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O caso da menina de 10 anos que foi morta depois de ser vista com um homem acende o alerta para famílias: o que fazer para evitar esse tipo de crime
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NotíciasTranscrição
00:00Bora seguir então com o programa. Infelizmente, a gente segue com um assunto muito triste, que é de arrasar qualquer
00:06pai, qualquer mãe.
00:07A morte da menina Bárbara, gente, em Minas Gerais, chocou todo o país, né?
00:11Ela tinha apenas 10 anos e foi brutalmente assassinada em um bairro de Belo Horizonte.
00:18A Bárbara, ela saiu de casa para comprar pão e não voltou mais.
00:23Imagens das câmeras de segurança mostram a menina conversando com um homem antes de desaparecer.
00:30E aí o corpo dela foi encontrado dois dias depois em um matagal próximo a um campo de futebol a
00:36500 metros da casa da família dela.
00:38Uma vizinha foi quem encontrou. A menina estava sem o short e com sinais de violência sexual.
00:45E agora a gente vai repercutir esse caso e principalmente como esses homens, que a gente não pode nem chamar
00:51de homens, né?
00:52Vamos chamar de monstros? Como que esses monstros conseguem atrair essas crianças?
00:58Vem cá.
00:59Aqui no nosso estúdio eu recebo a psicóloga infantil Tiara Faé.
01:03Obrigada pela sua participação mais uma vez, Tiara.
01:05E eu também recebo a dona Clemilda.
01:08A dona Clemilda, o Espírito Santo inteiro abraçou ela e abraça até hoje.
01:12Ela é a mãe da Tainá, que foi também infelizmente assassinada.
01:17Um caso muito parecido com o da Bárbara, com o que a gente acabou de contar agora.
01:21Dona Clemilda, você que já viveu isso na pele, como que você se sente ao ver uma notícia como essa?
01:27Boa tarde.
01:28Boa tarde.
01:29É muito triste a gente saber que as coisas ainda estão acontecendo nessa proporção.
01:35Cada dia que passa, os monstros estão saindo do armário, estão acontecendo mais fatos.
01:41E, para mim, que já vivi essa história, não gostaria de ver outra mãe vivendo, porque viver com isso é
01:50muito triste.
01:51É muito triste você saber que essas coisas estão acontecendo, estão acontecendo com muita frequência, porque eles sabem que não
01:59tem punição.
01:59Então, eles estão saindo do armário com uma violência muito grande, com uma brutalidade muito grande, deixando essas crianças nessa
02:08situação e a família destruída, porque uma família que vive isso nunca mais é a mesma.
02:14Nunca mais.
02:15A Tainá, na época, ela tinha 12 anos.
02:1812 anos.
02:20Você conversava sobre esse assunto com ela?
02:23Orientava?
02:24Conversava, eu orientava.
02:25E, tipo assim, a gente nunca acredita que vai acontecer com a gente.
02:29Todo mundo pensa que vai acontecer ali, que eu vou ficar com dor e tal.
02:32Não, isso acontece com a gente, porque eu não achava que aconteceria comigo.
02:36Porque a minha filha era uma menina instruída, eu conversava com ela.
02:39Eu venho de uma época que também acontecia.
02:42Então, eu passei isso para as minhas filhas.
02:45Que tipo de instrução?
02:47Tipo, não conversa com o estranho, não para para falar com as pessoas.
02:52Mas, além da gente ensinar isso, a gente também ensina a respeitar o mais velho, a ajudar o mais velho.
02:59Que não sei se isso é errado.
03:01Hoje, eu acredito que seja.
03:04Que a gente tem que falar para as crianças o seguinte, não conversa com ninguém, não se aproxima.
03:07Se alguém parar, corre.
03:09Ah, mas a pessoa só queria uma informação.
03:11Corre, corre.
03:13Porque eu também não acreditava que aconteceria comigo.
03:17A minha filha também foi próximo de casa.
03:19Ela também foi no itinerário, que ela sempre ia para a escola.
03:25Ali era bem próximo da escola.
03:27Portanto, o monstro estava parado há 40 minutos próximo da escola,
03:31quando viu a minha filha se aproximando.
03:34Então, o que eu falo?
03:35A gente tem que falar sobre isso, para que isso não aconteça mais.
03:39Uma forma de alertar os outros pais.
03:42Aconteceu comigo e eu não quero ver outra mãe chorando do jeito que eu choro.
03:45É imensurável, né?
03:47Não dá para a gente mensurar a dor que a dona Clemilda, a mãe da Bárbara, a família, né?
03:54A família sofre.
03:55Não dá para a gente mensurar.
03:56Se dói na gente, como telespectador, né?
04:00Como mãe, como pai, a gente não consegue nem um pingo sentir a dor que a senhora sente até hoje.
04:07A vida nunca mais é a mesma.
04:09Nunca mais.
04:10Então, é por isso que eu alerto os pais.
04:13Temos que fazer alguma coisa e temos que fazer alguma coisa agora.
04:16Se você não tem tempo para se policiar, pede o seu vizinho, pede o seu amigo, a sua amiga,
04:22todo mundo, nós temos que vigiar as nossas crianças, porque não está fácil.
04:27Agora, você trouxe uma questão muito importante, que é como educar as crianças,
04:31porque você veio de uma geração que isso já acontecia e hoje você pensa até que é o oposto.
04:36Não, não converse com ninguém, não cumprimente ninguém, corre.
04:39E a gente, para isso, trouxe a Tiara Faer, que é psicóloga infantil.
04:43E aí, Tiara, como que a gente conversa sobre esse assunto com os nossos filhos?
04:48Boa tarde, boa tarde, Roberta, Clemilda.
04:51É um prazer estar aqui novamente falando sobre esse assunto.
04:56Realmente é um assunto que está em voga e que bom que está.
05:01Assim como a dona Clemilda veio aqui colocar a sua história e fazer esse apelo às famílias, aos pais, às
05:09mães,
05:09eu acrescento, Clemilda, e eu convoco a comunidade, a sociedade como um todo
05:16para zelar e cuidar das nossas crianças e adolescentes também.
05:22Porque aqui nós estamos falando de mentes perversas, nós estamos falando de mentes doentes,
05:30que nós não calculamos, comuns, pessoas comuns, não calculam aonde eles podem chegar com essa perversidade.
05:39Que estranham, que impactam até nós, especialistas da área de saúde mental.
05:46Então, quando eu falo assim e que convoco a sociedade como um todo,
05:51é porque você que está ali no parquinho, cuidando, ou então está conversando com a mãe de alguém,
05:58você também é membro, cuidador dessas crianças que estão ali.
06:05Porque os abusadores, eles têm N maneiras de chegar até a criança.
06:13Então, além de estudar a rotina, além de saber onde mora, tudo isso, eles têm, eles sabem o que falar
06:22com elas.
06:22Eles vão exatamente no ponto frágil da infância e da adolescência, que é o quê?
06:30Eu, criança e eu, adolescente, ainda estou construindo o meu poder, o meu raciocínio lógico de prever o comportamento das
06:40pessoas.
06:42Desconfiar.
06:43Como que eles atraem?
06:44Como que eles conseguem seduzir essas crianças?
06:47Por exemplo, assim, na prática mesmo, Tiara, são, através...
06:51Quando eu era criança, falava-se muito em doces, balas...
06:54Doce, cachorrinho, vai valorizar aquilo que a criança está fazendo.
06:59Então, se a criança está correndo, está pulando estrelinha, ele vai chegando, está comprando pão, né?
07:08Nossa, está valorizando aquilo que a criança está fazendo.
07:13E a criança, assim como nós, gostamos de ser valorizados.
07:16Então, elas não vão pensar nunca...
07:18Opa!
07:19No primeiro momento, elas não vão pensar nisso.
07:21Que aquela pessoa, por mais desconhecida que seja, vá fazer um mal a ela.
07:29Por isso que elas são tão facilmente enganadas.
07:33E aí, quando a Clemilda vem convocando, chamando as famílias e eu aqui, a sociedade, é porque nós, adultos, sãos,
07:43né?
07:45Bem, homens de bem, mulheres de bem, precisamos preservá-los.
07:50Então, nós temos casos, até aqui no Espírito Santo, de uma pessoa na praia perceber que tinha um homem, né?
07:59Tirando muitas fotos.
08:01E muitas vezes eles fingem que estão tirando selfies, mas não, eles estão tirando fotos das crianças para, ou uso
08:09próprio, ou para vender no mercado pornográfico infantil.
08:14E isso não estou falando só do Brasil, estou falando mundialmente.
08:18Então, são cuidados que a gente tem que ter quando o assunto é filho, a gente tem que redobrar esses
08:22cuidados.
08:23O que você acredita, dona Clemilda, que fez a Tainá entrar no carro naquele dia?
08:29Eu penso nisso todas as noites, né?
08:31Eu penso nisso.
08:33Acredito em muitas coisas, porque eu acredito que a minha filha não ia entrar ali à toa.
08:38Uma que dá para ver ali, nas imagens, você parando para olhar.
08:42Minha filha entrou dentro daquele carro com a sombrinha aberta, os pezinhos dela não foram...
08:45Ela que colocou para dentro foram puxados.
08:48São coisas que eu fui observando dia a dia, fui olhando.
08:52Mas não é só dessa forma que eles pegam.
08:55Aconteceu agora há pouco tempo com uma amiga, com a filha de uma amiga.
08:59Ela estava saindo da escola, um carro parou e falou com ela, entra no carro, porque a sua mãe sofreu
09:04um acidente gravíssimo.
09:05Está aí, entra a morte.
09:06Está aí, entra a vida, é a morte.
09:07E ela entrou, acordou num terreno baldilho, toda machucada, ferida.
09:13E o que acontece?
09:14As pessoas não estão dando o valor merecido a isso.
09:17Vai, grita pelo seu filho, pede pelo seu filho.
09:20É você que tem que lutar pelo seu filho.
09:22Ninguém mais luta pelo seu filho, a não ser você.
09:25Tem um Estado inteiro para te ajudar.
09:29Mas é você.
09:30É você que tem que fazer.
09:32É você que vai sofrer.
09:33É você que vai chorar.
09:35É você que vai enlouquecer dia após dia.
09:37Então, pede ajuda.
09:39Se você não consegue sozinho, pede ajuda.
09:42Mas está muito triste.
09:44E o que traz muitas perguntas...
09:47Ontem eu até cheguei em casa, conversei sobre esse assunto também, até mesmo com a dona de Janira, que cuida
09:52dos meus filhos.
09:53E a gente conversando, falou assim, mas 10 anos, 12 anos, será que a pessoa já não tem um pouquinho
10:00mais de expertise?
10:01Eu falei, ó, vou falar uma coisa para vocês.
10:03Eu, aos meus 13, 14 anos, eu passei por uma situação parecida.
10:08E aí, graças a Deus, eu fui...
10:11Eu tinha um sonho.
10:12Minha vontade era ser atriz na época e eu sonhava muito com isso.
10:16E eu fui atraída por esse diálogo.
10:18Ah, você tem cara de modelo, você não quer ser atriz, não?
10:21E eu acabei aceitando um convite para ir até um escritório.
10:25E chegando nesse escritório, primeiro eu tive que subir um vão de escada.
10:29Graças a Deus, uma pessoa entrou na escada e fez um barulho, porque eu não sei o que poderia ter
10:33acontecido naquele momento.
10:35E eu tinha 13 para 14 anos.
10:38Os meus pais sempre conversaram comigo a vida inteira sobre esse assunto.
10:44Não abra a porta para estranhos, não aceite carônia, não converse com pessoas que você não conhece.
10:49E ainda assim a gente vê que pode acontecer.
10:52E aí, Tiara, como que a gente pode usar esses exemplos para, mais uma vez, fazer esse alerta em casa
10:59com os filhos?
11:01Então, eu acredito, Roberta, que nós adultos, vocês em casa, aqui no estúdio, precisam se conscientizar,
11:08de uma vez por todas, que a criança e o adolescente ainda estão em desenvolvimento neuronal.
11:15Quando eu falo isso, já falei, volta e meia eu falo aqui no programa, né?
11:20Eu estou falando de cérebro, desenvolvimento do cérebro.
11:23Nosso cérebro, ele não nasce pronto, ele vai se desenvolvendo.
11:27E essa coisa do, opa, será que eu entro?
11:32Será que eu vou?
11:33Esse negócio está muito fácil.
11:35Esse convite, os adolescentes não têm ainda a condição de ter esse, por quê?
11:44Primeiro que o cérebro ainda está em pleno desenvolvimento.
11:47E segundo, eles não têm experiências na vida, que só os anos à frente vão oportunizar a ele
11:56para ter o...
11:57Opa, tem um negócio estranho aqui.
12:00Então, os adultos, os pais, precisam sim estar atento a todo momento.
12:08Quem está perto do seu filho é levar, é buscar, porque como a Clemilda aqui falou muito bem,
12:19o sofrimento depois, né, Clemilda?
12:22Nada paga, nenhum abraço cura.
12:26Então, antes, a gente preservar, e isso aqui não é mimimi, existe, acontece, está aí, não é mimimi,
12:37preservar, cuidar e zelar.
12:39Se você não pode, por conta do trabalho, por conta de toda a sua rotina,
12:45se una a pessoas da sua confiança, por mais que isso ainda não seja garantia de que o seu filho
12:54ou sua filha
12:55estarão resguardados.
12:56E sobre o caso da Bárbara, gente, de Minas Gerais, esse caso teve uma reviravolta nessa quinta-feira.
13:01O homem, apontado como o principal suspeito pela morte, tirou a própria vida.
13:06A polícia analisa imagens que mostrariam ele levando um carrinho de mão com o corpo da criança.
13:12Acompanhe.
13:13Primeiro, ele sobe à rua com o carrinho.
13:16Minutos depois, volta e vira na rua onde a menina foi vista correndo.
13:21A brutalidade do crime chocou os mineiros e atraiu uma multidão para o enterro de Bárbara.
13:27Uma menina muito carinhosa, a todo momento abraçava a gente, falava que ama.
13:33Eu não quero ter lembrança de estar enterrando, mas infelizmente vai ter na memória,
13:38mas eu vou gravar a primeira, a principal.
13:41Ela alegre, ela sorrindo, ela virando para mim, falando, pai, eu te amo,
13:45igual ela falou no domingo, antes de sair de casa.
13:49E o dia foi de homenagens em vários lugares.
13:51Na escola onde ela estudava, os colegas fizeram uma caminhada, com cartazes e balões.
13:57Não tem ninguém que não esteja sentindo uma dor profunda diante da brutalidade que ocorreu com a Bárbara.
14:06A gente que é mãe, então, é uma dor que a gente chega a ser imensurável.
14:12Imaginar o que a mãe está sentindo.
14:14O protesto ganhou apoio de moradores e comerciantes.
14:20No campo de futebol, ao lado da área onde o corpo foi encontrado,
14:24um grupo simbolizou um abraço, pedindo paz.
14:30Bárbara foi à padaria no domingo comprar pão e foi arrastada pelo assassino até um matagal,
14:36onde foi assassinada por asfixia, segundo o laudo do IML.
14:40O principal suspeito do crime estava escondido na casa de uma tia.
14:45Nessa quarta-feira, ele foi encontrado morto, com uma corda no pescoço.
14:49Segundo a polícia civil, tudo indica que ele se matou.
14:52O corpo foi trazido aqui para o Instituto Médico Legal de Belo Horizonte.
14:57O delegado responsável pelo caso tentou impedir o trabalho da imprensa
15:02e ainda ameaçou prender os jornalistas.
15:05Já tudo está lá, por favor.
15:06Vou pedir a última vez.
15:08Da próxima, vou prender com desobediência.
15:13O que é que o senhor tinha utilizado em estuprar a Tainá, ele também teve esse desfecho, né?
15:20Mas isso não amenizou sua dor.
15:21Não ameniza.
15:22Eu queria que ele tivesse sido julgado, eu queria que ele tivesse ganhado sentença máxima,
15:27eu queria que ele sentisse na pele que ele lembrasse de mim todos os dias.
15:32Sabe?
15:32Eu queria que ele soubesse que ele não ia fazer com mais nenhuma criança.
15:35Mas ele teve esse desfecho, me deixando eu à deriva, porque a gente quer justiça.
15:42Pela minha filha, eu não poderia fazer mais nada.
15:44Eu queria ver ele pagando pelo crime, mas também não pude.
15:48E eu não entendo ainda por que as leis não mudaram, por que não tem leis mais severas,
15:55mais rigorosas para esses monstros.
15:57Eles fazem isso porque sabem que eles vão sair impune daqui a um tempo.
16:02Eles podem até ir presos, porque no presídio tem vários monstros assim,
16:07mas eles voltam para a sociedade sem a sociedade saber que eles estão voltando.
16:12Inclusive, eles voltam para a sociedade e ele já estava respondendo um processo anterior também por estupro.
16:19Sim, ele tinha vários crimes, vários crimes que eu não consigo entender o que ele estava fazendo na sociedade.
16:26Ele voltou para a sociedade, fez com uma outra garota três dias antes da minha
16:31e depois fugiu de onde ele tinha feito, fugiu para onde eu moro e fez com a minha filha também.
16:37E, por muito pouco, ele não estaria na sociedade fazendo ainda, porque ele já estava muito longe.
16:43Ele já estava longe.
16:45Ele foi encontrado no Rio Grande do Sul.
16:46No Rio Grande do Sul.
16:47Por muito pouco, a gente teria perdido a oportunidade de vê-lo pelo menos preso, sabe?
16:53E, durante esse desfecho todo, eu ouvi muitas, tipo, a sua filha fugiu com o namorado,
17:01a sua filha está por aí, está bem, depois ela vai...
17:03Não, eu sei que não estava.
17:05Eu sou a mãe dela.
17:07Eu sabia que a minha filha não tinha fugido com o namorado.
17:09Mas, nesses casos, as pessoas, a vítima se cala com medo dessa reação.
17:15Mas não pode se calar, a gente não pode.
17:18Luta pelos seus filhos, luta e luta bravamente, porque é disso que os nossos filhos precisam.
17:24Tiara, pessoas com perfil como esse que a gente está aqui comentando,
17:27elas têm que ser retiradas de alguma forma, têm que ser afastadas da sociedade urgente,
17:32porque, de fato, elas podem oferecer esse risco com frequência?
17:36É, a resposta está aí, né?
17:39No que nós estamos falando e vendo nesse programa.
17:42Eu, como profissional da área de saúde mental, falo, infelizmente,
17:48porque antes que eles façam um mal a pessoas, a crianças,
17:55que eles, então, sejam retirados.
17:58Que esse poder de viver em sociedade, ele fala para a gente
18:04de direitos e deveres.
18:06E eles não cumprem com nenhuma dessas possibilidades de direitos e deveres.
18:12Olha só o comentário aqui no Facebook, o comentário da Erika Rod.
18:15Eu tenho uma filha de 11 anos e morro de medo de acontecer alguma coisa com ela,
18:20porque ela é muito meiga, carinhosa com todos,
18:23não vê maldade em nada, em ninguém.
18:25E eu estou sempre orientando ela.
18:27Assim como a Erika, Tiara, muitas mães também estão se identificando com essa fala, né?
18:32Porque, por um lado, é tão lindo, né?
18:35Ver uma criança meiga, educada, respeitando os mais velhos,
18:39mas, por outro lado, fica tão difícil encontrar esse equilíbrio de fazer um alerta.
18:45E aí, como que a gente vai preparando os nossos filhos para esse momento?
18:49Porque vai chegar uma hora também, que cá entre nós,
18:52eles precisam caminhar com as próprias pernas.
18:54E aí?
18:55Ah, está levando para a escola, chegou a hora de...
18:58Vamos ensinar a andar de ônibus?
18:59Mas como que fica essa confiança nos pais?
19:01Como que a gente sabe que chegou essa hora, por exemplo?
19:04Então, a gente não sabe.
19:08Vai de cada um para cada um.
19:09A gente não sabe, a gente sente.
19:12É complicado falar, dar uma resposta tão pontual, taxativa,
19:18porque realmente ela não existe.
19:21Nós precisamos entender que nós vamos terminar de construir aí, né?
19:25O desenvolvimento do nosso raciocínio total lá para os 25, 20, 25 anos.
19:32Então, mães e pais, entendam que até lá eu preciso orientar,
19:37eu preciso, muitas vezes, fiscalizar.
19:39Eu preciso estar ao lado.
19:41E esse meu filho...
19:42Não é excesso pensar nisso até os 25 anos.
19:44Não é excesso.
19:45E o meu filho...
19:47E eu posso fazer um contraponto para exatamente não ser um excesso
19:50e uma retirada de oportunidades que essa criança e que esse jovem precisam aprender.
19:56Eu preciso dar oportunidades para ele aprender, senão nunca vai aprender.
20:00Nós somos seres que aprendem.
20:04Então, eu preciso conversar com essa criança e com esse adolescente de acordo com o desenvolvimento dele.
20:10De acordo com o que essa capacidade mental dá conta de colocar em prática.
20:18Então, vamos lá.
20:18Se eu tenho uma filha, ela mencionou 11 anos.
20:2011 anos.
20:2111 anos.
20:22Então, é uma pré-adolescente ainda.
20:26Então, eu posso sim conversar com ela, mas eu também não posso colocar, gente,
20:30um medo para além.
20:34Lembrando que nós não vamos estar a salvos, porque, infelizmente, são mentes que nos enganam.
20:42Eles enganam adultos.
20:45Então, vamos lá.
20:46Por mais que a gente faça, nunca vai ser suficiente.
20:50E, ao mesmo tempo, nós não podemos prendê-los numa gaiola e ir lá para os 30 anos soltar.
20:56Não é isso que eu estou falando.
20:57Nós precisamos conversar.
21:00orientar e dizer o quê?
21:03Olha, meu filho, minha filha, eu vou com você por mim, porque eu preciso disso.
21:08Me mostre, eu preciso ensinar você a viver nesse mundo que é muito bom, que tem pessoas boas,
21:15mas que também tem um outro lado.
21:18E você ainda vai aprender comigo a identificar essas pessoas.
21:25Porque aí eu mostro, gente, também um lado bom da vida.
21:28Eu não posso mostrar só o lado ruim, só essa criança, esse adolescente vai querer nem viver,
21:32não sei nem por que eu estou aqui.
21:33Vai viver dentro de uma bolha também, né?
21:34Você só tem coisa ruim.
21:36Exatamente.
21:36E aí a gente vai para outros transtornos também, para outras situações que não é o ideal.
21:43Então, eu preciso ter um diálogo totalmente aberto com essa criança, com esse adolescente,
21:49priorizando palavras leves, priorizando palavras leves que vai trazer segurança para essa criança.
21:57Por exemplo, Tiara, um caso como esse, a gente está aqui debatendo isso.
21:59Quem estiver com as crianças em casa, vale a pena trazer para a sala e mostrar o que aconteceu?
22:04Não.
22:05Com o caso da menina de... não vale a pena?
22:08Não.
22:09Dependendo da idade, não.
22:10Porque isso assusta, isso impacta.
22:12Isso vai fazer com que a criança tenha sonhos, pesadelos, tá?
22:17E a criança ali, 8, 10 anos, ela ainda tem um mundo criativo muito forte,
22:24que ela está aprendendo a saber o que é realidade e o que é a mente dela fazendo, criando aquelas
22:32situações.
22:34Então, agora, crianças não, desculpem, adolescentes, 15, 14, 15, 16 anos,
22:42aí já começa a ter um pouco mais de condições de ir assistir um programa como esse, com esse assunto,
22:49tá?
22:50Clemilda, quais eram os sonhos da Tainá?
22:54A minha filha queria ser médica, ela vivia falando que ia ser médica,
22:59minha filha cantava no culto da igreja, ela fazia parte disso,
23:04o sonho dela era ser bailarina.
23:08Foram sonhos interrompidos, abruptamente, tirando dela os sonhos delas
23:13e automaticamente tirando os meus sonhos, porque eu tinha sonhos para ela, sabe?
23:18É muito difícil hoje você falar que uma criança não vai conviver com isso,
23:24porque vai os amiguinhos da menininha lá, os amiguinhos da Tainá, todos eles passaram por isso.
23:32Por isso eu falo, e falo sempre, o que é que tem que acontecer?
23:36Mudar as leis, prenderem esses monstros para que as crianças tenham um pouco mais de liberdade.
23:43Enquanto isso, não, prenda seu filho dentro de casa, sim.
23:47Se é o melhor para ela, se é o melhor para a família, poxa, por que não?
23:54Por que que isso acontece tanto na periferia?
23:56Porque é onde os pais têm que trabalhar, é onde os pais saem cedo e voltam só à tarde.
24:02Aonde os filhos ficam mais sozinhos, sabe?
24:07Então...
24:08Vão para a escola sozinhos.
24:09Vão para a escola, na padaria.
24:11Essa é a realidade, vão para a padaria sozinhos.
24:14Não tem como.
24:15Como uma criança de 12 anos não pode ajudar uma mãe que sai 5 da manhã e só vai voltar
24:20às 5 ou 6 da tarde?
24:22Vai pedir ajuda.
24:23Então, por isso eu falo sempre, eu acredito que tinha que ter leis mais severas
24:29para eles não voltarem para a sociedade, porque quando eles voltam, eles voltam mais covarde,
24:35com coisas piores na mente para fazer, sabe?
24:39Para descontar aquele tempo que eles ficaram lá, que eu acho que é o que eu acredito que aconteceu
24:43com aquele monstro que fez com a minha filha.
24:45Ele estava preso, ele saiu com uma maldade tão grande que com a fração de 3 dias, ele fez duas
24:52vítimas.
24:53Sem contar que o nosso sistema carcerário, a gente sabe muito bem que ele não reeduca, né?
25:00E que está muito longe disso.
25:02Um outro detalhe também que você trouxe aqui, Clemilda, como um ponto muito importante,
25:06que a gente tem que cobrar das nossas autoridades uma escola integral,
25:10porque aí a mãe vai sair para trabalhar, deixa a criança, o próprio pai, a própria mãe,
25:14deixa a criança na escola, voltou do trabalho, pega a criança depois.
25:18Porque, infelizmente, essa história de 6 horas de aula, acabou deu meio-dia, uma hora,
25:24que mãe, que pai que vai sair do trabalho para poder pegar a criança?
25:27E acaba que a criança é obrigada a fazer esse trajeto sozinha.
25:31Porque essa é a realidade do país que a gente vive, infelizmente.
25:35E a gente tem que cobrar de quem a gente pode cobrar e que pode fazer alguma coisa,
25:39que é as nossas autoridades.
25:41Porque eles são responsáveis pelas nossas crianças, tanto quanto a gente.
25:45E se o foco é esse, é por aí que tem que começar uma aula, uma escola de período integral,
25:54leis mais severas para esses monstros, sabe?
25:58Mais projetos educativos para as crianças nas comunidades mais carentes, sabe?
26:04Porque não adianta.
26:05Isso, oportunidades, que é disso que as nossas crianças estão precisando.
26:10Verdade. Olha só, a gente está aqui, estou lendo os comentários no nosso Facebook,
26:16a Márcia Salles está falando, estou adorando a voz da mãe de Tainá,
26:20porque ela está falando a realidade da periferia.
26:23Então, são pessoas que lidam, né?
26:26Pior do que essa rotina, o dia a dia da periferia, é uma pessoa que entende dessa dor.
26:32Porque nós que estamos lá, nós é que sabemos as nossas necessidades.
26:37Nós precisamos disso, mas a gente não tem com quem gritar, a gente não tem com quem pedir.
26:43Nós não conseguimos se fazer ouvir, sabe?
26:46A gente não consegue, por mais que a gente queira, a gente não consegue se fazer ouvir.
26:51Então, por que eu uso a minha dor e venho?
26:54Eu venho aonde tiver que eu ir, eu vou por esse motivo.
26:59Porque se eu conseguir fazer alguém ouvir, para mim já está de bom tamanho,
27:03porque eu não suporto mais conviver com isso.
27:06Porque cada história dessas que acontece, eu revivo a minha história.
27:10Eu sei que tem uma mãe que está desesperada que nem eu estou.
27:14E isso não é bom, não é bom.
27:16E para a gente finalizar, muito cuidado, muita atenção com os nossos filhos,
27:21pergunte para eles qual o sonho deles, o que eles querem ser quando crescer.
27:26Porque eu fui já atraída, graças a Deus, nada de pior aconteceu comigo,
27:32através do meu sonho.
27:33Então, a gente tem que ter muito cuidado.
27:36Esteja perto do sonho dos seus filhos.
27:38Deixe eles viverem os sonhos, mas esteja perto, esteja presente.
27:41Obrigada pela participação de todas vocês aqui.
27:44Sintam-se abraçadas.
27:45Você principalmente, viu, Clemilda?
27:46Volte sempre aqui com a gente.
27:48Tiara, um beijo, viu?
27:49Tchau.
27:49Tchau.
27:49Tchau.