00:14Gente boa do Portal A, continuamos agora aqui no YouTube, no nosso canal, com o Matheus,
00:20que estava até agora com a gente na TV Alterosa, falando sobre o cenário político desse ano
00:26eleitoral. Matheus Dias, que é economista, especialista em pesquisa de opinião, você terminou a entrevista
00:33na televisão se revelando um integrante do Centrão. Eu perguntei para você, vai ter briga, não vai ter briga?
00:39Você, não, vai ser acirrado, mas não, vai ser... Isso lembra aqueles políticos que vai para um lado,
00:44a hora que está bom, depois vai para o outro, né? Você pode esmiuçar isso um pouquinho melhor aqui
00:51para os nossos amigos internautas? Então, vai ser uma eleição acirrada.
00:56No nível nacional, a tendência, sim.
00:58Acirrada. Eleição para presidente vai ser briga.
01:02O eleitor, ele não encontra, dentro das opções disponíveis, muitas opções.
01:07O eleitor de esquerda...
01:08Tem um candidato e o eleitor de direita tem um.
01:10Mas quando a gente vai conversar com o eleitor de esquerda nos grupos locais, nos grupos de discussão,
01:15ele fala assim, o meu maior objetivo ao votar no Lula é impedir que a família Bolsonaro volte.
01:24Quando a gente vai conversar com o eleitor de direita, e aí as pesquisas mostram que o Flávio Bolsonaro lidera
01:30nesse campo,
01:31quando a gente conversa com o eleitor de direita, ele fala assim, o maior objetivo meu ao votar no Flávio
01:36Bolsonaro
01:36é tirar o Lula do poder.
01:38Ou seja, o principal motor de voto desses eleitores, seja a esquerda ou seja a direita,
01:44está muito mais em impedir o outro lado de chegar do que necessariamente de uma defesa cega das qualidades do
01:51seu próprio candidato.
01:52Por isso que o acirramento eleitoral, no nível nacional, ele tende a continuar.
01:59O eleitor não vê espaço fora dessa polarização, apesar de rejeitá-la.
02:03Você não imagina a tristeza que você me dá quando você fala isso.
02:07Porque você está afirmando para mim, para todos nós, com todas as letras,
02:12que ninguém está nem aí para o país, para o Brasil, para alguma melhoria.
02:16Um está querendo dar uma calça arriada no outro ou dar um pontapé no outro.
02:20Ninguém está preocupado em discutir projetos, crescimento, dinheiro, investimento,
02:27o nosso papel em nível internacional.
02:29Todo mundo, você está afirmando para mim, que está preocupado em um derrubar o outro.
02:34Isso é de uma tristeza.
02:36Por isso que o Brasil é esse país pobre, miserável e nunca vai para frente.
02:40Por isso.
02:41Eu falo assim...
02:42Não é isso?
02:43O Brasil não vai dar certo, mas também não vai dar errado.
02:47O Brasil vai ser isso...
02:49Essa lambança.
02:50Por muitas e muitas décadas.
02:53Então, o Brasil, ele cumpre um papel muito específico na economia mundial,
02:57que é ser essa fazenda do mundo.
02:59E vai ser por muitos e muitos anos.
03:01E vai ser enquanto o mundo precisar comer, nós vamos ser essa economia.
03:04Que não tem terra agricultável não, só aqui mesmo.
03:06Mas essa discussão de mais longo prazo sobre o futuro do Brasil,
03:09ela simplesmente não acontece no eleitor que, de fato, morre a eleição.
03:14Isso é muito triste, Matheus.
03:16Isso é muito triste.
03:18A gente faz debates aqui na TV Alterosa, no SBT, todas as emissoras fazem.
03:24Raramente...
03:25E eu cubro debate desde o primeiro, viu?
03:27Desde 85.
03:28Desde 85.
03:29Não, a eleição não foi em 85.
03:31A eleição do Fernando Collor de Mello foi na campanha de 89.
03:35Eu também cobri a campanha e cobri a posse.
03:38Desde então, e vão-se 40 anos, não se debate política pública.
03:46Não chega aqui, eu estou no debate com você, fala assim,
03:49ó, Matheus, eu vou construir um hospital de 100 leis.
03:52Você fala, eu vou fazer um de 102.
03:54Vote em mim, porque o meu hospital vai ser maior que o dele.
03:56Não existe isso.
03:59Isso me entristece.
04:00Essa cultura de avaliação de políticas públicas, ela é inexistente no Brasil.
04:05Não se existe uma cultura de avaliação de políticas públicas.
04:07O eleitor não está nem aí para isso, né?
04:09Não é que o eleitor não está nem aí.
04:11Se você pegar a demografia do eleitorado brasileiro,
04:14você vai ver que cerca de 15% da população tem ensino superior.
04:19E cerca ali, dependendo, claro, do estado, da demografia,
04:24cerca de 85% tem ensino fundamental e médio.
04:27Fora os analfabetos, que chegam a 80% em determinados estados.
04:32Então, é muito difícil para esse eleitor, que não tem um nível formal de instrução,
04:38fazer uma análise muito profunda sobre a efetividade ou não das políticas públicas.
04:43E, claro, quando a gente está em BH, que é um polo, que é uma cidade que tem uma estrutura
04:47muito melhor,
04:48você até consegue abstrair um pouco dos problemas mais imediatos.
04:52Mas, quando a gente vai para os rincões, para o Brasil profundo,
04:56a gente vê que as necessidades lá são tão básicas,
04:59como, por exemplo, um asfalto para chegar até a comunidade,
05:03um calçamento,
05:04que é muito difícil o eleitor, perante essas necessidades tão básicas,
05:11pensar em uma política pública de mais longo prazo.
05:15O eleitor brasileiro trata a eleição igual a Copa do Mundo?
05:18Igual a Copa do Mundo?
05:19Ah, vai torcer para um, vai torcer para outro.
05:22O eleitor brasileiro, ele está muito mais preocupado no curtíssimo prazo
05:26do que no planejamento mais longo.
05:29E isso impacta muito na forma como ele decide seus candidatos.
05:35Então, quanto mais rápido for o benefício prometido pelo político,
05:41maior a chance desse eleitor prestar atenção no que esse político tem a dizer.
05:45Então, se o político fala assim,
05:46eu vou fazer um plano de 30 anos para resolver a saúde de Minas,
05:52e tem um outro político que fala assim,
05:54semana que vem vou construir um pronto-socorro no seu bairro.
05:58Quem que você acha que o eleitor vai prestar mais atenção?
06:00Eu voto no Carline na hora.
06:02Ganhei Brasil.
06:03Então, porque as necessidades, elas são muito urgentes para a grande maioria dos eleitores.
06:08Principalmente para o que a gente chama de Brasil profundo.
06:11E o eleitor, você desculpa que nós estamos caminhando para o encerramento,
06:14você desculpa eu acelerar.
06:17O eleitor pode, existe assim, no nosso cenário,
06:21que você pesquisa todo dia,
06:23um eleitor que possa votar na direita,
06:27no nível federal,
06:29na esquerda, no nível estadual,
06:31no centrão para deputado.
06:34O eleitor, ele vota assim?
06:36Perfeitamente.
06:37O voto é muito mais pessoal do que partidário.
06:41Vamos pegar Minas, eleição de 2018.
06:44Ganhou Lula,
06:47na eleição presidencial,
06:48mais votado.
06:49Ganhou Zema,
06:50na estadual.
06:52Primeiro turno,
06:53reeleito em primeiro turno.
06:54E no Senado,
06:55ganhou Cleitinho,
06:56que fazia parte da chapa.
06:58Eu estou falando da primeira ou da segunda?
06:592022.
07:00Da última, é.
07:01Foi a reeleição do Zema.
07:02Então, nós tivemos Lula,
07:04para presidente,
07:04que ganhou.
07:05Esquerda.
07:06Zema.
07:06Direita, reeleito em primeiro turno.
07:08E Cleitinho no Senado,
07:09que era da chapa do Bolsonaro.
07:11E a grande maioria dos deputados,
07:14do centrão.
07:14que não era nem PT,
07:16nem PL.
07:17Ou seja,
07:18o eleitor,
07:19ele vota muito mais
07:20na pessoa.
07:22E como que essa pessoa
07:23se conecta com os problemas reais
07:26do que no partido.
07:28Por isso que eu falo,
07:29de 40, 60% do eleitorado,
07:32não é nem esquerda,
07:32nem direita.
07:34Ele está muito mais preocupado
07:35com os problemas,
07:37com a credibilidade da pessoa.
07:38E como que aquela pessoa,
07:40aquele candidato,
07:41se conecta
07:42com os próximos quatro anos,
07:44com o próximo ciclo eleitoral.
07:46Dentro da conjuntura proposta
07:48e identificada,
07:49muitas vezes,
07:50através de pesquisa.
07:50Nenhum dia seu é igual ao outro, né?
07:52Não.
07:52A pesquisa de hoje,
07:53amanhã já é outra, né?
07:54Muda muito,
07:56mas existem elementos
07:58que se repetem
08:00ao longo dos ciclos.
08:02Então, por exemplo,
08:032018,
08:032018,
08:04era um ciclo
08:05de renovação.
08:06A renovação
08:07vem perdendo força,
08:09em 2022,
08:10tem menos renovação,
08:11e hoje,
08:12em 2026,
08:14a gente já vê
08:15um crivo
08:16muito mais baseado
08:17na experiência,
08:18no serviço prestado
08:19e no legado.
08:20Então,
08:21isso vai mudando,
08:23mas vai mudando
08:24a conjuntura geral
08:26de uma forma
08:26um pouco mais lenta,
08:28e as campanhas
08:29vão tentando
08:29correr atrás disso
08:31e se conectar
08:32nessa conjuntura,
08:33nessa demanda
08:34e nesse anseio do eleitor.
08:37Vamos rezar
08:37para os eleitores
08:38votarem com consciência, né?
08:40Porque o que eu sempre falo
08:42para as pessoas,
08:42não me interessa
08:43em quem você vai votar,
08:45mas cobre
08:46em quem você votou.
08:48Cadê aquilo
08:48que você prometeu?
08:49Cobre.
08:50Aí você chega e pergunta,
08:51quem que você votou
08:52para deputar?
08:52Nem lembra.
08:53Não lembro.
08:53Quem que você votou
08:54para deputar?
08:55Ah, não lembro.
08:56Isso mesmo, né?
08:57Matheus, muito obrigado
08:58pela sua presença
08:59mais uma vez, tá?
09:01Sucesso,
09:02tem sendo muita paz
09:03no seu ano eleitoral
09:04para você e para nós todos
09:05no Brasil
09:06e que o eleitor,
09:08eu acredito que ele
09:09se conscientize mais
09:11a cada dia, né?
09:11Para voltar com consciência, né?
09:13Porque acho que aí
09:13já vai ajudar muito.
09:14Muito obrigado
09:15pelo convite.
09:16Paz para mim
09:17só depois das eleições,
09:19mas até chegar lá
09:20muito trabalho
09:21e muita conversa
09:22com os eleitores.
09:23O homem fica dentro da guerra,
09:25Matheus Dias,
09:25economista,
09:26analista de pesquisas
09:28de opinião,
09:28analista político
09:29e nos honrou
09:30com a presença
09:30hoje aqui no Emílio.
09:31Muito obrigado
09:32a vocês.
09:33Muito obrigado
09:33pelo carinho.
09:34Não se esqueçam
09:35em segunda-feira
09:35na edição impressa
09:37do Jornal do Estado de Minas.
09:39Tchau!
09:40Tchau!
09:41Tchau!
09:41Tchau!
09:42Tchau!
09:42Tchau!
09:55Tchau!
09:55Tchau!
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