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  • há 10 horas
Estatística revela que 2 milhões de menores de idade testemunham agressões contra as mães anualmente. Especialistas alertam para marcas psicológicas que podem durar até a vida adulta.
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Transcrição
00:00Uma estatística que enfatiza o tamanho do problema, 7 em cada 10 crianças que presenciam a violência doméstica ou feminicídio
00:10no Brasil são filhos da vítima.
00:13Olha só, eu chamo atenção para esse número, 7 em cada 10 são 70%.
00:19Todos os anos, cerca de 2 milhões de meninos e meninas testemunham, veem as agressões contra as mães.
00:28São histórias de dor e tristeza que deixam marcas profundas, causam trauma.
00:35A nossa equipe conheceu um projeto que ajuda e dá apoio a essas famílias. Vamos conferir.
00:42Hoje, essa mãe, que é uma cozinheira de 31 anos, comemora poder segurar o filho de 2 anos no colo.
00:49Ainda na gestação, ela e o bebê foram agredidos a ponto de ser necessária uma hospitalização de 5 dias.
00:56O autor foi o próprio pai da criança.
00:59Ele estava bêbado na rua, eu ainda fui ajudar ele, eu vim para casa, aí eu estava conversando com a
01:05mulher na varanda, ele falou que eu tinha que estar doendo a dele e me expulcou.
01:10Eu fiquei 5 dias no hospital, eu gritava que eu estava grávida do filho dele, né?
01:15E ele nem aí, só batia.
01:19A mulher coleciona boletins de ocorrência, são 8 ao todo.
01:23Um dos mais recentes é por descumprimento de medida protetiva.
01:27As ameaças de morte são feitas também por mensagens, como nessa em que o ex afirma que vai fazer o
01:33mesmo que o ex-goleiro Bruno Fernandes,
01:35condenado pelo assassinato da ex-mulher.
01:38E além do filho do ex-casal, as violências que sofreu também foram presenciadas pelos outros dois filhos dela, hoje
01:45com 13 e 7 anos de idade.
01:48O nosso filho presenciou, gritava, isso aí foi uma das primeiras.
01:52Que foram várias, várias agressões, tentar ir na rua, isso aí foi só um início de umas 20 vezes que
02:04eu apanhei.
02:05Essa história que você acaba de conhecer é uma entre tantas que escancaram uma realidade dolorosa, a de quem testemunha
02:12as agressões.
02:13No último ano, 7 em cada 10 episódios de violência contra as mulheres foram presenciados pelos filhos delas.
02:21São cenas que marcam a infância e também acompanham essas vítimas indiretas ao longo da vida.
02:29Pensando no amparo aos filhos da violência, a Tânia é uma das idealizadoras do projeto Cuidar Bem Mais.
02:37No espaço que fica no centro de Vila Velha, crianças e adolescentes de 7 a 17 anos recebem atendimento gratuito
02:45para superar a violência doméstica.
02:47Estar em situação de violência e presenciar situações de violência desde a infância pode trazer consequências gravíssimas para essa criança
02:56ao longo do desenvolvimento dela.
02:58Tanto o desenvolvimento cognitivo, quanto o social, quanto a questão emocional.
03:03Essa mesma missão move a Jusceléia, que orienta mulheres vítimas de violência a terem acesso aos seus direitos.
03:10O projeto Movimento Liberta ajuda mulheres na região 5 de Vila Velha que compartilham uma realidade parecida.
03:18A maioria dessas mulheres que a gente recebe, elas têm uma faixa de 15 a 35 anos.
03:23São mulheres em idade produtiva.
03:25Muitas dessas mulheres, o mínimo, quantos filhos mínimos que elas têm são três filhos.
03:29Muitas são dependentes financeiramente e emocional desse homem.
03:32Algumas vivem de benefício assistencial, que é o Bolsa Família, ou seja, elas estão na vulnerabilidade em todos os lados.
03:39E como apontam especialistas, reproduzir a violência é uma tendência de quem vive essa realidade.
03:46Marca profundamente toda e qualquer criança que tiver acesso, que assistir o pai fazendo esse tipo de violência contra a
03:57mãe.
03:57Isso terá marcas profundas para toda a vida da criança.
04:01Então, essas crianças se lembrarão dessa violência.
04:05Essas crianças ficarão marcadas por essa violência.
04:07Isso terá impactos psicológicos na vida dessas crianças para sempre, até a fase adulta.
04:15É um problema que precisa ser resolvido, né, gente, por toda a sociedade.
04:20Um problema em que se a gente não enxerga, se a gente finge que a gente não vê, ele vai
04:25continuar existindo.
04:26E a gente mostrou aqui essa semana um garoto de seis anos que entrou na frente do agressor da mãe
04:33pedindo,
04:33pelo amor de Deus, para não fazer aquilo porque não teria quem cuidasse dele se ela morresse.
04:39Como disse a Helda aí, a especialista, essa criança vai ficar marcada assim como outras,
04:45mas cabe a nós, como sociedade organizada, o poder público e todas as ONGs envolvidas, cuidar dessa criança
04:52e, claro, precisar de um tratamento, ajudar também.
04:56Esse projeto é de graça, fica na rua 23 de maio, número 33, no centro de Vila Velha
05:03e segue o telefone para o contato.
05:06Esse daí que está na tela, 997974411, eu vou repetir, 997974411.
05:15Em relação ao caso da vítima que nós entrevistamos, a polícia informou que o fato segue sob apuração da unidade
05:24e não há detalhes que possam ser repassados, pelo menos no momento.
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