vida dele,
07:24porque eu não sei, ele sai às 6h20 da manhã, pega o ônibus aqui,
07:29e a gente não sabe, como o pai, o que vai acontecer.
07:33É só Deus mesmo para poder estar guardando,
07:37porque é uma sensação de impotência, de não saber o que fazer.
07:42Então, é uma coisa muito difícil, muito difícil.
07:45Qual que é a idade desse seu filho, Carla?
07:49Tem 15 anos.
07:5015 anos.
07:5115 anos.
07:52E quais são as orientações, assim, que você passa para ele?
07:56A primeira coisa que eu falo muito, converso muito com os meus filhos,
08:01porque eu tenho quatro, né?
08:02Tenho quatro filhos.
08:04E, primeiramente, é o respeito.
08:07É o respeito.
08:08Eu cobro muito isso deles, em respeitar os professores,
08:11em respeitar toda a equipe que trabalha ali na escola,
08:15em respeitar os colegas, né?
08:18Primeiramente, o que eu cobro deles são isso.
08:20E falo com eles, não queira para as outras pessoas,
08:23o que você não quer para você, você quer o seu bem,
08:25então queira também bem ao seu próximo.
08:29Isso que eu cobro muito deles, cobro muito respeito.
08:33A base de tudo, eu penso, é o respeito pelas pessoas, né?
08:40E você disse o respeito em primeiro lugar, é claro.
08:44E sobre esses casos dos ataques, você chega a conversar sobre isso também ou não?
08:52Prefere poupar para não deixar a criança ou o adolescente com pânico ou, então, traumatizado?
09:00Não, de forma nenhuma eu não poupo, até porque as redes sociais também não poupam, né?
09:08Então, a gente tem que orientar.
09:10Sempre orientar os nossos filhos a tomar cuidado,
09:12a sempre ficar vigilante, prestando atenção em todas as coisas que estão ao redor.
09:18Sempre eu oriento muito os meus filhos a isso.
09:21Onde tiver uma confusão ou alguma coisa a respeito,
09:24sai de perto ou chama alguém que, né?
09:27Algum professor que possa estar ali resolvendo a situação.
09:32Sempre eu oriento a eles a não ficar longe de confusão.
09:36Tá certo.
09:37E a minha filha, né, que tem seis anos, eu falo sobre respeito com ela, mas nesses casos, assim,
09:45eu prefiro um pouco poupar ela de mostrar tal coisa, mas sempre orientando dentro da idade dela.
09:53Pois é, essa é a nossa realidade, né?
09:56Você tem aí uma filha de seis, que ainda é uma criança, e também tem um adolescente de 15 anos.
10:03Qual a linguagem que a gente usa com cada um deles diante desses casos, né?
10:08Diante de tanta tragédia que a gente vem noticiando,
10:11que a gente sabe que, infelizmente, está fazendo parte da nossa realidade.
10:15Fica com a gente, daqui a pouquinho eu volto a falar com você.
10:18E essa resposta, quem vai trazer pra gente já já é a Luciana Infantini,
10:23que é a psicóloga que está com a gente aqui no nosso estúdio.
10:25Bora continuar, então, aqui no nosso estúdio,
10:27porque diante de tantos casos que a gente tem visto, né?
10:30De ataques nas escolas, como conversar, orientar os nossos filhos,
10:35pra que a gente possa protegê-los, mas ao mesmo tempo fazer isso sem criar aquele pânico, né?
10:42Vamos ver agora o vídeo da Daiane Fazolo, que ela tem dois filhos.
10:46Ela diz que tem dúvidas de como abordar esse tema com eles.
10:49Olha aí pra gente conferir.
10:51Vendo essas notícias, cada vez mais a gente se encontra num beco sem saída.
10:58Eu falo que esse último episódio que aconteceu recente me deixou bastante abalada,
11:04porque está ficando cada vez mais frequente aqui, né?
11:08E da última vez que aconteceu, eu falo pra vocês assim,
11:13eu fingi que nada aconteceu.
11:16Eu não abordei o assunto em casa com as crianças,
11:19até porque os meus filhos, um tem três anos,
11:22então eu não sei até que ponto o entendimento dele vai ter sobre isso.
11:26E o outro tem oito anos.
11:27Porém, a gente tem a parte da escola,
11:30que a escola muitas vezes aborda esse tema,
11:33e a criança chega pra perguntar isso.
11:36E essa é a maior dúvida que eu tenho,
11:38de como que a gente pode passar essas informações
11:43para que nós comuniquemos com as crianças
11:46de uma forma com que eles não fiquem tão traumatizados
11:50e entendam qual é o comportamento do ser humano, né?
11:55Diante do mundo.
11:57E aí, hein?
11:58Quem vai dar essa resposta pra gente é a Luciana Infantili, psicóloga,
12:02que está agora aqui com a gente no estúdio.
12:04É difícil, né, Lu?
12:05A gente tem um papel de pai e mãe.
12:06É muito difícil, muito difícil.
12:07E a gente tem, assim, quase que um instinto de proteger,
12:11tentar poupar a criança.
12:14E muitas vezes esse não é o melhor caminho.
12:16Aliás, não é o caminho mais adequado.
12:19Por quê, Roberta?
12:19Porque como eu falei anteriormente,
12:21a criança precisa entender o que está certo, o que está errado,
12:24e quem tem que passar isso são os pais.
12:26Mas vamos pegar uma criança de dois, três anos,
12:29que ainda, né, a consciência de mundo dela ainda é muito pequena.
12:33Então, não tem necessidade de mostrar cenas, falar sobre o assunto,
12:37porque a criança realmente não vai entender.
12:40Mas vamos pegar aquelas maiores, né,
12:42que já começam a mexer nas redes sociais, que têm acesso.
12:45O caso do filho da Daiane, né, ele tem oito anos, ela falou.
12:48Até antes, né, cinco anos.
12:50Hoje as crianças já estão lá mais atentas,
12:52então já está na hora de conversar.
12:54Não é mostrar cenas de violência, sabe?
12:57Não é ficar trazendo ali algo que seja ruim para a criança.
13:02Mas é falar sobre isso.
13:05E, inclusive, falar no sentido de recriminar tais comportamentos,
13:09porque são comportamentos que não são aceitáveis na sociedade.
13:12A gente não vive em sociedade cometendo crimes e está tudo bem.
13:16Então, é nesse sentido, assim, que a gente precisa achar um canal com os nossos filhos.
13:20Não é deixar para a escola, é coisa de casa.
13:23Pai e mãe que têm que dar essa primeira educação, como eu falei.
13:26Mas com um jeito, né?
13:27Aí com a criança de sete anos, por exemplo,
13:31meu filho viu o que aconteceu, né?
13:33Olha só que coisa horrível.
13:34Posso chamar para assistir reportagem, Lu?
13:37Pode, dependendo, assim, às vezes tem umas cenas muito fortes, né, Roberta?
13:41Então, e essas cenas viralizam e tal.
13:44Então, não sei se vale a pena seis, sete anos você ficar reforçando.
13:47Então, depende...
13:48Porque isso fica naquele imaginário da criança, isso fica se repetindo.
13:51Exatamente, depende, assim, de que tipo de reportagem.
13:54Se é uma reportagem daquelas mais sensacionalistas, esquece.
13:58Porque eu acho que vai até deixar a criança mais assustada.
14:01Traumatizada não, tá, Roberta?
14:02Isso não deixa traumatizado.
14:04O que deixa traumatizado é aquela...
14:06O que vai ficar trauma, no caso, são aquelas crianças que viveram a situação.
14:10E quem viveu, né?
14:10Que aí não tem como também deixar de conversar.
14:13Mas em casa, o pai falando sobre isso, não provoca trauma.
14:17É importante a gente pensar, né?
14:18Não tem trauma nisso.
14:19Só é, vamos dizer assim, assustador.
14:22Então, a forma como o pai conversa, mostra o material, que tem que ser cuidadosa.
14:28Mas tem que falar assim.
14:29Olha, a gente vai ver agora o depoimento da Patrícia Silva.
14:32Ela tem uma filha de oito anos.
14:34E aí, depois que aconteceu o ataque em Aracruz,
14:37ela resolveu conversar sobre o assunto com a filha, mas sempre com aquela dúvida, né?
14:42Olha aí.
14:43Aquela vez, né, que teve aquele ataque lá na escola de Aracruz,
14:48fiquei muito preocupada, como vocês sabem, eu tenho a minha filha que estuda.
14:52Eu orientei ela.
14:55Falei, filha, você vê qualquer tipo de movimento na escola diferente.
15:00Você corre, se esconde.
15:02Não sai correndo na frente de ninguém.
15:04Tenta ficar um pouco mais calma, mas tenta se esconder.
15:07Porque vocês sabem, né, que coração de mãe, como que a gente fica,
15:11quando a gente deixa os nossos filhos na escola.
15:14E eu percebi que depois dessa vez que eu falei com ela,
15:18eu percebi que ela ficou muito assustada na hora, né?
15:21E aí, vocês acham que eu fiz certo?
15:23Se eu não fiz, eu quero saber de vocês.
15:26A gente entende, né, o coração de mãe.
15:29Eu acho que eu daria a mesma orientação para a minha filha, né?
15:33Porque a minha filha veio até comentar comigo,
15:35depois desse caso que aconteceu em São Paulo,
15:37ela vai falar, mãe, eu pegaria a cadeira, eu iria para cima.
15:40Eu falei, não.
15:42Assim, a gente tenta entrar no mundo deles,
15:44eu falei, não, você não faria isso.
15:45Você iria sair correndo para um lugar seguro.
15:49Perfeito.
15:50Então, a gente fica na dúvida.
15:51Eu entendo o sentimento da Patrícia.
15:53Eu acho que essa é a orientação mesmo, né?
15:54E a Patrícia fez de maneira adequada.
15:56Diante de uma situação, corre, procura alguém, se esconde.
16:00Eu acho que essa é a melhor orientação que os pais podem dar.
16:03Mas assim, não falar, olha, vai acontecer, né?
16:06Não também dizer para a criança, assim,
16:08isso pode acontecer a qualquer momento.
16:09Porque daí também a criança pode majorar, né?
16:12E criar fantasias.
16:12É isso que é importante.
16:14É esse alerta que a gente quer fazer.
16:16Até que ponto que a gente não deve ir?
16:18O que é que não é saudável nessa conversa, Lu?
16:22Por exemplo, você ficar insistindo naquele assunto.
16:25Você já orientou, já explicou.
16:27A criança passou o interesse e o pai fica ali insistindo e falando,
16:30olha, se acontecer, quer dizer, todo dia.
16:32Então, a criança começa, então, a entender que vai acontecer.
16:34Porque o pai está falando todo dia, toda semana, né?
16:37Toda semana o meu pai fala que se acontecer isso na escola,
16:39eu tenho que me esconder, então vai acontecer.
16:41Então, é esse exagero que a gente também tem que tomar cuidado.
16:44Falar do assunto, principalmente quando ele viraliza,
16:46quando aparece em todas as redes sociais, mídia e tudo.
16:50Mas, depois de um tempo, falar outras coisas também.
16:53Então, é, tem que ter esse cuidado.
16:55E para você, Leandro, a respeito dessas orientações na prática?
16:59Eu acho que é super válido, né?
17:01A família, ela tem um papel fundamental nisso.
17:04Tem muitas famílias que eu acho que ela joga um pouco dessa responsabilidade para a escola,
17:10só que, na verdade, não é.
17:12É realmente dar em casa, com os pais mesmo, que devem conversar, orientar.
17:19Eu acho que com isso ia minimizar bastante, né?
17:21A gente estava até conversando aqui antes nos bastidores.
17:23Você disse que, desde os ataques, quando aconteciam nos Estados Unidos,
17:27você trazia esse assunto para a sua família?
17:30Isso, exatamente. Desde daquela época mesmo, né?
17:34A gente já conversava, orientava, né?
17:37E a gente vê que está cada vez pior, infelizmente, né?
17:42Deixa eu voltar a falar com a Carla, né?
17:44Porque ela tem dois filhos com faixas etárias também diferentes,
17:47e sempre fica essa dúvida.
17:49Uma de seis, o outro aí na faixa de 15 anos.
17:52E depois que você orienta, eles absorvem?
17:57O que você percebe?
17:58Qual é a percepção que você tem dessa absorção deles?
18:02Eles ficam um pouco receosos?
18:03Aquele assunto causa um certo pânico neles ou não?
18:09Então, até causa, mas como eu tenho um filho de 15 anos,
18:16o comportamento dele é totalmente diferente de uma menina, por exemplo.
18:20Porque o homem, ele acha que ele se defende, né?
18:25Ele acha que ele já tem a idade suficiente para se defender,
18:29mas eu falo com ele, falo assim, meu filho, não é assim que funciona.
18:33Às vezes, Deus que livre, acontece alguma coisa na sua escola,
18:37você não vai de peito aberto enfrentar ninguém, você tem que se esconder,
18:42você tem que procurar algum lugar para você ficar,
18:46que você fique guardado, você não pode ir de peito aberto ir lá
18:50e querer enfrentar a pessoa, não é assim que funciona.
18:52Então, sempre eu vou orientando,
18:54porque cada um eu tenho que orientar de uma forma diferente, né?
18:58Uns são mais medrosos, outros já são mais assim,
19:01acham que tem um pouco mais de coragem, né?
19:04Eu quero até levantar uma tese aqui rapidinho,
19:08que semana passada, eles foram até mandados embora da escola,
19:14lá do Primo Bit, daqui da região.
19:16Meu filho mandou mensagem para mim, era umas 7h20 da manhã,
19:19falando assim, mãe, a diretora recebeu um tweet,
19:24não sabe de onde que veio, não sabe para qual escola que é,
19:27mas falando que ia ter um ataque na escola.
19:29Então, aquilo já me gerou um certo pânico.
19:32Eu falei assim, e agora?
19:35Aí ele falou assim, ah, ela liberou os alunos,
19:37os pais que puderem vir buscar, é para vir buscar.
19:40Eu imediatamente chamei meu esposo e falei assim,
19:42não, eu vivi há quatro meses e há uns dias atrás esse pânico,
19:48não quero isso de novo, então vamos lá buscar.
19:51Então, gerou um certo pânico no meio aqui da cidade, né?
19:55Todas as escolas mandaram os alunos embora.
19:58Então, foi um susto, um susto muito grande que a gente passou,
20:02e eu não quero passar isso de novo, não, porque é muito, muito difícil.
20:06Olha, inclusive sobre esse assunto, é muito importante a gente avisar aqui, né,
20:11que tem que acionar a polícia militar, inclusive existe a patrulha escolar que vai até o local, né,
20:17que eles são responsáveis por isso, viu?
20:19Tem que acionar a polícia.
20:21E olha só, agora a gente vai assistir o vídeo enviado pela Samanda Sandrine,
20:25que ela tem duas filhas e não conversou sobre os ataques,
20:29porque tem medo, gente, de isso provocar ansiedade nas meninas.
20:33Eu sou nutricionista, aqui na minha casa eu tenho duas filhas,
20:37a Helena de 9 anos e a Luísa de 4,
20:39e eu acabei não comentando, né, a respeito desses ataques que aconteceram,
20:44e acontece, acabam acontecendo nas escolas,
20:47porque ao meu ver elas são muito pequenas, né,
20:50elas não têm acesso ao jornal,
20:52então eu achei melhor não conversar com elas sobre esse assunto para não gerar um medo,
20:59uma ansiedade nelas, né, eu acho que eu acredito como mãe que a conversa tem que ser feita com a
21:06escola,
21:06com o poder público, como forma de prevenção, né,
21:10infelizmente isso são ataques que acabam acontecendo,
21:15e eu acredito que a prevenção é o melhor caminho, né,
21:18como as minhas filhas, né, não vão poder fazer nada,
21:22infelizmente não tem uma orientação que eu possa dar para elas se protegerem,
21:27porque a gente espera que isso nunca aconteça em um ambiente escolar.
21:31Obrigada pela sua participação, Samanda,
21:33e assim como ela, a Etienne também mandou uma mensagem aqui para a gente no Facebook,
21:37falando que também não conversou sobre esse assunto com os filhos ainda,
21:41mas que começa a sentir essa necessidade.
21:44Tem alguma idade, então, Luciane, para a gente pensar nesse assunto com os filhos?
21:48Eu creio, assim, que cada criança, né, tem seu desenvolvimento e tem um momento diferente.
21:54Os pais podem ficar atentos, assim, da seguinte forma,
21:56quando a criança demonstra o interesse por redes sociais, como eu falei,
22:01por conversar com outras pessoas,
22:02quer dizer, quando ela sai daquele mundinho ali de brincadeirinhas e coisa
22:05e começa a se atentar para isso, está na hora de conversar,
22:08porque ela vai acabar vendo, né.
22:11Então, assim, vamos pensar que cinco anos para frente já é preciso conversar sobre isso.
22:18E, Roberta, é muito importante, né, o que o Leandro trouxe,
22:21quando ele fala assim, quem tem que educar são os pais, não é escola.
22:24E eu concordo com o Leandro que há hoje uma terceirização.
22:29Os pais não sabem como falar as coisas e empurram para a escola.
22:33E aí já está tarde, porque a gente pensa assim,
22:35ah, deixa, ele está tão pequenininho, não vou conversar agora com ele.
22:37E não é assim.
22:39É de pequenininho que se vai conversando as coisas, né.
22:41Inclusive, não para causar ansiedade, para causar terror,
22:45mas para que a criança entenda que aquilo não é legal,
22:48que aquilo não pode ser feito, que aquilo tem que ser punido.
22:51Então, claro, tem todo um trabalho, mas tem que ser dito, né.
22:55Eu colocaria por volta de cinco anos, mais ou menos,
22:57as coisas têm que começar a ser esclarecidas para a criança.
23:00Tá certo.
23:01E vale lembrar que, às vezes, o nosso filho não tem acesso às redes sociais,
23:04mas ele vai chegar na escola, tem uma turma, né.
23:08Os amiguinhos, às vezes, outros têm.
23:10Então, esse assunto vai surgir.
23:13Então, se ele trouxer para casa, é a hora de conversar sobre isso.
23:16Exatamente.
23:17Obrigada, Lu, pela sua participação.
23:20Obrigada também, Leandro, viu, pela sua participação aqui como pai no Fala Espírito Santo.
23:24Quero mandar um beijo também para a Carla, que também entrou com a gente, né,
23:28e outras mães que também contribuíram com esse assunto,
23:31que a gente sabe que é muito delicado.
23:33Obrigada.
23:33Obrigada.

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