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Sal grosso nas contas velhas
Cinza fria no quintal
A Calunga abre seus livros
Sem cartório e nem sinal

A Grande, veste corpo d’água
A Pequena, veste cipó
Uma recebe quilhas mudas
Outra recebe adeus e pó

Mais que praia ou cemitério
Mais que espuma ou funeral
É divisa que faz tremer
O orgulho de todo mortal

Se a vida troca de sala
A Calunga sabe bem
O que some da figura
Muda de estado também

(Refrão)
Calunga, Calunga
Raia viva do além
Quem se julgava inteiro
Desaprende o que retém
Calunga, Calunga
Casa sem parede ou dono
Na Grande vai a memória
Na Pequena cai o trono

Na boca funda do Atlântico
Muita fala se perdeu
E no atabaque que responde
Muita fala renasceu

Cada risco no rosário
Cada trança, cada lei
Foi sinal de povo vivo
Sob chicote de outro rei

A Calunga Grande recebeu
Pranto, canto, cicatriz
E devolveu nos terreiros
Um saber de matriz

(Refrão)
Calunga, Calunga
Raia viva do além
Quem se julgava inteiro
Desaprende o que retém
Calunga, Calunga
Casa sem parede ou dono
Na Grande vai a memória
Na Pequena cai o trono

Na Calunga pequenina
Cada lápide é biografia
Cartaz gasto da matéria
Na amostra da agonia

Ali diploma, renda e cetro
Valem menos que vintém
Quem chegou cheio de posse
Segue desnudo rumo ao Além

Na flor murcha junto à cova
Um recado de viuvez
Tudo aquilo que se julga
Some quando chega sua vez

(Refrão)
Calunga, Calunga
Raia viva do além
Quem se julgava inteiro
Desaprende o que retém
Calunga, Calunga
Casa sem parede ou dono
Na Grande vai a memória
Na Pequena cai o trono

Calunga, Calunga
Lei antiga sem compaixão
Campo-santo, sal e estrela
Na balança de nossa condição

[três versões alternativas de rock]
✓✓✓ letra e música de Astrikos Katoikos
Astrikos Katoikos
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