00:05Então, isso vem de compasso da minha formação.
00:08Eu sou formada em padaria, cozinha e confeitaria, pela leitura do Zé Paris,
00:14tendo iniciado em Londres.
00:15Depois senti a necessidade de ir para Paris, onde eu trabalhei com os melhores chefes
00:19e das casas mais renomadas.
00:21Primeiro Palácio de Paris, de De Mourice,
00:24chefes de cozinha Alain Ducasse, Cédric Gouroulet.
00:27Porque foram meus chefes que me inspiraram e que me mostraram que existia
00:32toda uma Amazônia envolvida na alta gastronomia.
00:35Foi quando eu pensei, meu Deus, estou vendo os meus produtos da minha terra,
00:39então tenho que voltar para lá.
00:40E traduzi isso com uma alma amazônica, a técnica francesa,
00:44que é onde eu sou especializada, que é o que eu sei fazer,
00:47mas com uma alma e uma interpretação minha, muito nossa, daqui da Amazônia.
00:51A gente pensou no ambiente em que a própria comida pudesse se destacar
00:56mais do que o próprio ambiente.
00:58É um ambiente que diz muito com a gente, que é esse escandinavo brutalista.
01:03Então a gente pensa que traduz essa ideia também de contemporaneidade.
01:08É claro que a gente coloca alguns elementos que sejam nossos,
01:11como todo imobiliário daqui.
01:13Foi construído pelos artesãos da Ilha do Cumbu,
01:17a parte que diz madeira, que foi a mesma pessoa que fez a minha casa.
01:20As mesas a gente construiu com artesãos locais também,
01:24essa mesa a gente que construiu.
01:25Então várias coisas a gente foi construindo da nossa,
01:27ou coisas que eu trouxe na minha casa,
01:29então isso significou muito para mim, porque estou na minha casa,
01:32uma mesa, um sofá, ou esse banco.
01:35Então ele é um espaço que é casa para a gente,
01:38que é nada mais, nada menos do que a hospitalidade.
01:41É você receber na sua casa.
01:43Então a gente entende que quando o cliente chega aqui,
01:45ele está na casa, na nossa casa,
01:47e que a gente precisa dar todo esse acolhimento para eles.
01:50Todas as técnicas aqui são francesas,
01:52e claro que com produtos daqui,
01:54e com produtores daqui, né?
01:56E a mão de obra daqui é que começamos do zero.
01:58Todas as pessoas que estão aqui são formadas do zero pela gente.
02:01Então isso é muito característico também,
02:03porque a gente acaba imprimindo uma interpretação nossa,
02:06por mais que a receita seja francesa.
02:08E nós temos duas receitas brasileiras na casa,
02:11que é o Molhadão e o Molhadinho,
02:12que são os únicos bolos brasileiros tá.
02:15Mas, por isso, a gente consegue fazer essa junção,
02:17assim, muito legal,
02:19com o croissant parma marajó,
02:21que é um croissant que a gente recheia com o queijo do marajó,
02:24fazenda são frita,
02:25que é um queijo super premiado,
02:26inclusive na França,
02:27que é o tipo creme, delicioso,
02:29com o parma italiano,
02:31também sem conservante, sem corante,
02:33com uma cura de 11 meses incrível,
02:34só no sal.
02:35E que é bem a expressão do que a gente quer ver aqui, né?
02:38E a gente faz uma calda com o cumaru pra jogar em cima.
02:42Então, ele é um produto aí muito híbrido, né?
02:46Extremamente francês,
02:47mas com produtos locais também,
02:49então faz uma composição muito agradável,
02:52o nosso palmechefe, na verdade.
02:53A orelha, que é a palmier, né?
02:55Que chamam palmier lá pra gente,
02:56a orelha aqui,
02:58a palmier justamente porque ela lembra umas palmeiras.
03:00É um produto também, assim,
03:02que é muito popular.
03:04A nossa palmier é feita com manteiga francesa,
03:05com farinha francesa,
03:07e a gente utiliza muito pouco açúcar,
03:09praticamente zero, assim.
03:11Eu diminuo toda vez o açúcar,
03:13preocupado sempre com a saúde dos clientes, né?
03:16Utiliza também nas bebidas do ar,
03:18muitos produtos daqui.
03:19O mel, que vem da fazendinha,
03:21das abelhas sem ferrão.
03:22Então, são muitas coisas que envolvem os produtores locais.
03:25O broto, que vem de Santa Isabel,
03:28os ovos que são orgânicos e de galinhas livres,
03:31que vem de Santa Isabel também.
03:33Então, a gente tem toda uma rede de produtores,
03:35de pequenos produtores locais,
03:37que nos suprem das coisas que a gente precisa
03:39com muita, muita qualidade.
03:41Eu adoro também lembrar
03:43que a gente teve há 100 anos atrás
03:44o período da borracha,
03:46que é conhecido como o Belle Epoque,
03:48e que agora a gente pode estar vivendo uma nova Belle Epoque,
03:50uma Neo Belle Epoque, de fato, né?
03:53Com outros olhares,
03:54que é trazendo esse olhar gastronômico técnico,
03:57extremamente,
03:58misturando com as nossas coisas ancestrais,
03:59com as nossas regras ancestrais.
04:01Mas também é legal fazer esse crocadilho,
04:04de pensar como uma nova Belle Epoque,
04:06onde o Belém está se ressurgindo
04:09e vai conseguir atrair turistas
04:11através da gastronomia,
04:12assim como a França fez, né?
04:13Então, falar em gastronomia francesa na Amazônia
04:17é tão clássico.
04:18Paris da América, Belém,
04:20olha o chato da paz.
04:22Então, assim,
04:23parece uma casa francesa essa cidade.
04:25Esse é o meu ponto.
04:26Não, acho que lá a gente não tem muito esse costume
04:28de comer muito crocadilho recheado,
04:29mas eu acho que esse que é o diferencial, né?
04:31Com o queijo maré do Lara,
04:32com os produtos mais na nossa região.
04:34Eu acho que é importante a gente
04:37gostar do que é nosso,
04:39mas misturando com o que pode ser de fora,
04:40mas lembrando que é paraense.
04:43O que é que você achou o meu ambiente?
04:45Ah, incrível!
04:46Na verdade, eu estou aqui,
04:48eu cheguei dia 3 de julho,
04:49então eu não consegui tomar um flat white, né?
04:51Porque eu gosto muito de café.
04:52E não tem em nenhum lugar.
04:53Eu estava desesperada,
04:54porque o Frisal tomou um café,
04:55o Frisal tomou meu flat white.
04:57E aí achei que está incrível.
04:58Está maravilhoso.
04:59Tchau, tchau, tchau.
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