- há 2 dias
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NotíciasTranscrição
00:08Muito bom dia, bem você está no ar. Muito obrigada pela sua companhia nesta manhã de terça-feira.
00:15Vivemos numa época em que a busca pelo corpo perfeito virou quase uma obsessão.
00:20Filtros, redes sociais e padrões de beleza cada vez mais rígidos têm levado muita gente a procurar procedimentos estéticos
00:27em busca de uma imagem que nunca parece ser suficiente.
00:31O que começa com o desejo de se sentir bem pode se transformar em um ciclo sem fim de insatisfação
00:38com o próprio corpo.
00:40Especialistas alertam que essa busca constante pela perfeição pode adoecer,
00:44trazendo ansiedade, baixa autoestima e até quadros mais graves como a desmorfia corporal.
00:50Para entender esses limites entre o cuidado pessoal e a obsessão e identificar quando essa busca pela estética virou um
00:58problema,
00:58a gente recebe a psicóloga Majori Calumbi.
01:02Bom dia, Majori. Tudo bem? Seja bem-vinda.
01:04Bom dia, Thaís. Bom dia a todos que nos assistem hoje.
01:07É um prazer estar aqui com você falando de um tema tão importante e urgente, né, Thaís?
01:12É hoje com as redes sociais.
01:13A gente tem acesso a muita informação o tempo todo, foto, os artistas cada vez mais fazendo procedimentos.
01:19Isso influencia muita gente a também querer buscar esse padrão de beleza que muitas vezes é inatingível.
01:26Exato, Thaís. As pessoas têm muito, inclusive, as redes sociais, que acaba sendo uma vitrine,
01:32mas nem sempre a gente sabe que essa vitrine é tão realista.
01:35Por quê? Como você bem falou, tem questão dos filtros, né, aquele ajustezinho.
01:40Muitas vezes o cenário, ele é montado e é aquela história.
01:43Muitas pessoas têm pra si que o quê? A grama do vizinho é sempre mais verde.
01:47Então, muitas pessoas acabam adotando aquele registro, aquele corpo, aquela imagem como muito perfeito.
01:54E eu, Marjorie, por exemplo, não me encaixo.
01:56Thaís está tão maravilhosa ali naquele registro.
01:59Eu também quero ter o corpo dela, quero ter a pele.
02:02E muitas vezes a gente deixa de se enxergar.
02:04Sabe aquele momento que a gente olha pro espelho e fala,
02:07olha, eu não estou bem.
02:08Às vezes o corpo é lindo, mas a gente realmente acaba criando, não é, a imagem que a do vizinho
02:13é muito melhor que a nossa.
02:14E isso sim, cuidar do corpo é perfeito.
02:17Porém, quando passa a ser algo muito recorrente, esse cuidado, essa obsessão,
02:23porque a gente muitas vezes se encolhe, fica meio depressivo, aí sim, já fica um alerta pra saúde mental.
02:28E quando é que as pessoas devem perceber, né, que estão exagerando?
02:33Porque quando você está dentro do processo, você sempre quer mais.
02:36Quando começa um parente falar, uma amiga falar, né, a gente precisa dar ouvidos aos outros.
02:42Em que momento a gente percebe que a gente está passando o limite?
02:45Veja só, exatamente.
02:46Quando a gente começa a perceber que nunca o resultado que nós buscamos está bem.
02:51Seja um procedimento, seja uma cirurgia, seja até um creme mesmo que a gente passa pra gordura facial.
02:57Quando a gente percebe que, assim, o cuidado, o reforço, ele existe, é normal, é saudável.
03:02Até porque, por questões de saúde mesmo, a gente precisa estar se cuidando sempre.
03:07Isso vale tanto pra estética quanto pra exames e por aí vai.
03:10Não só da parte externa, a parte interna também.
03:12Porém, a questão é quando a gente começa a fazer uma cirurgia, faz um alípo, por exemplo.
03:17Depois que saiu ali o resultado, você para e olha e fala, gente, eu não estou satisfeita.
03:20Ainda tem uma gordurinha aqui.
03:21Aí você vai e faz um outro procedimento, com enzimas, né?
03:24Nada contra, tá, gente?
03:25Mas, assim, quando a busca, ela não tem fim.
03:28Aí você, a gente nunca está satisfeito.
03:29E é exatamente a disfobia ali, como você falou no início.
03:34A gente olha no espelho e a gente não se enxerga.
03:37A gente quer sempre mais.
03:38Então, fica um alerta, porque no momento que eu quero sempre buscar algo a mais,
03:42isso muitas vezes me entristece, porque a Thais está sempre linda e maravilhosa.
03:45E eu não consigo chegar próximo à beleza dela.
03:47Então, isso faz muitas vezes a gente ficar triste, a gente se isolar,
03:51a gente passa a não ter tanta vontade do convívio social ali com as demais pessoas.
03:56Muitas vezes acaba gerando muita ansiedade, porque o resultado perfeito nunca chega.
04:00E o principal, a depressão.
04:02Porque faz com que a gente cada vez mais se encolha, não sinta a vontade mais.
04:06Aquela vaidade, aquele cuidado que existia, ele passa a existir.
04:10Por quê?
04:11Porque a gente nunca consegue chegar no resultado ideal.
04:13E aí, realmente, vale procurar ajuda.
04:15Seja de pessoas que possam te acolher, a rede de apoio é fundamental, vale ajuda de especialistas também.
04:22É importante a gente trazer esse assunto aqui, porque estamos no setembro amarelo,
04:26o mês de conscientização pela saúde mental.
04:29E é muito importante que as pessoas procurem uma terapia.
04:34terapia salva vidas, terapia cura feridas, porque muitas vezes a busca por essa beleza,
04:40a busca por esse padrão, ele tem, na verdade, um outro problema ali dentro,
04:45que a terapia, ela vai buscar esse problema e vai tentar solucionar.
04:49Então, quem sabe, você não precisa nem mais estar passando por tanto procedimento estético,
04:53se você consegue sanar esse problema.
04:56Eu queria mostrar aqui umas imagens de famosos e famosas que acabam nos influenciando nessa estética e tudo mais.
05:04Aí a influenciadora Flávia Pavanelli, como ela era, vamos dizer assim.
05:11E aí, depois de tantos procedimentos, preenchimento, lift e tudo mais,
05:15que hoje é bem acessível à população.
05:19E você vê uma mudança incrível no rosto dela.
05:23Talvez até ela se enxergue ainda como era antes.
05:27Você vê que ela já era linda.
05:28A gente não está aqui também para julgar, né, Majorri, quem quer fazer ou deixar de fazer.
05:33Mas é preciso acender esse alerta.
05:35Até porque cada pessoa, isso é muito subjetivo, né?
05:37Cada pessoa tem a sua régua.
05:38O que, para mim, esteticamente é bonito, para você pode não ser.
05:41Mas realmente fica o alerta.
05:43Porque muitas vezes a gente não consegue chegar na solução, no objetivo final.
05:47E isso faz com que a gente, muitas vezes, fique triste, como eu falei,
05:50fique em depressão, ansiedade, assim, fora do comum em detalhe.
05:53As pessoas, quando precisam bem, como você falou, de ajuda ali em relação à saúde mental e emocional,
05:59muitas vezes elas não falam, olha, eu preciso.
06:01Muitas vezes elas levam um tempo, um tempo para perceber.
06:04E a questão de isolamento, a questão de não querer se alimentar, não ter vontade, ter ânimo para sair,
06:11isso não é cansaço, tá, gente?
06:12É algo quando é muito recorrente, não é algo muito forte.
06:15Então fica realmente um alerta.
06:16E por falar em setembro amarelo, as pessoas, a gente sabe que a gente acaba associando ao mês
06:21que as pessoas, muitas vezes, querem desistir da vida.
06:23Vamos desastre, fiquei talvez essa palavra.
06:25E muitas vezes elas não levantam a bandeira dizendo, eu quero desistir da vida.
06:29Ela vem disfarçada por várias outras situações, vários outros comportamentos,
06:34que vale as pessoas que estão próximas sempre observar.
06:36Tem pessoas que já tem uma certa tendência, tem histórico, outras não,
06:40mas vale a pena a gente sempre estar observando o outro.
06:43Importante isso.
06:44Nem sempre a pessoa que está com depressão, ela está deitada em cima de uma cama, não, tá?
06:48Ela às vezes está numa festa, está sorrindo, está interagindo,
06:50e está ali escondendo uma dor muito profunda.
06:54Deixa eu só chamar uma outra pessoa da internet, que é a Maia Massafera,
06:57que é a Maia Massafera, muito famosa por todos os procedimentos intermináveis que ela faz.
07:02Praticamente toda semana ela faz um procedimento.
07:06E o triste disso é que ela pode acabar influenciando as seguidoras, né?
07:11Os seguidores dela a buscar esse padrão.
07:13Até a cor do olho ela mudou, sabe?
07:15E é um procedimento bem invasivo e super arriscado, né?
07:18Essa questão da mudança da cor dos olhos ali da íris.
07:21Mas a gente vê que é uma busca incessante.
07:23A gente está dizendo que é errado, mas já fica um alerta.
07:26Quando você não está satisfeito nunca com seu objetivo,
07:29realmente a gente precisa ter um acompanhamento para entender
07:32até que ponto o que nós estamos questionando é algo saudável,
07:35até que ponto nós estamos tentando mascarar ou muitas vezes transferir dores que nós temos
07:40e não observamos e não cuidamos delas.
07:43Exatamente.
07:44E a gente estava falando aqui agora há pouco que a terapia cura, a terapia salva, né?
07:48A Major Rí, gente, ela é psicóloga do Santa Cruz, né?
07:52E recentemente o goleiro do Santa Cruz, o Thiago, né?
07:56Ele deu uma entrevista dizendo que a terapia tem ajudado muito ele, né?
08:00Nesse processo.
08:02Então é muito importante você como psicóloga do Santa Cruz,
08:05é muito importante para os atletas de modo geral, né?
08:07Não só jogador de futebol, mas principalmente atleta de alto rendimento
08:10ter um acompanhamento de uma terapia.
08:14Thais, é importante você falar isso porque tem algumas profissões
08:17que são tidas como super-heróis, atletas como um todo, né?
08:20Policiais, médicos, é aquela história.
08:22Muitas vezes, ah, é um cansaço, é uma fadiga.
08:25Tudo bem, devido às nossas jornadas, à nossa cobrança, à nossa pressão,
08:29inclusive a auto-pressão.
08:30É normal a gente realmente passar por momentos delicados como esses.
08:33Porém, a gente precisa lembrar que antes da gente vestir o uniforme,
08:36a camisa do nosso time, o nosso jaleco, enquanto médicos,
08:40somos seres humanos.
08:41Então, seres de emoções.
08:42Então, se você atualmente não está bem, você não vai conseguir levantar da cama
08:46para exercer sua atividade, sua função.
08:48E como você falou, o Tiago Queiro, que é o goleiro do Santa Cruz Futebol Clube,
08:54ao qual eu tenho a honra de ser a psicóloga deles,
08:56ele disse, inclusive no jogo, no último sábado,
08:59que a terapia realmente do trabalho,
09:03o processo que ele estava passando o pessoal,
09:04estava influenciando em campo.
09:07E o trabalho foi, tem sido assim, na verdade,
09:10a gente estamos no processo, já tem percebido muita melhoria.
09:13Tanto que ele estava afastado, já retornou.
09:15Nos últimos dois jogos aí, teve uma performance incrível, né?
09:18E a gente sabe que grande parte disso é o mental, gente.
09:22Porque reforça, se o mental não está bem, a gente não consegue levantar de uma cama.
09:25Não consegue, nem consegue subir de série também,
09:28não consegue fazer gol, não consegue nada.
09:30O mental abalado, abala toda uma estrutura psicológica,
09:34e de quem está em volta da gente também, né?
09:37Exato, porque as pessoas sentem.
09:39E assim, um ambiente, quando ele é sadio,
09:41na realidade, nós somos muito influenciados pelo meio.
09:43Estamos falando da beleza, né?
09:45A Maia mesmo aí, influenciando pelos seus procedimentos cirúrgicos,
09:50não acha que dentro de um time, de um clube, não seja diferente.
09:52Nós somos muito influenciados pelo meio que nós estamos.
09:55E se o nosso meio, ele é sadio, se é um meio leve,
09:58consequentemente, isso acaba contaminando as pessoas que ali circulam.
10:01Maravilha.
10:02Mas, Jorri, muito obrigada pela sua participação aqui no programa,
10:06principalmente nesse mês do Setembro Amarelo,
10:08que a gente está trazendo aqui um alerta, né,
10:10de vários aspectos com relação à saúde mental.
10:13Então, muito importante.
10:14Você que está nos assistindo, no final,
10:17vai lá no portal Tribuna Online,
10:18pegue esse programa aqui e encaminha
10:20para as pessoas que você acha que precisa ouvir aqui
10:23essa informação, né, sobre saúde mental,
10:26sobre a busca da beleza.
10:27Obrigada e volte sempre.
10:29Muito obrigada, Thais.
10:30E eu queria dizer para vocês, não se distraírem.
10:32Aos primeiros, finais, sintomas,
10:35se observem, se escute.
10:37É força buscar ajuda, não é fraqueza.
10:39É força e coragem.
10:40Cuidem-se.
10:41Exatamente.
10:42E agora a gente faz um rápido intervalo
10:44e daqui a pouco a gente volta falando sobre o Enem.
10:47Uma psicóloga aqui no estúdio
10:48conversa sobre a pressão dos estudantes
10:50nessa reta final.
10:52Já, já.
10:59Bem você de volta.
11:01Ó, para você que está ligando a TV agora,
11:03seja bem-vindo ao Bem Você.
11:05A gente fala agora sobre ansiedade na reta final para o Enem.
11:09Noites mal dormidas, medo de esquecer o conteúdo
11:12e a pressão por um bom resultado.
11:15Tem tirado o sono de muitos estudantes.
11:18A psicóloga Sabeli Barbosa explica como chegar ao dia da prova
11:22com mais equilíbrio emocional.
11:25Difícil, né?
11:26Tudo bem?
11:26Bom dia.
11:27Bom dia, Thais.
11:28Que bom falar com vocês de casa.
11:30Um pouco sobre o Enem, sobre essa ansiedade, né?
11:33Que é tão comum com os estudantes.
11:35Então a gente vai bater esse papo hoje
11:37e falar como é que eles podem se preparar melhor,
11:41noites de sono mais tranquilas, entre outros.
11:44Virou o semestre e eles já ficam nessa preocupação, né?
11:46Que tá chegando o Enem em reta final.
11:48Ainda falta estudar muita coisa.
11:50Como é que nesse momento, a gente tá em setembro,
11:53o Enem é daqui a mais ou menos dois meses.
11:55Como é que eles devem se portar hoje, né?
11:58Assim, estudar muito, distribuir as tarefas ao longo da semana.
12:03Exatamente.
12:04O Enem, ele é uma prova, uma avaliação
12:07que requer muita expectativa.
12:09Então muitas vezes o jovem ali, o estudante,
12:12ele tá pensando sobre o futuro,
12:14ele tá vivendo as suas próprias cobranças.
12:16As coisas, as cobranças da família, né?
12:18Então como me organizar?
12:20Como é que eu posso montar um esquema de estudos melhor pra mim?
12:25Então isso é um desafio muito comum.
12:27Nesse momento, assim, eles, o que é que eles devem fazer?
12:30Eles devem ter um dia na semana de descanso mental?
12:33É importante que eles passem um dia sem fazer nada
12:36ou fazer atividade?
12:37Ou não, estudar todos os dias de domingo a domingo.
12:39Como é que eles distribuem, equilibram aí o estudo e o descanso?
12:43Ótimo.
12:44Eu costumo dizer que, assim, o Enem, ele é uma prova
12:47que requer muitas expectativas.
12:49Tanto do estudante, quanto da família, né?
12:53Daquele próprio estudante.
12:54Sim.
12:54E existe um mito muito recorrente de que, assim,
12:57quanto mais próximo da prova, mais o aluno deve estudar,
13:02está, né?
13:03Então, a nossa orientação é que ele procure sempre revisões,
13:10exercícios, questões, que fiquem atentos às cobranças internas.
13:17Sim.
13:17Como a ansiedade, muitas vezes, ela...
13:21Domina a pessoa, né?
13:23Assim, essa ansiedade, ela domina a gente
13:25e faz com que a gente fique sem conseguir fazer nada, né?
13:30E fique naquele turbilhão de emoções, né?
13:33Vou estudar, domingo tenho que estudar.
13:35Tem que ter essa pausa no meio da semana, esse respiro.
13:38Tem que ter uma pausa no meio da semana,
13:40tem que ter um descanso,
13:42porque o cérebro, ele precisa de descanso.
13:45É justamente no sono que a aprendizagem é consolidada.
13:49Então, é muito importante que tenha uma boa noite de sono,
13:54tenha momentos de lazer, tenha momentos com a família, né?
13:58Não apenas passar muito tempo, longas jornadas.
14:03Se trancar ali no quarto, não, né?
14:05Tem que ter esse momento...
14:06É importante ter os momentos de pausa.
14:10Entendi.
14:11Os momentos onde ele pode respirar.
14:13Criar um cronograma de estudos ali na semana, né?
14:15E aí, nesse cronograma, coloca ali, ó,
14:17esse momento aqui é o momento que eu vou para o cinema.
14:19Exatamente.
14:20Que eu vou para a casa da namorada, que eu vou descansar.
14:23Agora, a pressão da família.
14:25A família perguntando, já estudou? Vai estudar? Vai para onde?
14:28Isso atrapalha? Ajuda ou coloca ali no eixo? Como é?
14:32A família tem um papel fundamental nessa jornada.
14:35A gente não pode esquecer a família.
14:37E muitas vezes, essa família, esse pai, essa mãe,
14:41também está com a expectativa muito grande, né?
14:43E aí, às vezes, vem a cobrança em forma de...
14:47E aí, você estudou? E aí, você já fez seus questionários?
14:51Muitas vezes, até a comparação.
14:54Ah, com o primo, a comparação com alguém que já está na universidade.
14:58E fora a cobrança da família, o estudante também está se cobrando.
15:03Então, eu sempre oriento para que as famílias cheguem perto,
15:07perguntem assim, olha, o que é que você precisa?
15:09Eu posso te ajudar nessa jornada?
15:12O que é que a gente pode fazer para deixar a sua rotina mais leve?
15:18Porque existe a cobrança social.
15:21Mas, a gente tem que botar no eixo também.
15:23É, tem que botar no eixo também.
15:25Tem que botar no eixo, às vezes, esses meninos que...
15:28Não, eu vou estudar, amanhã eu vou, amanhã eu estudo, sei o quê.
15:32Tem que dar um...
15:32Fazer um acordo ali, olha, meu filho, estou pagando, é barato.
15:36Por favor, atenda as expectativas, né?
15:39A gente está proporcionando tudo aqui para você, mas faça valer, né?
15:43Tem que dar um jeito de dar um chamado, tem que ser um pouco mais...
15:46E nessa rotina, nessa rotina final, né?
15:48Nessa jornada final, é muito importante que eles estejam respondendo questões,
15:54estejam...
15:54Sim, a estratégia, né?
15:56Criar a estratégia, mudar o pensamento de, ah, preciso estudar excessivamente
16:03para esse pensamento de, olha, preciso criar estratégias, né?
16:08E hoje em dia, trazendo um pouquinho para a realidade agora de todos os estudantes, né?
16:12Hoje em dia tem muita competição de Olimpíada,
16:14Olimpíada de Matemática, de Raciocínio Lógico, de Português, né?
16:18Então, a escola fica o tempo todo mandando para a criança fazer
16:21e tem que estudar para a Olimpíada e aula de reforço e aula daquilo, não sei o quê.
16:24As crianças hoje estão sofrendo uma pressão, assim, muito grande, né?
16:29Desse sistema que quer que elas tenham um ótimo desempenho, um alto desempenho o tempo todo, né?
16:34E onde é que fica ali o equilíbrio com o momento que ela tem que socializar,
16:38que ela tem que brincar, que ela tem que viver?
16:40Perfeito, Thaís, vejam só.
16:42Eu entendo que essas Olimpíadas, o reforço escolar, muitas vezes é um treinamento, né?
16:49É uma possibilidade para a criança, né?
16:54Aprender mais aquele conteúdo da escola.
16:56Mas, muitas vezes, o intensivo, né?
17:03Colocar a criança para encher todos os horários da criança acaba sendo prejudicial, entende?
17:09Porque a criança, ela precisa brincar, a criança precisa de ter tempo,
17:14precisa vivenciar a criatividade, né?
17:19O tédio, muitas vezes, né?
17:20Porque o tédio é criativo, é onde a criança cria, exerce a criatividade.
17:26Exatamente.
17:27Então, a gente vê que muitos adolescentes, muitas crianças, às vezes, apresentam um quadro de ansiedade,
17:33também porque estão com a rotina super agitada, preenchida.
17:39Rola, natação, inglês, balé, reforço, aula particular.
17:43E aí, quando vai ver, em que momento a criança vai brincar, né?
17:47Em que momento a criança vai ficar sem fazer nada, né?
17:52Aquele soninho gostoso da tarde que a gente tem, né, Dola, quando chegar na escola.
17:56Muitas vezes, a criança chega até na escola cansada.
18:00Então, como é que ela vai render?
18:02Então, às vezes, a criança, ela não está apresentando uma boa nota.
18:07Às vezes, não é por uma questão do aprendizado.
18:10É uma questão que ela está cansada mentalmente.
18:12Então, já chega na escola, aí a rotina totalmente preenchida.
18:17Então, isso tem causado algumas dificuldades em muitas crianças hoje em dia.
18:23Então, é importante ter esse equilíbrio, né?
18:25Porque hoje a gente vê muitas escolas, né?
18:28Que, às vezes, na melhor das intenções,
18:31mas que estão treinando uma criança de 9, 10 anos para um vestibular.
18:34Isso, exatamente.
18:35Porque a criança está muito longe de chegar, né?
18:36Exatamente.
18:37A criança tem aquela rotina de estudo, de simulado, de questão disso.
18:40Aí, vem a cobrança já desde criança, desde pequena.
18:43Porque, né, criança também tem depressão.
18:46Com certeza.
18:46Criança também tem depressão.
18:48E, muitas vezes, a família não percebe que aquela criança ali, ela é depressiva.
18:53E vem essa rotina de estudo, a cobrança por resultado.
18:56Cada vez mais jovem, cada vez mais novo.
18:58É a criança que já tem que saber falar inglês, muito nova.
19:01É a criança que tem que ter um desempenho em Olimpíada, né?
19:05E a gente fica se pensando, que tipo de adulto a gente está querendo que essa criança seja, né?
19:11Um adulto que o tempo todo quer trazer um resultado, o tempo todo tem que ter alta performance, né?
19:17E quando esse adulto falhar, como é que vai ser, né?
19:19Como é que vai ser a reação da família?
19:21Você falou uma palavra, assim, fundamental, a performance.
19:25Muitas vezes, a gente está vivendo a sociedade da performance, né?
19:27E isso acaba ficando também no imaginário infantil.
19:33Então, a criança, às vezes, precisa sempre mostrar o melhor.
19:38Não pode ser ela, porque ela precisa sempre estar performando também.
19:42Então, isso na cabeça de uma criança, de um adolescente,
19:47que não consegue alcançar as expectativas da família, as expectativas do pai,
19:51ela acaba se frustrando, né?
19:53E essa frustração vai se internalizando.
19:56Não é um problema se frustrar.
19:57Todo mundo precisa se frustrar.
19:59Mas essa frustração e o não alcance, né?
20:04Eu nunca vou conseguir alcançar aquilo que os meus pais almejam.
20:08Muitas vezes, não é dando direção à criança,
20:11mas é dizendo, olha, você precisa chegar aqui, né?
20:14E a criança não consegue se identificar com aquilo, muitas vezes.
20:18Muitas vezes, os pais querem realizar os sonhos deles nos filhos, né?
20:23Projetam o que eles queriam ter tido nos filhos.
20:26E aí é que começa todo o babado, né?
20:29Sabeli, muito obrigada pela sua participação aqui no programa, viu?
20:32Volte sempre.
20:33Obrigada, obrigada, pessoal.
20:36E olha, obrigada pelo carinho da sua audiência.
20:38Amanhã, a gente se encontra aqui na TV Tribuna, às 8h35 da manhã, tá?
20:43Cheiro!
20:47Cheiro!
20:47Cheiro!