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Reportagem feita por Helvidio Mattos com um dos maiores ídolos da história do Corinthians: Luíz Trochillo. Som e imagem perfeitos, ao contrário de outras gravações já postadas na internet (acervo próprio).
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EsportesTranscrição
00:02Música
00:14Boa tarde, o programa Grandes Momentos do Esporte de hoje traz as histórias de dois jogadores que marcaram época.
00:20Dois artistas da bola, um refinado, baixinho, sábio e às vezes malandro, e outro que soube tirar proveito de tudo
00:30o que o futebol oferece.
00:31Você vai conhecer ou reviver Luizinho, o pequeno polegar do Corinthians, e Lima, o Coringa da Vila.
00:39Tem também uma homenagem ao Fenômeno, que com sua retirada esta semana, deixou um vazio que dificilmente será preenchido.
00:46Nós vamos começar contando a história do grande Luizinho, que dizem, um dia ousou sentar na bola em pleno Pacaembu.
00:56Uma simples bola de futebol tornou ainda mais fortes os laços da família Trujillo.
01:02Seu Gabriel sonhava com jogadas fantásticas, gols maravilhosos e com a torcida gritando o seu nome.
01:09Foi o filho Luiz, baixo e magrinho, que transformou o sonho do pai em realidade.
01:15O velho Gabriel gostava tanto de futebol, que ao ver o seu menino aplicando dribles mágicos na molecada da rua,
01:23tomou uma decisão histórica.
01:25Fundou o Cachoeira Futebol Clube.
01:27O ano era 1942 e foi assim que Luizinho, aos 12 anos de idade, jogou pela primeira vez num time
01:36de futebol.
01:36Com 12 anos, eu já jogava com gente que tinha 30 anos, 20 anos.
01:41Porque eles diziam, poxa, o Luizinho é muito esperto, muito vivo, é difícil pegar ele pra jogar bola.
01:49E eu fui crescendo nesse ambiente com eles, entende?
01:52Porque você era rápido demais, Luizinho.
01:54Era rápido, é.
01:55Isso, em 1942, eu me encontrava com 12 anos.
01:59Então, era comentado muito naquele bairro do Braz.
02:03Então, existia outro bairro no Braz, chamado-se Maria Zélia, que hoje existe até hoje.
02:10Que é um clube que tem até um NPS muito grande lá dentro.
02:14E esse clube tinha um clube chamado Maria Zélia, que tinha infantil juvenil.
02:20Então, naquela época, já começou a se ver pessoas lidarem com garotos de 13, 14, 15 anos.
02:27Então, existia um senhor chamado Dante Pietro Bom, como treinador do infantil juvenil.
02:34E falaram pra ele assim, poxa, vai no cachoeira, tem um menino assim, assim, assim, chamado Luizinho, tá?
02:40Filho de um peixeiro lá, poxa, tem que ver como ele joga a bola.
02:44Ele me foi ver jogar.
02:47Depois do jogo, ele foi falar com meu pai, se eu podia deixar o cachoeira e ir pro Maria Zélia
02:52jogar.
02:53Meu pai falou, você quer ir? Eu vou.
02:56E fui jogar no Maria Zélia.
02:58Mas antes disso, me diz uma coisa, Luizinho.
03:00Como foi deixar o time que seu próprio pai tinha fundado?
03:04Ah, foi uma bagunça.
03:07Eles não me perdoaram aquele dia.
03:09Ficaram com uma raiva de mim.
03:12Ficaram com uma raiva de mim.
03:14Ficaram com uma raiva de mim.
03:17Mas o sujeito que me levou pra jogar pra lá disse, olha, eu tenho ideia de que eu vou levar
03:23o seu filho pra lá.
03:24Depois eu vou melhorar a vida do seu filho.
03:26Eu vou ter um convite pra ser treinador de infantil do Corinthians.
03:30E meu pai contava isso pros diretores numa cachoeira e pros amigos, eles não acreditavam.
03:36Não, ele não vai pra nenhum lugar nenhum, ele tem que ficar aqui, porque ele é muito bom e aqui
03:41nós vamos fazer isso, fazer aquilo.
03:44Até tem uma medalha aqui que eles me deram.
03:47Eu tinha 14, 15 anos.
03:48Bom, então eu fui pra lá, entende?
03:51Eu fui pra lá.
03:53E como de fato foi verdade, joguei lá uns par de meses lá, então esse senhor...
03:58No Maria Azela.
03:59No Maria Azela.
04:00Esse senhor aí, esse Dante Petrobon, que é irmão do Valucci, do Valucci que jogou comigo no misto do Corinthians.
04:07Anacreto Petrobon jogou.
04:09Ele falou, olha, eu fui convidado pra treinar o infantil do Corinthians em 1943.
04:16Eu vou levar todos vocês pra lá.
04:19Todos vocês quem?
04:20Seria eu, naquela época minha, que depois que eu conheci o Maria Azela, jogava eu, jogava o Cabeçom, jogava o
04:28Roberto Belangelo, jogava outros jogadores.
04:32Eu falei, nós vamos pra lá, é claro.
04:33O início de Luizinho no Corinthians foi fulminante.
04:37Em seu primeiro ano no Parque São Jorge, ele já foi campeão.
04:41Em 1943, o título de um campeonato interno marcou o começo de uma carreira vitoriosa.
04:48Campeão infantil, juvenil e amador, Luizinho estava mesmo destinado a ser um dos maiores ídolos do Corinthians.
04:56Mas apesar do seu talento, a passagem para o time de aspirantes foi obra do acaso.
05:02Teve um domingo, tinha um treinador no primeiro time do Corinthians, isso em 47, 46.
05:09Chamava-se do Rio de Janeiro, chamava-se Gentil Cardoso.
05:14Ele precisava de uma esquerda pra jogar no time aspirante do Corinthians.
05:19Então ele precisava de uma esquerda e não tinha jogador pra pôr.
05:24Então ele perguntou numa diretoria de quarta-feira à noite, na rua, na Avenida Arranger Pestona, com a Maria Marcolina.
05:31Ali era a sede do Corinthians.
05:33Ele disse, mas eu não tenho aqui nem jogador pra pôr no time do Corinthians.
05:36Eu preciso de uma esquerda, porque o meu meio esquerdo tá doente.
05:40Os diretores falaram, não, tem, tem.
05:42Nós temos um garoto chamado Luizinho aí, só que ele é muito pequenininho.
05:45Muito pequenininho, muito pequenininho.
05:49Se o senhor quer, nós mandamos ele domingo lá.
05:51Ele falou, ele sabe jogar?
05:53Eu falei, é, ele parece que sabe, né?
05:56Então manda ele lá.
05:57Ele vai jogar no aspirante, avisa ele.
05:59Isso na sexta-feira me avisaram.
06:02Eu fiquei assim, você vai lá pro Gentil, vai te pôr pra jogar e tal e coisa.
06:06O que você sentiu, Luiz?
06:08Eu fiquei meio abalado, sabe?
06:11Os diretores tudo me bajulando.
06:12Você vai jogar domingo, pá e coisa e tal.
06:14Bom, eu quando eu vi o estádio assim, eu entrei em campo, eu vi aquele estádiozão.
06:22Isso era mais ou menos, era uma e meia, uma hora da tarde.
06:25Jogava uma hora naquela época.
06:27Eu vi aquele estádio e vi tanta gente na geral, eu fiquei meio abalado, sabe?
06:32Eu era pequenininho.
06:34Garoto, né?
06:35Garoto, pô.
06:36Com 15 anos, 16 anos.
06:39Era um dia de semana ou domingo?
06:40Era um domingo.
06:41O Corinthians sempre jogava ali domingo, sábado e domingo, sábado e domingo.
06:45Porque o Corinthians já era torcida, entende?
06:49E, conclusão, começou o jogo e tal.
06:52E aquele jogo, aquele jogo nós ganhamos de 9 a 1.
06:58Então, me começaram a ver com outros olhos, entende?
07:01Outras vistas.
07:02Eu acabei com o jogo, modéstia à parte.
07:04Eu sabia jogar.
07:06O que você aprontou nesse jogo?
07:07O que eu aprontei?
07:08Nem imagina, nem carcula o que tinha aprontado.
07:10Então, lá nas gerais já começaram.
07:12No dia seguinte, o jornal já deu um trechinho pequeno.
07:15É, o Corinthians lançou um garoto assim, assim.
07:17É, o Corinthians lançou um garoto assim, assim, tal e coisa e tal.
07:22E aí, não me mandaram voltar mais para o Juvenil.
07:25Para o Infantil.
07:26Infantil e Juvenil.
07:27Falei, você não vai voltar mais.
07:29Você vai vir começar, às terça-feira, a treinar aqui.
07:32Pô, eu já era muito pequenininho.
07:34Então, eu já comecei a conhecer, comecei a conhecer o Bode, o Peliciare, o Servilho, o Milane.
07:45Essa turma, o Hércules, com essa idade.
07:48Já convive Domingos da Guia na minha frente.
07:51Entende?
07:52Domingos da Guia, eles estavam acabando, eles estavam com a idade já avançada.
07:57Entende?
07:58Servilho.
07:59E eu falava, puxa vida, mas eu estou no meio desses caras aí.
08:04Então, eu já treinava com eles no Juvenil.
08:09No aspirante.
08:11Bom, para encurtar um pouco a história, eu nunca mais voltei para o Juvenil.
08:17Então, nós somos campeões 46, 47 e 48.
08:20Em 49, quando eu decidi o quarto título, então existia um treinador chamado Dr. Joreca.
08:31Então, quando eu ia jogar no domingo, na sexta-feira, que eu ia decidir o título com São Paulo,
08:36um jogador chamado Rui ficou doente.
08:40O Joreca falou, é, não pode, não tem o Rui, não pode jogar.
08:43Nós temos que subir o Luizinho.
08:45É, mas ele vai disputar o título e tal e coisa, não ser campeão com ele.
08:49Eu falei, não, não, ele tem que jogar no primeiro time.
08:52Aonde eu deixei de jogar no aspirante, eu joguei no primeiro time.
08:57Então, foi a última vez e a primeira vez que me encontrei com um jogador de bola famoso.
09:04Nunca mais joguei com um jogador de bola famoso.
09:07Leônidas da Silva.
09:09Jogava Corinthians e São Paulo.
09:12Naquele jogo eu fiz dois gols.
09:15Mas ele era tão bom.
09:17Mas ele era tão bom.
09:19Que ele fez três.
09:27Aí começaram a falar, né, naquela época, é, mas o Corinthians precisa renovar, os cronistas
09:33precisa renovar, precisa pôr a ser a garotada pra cima.
09:36Esse pessoal já tá há dez anos na fila e não tira um campeonato, que era o Jantigo.
09:41Então teve um dia, o Trindade, o presidente nessa época já era o Trindade.
09:46Nós tínhamos o Cristino Calafi, um diretor, Albino Lotito e Manoel dos Santos.
09:52Então eles tiraram, quiserem encarar o negócio.
09:54Falei, bom, vocês querem renovar?
09:56Então nós vamos trazer o Luizinho, o Colombo, o Roberto, o Cabeção, o Idário, toda essa
10:02turma pra sempre.
10:03A turma da Maria Azélia?
10:04A turma da Maria Azélia.
10:06Tá bom, vocês podem fazer isso.
10:07Vocês têm peito?
10:08Tem, então vamos fazer isso.
10:10Isso em 1950.
10:12E o que aconteceu?
10:13No Rio de São Paulo.
10:15A primeira partida nós fomos jogar no Rio de Janeiro, meu amigo.
10:19Então jogava Cabeção e Dário, se não me falha a memória, Murilo, Roberto e Belfari.
10:35Claudio, Luizinho, Baltazar.
10:40Claudio, Luizinho, Baltazar, não me recordo quem é o homem esquerdo e Narcinho.
10:45Narcinho.
10:47Nós fomos jogar no Rio de Janeiro com a primeira partida com o Flamengo Futebol Clube.
10:50Sabe mais, em 1950, quem era o Flamengo?
10:53É.
10:54Zezinho e Bria.
10:58Apanhamos de 5 a 1.
11:00Puta, foi uma busca de decepção, rapaz.
11:04Falei, pô, é duro jogar no Rio de Janeiro com esses caras.
11:08Ora, 5 a 1 no Rio de Janeiro.
11:11Não existia nem o Maracanã.
11:13Depois que veio o Maracanã, estavam fazendo o Maracanã.
11:15Foi na Copa do Flamengo.
11:16Ora, 5 a 1.
11:17Ora, fiquei envergonhado.
11:19Nós todos fomos envergonhados.
11:20Bom, tem aqueles que diziam, deixa pra lá e tal, vamos pra outra.
11:23Como existe até hoje, te apanha, apanha, apanha.
11:26E os caras dizem, vamos pra outra, vamos pra outra, tá sempre apanhando.
11:29E vamos pra outra, vamos pra outra.
11:31E tá sempre apanhando.
11:34Bom, então vamos pra outra.
11:35Então o Rio de São Paulo jogava domingo e quarta, domingo e quatro.
11:38Então nós pegávamos na quarta-feira o São Paulo.
11:39Nós diretores tiveram, tiveram, tiveram, tiveram motivo de deixar a mesma equipe.
11:47Pegamos São Paulo aqui, Bauru e Noronha.
11:50Puxa vida.
11:51Bauru e Noronha, imagina você.
11:53O Claudio, o Luizinho, o Baltazar, não sei quem, e quem o Nelsinho.
11:58A gente já entrava em campo com medo, sabe?
12:00O Rui, Bauru e Noronha, aquela turma lá.
12:03Bom, vamos pro São Paulo, vamos.
12:05Pegamos um São Paulo numa noite meio desagradável.
12:08Metemos três a um.
12:10Bom, aí já, aí no domingo pegamos o Palmeiras, metemos três a um.
12:15Bom, conclusão.
12:17Último jogo de campeonato de 1950, até tá a taça lá naquela, é a taça de 1950.
12:24Corinthians e Vasco.
12:25Gente até nas Marquise.
12:27Até nas Marquise.
12:28Pacaembu?
12:28Pacaembu.
12:30Seis horas da manhã, eu tava com medo.
12:33Seis horas da manhã, você já abriu o portão, já tinha gente lá embaixo com marmita.
12:36Eu olhava pelos janelas assim, tinha gente lá, jogando baralho e tal, pra ver o jogo.
12:42Tinha gente lá na manhã.
12:43Foi o primeiro título que eu tirei.
12:46Ganhei uns dois a um.
12:47Gol de penalidade de Cláudio e do gol de cabeça de Baltazar.
12:52Aí começou a minha cabeça.
12:54Aí já perdi aquele medo, já perdi aquele eleição, porque era muito moleque, né?
12:59E sem medo nenhum, Luizinho foi se transformando no pequeno polegar corintiano.
13:05No próximo bloco, as recordações de Luiz Trujillo nos trazem o famoso ataque dos 103 gols,
13:11o bicampeonato de 51 e 52 e seu histórico gol do título do quarto centenário.
13:18Foi durante esses anos que o pequeno Luizinho se tornou o grande maestro da maior torcida do Brasil.
13:25Eu sabia o que eu estava fazendo com a bola.
13:27Então eu levantava, eu era o jogador que levantava a torcida.
13:42Grandes Momentos do Esporte está de volta e a gente segue contando a história de Luizinho,
13:46que nunca chegou a se firmar como titular da seleção brasileira.
13:50Não por falta de talento, mas porque a rivalidade entre Rio e São Paulo naquela época era tão grande
13:55que chegava mesmo a privar o escrete nacional de alguns de seus melhores jogadores.
14:04Se 1950 tinha sido um bom ano para Luizinho, o ano seguinte foi melhor ainda.
14:10Ao lado de Cláudio, Baltazar, Carbone e Mário, ele formou um ataque infernal.
14:16Em 51, o Corinthians marcou 103 gols e venceu o Campeonato Paulista depois de 10 anos.
14:23Foi por essa época que surgiu a mais famosa ala direita da história do clube.
14:29Cláudio e Luizinho se deram tão bem dentro de campo que até inventaram uma jogada que tirava o sono dos
14:36adversários.
14:38Quem inventou a tabelinha? Isso em 1950 já. Cláudio e Luizinho.
14:44Eles diziam Pelé Coutinho. Não.
14:48Essa tabelinha vem de Cláudio e Luizinho desde 1950.
14:51Não foi Pelé Coutinho.
14:53Eles aperfeiçoaram pelo meio de campo.
14:57Eles faziam a tabela pelo meio de campo.
15:00Eu já fiz em 1950.
15:03E dava chapéu em 1950.
15:06Com o Cláudio na ponta.
15:08Eu já fiz a tabelinha em 1950.
15:12Com o Cláudio pela ponta.
15:13Então Pelé Coutinho fazia pelo meio.
15:16E esse negócio de chapéu que eu vejo falado.
15:19Eu já fazia isso aí.
15:21E outros jogadores faziam já em 1950, meu amigo.
15:24Já dava chapéu.
15:26Já jogava no meio das canetas.
15:27Aqueles jovens no meio das pernas.
15:31E essa tabelinha famosa entre Cláudio e Luizinho, vocês treinavam isso ou saia na hora do jogo?
15:36Não, saia na hora do jogo.
15:38Ele quando eu recebia, eu percebia e ia lá.
15:40Eu quando eu recebia na ponta, ele vinha também e a gente fazia.
15:44Fazia.
15:45É tudo momento.
15:46Futebol é tudo momento.
15:47Ninguém faz criando o que vai acontecer.
15:50Tudo momento.
15:51Eu acho que é tudo momento.
15:53E na tabelinha vocês iam chegando até o gol de pressão?
15:55Até dentro do gol.
15:57Dentro do gol?
15:57Dentro do gol.
15:58Aí dava batazão, batazão, só colocava de cabeça lá.
16:02Conquistar títulos parecia mesmo ser a missão de Luizinho no Corinthians.
16:07Em 1952, veio o bicampeonato paulista.
16:10Mas a vida de Luiz Trujillo ficou definitivamente marcada em 1954.
16:17Foi com um gol dele contra o rival Palmeiras que o Corinthians venceu o título mais cobiçado no futebol paulista.
16:24O campeonato do quarto centenário.
16:27Aquele jogo era centenário, meu amigo, que valia.
16:30Era a última partida.
16:31E nós entramos primeiros em campo.
16:34Dois ou três minutos antes.
16:36Nós estávamos muito nervosos, sabe?
16:37Eu, no meu parecer, eu pensei isso.
16:41Entramos, já estávamos nervosos, agitados e tal.
16:44Mas, quando nós íamos o Palmeiras entrar em campo, o Palmeiras não entrou com aquela verde que reaçava, entende?
16:51Ele entrou com uma camisa azul, uma camisa berrante azul.
16:55Aquilo parece que esfriou o ônibus de nós, entende?
16:59Os jogadores de bola.
17:01O meu, pelo menos, esfriou.
17:03Eu não vi um Palmeiras assim, com aquela camisa verde, aquela garra.
17:09Falei, caramba, o que está acontecendo aqui?
17:12Pensei entre mim.
17:13E fomos jogar, né?
17:15Jogar.
17:16Jogar e aconteceu aquilo que aconteceu.
17:19Eu fiz o gol de cabeça.
17:21Nós empatamos com o Palmeiras um a um.
17:24Foi o bicampeonato dos 100 anos, né?
17:27O Corinthians já tinha ganhado um.
17:30E depois, nessa geração, que teve essa geração, eu tive a felicidade de fazer o gol do centenário.
17:38Em 54, você é campeão paulista, o maior ídolo da torcida corintiana.
17:44O povo aqui em São Paulo te adorava.
17:46Por que você não foi para a Copa Mundial de 54?
17:50Você sabe que, você sabe perfeitamente que sempre vai existir e sempre existirá a política.
18:01Muita política.
18:03Sempre houve política.
18:03Naquela época, na minha, também havia política.
18:06Eu vi um...
18:07Eu vou citar alguns nomes.
18:09O Cláudio nunca foi convocado.
18:12Foi convocado uma vez, em 50, que ele devia jogar um jogo na ponta direita.
18:19O Flávio Costa não pôs, ele pôs no lateral direito, jogado na ponta direita.
18:23Foi um jogador chamado Moacir, do Flamengo, no meu lugar.
18:28Mas naquela época, o...
18:30O Futebol Carioca mandava muito, né?
18:34E mandam até hoje, sabe?
18:36Ali é fogo, ali é fogo.
18:38Você ficou magoado, Luiz?
18:40Ah, você fica magoado.
18:42Eu não vou dizer que não fica.
18:43Não, é claro que fica.
18:44Porque é uma coisa que você vai defender o seu país, né?
18:48Você faz trabalho para aquilo.
18:50Para que quando chega uma seleção paulista, uma seleção carioca,
18:55você seja convidado para participar.
19:00Eu fui campeão, eu sou tricampeão paulista.
19:04Você vai lá na Brigadeiro Luiz Antônio, aquelas placonas lá, também os nomes lá.
19:08Eu fui campeão, passou na dorizada.
19:11Eu olho, olho, meu nome está aí.
19:14Naquela década de 50, o Corinthians dominou o campeonato paulista.
19:20Por que que vocês perderam o título em 57?
19:25Bem, aquele campeonato de 57, as equipes já eram fortes naquela época, sabe?
19:33Corinthians, a Palmeira, a São Paulo, o próprio Santos, entende?
19:37Já era forte.
19:39Mas acontece que eu me machuquei naquela partida, entende?
19:44Eu me machuquei.
19:46Uma das poucas partidas que eu tinha me machucado, o tornozeiro, entende?
19:50Então, fiz tratamento a semana toda e tal.
19:54Mas não porque eu não tinha jogado, que o Corinthians perdeu o campeonato de 57.
19:58Não, cadê isso?
19:59Como eu podia ganhar também, entende?
20:02Mas sempre quebra o estímulo da equipe, né?
20:08Porque nós vínhamos bem no campeonato.
20:11Nós vínhamos bem.
20:12Então, talvez, pudesse ter sido, porque eu não podia ter jogado, entende?
20:19Talvez acontecesse isso.
20:21Eu só tinha receio, graças a Deus, e não jogou.
20:22Eita, vai, vai, fica lá fora do jogo.
20:25Você imagina, para um Zizinho falar isso que ele falou, que já era, em 57, hein?
20:32Que o Zizinho já passou pela Copa de 50.
20:35E era um dos maiores jogadores que eu vi na minha vida jogar bola.
20:39Para ele falar isso, você imagina o que seria como jogador de bola eu.
20:44Você imagina, então.
20:46Então, talvez fosse por isso que o Corinthians perdeu aquele campeonato.
20:51Mas, o São Paulo tinha uma bela equipe.
20:54O São Paulo mereceu, e mereceu, mereceu mesmo.
20:59No ano seguinte, em 58, o Brasil se preparava para conquistar o mundo pela primeira vez.
21:05E, novamente, Luizinho foi esquecido pela seleção.
21:09Mas a nação corintiana encontrou uma forma de se vingar.
21:13Antes de embarcar para a Europa, o Brasil teve que enfrentar o Corinthians
21:17num pacaembu lotado por fanáticos torcedores de Luizinho.
21:21O Brasil venceu na Suécia.
21:24E, por aqui, Luizinho continuava a morar no coração de cada corintiano.
21:28Afinal, ele simbolizava tudo aquilo que o torcedor gostava de ver
21:33num jogador do time.
21:35O torcedor do Corinthians não é bobo, ela entende de futebol, sabe?
21:38Ela sabe quem é craque e quem não é craque, não, meu amigo.
21:42Eles conhecem o bom jogador e o mau jogador.
21:44Eles sabem os gênios que tem e os gênios que não tem, entende?
21:48Então, eu era considerado um dos gênios para jogar bola no Corinthians.
21:51Então, eu era um jogador marcante.
21:53Se eu jogasse bem, o pessoal falava,
21:55a primeira bola depende do Luizinho.
21:58Se ele for bem, ele vai bem.
22:00Então, eu não tinha nada disso comigo.
22:02O que aparecia para mim, eu tentava a jogada, fazer o que bem entendia.
22:05E dava certo.
22:06Porque eu sabia o que estava fazendo com a bola.
22:09Então, eu levantava.
22:10Eu era o jogador que levantava a torcida.
22:13Às vezes, eu fico pensando na minha casa.
22:16Com toda a minha cidade.
22:18Às vezes, eu gostaria de ter, ter, ter debate.
22:21Ou a torcida que levanta o jogador,
22:23ou o jogador que levanta a torcida.
22:27Às vezes, eu fico pensando, não.
22:29Eu levantava a torcida.
22:33Com meus libres.
22:36Com as minhas molequices.
22:40Com as minhas diabragens.
22:43Eu levantava o público da geral da torcida.
22:46Estou aqui do lado.
22:59Luizinho foi, sem dúvida, um jogador maravilhoso.
23:02Um pouco magoado por não ter sido reconhecido como teria merecido.
23:06Mas, para você não pensar que nós estamos exagerando,
23:09veja o que o nosso próximo personagem pensa a respeito de Luizinho,
23:13o pequeno polegar.
23:14Joguei contra ele, foram duas, três vezes.
23:20Duas vezes pelo Juventus e uma vez pelo Santos.
23:27Inclusive, no Parque São Jorge.
23:30Jogamos.
23:31Era um jogador fantástico.
23:33Tinha uma facilidade incrível para o drible.
23:37A torcida tinha uma paixão por ele.
23:40Era um jogador muito difícil de ser marcado.
23:43E foi uma das experiências boas que eu tive.
23:49Principalmente a que jogou o Santos contra o Corinthians no Parque São Jorge.
23:54Que nós ganhamos de 2 a 1.
23:56Foi um jogo, assim, que posso colocar como inesquecível.
24:10O programa Grandes Momentos do Esporte está de volta.
24:14E agora para contar uma outra história.
24:15Esta semana, o nosso editor Michel Lohance foi a Santos rever amigos.
24:21E encontrou um muito especial.
24:29Você jogou os dois mundiais, né?
24:32Joguei os dois.
24:33Os dois mundiais que...
24:3562 e 63.
24:37Foi isso.
24:37Jogamos como...
24:38Qual foi o melhor time?
24:3962 e 63?
24:41Não, era o mesmo time.
24:42Praticamente não.
24:4362 e 63 era o mesmo time.
24:44Só que o time de 63...
24:46E jogou o Almeida.
24:47Estava mais...
24:49Principalmente no último jogo.
24:52Segundo jogo, né?
24:53Aham.
24:54Estava desfalcado.
24:56Nós perdemos lá no primeiro jogo.
24:58Nós perdemos o Calvé, o Zito e o Pelé.
25:01Os três não puderam jogar nenhum dos dois jogos aqui no Brasil.
25:06Olha.
25:06Então, estava mais desfalcado.
25:09Tanto que no primeiro, não.
25:10Contra o Benfica, nós jogamos com um time no primeiro jogo no Rio, que ganhamos.
25:17E a única mudança que foi feita foi eu sair da lateral direita, entrou o Olavo.
25:22E eu passei para o meio e saiu o Mengal.
25:24Foi a única mudança que teve na equipe.
25:28Mas você estava acostumado, né?
25:29Essas mudanças assim, né?
25:31Porque afinal de contas você foi conhecido como...
25:34Como Coringa.
25:35Coringa da Vila, né?
25:36Exato.
25:37Mas esse negócio de Coringa da Vila, tudo começou aqui.
25:41Com o Lula, né?
25:42Ah, é?
25:42É.
25:43Tudo começou aqui com o Lula.
25:45E ele precisava de substituição, principalmente pelo lado direito, né?
25:48Veja aí.
25:49Aí ele conversou comigo, eu fiz um coletivo, gostei, não senti dificuldade nenhuma.
25:55E aí começou tudo.
25:57Aí passei 11 anos jogando...
25:59Só não joguei no gol.
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