- há 3 meses
Em média, cinco mulheres são vítimas por dia em todo o Estado.
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NotíciasTranscrição
00:00Hoje o programa tá muito especial, viu gente?
00:02São números que chocam e escancaram um problema antigo, a violência contra a mulher,
00:08que continua fazendo vítimas todos os dias aqui no estado.
00:11A gente acabou de ver um destaque que a Suzy trouxe pra gente, uma mulher encontrada morta em Vila Velha.
00:18Olha, só esse ano foram mais de 1.800 casos de violência doméstica registrados.
00:24E a gente sabe, nem sempre essa violência é física.
00:27Muitas mulheres sofrem agressões verbais, psicológicas, agressão moral dentro de casa
00:35e às vezes nem percebem que estão sendo vítimas.
00:39Já estão nesse ciclo de violência ali há anos, né? 10, 20, 30 anos.
00:43Outras, mesmo sabendo, desistem da denúncia, seja por medo, dependência ou insegurança.
00:51A gente tá acompanhando essa semana, né?
00:53O caso da ex-namorada do ator Dado, do Labela, que retirou a queixa de agressão.
00:59Primeiro falou que não tinha sido agredida, depois uma amiga ajudou aí a trazer esse assunto à tona,
01:04ela afirmou que foi agredida e agora retirou a agressão.
01:07Por que será que é tão difícil romper esse ciclo da violência?
01:11O que acontece, você tá vendo aí, tem gente famosa em todos os lugares, em todas, né?
01:15Não importa a idade, a classe, isso acontece, viu, gente?
01:20O que tá faltando pra essas mulheres se sentirem verdadeiramente protegidas, né?
01:26Vamos conversar sobre esses dados aqui do nosso estado também.
01:29Deixa eu sentar aqui pra tomar um café com Jaqueline Moraes, que é secretária de Estado das Mulheres.
01:36Muito bom dia, Jaque.
01:37Bem-vinda ao Tribuna Manhã.
01:38E eu tô aqui também com a Luana Souza Teles, que gentilmente vai contar um pouco da história dela pra gente aqui no Tribuna Manhã.
01:46Luana, bem-vinda, bom dia.
01:48Bom dia, obrigada.
01:49Deixa eu pedir pra você começar então, Luana.
01:52Você se viu em uma situação de vulnerabilidade, foi vítima de violência que o seu parceiro praticou contra você.
02:01E conta pra gente como é que foram essas agressões e um pouco da sua história.
02:05Bem, eu fui casada há mais de, praticamente, 25 anos, né?
02:11Faltava três meses pra completar 25 anos da separação.
02:15Aliás, faltava um mês.
02:17Bem pertinho, né?
02:18Bem pertinho.
02:19E quando, na realidade, sempre teve esse ciclo, né, da violência, da agressão em todos os aspectos.
02:26Mas, o que acontece com muitas mulheres é que fica naquela esperança de que o outro vai mudar.
02:33E a cada pedido de desculpa, de perdão, a gente acha, não, ele me ama, ele vai fazer diferente.
02:39E foi o que aconteceu comigo, né?
02:42Então, quando eu me separei, por incrível que pareça, né, foi-se utilizado o que a maioria dos homens fazem pra denegrir, pra diminuir, digamos, a veracidade da situação.
02:57Quer dizer que a mulher tá inventando histórias pra poder denegrir a imagem dele.
03:02E eu fui 25 anos de relação.
03:07Ele, hoje, vive um outro relacionamento.
03:09E desse outro relacionamento, também já tem uma Maria da Penha.
03:13Então, você pensa, se um relacionamento de um ano tem uma...
03:16Imagine aquele de 25 anos.
03:18Com certeza.
03:19E o que mais me chamou atenção, que foi aquele, assim, o start pra acordar pra vida,
03:26foram, digamos, as agressões mais vasoverbais mesmo, a psicológica.
03:31Do tipo, assim, me ligar do trabalho, porque uma coisa deu errado dizer, a culpa é sua.
03:38Nossa, você mesmo de longe, você consegue me fazer mal.
03:43Tudo de ruim que acontece na minha vida, a culpa é sua.
03:46E em uma dessas situações, o meu celular era muito alto, o meu filho do meio ouviu.
03:52E aí virou pra mim e falou assim, nossa, mamãe, você é poderosa, né?
03:58Porque ele falou no intuito da inocência da criança.
04:02Nossa, mamãe, você é poderosa, hein?
04:04Você, de longe, consegue fazer mal ao papai.
04:07Nossa, você é biônica.
04:09Por causa dos desenhos, dessas coisas.
04:11E aí, aquilo, eu fiz assim, nossa.
04:14Os filhos estão percebendo aquilo que eu sempre busquei esconder.
04:18Porque muitas dessas agressões, quando eram físicas, ocorria escondido das crianças.
04:23Você chegou a ter, sofrer agressão física?
04:24Sim, eu tenho, por exemplo, aqui a marca no crânio, que é da borda da porta, entendeu?
04:32Daquele caixote.
04:33Então, assim, tem a marca.
04:34Você pega e confere certinho.
04:37E aí, houve uma última situação, por exemplo, ele tentou ter relação comigo na cama onde o meu filho caçula estava.
04:47E aí, eu virei para ele e falei assim, deixa eu tirar meu filho da cama.
04:51E aí, ele não contou conversa, ele aviou aquela negativa como uma agressão para ele.
04:57E aí, ele tentou me estrangular.
04:59No que ele tentou me estrangular, eu estava assim, tão exausta, já eram muitos anos, assim, que eu soltei simplesmente as mãos dele, assim, fechi os olhos.
05:07Falei com Deus, falei, Senhor, faz com que esse inferno acabe logo.
05:11Faz com que ele quebre meu pescoço rápido.
05:13Porque eu estava muito cansada.
05:17E aí, o meu filho caçula, acho que foi coisa de Deus mesmo, na hora, assim, fez o meu filho se mexer e ele folgou o meu pescoço.
05:24Aí, na hora que ele folgou o meu pescoço, assim, eu tive a metodidade de dar um chute nele.
05:28E aí, ele bateu no guarda-roupa, ele caiu.
05:30E o meu outro filho que estava dormindo, né, porque meus filhos são autistas, ele acordou muito assustado.
05:36Que foi isso?
05:36Que foi isso?
05:36Aí, ele, nada, não, filho.
05:39Papai caiu, papai caiu, vai dormir, vai dormir.
05:41E aí, no outro dia, isso foi na madrugada do dia dos namorados, de 2022, meu super presente, né?
05:50E a minha filha tinha combinado de me levar no evento dessas feiras.
05:55Quando chegou nesse evento, eu esqueci, porque sempre que havia uma agressão, eu colocava roupas que cobrissem as hematomas.
06:01E aí, ela resolveu me dar de presente roupa, porque eu tinha emagrecido e tal.
06:08Quando eu fui, que eu troquei de roupa e coloquei uma roupa, tomara que caia, estava a marca do estrangulamento, estava a marca no braço.
06:15E aí, ela olhou para mim e fez assim, ela estava super contente, porque tinha me levado para passear, né?
06:20E aí, ela olhou para mim e falou assim, o sorriso dela mudou na hora, ela olhou para mim e falou assim, o que é isso?
06:28Mais uma vez, mãe, você está nessa relação, pensando nos seus filhos, mas se ele lhe matar, quem vai cuidar dos meus irmãos?
06:38Porque eu teria que trabalhar e alguém teria que cuidar deles.
06:41Quem vai cuidar?
06:44Então, assim, eu acho que a Samara, para mim, nesse momento, foi, né?
06:48Aquele start, ela falou assim, mãe, separa.
06:51E aí, foi quando eu tomei essa coragem e, baseado, né?
06:55Porque eu buscava esconder a violência, os meus filhos já estavam percebendo.
07:00Com certeza, dentro de casa.
07:00Só que eles não entendiam, mas eles falavam em forma de, quando se fosse uma brincadeira,
07:05ai, você conseguiu, mãe, fazer isso?
07:07Nossa, mãe, você é poderosa.
07:09E aí, foi quando eu tomei, graças a Deus, a coragem e estou riva.
07:13Luana, muito obrigada por compartilhar esse depoimento com a gente.
07:16Que depoimento forte, né, Jaque?
07:17Você que está assistindo a gente em casa também.
07:20Acho que a história da Luana, ela se parece muito com a história de muitas capixabas,
07:25de muitas mulheres que estão assistindo a gente.
07:27E é exatamente assim, um casamento que, quem está de fora, às vezes, ninguém desconfia o que está acontecendo dentro de casa.
07:3525 anos vocês estavam para completar.
07:37E a mulher é vítima de diversas violências ali, na frente dos filhos ou dentro do quarto, escondido.
07:45Isso acontece, né, Jaque?
07:47Acontece.
07:48Um bom dia a todos que estão nos ouvindo.
07:51É uma pauta importante porque é a realidade de muitas mulheres.
07:55Hoje, o nosso trabalho na Secretaria de Mulheres é, de fato, fortalecer a rede de enfrentamento à violência.
08:02Porque quando a gente fortalece a rede, a gente faz com que essas mulheres ganhem confiança,
08:08tenham confiança na rede, que ela vai ser acolhida, de que tem projetos sociais que mudam a vida dessas mulheres.
08:14Nós fazemos uma articulação com os poderes, de que ela vai receber uma medida protetiva.
08:19E uma das coisas muito importantes, que também está no depoimento da Luana,
08:24para mim, a parte importante foi a fala da sua filha.
08:26E foi a atitude da amiga da namorada do Dado Dola Bela.
08:30Porque a lei Maria da Penha foi alterada e a violência doméstica era um crime de autotutela.
08:38A mulher somente deveria denunciar o seu agressor.
08:43E com essa alteração na lei Maria da Penha, qualquer pessoa é responsável para denunciar uma mulher vítima de violência.
08:51Se a Luana não quisesse, mas a filha dela quisesse ir lá e denunciar,
08:54ela poderia denunciar e o Ministério Público acatou, inclusive, a denúncia da amiga da namorada do Dado Dola Bela.
09:02Isso tem acontecido.
09:03As pessoas precisam denunciar.
09:05É aquela velha frase que parece clichê, mas diz que briga de marido e mulher, mete-se a colher sim.
09:12A lei Maria da Penha é essa grande colher que precisa entrar com as mãos do Estado.
09:16Porque é um crime que a gente só consegue atuar a partir da denúncia.
09:20Porque a Luana retratou bem a sua história.
09:23É dentro de casa.
09:25Não tem como colocar câmera de vídeo monitoramento.
09:28Não tem como colocar um policial na porta de cada casa, de cada família.
09:32Então, é um crime que é mudança cultural, encorajamento, fortalecimento das mulheres.
09:38Eu compreendo que as violências psicológicas da Luana, por exemplo, é muito nesse foco.
09:44E os filhos?
09:45Quem vai criar?
09:46Como eu vou dar conta sozinha?
09:48Tem essa preocupação, né?
09:49Lógico.
09:49Então, falta de autonomia financeira, dependência emocional das mulheres, crenças limitantes.
09:56Você casou para viver para sempre.
09:57O divórcio vai ser muito feio para você.
09:59Isso é muito comum.
10:00É, entendeu?
10:01Então, essas frases, né?
10:03Para frear.
10:03A mulher sabe edificar.
10:05A mulher sabe edificar.
10:06A mulher sabe edificar.
10:06Vai orar.
10:07Você não pode fazer isso, não.
10:09Porque você vai destruir sua família.
10:11E acaba da vítima virando a culpada.
10:14Poxa, será que eu que estou destruindo a minha família?
10:17Então, assim, todas essas culturas que nós temos embutidas na violência doméstica,
10:22precisa ser rompida.
10:23Para que a gente alcance o resultado de redução e a meta que é feminicídio zero.
10:28Com certeza.
10:28Jaque, você falou um ponto importante.
10:30Quando uma terceira pessoa denuncia, a gente tem um papel importantíssimo da família,
10:35também dos vizinhos que muitas vezes convivem ali, escutam o que está acontecendo,
10:40fica com medo.
10:41Quando essa terceira pessoa decide denunciar, o que acontece?
10:46A polícia vai na residência e busca esse agressor?
10:50Como é que funciona?
10:51É importante a gente saber os canais.
10:53Nós temos canais hoje de 180 que as mulheres podem procurar falar da sua violência de forma anônima.
11:01Então, tem uma mulher aqui perto da minha casa que está sofrendo violência.
11:04Eu vejo todo mundo, eu escuto grito de criança.
11:07O que eu faço?
11:08Quem eu procuro?
11:08O 180 é um canal de orientação.
11:11O 190 é se você estiver ouvindo na hora.
11:13Você está ali, você está vendo, você está vendo as marcas e você sabe que é a violência doméstica.
11:20Você pode chamar a polícia através do 190 e deve chamar.
11:23Isso tem acontecido muito.
11:24A nossa secretaria trabalha com formação.
11:27Então, assim, pessoas que trabalham em condomínios, porteiros de prédio,
11:31têm salvado vidas de mulheres e crianças com ameaças.
11:34Então, são pessoas que têm denunciado ligado para a polícia e dito, aqui tem uma mulher gritando, tem crianças gritando.
11:40Então, esse é um tipo de denúncia.
11:42A denúncia que é feita posteriormente à denúncia, o Ministério Público acata essa denúncia.
11:48O Ministério Público tem trabalhado fortemente nas denúncias de violência contra as mulheres,
11:53mesmo por ser um crime que não é mais autotutelado, qualquer pessoa pode fazer.
11:58O Ministério Público tem atuado na investigação.
12:01Então, passa ali a ter uma investigação, porque essa mulher pode também estar sendo vítima de uma ameaça.
12:07Ó, retira a denúncia lá, porque senão vai acontecer isso com você.
12:12Um relacionamento, existem confidências.
12:16Então, relacionamentos de famosos, por exemplo, se você não tirar, eu vou te expor naquilo.
12:21E aí, vira todo esse relacionamento tóxico que a gente fala, que é um relacionamento abusivo, violento,
12:30e que as mulheres, todos os dias, precisam se encorajar.
12:33E nós, como sociedade, precisamos nos envolver.
12:36Com certeza.
12:37Luana, você chegou a procurar a polícia?
12:39Como é que foi o seu processo de denúncia?
12:42Quando eu tomei a decisão de me separar, eu tenho que estar aí sonhando de forma amigável por causa das crianças.
12:48E aí, infelizmente, houve outra situação, assédio em relação à nossa filha, e acabou que eu pude procurar a delegacia das mulheres.
13:00E, graças a Deus, eu fui, assim, peguei uma equipe muito abençoada, que me deu todo o apoio,
13:06e me encaminhou para a Secretaria das Mulheres, onde eu comecei o acompanhamento psicológico,
13:11que foi essencial naquele momento, porque eu vinha de tentativa de suicídio, né?
13:15Porque, querendo ou não, é uma pressão muito grande.
13:19Você sofre a pressão, porque, no caso, foram 25 anos de relacionamento,
13:25onde ele era o provedor do lar e eu a dona de casa, onde eu administrava tudo, né?
13:30E, às vezes, ele até falava assim,
13:33nossa, eu queria que você fosse para o banco resolver, não sei o que.
13:36Era para eu resolver 100% e ele só trabalhar.
13:39Então, quando houve a separação, eu passei por uma dificuldade terrível de ter que os vizinhos fazerem uma vaquinha
13:47para comprar o remédio dos meus filhos porque eles têm autismo,
13:50e um quase deu uma gravata no outro, que o vizinho teve que intervir.
13:55Então, assim, a parte do financeiro é por onde o agressor sempre tenta minimizar.
14:01Sempre tenta, por exemplo, eu já ouvi situação como, que eu ainda passo algumas dificuldades, né?
14:07No tipo, você está nessa situação porque você quer.
14:11Eu tenho condições, é só você voltar para mim que sua vida volta a ser como era.
14:15Porque a gente viajava mais de uma vez no ano de passar um mês fora,
14:19porque ele trabalha bem, tem um bom cargo, né?
14:23É concursado.
14:24E aí, o que eu ouvi de quem nunca presenciou nada,
14:29mim, ele é um bom.
14:32Poxa, volta para ele.
14:34Eu disse o relacionamento.
14:36Nossa, você está nessa situação.
14:38Você já pensou que o futuro dos seus filhos,
14:42se ele for preso, porque ele é concursado,
14:45ele vai ser exonerado, se for processado, ele vai ser exonerado.
14:49E aí, como é que vai ficar a sua situação financeira?
14:51E a pensão, né?
14:52E a pensão, só que assim, eu ainda estou brigando por pensão,
14:55porque até agora são três anos que não saiu essa pensão.
14:57Eu tenho.
14:58E aí, ficou segurando, se aprotelando.
15:02E isso servia como uma chantagem para eu não denunciar,
15:04para eu não acabar com esse casamento.
15:06Até que a hora que eu disse, não, peraí, peraí.
15:09Eu, Luana, existo.
15:10Então, foi a hora que a secretaria entre,
15:11que foi essencial mostrar que eu existo,
15:15que eu sou viva, que eu tenho muita energia.
15:18É claro que, como eu sou mãe atípica,
15:20eu hoje não consigo trabalhar na CLT,
15:23eu não tenho rede de apoio,
15:24porque minha família é toda de fora do Estado.
15:27Mas, assim, eu falo que eu sou uma pessoa muito abençoada, né?
15:30Eu tenho uma amiga que ela tem o trabalho dela em casa,
15:34então ela fala, Luana, eu não posso ficar direto.
15:36Mas um dia ou dois, eu consigo ficar com seus filhos.
15:39Então, eles estudam de manhã,
15:40ela fica um dia ou dois de tarde,
15:43eu vou fazer uma pintura, né?
15:44Porque eu sou pintora imobiliária.
15:46E aí, assim, vou levando.
15:48Eu sou manicure, eu sou cabeleireira,
15:51eu sou maquiadora.
15:52Tá no corpo, né, Luana?
15:54Eu me viro nos 60, né?
15:55Nenhum, nos 30 a mais.
15:57Então, vou levando.
15:58Então, isso hoje, eu olho pra mim, né?
16:01Pra aquela Luana que se separou,
16:02se sentindo nada, se sentindo ninguém.
16:05E eu hoje tenho orgulho, né?
16:07Meus três filhas, eu falo que a minha filha,
16:09Maria Tessalmara,
16:10ela é a minha realização materna.
16:12Porque a médica falou que eu não podia ter filhos nenhum
16:14e ela foi a minha primeira.
16:16Depois de 10 anos, eu e o meu segundo filho.
16:18E eu falo que ele é a minha bênção de Deus, né?
16:21Que veio pra completar, no caso, a família Margarina.
16:24Menina e menina, né?
16:24Menina e menina.
16:25E aí, três anos depois, veio o meu caçula.
16:27E ele só tinha 1% de sobrevivência.
16:31Então, ele é o meu milagre divino.
16:32Então, assim, eu falo que eu sou muito abençoada
16:34porque eles são os meus incentivos.
16:36Eu olho pra eles, assim,
16:37e às vezes, assim, eu me sinto tão fraca.
16:39Hoje mesmo, eu ouvi da minha filha, né?
16:42Que tem problemas de depressão.
16:43A seguinte frase, que eu ganhei meu dia.
16:46Ela falou pra mim, assim,
16:47Mãe, você me deu a vida há 25 anos atrás.
16:52E agora que eu tava em depressão,
16:55você me trouxe a vida novamente.
16:59Então, acho que, apesar de todas as dificuldades
17:02de tudo que eu tenho passado,
17:04quando eu ouço isso dos meus filhos,
17:06eu tenho a certeza que eu tô no caminho certo.
17:08E eu só desejo, assim, de verdade,
17:11que as mulheres que passaram
17:13e que ainda passam por essa situação
17:14consigam se olhar e se enxergar
17:19e saber que são capazes.
17:20Com certeza, Luana.
17:21Parabéns pela força e pela coragem, viu?
17:23Cada vez que a Luana fala e vai contando
17:25novas partes do depoimento dela,
17:27a gente vai ficando emocionada aqui.
17:29Já que você tava falando dessa importância
17:31da gente diferenciar os canais de denúncia,
17:34que muitas vezes a gente se confunde,
17:36a delegada Cláudia Dematê, pessoal,
17:38que é delegada-chefe da Divisão Especializada
17:41de Atendimento à Mulher,
17:42falou sobre a importância de denunciar
17:44e de buscar esses canais.
17:46Vamos ver a participação dela,
17:47o que ela falou pra gente.
17:48Roda aí.
17:50Nós precisamos orientar
17:52e deixar claro para as mulheres
17:54que a violência não é somente violência física.
17:58Muitas vezes, nós temos mulheres
18:00que já estão vivendo situação de violência,
18:03já estão num relacionamento abusivo
18:05e ainda não denunciam,
18:08não percebem que aquilo ali
18:09que tá acontecendo é uma violência.
18:12Então, nós precisamos ressaltar
18:14que geralmente a violência,
18:16ela não começa com a violência física.
18:18Ela começa com a violência moral,
18:21por meio dos xingamentos,
18:22das humilhações,
18:23do subjulgamento.
18:24Vai evoluindo para as violências psicológicas,
18:28por meio das ameaças constantes,
18:30das perseguições reinteradas
18:32e vai havendo sempre
18:34o escalonamento dessas violências,
18:36com as violências patrimoniais,
18:38as violências sexuais
18:40dentro dos relacionamentos
18:41e, por fim, as violências físicas,
18:43que geralmente começam com a via de fato.
18:45Vai evoluindo para as lesões corporais
18:47o ápice de todas essas violências,
18:50que é o feminicídio.
18:51Uma mulher tendo sua vida ceifada,
18:53simplesmente pelo fato de ser mulher.
18:56Então, nós precisamos deixar claro
18:58e orientar as mulheres
19:00que possam estar vivendo
19:01uma situação de violência,
19:03que busquem ajuda,
19:05que deram um xing
19:05desde a primeira violência sofrida,
19:08que busquem uma das portas
19:10de entrada da rede
19:11para poder serem atendidas.
19:13Essa mulher, ela pode buscar
19:15as delegacias especializadas
19:17de atendimento à mulher
19:18para registrar um boletim de ocorrência,
19:20solicitar medidas protetivas de urgência,
19:22pedir o acompanhamento
19:24da Batrulha Maria da Penha.
19:27Pois é, gente, importantíssimo
19:29o papel da polícia
19:31e essa coragem de buscar também
19:33os canais oficiais
19:35para fazer essa denúncia.
19:36Luana, você foi acolhida,
19:39você estava comentando aqui
19:41que você trabalha como pintora também,
19:44domiciliar, fez o curso aí
19:45por meio da Casa Rosa
19:47e buscou esse apoio
19:49pela Prefeitura da Serra, não foi?
19:51Foi.
19:52Que bacana.
19:53A gente ouviu a Lília Mota,
19:54que é secretária de Políticas Públicas
19:56para as Mulheres da Serra,
19:58ela enviou um vídeo explicando
20:00como as mulheres,
20:01assim como a Luana fez,
20:03podem buscar essa ajuda
20:04no município.
20:05A Serra disponibiliza
20:06muitas opções
20:09para amparar essas mulheres.
20:11Vamos dar uma olhadinha
20:12no que a Lília falou.
20:13A rede de proteção
20:15aqui no município da Serra,
20:16ela é uma rede que a gente fala
20:17que é uma das mais completas.
20:19Você tem a Guarda Maria da Penha,
20:21você tem a Ouvidoria da Mulher,
20:23você tem a Delegacia da Mulher,
20:25você tem aqui a Vara,
20:27que é a Sexta Vara Criminal,
20:29nós temos o Centro de Referência
20:30de Atendimento às Mulheres Vítimas de Violência,
20:32temos o Conselho da Mulher,
20:34além do Centro de Referência
20:36de Assistência Social,
20:38que é o Sons CREAS,
20:39nós temos ali também a Saúde
20:41através do SASM e também a Habitação,
20:43que é através do Aluguel Social.
20:45Uma mulher vítima de violência,
20:46quando ela está para ser atendida
20:49aqui no município da Serra,
20:50a porta de entrada,
20:51a gente fala que é o Centro de Referência
20:53de Atendimento às Mulheres Vítimas de Violência.
20:56Como que essa mulher chega até esse centro?
20:58Ela pode chegar pessoalmente
21:01ou ela pode chegar por meios de ligações,
21:05ela não precisa estar presencial
21:07para ela poder ser atendida.
21:08Uma vez atendida nesse espaço,
21:11essa mulher vai ser acolhida,
21:12vai ser encaminhada
21:13para fazer um acompanhamento
21:14com uma psicóloga.
21:15Precisando de um atendimento
21:16com o advogado,
21:17tem a Defensoria Pública
21:18e tem também o nosso Departamento Jurídico,
21:20o Dajon também atende
21:22nesse centro de referência.
21:23Essa mulher precisa ser encaminhada
21:25para um aluguel social.
21:27Nós temos uma parceria
21:28com a Secretaria de Habitação,
21:30que também tem como prioridade
21:32as mulheres vítimas de violência.
21:34Essa mulher precisa sair do Estado,
21:36levando os filhos,
21:37por não dar mais para viver aqui.
21:40Essa mulher vai,
21:41através da Prefeitura,
21:42também ter passagem fornecida
21:44para ela e para os filhos.
21:46Existe uma parceria da Prefeitura
21:48com o governo do Estado
21:49para garantir a essa mulher também
21:51um abrigo seguro,
21:53caso ela esteja em eminente risco de morte.
21:56Ah, mas ela não está em eminente risco de morte,
21:58mas naquele momento
21:59ela não pode retornar
22:00só à residência.
22:01Essa mulher é encaminhada
22:03a um, vou falar assim,
22:04um motel,
22:05porque é onde a Prefeitura
22:06tem parceria,
22:07através de uma grande parceira,
22:09para que essas mulheres
22:10estejam ali acolhidas
22:11durante 15 dias
22:12com os seus filhos,
22:15enquanto a Prefeitura
22:16possa estar fazendo
22:17os encaminhamentos necessários
22:19para que essa mulher
22:19se sinta totalmente protegida.
22:22Incrível.
22:23Obrigada, Lilian,
22:23pelas informações.
22:25Apoio extremamente importante.
22:27A gente falou ali
22:28do caso específico
22:28da Prefeitura da Serra,
22:29mas que o Estado
22:30também está atuando em conjunto, né?
22:32Sim, o Estado tem o papel
22:33de fomentar todas essas políticas.
22:35Aqui, bem apresentada
22:37pela nossa secretária Lília Mota,
22:39está acontecendo em vários estados.
22:41Quando foi criada
22:42a Secretaria das Mulheres,
22:43nós tínhamos apenas
22:44quatro organismos de política,
22:46como esse da Serra.
22:47Serra foi o primeiro.
22:48E nós estamos fechando agora,
22:50dezembro,
22:50com 40 organismos de política
22:52para as mulheres.
22:53Nós estamos em 40 municípios.
22:56Nós estamos com 10 equipamentos
22:57dos Centros Margaridas,
22:58com psicóloga,
22:59assistente social,
23:00educadora social,
23:02a rede está sendo fortalecida
23:03pelo governo do Estado,
23:04porque essa rede forte
23:06encoraja as mulheres
23:07a denunciar qualquer tipo
23:10de violência.
23:10Com certeza.
23:11Isso é importante demais.
23:13Jaque,
23:13obrigada, viu,
23:14Jaqueline,
23:14pela entrevista.
23:15Luana,
23:16muito obrigada a você também
23:17pelo seu depoimento
23:18que enriqueceu muito
23:19a nossa conversa.
23:21Desejo força para você
23:22e que você seja feliz,
23:24cada vez mais feliz.
23:26Obrigada.
23:26Meninas,
23:26obrigada pela entrevista.
23:27Foi um prazer.
23:28Vamos dar um tchauzinho,
23:29a gente encerra o programa
23:30por aqui mesmo.
23:31Beijo, gente.
23:32Até amanhã.
23:33Tchau, tchau.
23:33Tchauzinho.
23:34Tchau.
23:34Tchau.
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