- há 2 dias
Especialistas discutem o que leva crianças a terem atitudes de violência
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00:00Aqui no estúdio eu recebo especialista em segurança, Rafael Pereira, e também a Deise.
00:06A Deise é psicanalista, tem um trabalho muito bacana envolvendo a educação, análise comportamental.
00:12E eu já quero começar fazendo essa pergunta, Deise.
00:15De que forma que você analisa um comportamento como esse que a gente está vendo?
00:20O que está por trás disso, na sua visão, na sua experiência?
00:25Boa tarde.
00:26Boa tarde.
00:27Na verdade, são duas visões.
00:30A das crianças que talvez achem que a internet é só um meio de entretenimento.
00:38E os pais que não sabem o conteúdo, os pais que não têm tempo de estar monitorando essas redes.
00:48E, ao mesmo tempo, essas crianças que estão sem orientação.
00:52E aí fica todo mundo na escola, que aí entrando para a escola, os professores ficam com o cérebro em
00:59alerta o tempo todo, ao invés de estar gastando energia na educação.
01:03E, Rafael, por que a polícia precisa levar casos como esse a sério?
01:10Por que precisa investigar, mesmo que ali naquele universo a criança tenha tratado aquilo como uma brincadeira?
01:17É, Roberto, é um caso muito grave pela repercussão.
01:20Até porque nós tivemos precedentes.
01:22Então, tivemos um, inclusive, algumas semanas atrás, num caso real, em que houve a invasão de uma escola por um
01:28indivíduo maior de idade.
01:29É um indivíduo portando armas.
01:31Então, como há um precedente, não só em nível local, mas em nível, inclusive, internacional, acaba trazendo essa sensação de
01:39insegurança.
01:40Embora, nesse caso em concreto, se trate de dois inimputáveis, tanto a criança que efetivou a ameaça,
01:50quanto aquele adolescente que incentiva essa criança, que instiga e que induz ele a fazer isso.
01:57O que é grave aqui seria a ausência do pátrio-poder.
02:01Onde é que estão os pais dessas crianças?
02:04Esse é que é o grande problema.
02:05Porque a segurança pública, segundo a própria Constituição atual, ela é um dever do Estado, mas é também um dever
02:10de todos.
02:11E todos envolvem, principalmente, a família.
02:13A educação começa em casa.
02:15A vigilância começa em casa.
02:17Quando há uma ausência do Estado, em qualquer que seja o setor social,
02:21nós temos a substituição do Estado por algo que, muitas vezes, é ilícito e criminoso.
02:26E o mesmo vale para a família.
02:28Quando há ausência do pátrio-poder, o inimputável, a criança, o adolescente, aquele que não tem ainda um desenvolvimento mental
02:36completo,
02:37ele é facilmente influenciado e acaba sendo levado a praticar esse tipo de coisa.
02:42E o grande risco é que, embora não tenha gravidade específica nesse caso em concreto,
02:47a sensação de insegurança, ela demora muito a se restabelecer.
02:51Então, são casos que a polícia, por sua própria atribuição constitucional e legal, ela tem que investigar, né?
02:57Mas, com certeza e felizmente, nesse caso específico, é um caso que a situação em si, ela é muito menos
03:04gravosa do que a ausência que levou ao caso.
03:07Você tocou no ponto muito interessante, né?
03:09Das consequências que isso gera na sociedade, embora que a gente não tenha ataques frequentes, né?
03:15Como, por exemplo, acontece muito nos Estados Unidos.
03:18Aqui é diferente, graças a Deus, né?
03:20A gente fica um pouco mais tranquilo em relação a isso.
03:22Mas quais são as consequências, Daisy, que isso pode trazer para as famílias, para as crianças, para o ambiente escolar?
03:28Bom, primeiro, essas famílias estão cada vez mais ausentes.
03:33Ausentes, e eu digo nem de estar trabalhando, eu digo ausente de afetividade, né?
03:40De empatia, né?
03:41Eu já tive aqui uma vez, e a empatia, ela tem que ser ensinada com punição e só com 16
03:47anos o cérebro assimila.
03:50Então, uma criança de 11 anos, que está ali no final do desenvolvimento da personalidade,
03:56ele está ainda engatinhando sobre o que é empatia.
04:00Então, para ele, na concepção dele, ainda é uma brincadeira.
04:07Pode ser uma brincadeira e, ao mesmo tempo, pode ser levado àquela raiva que a mãe não viu,
04:14aquela falta de orientação, falta de afetividade, falta de tempo com essas crianças,
04:22faz com que essas crianças busquem e depois desloquem essa raiva para onde?
04:28Para onde eles têm o contato social, né?
04:31Eu ia até te perguntar isso, qual é o sentimento que move uma criança, um adolescente, o outro tem 13
04:36anos?
04:37Se a gente parar para pensar, existe maturidade para eles entenderem o que estão fazendo?
04:42Qual é o sentimento que está por trás disso?
04:44Então, existe o sentimento que é de raiva, mas existe também a necessidade emocional de chamar a atenção,
04:54de alcançar, porque, olha só, era um desafio.
04:57Então, eu não tenho abertura na minha casa, eu não sou ouvido, eu não vejo meu pai, minha mãe não
05:04conversa comigo.
05:05Onde que eu vou buscar isso?
05:06No jogo, parece que os pais não sabiam, né?
05:10Os pais não sabiam que ele jogava esse jogo.
05:14Então, olha, uma ausência, inclusive, de saber qual é o conteúdo dessa criança,
05:20a rotina dessa criança e a necessidade emocional de ser ouvido, atendido,
05:27de palavras de afirmação, que é aquilo que forma o ser humano.
05:31E cada vez mais esses crimes aumentam, porque quem cria é a internet.
05:37E você trouxe mais um ponto que eu acho muito importante a gente debater e levar para dentro dos lares
05:43capixabas,
05:44que é o seguinte, os pais sabiam, não sabiam o jogo que o filho, né, que ele usa, que ele
05:50gosta de brincar ali na internet?
05:52Aí tem uma fala do delegado que diz, os pais precisam rastrear, olhar o histórico de navegação.
05:58Gente, quantos pais não sabem como fazer isso?
06:03O que é isso, histórico de navegação?
06:05Como assim?
06:07Trata-se de uma realidade que a nossa geração não brincou.
06:11A gente não brincava disso, os pais não têm esse conhecimento.
06:15É importante a gente se atualizar, entender o que faz parte do universo dos nossos filhos?
06:21Uma, algo que nós ainda estamos nos acostumando é viver com o mundo tecnológico.
06:28A revolução tecnológica, né, desde 97 para cá, o que que traz?
06:34Um novo comportamento.
06:36Se tem um novo comportamento, eu consumo diferente, eu me divirto diferente.
06:41E então eu preciso educar diferente, eu preciso me adaptar.
06:46Os professores tiveram, eu sou professora, dei aula no híbrido, no online, no home office,
06:51sem nunca ter tido história, né, de ter feito isso.
06:56E a gente teve que se adaptar.
06:57A mesma coisa, os pais precisam se adaptar com a nova geração tecnológica.
07:07Então, eles precisam se adaptar, entender, entrar neste mundo para que ele esteja mais próximo desse filho.
07:15E não simplesmente levar a culpa para a escola, para o governo, para a segurança.
07:25Não, é sobre o que que acontece na minha casa, o que que eu sei que acontece e eu sei
07:30que jamais aconteceria.
07:31Você tem essa certeza?
07:33E, Rafael, no caso dessa criança, gente, 11 anos é uma criança.
07:37Os pais são responsabilizados, né?
07:40Sim, sim.
07:41O direito penal brasileiro, ele trata da responsabilização individual.
07:44Porém, para ser responsabilizado por uma prática de infração penal, um dos elementos do crime é a conduta.
07:51Lembrando que a conduta, à luz do direito penal pátrio, ela pode ser tanto a ação quanto a omissão.
07:57Então, nós temos crimes comissivos e delitos omissivos.
08:00Todavia, com relação a crianças, as crianças são inimputáveis.
08:04Eles não possuem imputabilidade e, por consequência, não têm culpabilidade.
08:07Então, não podem ser responsabilizados.
08:10Em nossa legislação atual, a lei 8069, o famoso ICRIAD, Estatuto da Criança e do Adolescente,
08:15prevê como sanção, na verdade, para crianças, medidas protetivas.
08:21Já no caso do adolescente, a depender do ato infracional análogo praticado, se houver violência à pessoa,
08:28aí nós temos até a possibilidade da aplicação de medidas socioeducativas.
08:32Mas, aí, Roberta, a gente já está mais à frente, porque nós estamos na atuação do Estado,
08:38quando que a sanção tem que começar e a prevenção tem que iniciar dentro de casa,
08:43porque são seres inimputáveis, como bem colocado aqui, são seres em formação.
08:48Então, a família tem que participar disso e o Estado agir somente em casos excepcionais, de forma subsidiária.
08:55Não adianta substabelecer a criação de uma criança e de um adolescente para o Estado ou para a escola.
09:01Isso são elementos que somente orbitam essa criação.
09:05Infelizmente, quando há esse subestabelecimento, quando há essa lacuna, as consequências são graves
09:10e essas pessoas podem, no futuro, essas crianças, adolescentes, virem a se tornar efetivamente criminosos,
09:17pessoas que se colocam à margem da sociedade, que não há limites.
09:20Infelizmente, a gente acaba vendo uma realidade muito preocupante, como é hoje, observada no dia a dia
09:26e muito bem colocada pela TV Vitória.
09:28Rafael, vamos ressaltar também a importância da denúncia, num caso como esse,
09:32porque isso circulou, causou um medo dentro da escola e aí a própria Secretaria de Educação que denunciou para a
09:42polícia.
09:43Isso, perfeito. Como a gente sempre coloca aqui, Roberto, em sede de segurança pública,
09:47as pessoas, infelizmente, tendem a pensar em segurança pública como polícia.
09:51Polícia é um mero braço da segurança pública, seja a polícia preventiva, seja a polícia repressiva.
09:56A polícia é um braço.
09:57Quando você fala em segurança pública, você fala em presença do Estado, com saúde, educação, lazer.
10:04Isso é a presença, isso é a base da segurança pública.
10:06A polícia, ela só vem somente a evitar a última parte, a parte da violência.
10:11Então, quando você participa da segurança pública como cidadão, quando você faz a denúncia,
10:17quando você é vítima de um crime, você faz o registro de ocorrência, por exemplo,
10:21você leva aos órgãos da polícia, aos órgãos de segurança do Estado, aonde ocorreu o crime, qual o tipo de
10:27crime.
10:28Isso permite à polícia que traça-se um mapa da criminalidade.
10:32Com esse mapa, você consegue ver aonde é melhor a colocação do policiamento ostensivo,
10:37em que maneira devem se dar as investigações.
10:40Ou seja, a participação da sociedade é de suma importância em sede de segurança pública.
10:44E quem tem receio de participar, existem os canais que são sigilosos, o 8-1, o Disque Denúncia.
10:51Então, são meios em que a pessoa não se expõe.
10:53Então, já dizia Confúcio, saber o que é certo e não fazer é covardia.
10:59Então, é importante essa participação de todos na segurança pública e com relação às crianças,
11:04principalmente os seus responsáveis.
11:06Às vezes é o pai, a mãe, às vezes é um avó, é um tio, é um irmão,
11:08mas é de suma importância para que se evite esse tipo de casos
11:12e casos até mais graves que decorrem desse tipo de ausência.
11:16E como você lembrou agora há pouco, Rafael, olha só,
11:19há 12 dias, o ex-aluno de uma escola de Jardim da Penha, aqui em Vitória,
11:24por pouco, gente, ele não cometeu um ataque contra alunos e professores.
11:28Lembra desse caso? A gente até repercutiu aqui no programa.
11:31O jovem Henrique Lira Tradi entrou na escola municipal Weber Lousadas Hipnótico,
11:36com um arco e flecha, muitas facas, além de bombas caseiras, gente.
11:40O rapaz foi imobilizado dentro da instituição.
11:42Foram os funcionários que conseguiram segurar Henrique, viu, até a chegada da polícia militar.
11:48Ele continua preso no centro de triagem de Viana.
11:52E aí a gente se pergunta, será que casos como esse pode ser, Deise,
11:57um gatilho para quem tem esse intuito?
12:00Pois é, inclusive, um adolescente, ele está afirmando a personalidade que foi construída, né,
12:08nos preenchimentos de necessidades emocionais lá da infância.
12:12Na adolescência, se faltou a lacuna, e ainda continua a lacuna maior,
12:19esse é exatamente o gatilho para aumentar a agressividade,
12:23porque é na agressividade que eu consigo matar, eu consigo alcançar o objetivo,
12:30e aí a gente também não pode esquecer da neurociência, né,
12:33porque é desencadeado dopamina, isso vicia.
12:37A partir do momento que ele começou, ele deve ter tido um pico de adrenalina.
12:42Ele se sente bem?
12:43Ele se sente bem.
12:45Sim, é tanto, eu vi, né, os vídeos e tudo, e aí ele começa, é assim mesmo.
12:52Ele estava super tranquilo, ele estava mais tranquilo do que quem estava pegando ele.
12:57Então, assim, o objetivo foi alcançado, eu gerei dopamina,
13:02aquilo que eu posso ter com exercício físico,
13:04ou eu posso ter estudando e tirando uma nota 10 na escola,
13:08eu vou ter invadindo a escola e me vingando, isso vicia, o cérebro vicia com esse...
13:14Misericórdia, só de ouvir essa sua fala me arrepia, meu Deus.
13:17Então, isso dá aquela sensação, opa, eu sou poderoso.
13:21Você viu a escola toda, não é isso, não é que eles falam?
13:24Feito.
13:24Olha, a escola toda parou só porque eu entrei, eu sou o cara.
13:29Porque eu não fui o cara lá na minha casa, entendeu, com o pai e com a mãe.
13:33Então, eu vou ser o cara hoje, mesmo que seja através da violência.
13:36Esse medo que eu senti agora aqui com a fala da Deys,
13:39é exatamente o sentimento de uma avó que a gente vai conversar agora,
13:44porque essa situação deixou trauma, né, para vários pais, vários avós.
13:48Não tem mais a tranquilidade de deixar as crianças irem para a escola.
13:51Quem vai falar agora com a gente é a dona Teomelita.
13:55Ela tem uma netinha de 7 anos que estuda no Eber Lousada
13:59e vai falar para a gente desse sentimento, né, todo dia,
14:02benção, avó, estou indo para a aula.
14:04Como é que fica o seu coração, dona Teomelita? Boa tarde.
14:07Nossa, boa tarde. Meu coração quase saiu pela boca.
14:12Foi horrível.
14:15E assim, desde quando aconteceu esse episódio,
14:19você não consegue relaxar quando a netinha fala que está indo para a escola?
14:23Não, não. A gente está sempre com aquele negócio na cabeça.
14:27Será que vai dar tudo certo? Será que ela vai estar bem?
14:31Sempre preocupada.
14:33Sempre preocupada.
14:34A gente, tipo assim, tem segurança, colocaram segurança na entrada, na saída,
14:41na escola, guardas municipais, colocaram.
14:45Só que mesmo assim, a gente está sempre com o pé atrás, né,
14:49não sente 100% segura.
14:52E aí, quando a gente ouve falar de mais um caso,
14:55como esse que a gente está noticiando,
14:57de uma criança de apenas 11 anos,
15:00que estava enviando fotos para uma escola,
15:03fazendo ameaças,
15:05qual é o sentido?
15:06Horrível.
15:07Mas isso, isso aí,
15:09antes de acontecer,
15:11tudo isso,
15:12foi falado, né,
15:13ele deixou, não sei se foi ele,
15:16alguém deixou uma mensagem na porta do banheiro,
15:19que ia ter um massacre.
15:22Só que ninguém deu muito, assim,
15:25não sei,
15:25muita atenção, né?
15:27E quase que acontece mesmo.
15:29Deus que impediu, né?
15:30Só Deus.
15:32E aí a senhora só fica tranquila quando a netinha volta da escola?
15:36Só.
15:37Não.
15:38Eu vou levá-la e vou buscá-la, né?
15:40Porque eu crio ela.
15:41Então, vou e volto,
15:43e fica aquele negócio na cabeça.
15:45Todos os pais, aliás, né?
15:47Porque foi muito pai e mãe chorando,
15:51todo mundo chorando,
15:52desespero total.
15:54A porta da escola ficou um pânico no dia.
15:58Dona Tomelita,
15:58continua com a gente,
15:59daqui a pouquinho eu volto a falar com a senhora,
16:01e aí mostra a importância da ação da polícia.
16:07Para a gente também noticiar,
16:09que não é assim,
16:11ah, quero fazer isso,
16:13vou colocar o terror, né, Rafael?
16:15A importância da ação,
16:17da repressão da polícia,
16:18de pegar o autor do crime,
16:20de prender se for maior de idade,
16:22ou apreender se for menor de idade.
16:24Essas atitudes,
16:26isso também tem uma grande importância, né,
16:28para a sociedade e para coibir esses casos.
16:30Sim, um ponto muito positivo, Roberta.
16:33A pena no Brasil,
16:34como um elemento secundário da infração penal,
16:39ela é fincada num tripé, né,
16:41que é da retribuição,
16:43pelo mal causado,
16:44pela prevenção e pela ressocialização.
16:47Então, é importante que se saiba que toda conduta, né,
16:50que se desvie da legalidade,
16:53e principalmente, né,
16:54da lei penal,
16:55ela traz consequências, né.
16:57No Brasil, nós temos crimes aí,
16:58apenados aí,
16:59de 24 a 30 anos em abstrato,
17:01sendo possível o cumprimento em regime fechado
17:04em até 40 anos,
17:05à luz do artigo 75 do Código Penal.
17:08Então, é importante destacar que,
17:10se há algum pensamento,
17:13há uma cogitação da prática criminosa,
17:16nós vivemos num Estado de direito,
17:18nós vivemos num Estado em que as instituições são fortalecidas,
17:22nós temos um Estado forte com as polícias,
17:24tanto a polícia preventiva, ostensiva,
17:26fardada,
17:27quanto a polícia repressiva, judiciária,
17:30nós temos um Ministério Público como fiscal da lei,
17:33como custos-leges,
17:34e nós temos um Poder Judiciário com juízes aptos a aplicar a lei.
17:38Então, qualquer um que pense em se desviar, né,
17:41em praticar condutas que se coloquem à margem da legislação,
17:45saiba que as consequências são graves,
17:49são presentes e que a polícia vai atuar.
17:53E a polícia age em nome do Estado,
17:55e o Estado é o detentor da violência legítima.
17:58Então, quem pensa em agir com violência,
17:59coloca-se em situação de ser retribuído também com violência.
18:03Agora, vamos lá.
18:04Tem um lado que a gente teme dos nossos filhos,
18:07nossos netos, né, sobrinhos, serem vítimas.
18:10E também tem um outro lado que é muito preocupante.
18:13É saber o seguinte, Deise,
18:15será que meu filho pensa dessa forma?
18:18Como que eu consigo identificar isso nele?
18:22Com diálogo.
18:24É o diálogo, mas é aquele que é para investigar
18:28qual é o sentimento que tem dentro dessa criança?
18:31Ou qual é a necessidade emocional?
18:33Porque, às vezes, o pai, ele pensa assim,
18:35nós estamos agora vivendo, né,
18:37eu digo que a minha geração é a geração da transição.
18:40Sem internet, com internet.
18:42Então, nós estamos nessa transição.
18:45As crianças agora são as crianças da internet.
18:48Então, é possível que os valores inseridos nelas
18:53são totalmente diferentes dos meus.
18:55Então, eu preciso entender essa criança.
18:58Às vezes, o pai está muito preocupado em ensinar,
19:00mas não escuta.
19:02Porque, às vezes, a gente,
19:03ah, isso é frescura.
19:04Às vezes, acontece lá no consultório, né,
19:06alguma coisa assim,
19:08olha, já está bom, né,
19:10esse tanto de terapia,
19:11que é coisa de adolescente mesmo.
19:14É essa a questão.
19:16É coisa de adolescente,
19:17mas, para ele,
19:18é algo verdadeiro, pesado, sério e difícil.
19:22Não é para mim, por quê?
19:23Porque eu sou adulta e já passei por isso.
19:25Mas, para ele, é.
19:26Então, entender qual é o sentimento
19:29que permeia as atitudes do meu filho.
19:32Meu filho, mas como que você está se sentindo com isso?
19:34E o que você achou?
19:36Os pais não escutam.
19:38Tem casa que eles não deixam as crianças falarem.
19:42Quem tem em casa, assim, por exemplo,
19:44filhos que viram noites e mais noites em jogos,
19:47tem campeonatos, ok, o jogo é uma diversão,
19:50tem pessoas que fazem disso, uma profissão, investem, né?
19:54A gente vê faculdades até mesmo de gamificação, ok.
19:58Mas, em que momento que a gente também fala assim,
20:00opa, eu acho que eu preciso prestar mais atenção,
20:04por que não é só um lazer?
20:06Não mesmo.
20:08É algo virtual, eu já vou ter dificuldade de lidar com a realidade, certo?
20:14Então, as pesquisas mostram que as crianças que passam mais de 30 minutos
20:20nas redes sociais ou em um jogo,
20:23elas já têm dificuldade em se socializar.
20:27Então, eu não estou perdendo só tempo ali aprendendo as interações sociais.
20:33A gente aprende que é nas interações sociais que o ser humano,
20:36ele cresce com respeito à empatia, à necessidade, né?
20:40Às vezes, de ajudar, de servir.
20:42E isso não está sendo desenvolvido com essa sociedade agora da internet.
20:46Porque as horas que eles passam na internet têm deixado eles totalmente fora da humanidade.
20:55Sabe a humanidade de que se eu beliscar, você vai doer igualzinho dói em mim?
21:02Então, está tendo dificuldade de entenderem isso.
21:06Então, o que está tomando conta?
21:08As redes sociais.
21:10E aí, tem toda uma série de elementos que estão contribuindo para isso.
21:14Os hormônios que precisam ser liberados, tem hormônios GH, melatonina,
21:20que é desenvolvido de 9 às 2 da manhã, eles não têm.
21:26Então, eles já vão para a escola cansados.
21:32O nível de concentração é baixíssimo, porque não houve restauração celular
21:38quando eles estavam dormindo.
21:40E aí, agora, é a nova moda do TDAH.
21:43Ah, todo mundo tem TDAH, eu tomo um remedinho, está tudo resolvido.
21:47Não, não está resolvido.
21:48Estamos criando os monstros.
21:50Porque não tem empatia, eu não tenho convívio social,
21:56e eu não sei, inclusive, como me conviver.
21:59Eu tenho pacientes adolescentes que eu preciso ensinar a conviver socialmente.
22:05Você conhece isso?
22:06É surreal.
22:08É, eu estou chocada com as consequências que muitas vezes um celular, um jogo,
22:17tudo sem limite nas mãos das crianças e dos adolescentes,
22:20o que isso pode acabar gerando.
22:23Deise, se deixasse, a gente ficava aqui até amanhã batendo um papo,
22:26nós três aqui.
22:27Muito obrigada pela participação de vocês.
22:29Sejam sempre muito bem-vindos e sempre levando informação para as famílias capixabas.
22:35Obrigada, viu, gente?
22:35Obrigada, Roberta.
22:36Voltem sempre.