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  • há 21 horas
A História COMPLETA de Jerusalém | A Cidade Que Foi Destruída e Renasceu Por 3.000 Anos |

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00:00A história completa de Jerusalém, a cidade que foi destruída e renasceu.
00:06Por 3 mil anos, no ano 70 da nossa era, as legiões de Roma incendiaram o templo mais rico do
00:13mundo antigo
00:14e arrasaram esta cidade até a última pedra.
00:17E essa nem foi a primeira vez que Jerusalém virou cinzas.
00:22Nem seria a última.
00:24Agora, olhe para o motivo de tudo isso.
00:27Não é ouro, não é um grande rio, não é um porto, não é uma rota de comércio.
00:34É apenas um fino veio de água que escorre de uma rocha, numa colina seca do Oriente Médio.
00:42Não havia ali nada que um império devesse cobiçar.
00:46E mesmo assim, esse pequeno fio de água deu origem à cidade mais disputada da história da humanidade.
00:53Babilônios, romanos, persas, califas, cruzados, todos a sitiaram, queimaram e tentaram apagar dos mapas.
01:05Mais de uma vez, ela foi reduzida a escombros, com o próprio nome riscado da história.
01:11E todas as vezes, contra qualquer lógica, ela voltou.
01:19A pergunta deste vídeo não é como Jerusalém foi destruída.
01:23É por que ela se recusou a morrer.
01:26E por que, ainda agora, quando você abre o noticiário e vê esse nome,
01:32está olhando para uma disputa que começou ao redor desse mesmo fio de água, há 30 séculos.
01:39Imagine que você está parado nessa colina por volta do ano 1000 antes de Cristo.
01:45O ar é seco e carrega o cheiro de poeira e de pequenas fogueiras.
01:51Abaixo de você, encravada na encosta, há uma cidade pequena e teimosa,
01:56protegida por muralhas de pedra bruta.
02:00Os povos da região a chamam de Cidade dos Jebuseus.
02:03Ela não é grande.
02:05Talvez alguns milhares de pessoas vivam ali dentro.
02:09Mas ela guarda uma coisa que, naquele lugar, vale mais do que ouro.
02:15A fonte de Gion.
02:16A única nascente que jorra água o ano inteiro por quilômetros e quilômetros ao redor.
02:23E é aqui que está a primeira chave para entender tudo o que vem depois.
02:29Numa terra de colinas íngremes e secas, onde a água decide quem vive e quem morre,
02:36controlar aquela única nascente significava controlar a própria vida.
02:41Mas repare numa segunda coisa, ainda mais estranha.
02:45A cidade está encaraptada sobre uma língua estreita de pedra,
02:50cercada por vales profundos que funcionam como muralhas naturais,
02:55e um pouco fora dos grandes caminhos.
02:59É um lugar fácil de defender e difícil de alcançar.
03:03Não o tipo de sítio que enriquece, e sim o tipo onde gente assustada se refugia.
03:10E não pense que a disputa por essa colina começou com Davi.
03:14Ela é muito mais antiga.
03:16Cerca de 350 anos antes dele,
03:20num punhado de tabuinhas de argila enviadas ao faraó do Egito,
03:25um pequeno rei local chamado Abdi-Epa implora desesperadamente por reforços.
03:32Ele governa uma cidade que chama de Urusalim,
03:35e teme perdê-la para inimigos que se aproximam.
03:39Essas tabuinhas, conhecidas como as Cartas de Amarna,
03:44guardam a primeira vez em que o nome desta cidade aparece na escrita humana.
03:49E repare no que esse primeiro registro contém.
03:53Não é uma fundação.
03:55Não é uma celebração.
03:56É um pedido de socorro.
03:58Um homem aflito, tentando não perder a cidade.
04:02Antes mesmo de ter o nome que conhecemos,
04:05antes de qualquer templo,
04:08antes de Davi,
04:09Jerusalém já era um lugar pelo qual alguém estava disposto a lutar,
04:14e com medo de perder.
04:16E foi exatamente essa obscuridade que fez de Jerusalém um prêmio.
04:22Porque ela não pertencia, por tradição,
04:25a nenhuma das grandes tribos da região.
04:28Era terreno neutro.
04:30E terreno neutro, nas mãos certas,
04:33pode virar a capital de algo maior do que qualquer tribo isolada.
04:37O homem que enxergou isso foi um rei guerreiro vindo do sul.
04:42Os relatos que chegaram até nós
04:45dizem que ele tomou a cidade dos jebuzeus
04:48não pela força bruta dos muros,
04:50mas por um ponto fraco no sistema de água.
04:53E ao plantar sua bandeira ali,
04:56ele fez algo que mudaria a história.
04:59Transformou uma fortaleza esquecida no coração de uma ideia.
05:03A partir desse momento,
05:05Jerusalém deixaria de ser definida pelo que produzia.
05:09Ela passaria a ser definida pelo que as pessoas acreditavam sobre ela.
05:15E é essa a crença, não o ouro, não a água,
05:19não a posição, que vai matá-la repetidas vezes
05:23e fazê-la renascer outras tantas.
05:26Esse rei guerreiro é Davi.
05:29Segundo o relato bíblico,
05:31ele unifica as tribos de Israel
05:34e escolhe Jerusalém justamente porque ela não tem dono,
05:38fazendo dela uma capital
05:40que ninguém podia reivindicar como favorecida.
05:44É uma jogada política tão moderna
05:46que poderia ter saído de um manual de hoje.
05:50E Davi vai além.
05:51Ele traz para a cidade o objeto mais sagrado do seu povo,
05:56a Arca da Aliança.
05:57Num só gesto,
05:59ele funde poder político e poder religioso no mesmo endereço.
06:04A capital do reino passa a ser também o centro da fé.
06:08Aqui é importante ser honesto sobre o que sabemos
06:12e o que apenas acreditamos.
06:14A escala desse reino de Davi
06:16é um dos debates mais acalorados da arqueologia.
06:20Alguns pesquisadores enxergam uma Jerusalém modesta,
06:24uma aldeia de colina que só mais tarde cresceria.
06:28Outros veem já um centro de poder organizado.
06:32A discussão segue aberta.
06:34Mas há uma âncora sólida.
06:36Numa pedra inscrita encontrada ao norte, em Teldan,
06:41um rei inimigo se gaba de ter combatido a casa de Davi.
06:46É um adversário,
06:47escrevendo na própria língua dele,
06:50confirmando que a dinastia de Davi
06:52era real o bastante para se tornar alvo.
06:56O filho de Davi, Salomão,
06:58dá o passo seguinte.
07:00Ele constrói o primeiro templo,
07:02uma morada permanente para a arca,
07:05no alto do monte que domina a cidade.
07:08E aqui vem um dos fatos mais surpreendentes desta história.
07:13Do templo de Salomão,
07:15não sobrou uma única pedra
07:18que a arqueologia possa apontar.
07:20Tudo o que sabemos sobre ele
07:23vem dos textos antigos.
07:25O monte onde ele se erguia
07:27nunca pôde ser escavado,
07:29porque sobre ele se levantam hoje
07:31alguns dos lugares mais sagrados
07:34e mais delicados do planeta.
07:36O edifício mais famoso da Jerusalém Antiga
07:39é, ao mesmo tempo,
07:41o mais invisível.
07:42Depois de Salomão,
07:44o reino se parte em dois.
07:45Ao norte, Israel.
07:48Ao sul, Judá,
07:49com Jerusalém como capital.
07:51E é a partir daqui
07:53que a cidade começa a aprender
07:55a sobreviver ao impossível.
07:57Por volta do ano 800 a.C.,
08:00Jerusalém já era mais rica
08:02e mais organizada do que se imaginava.
08:05Sabemos disso por causa
08:07de uma descoberta recente.
08:08Uma represa monumental,
08:10escavada e datada por cientistas,
08:14construída para domar enchentes
08:16súbitas e secas
08:17numa época de clima instável.
08:20Engenharia de grande porte,
08:23séculos antes do esperado.
08:25A cidade da nascente
08:26estava aprendendo a controlar
08:28a própria água em escala industrial.
08:31Mas o teste de verdade
08:32chega no ano 701 a.C.
08:35O Império Assírio,
08:38a máquina militar mais temida da época,
08:41varre a região.
08:43Cidade após cidade, cai.
08:45E o exército assírio cerca Jerusalém.
08:49O rei de Judá, Ezequias,
08:51sabe o que está em jogo
08:53e faz uma das obras de engenharia
08:56mais audaciosas do mundo antigo.
08:59Para garantir água dentro das muralhas
09:01durante o cerco,
09:02ele manda escavar um túnel
09:04através da rocha viva.
09:07Duas equipes começam a cavar
09:09de pontas opostas no escuro,
09:11mirando o encontro no meio da montanha.
09:14E elas se encontram.
09:16Uma inscrição deixada na parede do túnel
09:19registra o instante
09:20em que os dois grupos ouviram,
09:23do outro lado da pedra,
09:24o som das picaretas um do outro.
09:27Esse túnel existe até hoje
09:29e você ainda pode caminhar por ele.
09:32Ezequias não cuidou apenas da água.
09:35Os textos antigos contam
09:37que ele promoveu
09:38uma profunda reforma religiosa,
09:41concentrando todo o culto no templo
09:43e desativando os pequenos santuários
09:46espalhados pela cidade e pelo reino.
09:49E, de forma impressionante,
09:51a arqueologia recente
09:53parece ter encontrado um eco disso.
09:56Numa escavação na encosta
09:58da antiga Jerusalém,
09:59pesquisadores revelaram
10:01uma estrutura de culto
10:03com oito câmaras talhadas na rocha,
10:06completa com um altar,
10:07uma pedra ereta
10:09e instalações para a produção
10:11do azeite e do vinho
10:12usados em rituais.
10:14É o único santuário desse tipo
10:17já encontrado na cidade
10:19para aquele período.
10:20e o detalhe mais revelador.
10:23Ele foi deliberadamente selado
10:26e abandonado
10:27por volta justamente
10:28da época de Ezequias.
10:31Exatamente o que se esperaria
10:33se aquela reforma religiosa
10:35tivesse mesmo acontecido.
10:38É um daqueles raros momentos
10:39em que a pá do arqueólogo
10:41toca um gesto humano
10:43de quase 3 mil anos atrás.
10:45Foi também dessa Jerusalém
10:48que vieram as palavras bíblicas
10:50mais antigas já encontradas.
10:53Dois minúsculos rolos de prata
10:55achados num túmulo
10:57com um texto de bênção
10:58séculos mais antigo
11:00do que qualquer outra cópia
11:02conhecida da Bíblia.
11:04Prova de que aquelas palavras
11:05já circulavam na cidade
11:07muito antes do exílio.
11:09E aqui está
11:10o que quase ninguém percebe
11:12sobre esse momento.
11:14Jerusalém não venceu
11:16os assírios
11:16numa batalha campal.
11:18Ela simplesmente
11:19não caiu.
11:22O exército mais poderoso
11:24do mundo
11:24cercou a cidade
11:25e por algum motivo
11:27se retirou sem tomá-la.
11:29Para os habitantes
11:31isso virou prova
11:32de que a cidade
11:33era protegida
11:34por algo maior.
11:36Nasceu ali
11:36um mito poderoso
11:38perigoso
11:39que vai assombrar
11:40os séculos seguintes.
11:42A ideia de que Jerusalém
11:44era de alguma forma
11:45indestrutível.
11:47Essa crença
11:48daria força ao povo
11:49nos momentos
11:50mais sombrios.
11:51E também o levaria
11:53mais de uma vez
11:54direto para a catástrofe.
11:57Porque a cidade
11:58que os assírios
11:59não conseguiram tomar
12:01acabou encontrando
12:02um inimigo
12:03que não recuou.
12:05No ano
12:05586 a.C.
12:08visto o Império
12:09Babilônico
12:10sob Nabucodonosor
12:11cerca Jerusalém.
12:13Desta vez
12:14não há milagre.
12:16As muralhas
12:17são rompidas,
12:18a cidade
12:19é saqueada
12:19e o Templo
12:20de Salomão,
12:21o coração da fé,
12:23o lugar onde se
12:24acreditava
12:25que Deus habitava,
12:26é incendiado
12:28e arrasado.
12:29A elite da cidade
12:31é arrastada
12:32acorrentada
12:32para o exílio
12:33na Babilônia.
12:34A arqueologia
12:36confirma
12:37essa destruição.
12:38Há uma camada
12:39de cinzas
12:40e ruínas
12:41que marca
12:41o fim
12:42daquele mundo.
12:43É a primeira
12:44morte de Jerusalém.
12:46E é exatamente
12:47aqui
12:47que acontece
12:48o paradoxo
12:49mais importante
12:50de toda esta história.
12:52Pela lógica,
12:53um povo arrancado
12:54de sua terra
12:55e separado
12:56de seu templo
12:57deveria desaparecer,
12:59dissolvido
12:59entre os vencedores,
13:01como tantos
13:02outros sumiram.
13:03mas o oposto
13:04aconteceu.
13:06Longe de Jerusalém,
13:07sem templo,
13:08sem altar,
13:09sem cidade,
13:11aquele povo
13:11foi obrigado
13:12a reinventar
13:13a própria fé.
13:14Em vez
13:15de um lugar físico,
13:17a religião
13:17passou a viver
13:18no texto,
13:19na palavra,
13:20na reunião,
13:22em algo
13:22que cabia
13:23na memória
13:24e podia ser carregado
13:26para qualquer
13:26canto do mundo.
13:28A destruição
13:29do templo,
13:29que deveria ser
13:30o fim,
13:31acabou criando
13:32uma forma
13:32de fé portátil
13:34e indestrutível.
13:36Nabucodonosor
13:37quis apagar
13:38Jerusalém.
13:39Sem saber,
13:40ele a tornou
13:41impossível
13:41de apagar.
13:42E então
13:43vem o retorno.
13:45Quando o Império Persa,
13:46sob Ciro,
13:47o Grande,
13:48conquista
13:49a Babilônia,
13:50ele autoriza
13:51os exilados
13:52a voltar
13:53e reconstruir.
13:54Um documento
13:55da época,
13:56o Cilindro de Ciro,
13:58registra
13:58essa política
13:59de permitir
14:00que povos
14:01deslocados
14:02retornassem
14:03às suas terras.
14:04Os que voltam
14:05erguem um segundo
14:06templo
14:07no mesmo monte.
14:09Décadas depois,
14:10sob nova autorização
14:11persa,
14:12um líder
14:13chamado
14:13Neemias
14:14reconstrói
14:15as muralhas
14:16da cidade.
14:17Jerusalém,
14:18que tinha sido
14:19reduzida a escombros,
14:20está de pé
14:21outra vez.
14:22Primeira morte,
14:24primeiro renascimento.
14:25Os séculos
14:26seguintes
14:27trazem
14:27novos senhores,
14:29os gregos
14:30de Alexandre,
14:31depois
14:31seus sucessores.
14:33Quando um rei
14:33estrangeiro
14:34tenta proibir
14:35a fé judaica
14:36e profana
14:37o templo,
14:38estoura
14:39a revolta
14:39dos macabeus.
14:40E o templo
14:41é purificado
14:42e rededicado
14:44num episódio
14:45que se tornaria
14:46a origem
14:47de uma festa
14:48celebrada
14:48até hoje.
14:50A cidade
14:51volta a ter
14:52reis próprios
14:53por um tempo.
14:53antes de cair
14:55na órbita
14:56de uma nova potência
14:57que vinha
14:58do oeste,
14:59Roma.
15:00A chegada
15:01de Roma
15:01deixa uma cena
15:03que ficou famosa.
15:04Em 63 a.C.,
15:06o general
15:07romano Pompeu
15:08toma Jerusalém
15:09e faz algo
15:10impensável
15:11para os habitantes.
15:13Ele entra
15:14no recinto
15:14mais sagrado
15:15do templo,
15:16o Santo dos Santos,
15:18onde só
15:18o sumo sacerdote
15:20podia pôr os pés
15:21e apenas
15:22uma vez
15:23por ano.
15:23Pompeu
15:24queria ver
15:25com os próprios olhos
15:26o tesouro
15:27daquela fé
15:28tão temida.
15:29Segundo os relatos,
15:31ele encontrou
15:31a câmara vazia.
15:33Nenhuma estátua,
15:34nenhum ídolo,
15:36nenhum deus
15:36de ouro.
15:37Para os romanos,
15:39acostumados
15:39a templos
15:40lotados
15:41de imagens,
15:42aquilo era
15:43quase incompreensível.
15:45O coração
15:46da cidade
15:46mais devota
15:47do mundo
15:48guardava,
15:49em seu ponto
15:50mais sagrado,
15:51um espaço vazio.
15:53Roma
15:54tinha conquistado
15:55a cidade,
15:55mas ainda
15:56não fazia ideia
15:57do que estava
15:58enfrentando.
15:59E é sob a sombra
16:00de Roma
16:01que Jerusalém
16:02atinge
16:03o seu auge físico.
16:04O responsável
16:05é uma das figuras
16:07mais sombrias
16:08e mais ambiciosas
16:09da sua história.
16:11Herodes,
16:12o grande.
16:13Odiado
16:13por boa parte
16:14do próprio povo,
16:16Herodes era,
16:17ainda assim,
16:17um construtor
16:19obsessivo.
16:20Ele reconstrói
16:21o templo
16:22numa escala
16:23monumental
16:23e, para isso,
16:25faz algo
16:25de tirar o fôlego.
16:27Ele praticamente
16:28dobra o topo
16:29da montanha,
16:30criando uma
16:31plataforma artificial
16:32gigantesca
16:33para sustentar
16:34o complexo.
16:36Para você ter
16:37ideia do tamanho,
16:38essa plataforma
16:39cobre cerca
16:40de 140 mil
16:41metros quadrados,
16:43o equivalente
16:44a mais ou menos
16:4520 campos
16:46de futebol,
16:47suspensos
16:48sobre muros
16:49de contenção
16:49colossais.
16:50Alguns dos blocos
16:52de pedra
16:52desses muros
16:53pesam
16:54dezenas
16:55de toneladas.
16:56Há um deles,
16:57conhecido como
16:58a Pedra Ocidental,
17:00estimado em cerca
17:01de 570 toneladas,
17:04mais pesado
17:05do que dois aviões
17:06comerciais lotados,
17:08encaixado no lugar
17:09sem guindastes,
17:11sem motores,
17:12apenas com engenho humano.
17:14Há Jerusalém
17:15que Herodes
17:16constrói
17:16é a maior
17:18e mais imponente
17:19que o mundo antigo
17:20jamais veria.
17:22E se você está
17:23acompanhando
17:23esta história
17:24até aqui
17:25e ainda não se inscreveu
17:27no canal,
17:27é exatamente
17:28este tipo
17:29de jornada
17:30que nós reconstruímos
17:32toda semana.
17:33As cidades
17:34e os impérios
17:35que moldaram o mundo,
17:37contados por inteiro,
17:38do começo ao fim.
17:40Inscreva-se agora
17:41para não perder
17:42os próximos,
17:43porque essa Jerusalém
17:45deslumbrante,
17:46no auge
17:47do seu esplendor,
17:49estava prestes
17:50a viver
17:50a maior catástrofe
17:52de toda a sua história.
17:54E o que aconteceu
17:55em seguida,
17:56não apenas destruiu
17:57a cidade,
17:58mudou para sempre
18:00o curso
18:00de três religiões
18:01e do mundo ocidental.
18:03Para sentir
18:04o tamanho
18:05do que estava
18:06por vir,
18:07é preciso ver
18:08a cidade
18:08meses antes.
18:10No auge,
18:11a cada grande festa,
18:13dezenas de milhares
18:14de peregrinos
18:15subiam dos arredores
18:17em direção
18:18ao templo,
18:18percorrendo
18:19uma larga via
18:20de pedra
18:21que ligava
18:22o tanque de silhué,
18:23na parte baixa,
18:25ao Monte Sagrado,
18:26no alto.
18:28Essa rua
18:29foi reencontrada
18:30e escavada
18:31em tempos recentes,
18:33depois de quase
18:34dois mil anos
18:35enterrada.
18:35as mesmas lajes
18:38que aqueles
18:38peregrinos pisaram.
18:41Era uma Jerusalém
18:42esplendorosa,
18:43lotada,
18:44confiante,
18:45e foi exatamente
18:47esse esplendor
18:48que estava prestes
18:49a desaparecer.
18:51Há um objeto
18:52que torna
18:53o que vem a seguir
18:54quase insuportavelmente
18:56humano.
18:58Arqueólogos
18:58encontraram
18:59uma moeda de bronze
19:00cunhada pelos
19:01próprios habitantes
19:03da cidade
19:03poucos meses
19:04antes do fim.
19:06Mesmo já
19:07sob a sombra
19:08de Roma,
19:09eles continuavam
19:10a emitir moeda
19:11com mensagens
19:12de fé
19:13na sobrevivência
19:14de Jerusalém.
19:15Era gente
19:16que ainda
19:17acreditava
19:17que a cidade,
19:19como sempre,
19:20resistiria.
19:21Eles não sabiam
19:22que desta vez
19:23seria diferente,
19:24mas desta vez
19:25foi diferente.
19:27Você está agora
19:28dentro da cidade,
19:29no ano 70
19:30da nossa era.
19:32Anos de tensão
19:33com o domínio romano
19:34explodiram numa revolta
19:36e Roma respondeu
19:37com toda a sua
19:38máquina de guerra.
19:40As legiões
19:41cercaram Jerusalém,
19:43ergueram um muro
19:44ao redor dela
19:45para que ninguém
19:46pudesse fugir
19:47e apertaram o cerco
19:49mês após mês.
19:50Lá dentro,
19:51o horror se instala,
19:53a fome se espalha,
19:55as facções da cidade
19:57lutam entre si
19:58enquanto o inimigo
20:00aperta o laço
20:01do lado de fora.
20:02Do alto das muralhas,
20:04os defensores
20:05veem as máquinas
20:06de cerco
20:06subindo as rampas,
20:08lançando pedras
20:09e fogo.
20:10O cheiro de fumaça
20:11e de morte
20:12toma o ar.
20:14E então,
20:15as legiões
20:15rompem as defesas.
20:17O ponto mais alto
20:19da tragédia
20:19é o templo.
20:21Segundo as fontes
20:22antigas,
20:23em especial,
20:24o historiador
20:25Flávio Josefo,
20:26que viveu aquela guerra
20:27e a relatou,
20:28A destruição do templo
20:31talvez não estivesse
20:32nos planos originais
20:34do comandante romano,
20:35Tito.
20:36Mas,
20:37no meio do combate,
20:38o fogo se alastrou,
20:40tomou as estruturas
20:42de madeira
20:42e ouro
20:43e nada mais
20:45pôde contê-lo.
20:46O grande templo
20:47de Herodes,
20:48a obra que tinha sido
20:50o orgulho
20:51de toda uma civilização,
20:53ardeu
20:53até virar ruína.
20:55É preciso dizer
20:56que Josefo,
20:57ao narrar
20:58os números
20:59de mortos,
21:00exagera de forma
21:01reconhecida
21:02pelos próprios
21:03historiadores.
21:04Mas,
21:05mesmo descontando
21:06o exagero,
21:07o que restou
21:08foi uma das maiores
21:09catástrofes
21:10do mundo antigo.
21:12É a segunda morte
21:13de Jerusalém
21:14e a mais profunda.
21:17E aqui está
21:18a ironia
21:18mais cruel
21:19desta história.
21:21O destruidor
21:22virou guardião
21:23da memória
21:24do que destruiu.
21:25Em Roma,
21:27ainda hoje,
21:28existe um monumento
21:29chamado
21:30Arco de Tito,
21:32erguido para celebrar
21:33essa vitória.
21:34E é justamente
21:35nesse Arco do Vencedor
21:37que está esculpida
21:39uma das imagens
21:40mais preciosas
21:41que temos
21:42do candelabro sagrado
21:43do templo.
21:44Carregado
21:45como espólio
21:46de guerra,
21:47quem queria apagar
21:48a memória
21:49de Jerusalém
21:50acabou eternizando-a
21:52em pedra,
21:52no coração
21:53do próprio império.
21:55Mas a cidade
21:56ainda não tinha
21:57tocado o fundo.
21:59Cerca de 60 anos
22:01depois,
22:01uma nova revolta,
22:03a de Bar Kokhba,
22:05provoca uma resposta
22:06ainda mais radical
22:08do imperador Adriano.
22:10Desta vez,
22:11Roma decide
22:11não apenas vencer,
22:13mas apagar.
22:15Adriano
22:15reconstrói o lugar
22:17como uma cidade
22:17romana pagã,
22:19dá a ela
22:20um novo nome,
22:21a Hélia Capitolina,
22:22e proíbe os judeus
22:24de sequer entrar.
22:25A própria palavra,
22:27Jerusalém,
22:28é riscada
22:29dos mapas oficiais.
22:30Pela lógica do poder,
22:32era o fim definitivo.
22:34A cidade tinha sido
22:36destruída,
22:37rebatizada,
22:38e seu povo
22:39banido.
22:40Nenhuma cidade
22:42deveria sobreviver a isso.
22:44E,
22:44mais uma vez,
22:46ela sobreviveu.
22:47Porque o que mantinha
22:49Jerusalém viva
22:50já não era a pedra,
22:52era a memória.
22:53E memória,
22:54ao contrário de muralhas,
22:56não se derruba
22:57com arietes.
22:58A prova disso
22:59vem de uma direção
23:01que ninguém esperava.
23:02Quase dois séculos
23:04depois de Adriano
23:05tentar apagá-la,
23:06a cidade renasce.
23:08Agora,
23:09sob uma nova fé.
23:11O imperador romano
23:12Constantino
23:13se converte
23:14ao cristianismo,
23:15e sua mãe,
23:16Helena,
23:17viaja à cidade
23:18em busca dos lugares
23:20ligados à vida
23:21de Jesus.
23:22Sobre o sítio
23:23identificado pela tradição
23:25como o do sepulcro,
23:27ergue-se
23:27a Igreja do Santo Sepulcro.
23:30Jerusalém,
23:31antes capital
23:32de um reino
23:32e centro de um povo,
23:34vira o destino
23:35de peregrinos
23:36de um terceiro continente,
23:38segundo o Renascimento.
23:40E o ciclo
23:40não para mais.
23:42No ano 614,
23:44exércitos persas
23:45saqueiam a cidade,
23:46incendeiam o Santo Sepulcro
23:48e levam embora
23:49a relíquia tida
23:51como a Vera Cruz.
23:53Poucos anos depois,
23:54em 630,
23:56o imperador bizantino
23:57Heráclio
23:58reconquista Jerusalém
24:00e devolve
24:01solenemente
24:02a relíquia.
24:03Destruição
24:03e renascimento,
24:05de novo,
24:06em menos de uma geração.
24:07Então,
24:08no ano 638,
24:10chega a uma
24:11terceira grande fé.
24:12As tropas muçulmanas,
24:14sob o califa Omar,
24:16tomam a cidade,
24:17desta vez,
24:18de forma pacífica.
24:19E décadas mais tarde,
24:21sobre a mesma rocha
24:22onde um dia
24:23esteve o templo,
24:24é erguido
24:25o Domo da Rocha,
24:27com sua cúpula
24:28dourada,
24:29que se tornaria
24:30o símbolo visual
24:31de Jerusalém
24:32no mundo inteiro.
24:33E é aqui
24:34que está, talvez,
24:35o fato mais extraordinário
24:37desta cidade.
24:38Aquele mesmo
24:39afloramento de pedra,
24:41no alto do monte,
24:42passou a ser sagrado
24:44para três religiões
24:45ao mesmo tempo.
24:47Para judeus
24:48e cristãos,
24:49por sua ligação
24:50com o templo
24:51e com a tradição
24:52do sacrifício
24:53de Abraão.
24:54Para muçulmanos,
24:56como ponto ligado
24:57à viagem noturna
24:58do profeta Maomé.
25:00Três fés,
25:01cada uma
25:02com sua própria razão,
25:04reverenciando
25:05o mesmo pedaço
25:06de rocha.
25:06O metro quadrado
25:08mais disputado
25:09do planeta.
25:10E disputa
25:11significava
25:13sangue.
25:13No ano 1009,
25:15um califa
25:16ordena que o santo
25:17sepulcro
25:17seja arrasado
25:19até a rocha,
25:20um episódio
25:21que ajudaria
25:22a inflamar
25:22os ânimos
25:23na Europa cristã
25:24e a acender
25:25o estopim
25:26das cruzadas.
25:27E quando os cruzados
25:28finalmente chegam,
25:29em 1099,
25:31eles não vêm
25:32para negociar.
25:34Depois de semanas
25:35de cerco,
25:36rompem as muralhas
25:37e tomam Jerusalém
25:39num dos massacres
25:40mais brutais
25:41de toda a Idade Média.
25:43Sobre esse banho
25:44de sangue,
25:45fundam
25:45um reino cristão.
25:47Agora,
25:48guarde essa cena,
25:49porque a história
25:50vai oferecer
25:51o contraponto perfeito.
25:53Menos de um século
25:55depois,
25:55em 1187,
25:57o líder muçulmano
25:59Saladino
25:59reconquista
26:00a cidade.
26:01Pelos códigos
26:03da época,
26:03ele teria
26:04todo o direito
26:05de fazer
26:06com os cristãos
26:07o que os cruzados
26:08fizeram
26:08com os habitantes
26:09de Jerusalém
26:10e fez o oposto.
26:12Poupou a população,
26:14permitiu resgates,
26:16conteve
26:16as próprias tropas.
26:18No mesmo solo,
26:19em menos de 100 anos,
26:20a cidade viu
26:21as duas faces
26:22extremas do ser humano
26:23diante da vitória,
26:25a carnificina
26:26e a clemência.
26:28Ela ainda
26:28trocaria de mãos
26:29várias vezes.
26:31Em 1244,
26:33um novo saque
26:34a deixaria
26:34outra vez
26:35em ruínas.
26:36Esse saque
26:37de 1244
26:38carrega um detalhe
26:40macabro
26:40que resume bem
26:41o destino da cidade.
26:43Os invasores
26:44que a tomaram
26:45não se contentaram
26:46em matar os vivos.
26:48Eles invadiram
26:49a igreja
26:50do Santo Sepulcro
26:51e profanaram
26:52até os túmulos
26:53dos reis
26:54cruzados ali
26:55sepultados,
26:57espalhando
26:57seus ossos.
26:58Em Jerusalém,
27:00nem os mortos
27:01ficavam em paz.
27:02depois disso,
27:04a cidade
27:04mergulha
27:05num longo
27:06período
27:06de declínio
27:07sob novos
27:08senhores,
27:08os mamelucos,
27:10e por séculos
27:11deixa de ser
27:12o grande prêmio
27:13que um dia fora,
27:15reduzida
27:15a uma cidade
27:16religiosa
27:17de província,
27:18longe das luzes
27:20do poder.
27:21Mas,
27:21como você já deve
27:22ter percebido,
27:23em Jerusalém,
27:25nenhum silêncio
27:26dura para sempre.
27:27E antes
27:28que você pense
27:29que essa contagem
27:30de destruições
27:31e renascimentos
27:32chegou ao fim,
27:34fique comigo.
27:35Porque o que
27:36vem a seguir
27:37é a parte
27:38que quase ninguém
27:39liga ao que
27:40vemos hoje
27:41e que muda
27:42completamente
27:43a forma
27:43como você vai
27:44olhar para o
27:45noticiário
27:46daqui pra frente.
27:48Séculos depois,
27:49sob o domínio
27:50otomano,
27:51o sultão
27:52Solimão,
27:53o Magnífico,
27:55ergue as grandes
27:55muralhas de pedra
27:57que cercam
27:57a cidade velha.
27:59E aqui
27:59vai um detalhe
28:00que surpreende
28:01quase todo visitante.
28:03Aquelas muralhas
28:04imponentes
28:05que aparecem
28:05em toda a fotografia
28:07de Jerusalém
28:07e que parecem
28:09ter milhares
28:09de anos
28:10foram construídas
28:11entre 1537
28:13e 1541.
28:16Em termos
28:16da longa vida
28:17da cidade,
28:18elas são
28:19quase recentes.
28:20A Jerusalém
28:21antiga
28:22que o mundo
28:22imagina
28:23veste,
28:23na verdade,
28:24uma pele
28:25do século XVI.
28:27E foi sob
28:28esse longo
28:29sono
28:29otomano
28:30que a cidade
28:31quase saiu
28:32da história,
28:33encolhida,
28:34modesta,
28:35esquecida
28:36pelas grandes
28:36potências,
28:37até que no século XIX
28:39ela desperta
28:41de novo.
28:42Cônsules europeus
28:43disputam influência
28:45sobre os lugares
28:46sagrados,
28:47peregrinos
28:48voltam em massa
28:49e a população
28:50cresce
28:51a ponto
28:52de transbordar
28:53para fora
28:54das muralhas
28:54pela primeira
28:55vez em séculos.
28:57Bem a tempo
28:58de entrar
28:59no século
28:59mais turbulento
29:00de toda
29:01a sua história.
29:03E chegamos
29:04ao presente
29:04e ao ciclo
29:06mais recente
29:07de morte
29:07e renascimento,
29:09aquele que ainda
29:10está em aberto.
29:12Em 1948,
29:14com o fim
29:15do domínio britânico
29:16e a guerra
29:17que se seguiu,
29:18Jerusalém
29:19é partida
29:20ao meio.
29:21A parte ocidental
29:22fica sob Israel.
29:24A parte oriental,
29:26incluindo a cidade velha
29:27com seus lugares
29:28sagrados,
29:29fica sob a Jordânia.
29:31Por 19 anos,
29:32uma linha de arame
29:33e concreto
29:34corta a cidade
29:35e os judeus
29:37ficam sem acesso
29:38ao muro ocidental,
29:40o último vestígio
29:41da plataforma
29:42do templo.
29:43Então,
29:44em 1967,
29:45na Guerra dos Seis Dias,
29:48Israel toma
29:49a parte oriental
29:50e a cidade
29:51volta a ser
29:52administrada
29:53sob um único poder,
29:55mais uma divisão,
29:57mais uma reunificação.
29:59Mas essa última volta
30:00não encerrou
30:01a disputa,
30:02apenas mudou
30:03a sua forma.
30:04Hoje,
30:05Israel declara
30:06Jerusalém
30:07sua capital
30:08eterna
30:08e indivisível.
30:10Os palestinos
30:11reivindicam
30:12Jerusalém Oriental
30:13como a capital
30:15de um futuro Estado.
30:17O reconhecimento
30:18internacional
30:19permanece dividido.
30:21A pergunta
30:22de 3 mil anos,
30:23de quem é
30:24esta cidade?
30:26Continua
30:27sem resposta
30:28definitiva.
30:29E é aqui
30:30que a história
30:31deixa de ser
30:32sobre o passado
30:33e passa a ser
30:34sobre você.
30:35Na próxima vez
30:36que você abrir
30:37o noticiário
30:38e vir o nome
30:39de Jerusalém
30:40numa manchete,
30:41lembre-se
30:42de que não
30:43está vendo
30:43um conflito
30:44moderno qualquer.
30:46Você está vendo
30:47o capítulo
30:47mais recente
30:48de uma disputa
30:49que começou
30:50ao redor
30:51de um fio
30:51de água
30:52há 30 séculos
30:54por causa
30:55não do que
30:55aquela colina
30:56produzia,
30:57mas do que
30:58as pessoas
30:59acreditavam
31:00sobre ela.
31:01As armas
31:02mudaram.
31:03As bandeiras
31:04mudaram.
31:05A pergunta
31:06é a mesma.
31:08Jerusalém
31:08não nos ensina
31:09sobre Jerusalém.
31:11Ela nos ensina
31:12sobre nós,
31:13sobre o que
31:14os seres humanos
31:15constroem
31:16quando acreditam
31:16em algo maior
31:17do que eles próprios
31:19e sobre o que
31:20são capazes
31:21de destruir
31:22quando temem
31:23perdê-lo.
31:24Uma cidade
31:25sem rio,
31:26sem porto
31:27e sem ouro
31:28virou o lugar
31:29mais disputado
31:30da Terra,
31:31foi reduzida
31:32a cinzas
31:33vezes sem conta
31:34e todas as vezes
31:36voltou,
31:37não porque
31:38suas pedras
31:38fossem indestrutíveis,
31:40mas porque
31:41a ideia
31:42que ela carregava
31:43era.
31:44Se esta história
31:45te deu algo
31:46que você não tinha
31:47antes de começar
31:48a assistir,
31:49é exatamente isso
31:51que construímos aqui,
31:52semana após semana.
31:55Inscreva-se,
31:56porque o próximo capítulo
31:58da História do Mundo
32:00já está esperando
32:01por você.
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