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  • há 1 hora
Uma das vítimas contou como foi o ataque

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Transcrição
00:00A gente faz uma pergunta, onde é que a gente vai parar?
00:03Gente, nem na escola.
00:05Nem na escola a gente tem mais paz, a gente tem segurança.
00:09Olha a ousadia desses criminosos.
00:11Eu já falei aqui de vários locais, vários tipos de violência.
00:15Agora, dentro da escola, na sala de aula,
00:18a gente vai repercutir esse caso aqui no nosso estúdio.
00:21Hoje eu recebo especialista em segurança, Ruzle Medeiros,
00:24e também a psicóloga Gisélia Freitas.
00:26Boa tarde, obrigada pela participação de vocês aqui no nosso programa.
00:31Ruzle, explica pra gente, onde que está a fragilidade que chega a esse ponto
00:37da gente pensar de pessoas que estão ali, em plena sala de aula,
00:41alunos do EJA, pessoas que já, por algum motivo,
00:45em algum momento da vida, precisaram dar uma pausa nos estudos,
00:49e aí acontece essa violência dentro da sala de aula.
00:54Boa tarde.
00:55Boa tarde, Roberta. Boa tarde a todos que nos acompanham aqui no Fala Espírito Santo.
00:58Nesse dia especial, nós celebramos esse feriado.
01:02Bom, Roberta, a primeira coisa que a gente sempre fala,
01:04existem dois locais que seriam sagrados, vamos dizer assim,
01:07as igrejas e as escolas.
01:10Mas a gente tem visto que a investida dos grupos criminosos
01:13não tem mais limites.
01:16Eles estão investindo e estão indo nas escolas, nas igrejas.
01:20Então a gente precisa tomar muito cuidado em relação a isso.
01:22Mas isso é justamente uma ideia de impunidade.
01:27Então esses criminosos, eles não têm mais essa ideia
01:31de que realmente vão acontecer alguma coisa,
01:34vai sofrer algum tipo de punição.
01:37E aí eles investem mesmo nesses ambientes
01:40que nós consideramos de fato sagrados,
01:43principalmente na escola, em horário de aula.
01:45Porque a gente tem visto, Roberta, furtos, arrombamentos nessas unidades
01:49para levar aí televisão, levar algum equipamento da escola.
01:53Agora, em horário de aula, nesse ambiente,
01:57é uma coisa mais rara,
01:59mas a gente tem visto que estão tendo essas investidas.
02:02Por quê?
02:03Porque não tem mais esse sentimento de que serão punidos.
02:07Gisélia, vamos parar para pensar, como eu bem disse,
02:10pessoas que por algum motivo,
02:12num momento da vida, precisaram dar uma pausa nos estudos.
02:15E aí, não, vamos lá, momento de superação.
02:18Vou voltar a estudar.
02:19Tem todo aquele incentivo, apoio da família.
02:21Vou conseguir conciliar trabalho ainda,
02:24o que não é fácil, trabalho e estudo.
02:27Chega na sala de aula, está lá concentrado,
02:29prestando atenção naquilo que o professor está falando.
02:31De repente, um susto desse.
02:33Qual é o tipo de trauma que a pessoa carrega para a vida dela?
02:35Boa tarde.
02:36Boa tarde, Albertinho.
02:37É um investimento pessoal, né?
02:39Ali vem todo cheio de estigmas psicológicos.
02:42O que é o trauma?
02:42O trauma é quando a pessoa passa por situações,
02:45eventos estressantes e não consegue administrar.
02:48E aí, ficam situações complicadas, pós-traumáticas,
02:51pode levar a um processo de síndrome do pânico,
02:54esse medo de sair de casa.
02:55Se até a escola é um lugar onde está gerando perigo,
02:59então, como sair de casa?
03:01E aí, tem insônia, tem ansiedade,
03:04situações que levam à depressão, uma tristeza profunda,
03:07e acaba também com o seu vínculo com a vida
03:11e com as relações interpessoais.
03:12Como você falou bem,
03:13pessoas que, por algum momento,
03:15teve que abandonar os estudos,
03:17superou para voltar novamente,
03:19agora vai ter que passar por um outro processo de superação,
03:22superar o trauma.
03:23Eu, inclusive, conversei com vários alunos hoje,
03:27liguei para vários estudantes, professores,
03:30não quiseram nem mesmo, gente,
03:32expressar o trauma, sabe?
03:36O que fica, o medo que fica pós um evento desse.
03:39É difícil falar naquele momento.
03:41Por isso que a gente sempre aconselha,
03:43independente se está percebendo um sintoma,
03:45que pode ser a curto prazo,
03:47mas pode ser a médio e longo prazo também,
03:49que pode ser recalcado,
03:51Roberta,
03:51ser acompanhado por um profissional da área,
03:54alguma situação terapêutica,
03:55a família ficar atento também,
03:58se aquela pessoa está deixando de ter certos comportamentos,
04:01se privando de uma vida social,
04:04de uma vida familiar,
04:05e até no próprio trabalho também,
04:07para aquela situação.
04:08Não é só voltar a estudar,
04:10é como que aquilo vai acarretar,
04:12vai ficar acometida a situação social de vida dela.
04:15E, Rusla, como você bem disse,
04:16existem lugares que a gente tem como sagrados,
04:20por exemplo,
04:21as igrejas,
04:22o que a gente já noticiou aqui,
04:24essa, para mim,
04:24da escola,
04:25na sala de aula,
04:26isso, sabe,
04:28para a gente parar para pensar,
04:29que ponto isso chega,
04:30isso escancara,
04:32uma necessidade urgente
04:34de voltar as atenções,
04:36para a segurança,
04:37nesses locais?
04:38Totalmente, Roberta.
04:39Não apenas para esses locais,
04:41mas para todos os ambientes em torno.
04:44Porque se estes adolescentes,
04:46jovens ou adultos,
04:47que cometem esses crimes,
04:48se eles tivessem passado
04:50por esse processo de educação
04:51e tivessem entendido
04:53que a escola é esse ambiente sagrado para eles,
04:55eles não estariam cometendo crimes
04:57ali naquele ambiente.
04:58Então, isso reflete uma coisa antes, Roberta.
05:00Isso reflete que essa instituição,
05:03a escola,
05:04para que esse grupo criminoso
05:06já não tenha mais importância,
05:07não tenha nenhum tipo de valor para ele,
05:09porque é um ambiente comum.
05:10E, se é um ambiente comum,
05:12ele vai, entra,
05:13faz o que tem que fazer
05:14e vai embora.
05:15Então, não é apenas a impunidade,
05:17é também essa ausência de valores
05:19que esses grupos criminosos
05:21acabam não tendo, né?
05:22E olha só,
05:24detalhe,
05:25são escolas da comunidade.
05:27A gente está falando de uma escola
05:28em Campo Verde, Cariacica.
05:30Em ambientes já vulneráveis, né?
05:32Em ambientes que não trazem
05:34esse processo de segurança
05:35em nenhum nível.
05:37Então, isso, de fato,
05:38não é apenas colocar mais polícia,
05:40não é apenas mais colocar guardas
05:42ali naquela região,
05:43mas é trazer esse espírito
05:45de pertencimento
05:46que a gente sempre fala aqui, né?
05:47É, e se torna mais complexo
05:48porque a gente está falando
05:49de segurança física e psicológica
05:50ao mesmo tempo, né?
05:52São totalmente desprotegidos,
05:53sem ficar assistidos.
05:54A comunidade, como um todo, né?
05:56A população, a sociedade também.
05:58E nesse caso específico,
06:00ainda nós temos essa questão, né?
06:01Porque são jovens e adultos
06:03que, no momento em que eles
06:05deveriam ter feito
06:06esse processo do Estado, né?
06:08Ter acolhidos,
06:09ter feito o processo de formação,
06:10estão tendo que se relocar
06:12nesse processo formativo, né?
06:14E aí sofrem com esses traumas, né?
06:16Então, assim, é uma situação
06:17que não apenas afeta a comunidade,
06:20mas não afeta aquele ambiente,
06:22mas afeta todos nós
06:23que estamos vendo
06:24essa escalada da insegurança, né?
06:26É inaceitável pensar
06:28que você vai para dentro
06:29da sala de aula
06:30em busca de educação,
06:31de crescer na sua vida,
06:33dar a volta por cima,
06:34vencer, em busca disso.
06:36E aí você é rendido
06:38dentro da sala de aula,
06:39feito como refém.
06:40Foi isso que aconteceu
06:42em uma escola,
06:42em Campo Verde, Cariacica.
06:44A gente está debatendo
06:45esse assunto aqui
06:45com Gisele Afreitas,
06:46que é psicóloga,
06:48Rusley Medeiros,
06:48que é especialista em segurança.
06:50Gisele, eu queria que você falasse
06:51do impacto disso
06:53para a nossa educação,
06:55até mesmo.
06:56Quantas pessoas
06:56que deixam de frequentar
06:58o ensino
06:59por conta dessa insegurança?
07:01É, temos aí
07:02várias escolas
07:03dentro de comunidades, né?
07:04Que são cercadas
07:05por esse medo,
07:06com históricos de violência, né?
07:08E não é só estudar
07:09dentro dessa comunidade, né, Roberta?
07:11A logística também
07:12para sair,
07:13para voltar,
07:14você ir para a escola
07:15e também se expor
07:17a uma situação de perigo, né?
07:19Ou a educação,
07:20o processo de aprendizagem
07:22precisa ter vários métodos
07:24pedagógicos
07:25ou andragógicos,
07:26mas a questão
07:27da segurança psicológica,
07:28ela afeta
07:29esse sistema cognitivo
07:30e tem uma dificuldade
07:31de absorver o conhecimento.
07:33Então, você não consegue.
07:34Primeiro, não consegue
07:36porque você fica preocupado
07:37com a situação da segurança.
07:38Segundo, se passou
07:39por alguma situação traumática,
07:41algum evento estressante,
07:43aquilo fica se ressignificando
07:44o tempo todo na sua cabeça,
07:46você precisa lidar
07:47com aquilo todo dia.
07:48A insônia,
07:49a estresse,
07:50crise de ansiedade,
07:51como é que se concentra,
07:52como é que lê um livro, Roberta,
07:54quando você tem
07:54esses sintomas traumáticos, né?
07:56Então, isso o tempo melhora,
07:59pode melhorar,
07:59mas a educação
08:00é totalmente comprometida
08:01dentro dessa situação psicológica.
08:03E ninguém melhor
08:06para falar desse sentimento
08:08para a gente
08:08do que uma mulher
08:09que estava lá ontem à noite.
08:11Ela viveu, gente,
08:12esses momentos de pânico.
08:14E por questões de segurança,
08:16é claro que a gente
08:17não vai identificá-la,
08:18vamos respeitar, né,
08:20todo esse anonimato
08:21que a gente entende.
08:22E ela vai contar para a gente
08:23como é que foi
08:23que tudo aconteceu.
08:25Boa tarde.
08:26Obrigada, viu,
08:26pela sua participação
08:27aqui no Fale Espírito Santo.
08:29Boa tarde.
08:31De repente, né,
08:33a gente estava na sala, né,
08:35aí assistindo o vídeo, né,
08:37estava todo mundo lá,
08:39os professores, todo mundo,
08:41e de repente chegaram
08:42vendendo a gente
08:43voando que era um assalto
08:45e mandou todo mundo
08:47de casa no chão
08:47e roubaram dois,
08:51três celulares,
08:53um carro, um moto,
08:54e foi um momento
08:55de muito pânico.
08:57todo mundo desesperado
08:59e só Deus.
09:01Qual foi a reação
09:03das pessoas,
09:05dos alunos,
09:05professores e prestadores
09:07de serviços
09:08que estavam lá
09:08quando foi rendido,
09:10quando esse grupo
09:10foi rendido?
09:12Bom, é...
09:14Foi um momento
09:14muito desesperador,
09:18várias pessoas
09:18passaram mal,
09:19uma menina lá desmaiou.
09:21Foi um momento
09:23muito...
09:23muito desespero mesmo.
09:26Como é que você
09:28lida com esse assunto
09:30agora, né, assim,
09:31você está em casa
09:32nesse exato momento,
09:33está na sua...
09:34Você acredita que você
09:35tem uma segurança maior
09:37quando você está
09:37dentro de casa?
09:38O que você pretende
09:40fazer agora
09:40em relação aos seus estudos?
09:42Bom, eu, por mim,
09:44eu nem voltaria mais, né,
09:45porque eu morro de medo disso,
09:48isso nunca aconteceu comigo,
09:51mas, infelizmente,
09:52eu não posso deixar
09:53de estudar por causa
09:54deles, mas...
09:58É isso aí,
09:59só Deus.
10:00Quando a gente está
10:01na rua,
10:02quando a gente está
10:03no ônibus,
10:04a gente sabe
10:04que, infelizmente,
10:06existe uma chance ali
10:07da gente ser assaltado, né?
10:09Você imaginava
10:10passar por isso
10:11dentro de uma sala de aula?
10:13Nunca imaginei.
10:16Nunca pensei nisso.
10:17Quando o assalto
10:19foi anunciado,
10:20você até comentou
10:21comigo nos bastidores
10:22que chegou a pensar
10:23que fosse uma brincadeira?
10:25Sim,
10:25pensei que era uma brincadeira
10:26dos meninos, né,
10:27lá na escola,
10:29e quando a gente foi ver,
10:31realmente,
10:31era tudo verdade.
10:35Nesse momento, assim,
10:36pós, né,
10:37o assalto,
10:38você chegou a conversar
10:40com outros colegas,
10:42com outras pessoas
10:43que estavam ali,
10:44é esse o sentimento
10:45de todo mundo,
10:46é o medo?
10:47Sim.
10:49É o medo, inclusive,
10:50eu estava até
10:51com o meu celular,
10:52eu joguei no celular
10:53debaixo da mesa,
10:54com medo,
10:55porque no celular
10:57eu comprei
10:57tem pouco tempo,
10:59e, nossa,
11:01é terrível.
11:03Comprou tem pouco tempo,
11:04aí vem aquela história, né?
11:06A gente trabalha,
11:08rala,
11:09muitas vezes,
11:10tem que dividir
11:11em 10, 12 vezes,
11:13se não mais,
11:14para conseguir pagar
11:15e aí vem
11:17um bandido
11:18e leva aquilo
11:19que você ainda
11:20nem pagou,
11:21se bobear.
11:22Sim, verdade,
11:23inclusive,
11:24estou até pagando
11:24o meu telefone aí.
11:26Inclusive,
11:27a minha sala também
11:28comprou,
11:28estou lá na segunda
11:29e ontem
11:30roubaram o celular dela.
11:32É um sentimento
11:34de impunidade,
11:36é isso que você sente?
11:37Até agora,
11:37por exemplo,
11:38ninguém foi encontrado
11:39e se bobear
11:40vai ficar por isso mesmo?
11:41Sim.
11:43Muito obrigada,
11:44viu,
11:44pela sua participação
11:45aqui no Fala Espírito Santo.
11:47A gente deseja
11:48que vocês consigam
11:49superar esse trauma
11:50e retomem os estudos,
11:52viu,
11:52que é muito importante,
11:54infelizmente, né, Gisele?
11:55A gente sabe
11:55da importância também
11:56dos estudos
11:57e não podemos desistir.
11:59Como que a pessoa,
12:00não só essa telespectadora
12:02que participou com a gente,
12:03os demais que estão acompanhando,
12:05como que podem superar
12:06esse momento pós-trauma?
12:07É, retomar aí o seu cotidiano,
12:09a sua vida, né?
12:10Não é simples,
12:11depende,
12:12e varia muito,
12:13depende da questão psicológica,
12:14da personalidade da pessoa,
12:16se ela já viveu
12:17outras situações estressantes também,
12:19depende muito
12:19de toda a dinâmica familiar,
12:21do apoio que ela tem,
12:22então isso vai variar muito,
12:23mas no geral,
12:25para que a pessoa,
12:25ela consiga de novo,
12:27vivenciar, né,
12:28ela consiga superar
12:29essas reações psicológicas,
12:31traumáticas,
12:32ela precisa, primeiro,
12:33ter consciência daquilo.
12:35Segundo,
12:35ela precisa entender
12:36que às vezes
12:38ela não consegue lidar
12:39sozinha com aquela situação
12:40e precisa de ajuda
12:41de um terapeuta,
12:43psicólogo,
12:44alguém que acompanha.
12:45E existem algumas
12:46dicas importantes, né?
12:48Eu acho que é, primeiro,
12:48retomar as suas atividades
12:50do dia a dia,
12:51ter realmente
12:53uma boa alimentação,
12:54atividade física,
12:55ter um hobby,
12:56ter um hobby ajuda muito,
12:58porque ocupa a mente,
13:00distrai,
13:01trabalha questões cognitivas também,
13:03e alimentar bastante
13:06as relações.
13:07Tem uma rede de apoio
13:08muito importante,
13:09de amor e de cooperação
13:11nesse momento.
13:11Agora, Rusla,
13:12em outros momentos
13:13que você já participou
13:14com a gente no programa,
13:15eu me lembro de falas
13:17bacanas que eu gostei,
13:18você falou assim,
13:19a importância da gente
13:19ocupar os espaços públicos, né?
13:22E no caso de uma escola,
13:24o que que explica?
13:25Por que ele tinha um porteiro,
13:26tem professores,
13:28tem alunos, né?
13:29Tinha profissionais,
13:29profissionais terceirizados
13:31trabalhando ali naquele local
13:32que ainda assim
13:33não intimidou os bandidos.
13:35E vai continuar
13:37não intimidando
13:37se nós continuarmos
13:38nesse caminho, né?
13:39Porque quando a gente
13:40fala de impunidade,
13:42nós não estamos
13:42simplesmente falando, Roberta,
13:44dessa ideia
13:44de vamos ter que punir,
13:45botar todo mundo
13:46atrás das grades, não.
13:47Nós estamos falando também
13:48de um processo de investigação,
13:50de um processo
13:50de sensação de segurança.
13:52Então, não tem como
13:53a gente tratar as escolas
13:54como se fossem cadeias, né?
13:56Enfiar grades,
13:57colocar grades em todos os cantos,
13:59sistema de controle de acesso,
14:00botar policiais armados
14:02na frente das escolas
14:03para garantir
14:04quem está entrando
14:04e quem está saindo.
14:05Claro, se chegarmos
14:06em uma situação extrema,
14:08isso é um caminho, né?
14:09Mas a gente precisa justamente
14:11trazer essa ideia
14:12de pertencimento
14:12e foi aquilo
14:13que a gente comentou antes, né?
14:15Olha só,
14:15se esse grupo criminoso
14:17não passou pela escola
14:18e entendeu que a escola
14:19é um local sagrado aqui,
14:22no sentido amplo da palavra,
14:24ele vai continuar
14:25fazendo esse processo
14:26de crimes, né?
14:27Ele vai continuar
14:28cometendo esses crimes.
14:29Então, a gente precisa,
14:31antes de qualquer coisa,
14:32trazer e retornar
14:33com esses valores, né?
14:35Mas, enquanto, né,
14:37esse grupo
14:38não tem esses valores
14:40e não consegue aplicar
14:41esses valores,
14:42a gente precisa também
14:43trazer medidas efetivas
14:45de segurança pública.
14:47Então, nesses espaços,
14:48a gente precisa, sim,
14:49colocar sistema
14:50de vídeo monitoramento,
14:51nós temos que colocar
14:52as rondas
14:53pela guarda municipal,
14:54as rondas
14:55pela polícia militar
14:56para que nós possamos,
14:57de alguma forma,
14:59coibir que esses criminosos
15:01tenham a ideia, né,
15:04pensem, né,
15:05de invadir esses ambientes
15:07para a prática de crimes, né?
15:09Então, a gente precisa
15:09coibir nesse primeiro momento,
15:12enquanto a gente não tem,
15:13né,
15:13essa formação de valor
15:14e esse sentimento
15:16de pertencimento,
15:17ter mecanismos efetivos
15:19de segurança pública...
15:19Atitudes a curto prazo, né?
15:21A curto prazo,
15:21porque, é claro, né,
15:22a gente sempre fala, né,
15:23ah, a gente precisa
15:24investir em segurança,
15:25a gente precisa fazer, né,
15:27trazer valores,
15:28claro que a gente
15:28precisa fazer isso,
15:29mas isso é a médio
15:30e a longo prazo.
15:32O que nós precisamos
15:32nesse primeiro momento
15:33é de políticas
15:34de segurança pública
15:36eficazes,
15:36capazes de fazer
15:37com que estes criminosos
15:39não se sintam
15:41fortalecidos
15:42para que eles possam
15:43assim agir, né?
15:44Então, trazer mais segurança
15:46com maior patrulhamento,
15:48com maior policiamento,
15:49com mecanismos
15:50realmente de controle
15:51e de acesso,
15:52não tornando a escola
15:54uma cadeia,
15:54mas tornando a escola
15:55um ambiente mais seguro,
15:57porque tiraram
15:58dessas pessoas
15:59que lá estavam, né,
16:00esse sentimento sagrado
16:02de querer estudar, né?
16:03Então, esse medo
16:04vai prejudicar
16:05esse processo de estudo, né?
16:07É, e o comportamento, né,
16:08psicológico,
16:09a estrutura psicológica
16:10de um criminoso,
16:11ele vai querer agir,
16:12ele vai querer efetuar
16:13um crime,
16:14ele vai querer
16:15efetuar um desvio.
16:15E parece que quanto mais
16:17o cerco fecha
16:18para eles
16:18no sistema de segurança,
16:19que a inteligência
16:20com relação a outros bairros,
16:22a outras áreas,
16:23que é de costume, né,
16:24a violência,
16:25eles vão achar
16:25alguma brecha,
16:26alguma forma
16:27de fazer acontecer, né,
16:30aquele comportamento
16:31criminoso.
16:32Então, fica difícil
16:33para saber
16:33aonde e agora
16:34que eles vão atuar.
16:35Para onde eles vão migrar, né?
16:36A sensação que a gente tem
16:37é que cada vez mais
16:39a gente precisa estar preso
16:41e eles,
16:42os criminosos,
16:43soltos.
16:44Obrigada pela participação
16:45de vocês
16:45e que a gente consiga
16:46inverter essa frase.
16:48Obrigada, viu?

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