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Ao Pod+Social, a fundadora do Instituto Ponte, Bartira Almeida, detalha como o projeto acelera o futuro de jovens brilhantes e planeja dobrar o número de atendidos até 2030.
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Transcrição
00:03Este é mais um Podemais Social, eu sou Toma Boldrini, colunista do Jornal Tribuna e hoje
00:08recebo Bartira Almeida, fundadora e presidente do Instituto Ponte, considerada uma das melhores
00:14ONGs do Espírito Santo. Bartira, você é engenheira civil, segunda geração de uma
00:21tradicional família da construção civil capixaba e há 12 anos você resolveu se dedicar em tempo
00:27integral a uma ONG, uma ONG que atende crianças e adolescentes e que dá a elas uma chance
00:37de um futuro melhor. De onde veio essa vontade, essa inspiração?
00:44Tamara, primeiro, obrigada pelo convite de estar aqui contando um pouquinho da minha história,
00:49da história do Instituto Ponte e também tem que falar um pouco da Morar, que também faz
00:53parte da minha história. Essa inspiração veio de todos os privilégios que eu tenho.
01:01A gente estava discutindo a sucessão da Morar Construtora, meu pai perguntou se eu queria
01:05ser presidente. Não significa que eu seria, meu irmão sempre foi o meu par, eu estava
01:12próximo aos 40 anos.
01:14Já trabalhava lá na empresa há 20 anos.
01:17Lá eu comecei como estagiária e naquele momento eu era vice-presidente da empresa, passei
01:23como diretora técnica, administrativa, financeira e aí eu comecei a pensar o que eu queria fazer
01:30na segunda metade produtiva da minha vida. E naquele momento eu falei, ah, eu acho que
01:37eu posso seguir um novo caminho. E eu comecei a conversar com pessoas que tinham feito mudanças
01:45na vida e quem atuava muito no social falava que recebia mais do que dava. Então, assim,
01:53para mim, que sou engenheira, essa equação receber mais do que dá tinha muito sentido para
01:58mim. Então, e aí, olhando hoje, eu gasto 70% do meu tempo como voluntária do Instituto
02:06Ponte e gasto 30% do meu tempo nos órgãos de governança da Morar. Hoje eu sou presidente
02:13do Conselho da Morar.
02:15Nossa, fiquei até arrepiada, assim, né, dessa equação, né, a gente fazer o bem, a gente
02:22recebe mais. Como é que funciona, assim, vamos falar também do, como funciona o Instituto
02:28Ponte, assim, para as pessoas entenderem, né, é um instituto, ele atende a, como é, conta
02:33para a gente um pouquinho da dinâmica.
02:36A equação que eu mais gosto de falar é que a gente é como se fosse o olheiro do campo
02:41de futebol, só que a gente é o olheiro dentro das escolas públicas. Então, a gente
02:46pega aquele aluno que tem uma inteligência acima da média, renda familiar no máximo
02:52de um salário mínimo e meio per capita e que ele tem muita vontade de vencer pela
02:59educação. Então, selecionado esse aluno, que é bem concorrido, assim, esse ano tivemos
03:052.400 inscritos para 140 vagas, inscrições de todo o Brasil, o aluno entrou no Instituto
03:15Ponte. A gente consegue parceria nas melhores escolas particulares e, no contraturno escolar,
03:24a gente ensina para o aluno aquilo que eu aprendi em casa, na minha mesa do almoço. A gente
03:29fala sobre profissões, a gente fala sobre sonhos. Ele tem uma inteligência muito diferenciada,
03:34mas as referências dele, normalmente, ninguém na família dele fez curso superior, no bairro
03:41dele são trabalhos de ensino médio e a gente começa a ensinar, olha, com essa inteligência
03:46que você tem, você pode fazer faculdade em São Paulo de graça. Acabou de sair o resultado
03:52do INSPER agora, mais cinco alunos passaram no vestibular, temos mais de 20 alunos estudando
03:58lá, que foram onde os meus filhos estudaram. Então, eu tenho alegria de poder oferecer
04:05para várias pessoas algo muito parecido com o que eu ofereci para os meus filhos. Então,
04:11além de uma escola particular, curso de inglês, a gente tem apoio de psicólogos, de pedagogos,
04:19ensinar a estudar, temos que ensinar novas referências. E a gente acompanha o aluno desde
04:26o final do fundamental ou médio, dependendo de quantos anos ele entra, até a conclusão
04:31da faculdade. E o propósito do Instituto Ponte é ascensão social em uma geração.
04:39Assim, eu não sabia antes do Instituto, no Brasil, segundo a OCDE, são nove gerações
04:45para a pessoa da família mais pobre atingir a renda média do brasileiro. E aqui no Instituto
04:53a gente faz isso em uma geração. Então, assim, filho de manicure, hoje trabalha no iFood,
04:59não como entregador, é na parte de TI. Trabalha, filho de motorista de van escolar,
05:06hoje trabalha no PicPay, BTG. Então, temos aluno que é médico. Então, a turma que formou
05:15ano passado ganha sete vezes mais do que a média da renda familiar de entrada.
05:22Nossa, isso é realmente, assim, é um sonho, né? A pessoa ter essa ascensão social, né?
05:30Às vezes, assim, ela não... como que ela vai imaginar aquilo, né?
05:35Então, vocês trazem a... possibilitam essa... uma nova realidade, né?
05:43Não só para os alunos, para a família também.
05:45E é muito o que você falou, né? A pessoa podia jamais imaginar. A gente precisa ensiná-los
05:51a sonhar. Como a vida mostrou para ele o limite, às vezes ele não acha que ele pode
05:55estar estudando em São Paulo. Ele não acha que ele pode viajar para o exterior.
06:01Então, os exemplos... Hoje, a gente já tem 440 alunos, cada um em uma fase. Então,
06:07os nossos próprios alunos estão ensinando para os nossos alunos aonde eles podem chegar.
06:14Então, vamos lá. 440 alunos atendidos atualmente.
06:22Quando que o Instituto começou a atuar fora do Estado? No início, ele... né? No início,
06:27como é que foi esse o início e agora tá...
06:29Primeira turma que a gente teve, teve... tinha 19 alunos.
06:33Aham.
06:34É... E eu só pensava na grande vitória.
06:36Porque eu achava que o aluno podia ficar, no máximo, uma hora de ônibus.
06:40Como é que ele ia estudar no Leonardo da Vinci, no Darwin, no São Domingos?
06:44A gente tem as melhores escolas do Enem, Primeiro Mundo, Crescer.
06:48Escola Americana.
06:49Madan, Escola Americana.
06:50Como que ele ia, no máximo, uma hora? Eu imaginava isso.
06:54Então, começamos na grande vitória.
06:56Depois, os alunos do interior do Espírito Santo começaram a nos procurar.
07:00Eu falava, mas vai morar onde?
07:03Eu não sabia que o aluno do ensino médio, o aluno do interior, tinha um sonho de fazer
07:09um ensino médio na capital.
07:11Ele tem um parente, ele tem um vizinho, a família tem um amigo.
07:15Eu falei, se tem onde morar, tudo bem.
07:16Então, a gente começou a atuar no Espírito Santo.
07:19Quando veio a pandemia, a gente aprendeu da aula online, coisa que a gente não fazia nada online.
07:25Aí eu falei, se a aula online der certo, eu posso pegar aluno de qualquer lugar do Brasil.
07:31Porque eu consigo uma escola perto da casa dele e eu ensino, sonhar, profissão, dar novas referências
07:40de forma online.
07:42Então, em 2022, nós começamos com cinco alunos fora do Espírito Santo.
07:48Quando chegou na festa do final do ano, eu fui louca atrás deles para ver como é que tinha sido.
07:52Eles conversavam a mesma coisa que os alunos do Espírito Santo.
07:57Eu falei, deu certo.
07:58Vamos ver se eu consigo ganhar a bolsa nas escolas pelo Brasil.
08:03Porque as escolas, elas dão as bolsas.
08:06São os maiores parceiros do Instituto Ponte.
08:08São as escolas particulares e as escolas de inglês.
08:11Sim.
08:11Que os nossos alunos estudam lá.
08:13Sim, eles têm bolsa 100%.
08:15Certo.
08:15E as faculdades que os alunos passam no vestibular,
08:19mas eles nem saberiam que teriam a chance alguma.
08:23Você pega o Inspiro, o Minteli, além da bolsa também da moradia e auxílio alimentação.
08:28Bolsa de 100%.
08:30De desconto, além da moradia e auxílio alimentação.
08:33Porque não adianta o aluno.
08:34Como é que ele vai morar em São Paulo?
08:36Claro.
08:39Então, assim começou a nossa expansão.
08:43E deu certo ganhar aquelas cinco bolsas na escola.
08:47E eu falei, ah, dá certo.
08:49E a seleção, nós estamos terminando uma seleção agora.
08:51Vai entrar 140 alunos.
08:53E 75% será fora do Espírito Santo.
08:5775%?
08:58Por que esse número mais alto fora do Estado?
09:01Assim, me explica.
09:02O que está acontecendo?
09:04Porque não importa aonde o menino mora.
09:09Você é inteligente.
09:10Sim.
09:10Tem renda de no máximo salário mínimo e meio.
09:13E você tem muita garra.
09:15Certo.
09:16Tá tudo bem, pode se inscrever.
09:18Aham.
09:18Assim, 25% na verdade, assim, perto do Espírito Santo não é 25% do Brasil.
09:24Verdade.
09:25Como a gente é muito conhecido aqui no Instituto Ponte,
09:29por isso que aqui tem 25%.
09:31Certo.
09:31Mas a gente tem o Brasil inteiro se inscrevendo nos nossos processos.
09:36Nós já estamos hoje em 18 estados.
09:39Vai, se inscreve aí, por exemplo.
09:41Passa em todo o processo seletivo,
09:43mas aí tem que ter a escola que vai proporcionar, né?
09:46Isso.
09:47E vocês estão conseguindo em todo o Brasil.
09:49A escola quer o nosso aluno.
09:52Eu vou entregar para essa escola, esse aluno vai fazer uma troca muito grande lá.
09:58O rico vai ensinar o meu aluno a sonhar.
10:03Quando o meu aluno entra na escola pública, eu falo assim, na escola particular, o que teve de diferente?
10:08Aqui na escola, eles falam sobre faculdade.
10:13Na escola pública, não se conversa sobre universidade.
10:17Aqui na escola particular, o professor está interessado que eu aprenda.
10:22Então, tem uma série de sonhos que o rico ensina para o meu aluno.
10:27E tem uma série de coisas que o meu aluno ensina para o aluno pagante.
10:32Você ganha mil reais, você ganha mil reais de mesada e gasta tudo no joguinho.
10:37Você vai para a Disney todo ano e acha que isso é normal.
10:42Você foi para a Roma e não gostou.
10:44Ele traz a realidade.
10:46Ele traz a realidade.
10:47Então, a troca é muito boa.
10:49Que bacana.
10:50E 90% dos nossos alunos são acima da média da nota na turma que eles foram inseridos.
10:57São melhores do que...
10:59Eu entrego um aluno que é acima da média e ele traz uma nova perspectiva para a escola.
11:05Então, a troca é muito grande.
11:07É uma parceria ganha-ganha.
11:10Batira, então, assim, o Instituto, hoje, né, e ele já foi eleito três vezes a melhor ONG do Espírito Santo.
11:16Como é que foi isso, assim?
11:18Foram três vezes mesmo?
11:19Sete vezes a gente teve entre as cem melhores do Brasil.
11:22Sete vezes entre as cem melhores do Brasil.
11:24Eu acho que é um processo natural.
11:26A minha trajetória é uma trajetória muito de gestão.
11:31Quando eu decido naquele processo sair da morar, no dia a dia, ficar só no órgão executivo,
11:37a minha mãe pergunta para mim se eu estou procurando problema na vida.
11:42Porque eu não sabia nada nem de educação, nem de social, e ia fazer isso com o dinheiro dos outros.
11:48Mas ela fala, da minha vida eu fiz o que quis, e da sua vida você tem o direito de
11:53fazer o que você quiser.
11:56Essa é a minha mãe sendo ela mesma, sabe?
11:59Ela é sua fonte de inspiração?
12:00Minha mãe e meu pai são as minhas maiores fontes de inspiração, são os dois.
12:05Então, a minha característica sempre foi gestão, unir as melhores pessoas, criar várias pontes.
12:12Então, foi uma coisa meio natural.
12:15Então, você vai, para mim, eu sempre vi o Instituto como uma empresa.
12:19As pessoas que me disseram que não era uma empresa.
12:22Eu sempre sou focada em resultado, metas.
12:26É do mesmo jeito que eu trabalho, como eu trabalho no morar.
12:29Entendi.
12:30Então, foi uma coisa natural você ter alcançado esses resultados.
12:36Bartira, eu queria que você me dissesse, assim, os principais desafios de trabalhar com social aqui no Brasil.
12:42Eu, como vejo o Instituto Ponte sempre como uma empresa, e ele é uma empresa, é muito semelhante de uma
12:48empresa.
12:49Então, captar recurso, como é que eu vou vender o Instituto Ponte, como é que eu vou conseguir novos parceiros,
12:55e como eu vou formar uma equipe para dar sustentabilidade a esse crescimento.
13:01Nós temos planos de dobrar o número de alunos até 2030.
13:06Para isso, eu preciso captar 40 milhões em recurso e 80 milhões em parceria pró-bono,
13:12que são as parcerias que a gente não paga, além de escola particular, escola de inglês, tem auditoria, mídia.
13:20A gente quase não gasta dinheiro com mídia, não tem recurso para isso.
13:24Então, assim, estar aqui no PodSocial, estar conversando, divulgando, é uma coisa muito importante.
13:29Imagina, é importante para nós.
13:31É a parceria, igual eu falei, da escola, é bom para os dois lados.
13:37Então, tem muito grande, assim, atrair talentos que compactuem desse sonho de acolher esse aluno
13:47e levar ele para a nova realidade.
13:52São os meus dois grandes desafios.
13:55Vocês, então, não contam com a ajuda pública?
14:00Não, temos nenhum recurso público.
14:02O Brasil não tem nenhum incentivo fiscal para a educação.
14:08Tem para o esporte, na Lei Pelé, tem para a cultura, na Lei Rouanet.
14:14Eu nunca fui atrás de dinheiro público.
14:16São pessoas...
14:18Fica a dica aí para os nossos governantes.
14:20Que tem interesse...
14:23Acho que tem as políticas públicas, tem programa muito bom para mim.
14:27Se eu fosse ter uma pauta, e que não é, eu não sou ativista, assim, nesse sentido.
14:32A gente tem um programa muito bom do governo, que é o ProUni, que tem alunos estudando em boas escolas
14:37particulares, universidade.
14:39Na minha cabeça, deveria ter um ProUni no ensino médio.
14:42Verdade.
14:43As escolas do ensino médio têm ociosidade.
14:46Igual o ProUni funciona no ensino superior, deveria funcionar no ensino médio.
14:53Mas, então, eu admiro muito quem está no poder público lutando por um Brasil melhor.
14:58Eu não tive essa coragem.
15:02Imagino que deve haver bastante Covid.
15:04Um pouco de Covid.
15:06Mas, então, assim, eu não tenho essa coragem.
15:10Eu sou muito focada ali no resultado.
15:13Então, eu salvo aquelas estrelas ali que eu posso.
15:17E na hora que a gente muda a vida de um aluno nosso que virou médico,
15:22eu mudo toda a geração para frente.
15:25Então, assim, todos os nossos alunos concluem o ensino médio.
15:29No segundo ano de faculdade, eles já estão ganhando 5,5 vezes mais do que as famílias.
15:38Então, assim, eles vão sendo um exemplo para a família, para o irmão.
15:42E, assim, a gente vai gerando um novo ciclo de prosperidade.
15:46A maioria das ONGs, eu acho que contam com recursos públicos ou não?
15:52Depende.
15:53Tem muito trabalho sério no Brasil.
15:55Eu, antes, quando não estava no mundo social, não tinha essa impressão.
15:59Às vezes, a gente só ouve notícia na mídia.
16:01Muitas vezes, notícia negativa.
16:03Eu vi muito trabalho sério com pessoa de alma.
16:07Sim.
16:08Um pouco menos de gestão do que eu imaginava.
16:11Mas tem muito trabalho de ONG legal.
16:13E eu falo assim, você trouxe a frase, né?
16:15De receber mais do que dá.
16:18Eu falo assim, dá para a gente ter um Brasil melhor.
16:21Depende da gente.
16:22Se você é um privilegiado, qual a causa que te toca?
16:26É saúde?
16:28Escolhe uma ONG de saúde, com certeza tem uma boa.
16:31É criança?
16:32É idoso?
16:33Qual é a sua causa, sabe?
16:35Todo mundo tem um capital social que pode ajudar alguém mais do que ele imagina.
16:42Só que as pessoas não usam.
16:44Então, assim, acho que a sorte que eu tive foi descobrir que eu podia fazer isso aos 40 anos.
16:51Você foi tocada, né?
16:54É um processo.
16:57Eu falo, eu faço isso porque faz bem para mim.
17:00Não tem muito romantismo, assim.
17:04Eu falo que é o meu maior ato de egoísmo.
17:07Ajudar o próximo faz muito bem para você.
17:10Se isso não fizesse bem para mim, eu não faria, assim.
17:14Eu não tenho vergonha de falar isso.
17:17Sim.
17:18Mas as pessoas não descobrem isso.
17:21Então, é muito.
17:22Quantas pessoas, assim, tem o sonho, ah, eu queria ajudar alguém e tudo.
17:27Eu ajudo 440 famílias.
17:30Todos os anos, né?
17:31Todos os anos.
17:32E tem muita gente sonhando em querer entrar.
17:36Tem escola pública que faz, ensina melhor na escola para poder passar no processo de seleção do Instituto Ponte.
17:44Então, ele é referência na comunidade onde ele mora, que muitas vezes não valoriza o estudo.
17:50Tem aluno que eu já vi falando que ele tem que justificar para a família que ele tem que fazer
17:56faculdade.
17:57Porque estudar é para rico.
17:58Pobre tem que trabalhar.
17:59Imagina.
18:01Então, é você criar uma nova referência para o Brasil parar de desperdiçar talento.
18:07Por que a gente só tem jogador, ou tinha, né?
18:10Melhores do mundo.
18:12Cacá, Ronaldinho, Rivaldo.
18:14E nenhum prêmio Nobel, 200 milhões de habitantes?
18:17Sim.
18:18Porque na escola pública, na maioria das vezes, eles são pouco incentivados a desenvolver o potencial que eles têm.
18:27Então, o que a gente faz é, o menino só quer uma oportunidade.
18:31E eu não faço nada sozinho.
18:33Tem uma rede enorme de parceiros do Instituto Ponte que colocam dinheiro, que colocam empresas, pessoas físicas, que colocam dinheiro
18:42ou serviço da sua empresa para poder o Instituto Ponte existir.
18:47Sim.
18:47Como é que a pessoa faz para ser uma parceira do Instituto?
18:50A gente sempre precisa de recurso.
18:53Um aluno nosso é baratíssimo, é mil reais por mês.
18:57Por apenas mil reais por mês, você consegue mudar a vida de um aluno.
19:02E tem muito serviço também que a gente precisa.
19:08Então, entre em contato conosco, www.institutoponte.org.br.
19:14É muito bem-vindo, assim, para criar novas pontes.
19:17Serviço de alimentação para os alunos.
19:19Eu preciso, como eu tenho aluno que é do interior, se a casa dele não tem computador,
19:24o aluno não tem, eu coloco computador, eu dou internet, então a gente dá acessibilidade.
19:30Eu estou doido para fazer uma parceria com um plano de saúde para os funcionários do Instituto Ponte.
19:36Eu preciso de palco para o Instituto Ponte.
19:38Muitas pessoas não conhecem o Instituto.
19:41Então, como eu falei, estar aqui é importante para dar visibilidade.
19:44Você participa de algum grupinho de amigo?
19:47Você tem algum evento?
19:48Dá para botar 15 minutos do Instituto Ponte?
19:51Você conhece uma pessoa que você acha que poderia apoiar o Instituto Ponte com dinheiro ou com serviço?
19:59Consegue uma reunião com essa pessoa para a gente?
20:04Então, visibilidade é uma coisa que a gente precisa.
20:07Para a nossa equipe, eu preciso de treinamento, de liderança.
20:11Eu quero IA.
20:14Os meus alunos não têm acesso a algumas plataformas.
20:17Como é que eles vão ter acesso às plataformas que são caras?
20:20Você consegue, de alguma forma, dar acesso para eles?
20:23Eu falo, gente, se você quiser ajudar...
20:26Tem várias formas.
20:28Muitas pontes.
20:29A gente quer instrutor para o aluno, assim, professor de física, professor de biologia.
20:36Meu aluno tem problema de chegar lá, o dente está torto, não faz parte do Instituto Ponte,
20:40mas eu gosto de botar um aparelho nele.
20:42Eu quero dar para ele o mesmo que eu dou para o meu filho.
20:46Você contando assim, me parece uma coisa além também dessa questão da educação.
20:53Eu vejo que você conhece o aluno, você procura saber da vida dele familiar também.
21:00Então, quer dizer, o aluno está precisando botar um aparelho.
21:03Ah, a família está precisando de um psicólogo.
21:07Enfim, é uma coisa também que você...
21:10Tem também uma relação pessoal com os alunos, né?
21:13É que eu falo, é o seguinte.
21:15O Instituto Ponte é feito de muitas pessoas.
21:19E eu sou, minha forte é gestão, mas eu tenho uma equipe pedagógica maravilhosa.
21:23Então, a equipe pedagógica é sempre muito acolhedora com o aluno.
21:27E eles me ensinaram muito.
21:29Eu aprendi muito com o Instituto Ponte.
21:32Então, assim, é só olhar como um ser humano, assim.
21:35Tinha um menino que sempre...
21:36O Matheus, sempre que eu vi, ele estava sempre rindo.
21:39Aí, depois, na hora da foto, ele estava sempre de boca fechada.
21:42Eu não conseguia entender aquilo.
21:43Fala, Martira, porque o dente dele é torto, ele tem vergonha na hora da foto, ele fica sério.
21:48Falei, vamos arrumar alguém para botar aparelho nele.
21:52Então, assim, não é pensado.
21:54É só você olhar o ser humano como o ser humano.
21:56Como o ser humano.
21:57Eu estava fazendo uma palestra semana passada em Belo Horizonte.
22:01O aluno só tinha encontrado duas vezes, a de Minas.
22:03E ele chegou muito rouco.
22:05Aí, eu falei assim, mas por que você está tão rouco?
22:08Aí, ele falou assim, ah, não, eu sempre fui assim.
22:11Eu falei, ser rouco não é normal.
22:13Aí, peguei uma amiga minha e falei assim,
22:14Oleca, arruma um médico para ele entender qual é a história da rouquidão dele.
22:19Então, é você ser humano.
22:21Sim.
22:22Sabe aquilo que, para você é natural, o dente não ser torto?
22:27Essas coisas.
22:28O aluno chegou, entrou na escola, se ele não tem um celular, ele não está no grupo do WhatsApp da
22:33escola.
22:34Sim.
22:35Então, a gente tem que arrumar um telefone para esse aluno entrar no WhatsApp da escola.
22:39Porque muitas vezes as nossas famílias têm um celular que atende a família inteira.
22:46Entendi.
22:46É você entender uma outra realidade.
22:50Fiquei emocionada com a sua entrevista.
22:54Achei, assim, incrível.
22:55Já sabia um pouquinho do Instituto.
22:58Mas, assim, realmente, você é uma pessoa inspiradora.
23:02Obrigada.
23:02Obrigada.
23:03Obrigada a você aí.
23:05É natural.
23:06Eu falo mesmo, só sortuda de fazer esse...
23:09Ela é humilde, tá, gente?
23:11Além de tudo, ela é muito humilde.
23:14Obrigada, Batira.
23:15Obrigada a você.
23:16Este foi mais um Pod Mais Social.
23:18Você pode conferir essa entrevista no nosso portal Tribuna Online,
23:22no canal no YouTube e nos principais tocadores de podcast.
23:44Obrigada.
23:46Obrigada.
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