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O EM Minas, programa da TV Alterosa em parceria com o jornal Estado de Minas e o Portal Uai, conversa neste sábado (18/7) com o economista e analista político Matheus Dias sobre pesquisas eleitorais e as Eleições 2026.

Imagens: TV Alterosa
Apresentador: Ricardo Carlini
Foto: Jair Amaral

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Transcrição
00:15Olá, tudo bem? Como estão vocês? Prazer, mais uma vez, batendo esse papo aqui no Em
00:20Minas, com todos através da TV Alterosa, depois a sequência também no nosso portal do Uai,
00:28no YouTube do nosso canal e segunda-feira nas páginas do Estado de Minas. Nosso convidado
00:33de hoje vai nos retratar muito bem esse momento que vivemos no Brasil, mais um ano eleitoral.
00:41Tudo bem, Matheus? Tudo jóia, boa tarde. Prazer em recebê-lo. Gente, o Matheus Dias, ele é economista,
00:48ele é especialista em pesquisas de opinião, é fundador da Opus, a empresa Opus Pesquisa
00:58e Diagnóstico, que faz pesquisa numa série de setores da nossa sociedade e atua na questão
01:05eleitoral desde 2012. Exatamente.
01:08Matheus, essa eleição será diferente? As pesquisas que você já tem feito no cenário
01:17mineiro e nacional, o que tem retratado pra você?
01:22Bom, toda eleição tem o seu próprio contorno, a sua própria conjuntura e os níveis também
01:28têm demandas, expectativas diferentes. Quando a gente olha a eleição nacional, a gente nota
01:35uma eleição que vai ser mais polarizada, que vai ser mais acirrada, mas no cenário
01:39mineiro ainda é um cenário mais aberto, que a gente não sabe muito bem quem são os candidatos.
01:44Isso pra esse ano?
01:46Isso pra esse ano.
01:47Então você já tem esse retrato de que em nível nacional é polarizado, mas não polarizado
01:53em nível estadual?
01:56A gente vem discutindo muito sobre polarização nos últimos anos e quando a gente vê no nível
02:01nacional, a gente sempre tem uma opção ou a outra, né? Então, os dois lados, a esquerda
02:08e a direita, elas se rivalizam e vêm rivalizando há muitos anos e há muitos ciclos eleitorais.
02:15Mas quando a gente vem para os níveis estaduais, a gente vê que essa polarização, ela não
02:20é tão acirrada como a gente vê a nível Brasil. Até porque as demandas, expectativas
02:27para o eleitor em relação a cada um dos cargos, elas diferem. A gente pode entender
02:33aqui no nível mais nacional que o principal motor de voto, seja do eleitor de esquerda
02:40ou de direita, é muito mais impedir que o outro lado chegue ao poder do que necessariamente
02:45uma certeza cega de que o lado que a pessoa defende é o melhor para o Brasil. É sempre
02:53de impedir que o outro lado consiga chegar à presidência da República.
02:57É quase que uma questão passional.
02:59Totalmente passional.
03:00É passional.
03:01É um voto passional.
03:03O voto, ele é muito mais passional e é muito mais baseado no sentimento do que na
03:09racionalidade. E geralmente o eleitor define o voto com emoção e depois ele vai buscar
03:15elementos racionais para justificar externamente para os conhecidos, para os amigos, para os
03:21familiares, o porquê ele tomou aquela decisão e o porquê ele escolheu aquele candidato.
03:27Mas o voto, via de regra, é uma tomada de decisão muito mais emocional do que racional.
03:33E no âmbito estadual, não. Porque só para o pessoal de casa, vamos relembrar, na esfera
03:40federal, voto é esse ano para presidente da República. E nos estados escolheremos o governador,
03:48escolheremos dois senadores que nos representarão e escolheremos os deputados federais e os estaduais.
03:56Exatamente.
03:57Aí não tem paixão? Aí é um voto diferente? Qual o comportamento do eleitorado?
04:03Se a gente trazer isso para Minas Gerais, nosso estado, a gente nota que o eleitor está muito
04:08mais focado em melhorar os serviços públicos do nosso estado do que necessariamente escolher
04:15um lado, seja esquerda ou direita. Nós temos o privilégio de percorrer todo o estado fazendo
04:20pesquisas qualitativas, são pesquisas mais profundas para entender o humor, o sentimento
04:25do eleitor. E fica muito claro para a gente que o eleitor tem demandas claras. Demandas
04:32em relação ao estado de conservação das estradas, demandas em relação à saúde pública,
04:38ao avanço das facções criminosas. Na hora dele avaliar os candidatos, ele vai avaliar
04:44esses candidatos em função de um posicionamento ideológico ali, claro, mas também como que
04:52esse candidato, ele tem credibilidade para solucionar esses problemas.
04:58Mas me diz uma coisa, você está me dando uma informação muito importante que o pessoal
05:02de casa agora até acendeu. Então a sua pesquisa, você consegue identificar nos municípios,
05:09esse eleitor está preocupado em quem vai asfaltar a estrada, quem vai tapar os buracos
05:15da estrada. Esse eleitor quer saber quem que vai botar o médico na unidade de saúde ou
05:20vai construir aquele hospital que está inacabado ou vai combater o comando vermelho, o PCC,
05:27na questão da segurança pública. Você tem condição de avaliar isso na pesquisa.
05:33O eleitor fala isso.
05:34É exatamente isso que a gente faz. Nós somos especialistas num tipo de pesquisa, que é
05:39uma pesquisa qualitativa, que são grupos de discussão para entender com profundidade
05:44qual que é a demanda do eleitor. E fica muito claro que quando ele vai definir o candidato
05:50ao executivo estadual, ele quer o quê? Ele quer alguém que se preocupe com a questão
05:55das estradas. As estradas de Minas vêm sendo severamente criticadas em todas as regiões.
06:01A própria questão dos pedágios, do posicionamento dos próximos governantes acerca da cobrança
06:07ou não dessa passagem, da privatização ou não das rodovias. Existe principalmente
06:12nas cidades médias do interior uma preocupação muito grande com o avanço das facções criminosas.
06:18A facção criminosa tem um requinte ali de tomar o território. Talvez requinte não seja
06:26a palavra certa, mas ela tem uma característica. Ele ocupa o território e afasta o Estado.
06:30Ele passa a dominar aquela área. E um território que é dominado por uma facção gera um problema
06:36de segurança pública, mas gera também um problema de, por exemplo, prestação de outros serviços.
06:42Você não consegue entrar com serviço público. Exatamente. Com saúde, com nada.
06:45Exatamente. Se eu tenho, por exemplo, um caso de violência doméstica dentro de um território
06:50dominado por facção, como que essa mulher agredida vai ligar para a polícia? Ela vai
06:56ser retalhada. Se eu tenho um programa habitacional como Minha Casa Minha Vida, eu posso ter o risco
07:01de um faccionado me expulsar dessa unidade que eu recebi porque eu desagradei a facção.
07:09Então, o problema da facção... Mesmo a manutenção de serviços de energia, de água, de esgoto,
07:13pode não entrar o trabalhador para fazer aquela manutenção e a facção não deixa.
07:18E isso vem gerando uma grande preocupação no eleitorado, principalmente das cidades médias
07:25do interior. Minas era um Estado que não tinha esse problema.
07:27Então, eu estou falando dos polos. Você está falando de Varginha, Tioflotone, Valadares,
07:32Montes Claros, Belabo, Berlândia. Exatamente.
07:35Divinópolis. Você está falando dessas grandes cidades.
07:37E cidades médias também, cidades de 100 mil habitantes passam a conviver.
07:42Itaúna, Conselheiro Lafayette. Então, isso gera uma grande preocupação do eleitor em
07:48relação ao próximo governo.
07:50Então, eu posso afirmar que você está me dizendo que o eleitor mineiro, este ano,
07:58independentemente do partido que for, se aquele candidato falar, vou resolver esse trem da
08:03segurança, ele vota nele?
08:04Não necessariamente. Esse é um dos problemas.
08:09Então, tem eleitores que colocam a segurança como o maior problema, mas tem eleitores que
08:15vão colocar a saúde. Então, a saúde pública em Minas também tem seus gargalos.
08:20Existe uma promessa aí de décadas em relação à construção dos hospitais regionais.
08:26Será que esse eleitor vai considerar isso na hora de votar?
08:29Mas é certo que ele não vai olhar a bandeira política? É certo que ele está buscando
08:34quem vai resolver o problema? Isso é certo? A pesquisa já diz.
08:38A gente fala sempre que não existe um eleitor. Existem combinações de eleitores.
08:45Então, o eleitor vai definir um voto baseado, claro, em uma visão ideológica.
08:51E aí as pesquisas falam aí que, vamos colocar ali, dependendo do crivo que se usa para definir
08:59o que é esquerda e direita, a gente tem ali de 40% a 60% dos eleitores que têm
09:04uma ideologia,
09:05seja a esquerda ou seja a direita. Cada pesquisa tem uma metodologia ligeiramente diferente,
09:11pode chegar também a resultados um pouco diferentes. Mas a gente sempre está falando que cerca de
09:1640% a 60% do eleitorado tem um lado. E o restante, não. O restante, ele está muito mais
09:24preocupado
09:25com o candidato que consegue se conectar com o sentimento, com a conjuntura, que consegue oferecer
09:32soluções críveis para os problemas do dia a dia, do que balançar bandeira à esquerda ou à direita.
09:37Então, você está aqui ensinando para a gente. Você é economista, especialista em pesquisa,
09:43em análise de opiniões. Eu estou perguntando para você, para você ensinar para a gente.
09:47Então, Matheus, você me diz que 60% do eleitorado tende a escolher um que atenda as necessidades
09:58dele dentro da preferência política dele. Ah, eu sou de direita, eu vou procurar um que me atenda
10:03dentro dos que se apresentam à direita. Eu sou de esquerda, eu vou apurar dentro da esquerda
10:10quem atende o que eu estou desejando. Ele primeiro escolhe a bandeira política que ele quer representar
10:16e aí, dentro dos que se apresentam naquela bandeira, ele escolhe o candidato.
10:20Esse 60% que tem a preferência política.
10:24É um cálculo um pouco mais complexo do que esse.
10:27Cruel esse mundo seu.
10:29É cruel.
10:29Por isso que os candidatos brigam, que nem cachorro e gato.
10:33Existem vários fatores que vão levar a definição do voto por parte do eleitor.
10:38A ideologia é um deles, mas existem...
10:41Não é o primeiro.
10:42Não é o primeiro.
10:43Eu achei que era o primeiro e que, a partir dele, ele ia buscar.
10:46O eleitor vai levar vários fatores em consideração.
10:49Primeiro, posicionamento ideológico.
10:51Segundo, qual é a credibilidade e a legitimidade que aquele candidato tem para pleitear o cargo
10:57que ele está disputando, qual é a trajetória dele com outros cargos, com outras funções que o legitimam
11:06para estar disputando o cargo de governador ou de deputado.
11:10Qual é a conjuntura eleitoral que se adesenha dentro da disputa?
11:16Hoje está muito claro para a gente que o eleitor busca nomes que tenham experiência, que tenham
11:20como comprovar aquilo que já foi feito.
11:23Ou seja, o que eu vou resgatar dentro da minha trajetória para funcionar como uma base para
11:29que eu busque esse cargo maior dentro do processo eleitoral?
11:34Nós vamos encerrar esse primeiro bloco agora, mas no segundo eu vou voltar quente e fervendo
11:39que você está falando de quem tem preferência.
11:43E aquele que está sem paciência, para nenhum, para nenhum outro.
11:45Eu quero saber em quem é esse que vai votar.
11:47Daqui a pouco você vai contar para a gente aqui no Em Minas.
11:50Até já.
12:05Estamos de volta com o nosso Em Minas, agora nesse segundo bloco.
12:09Continuamos aqui o bate-papo com o Matheus Dias, que é economista, analista político,
12:13ele que entende tudo em pesquisas de opinião.
12:17Encerrei o outro bloco manifestando para você o meu desejo dessa pergunta.
12:23Falamos de quem tem preferência política.
12:25Ah, ele tem preferência pela direita, ele tem preferência para a esquerda.
12:29E tem aquele que não tem preferência nenhuma, que você diz que chega até a 40%, né?
12:34E tem também um que a gente encontra muito na rua.
12:38Carline, pode falar de saco cheio?
12:40Pode, né?
12:41Todo mundo fala hoje, né, Matheus?
12:42Tudo isso, eu não aguento mais essa brigalhada na política.
12:46Esse eleitor, você consegue identificar e pesquisar para onde ele vai?
12:52Esse eleitor, que é o eleitor mais apático, é o grande desafio de todo o processo eleitoral.
12:57O apático é o que está de paciência cheia?
12:59Ele está de paciência cheia, ele não acredita mais no sistema eleitoral, ele não acredita mais nos políticos.
13:05E, acima de tudo, ele não acredita numa solução a curto prazo para os problemas que ele enfrenta hoje.
13:10O que a gente nota no Brasil, e a gente tem esse privilégio de fazer pesquisa...
13:13Mas ele pode definir uma eleição.
13:15Com certeza.
13:16E aí, se conectar com esse eleitor apático é um grande desafio.
13:21Porque é um eleitor desinformado, é um eleitor que não acredita mais no sistema político como elemento de mudança social.
13:31E ele é um eleitor que tem grandes chances de não comparecer nas urnas.
13:35Isso também, né?
13:36Porque nós temos no Brasil aí, mais ou menos, 25% de abstenção.
13:41E essa abstenção vem majoritariamente desse eleitor que não é nem esquerda nem direita.
13:47Mas ela favorece quem na hora da eleição?
13:50A ausência?
13:51Favorece quem?
13:54Difícil essa pergunta, né?
13:56Depende muito...
13:56É por isso que eu vou fazer para você que estuda isso aí.
13:59Favorece, por exemplo, quem está no poder, favorece o mais jovem, favorece o mais velho, favorece o extremista, favorece o
14:08mais conciliador.
14:09Isso favorece quem tem a maior capacidade de mobilizar.
14:14Então, quando um candidato, ele tem uma grande capacidade de mobilizar o eleitor em torno da sua candidatura,
14:22de mobilizar, eu falo eleitor comum, de fazer com que o eleitor comum vá na rede social, publique, compartilhe os
14:29conteúdos daquele candidato...
14:30Nós temos fenômenos em todas as áreas da política, fenômenos da internet, né?
14:35Exatamente.
14:36E aí, quando você consegue se conectar com esse eleitor e fazer com que ele se torne, além de um
14:41mero eleitor, um evangelizador da sua mensagem
14:44e que induz uma conversação pública com as pessoas do entorno dele, aí você tem um grande ativo político.
14:52Então, a campanha é sobre sentimento, é sobre aspirações para o futuro e também é sobre mobilização, é sobre conexão,
15:03é sobre como que eu vou chegar e me conectar com o sentimento que você tem, que você espera para
15:10o futuro.
15:10E, Matheus, hoje, a rede social, essas redes sociais, elas se transformam no principal caminho de conexão dos candidatos com
15:22os eleitores?
15:23É um canal importantíssimo, mas sozinho ele não resolve.
15:28Ele não é o mais importante?
15:30Ele compõe, eu coloco quatro canais principais para você mudar a percepção e o sentimento do eleitor.
15:37Primeiro, eu tenho o que o eleitor enxerga no dia a dia, baseado nos serviços públicos, no sentimento e na
15:45conjuntura.
15:46Depois, eu tenho a mídia, e aí eu falo da TV, do rádio, do jornal, dos portais, porque a mídia,
15:54ela conversa com todo mundo ao mesmo tempo, no mesmo tom.
15:59E a mídia tradicional, a TV, o rádio, o jornal, ela impacta mesmo quem não tem acesso a ela.
16:05Um eleitor que não tem TV, mas conversa com um que tem TV, ele está sendo impactado indiretamente pela mídia
16:14tradicional.
16:15A rede social, ela é a primeira tela da grande maioria dos eleitores, ou seja, ele fica mais tempo na
16:22rede social e no telefone do que na TV, por exemplo.
16:24Só que ela é muito fragmentada, porque a minha rede social é diferente da sua, que é diferente da rede
16:31do eleitor, do nosso telespectador.
16:34Então, o conteúdo que chega a cada uma dessas pessoas é muito fragmentado, é muito superficial e é muito enviesado.
16:42A mídia digital, a mídia social, ela precisa muito, inclusive, da mídia tradicional, da TV, do rádio, para trazer mais
16:50credibilidade para a própria comunicação.
16:52Então, é um conjunto de uma comunicação nos veículos tradicionais, nos meios digitais, que esteja ancorado na conjuntura,
17:01para que a gente consiga induzir, para que o eleitor fale de maneira espontânea sobre o candidato.
17:07Matheus, e tem candidatos que conseguem abarcar todos esses pontos, falar em todos os canais, os nichos e onde está
17:17esse desinformado e indeciso?
17:20Aí que está a grande magia das campanhas eleitorais, porque às vezes um candidato é muito forte na rede social,
17:27mas ele não tem praticamente nenhum respaldo na mídia tradicional.
17:31E às vezes eu tenho oposto, às vezes eu tenho candidatos, por exemplo, que tem um tempo de TV muito
17:35grande,
17:36mas que não conseguem mobilizar os eleitores, nem na rede social, nem no dia a dia.
17:41Então, a gente fala que o processo eleitoral, ele é como se fosse uma batalha.
17:46E é, de fato, uma batalha no qual só um se sabe a vencedor.
17:49E aí, quem consegue entender os meios, entender o sentimento do eleitor e se conectar com esses recursos que sempre
17:57são limitados,
17:59geralmente vai melhor nas urnas.
18:02Você falou um pouco antes do que esse ano a tendência é o eleitor caminhar para a experiência,
18:10para os mais experientes que já têm aquele trabalho comprovado.
18:13Isso dá a entender que novatos não têm vez, que jovens não têm vez, ou que só políticos antigos se
18:21elegeram?
18:23Hoje o sentimento...
18:24Porque o recall, a lembrança de um nome político muito tradicional, que tem três, quatro, cinco legislaturas, é forte.
18:32Fala o nome, a pessoa lembra. Ah, vou votar nesse.
18:35Hoje o sentimento majoritário do eleitor está valorizando muito a experiência.
18:41Aquilo que ele já entregou quando ele teve a oportunidade de servir a população.
18:47Seja num cargo eletivo, seja num cargo público comissionado, ou seja, o eleitor está valorizando muito a experiência.
18:55Não significa que ele vai votar em todos, que são os mais experientes.
18:59Mas o crivo mais relevante que a gente vem observando hoje é o crivo da experiência, do serviço prestado e
19:07do legado que ele já deixou para a sociedade.
19:09Claro, uma parcela dos eleitores sempre vai querer novidade, mas é uma conjuntura diferente hoje, por exemplo, da conjuntura de
19:182018,
19:19onde nós tivemos vários outsiders que tiveram uma votação muito expressiva e entraram sem nenhuma experiência pública.
19:27Hoje o eleitor valoriza a experiência, o serviço entregue e principalmente o legado.
19:33Mas isso como uma plataforma para definir o voto para o futuro, porque o voto é essencialmente um exercício sobre
19:40o futuro,
19:41sobre os próximos quatro anos, sobre o próximo ciclo eleitoral.
19:45Então a experiência serve como plataforma.
19:48E a partir dessa experiência, que traz a credibilidade para o candidato, ele vai utilizar isso para avaliar as propostas.
19:56Se ele já fez, ele tem muito mais chance de continuar fazendo.
20:00Nós estamos na reta final. Aqui na TV Malterosa, você falou das médias e grandes cidades, do comportamento.
20:07Aí eu vou perguntar para você sobre uma máxima antiga, ver se ela prevalece ou se é real.
20:14É verdade que na cidade pequena, no interior, o eleitor vota em quem o prefeito manda?
20:19Tem um grande impacto.
20:21Então é verdade. Grande impacto quer dizer é verdade. É isso?
20:24Tem um grande impacto.
20:26Na cidade pequena.
20:27Porque o prefeito é quem tem cara na cidade, né?
20:31O eleitor sabe onde o prefeito mora, onde a esposa trabalha, onde os filhos estudam.
20:36É um líder que tem muito mais proximidade, que conhece muito a demanda.
20:42Então sim, o apoio do prefeito tem um peso muito grande nessas cidades pequenas e médias.
20:49Principalmente para os cargos legislativos, deputado estadual e federal.
20:53No cargo majoritário, o eleitor vai avaliar muito essa conexão do candidato, principalmente com essas grandes pautas, saúde, segurança, educação.
21:03Mas para o legislativo, o apoio do prefeito é um dos principais ativos.
21:07Fundamental, né?
21:08É fundamental.
21:08E num estado como o Minas, 853 municípios, 800 são minúsculos, né? 800 são pequenos.
21:15Vários. E é uma dinâmica muito diferente de Minas e o restante do Brasil, porque em Minas a gente tem
21:20cerca de 30% a 35% da população na capital.
21:23E o restante, quase 70% no interior.
21:27Minas é um dos únicos estados do Brasil que tem essa diferença tão grande.
21:32Que a grande maioria dos estados, a maior parte da população está na capital da região metropolitana.
21:38Minas é diferente nesse aspecto.
21:40É o oposto.
21:40É o oposto.
21:41E aí a liderança do prefeito exerce um grande impacto na decisão de voto, principalmente nos cargos legislativos.
21:49Até porque os veículos de comunicação, muitas vezes, têm dificuldade, inclusive, de chegar a esses municípios menores.
21:59A gente não tem uma versão impressa do jornal Estado de Minas, por exemplo, em municípios pequenos.
22:05Então, muitas vezes, há até uma falta de cobertura de um meio de comunicação mais tradicional.
22:12Para encerrar o programa aqui na TV, bem rápido, essa eleição se apresenta mais polarizada que a última ou menos?
22:24No nível nacional, a gente nota que sim, há uma polarização bastante acirrada.
22:30Pior do que na última?
22:32Eu não diria pior, mas diferente.
22:36Você gosta de falar bonito, né, Matheus?
22:38Para os políticos, você fala assim também?
22:41A gente quer saber se a gente vai ter tranquilidade no processo eleitoral.
22:44Vai ser um processo mais ameno ou vai ser aquela briga e ada de novo?
22:51A nossa projeção é que vai ser um processo bastante acirrado.
22:54Então, vai ter briga.
22:55O eleitor, o principal objetivo do eleitor, a direita ou a esquerda, é muito mais impedir o outro lado do
23:04que uma defesa cega do seu próprio candidato.
23:06Nós queremos paz.
23:08Nós queremos paz.
23:09E isso é o que você quer também.
23:10Obrigado pela sua presença aqui na TV Alterosa, no Em Minas.
23:13Eu continuo esse bate-papo com o Matheus no canal do Portal AIM, lá no YouTube.
23:19Não esqueça, em segunda-feira, essa entrevista nas páginas do nosso Estado de Minas.
23:24Obrigado.
23:52Gente boa.
23:54Boa do Portal AIM.
23:56Continuamos agora aqui no YouTube, no nosso canal, com o Matheus, que estava até agora com a gente na TV
24:01Alterosa,
24:02falando sobre o cenário político desse ano eleitoral.
24:05Matheus Dias, que é economista, especialista em pesquisa de opinião.
24:09Você terminou a entrevista na televisão se revelando um integrante do Centrão.
24:16Eu perguntei para você, vai ter briga ou não vai ter briga?
24:18Você, não.
24:19Vai ser acirrado, mas não.
24:21Isso lembra aqueles políticos que vai para um lado, a hora que está bom, depois vai para um lado,
24:24vai para o outro, né?
24:27Você pode esmiuçar isso um pouquinho melhor aqui para os nossos amigos internautas?
24:32Então, vai ser uma eleição acirrada.
24:35No nível nacional, a tendência, sim.
24:37Acirrada.
24:38Eleição para presidente vai ser briga.
24:41O eleitor, ele não encontra, dentro das opções disponíveis, muitas opções.
24:46O eleitor de esquerda...
24:47Tem um candidato e o eleitor de direita tem um.
24:49Mas quando a gente vai conversar com o eleitor de esquerda nos grupos locais, nos grupos de discussão,
24:54ele fala assim, o meu maior objetivo ao votar no Lula é impedir que a família Bolsonaro volte.
25:03Quando a gente vai conversar com o eleitor de direita, e aí as pesquisas mostram que o Flávio
25:08Bolsonaro lidera nesse campo, quando a gente conversa com o eleitor de direita, ele fala
25:12assim, o maior objetivo meu, votar no Flávio Bolsonaro, é tirar o Lula do poder.
25:17Ou seja, o principal motor de voto desses eleitores, seja a esquerda ou seja a direita,
25:23está muito mais em impedir o outro lado de chegar do que necessariamente de uma defesa
25:29cega das qualidades do seu próprio candidato.
25:31Por isso que o acirramento eleitoral, no nível nacional, ele tende a continuar.
25:38O eleitor não vê espaço fora dessa polarização, apesar de rejeitá-la.
25:42Você não imagina a tristeza que você me dá quando você fala isso.
25:46Porque você está afirmando para mim, para todos nós, com todas as letras, que ninguém
25:52está nem aí para o país, para o Brasil, para alguma melhoria.
25:55Um está querendo é passar, dar uma calça arriada no outro ou dar um pontapé no outro.
25:59Ninguém está preocupado em discutir projetos, crescimento, dinheiro, investimento, o nosso
26:06papel em nível internacional.
26:08Todo mundo, você está afirmando para mim, que está preocupado em um derrubar o outro.
26:13Isso é de uma tristeza.
26:15Por isso que o Brasil é esse país pobre, miserável e nunca vai para frente.
26:19Por isso.
26:20Eu falo assim, o Brasil não vai dar certo, mas também não vai dar errado.
26:26O Brasil vai ser isso por muitas e muitas décadas.
26:32Então, o Brasil cumpre um papel muito específico na economia mundial, que é ser essa fazenda
26:37do mundo.
26:38E vai ser por muitos e muitos anos.
26:40E vai ser enquanto o mundo precisar comer, nós vamos ser essa economia.
26:43Que não tem terra agricultável, não, só aqui mesmo.
26:45Mas essa discussão de mais longo prazo sobre o futuro do Brasil, ela simplesmente não
26:50acontece no eleitor que de fato move a eleição.
26:53Mas isso é muito triste, Matheus.
26:55Isso é muito triste.
26:57A gente faz debates aqui na TV Alterosa, no SBT, todas as emissoras fazem.
27:03Raramente, e eu cubro debate desde o primeiro, viu?
27:06Desde 85.
27:08Não, a eleição não foi em 85.
27:10A eleição do Fernando Collor de Mello foi na campanha de 89.
27:15Eu também cobri a campanha e cobri a posse.
27:18Desde então, e vão-se 40 anos, não se debate política pública.
27:25Não chega aqui, eu estou no debate com você, eu falo assim, ó, Matheus, eu vou construir
27:29um hospital de 100 leis.
27:31Você fala, eu vou fazer um de 102, vote em mim, porque o meu hospital vai ser maior
27:35que o dele.
27:35Não existe isso.
27:38Isso me entristece.
27:39Essa cultura de avaliação de políticas públicas, ela é inexistente no Brasil.
27:44Não se existe uma cultura de avaliação de políticas públicas.
27:47O eleitor não está nem aí para isso, né?
27:48Não é que o eleitor não está nem aí.
27:50Se você pegar a demografia do eleitorado brasileiro, você vai ver que cerca de 15%
27:56da população tem ensino superior e cerca ali, dependendo, claro, do estado, da demografia,
28:03cerca de 85% tem ensino fundamental e médio.
28:06Fora os analfabetos, que chegam a 80% em determinados estados.
28:11Então, é muito difícil para esse eleitor, que não tem um nível formal de instrução,
28:17fazer uma análise muito profunda sobre a efetividade ou não das políticas públicas.
28:21E, claro, quando a gente está em BH, que é um polo, que é uma cidade que tem uma estrutura
28:26muito melhor, você até consegue abstrair um pouco dos problemas mais imediatos.
28:31Mas, quando a gente vai para os rincões, para o Brasil profundo, a gente vê que as necessidades
28:36lá são tão básicas, como, por exemplo, um asfalto para chegar até a comunidade,
28:42um calçamento, que é muito difícil o eleitor, perante essas necessidades tão básicas,
28:51pensar em uma política pública de mais longo prazo.
28:54O eleitor brasileiro trata a eleição igual a Copa do Mundo?
28:57Igual a Copa do Mundo?
28:58Ah, vai torcer para um, vai torcer para outro.
29:01O eleitor brasileiro está muito mais preocupado no curtíssimo prazo
29:05do que no planejamento mais longo.
29:08E isso impacta muito na forma como ele decide seus candidatos.
29:14Então, quanto mais rápido for o benefício prometido pelo político,
29:20maior a chance desse eleitor prestar atenção no que esse político tem a dizer.
29:24Então, se o político fala assim, eu vou fazer um plano de 30 anos
29:28para resolver a saúde de Minas.
29:31E tem um outro político que fala assim, eu vou concorrer...
29:34Vem, vou construir um pronto-socorro no seu bairro.
29:37Quem que você acha que o eleitor vai prestar mais atenção?
29:39Eu? Vota no Carline na hora.
29:41Ganhei, Brasil.
29:42Então, porque as necessidades, elas são muito urgentes para a grande maioria dos eleitores.
29:47Principalmente para o que a gente chama de Brasil profundo.
29:49E o eleitor, você desculpa que nós estamos caminhando para o encerramento,
29:53você desculpa eu acelerar.
29:56O eleitor pode, existe assim no nosso cenário, que você pesquisa todo dia,
30:02um eleitor que possa votar na direita, no nível federal, na esquerda, no nível estadual,
30:10no centrão para deputado.
30:13Então, o eleitor, ele vota assim?
30:15Perfeitamente.
30:16O voto, ele é muito mais pessoal do que partidário.
30:20Vamos pegar Minas na eleição de 2018.
30:23Ganhou Lula, do PT, ganhou Zema na estadual.
30:31Primeiro turno, reeleito em primeiro turno, né?
30:33E no Senado, ganhou Cleitinho, que fazia parte da chapa.
30:37Eu estou falando da primeira ou da segunda?
30:382022.
30:39Da última, é. Foi a reeleição do Zema.
30:41Então, nós tivemos Lula para presidente, que ganhou.
30:44Esquerda.
30:45Zema.
30:45Direita, reeleito em primeiro turno.
30:47E Cleitinho no Senado, que era da chapa do Bolsonaro.
30:50E a grande maioria dos deputados, do centrão.
30:54Que não era nem PT, nem PL.
30:56Ou seja, o eleitor, ele vota muito mais...
30:59Na pessoa.
31:00Na pessoa, e como que essa pessoa se conecta com os problemas reais, do que no partido.
31:07Por isso que eu falo, de 40, 60% do eleitorado, não é nem esquerda, nem direita.
31:13Ele está muito mais preocupado com os problemas, com a credibilidade da pessoa,
31:17e como que aquela pessoa, aquele candidato, se conecta com os próximos quatro anos,
31:23com o próximo ciclo eleitoral, dentro da conjuntura proposta e identificada, muitas vezes, através de pesquisa.
31:29O dia seu é igual ao outro, né?
31:31Não.
31:31A pesquisa de hoje, amanhã já é outra, né?
31:33Muda muito, mas existem elementos que se repetem ao longo dos ciclos.
31:41Então, por exemplo, 2018 era um ciclo de renovação.
31:45A renovação vem perdendo força.
31:47Em 2022 tem menos renovação.
31:50E hoje, em 2026, a gente já vê um crivo muito mais baseado na experiência, no serviço prestado e no
31:59legado.
32:00Então, isso vai mudando, mas vai mudando a conjuntura geral de uma forma um pouco mais lenta.
32:06E as campanhas vão tentando correr atrás disso e se conectar nessa conjuntura, nessa demanda e nesse anseio do eleitor.
32:15Vamos rezar para os eleitores votarem com consciência, né?
32:19Porque o que eu sempre falo para as pessoas, não me interessa em quem você vai votar, mas cobre em
32:26quem você votou.
32:27Cadê aquilo que você prometeu?
32:28Cobre.
32:29Aí você chega e pergunta, quem que você votou para deputado?
32:31Nem lembra.
32:32Não lembro.
32:32Quem que você votou para deputado?
32:34Ah, não lembro.
32:35Não lembro.
32:36Matheus, muito obrigado pela sua presença mais uma vez, tá?
32:40Sucesso nesse ano.
32:41Muita paz no seu ano eleitoral para você e para nós todos no Brasil.
32:45E que o eleitor, eu acredito que ele se conscientize mais a cada dia, né?
32:50Para votar com consciência, né?
32:52Porque acho que aí já vai ajudar muito.
32:53Muito obrigado pelo convite.
32:55Paz para mim só depois das eleições.
32:57Mas até chegar lá, muito trabalho e muita conversa com os eleitores.
33:02O homem fica dentro da guerra.
33:03Matheus Dias, economista, analista de pesquisas de opinião, analista político,
33:08nos honrou com a presença hoje aqui no Emílio.
33:10Muito obrigado a vocês.
33:12Muito obrigado pelo carinho.
33:13Não se esqueçam, em segunda-feira, na edição impressa do Jornal dos Estados Unidos.
33:18Tchau.
33:18Tchau.
33:27Tchau.
33:28Tchau.
33:29Tchau.
33:33Tchau.

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