Especialista explica os sinais de agressão e como agir em casos de suspeita. -------------------------------------- 🎙️ Assista aos nossos podcasts em http://tribunaonline.com.br/podcasts
📰 Assine A Tribuna aqui https://atribunadigital.com.br/assinatura/
💻 Fique bem informado com as notícias do Brasil e do Mundo aqui https://tribunaonline.com.br
00:00Agora vamos mudar de assunto e pode colocar essas imagens no ar porque elas chocam.
00:05A gente fez uma cobertura especial dessas imagens.
00:08Funcionários de um hotelzinho usando jatos de água para acordar as crianças.
00:14Elas fazem barulho, elas puxam o cobertor com agressividade e é revoltante isso, né?
00:21Hoje nós estamos aqui com a psicóloga para responder a uma questão importante.
00:27Como identificar se o seu filho está sofrendo algum tipo de agressão, principalmente agressão psicológica, tá?
00:38Aquela agressão que não deixa marcas visíveis no corpo.
00:41Eu estou aqui com a psicóloga Aline Ecker.
00:45Doutora, muito boa tarde, um assunto muito importante, já que a gente vem mostrando essas imagens que causaram revolta em todos os capixabas.
00:53E eu já queria começar com essa pergunta com a senhora.
00:58Primeiro, boa tarde.
00:59Boa tarde.
00:59Como que um pai, uma mãe, um parente identifica que uma criança está sofrendo uma violência psicológica?
01:08Não aquela violência física que deixa marca, mas uma violência que traz medo nessa criança, doutora?
01:13Sim, boa tarde.
01:14Muito boa essa pergunta, né?
01:15Porque primeiro, assim, a gente não imagina que quando a gente deixa nossos filhos em um local onde, teoricamente, passa uma segurança, um tipo de atitude dessa vai acontecer, né?
01:27E muitas vezes o agressor, ele vem como bonzinho, né? Ele não vem com aquela cara de que vai fazer algo.
01:33E aí, crianças de três anos não conseguem expressar isso.
01:36Então, é difícil saber exatamente quando começa.
01:41Mas o que é importante é a gente observar o comportamento da criança, porque mesmo que não gere marcas físicas, o comportamento emocional muda muito.
01:51Então, a criança vai chegar em casa e vai demonstrar algum tipo de mudança.
01:55Às vezes, uma criança que é quietinha passa a ficar mais irritada, às vezes passa a ter pesadelos, regride alguns comportamentos.
02:03Por exemplo, às vezes, já não fazia mais xixi na cama, volta a fazer.
02:08E aí, tem uma resistência aí à escola.
02:11Inicialmente, a gente pensa assim, ah, é birra, né?
02:14E aí, fica insistindo, porque como não tem nada aparente, pensa que é algum comportamento ali disfuncional mesmo de criança, né?
02:21De fases.
02:23Mas é importante a gente entender que a birra, ela é situacional.
02:27Quando a criança é frustrada por alguma coisa, né?
02:29Então, tipo assim, a criança vai no supermercado, quer comprar alguma coisa, o pai não deixa, faz aquela briga.
02:37Quando quer ficar mais no parquinho e não quer ir embora e faz aquele escândalo.
02:42Essa birra, ela é situacional por uma frustração.
02:46Já no caso da agressão, ela não vem como situacional.
02:50Ela vem em momentos aleatórios e repetidas vezes.
02:54Então, a criança gostava de ir à escolinha e já não gosta mais.
02:59Ou tem uma resistência àquela professora, se sente encolhido quando vê, sabe?
03:05Tem um comportamento que você percebe que algo está estranho.
03:09E aí, é bom observar isso, né?
03:12Só que a dificuldade hoje em dia é o tempo que os pais estão tendo para poder observar essas crianças.
03:18O que eu pergunto para o meu filho, de que forma eu pergunto e o que eu pergunto para ele?
03:27E essa resposta dele, se ele estiver sofrendo um tipo de agressão assim, que não deixa marca visível, por exemplo,
03:34como é que eu posso abordar essa questão?
03:37Chegou da escola, eu pergunto o quê?
03:39Sim.
03:40Então, geralmente eles ficam assustados, até porque a gente não sabe o que esse agressor está fazendo ou falando, né?
03:46Porque às vezes vem uma pressão também para não contar aos pais.
03:49Então, quando a gente observa algum tipo de comportamento, é importante ir num momento aleatório, de lazer.
03:55Tipo, chama para ir ao parque, fazer um passeio.
03:58E nesse momento mais descontraído, conversa e fala,
04:02filho, eu estou percebendo você mais irritado, tem alguma coisa acontecendo?
04:06Como que está lá na escolinha?
04:07Te é legal?
04:08E aí você vai conversando aquilo ali, introduzindo uma conversa leve.
04:12Porque se você for diretivo, tipo, você está sofrendo alguma coisa, a criança às vezes se assusta e não sabe se ela pode responder.
04:21Porque o que a gente tem que pensar é que essa criança que está sofrendo agressão, ela está sob estado de alerta.
04:27Então, ela não está sabendo muito bem o que ela...
04:30Não tem, assim, um racional formado ainda para entender muito bem o que ela está acontecendo.
04:35Ela sabe que aquilo ali que estão fazendo com ela não está sendo legal.
04:38Porque é igual ali no caso, ah, espirrou o perfume, ah, será que a tia está brincando?
04:43Será que isso é legal?
04:44Só que repetidas vezes, isso está me causando um estranhamento no meu corpo, né?
04:50E a gente não lembra também, né?
04:51Quando a gente é criança, na fase adulta, a gente não lembra das coisas que aconteceram.
04:56Como é que funciona a questão da mente da criança?
04:59Saiu da escola e chegou em casa.
05:01O que aconteceu ali?
05:02O tempo dela lembrar aquilo ali e o tempo dela esquecer.
05:07Existe isso?
05:08É, se for repetida, a situação for repetida, ela fica lembrando.
05:13Se for esporádica, pode ser que ela esqueça.
05:17A frequência, ela influencia.
05:21Agora, vamos falar desse comportamento que a gente está vendo, né?
05:25De chegar no local onde as crianças estão dormindo, acordar dessa forma, jogar água, fazer esse tipo de agressão.
05:32O que consequência, doutora, isso pode ter num adulto, hein?
05:36Assim, dessa criança que vai crescer na adolescência e depois adulto.
05:40É muito importante, né?
05:41Porque, assim, primeiro a gente entende, quando a gente está passando por uma situação, aquilo vira um trauma e a criança, ela vai aprender alguma forma de lidar com aquilo para sobreviver.
05:51E aí, na fase adulta, fica faltando, é como se fosse, assim, um vazio.
05:56Ah, ela não se sentiu protegida naquele momento.
05:59Então, o que isso vai ocasionar na fase adulta?
06:01Uma baixa autoestima?
06:03Uma sensação de invalidação?
06:05De eu não sou boa o suficiente?
06:06Às vezes, até um isolamento social, dificuldade em confiar nas pessoas, né?
06:13Então, isso reflete até no relacionamento social e afetivo também.
06:17A forma como ela se enxerga no mundo vai ser prejudicada.
06:21E agora, doutora, partindo assim para já a finalização, qual o conselho que a senhora dá para os pais, né?
06:28Que tem crianças pequenas, porque tem a diferença também, essas crianças são muito pequenas, 3, 4 anos.
06:33Tem crianças que já verbalizam, né? De 10, 11 anos, já conseguem ter essa noção dessa violência.
06:38Mas, criancinhas, assim, não.
06:40Que conselho a senhora dá nesse momento para os pais, para os parentes, avós que estão assistindo a gente
06:44e que estão com medo de que isso esteja acontecendo com as suas crianças?
06:48Sim. É interessante, às vezes, manter contato com outros pais para ver se estão observando comportamentos diferentes nos filhos.
06:56Chegar em casa, ter um tempo de qualidade para observar se o filho está diferente,
07:00se está tendo algum comportamento que está inadequado.
07:05Olhar aquela birra, aquela forma de expressão que talvez não está sendo muito bem aceito, né?
07:13Como, ah, essa criança está mal criada, essa criança só está me aborrecendo.
07:17Ao invés de se irritar e não ouvir a criança, parar e ter um tempo de qualidade para validar essa emoção.
07:25Porque, às vezes, como eu falei, não é uma birra, ali é um grito de socorro, né?
07:29E eles falam também da idade, né? Ah, é problema da idade. A idade é assim.
07:32Acaba jogando a culpa para a idade da criança.
07:34Exatamente. Porque é difícil diferenciar mesmo quando não tem cicatriz ali física, né?
07:40Mas a gente precisa entender que a criança, ela expressa muito com essas sensações.
07:45Então, se estiver repetindo o comportamento, para e conversa com o filho.
07:50Se o filho não tiver capacidade verbal para poder explicar, né?
07:55Relatar o que está passando, conversa com outras mães.
07:59Mas é importante estar atento a isso.
08:01Porque as coisas, a gente, às vezes, a correria do dia a dia faz a gente perder detalhes importantes dos nossos filhos, né?
08:09Conversei aqui, gente, com a psicóloga, doutora Aline Eker, esclarecendo para a gente quando a criança está sofrendo uma violência psicológica
08:18que não deixa marcas físicas, mas acaba marcando aí para o resto da vida também.
08:23Doutora, muito obrigado pelos esclarecimentos. Obrigado pela presença aqui no tema.
Seja a primeira pessoa a comentar