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  • há 2 dias
Com 120 mulheres em formação, projeto nacional cria canal direto com Brasília e lança aplicativo desenvolvido na Ufes que permite pedir medida protetiva por áudio no celular.
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Transcrição
00:00A gente continua falando então sobre a ajuda e também o acolhimento a vítimas de violência contra a mulher.
00:06Muitas mulheres em situação de vulnerabilidade social não sabem a quem recorrer ou como ter acesso à justiça
00:14para falar então sobre este caso de trabalho, de orientação e apoio nas comunidades.
00:19A gente conversa ao vivo então com a Fernanda Kouzemenko, que é a coordenadora estadual do projeto de defensoras populares
00:30e pesquisadoras do Fordanda UFES.
00:33Seja bem-vinda aqui ao estúdio do Brasil Gente Espírito Santo, coordenadora e pesquisadora Fernanda.
00:39Seja bem-vinda.
00:39É um tema muito triste que nós estamos debatendo hoje aqui.
00:43Chama muita atenção, mas é importante a gente falar dos caminhos.
00:46A Tainara acabou de trazer então duas opções, tanto do lado da justiça, do lado também da própria defensoria pública,
00:53que tem esses canais de buscar ajuda.
00:55Agora, como é que funciona esse projeto?
00:58As defensoras, elas são pessoas da própria comunidade?
01:01Elas entendem então essa realidade?
01:03Por quê?
01:03Pelo que você estava me contando, é um projeto novo.
01:06Chegou recentemente aqui ao Estado.
01:09Chegou no início desse ano.
01:10E ele tem um canal direto com Brasília.
01:14Com o governo federal.
01:15Não é com o governo do Estado, nem com a Polícia Militar, nem com a Polícia Civil.
01:18É um canal seguro e direto com o governo federal.
01:22Como é que funciona isso?
01:23Seja bem-vinda mais uma vez.
01:24Boa tarde para você.
01:25Boa noite.
01:26Boa noite.
01:27Boa noite, Vinícius.
01:27Obrigada pelo convite.
01:28Sim, o projeto Defensoras Populares é um projeto de âmbito nacional.
01:33Ele acontece em 10 estados.
01:35E aqui no Espírito Santo, a gente começou em meado...
01:38Ele foi lançado, na verdade, em junho.
01:39A equipe vinha fazendo um trabalho interno no começo do ano, mas ele foi lançado em junho.
01:43Ele está formando...
01:45O que é o projeto?
01:46Ele faz a formação em direitos humanos para 120 mulheres.
01:52Então, nós temos hoje uma turma de 120 mulheres de vários territórios do Espírito Santo.
01:56E o foco são lideranças mulheres.
01:59Então, mulheres que já fazem esse trabalho de enfrentamento à violência, de acolhimento a mulheres que sofrem violência.
02:05E também mulheres em situação de vulnerabilidade.
02:08Então, a gente tem esse público, estamos divididos em três núcleos.
02:11Tem o núcleo Vitória, o núcleo Serra e o núcleo São Mateus.
02:14Isso em todos os estados do Brasil também, é nessa... na capital e outros dois núcleos no interior.
02:21Então, o que é essa formação?
02:23É um percurso formativo de oito módulos.
02:25E ao final, cada uma das cursistas pode fazer isso individualmente ou coletivamente, que é o mais interessante.
02:31Elas vão fazer um plano de ação territorial.
02:34Então, é um plano de articulação no seu território, um plano de ação comunitário.
02:39O que é o objetivo?
02:40Ao longo do percurso, a gente vai trocando entre as mulheres para que elas mostrem quais são as principais fragilidades
02:47do seu território.
02:48Então, quando vocês falam aqui nessas matérias tão impactantes, o acesso à justiça, como que essa mulher consegue?
02:54Muitas das vezes ela não consegue.
02:55Ela sofre uma violência ou ela tem uma parente, uma amiga que sofreu uma violência?
02:59Eu já me vi nessa situação no passado, você não sabe o que fazer.
03:03Vai para a delegacia, chega na delegacia, essa mulher é revitimizada.
03:06Então, é muito importante a gente falar desse termo revitimização, porque isso acontece muito, principalmente com mulheres negras e mulheres
03:13de periferia.
03:15Muitas vezes ela, no desespero, não articula muito bem o que ela está sentindo, ela fica muito fragilizada.
03:21E o racismo e a misoginia que a gente tem na nossa sociedade se refletem nessas instituições,
03:26que a gente fala o patriarcado e o racismo, e ela chega lá, ela é revitimizada, ela volta para casa
03:31sem conseguir o seu boletim de ocorrência.
03:33Ou quando ela consegue, como eu vi o caso que vocês estavam mostrando, ela tem 37 boletins de ocorrência.
03:38E aí? E a justiça foi feita? Ainda não. Ela continua vítima.
03:42Então, o objetivo desse projeto é, sabendo desse retrato, o Ministério da Justiça, que é um projeto em Brasília, do
03:49Ministério da Justiça e da Fiocruz.
03:52Então, ele tem uma pegada muito prática de acesso à justiça, como você falou, como que faz esse acesso?
03:58A gente está vinculado... Ai, bati no microfone, desculpa.
04:01Eu vou até te interromper, coordenadora, porque eu queria que a senhora explicasse, até mesmo para essa câmera aqui, a
04:06câmera 1 que a senhora está posicionada,
04:08para essa mulher que hoje, ela está em casa, vítima de violência, às vezes ela mora numa área de periferia
04:14aqui da Grande Vitória,
04:16você disse que tem três núcleos, Serra, São Mateus e Vitória.
04:20Essas pessoas que moram em uma dessas regiões, por exemplo, está sofrendo, sofreu uma violência, o que ela deve fazer?
04:28Porque ela tem medo de procurar a própria polícia, por não acreditar tanto na polícia, não quer chamar a polícia
04:34militar,
04:34tem medo desse agressor voltar e tirar tudo que ela, às vezes nem o pouco que ela tem.
04:38Então, o que você explicasse para essas pessoas que estão assistindo a gente agora em casa,
04:42como é que elas podem fazer isso para te acessar, chegar até você e ou uma dessas mulheres que são
04:48essas defensoras das próprias comunidades?
04:50Certo. Eu estou aqui também como pesquisadora do Fordan.
04:53Eu até perguntei a você se a gente poderia mostrar o aplicativo do Fordan, que a gente conseguir mostrar isso
04:58aqui futuramente.
05:00Porque, assim, essa mulher que está em um desses territórios, a gente tem um núcleo Vitória, mas ele abrange o
05:05sul do estado,
05:06o estado todo está contemplado, mas as aulas acontecem nesses núcleos.
05:10Então, se ela está ali, uma ferramenta que a gente orienta é o boletim de ocorrência online,
05:16porque muitas vezes ela está muito fragilizada e se ela for na delegacia,
05:19tem mulher que não tem dinheiro para ir na delegacia, ela não tem como pegar ônibus.
05:24A gente tem casos no Fordan também, que é um projeto parceiro do Defensoras, o programa de extensão da UFIS,
05:31onde a mulher conseguiu chegar, de alguma maneira, na delegacia,
05:36lá é revitimizada, é xingada, é falado, abre as pernas direito para ele, que ele vai parar de te bater.
05:42E aí, na hora de voltar para casa, continua sem dinheiro, não há um sistema de assistência social que ajude
05:48ela nisso,
05:48e a mulher volta dentro do carro da polícia junto com o agressor.
05:53Então, assim, a coisa mais importante, se eu puder resumir numa frase,
05:58é quando você for procurar ajuda, quando você for denunciar uma violência,
06:02e não é só violência física, como você bem colocou, violência patrimonial, violência moral, violência psicológica,
06:09acione a sua rede de apoio.
06:12Você só deve fazer uma denúncia se você tiver uma rede de apoio acionada.
06:15E o que é essa rede de apoio?
06:17Pode ser a família, se a família te apoiar, porque tem família também que fala,
06:20não, minha filha, aguenta, é assim mesmo, casamento é assim, homem é assim mesmo.
06:23Então, você tem que ter uma rede de apoio que entenda a sua necessidade
06:26e te apoie para você sair da situação de violência.
06:29Se a igreja vai fazer isso, ótimo, vai com a igreja.
06:31Se a igreja falar que você tem que perdoar, então repensa se isso aí é uma rede de apoio
06:35ou só vai te manter no mesmo lugar.
06:36Enfim, precisa denunciar, acione uma rede de apoio, não vá sozinha.
06:41Mas se ela não tem essa rede de apoio, o que ela faz?
06:44Porque às vezes é só uma mãe com os dois filhos que presenciaram, inclusive, todas essas agressões.
06:49Porque é uma violência também que atinge essas crianças.
06:52A rede de apoio pode ser de duas formas, isso eu estou falando no âmbito do programa
06:56Fordan da UFIS e do projeto Defensoras Populares da Fiocruz e do Ministério da Justiça.
07:00Se você tem rede de apoio, que pode ser a família, pode ser a igreja, pode ser, ou pode ser
07:06a Defensora Popular.
07:07O que são essas 120 mulheres?
07:09São mulheres, a maioria delas, algumas estão em vulnerabilidade, não estão ainda tanto com esse papel, mas muitas estão.
07:14Então, se você conhece uma mulher na sua comunidade, que ela é rede de apoio,
07:19e a gente conhece muito, entre as Defensoras tem muitas.
07:21A gente pergunta para elas, quando uma mulher sofre uma violência, apanhou, está com risco de ser assassinada,
07:28o que acontece?
07:28Ela me procura.
07:29E o que você faz?
07:31Eu vou com ela na delegacia, eu aciono, faço uma vaquinha, compro uma passagem para ela ir embora,
07:37a gente ajuda a alugar uma casa para ela sair da casa do agressor, a gente faz uma cesta básica.
07:42Então, assim, rede de apoio.
07:43Pode ser aquela liderança, pode ser aquela Defensora Popular que está no seu território,
07:47e aí cabe a cada uma saber se existe essa pessoa.
07:49Se ela não tem, uma ferramenta que a gente tem é o aplicativo do Fordan,
07:54que depois vocês puderem colocar, que aí ela vai fazer sozinha.
07:59Então, assim, a gente desenvolveu esse aplicativo, eu estava no Fordan na época, desde 2023.
08:03Então, a gente foi entendendo como que a mulher pode usar o celular e o aplicativo para se proteger.
08:08E elas falavam com a gente, tem vezes que eu tenho que me trancar no banheiro na hora que ele
08:12der uma saída e eu vou lá.
08:13Então, ela não tem tempo de fazer um cadastro muito longo,
08:16como é o caso, por exemplo, de existem várias ferramentas online para ajudar a mulher em situação de violência,
08:21mas ela tem dificuldade.
08:22Aquela mulher que não tem um celular muito bom, que não tem um grau de instrução elevado, ela tem dificuldade.
08:27Ou até mesmo o parceiro, o companheiro quebrou esse celular, né?
08:30Exatamente. Então, pelo aplicativo, se ela tiver, enfim, alguns minutinhos, ela consegue por áudio.
08:37Ela vai preenchendo os dados dela por áudio.
08:39É uma porta de entrada para conseguir chegar até as defensoras.
08:42Meu nome é esse, eu estou precisando de uma medida protetiva.
08:44Pronto, foi o que ela conseguiu fazer.
08:45Isso vai chegar na equipe que está lá, a equipe vai entrar em contato com ela,
08:50se ela conseguiu colocar os dados e aí vai fazer o pedido de medida protetiva.
08:55Rede de apoio. Precisou de ajuda? Procure uma rede de apoio.
09:00Porque se você for sozinha, você pode ser revitimizada, infelizmente.
09:05Coordenadora, pesquisadora Fernanda, muito obrigada pela sua participação.
09:08É importante a gente colocar aí o link do Fordan, que é do aplicativo.
09:13Aí, olha só, é o www.fordan.com.br.
09:18É isso mesmo, eu estou conseguindo ler de longe aqui?
09:20É, e pela Play Store, porque ele por enquanto está só no Android,
09:23então ele tem essa carinha aqui, depois a gente pode colocar.
09:26Eu vou tentar posicionar aqui, dá para a gente fazer isso aqui, Rony?
09:29Você consegue, olha aqui, olha.
09:30Isso.
09:31Então, se você for pela Play Store e digitar app, aplicativo Fordan, com N no final,
09:38você consegue baixar.
09:39Obrigado, então, viu, Fernanda, pela sua participação.
09:42A gente agradece muito a sua ajuda.
09:44Vou devolver o seu celular, não vou levar para casa, não.
09:46Obrigada.
09:46É importante reforçar esse cuidado com as mulheres e ao nosso papel como jornalista
09:50e com o jornalismo diário que nós fazemos aqui.
09:53Obrigada.
09:54Então, parabéns.
09:54Obrigada, viu?
09:55Obrigada.
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