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AprendizadoTranscrição
00:26O assunto era
00:29só política. Qualquer outro assunto
00:31que você colocava, ele não tinha
00:35audiência, as pessoas
00:36não estavam interessadas nisso.
00:37Então nos forçou automaticamente
00:39a entender um pouco de política.
00:41Eu tinha ido quando era bem pequena
00:43com os meus pais em comício do PT
00:45e coisa e tal, mas
00:46meu pai teve uma atuação no Partido
00:49Comunista, mas depois já não,
00:51não era um do PT nem nada.
01:03Eu tinha participado
01:04dos atos contra o aumento da passagem
01:06já em 2011, que também
01:08já foram, na minha opinião,
01:10já um reflexo de um movimento
01:11mundial de lutas que já existia
01:14e tudo mais, mas que evidentemente
01:15não tiveram a
01:18dimensão que junho de 2013 alcançou.
01:20Porque um dia eu pensei assim,
01:22ah, é pelos 20 centavos, 20 centavos, 20 centavos.
01:24Não, peraí, não é pelos 20 centavos.
01:38Em 2013, não foi um movimento só da esquerda.
01:42Você tinha esquerda, você tinha
01:44extrema-direita, você tinha
01:45grupos totalitários, você tinha
01:47grupos nazistas, convivendo
01:50num mesmo espaço público.
01:52E o policiamento, nesse momento,
01:55nunca havia visto algo semelhante.
01:58Não estava um clima leve, festivo
02:01ou nada do gênero, entendeu?
02:04Estava uma coisa muito pesada.
02:06Um clima de revolta, eu acho.
02:09Eu acho que era um clima de revolta.
02:11E muita gente nova,
02:13nova tanto em idade
02:14quanto nova de cara, assim,
02:17de gente que eu nunca tinha visto
02:18na vida.
02:20Mas a luta é pelo passe livre!
02:23É pelo passe livre!
02:27O P.A.
02:28O P.A.
02:29O P.A.
02:30O P.A.
02:30O P.A.
02:31O P.A.
02:32O P.A.
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02:35O P.A.
02:36O P.A.
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02:37O P.A.
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02:38O P.A.
02:39O P.A.
02:39O P.A.
02:40O P.A.
02:40O P.A.
02:402013 é sui generis.
02:432013 foge ao padrão de qualquer outro evento que o Brasil teve,
02:47eu acredito, nos últimos 50 anos.
03:07Em junho a gente viu isso sendo implodido, uma chegada de outros atores com outros signos,
03:13outros cartazes, outras vestimentas, a gente já viu os camisas amarelas.
03:19Nessas manifestações, pessoas muito jovens, eu lembro de ver um grupo de skatistas chegando,
03:30muito jovem mesmo, uma diversidade de palavras, uma diversidade de cartazes, que é quase uma
03:41pluralidade de vozes muito grandes.
03:44Que tipo de coisa te chamou a atenção e que você fotografou?
03:51Tinha desde, eu sempre lembro da tomada de Três Pinos, mas eu nem sei se isso foi aqui
03:57em Belo Horizonte, vocês já ouviram falar, mas não é daqui não, né?
04:00Pela volta da tomada de Três Pinos, bom, isso constitui o meu imaginário sobre junho,
04:08esse cartaz.
04:28Ficara, porque a gente está lutando uma mudança para melhorar a cidade, melhorar o país.
04:39Vandalismo! Sem vandalismo! Sem vandalismo! Sem vandalismo!
04:48Eu fico dividido. Você sabe por quê? Eu sou brasileiro.
04:53A gente é pacífico.
04:57E, por outro lado, tinha algo que eu acho que está aí até hoje,
05:00que era um sentimento da elite e da imprensa e de todos esses grupos sociais associados,
05:08que era... O PT estava entalado na garganta.
05:12O Lula, nordestino, trabalhador, eles sempre falaram do dedo que ele perdeu no trabalho.
05:17Então, essa imagem é muito forte.
05:20Ah, o Bolsa Família...
05:28Olha aí, revoltado, o pessoal já estendendo a faixa aí.
05:36E aí, tudo bem, meu?
05:38É, estamos aí, o pessoal aí do revoltado.
05:41Olha a faixa aí, padrão nosso aí.
05:45Essa já é das antigas.
05:48Na realidade, nós tínhamos algumas pautas.
05:50Revolta contra maus-tratos contra animais,
05:53violência contra a mulher,
05:55degradação do meio ambiente,
05:56combate à corrupção e combate às drogas.
05:59Entendeu?
06:00E fora a pedofilia, que era o carro-chefe, né?
06:02Combate à pedofilia.
06:03Nós colocamos a faixa lá na frente do meu torneo, o senhor Daniel.
06:09E aí, os caras ficaram loucos.
06:11Chamaram a gente de fascista, vieram pra cima.
06:15Mas, beleza.
06:16Estamos que vamos, vamos que vamos, vamos continuar.
06:19Isso não vai parar até o pessoal acordar.
06:23Aí, uns vieram falar que o revoltado zonal era de direita.
06:27Por acaso, tem direita e esquerda nessa porra aqui?
06:30Então, quer dizer que essa manifestação aqui é de esquerda?
06:33Não, não é.
06:35O negócio é do povo.
06:36Você entendeu?
06:37Tem que acordar.
06:39Nós corremos lá do Lago da Batata aqui e conseguimos colocar a faixa bem lá na frente.
06:47Mas aí, alguns já vieram.
06:49Já vieram com agressão.
06:51Mas a gente conseguiu a nossa meta.
06:54Alguns fotógrafos tiraram foto.
06:56Eu consegui filmar.
06:57Saí rápido.
06:59Porque isso ia dar problema.
07:00O doutor Nelson aí.
07:02Que é do revoltado zonal.
07:04Mas os caras queriam pegar ele e pegar ele de pau.
07:08Mas tamo junto.
07:09A gente não vai desistir de mostrar que esse Lula mensalheiro é o chefe da quadrilha.
07:16E ele tem a raiz de todo esse mal aqui.
07:20Ele, Dilma, Zé Disseu.
07:22O Revoltados Online cresceu rápido nessa época.
07:26Então, em menos de um mês, a gente já estava com 5 mil, 10 mil seguidores.
07:31Então, foi muito rápido esse cipum do Revoltados Online.
07:38E aí, a gente chegou e eu comecei.
07:41Como eu tinha que colocar administradores para os assuntos,
07:45eu tinha que conhecer a pessoa também, não só pela rede social.
07:48Comecei a marcar na Avenida Paulista, em frente ao MASP.
07:53Onde nós temos ali o Charme, uma lanchonete.
07:56Onde nós nos reunimos a cada 15 dias.
08:00O povo acordou!
08:13Desde médico a empresário, a dona de casa.
08:18Todas as pessoas, assim, de classes diversas.
08:22Pessoas interessadas na política.
08:24E qual era a causa que aglutinava?
08:26A causa ficou mais no combate à corrupção.
08:29O alvo era contra a corrupção.
08:31Na época, a gente até não estava nomeando ninguém.
08:36Não era fora fulano, beltrano, não era contra ninguém mesmo.
08:39Era uma coisa mais pacífica e ordeira.
08:41O sem partido era um grito de alguém que estava vindo pela primeira vez
08:46naquela manifestação, que não tinha uma compreensão muito...
08:49A minha sensação não tinha uma compreensão muito profunda
08:52do que significava aquele sem partido,
08:55do quanto tinha de, também, autoritário.
08:57Na ideia de que eu não quero que tenha partido,
09:00como se a rua pudesse ter isso,
09:02como a impossibilidade de poder ter as duas coisas.
09:05Quem é de partido que tenha partido e quem não é que tenha.
09:08Enfim, mas o que tem de comum?
09:10Ali já tinha uma dificuldade muito grande
09:12desse entendimento das ruas.
09:14Mas era fruto desse novo tempo acontecendo,
09:16de gente vindo pela primeira vez,
09:17e de uma crise profunda da democracia,
09:20de uma crise profunda de identidade da democracia.
09:23Eu acho que o Antônio Carlos Magalhães
09:26foi para o Fernando Henrique Cardoso
09:27a mesma coisa que o Sarney foi para o Lula.
09:31Este modelo de governança,
09:34esta lógica de governança estava ruim em 2013,
09:37para todos os lados.
09:40E eu estou falando de dois governos
09:43claramente identificados ao processo democrático,
09:45eleitos e que funcionaram com as instituições democráticas.
09:49Com todas as crises que a gente possa ter,
09:50tanto do Fernando Henrique Cardoso quanto do Lula.
09:52Não interessa.
09:53Mas ninguém duvida que foram frutos de um período democrático.
09:57Mas este modelo de governança,
09:59essa lógica distanciada completamente
10:01da realidade cada vez mais cotidiana dessas pessoas,
10:05elas explodem em 2013.
10:32Eu sou um cidadão comum e quero reivindicar os direitos.
10:38Até porque em 2013 as pautas eram populares,
10:41não era pauta ideológica, não era pauta, digamos assim,
10:44voltada para uma corrente política.
10:47Eram direitos, era passagem,
10:49eram serviços públicos de qualidade,
10:51que no início a gente começou com uns 20 centavos,
10:53falando do aumento da passagem,
10:56que eram os grupos até do passe livre
10:58que começou e incitou tudo isso.
11:00Mas a pauta era muito maior.
11:02A gente não estava...
11:03Era para brigar só por causa da passagem.
11:05Fora o que você 말씀ira e mandou um pra ingrediente.
11:11Para APT!
11:15Sonho e de deplasório,
11:16Fora é de 27 mag fluta de Paru.
11:18Um, dois, três, quatro, cinco mil.
11:21Naquele vídeo lá que está em baixo!
11:26Vamos!
11:26Vai!
11:29Estão jogando a dor de terceiro fogo
11:33O povo unido jamais será vencido, o povo unido jamais será vencido, sem violência, sem violência.
11:46Se um cidadão qualquer furta qualquer tipo de coisa, seja por fome, ele é preso e ele tem que penar
11:54por aquilo que ele fez.
11:55Então se os corruptos fizeram desvio de verba, de dinheiro, eles têm que penar por isso que eles fizeram.
12:00O governo não é de um partido, ele pode ter o presidente de um partido, mas ele é um somatório
12:05de forças políticas.
12:07Então em todo governo você tem processos de disputas, você tem processos de disputas intra-governamentais e na bancada de
12:15sustentação política no Congresso.
12:17Quer dizer, eu tenho uma base heterogênea, eu tenho um ministério heterogêneo, então políticas se disputam.
12:23Não é porque um presidente da república é de um partido que ele consegue mesmo querendo implementar as políticas que
12:31são do seu partido.
12:32Então os partidos, eles têm que ser governistas, mas produzir políticas, tensionar políticas, não no sentido de romper com o
12:41governo.
12:42Porque dá a impressão que os partidos governistas, eles só conseguem fazer política contrária, são oposição.
12:48Então não é isso, você tem que tensionar e produzir políticas e caminhos.
12:52E o PT deixou de ter essa característica.
12:55A maior parte dos quadros dirigentes foi para o governo, está certo?
12:59E ele deixou de ser um partido de produção de políticas.
13:02Ele é um partido que seguia a reboque do governo.
13:05O governo produzia política e o PT não produzia política.
13:07Está errado, está errado.
13:10É claro que num sistema convencional de partidos políticos conservadores, isso é o normal.
13:15Agora, para quem quer transformar, o partido tem que produzir políticas, tem que ter uma vida autônoma em relação ao
13:21governo,
13:22até porque o governo não é dele.
13:24Se ele tiver esta compreensão, ele tem a visão errada.
13:26Comecei a minha militância política sempre contra os governos do PT e sempre em resistência às articulações que eram feitas
13:37em nome da tal da governabilidade
13:39e que na prática fazia com que muitos dos nossos direitos fossem rifados.
13:45Eu já dei aqui o exemplo do que tinha anti-homofobia e vários outros eram parte disso.
13:49Então a gente tinha uma relação que não era uma relação próxima.
13:53É evidente que não era a mesma coisa da relação que a gente tinha com o Alckmin, mas também era
13:58uma relação de oposição.
14:00A luta do MTST é por direito à cidade.
14:03Ela é uma luta que tem como foco a questão da moradia.
14:06Nós temos hoje quase 8 milhões de famílias sem casa no Brasil, é um dos grandes dramas.
14:12Mas nós temos a consciência e o movimento social, desde o seu princípio, sabe muito bem disso,
14:16que não se resolve o problema da moradia apenas construindo casa.
14:21Nós temos uma lógica de cidade e o tema da mobilidade aí é central e está muito ligado à especulação
14:27imobiliária.
14:28O que agrava o problema do transporte de milhões de pessoas nas grandes metrópoles brasileiras?
14:35O fato dos trabalhadores mais pobres sempre serem jogados para as regiões mais distantes,
14:41para as regiões mais periféricas, onde demoram uma, duas, às vezes três horas.
14:46Você pega a M. Boimirinha, aqui em São Paulo, no Fundão, onde teve manifestações em junho de 2013,
14:53e ver o tempo que as pessoas demoram para ir para o centro de São Paulo, no horário de pico
14:57é três horas.
14:58Agora, o Estado falta cumprir com o seu patrão, tudo com o povo,
15:04e principalmente aqueles que é esmagado pela estrutura desse Estado.
15:08Esse Estado...
15:11...também, na zona do Paraná!
15:16É isso aí, Tito!
15:19Então, está muito bonito, né?
15:21A gente, o pessoal, o Brasil...
15:23Salva de palmas para esses lutadores que vieram aqui na Paulista também!
15:29Uma salva de palmas para a cooperada das ocupações do centro!
15:38Nós, a Junta do PT, fomos desautorizados, naquele período, pela direção do PT, de participarmos.
15:44Nós não obedecemos a deliberação e fomos para a manifestação, porque a gente achava que o PT estava errado.
15:50Quem mais, além de você?
15:51Nós da Juventude do PT, porque isso...
15:54Tivemos em todo o outro país.
15:55Em São Paulo, a Junta do PT teve muito presente, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Porto Alegre.
16:01Essas capitais...
16:02As outras não tinham tanto, mas essas capitais nós se comunicávamos diariamente, então nós participávamos independente da direção do PT.
16:11Quando, por exemplo, eu vi alguém com bandeira e chegava e falava, bandeira não, isso não é uma história de
16:14partido, e começava a falar alto, as pessoas em volta compravam essa história e começavam a falar bandeira não e
16:21abaixavam.
16:22E como a gente estava de rádio, algumas pessoas, isso foi acontecendo por São Paulo inteiro.
16:27Ninguém deixou que nenhum partido viesse tirar partido dessa história, entendeu?
16:31Nós, várias pessoas, a sociedade civil organizada, nos reunimos e falamos contra a corrupção que está generalizada no país inteiro,
16:41porque é uma doença, é tipo um câncer.
16:42E eu achei que estava já na hora, passando da hora, que eu, como cidadão, tinha que também fazer minha
16:47parte, já que eu mexer com redes sociais, eu podia aumentar o alcance.
16:52Eu fui para ajudar e acabei sendo, assim, um dos protagonistas dessa militância.
16:57E até gente que nem era de partido, mas chegou lá com a camisa vermelha, também foi pedido para retirar
17:04a camisa.
17:04Então aí a gente falou, opa.
17:15Tá perdendo o foco, tá perdendo o foco, olha o foco, não é esse?
17:22Esse não é o foco, deixa os caras.
17:25Isso aí não é o foco, deixa os caras.
17:30Atação do terra, atação do terra, atação do terra.
17:39Já está lindo, né, Tati?
17:42Acho que não é.
17:49Sem partido, sem partido, sem partido, sem partido, sem partido, sem partido, sem partido, sem partido.
18:01Bom, em 2013 eu fui obrigada a ir para a rua, não tinha como me calar, porque no dia 30
18:06de maio nós sofremos uma arrastão dentro do meu restaurante.
18:09Foi um momento, assim, muito difícil ver os meus colaboradores e os meus clientes sendo atacados.
18:15E na hora eu liguei para a polícia e, tipo, dois minutos depois que eu liguei para a polícia, o
18:21cara que estava do lado de fora avisou.
18:23Opa, parou, acabou o tempo de vocês, vamos embora.
18:26Aquilo me levantou alguma coisa, uma pulga atrás da orelha.
18:29Fui para a delegacia, né, com todos os meus clientes que queriam fazer queixa e alguns colaboradores.
18:35E chegando lá eu vi a falta total de estrutura das polícias.
18:39Aquela noite, para mim, foi transformadora.
18:41Ao mesmo tempo foi uma noite de terror, foi uma noite onde eu me toquei, que eu precisava sair da
18:46minha zona de conforto e fazer alguma coisa.
18:48Não podia ficar quieta perante tudo aquilo.
18:50Eu vi que na polícia realmente as coisas iam ser mais demoradas.
18:54Tentei entrar em contato com o prefeito, consegui.
18:56Tive uma conversa com ele, conversei com o subprefeito, conversei com o diretor do DEIC e todos eles falaram a
19:03mesma coisa.
19:03Olha, nós queremos ajudar, isso é um crime que está acontecendo muito, mas ninguém quer depor.
19:08E no DEIC me falaram, né, que a maioria dos chefes de cozinha nunca queria dar uma entrevista falando a
19:14esse respeito.
19:15E para eu conseguir fazer alguma coisa eu ia precisar da união dos chefes.
19:19E aí, dessa forma, eu fui convencendo os chefes, os restauranteiros, né, as pessoas que trabalham no ramo,
19:25inclusive outras pessoas de outros ramos que tinham força também na mídia, na área de publicidade.
19:31E fui chamando todo mundo.
19:33Falei, gente, vamos fazer uma passeata dia 13 embaixo do MASP?
19:36Vamos nos juntar, a gente faz uma foto e a gente faz uma caminhada.
19:40Vamos parar as ruas e ver o que vai dar.
20:09Vamos lá.
20:13O grande centro disso tudo é que a democracia representativa no Brasil chegou num esgotamento
20:20desde o processo da redemocratização.
20:23Ou seja, quem era eleito para representar as vontades populares não estava fazendo isso.
20:27Porque se o Congresso tivesse conexão com a população, a gente não veria aquela cena
20:32das pessoas invadindo o Congresso como se fosse uma bastilha.
20:36Aquilo, para mim, é a cena mais marcante de 2013.
20:39Aquelas sombras na cúpula, o Itamaraty sendo destruído.
20:44E eu acho que, por pouco, as pessoas não invadiam aquilo ali e quebravam tudo.
20:48Sem a própria consciência de que aquilo é, de certa forma, a casa do povo.
20:52É onde estão os representantes.
20:53Então, acho que essa falta de conexão entre os agentes políticos do poder legislativo,
20:58e, sobretudo, gerou o problema.
21:00Os nossos governos tinham feito muito para dentro das casas, ou seja, a questão da fome,
21:07da própria moradia, a questão do acesso à universidade, tudo isso tinha sido conquistado.
21:13Mas aquilo que dizia respeito fora de casa, ou seja, da mobilidade urbana, muito pouco tinha sido feito.
21:19Pelo contrário, a produção em massa estimulada de automóveis, o financiamento, o estímulo ao consumo,
21:28tinha tornado mais grave o estresse urbano.
21:33Tinha piorado as condições de mobilidade.
21:36E que, portanto, pensava-se em trabalhar essa questão.
21:41A coisa só começa a mudar a nossa percepção quando, nas passeatas ali da Paulista,
21:49começamos a perceber que o tom estava mudando.
21:54A história do passe livre estava deixando de ser mais relevante
22:00e foi introduzido fortemente o tema da corrupção, o tema moral.
22:06Aí começou a saltar aos nossos olhos que havia alguma coisa estranha provocada de fora para dentro,
22:13em que um certo tipo de classe média conservadora estava começando a hegemonizar aquele movimento
22:21a tal ponto que o pessoal do passe livre mesmo começou a dizer que estava fora do movimento,
22:27tinha perdido, digamos, o controle.
22:33E aí
22:42E aí
22:48E aí
22:54E aí
22:56E aí
22:57E aí
22:59E aí
23:00E aí
23:04E aí
23:05E aí
23:06E aí
23:31E aí
23:35E aí
23:46E aí
23:47E aí
23:49E aí
23:56E aí
24:04E aí
24:09E aí
24:17E aí
24:19E aí
24:23E aí
24:28E aí
24:33E aí
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24:40E aí
24:43E aí
24:45E aí
24:46A CIDADE NO BRASIL
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