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00:06Olá, estamos de volta com o programa Acerto de Contas da Rádio Gaúcha, programa de economia aqui da Rádio Gaúcha.
00:12Nós vamos falar hoje sobre projeções para o PIB do Rio Grande do Sul.
00:17Nosso entrevistado será a economista do Santander.
00:19Mas antes o registro dos nossos patrocinadores e os apoiadores do jornalismo econômico da Rádio Gaúcha.
00:25Shopping total presente a todo momento, Sindilogias Porto Alegre, sindicato dos lojistas de Porto Alegre, certificado digital com o menor
00:32preço do mercado.
00:34É no Sindilogias Porto Alegre, aproveite os descontos exclusivos.
00:37E projeto para cima Rio Grande, Corsã, Nossa Natureza Movimento Rio Grande, Marco Polo Transformando o Presente e o Futuro
00:44da Mobilidade e BH Reinventar o Futuro Agora.
00:48Estes são os integrantes do projeto para cima Rio Grande.
00:51Quem está conosco hoje aqui no programa Acerto de Contas é o economista do Santander, Henrique Dani. Tudo bem, Henrique?
00:57Oi, Jane. Tudo bem? Tudo bem, telespectadores? Vamos lá.
01:02Bom, muito obrigada pelo recorte que vocês fizeram, exclusivo para nós aqui no programa Acerto de Contas,
01:07da previsão para o PIB do Rio Grande do Sul, dentro desta avaliação que vocês fazem do cenário brasileiro.
01:13Vocês têm previsão para este ano, 2026, e também para o ano que vem, 2027.
01:19E qual é a previsão, então, de desempenho da economia gaúcha, PIB principal indicador da economia gaúcha?
01:24Qual é a previsão de vocês aqui para o Estado?
01:27Isso. Então, para contar um pouco de história, a ideia aqui é que a gente está esperando um pouco de
01:32desaceleração
01:33em termos de atividade econômica no âmbito nacional.
01:37Então, pensando um pouco no país, a gente tem essa projeção de um crescimento de 1,8% para 2026,
01:43para 2027 a gente tem de 1,3%, mas a aceleração gradual vinda dos 2,3% que a gente
01:50teve em 2025.
01:52Agora, especificamente do Rio Grande do Sul, a gente tem uma projeção de 1,1% de crescimento esse ano,
01:57então, um pouquinho abaixo da média nacional.
02:00Mas a gente tem que entender um pouquinho o contexto, né?
02:03A gente está vindo de um ano de recuperação muito forte do Rio Grande do Sul,
02:05o que foi 2025, frente às enchentes de 2024, e após essa recuperação a gente está vendo uma normalização
02:12do grau de crescimento do Estado, né?
02:15Então, é bem razoável esse patamar de crescimento que a gente está vendo agora na margem.
02:19Quais são os fatores que fazem com que vocês projetem uma desaceleração do crescimento nacional?
02:25Então, a ideia aqui por detrás dos nossos números, pensando até nacionalmente,
02:30é, primeiro de tudo, política monetária.
02:33A gente ainda está enfrentando um cenário de política monetária bastante restritivo.
02:37Então, acho que isso é um ponto importante que, conforme os juros mantêm esse patamar bastante elevado,
02:42é natural ver algum grau de desaceleração da economia como um todo.
02:46E o outro lado é um esgotamento, até em partes, daquilo que é uma grande frente de crescimento para o
02:52país,
02:53que é o mercado de trabalho, né?
02:55A gente viu anos seguidos de queda da taxa de desemprego,
02:58e agora a gente já está chegando num ponto de que o patamar do desemprego já está relativamente baixo,
03:02em termos históricos, fica com menos espaço para fazer novas contratações,
03:07o mercado de trabalho continuar num aquecimento elevado,
03:09e, portanto, um crescimento tão alto quanto a gente tem nos últimos anos.
03:12Então, essa incapacidade de avançar na frente do mercado de trabalho
03:16faz com que a gente mantenha esse patamar de crescimento um pouco mais estabilizado
03:21para termos históricos do Brasil, em relação ao que a gente viu nos últimos anos.
03:24Pegando esses dois pontos, tá? Mas falando primeiro da taxa de juro.
03:27Na avaliação de vocês, a taxa de juro elevada, ela afeta mais a indústria ou o varejo e serviços?
03:36Tradicionalmente, ela afeta mais a indústria, quando é comparado a esses dois setores, tá?
03:41Até porque, um, o setor de varejo e serviços, ele costuma ter uma defasagem maior
03:45em relação ao efeito de política monetária.
03:48Então, quando o efeito vai surgir, ele surge com alguma defasagem.
03:52E dois, o segundo ponto, a indústria é muito intensiva em capital, né?
03:57Então, ela precisa de uma fonte de financiamento recorrente e elevada.
04:04Então, conforme os juros ficam nesse patamar mais elevado,
04:07pesa mais a própria indústria como um todo.
04:10Então, a gente sente, no geral, que a indústria costuma sentir mais
04:13e mais antecipada em relação ao resto da economia.
04:16É, o segmento de bens de capital pega muito o Rio Grande do Sul aqui
04:19e sente muito a taxa elevada, realmente.
04:21Em relação ao mercado de trabalho, quando vocês avaliam que ele vai perder o fôlego,
04:26vocês acham que ele só não vai crescer mais no ritmo que estava
04:33ou que nós chegaremos a ter uma alta de desemprego mais significativa,
04:38além dessas altas que até temos, mas são pontuais,
04:42como, por exemplo, no início do ano, quando tem final dos contratos temporários de Natal.
04:47Acham que podemos ter uma balançada no mercado de trabalho ou é só uma perda de fôlego?
04:52Nas nossas projeções no mundo nacional, a gente tem um desemprego apenas marginalmente maior
04:57fechando esse ano do que foi o ano passado.
05:00Então, a nossa projeção para a taxa de desemprego, já ajustando com esses efeitos sazonais,
05:04está em 5,7% para esse ano.
05:06Ano passado, a gente terminou em 5,5%.
05:09Então, um pouquinho maior é pouca coisa, é mais mesmo essa história de a gente não consegue adicionar
05:14novas contratações, então a gente já exauriu esse canal em relação ao potencial de crescimento.
05:19A região do Rio Grande do Sul é um dos pontos de maior destaque, assim.
05:22A gente tem o desemprego, o último dado de desemprego para a região, para o Estado,
05:27é de 3,8% no primeiro trimestre, já fazendo os ajustes para os fatores sazonais,
05:32e é a sétima menor taxa de desemprego entre as 27 unidades da federação, tá?
05:36Só para ter um contexto, isso é uma queda de 1,3% do que foi o mesmo trimestre no
05:43ano anterior.
05:43Essa é a décima maior redução entre as unidades da federação.
05:47E aí, Porto Alegre...
05:50Nós temos um desemprego baixo aqui no Sul, comparado com os outros estados.
05:53Santa Catarina tem o menor desemprego do país.
05:55Paraná tem um dos menores também, depois viemos o Rio Grande do Sul na sequência.
06:00Isso.
06:01E Porto Alegre também entrou com uma cidade de grande destaque nos últimos dados de desemprego.
06:05Então, Porto Alegre está com 3,7% de desemprego no primeiro trimestre.
06:10E isso foi uma queda de 3,6 pontos percentuais em relação ao que foi o primeiro trimestre de 2025.
06:15Essa foi a maior redução entre todas as capitais do país.
06:18Então, assim, falando um pouquinho da cidade, a cidade é muito intensiva em serviços, né?
06:24Serviços, varejo, educação, saúde.
06:26Então, quando a gente vê um mercado de trabalho tão resiliente quanto a gente está vendo,
06:29é natural esperar um nível de crescimento ainda robusto, como esse 1,1% é no fim da história, né?
06:35Então, a gente vê, sim, um dinamismo na região acontecendo, mesmo em face a esses contraventos que a gente encara
06:42em relação à política monetária, em relação à exaustão do mercado de trabalho.
06:48Então, ainda assim, é um crescimento bastante interessante na nossa perspectiva.
06:51Eu perguntei sobre os indicadores nacionais, porque o meu objetivo era exatamente puxar para o Rio Grande do Sul
06:57esses fatores, como taxa de juros e como mercado de trabalho, porque nós não somos uma ilha,
07:03nós estamos num país, né? Estamos num mundo, afinal, e sentimos os efeitos disso.
07:07E para 2027, Henrique, qual é a projeção de vocês?
07:11A gente tem, para o crescimento do ano, né, do país, que eu antecipei,
07:16a gente tem crescimento de 1,3, recém-revisado esse número.
07:20Também é uma continuação dessa tendência de desaceleração,
07:23até porque esses efeitos de política monetária contra acionista,
07:26de política fiscal não tão expansionista quanto era no passado,
07:30devem ficar mais claros para o final desse ano e começo do ano que vem.
07:33E isso deve se refletir também na região.
07:36A gente tem um crescimento também um pouco mais tímido para o ano que vem,
07:38em torno de um 0,7% para o Estado.
07:42É uma desaceleração forte, né?
07:47A gente está vindo de anos de crescimento muito robustos.
07:51Então, acho que o contexto importa bastante quando a gente conta essa história, né?
07:55Esses crescimentos foram sequenciais ao longo dos últimos anos,
07:58mais uma vez, com um grande volume de contratações.
08:01Agora, sem essa capacidade de trazer a taxa de desemprego mais para baixo,
08:05a gente fica mais dependente de um crescimento mais orgânico,
08:08um crescimento de produtividade,
08:09que é uma frente que o país enfrenta como desafio,
08:13já tem muitos anos, não é de agora.
08:15Então, nesse sentido, a gente precisa de mais tendências crescentes
08:20em relação a ganhos de produtividade.
08:22E ganhos de produtividade estão muito associados a investimentos.
08:25Então, a gente precisa desbloquear um pouco a frente de investimentos.
08:28E isso, muito provavelmente, acontece mais quando a gente retomar
08:32para um patamar de juros menos contra acionista.
08:34Então, a gente vai ficar mais dependente da política monetária olhando para frente.
08:37Que, por sua vez, estava dependendo muito da guerra do Irã.
08:41Agora, com a reabertura do Estreito de Hormuz,
08:43o foco do Banco Central voltará.
08:47Considerando que não tenhamos nenhum revés no Oriente Médio,
08:50mas voltará às contas públicas do governo federal,
08:53acredito eu, pelo que eu tenho monitorado.
08:55E vamos falar de agro.
08:57Precisamos falar de agro quando falamos do PIB do Rio Grande do Sul, Henrique.
09:00Nós temos aí uma perspectiva de um novo elninho.
09:03Não sabemos exatamente qual vai ser a intensidade dele.
09:06Aqui no Rio Grande do Sul, nós trememos na base, literalmente,
09:10quando se fala em elninho, desde 2024.
09:13Estamos muito apreensivos aqui, em vários sentidos,
09:16no sentido social e humano, mas também no sentido econômico.
09:21E como é que vocês têm trabalhado?
09:23Como é que o elninho e o agro entram dentro dessas estatísticas de vocês,
09:27de projeções para a economia do Rio Grande do Sul?
09:30O elninho, em particular, eu acho que vou até conectar
09:33as últimas dois pontos de preocupação.
09:35O elninho tem sido uma preocupação crescente para o Banco Central.
09:38Ele é um choque de oferta que também puxa, então,
09:41atividade para baixo e preços para cima.
09:43E esse é exatamente um ponto de preocupação,
09:46o segundo, um ponto de preocupação grande
09:48para a discussão de juros para o Banco Central.
09:50Como o Banco Central deve enfrentar esse tipo de situação?
09:54Como a gente tem visto, o elninho tem efeitos heterogêneos no Brasil como um todo.
10:03Então, ele pesa de algum jeito no centro-oeste e de outro jeito na região sul.
10:08Então, a safra tem efeitos não muito claros em relação ao que a gente deve esperar
10:12para esse ano, em comparação ao que foram outros elninhos.
10:16A gente está vindo desse reunião que está sendo esperado como um dos mais fortes dos últimos anos.
10:22Em isso, se concretizando, a gente não tem uma clareza
10:25em relação a como esse efeito deve acontecer.
10:27Mas agro, como você falou, a gente tem projeções em cima disso,
10:31aquilo que a gente espera para a região.
10:32E eu acho que isso também é uma outra fonte muito de destaque para o Estado.
10:37Então, o Rio Grande do Sul, para falar um pouquinho de números,
10:41cresceu nas nossas expectativas em relação ao que foi o PIB agro do Rio Grande do Sul em 2025.
10:4619% no ano.
10:48Isso é um crescimento extremamente robusto e extremamente positivo.
10:53Muito disso é efeito base, claro.
10:55Em 2024, a gente viu uma dificuldade a mais para o Estado,
11:00mas, de toda forma, ainda foi um crescimento bastante resiliente.
11:03E agora a gente tem uma expectativa de desaceleração,
11:06até de uma contração marginal em relação ao que foi o água.
11:09Então, a gente tem uma perspectiva para 2026, por exemplo,
11:12de um crescimento de menos 0,2%.
11:15E isso é um pouquinho menor, a gente não quer ver nunca uma contração.
11:18Mas, de toda forma, quando a gente pensa em delta,
11:21a gente está pensando na variação, a variação é um pouquinho negativa.
11:25Mas tem que pensar que o nível ficou muito mais alto.
11:272025 puxou o patamar para muito mais alto.
11:30Então, essa queda é muito marginal.
11:31A gente vai ter ainda, após a safra recorde que a gente teve ano passado,
11:35um desempenho ainda muito positivo para o setor, para a região.
11:38Então, para a gente tem sido uma fonte de destaque.
11:41É realmente muito notável e muito meritoso da região
11:44essa performance que ela está conseguindo entregar na frente à água.
11:48Boa.
11:48E, para encerrar, Henrique, vocês fazem uma análise nacional.
11:52Vocês olham outros estados também.
11:54Algum estado que tenha algum comportamento curioso, inusitado,
11:58e que esteja se saindo bem?
12:00Ou, no geral, está todo mundo meio parecido?
12:04O que a gente tem destacado, na nossa visão,
12:07é que a peça-chave para a alteração do equilíbrio do cenário
12:10que a gente vem hoje, vivendo hoje, é mercado de trabalho.
12:14É exatamente essa taxa de desemprego.
12:16E aí, eu não trago algo de destaque.
12:18Eu trago algo que a gente está vendo numa tendência nacional como um todo.
12:21O Rio Grande do Sul é um dos destaques,
12:23mas a tendência nacional como um todo tem sido com esse mercado de trabalho
12:26bastante homogêneo em termos de muita resiliência.
12:30Então, para o nosso cenário, esse mercado de trabalho muito difuso
12:35como resiliente, contratações elevadas, desemprego bastante baixo,
12:39tem sido peça-chave para determinar tanto o patamar de crescimento
12:43quanto o grau de aceleração do nível de preços.
12:48Então, assim, para o Banco Central, para as discussões de juros,
12:52para as discussões de política fiscal,
12:54para todo o equilíbrio macroeconômico,
12:56cada vez mais essa performance do mercado de trabalho
12:59tem sido o nosso principal destaque.
13:01E a gente está vendo ainda muita resiliência
13:03espalhada pelo país como um todo.
13:06Então, eu acho que essa é a principal mensagem que a gente tem
13:08para dar nessa perspectiva nacional.
13:11Está ótimo. Muito obrigada, Henrique Dani,
13:14que é economista do Santander.
13:17Então, até a próxima projeção
13:18que nós vamos abordar aqui no programa.
13:21Eu que agradeço, pessoal. Obrigado.
13:23Henrique Dani, economista do Santander.
13:25Então, nosso entrevistado fazendo projeções
13:27para o PIB do Rio Grande do Sul, para o PIB do Brasil.
13:30Programa Acerto de Contas,
13:31programa de economia da Rádio Gaúcha.
13:33Tem o patrocínio de Shopping Total,
13:34Cinde Lojas, Porto Alegre.
13:36E projeto para ser uma Rio Grande,
13:38Corsã, Marco Polo e BH.
13:39Muito obrigada pela audiência de vocês.
13:41Até a próxima entrevista.
13:42Tchau.
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