00:18Junto ao burgo de Valdruna, num arvoredo capolento
00:24Habitava um diabrete dado ao logro e fingimento
00:29Tinha orelhas e morcego, olhos cor de verde e lim
00:35E um temperamento de ferrão que pronunciava o ruim
00:48Toda tarde se ocultava sob um teixo ou sabogueiro
00:54À espera de algum incauto, leador ou caminheiro
01:00Cuidado com o diabrete do fragoso matagal
01:05Muita gente foi buscá-lo e foi ceifada pelo mal
01:36Hora surgia qual donzela, hora qual monge beneditino
01:41Hora qual servo dourado saltitando no vespertino
01:48E o sujeito curioso sem suspeita do ardil
01:54Penetrava a mata dentro por um carreiro sutil
02:06Lá o maligno não assobiava uma área singular
02:11E a pessoa fascinada já não pensava em voltar
02:17Cuidado com o diabrete do fragoso matagal
02:24Muita gente foi buscá-lo e foi ceifada pelo mal
02:54Dizem velhos pergaminhos
02:57Os guardados no mosteiro
03:00Que ele vive lá até hoje
03:03Junto ao bosque traiçoeiro
03:06Quando a neva se adensa
03:09Sobre o musgo matinal
03:12Ainda ecoa sua gargalhada
03:15Pelo vale atemporal
03:24E quem segue aquela trilha
03:27Por descuido devaneu
03:30Pode acabar figurando
03:33Nalgum obituário de jornaleiro
03:36Cuidado com o diabrete
03:39Que se esconde no cascal
03:42Quem escuta sua risada
03:45Pode ter destino fatal
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04:12Cuidado com o diabrete
04:15Do sombrio arvoredo
04:18Pois o bosque guarda nomes
04:21Que o tempo deixou em segredo
04:24Do sombrio arvoredo
04:29Real
04:30Real
04:30Real
04:30Amém.