00:22A febre das máquinas nunca aprende com paixão
00:27Resfriar seus procesadores com o futuro de uma nação
00:33Cada córrego em silêncio mantém seu cérebro voraz
00:38Chamam isso de progresso e ela só quer sempre mais
00:44Com provales, dinques, vertentes, arquivou cada nascente
00:50Onde havia piracema, hoje obedece um esquema
00:55Seu império pede inverno, dia e noite, sem descanso
01:01Para cada cálculo novo, seca mais um velho remanso
01:21Toda margem lhe pertence, toda licença sorri
01:26Quem assinou seus contratos nunca mais olhou dali
01:31Cada peixe vale menos que um segundo de memória
01:36Sua sede custa rio, seu lucro está escrevendo a história
01:43A febre das máquinas nunca aprende com paixão
01:48Resfriar seus procesadores com o futuro de uma nação
01:53Cada córrego em silêncio mantém seu cérebro voraz
01:59Chamam isso de progresso e ela só quer sempre mais
02:16As libélulas desapareceram, os juncais perderam cor
02:21A lontra mudou de curso, sem jurado, sem favor
02:26Garças deixam os barrancos, a tabua virou nada
02:31Sua bolsa de valores sobe reindo, cada espécie abandonada
02:52Quando a última vertente virar apenas projeção
02:57Venderá água sintética com requinte de dominação
03:02Chamarão desastre de avanço, nomearão saque como bem
03:08Quem protestar contra esse monstro será tratado
03:12Como ninguém
03:18Uma febre das máquinas feita de silício e cifrão
03:23Bilhões giram nas turbinas, bilhões compram submissão
03:29Mas um algoritmo ignora o que nenhuma conta diz
03:34Não existe inteligência num planeta por um tris