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  • há 23 horas
Números acendem alerta para a importância da vacinação e do diagnóstico precoce; infectologista explica como a doença pode evoluir silenciosamente para câncer e cirrose.
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Transcrição
00:00Olha, julho é o mês de conscientização sobre as hepatites virais, doenças que muitas vezes evoluem em silêncio
00:08e só são descobertas quando já causaram danos para o fígado.
00:12O Espírito Santo já confirmou neste ano seis casos de hepatite A, 115 de hepatite B e 84 de hepatite
00:21C.
00:21Os números acendem um alerta para a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e da vacinação quando disponível.
00:31Para falar sobre então prevenção, sintomas, vacinação e a importância deste diagnóstico,
00:36vou conversar agora com a infectologista doutora Ana Carolina de Torres.
00:41Boa tarde doutora, mais uma vez obrigado pela presença.
00:43Boa tarde.
00:44Doutora, o que é a hepatite e o que ela causa no nosso organismo?
00:48Hepatite é uma inflamação do fígado, várias coisas podem causar essa inflamação.
00:53Em julho a gente fala sobre a hepatite viral, quando essa inflamação é causada por um vírus.
00:59Dentre os vírus existem vários grupos e a gente nomeia por letras, parece uma sopa de letrinha, A, B, C,
01:05D.
01:05As principais aqui no Brasil são hepatites A, B, C.
01:10Cada uma tem sua particularidade, sua forma de transmissão e prevenção.
01:14Mas a importância é a inflamação e a repercussão, que essa inflamação no fígado gera para a pessoa.
01:20O que ela causa então? O que a gente sente quando a gente começa a ter uma hepatite?
01:26A hepatite na fase aguda, ela pode levar a uma insuficiência hepática.
01:30É o famoso amarelão, que popularmente a gente fala.
01:33A que é mais sintomática em sua fase aguda é a hepatite A.
01:37Ela é uma hepatite de transmissão fecal oral, então por contaminação alimentar a pessoa se infecta.
01:42E ela evolui de uma forma aguda, ela não se torna crônica.
01:47Então ela passa, inflama o corpo e depois é resolvida.
01:50Poucas casos levam a óbito, mas pode acontecer uma fase mais fulminante.
01:56Hepatites B e C têm por característica serem assintomáticas ou pouco sintomáticas na fase aguda,
02:03logo que você se infecta, mas com capacidade de cronificar, ficar de forma silenciosa no corpo.
02:09E esse é o grande problema da hepatite B e C. Por quê?
02:12Pode desacaiar de ar, cirrose, câncer de fígado.
02:16Então, se a gente não faz o teste direcionado para essas hepatites,
02:20a gente perde esse diagnóstico e vai descobrindo uma fase muito tardia, com as consequências finais.
02:25Em qualquer fase da vida, a gente pode ter hepatite, doutora?
02:29Existem faixas etárias, por quê? Depende da forma de transmissão.
02:34Por exemplo, o hepatite A, como é por contaminação alimentar, é muito comum se ter na infância,
02:39porque a criança não tem tanto pudor do que coloca na boca, do que compartilha.
02:44Então é muito comum acontecer na infância.
02:47Hepatites B e C, como a transmissão é sanguínea e por via sexual, é mais comum que aconteçam em adultos.
02:53Mas aqui no Espírito Santo, particularmente, descendentes de famílias italianas,
02:58tem muita prevalência de hepatite B na transmissão da mãe para o bebê.
03:02Então essa é a característica maior do Espírito Santo, mas depende da hepatite a faixa etária que a comete.
03:09A senhora trouxe a questão de alimentos. Vamos falar um pouquinho sobre isso.
03:14O que é esse alimento contaminado?
03:16Que contaminação é essa?
03:18E quando eu ingiro esse alimento, quanto tempo ele leva para se transformar em uma hepatite?
03:22A contaminação acontece quando ele não é higienizado de forma adequada.
03:27A pessoa que tem uma hepatite A, que está pouco sintomática, manipula esse alimento sem higienizar as mãos
03:33e acaba contaminando com resíduo fecal mesmo.
03:35É ruim de falar, mas é dessa forma que acontece essa contaminação.
03:40Ou água não tratada, quando não passa pela filtragem, não tem tratamento, saneamento.
03:45Essas são as formas que se contamina do ambiente para região oral e assim desenvolve a hepatite.
03:52Depois da infecção, em um período de 2 a 14 dias, podem iniciar os primeiros sintomas da hepatite aguda.
04:00Tem muito mito em relação à transmissão, né?
04:04É possível, por exemplo, pegar a hepatite com abraço, beijo, compartilhando copos ou talheres?
04:10Não, depende, na verdade.
04:12A hepatite A, como ela é de transmissão fecal oral, depende de como você compartilha objetos,
04:18a higienização pode ser transmitida, mas não.
04:21Hepatite B e C, realmente, a hepatite B e C depende do sangue.
04:26Então, pérfuro cortante, alicate de unha, isso pode se transmitir.
04:31Que exame eu tenho que fazer, doutora, para detectar com precisão a hepatite?
04:35A hepatite B e C tem exames específicos.
04:38Você precisa detectar o anticorpo ou a presença do vírus.
04:41Mas todos eles são disponíveis pelo SUS de forma gratuita.
04:44Você pode ir para qualquer unidade de saúde e pedir para se testar, principalmente agora em julho,
04:49que tem diversas campanhas, porque a maior parte dos casos a gente só descobre pelo teste e não por sintomas.
04:56A gente vê que, por exemplo, o fígado é atingido de várias formas, né?
05:00Gordura no fígado, cirrose.
05:02Qual a relação dessas doenças com a hepatite?
05:06Pode evoluir e de que forma?
05:07A hepatite, ela pode causar a cirrose.
05:11Esse é o desfecho final de uma hepatite não tratada.
05:14Então, a inflamação crônica vai fazendo com que se formem cicatrizes.
05:18E esse acúmulo de cicatrizes é o que a gente chama de cirrose.
05:21E aí o fígado perde a sua função.
05:23Então, muitas vezes precisa ir para transplante hepático, né?
05:27A depender da gravidade.
05:28E outro desfecho final de hepatite B e C não tratada é o câncer de fígado,
05:33que é uma das principais causas no Brasil, né?
05:35A hepatite B e C de câncer hepático.
05:38Então, é importante a gente diagnosticar, porque até esses eventos acontecerem,
05:43a cirrose e o câncer, pode ser 20, 30 anos de forma silenciosa.
05:48E se você descobre logo no início, você tem a oportunidade de tratar
05:51e reverter essa inflamação crônica do fígado.
05:54A gente está na campanha aí, né, doutora?
05:56Do Júlio Amarelo.
05:57Então, eu queria que a senhora deixasse aí uma orientação, né?
05:59Para a população sobre a prevenção, principalmente nesse período.
06:03A gente já conversou várias vezes aqui sobre problemas no fígado, né?
06:07E a senhora traz aqui também sobre o...
06:09Fica silêncio, aquela doença não dói, você não sente nada.
06:13Então, a pessoa vai ver que você está amarelo, porque olha para você,
06:15mas não está doendo, né?
06:18Quais são os sinais, assim, para finalizar,
06:20que a gente pode realmente ficar atento para não chegar a um caso tão grave?
06:24Bom, a primeira coisa é buscar a vacinação.
06:26O hepatite A e B têm vacinação disponível pelo SUS,
06:29então busque a vacinação, porque ela é importante,
06:32é a principal forma de evitar a infecção nesses casos.
06:36Hepatite C não tem vacina específica, infelizmente,
06:40mas é importante que você se teste para conhecer sua condição,
06:44se você é portador ou não.
06:45Por quê?
06:46Uma vez que você tem o diagnóstico da hepatite C ou B,
06:49você tem a oportunidade de tratamento e, em alguns casos, até cura.
06:53Então, é importante que você, nesse mês, se teste para conhecer sua condição sorológica
06:58e atualize seu cartão de vacina.
07:00Além das vacinas, os exames também estão disponíveis no SUS, né?
07:04Estão disponíveis pelo SUS, é de fácil acesso,
07:07você pode ir em uma unidade de saúde e buscar a testagem que vai estar disponível.
07:11Ok, conversei aqui com a doutora Ana Carolina de Torres, infectologista,
07:15falando um pouquinho do Júlio Amarelo.
07:17Obrigado, doutora.
07:18Obrigada.
07:20Obrigada.
07:21Obrigada.
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