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Vítima de 33 anos relata rotina de tortura psicológica e perseguição; agressor foi preso em flagrante dentro de delegacia, mas acabou solto pela Justiça dois dias depois.
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Transcrição
00:00Olha, tá cada vez mais difícil para as mulheres.
00:03Imagina viver sob o fantasma do medo e da vigilância constante.
00:08Uma garçonete de 33 anos vem enfrentando uma rotina de perseguição e tortura psicológica.
00:15Tudo provocado pelo ex-companheiro.
00:18Viver sob o fantasma do medo e da vigilância constante.
00:22Essa é a realidade dessa garçonete de 33 anos
00:27que enfrenta uma rotina de perseguição e tortura psicológica provocada pelo ex-companheiro.
00:33Mesmo com uma medida protetiva de urgência em vigor,
00:37a sensação de segurança deu lugar à impunidade.
00:41O agressor chegou ao extremo de ir até a delegacia
00:44enquanto a vítima registrava uma ocorrência contra ele.
00:48Ele foi preso em flagrante por desobediência judicial,
00:52mas ganhou a liberdade apenas dois dias depois.
00:55Eu saio para ir trabalhar, para estudar, para fazer as coisas,
01:00mas com aquele medo, receio de morrer a qualquer momento.
01:04Porque eu não sei quando ele pode me encontrar na rua,
01:08ele sabe onde eu trabalho, ele sabe onde eu moro, ele sabe a minha rotina.
01:12Então eu ando com medo.
01:14A sensação de que o amparo judicial não é suficiente para frear a violência
01:19é o que mais assombra quem precisa desse recurso.
01:23Eu queria ter um pouco de esperança que a justiça será feita,
01:27porque ainda tem um filho no meio dessa confusão toda,
01:32então assim, eu ando com receio, ando com medo, entendeu?
01:36E a justiça não faz nada.
01:38Para mim não é eficaz, porque senão ele estaria preso.
01:41Um pedido de socorro a cada 16 minutos.
01:45É o que apontam os dados mais recentes do Conselho Nacional de Justiça.
01:50Eles revelam que só nos primeiros meses de 2026,
01:54mais de 13 mil mulheres já solicitaram medidas protetivas de urgência no Espírito Santo.
02:00O dia a dia dessa garcionete infelizmente reflete um cenário
02:05que se multiplica a cada minuto aqui no Espírito Santo.
02:08A medida protetiva é um instituto de proteção da mulher, né?
02:12Que ele surgiu aí com a nossa lei Maria da Penha.
02:14Ele é aquele remédio rápido, né?
02:18Ele garante o afastamento do agressor da vítima,
02:21e não só um afastamento físico,
02:23um afastamento também dos meios virtuais.
02:25Esse agressor não pode mandar WhatsApp,
02:28não pode telefonar para ela, mandar recado, nada.
02:30Ela garante esse distanciamento.
02:32Caso o agressor descumpra isso, ele estará incorrendo em crime.
02:36Ainda segundo o CNJ,
02:38os juízes capixabas levam em média até dois dias para analisar um pedido,
02:43sendo que 81% das decisões são proferidas em menos de 24 horas.
02:49O Conselho Nacional de Justiça elogiou o Espírito Santo,
02:52que está honrando o prazo de 48 horas, né?
02:55Desde o pedido até a apreciação da medida e a sua concessão, né?
02:59Isso aí é uma conquista, né?
03:01Eu tenho que dar os parabéns à nossa coordenadoria da mulher aqui do Tribunal de Justiça.
03:05Então, a gente está na média do Tribunal, do Conselho Nacional de Justiça,
03:09até no ponto ideal, que são as chamadas 48 horas para análise e concessão.
03:14No entanto, a eficácia prática da medida depende de fatores que vão muito além do papel.
03:20Pesquisadoras que acompanham de perto o acolhimento a essas vítimas
03:24apontam que a concessão da medida é apenas o primeiro passo de um processo
03:29que ainda deixa muitas lacunas abertas.
03:31A medida é importantíssima.
03:35Ela, com a medida em mãos, no celular, impresso,
03:39se o agressor se aproxima, ela chama a polícia,
03:43a polícia está por perto, ele pode ser preso porque ele está descumprindo.
03:46Só que o índice de descumprimento está muito alto.
03:50Mesmo com a medida, a justiça ainda não prestou atenção
03:54de que esta mulher é prioridade.
03:57Então, quando liga 180 ou qualquer outro canal de denúncia
04:02e a mulher diz, eu tenho medida protetiva,
04:04tem que haver uma prioridade para essa mulher,
04:08porque ela está em risco de ser assassinada.
04:10Para essa vítima, a verdadeira paz só virá quando isso acontecer.
04:14Nas outras vezes, ele foi preso mais duas vezes,
04:17ficou quatro meses em uma, quatro meses em outra,
04:20e foi solto do mesmo jeito, entendeu?
04:22Então, assim, eu falo com as mulheres, denunciar e mudar de lugar.
04:28Embora do Estado, que é a única solução.
04:33É, a batalha é longa, mas vai ser vencida, né?
04:36A gente tem que, cada vez mais, desenvolver mecanismos de ajuda à mulher
04:41e denunciar. É isso que importa.
04:44A gente está batalhando e isso vai ter que parar um dia.
04:46E aí
04:48E aí
04:48E aí
04:50Obrigado.
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