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Como entrar em acordo na forma de educar os filhos.
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NotíciasTranscrição
00:00Aqui no nosso estúdio eu recebo a psicóloga Aurisiane Soares.
00:04Aurisiane, obrigada pela sua participação.
00:07Eu que agradeço, Roberta.
00:08Você também se identifica como mãe?
00:10Totalmente.
00:11É o seu caso?
00:12Esse desafio, ele é super comum e de quase todas as famílias que eu acompanho no consultório.
00:17Então é comum a mãe querer ditar a regra indo para um lado, o pai vir, intervir, querer levar para
00:23o outro sentido?
00:24É muito comum, Roberta. Isso porque a gente teve criações diferenciadas e isso a gente está começando a perceber a
00:33necessidade de mudar isso aí entre criação de filhas e criação de filhos.
00:37Os homens foram criados para o não envolvimento com a família, foram criados para o trabalho distantes da educação dos
00:46filhos.
00:46As mulheres foram criadas para servir, talvez com um pouco mais de emoção, de sentimento, do entendimento daquelas questões ali,
00:55das nuances emocionais das crianças e os pais mais racionais, às vezes mais autoritários.
01:01Então essa rivalidade é muito comum.
01:03E hoje a gente também vê uma migração dos papéis.
01:06Os pais assumindo mais também esse lado afetivo, a mãe indo para o mercado de trabalho.
01:11Então imagina o conflito que fica.
01:12Já, já eu quero que você fale para a gente sobre isso.
01:15Você de casa, inclusive, pode e deve participar com a gente pelo nosso Facebook.
01:19Vou ler seu comentário.
01:20Como que é a criação dos seus filhos aí?
01:22Daqui a pouquinho eu vou ler, porque agora eu vou voltar com a Luana Damasceno, gente.
01:26Ela está em uma manifestação que acontece aqui em Vitória.
01:31Deixa eu voltar com ela.
01:32Você está na terceira ponte, não é isso, Luana?
01:38Ao vivo.
01:41Ô, minha gente, deixa a nossa repórter trabalhar.
01:46Deixa a nossa repórter trabalhar.
01:48Daqui a pouquinho a gente volta com a Luana Damasceno, tá bom?
01:52Por favor, hein?
01:53E agora a gente volta então com a Aurisiane Soares para falar sobre a educação dos filhos.
01:59Aurisiane, como eu bem disse, eu também me identifico com essa situação.
02:02Como que a gente pode entrar no consenso marido e mulher para a gente não divergir ou então se é
02:08saudável também essa divergência de opiniões?
02:11Perfeito, Roberta.
02:12É saudável a divergência de opiniões, mas essa divergência de opiniões não pode ser um transpassando decisões.
02:20Por isso que é preciso sempre que o casal converse e construa uma identidade, assim, daquilo que eles esperam para
02:26aquela criança.
02:26Qual que é o caminho de criação que eles vão seguir, né?
02:29Hoje a gente vê um movimento muito grande, ainda bem, da construção pelas famílias de uma educação mais respeitosa, mais
02:36consciente, sem castigos.
02:39Porque a ciência vem contando para a gente dos perigos e dos efeitos nocivos dessas estratégias sempre utilizadas nas educações,
02:48na educação das gerações anteriores.
02:50E convocando os pais e as mães a uma reformulação desse processo dentro de casa, através de leituras, através de
02:59cursos, né?
03:00Então é importante os pais se engajarem no entendimento de que a gente precisa, agora é a hora deles caminharem
03:07juntos na construção de uma educação mais respeitosa,
03:10se a gente quiser colher lá no futuro, né? Um adolescente, um adulto, um jovem mais saudável emocionalmente.
03:19E aí a gente estava batendo um papo sobre casais que discordam, né?
03:23Nem sempre a gente consegue ter, 100% das vezes, o mesmo pensamento do pai e da mãe conseguem coincidir.
03:33Acontece o quê? Momento de discordância entre o casal.
03:36Ah, eu vou chamar a atenção um pouco mais ríspida e o pai não gosta.
03:40Sim, sim.
03:41E aí?
03:42Roberta, sabe o que aparece no consultório geralmente?
03:45Mães que estão na busca de uma educação mais respeitosa, porque estão mais antenadas a essas vertentes mais respeitosas de
03:54educação, né?
03:55Na internet, ou mais preocupadas porque sempre foi destinado às mulheres a criação dos filhos, né?
04:01Então, a gente tem muitos blogs, muitos sites, né?
04:05Que acabam promovendo essas discussões maternas.
04:07A informação está aí, né?
04:08Exatamente.
04:08E aí as mães chegam lá no consultório com o pai do lado, com aquela cara de que eu não
04:14queria estar aqui,
04:15eu só estou porque a minha mulher está me obrigando, né?
04:17Mas ela convocando o marido a estudar sobre, a pensar uma nova direção, né?
04:24E entendendo que aquela divergência, que às vezes ela para um caminho mais passivo, ele para um caminho mais autoritário,
04:31e que aquilo não está fazendo bem para as crianças.
04:33E se a gente tem hoje o entendimento da nocividade de uma educação violenta,
04:39que esses pais caminhem juntos num propósito justamente para que não tenha essa diferença lá na hora da condução,
04:46na hora das decisões, na hora das estratégias, para que isso não atrapalhe até a própria criança,
04:51que às vezes fica sem uma referência de o que fazer.
04:55E é por isso que a criança começa, na hora que a mãe decide uma coisa, vai lá e segue
05:01na direção do pai.
05:02Pai, mamãe não deixou, eu posso?
05:04Ou o contrário também, pai, mamãe não deixou, eu posso?
05:08E aí sem referência, ela acaba ficando sem limites também, que é muito importante para a criação dos filhos.
05:14E aí o que eu sinto é que às vezes os pais têm um entendimento equivocado do que as mães
05:20pensam sobre a educação,
05:21sobre a criação de filhos.
05:22Eles dizem que essa educação respeitosa é uma educação permissiva,
05:27que é uma educação que vai criar um filho sem estrutura psíquica, um sujeito fraco emocionalmente.
05:33E muito antes, pelo contrário, educação respeitosa não tem nada a ver com uma educação permissiva,
05:38mas é uma educação com diálogo, com respeito, principalmente ali nas decisões cotidianas dessa família.
05:46Olha só, eu vou convidar aqui para o nosso bate-papo, a Fernanda, ela vai participar com a gente pela
05:50internet.
05:51Ela é mãe dos gêmeos Gil e Gui, e também do Cauã e Gabriel.
05:56São quatro em casa, vamos ver como é que é aí na casa dela.
05:59Tudo bem, Fernanda? Boa tarde.
06:01Olá, boa tarde, tudo bem?
06:03Como é que funciona aí na sua casa?
06:05Você dá uma ordem e o marido, às vezes, se diverge também?
06:10Olha, a gente não pode se permitir de ter esses deslizes, porque são quatro crianças, né?
06:17E assim, são três fases completamente diferentes.
06:20Então, a gente precisa estar muito alinhado, porque se a gente perder o pulso, é caos.
06:26Mas já aconteceu?
06:28Às vezes, até o seu marido, ou então você corrige o seu marido na frente das crianças,
06:33não fala assim com ele, não fala assim com ela.
06:36Então, já aconteceu algumas vezes, porém, a gente sabe das consequências desse tipo de...
06:43É um deslize.
06:44Quando isso acontece, é um deslize, tanto da minha parte quanto da parte dele.
06:48E aí, assim, na nossa rotina, a gente procura sempre cochichar baixinho, num canto,
06:54entre nós dois, porque quando acontece esse deslize, a gente acaba deixando eles confusos, né?
07:00Eles acabam sem saber qual é a orientação correta, eles acabam pegando uma força que não deveria pegar num determinado
07:08momento.
07:09E aí, a gente perde o pulso.
07:10É exatamente isso que eu também percebo, né?
07:13A criança cresce quando, às vezes, tem...
07:16Tira essa autoridade.
07:17Eu quero até aproveitar e tirar essa dúvida aqui com a Aurese.
07:19E a Anny continua com a gente, Fernanda.
07:21Essa correção, seja da mãe com o pai ou pai com a mãe, isso pode acontecer na frente da criança
07:28ou, de fato, não se deve tirar essa autoridade?
07:31Ótimo, perfeito, Roberta.
07:34É interessante que isso não aconteça, mas como ela disse, às vezes acontecem deslizes.
07:39Só porque somos seres humanos, né?
07:41Exato, exato.
07:42E mais do que somos seres humanos, a gente tem na nossa estrutura da criação, por mais que a gente
07:46queira uma criação, às vezes, respeitosa,
07:48nós não fomos criados dessa forma.
07:50Fomos criados com ameaças, com castigos.
07:53Então, é como se esse fosse o nosso esqueleto.
07:55Então, vira e mexe, a gente vai colocar esse piloto automático em funcionamento
07:59e a gente vai, sim, acabar sendo desrespeitoso com os nossos filhos.
08:04Então, nessa hora, eu acho que é muito importante a mãe ou o pai intervirem.
08:08Lá em casa, a gente tem um combinado de que quando um está pesando a mão demais,
08:12quando um está sentindo que um está desrespeitando a criança,
08:15quando eu percebo que meu marido está muito estressado, muito cansado com alguma coisa do trabalho
08:20e está tentando ali partir para um lado mais autoritário, mais agressivo, eu tomo frente.
08:26E isso acontece também com ele.
08:28Quando ele percebe que eu estou ali me exaltando e colocando o meu piloto automático em funcionamento,
08:33que é violento porque eu recebi uma educação violenta
08:36e a gente precisa começar a desconstruir que a educação dos nossos pais não foi violenta
08:40porque foi, hoje a ciência comprova para a gente os efeitos nocivos de uma educação
08:45com castigos, com ameaças.
08:47Eu não estou falando de surra, não, gente.
08:49Eu estou falando de um cantinho do pensamento,
08:53é da invisibilidade que as crianças, às vezes, têm diante dos pais
08:56porque não tem escolha, porque não tem voz.
08:59Então, às vezes, quando a minha filha pisa ali no meu calcanhar de Aquiles,
09:03quando ela aciona um gatilho em mim e eu acabo colocando esse meu piloto automático
09:08em evidência, o meu marido está autorizado, isso é um acordo nosso, a me tirar de cena.
09:13Fala assim, amor, vamos revezar.
09:15Então, ali é um trabalho de equipe para que a gente perceba que o outro está vindo.
09:19A criança percebe que você foi tirada de cena pelo seu esposo?
09:25Ela percebe que ela vai receber acolhimento ou que ela vai receber alguém mais emocionalmente
09:31estável e seguro para conduzir aquele dilema, aquela situação em que eles estão vivendo.
09:36E não tem problema a criança perceber isso?
09:38Nenhum problema.
09:39Aliás, o que a gente precisa é que sempre quando a criança estiver subjugada ali
09:43numa condição de violência, a gente está chamando disso, de um grito, de um castigo,
09:48que o outro entre em cena para protegê-la.
09:51Vocês estavam falando anteriormente na outra conversa, Roberta, sobre trauma.
09:56E hoje as evidências científicas mostram para a gente que trauma não é só o atravessar
10:01de uma situação difícil, mas é o amparo que a gente tem ou não depois dessa situação difícil.
10:09Então, às vezes a criança está ali, ela recebeu uma palmada da mãe,
10:12ou ela recebeu um grito do pai, ou ela foi sacudida com esse nosso piloto automático,
10:17infelizmente ainda violento, e aí ela precisa desse acolhimento,
10:22ela precisa de alguém que mostre para ela segurança.
10:26Isso não tem nada a ver com permissividade, gente.
10:29A gente pode acolher, a gente pode se desculpar e ainda assim resolver aquele problema de forma respeitosa.
10:35Ó, tem um comentário aqui de uma mãe que ela pediu para não ser identificada,
10:39senão acho que vai dar treta em casa, hein?
10:41Olha só, ela diz o seguinte, quando o pai é neutro, não abre a boca para nada,
10:47ela até solta risos aqui, estou perdidinha, me dá uma ajuda aí, por favor, não fala meu nome.
10:55Isso acontece, e acontece muito justamente por aquilo que a gente estava falando no início,
10:59os homens não foram na educação deles convocados a esse papel dos cuidados da família.
11:05E aí, gente, cuidado, não é só a escola ou pediatra, é a diretriz daquela educação mesmo, daquela criança.
11:11Como eu quero que a minha criança cresça?
11:13O que a gente está aqui acordando?
11:15Como que vai ser esse caminho quando ela errar?
11:18O que a gente vai fazer quando a nossa criança errar?
11:19O que a gente vai fazer?
11:20Então, é muito importante que o casal construa esse caminho juntos, né?
11:26Hoje, Roberta, a gente tem vários profissionais, e não só de psicologia,
11:31oferecendo um trabalho de orientação parental.
11:33Eu recebo muito no consultório.
11:35São famílias que estão enfrentando desafios com as crianças,
11:38e às vezes, esse próprio desafio de divergência com o marido.
11:43Assim, o Anny, meu marido pensa assim, eu penso assim,
11:46a gente está com essa dificuldade no consultório, o que a gente pode fazer?
11:49E aí, esses profissionais, que são educadores parentais,
11:54vão trazer ferramentas para essa família, com base na comunicação não violenta,
11:58na disciplina positiva, na neurociência do comportamento,
12:01de como conduzir aquele desafio de um jeito mais harmônico e mais respeitoso, né?
12:08Olha o comentário da Marina Penincha, né?
12:10Ela está aqui questionando, fala, é por isso que os filhos não respeitam mais ninguém,
12:13porque a mãe fala, acha que é assim.
12:16Aí o pai vem, fala que não é assim.
12:18Aí a criança acaba respondendo os pais, achando que ninguém,
12:23afinal das contas, ninguém manda neles,
12:25para a gente não causar esse efeito nas crianças, Aurisiane.
12:29Exatamente.
12:30É por isso que é importante que esse casal converse, né?
12:33A nossa convidada estava dizendo ali de que eles ficam cochichando, né?
12:38Às vezes, é combinar de que, nas questões que são mais cotidianas,
12:43que se acontecer essa divergência, a gente só perceba e converse depois sobre ela, né?
12:48Na hora ali de dormir, fala assim, aqui, hoje você pesou a mão em tal coisa,
12:52não achei que foi legal que você agiu dessa forma, né?
12:54Com o nosso filho, que depois eles possam conversar sobre isso e não na frente das crianças, né?
13:00Na frente das crianças, tentar garantir essa homogeneidade desde que não esteja havendo uma situação de violência.
13:07E de novo, violência, eu não estou chamando de palmada,
13:10eu estou falando de grito, é de castigo, é de ameaça, é de chantagem, né?
13:15É por essa educação que a gente está vibrando, defendendo e lutando, né, Roberta?
13:20A gente está encerrando, mas eu só quero voltar a falar com a Fernanda,
13:23quero agradecer a participação dela e saber se à noite rola essa conversa para ter uma sintonia do casal, Fernanda.
13:30Ah, sempre tem.
13:32Sempre tem, porque é o que eu acho, assim, que a família, ela está muito baseada num equilíbrio.
13:37Aliás, a família, ela precisa de equilíbrio.
13:39Como nós somos em muitos, né, e na verdade toda família que é mais de uma pessoa
13:44vai ter mais de um dia sendo vivido, vai ter um que está mais estressado um dia,
13:49um que está mais tranquilo no outro.
13:51E aí a gente se conhecendo, a gente se amando, né,
13:54porque é o principal pilar de uma família, o amor que tem entre todo mundo,
13:58a gente vai se conhecendo, às vezes até um olhar já impede que alguma coisa aconteça.
14:02Porque a gente sabe que todo mundo está ali com boa intenção,
14:05que todo mundo, no final das contas, é amor que gira em torno daquilo ali.
14:08Então, acho que é muito fácil a gente ir encontrando esse equilíbrio, né,
14:11quando a gente se conhece, quando a gente convive, quando a gente se ama,
14:15a gente vai encontrando esse equilíbrio.
14:16E às vezes um equilibra o outro, porque são várias vidas envolvidas, várias criações, né.
14:21Obrigada, viu, Fernanda.
14:24Obrigada pela sua participação com a gente.
14:26Ó, um beijo vezes quatro aí nas crianças, tá bom?
14:29Obrigada.
14:30Tchau.
14:31Obrigada, tchau, tchau.
14:33Obrigada, Oriziano, pela sua participação e volte sempre com a gente.
14:36Um beijo grande na Lara, aquela boneca linda.
14:38Obrigada, tchau.