- há 6 minutos
O debate sobre o assédio que muitas mulheres ainda sofrem, inclusive no trabalho.
Categoria
🗞
NotíciasTranscrição
00:00Teve um caso ali que foi resgatado, que você reparou, o beijo, gente, quase foi na boca.
00:03E por quê? Tem homem que ainda acha que tem o direito de agredir uma mulher dessa forma.
00:09É isso daí que a gente acabou de mostrar? Isso é uma agressão.
00:13Ela não pediu beijo, ela não autorizou o beijo, inclusive ela estava trabalhando, aquilo ali era um ambiente de trabalho.
00:21Nada dá a ele esse direito.
00:23Esse é o assunto que a gente vai debater agora aqui no Fala Espírito Santo.
00:27Eu recebo aqui no nosso estúdio a advogada Kelly Andrade, a psicóloga Anny Doutro e também, gente, a Rafaela Lima.
00:35Ela é promotora de eventos, trabalha em um ambiente também que é predominantemente masculino e já viveu situações parecidas.
00:43Rafa, boa tarde. Bem-vinda ao Fala Espírito Santo.
00:46Boa tarde, Roberta.
00:47Sim.
00:48Fala bem pertinho do microfone.
00:51Beijo, puxão de cabelo, pegada no braço, na cintura.
00:54Faz o seguinte, Anny, vamos inverter o microfone com ela até a gente resolver.
00:59Pode ficar tranquila, daqui a pouco a gente vai resolver. Obrigada, Anny.
01:03Sim, beijo, puxão de cabelo, pegada no braço, na cintura, piadinha sem graça, enfim, várias outras situações.
01:14E como você se sente após passar por essas atitudes que muitos que estão em casa agora estão achando assim,
01:21ah, gente, mas foi só uma brincadeira, foi só um beijinho.
01:25Você que já sentiu isso na pele.
01:27Uma hora a gente se sente constrangida, né?
01:30Acha até que é nossa culpa, que...
01:34Não sei, assim, né?
01:36Mas depois a gente fica pensando, fala, ai, meu Deus do céu, que vergonha, né?
01:42Geralmente é na frente de outras pessoas também.
01:44E aí fica aquela situação chata.
01:47Mas na hora, como é trabalho, então a gente não pode fazer muita coisa, né?
01:52Tem que tentar sair da situação ali de forma educada, sem deixar ninguém constrangido.
02:01Sair constrangida sem constranger ninguém.
02:03O que não é uma tarefa fácil.
02:05Agora, você trouxe uma fala muito importante, que eu já quero que a Anne comente,
02:09a respeito desse pensamento, que acaba que a gente até se sente culpada, fica buscando justificativa.
02:16Será que foi a minha roupa?
02:18Será que eu fiz algum gesto que eu dei abertura?
02:22É um pensamento que muitas das vezes a gente vê que bate na mulher nessas horas.
02:27Com certeza.
02:27E é importante a gente entender que é completamente cultural, né?
02:30Na psicologia a gente estuda muita cultura.
02:33Então, a gente cresceu em uma sociedade completamente patriarcal e machista que acredita que o homem, a mulher é apenas
02:41um objeto, né?
02:42Então, a gente acaba vivendo muito isso, sofrendo muito isso.
02:46E aí vem exatamente essa sensação de vergonha.
02:50Mas é cultural, assim, a gente passar por um processo de entender que não é nossa culpa, não faz parte.
02:57A gente não é obrigada a aceitar isso, isso não deve fazer parte do nosso dia a dia, é um
03:02processo difícil.
03:03Até porque tudo em volta, toda a sociedade continua trazendo pra gente de que a gente deveria aceitar, a gente
03:10tem que aceitar calada, né?
03:11Então, isso acaba sendo um processo bem difícil.
03:13E, Kelly, até quando a gente vai ver mais casos e casos acontecendo nessa reportagem que a gente mostrou?
03:21Usamos mais um exemplo, mas tem muito mais que acontece, não só quando a gente tá ali, quando tem repórter,
03:27mas qualquer ambiente de trabalho.
03:29A gente tá falando ainda de um ambiente de trabalho, pode ser no dia a dia, você caminhando na rua,
03:33a gente vê esses casos acontecendo.
03:36Infelizmente, acontece em todos os dias.
03:38E a lei que prevê a importunação sexual como um ato criminoso é uma lei recente, 2018.
03:45Então, tem quatro anos que essa conduta foi enquadrada como um crime.
03:49Nós percebemos que a sociedade, ela precisa realmente evoluir.
03:52E são necessários esse tipo de punição que teve pra esse torcedor...
03:57O que é raro, né?
03:58O que é raro, com prisão, pra servir como exemplo que assédio, esse tipo de assédio, de importunar a mulher,
04:06é um crime.
04:07Isso realmente não pode acontecer.
04:08Agora, se você, de casa, algum momento passou assim na sua cabeça, mas era só uma brincadeira, né?
04:14Não, que isso, é exagero.
04:16Olha, isso é tão ofensivo, né?
04:18Uma forma tanto de agressão que até a equipe dessa repórter resolveu agir nessa hora.
04:24O cinegrafista que estava com ela, o assistente também, toda a equipe chegou e segurou esse homem.
04:31E aí, acionaram a polícia e conseguiram prendê-lo.
04:35Porque foi algo tão inaceitável que até os colegas dela de trabalho resolveram agir.
04:41Que não dá mais pra aceitar.
04:43Qual é o erro quando a gente pensa assim, ah, foi só uma brincadeira.
04:47Onde tá o erro nisso, Kelly?
04:49Kelly, normalizar esse tipo de situação é contribuir que a sociedade continue dessa forma.
04:54Ela sofreu ali uma importunação sexual, homens interviram, que é da equipe de trabalho dela.
05:01E eu parabenizo esses homens que têm essa compreensão, que compreendem que o corpo da mulher pertence a ela,
05:08que não podem ultrapassar essa barreira, que não podem tocá-la sem autorização, sem consentimento.
05:13Então, é importante sim, que nós tenhamos essa consciência e que isso seja ensinado pra sociedade,
05:19através de punições exemplares, para nossos filhos, nas escolas,
05:24pra que isso seja compreendido por todos, que assédio, importunação sexual é crime.
05:29E o homem não tem nenhum direito de encostar na mulher, de assediar a mulher,
05:34de ser invasivo em suas palavras e atos e gestos, sem que ela autorize.
05:40E mais uma vez a gente frisa, ela estava ali a trabalho, ela estava concentrada,
05:47quem faz reportagem, quem entra ao vivo sabe o quanto você precisa, está centrado, concentrado.
05:53A gente tem um fone aqui no nosso ouvido, eu já passei por isso, tá gente?
05:58Carnaval, festa, seja como profissional ou como mulher ali me divertindo,
06:03a gente tem que se concentrar, por exemplo, nas entradas ao vivo, não é uma coisa tão simples.
06:07E você às vezes não consegue nem reagir, com você também é assim, né Rafa?
06:11Você comentou que na hora você fica sem reação.
06:15É, na hora a gente acaba ficando sem reação, né?
06:17A gente tenta sair da situação sendo educada, dando um sorrisinho sem graça,
06:23mas reação também não pode ter, né?
06:26A gente está no local de trabalho, mas é uma coisa tão comum,
06:29que as pessoas acham que é normal, que ela ali, ela estava com um monte de câmera na frente dela,
06:36trabalhando, estava provavelmente passando ao vivo e aconteceu.
06:40Então imagina assim, né?
06:41Quando não tem câmera em outros locais de trabalho ou no dia a dia mesmo, em festas, baladas, enfim.
06:50Tem que ser extremamente profissional ainda nessas horas,
06:53tem que ter esse jogo de cinturo que não é fácil.
06:56E as mulheres estão sujeitas a esse tipo de comportamento em diversas profissões.
07:01Não é só da repórter, como eu disse, não é só o caso da Rafa, que é promotora de eventos.
07:05Veja só o que está acontecendo com várias psicólogas, psicanalistas.
07:11É o caso da Lilian.
07:13Ela estava atendendo uma consulta online.
07:16E olha só a postura da pessoa que se passou por paciente.
07:20Algumas pessoas do sexo masculino vinham até mim,
07:26acredito que pegavam meu contato em alguma rede social, enfim.
07:32E agendavam sessões emergenciais ou regulares.
07:36E quando eu mandava o link da sessão,
07:41estavam com o órgão exposto, o órgão sexual.
07:45Ou ficavam com uma conversa, né, do tipo,
07:49ah, estou me sentindo muito sozinho aqui, você não quer vir para cá.
07:52Esse tipo de conversa.
07:53E a minha medida imediata era encerrar a sessão e eu bloqueava o contato.
08:00Eu comecei a pedir uma ficha de intenção, né, de sessão.
08:06Então, nessa ficha tem várias informações.
08:07Eu comecei a notar que as pessoas que realmente tinham uma demanda real
08:14e necessidade de fazer análise,
08:17preenchiam essa ficha de forma mais detalhada, com mais afim, com mais vontade.
08:22Eu percebi que essas outras pessoas que estavam mal intencionadas
08:25não preenchiam essa ficha, não informavam os detalhes.
08:30Para para pensar, o que isso pode gerar na cabeça de uma mulher enquanto profissional?
08:35Ela começa a desconfiar de tudo, né, Anny?
08:38Porque dá medo.
08:39Vamos lá, você está atendendo um paciente.
08:41Isso acontece até mesmo online?
08:44O que pode acontecer?
08:45Quais são os danos que isso pode trazer para a vida de uma mulher?
08:48Os impactos, Anny?
08:49Além do sofrimento emocional que a gente já tem no cotidiano,
08:52a gente até falou alguns dias atrás, né, sobre a maternidade,
08:56as dificuldades do dia a dia que uma mulher já passa.
08:59Ainda estar exposta a esse tipo de situação
09:01pode trazer um maior esgotamento emocional.
09:04Então, a mulher ter mais dificuldade em regular suas próprias emoções,
09:08acabar se demonstrando sempre impaciente, nervosa ou até mesmo triste.
09:13E, em alguns casos, a gente pode até mesmo desenvolver
09:16um transtorno de estresse pós-traumático,
09:19que a gente ouve muito falar, assim, de soldados, de guerra.
09:23Às vezes, a gente acha que precisa ser uma grande coisa, né, nesse sentido.
09:28E não necessariamente, apenas na importunação sexual,
09:32que também já é uma grande coisa na vida da mulher,
09:35já pode, a pessoa já pode desenvolver um transtorno de estresse pós-traumático.
09:40Isso pode fazer, inclusive, que, por exemplo, ela não consiga mais trabalhar,
09:43que ela não consiga mais estar no local de trabalho dela,
09:46se aquela experiência for muito traumática para ela.
09:48E, sem contar que ela começa a desconfiar de tudo, né?
09:51O próximo agendamento, o próximo paciente, daqui a pouco,
09:54vai ter que botar, se for no consultório, um segurança na porta do consultório.
09:59Porque como que você lida com isso, se é presencial?
10:02Online, você ainda tem a ferramenta de poder desligar ali o botão.
10:07Pronto, acabei.
10:07Mas e o medo de atender, de continuar atendendo o paciente assim?
10:11Pela internet, gente, eu vou conversar agora com a Tássila.
10:13Ela é frentista de um posto de gasolina e vive constantemente essas situações de importunação.
10:21Tássila, obrigada pela sua participação aqui no Fale Espírito Santo.
10:24Você também se identifica como mulher, né?
10:27Esses casos que acabam passando do ponto ali no atendimento que você tem ao cliente?
10:34Sim, sim. Olá, boa tarde.
10:36Boa tarde.
10:39Eu sou uma das piadas sem graça, cantadas, né?
10:49E infelizmente, né?
10:51Isso faz até eu querer mudar quem eu sou, sabe?
10:57Por eu ser simpática, assim, extrovertida.
11:04Eu te entendo, eu também sou extremamente simpática, eu sou para frente mesmo, meu jeitão, sou expressiva
11:11E você trouxe esse detalhe importante para a gente debater aqui no estúdio
11:15Porque a gente não pode mudar a nossa essência, aquilo que nos caracteriza, né, Anne?
11:21Você ninguém melhor do que a própria psicóloga que está com a gente aqui no estúdio
11:25Para falar sobre isso, olha que ponto isso pode chegar, essa fala da Tássila
11:31Como que você analisa essa fala dela?
11:34É, acaba que realmente a gente, até por esse medo extremo que a gente passa a ter de reviver esse
11:40tipo de situação
11:41A gente passa a evitar até o comportamento que a gente teve naquele dia
11:45Às vezes foi um dia que você foi mais simpática com o cliente, tentando agradar mesmo o cliente
11:51Fazer seu trabalho da melhor forma e você, por exemplo, teve ali uma importunação sexual de qualquer característica, assim, né?
11:59É uma forma dela estar se sentindo culpada?
12:01Com certeza! E assim, isso pode trazer o impacto exatamente, não apenas nessa relação, não apenas na relação de trabalho
12:08Mas em todos os nossos relacionamentos, porque o que a gente entende?
12:11Então eu preciso mudar meu jeito, aí a gente começa a colocar as dúvidas na gente, né?
12:16Talvez eu esteja dando abertura, talvez seja o meu jeito, mas na verdade não tem a ver com isso
12:21Independente, a gente vê, por exemplo, nessa reportagem que a gente acabou de ver, né?
12:25Nesse caso que a gente acabou de falar, a mulher não deu abertura nenhuma, ela nem estava falando com ele
12:29Então não tem a ver com o nosso jeito, não tem a ver com a forma que a gente se
12:33expressa, não tem a ver com isso
12:34É um desrespeito mesmo, né?
12:36Agora, Kelly, o que caracteriza essas atitudes, né?
12:41Que são assédios, mas criminalmente falando isso é uma importunação sexual
12:45Qual é o limite entre uma cantada, porque a gente recebe cantada no dia a dia
12:51E até que ponto existe esse limite de, não, isso já não é mais uma cantada
12:57Isso é um assédio e isso criminalmente é uma importunação sexual
13:01Na verdade é fácil identificar, uma vez que é necessário ter o consentimento, a autorização da mulher
13:08Quando há um consentimento, quando a mulher autoriza aquela situação, então sim é permitido
13:14Agora, quando ela não está confortável, ela não quer aquele tipo de relação, ela não aceita aquele tipo de toque
13:20Aquela conversa, aí sim já passa do limite razoável, já pode configurar uma importunação sexual
13:27E nesse caso específico, nós tivemos um caso dentro de um ambiente que é masculino
13:33Que é o estádio de futebol
13:35E por esse motivo também, alguns homens tendem o direito de fazer esse tipo de coisa com as mulheres
13:40O que não é autorizado, não é permitido
13:43E as mulheres que sofrem assédio devem sim denunciar
13:46Nós temos os canais de denúncia, que é o 180, que é o número exclusivo, específico para mulheres
13:52O 190, que é a polícia, né?
13:54O próprio judiciário trata desse tipo penal, desse crime, né?
13:59Com o rigor que tem que tratar, nós esperamos que assim seja
14:02Porque realmente temos que mudar essa cultura de assédio que há no nosso país
14:06Eu estou lendo aqui alguns comentários na internet, está me chamando a atenção
14:10A participação masculina
14:13Faço questão de ler esses comentários
14:15O Sérgio Viana, por exemplo, fala
14:17Nós temos que separar amizade de amigos e de pessoas que nós não conhecemos
14:22Muito bem colocado, Sérgio
14:23E o Júnior Souza fala
14:25Hoje na academia, a professora me abraçou por trás
14:28Deu um beijo no pescoço sem minha autorização
14:31Eu deveria ter chamado a polícia para ela ser presa?
14:35Aí só continuando, tem um comentário também aqui da Aline Azevedo
14:38Fala que já vimos mulheres passando a mão nos órgãos sexuais também de jornalistas
14:42Homens e nada é falado
14:44Olha, Aline, eu vou falar real para você
14:47Se tivesse, se vira tona um caso desse
14:50A gente está aqui para mostrar
14:51Se a gente jogar, por exemplo, na internet
14:54A gente vê que os casos de mulheres que sofrem isso
14:58É infinitamente maior do que os casos de homens
15:04Verdade?
15:04Perfeito
15:05É verdade, Kelly?
15:06Perfeito
15:06E aí a gente pode até responder também o comentário do Júnior
15:10O que o homem também deve fazer se for o contrário?
15:13O homem sendo vítima de importunação tem os mesmos direitos do que a mulher
15:17Estamos tratando desse caso da mulher especificamente
15:20Por conta de uma cultura que nós temos
15:21Por conta do machismo, né?
15:23Que vem do patriarcado
15:24Em que a mulher, ela é diminuída
15:26Ela é subjugada
15:27Em que se rejeita a igualdade de gênero
15:31Esse caso específico foi um caso de violência de gênero
15:34Então é importante nós colocarmos isso, né?
15:36São raríssimos os casos em que homens são assediados
15:39E sofrem assédio como essa repórter sofreu
15:42Mas a venda desse tipo de situação também é crime
15:45Também importunação sexual e também deve ser punido
15:47E como que a pessoa pode comprovar?
15:49Ali no caso a repórter tinha ali, estava ali ao vivo
15:52E a pessoa que não está com nada na mão, nenhum celular para filmar
15:57Como que prova isso, Kelly?
15:58Existe uma presunção de veracidade na palavra da vítima nesse tipo de situação
16:02Mas é importante que haja também algum tipo de provas, né?
16:06Verifique se há câmeras de vídeo monitoramento no local
16:08Se tem testemunhas que presenciaram aquela situação
16:11Mas é certo que em alguns casos, em muitos dos casos de crime contra a liberdade sexual
16:16Não é possível ter provas que acontecem na intimidade, em locais que ninguém percebe, que ninguém vê
16:21Que poucos têm acesso
16:23Daí por isso que dá-se muito valor à palavra da vítima
16:27Deixa eu voltar a falar com a Tássila
16:28Que ela é frentista, trabalha em posto de gasolina
16:31Já passou muito por essa situação
16:32Na verdade, ela me falou que passa praticamente todo dia, né Tássila?
16:38Sim, todo dia
16:39E infelizmente, infelizmente dá vontade de desistir, sabe?
16:45Dá vontade de desistir porque é contra a minha vontade
16:50Eu estou ali para trabalhar, eu não estou ali para ficar assim, sabe?
16:56Ficar fazendo graça, né?
16:58É, para de graça, às vezes vem, passa a mão no meu cabelo
17:03Às vezes vem, assim, do nada, passa a mão no meu rosto
17:08Sabe, encosta, assim, na minha cintura
17:12Na maquininha, vou passar a maquininha no cartão, né?
17:15Vem, vem com uma mão boba, assim, querendo encostar, assim, na minha mão
17:18Querendo ou não, isso aí tira a minha liberdade
17:22Entende?
17:23E como que você faz para sair dessas situações?
17:27Então, foi o que a moça falou aí agora, entendeu?
17:33Tento agir, assim, da melhor maneira para não me constranger
17:37Não sair um ar de constrangimento para ambos, sabe?
17:42Até porque você está ali trabalhando, né?
17:44Isso te preocupa?
17:45Eu estou trabalhando, eu preciso do meu trabalho, sabe?
17:48Você está ali trabalhando e isso te preocupa, né?
17:51Fala assim, eu preciso do meu trabalho, eu tenho que saber sair pela tangente, né?
17:56Exatamente
17:56Exatamente
17:57É assim também, Rafa?
17:58Tem que...
17:59É o peso, assim, a preocupação com o trabalho que faz com que muitas vezes
18:04você consiga engolir aquela cantada que foi além da cantada?
18:09Com certeza
18:10É a preocupação, né?
18:14A gente trabalha com eventos, tem que estar sempre simpática, tem que estar sempre sorridente
18:20tem que estar sempre tratando o cliente bem
18:22Às vezes confundem isso
18:26Mas a gente não pode constranger o cliente, também não podemos tratar mal
18:31E aí tem que sair da melhor forma possível
18:34sendo também simpática, entendeu?
18:37Porém, tentando sair daquela situação
18:39Às vezes chamando alguém para perto, passando as dúvidas
18:46Ou...
18:48Entendeu, né?
18:49Olha só, eu estou até vendo aqui o comentário do José de Oliveira
18:53que a gente...
18:54Eu fiz um comentário aqui, falei que o caso de homem assediar, né?
18:58Ter essas atitudes com a mulher bem maior
19:00E ele falou que não, que não é
19:02Então faz o seguinte, José
19:04Mostra, manda para a gente algum caso recente
19:07Algum caso em que a mulher assediou o homem
19:10Já vi, já vi sim, né?
19:12Situações de mulheres para frente
19:15Abusadas também
19:16Que ainda assim a gente reprime
19:17Mas o nosso espaço está aqui aberto
19:19Para dar notícia, para mostrar informações
19:22Isso que aconteceu ontem
19:23Isso aconteceu em rede nacional
19:26Então é algo que a gente não pode aceitar
19:29É um caso que traz a discussão da importância
19:31De não aceitarmos essa postura
19:34Seja de qual for o lado
19:36Porque ninguém é dono do corpo de ninguém
19:38É isso que a gente tem que colocar na nossa cabeça
19:40E mudar essa cultura, né, Anne?
19:42Com certeza
19:42E isso que a gente está trazendo aqui é muito importante
19:45Que é qual deve ser a reação da mulher, né?
19:49Primeiro de tudo, é importante a gente pensar
19:51Quando a gente fala sobre modificação de comportamento
19:53Que se não acontecer nada com esse homem
19:55Ele vai continuar fazendo
19:56Então, às vezes, mesmo que
19:59Um leve constrangimento desse homem
20:02Já pode ser eficaz para diminuir a probabilidade
20:05De ele voltar a ter esse comportamento
20:09Então a gente fala aí
20:10Se toda experiência, por exemplo
20:12Que esse homem tiver em assediar uma mulher
20:15Como a gente viu o caso aí
20:17Ele vai diminuindo a probabilidade
20:20De ter esse comportamento cada vez mais
20:22Porque ele está tendo, assim
20:24Ficando com vergonha diante dos amigos
20:25Diante da internet, né?
20:28O que seja
20:28Então é importante que a mulher se posicione
20:30Até mesmo para que isso não venha a acontecer
20:32Com outras mulheres
20:33E se todas nós nos posicionássemos
20:37Até mesmo não precisa ser
20:39Fazer um escândalo nem nada assim, né?
20:41Mas de alguma forma
20:44Constranger essa pessoa que fez isso
20:45Esse homem que fez isso
20:46A gente já ajuda a diminuir a probabilidade
20:49De isso voltar a acontecer
20:50Olha aqui o comentário
20:52Cadê?
20:53Da Karine Amorim
20:55Ela fala que, infelizmente,
20:56Ela precisa rever a roupa dela
20:58Antes de sair de casa
21:00Para não chamar atenção
21:01Mas não adianta
21:03Ainda assim surgem os comentários
21:05É o que a gente está falando aqui
21:06Uma coisa, gente
21:07É uma cantada na rua
21:08Outra coisa é quando passa esse limite
21:11É aí que a gente tem que prestar atenção
21:12E Kelly, só para a gente finalizar
21:14A importância desse desfecho
21:17Que a gente teve, né?
21:18Que parabéns para esse delegado
21:20Ou para a delegada
21:21Que manteve esse homem preso
21:26Parabéns para todos que identificam
21:27Que realmente houve uma importunação sexual
21:30Naquele caso, né?
21:31Nós temos comentários que querem relativizar a situação
21:34Querem dizer que é mimimi
21:35Mas quando realmente você não sente a dor
21:38É difícil ter essa consciência
21:41Do que é importunação
21:43Do que é crime
21:44Do que não é
21:45A jornalista ficou ofendida
21:47Ela foi realmente
21:50Ofendida na sua integridade física, né?
21:53Ela se sentiu incomodada
21:54Ela se sentiu constrangida
21:55Com razão
21:56Porque, de fato, ela sofreu importunação sexual
21:58Então é importante, sim
22:00Termos medidas exemplares
22:02Contra esse tipo de situação
22:03Para que possamos crescer como pessoas
22:05E como sociedade também
22:07Tanto é que isso é crime
22:09Obrigada pela participação de vocês
22:11Doutora Kelly
22:12Ana, psicóloga
22:13Rafa, tá aqui, linda
22:14Um excelente trabalho para vocês
22:16E que a gente consiga, cada dia
22:18Superar essas situações
22:19Que, infelizmente, a gente sabe que é cultural
22:21Mas precisam ser mudadas, viu?
22:22Tchau, tchau