- há 2 dias
Presidente da Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Petróleo e Gás (ABPIP), Márcio Félix detalha projetos estratégicos para o Espírito Santo, como a implementação de uma microrrefinaria e a exploração de salgema.
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NotíciasTranscrição
00:08Ele é uma das referências em petróleo e gás no Espírito Santo, o Histórias Empresariais
00:13recebe Márcio Félix Bizerra, presidente da Associação Brasileira dos Produtores Independentes
00:19de Petróleo, CEO da ANP e vice-presidente da ONIP, não é isso?
00:24É isso aí.
00:25Quanta qualificação.
00:26É a idade.
00:28A idade, o conhecimento, a experiência que vem de hoje.
00:31Obrigado.
00:33Márcio, a gente estava falando sobre o projeto da refinaria, da micro-refinaria, que foi
00:40anunciada como uma possibilidade para o Espírito Santo pela ANP.
00:45Como é que está esse projeto?
00:46Ainda existe essa possibilidade?
00:48Ainda é um sonho que a gente trabalha.
00:52Eu não posso adiantar muitas coisas agora, mas é um sonho concreto, vamos chamar assim.
00:58Um sonho que tem possibilidade de se tornar realidade.
01:02Nós estamos trabalhando para viabilizar algo aqui no norte do Espírito Santo.
01:08A gente tem um cenário aí de dependência ainda do Brasil em combustíveis vindos do exterior.
01:15Por que o Brasil não tem mais refinarias, na sua visão?
01:19Esse é um balanço feito de tempos em tempos.
01:22Se a gente olhar a história do petróleo aqui no Brasil, quando foi criada a Petrobras, inicialmente,
01:28essa campanha chamada Petróleo é Nosso, foi em cima da falta de derivados durante a Segunda Guerra Mundial.
01:34Então, o pensamento inicial foi, vamos fazer refinarias no Brasil e produzir algum petróleo.
01:40Mas o petróleo era barato e importado, era abundante.
01:44Então, nos primeiros 20 anos, 54 a 74, mais ou menos, Petrobras, 53, 73, a Petrobras investiu no seu parque
01:53de refino.
01:54Aí vieram os choques de petróleo, parece que a história vai se repetindo.
01:59Então, em 73, o choque com a guerra do Yom Kippur,
02:03e depois, em 79, com a queda do Reza-Paleve, o chá Reza-Paleve do Irã,
02:11e o Aetolá Koumeini assumiu e é esse regime que está lá até hoje.
02:17Então, os preços de petróleo subiram muito nos anos 70,
02:19então a Petrobras passou a dedicar, a partir daqui de vitória,
02:23a Petrobras fez a descoberta da Bacia de Campos em dezembro de 1974
02:28e teve um crescimento da produção nesse período.
02:32Então, foram mais 20 anos de mais produção.
02:36Depois a Petrobras fez alguns ajustes, refinarias,
02:38fez o projeto da refinaria de Pernambuco, que parcialmente está concluído,
02:44fez projetos grandes para exportação de produtos premium,
02:48produtos com especificação que atendessem o mercado europeu e americano.
02:53É uma refinaria no Maranhão, outra no Ceará.
02:55Elas não aconteceram.
02:56E teriam uma refinaria lá no Itaboraí,
03:00no Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro,
03:03que hoje chamam de Complexo de Energias Boa Ventura.
03:08Então, mudou totalmente.
03:10E, vamos dizer assim, o mercado mudou.
03:14A gente tem uma adição cada vez maior de biocombustíveis
03:17aos combustíveis fósseis, etanol, biodiesel,
03:20e agora está começando o biometano,
03:22cada um com o seu respectivo parente no lado fóssil.
03:28Então, essa mudança fez com que o Brasil
03:34tivesse que achar um ponto de equilíbrio.
03:36Se você produzisse todo o diesel necessário,
03:39você produzia muito mais gasolina também,
03:41não pode precisar de só diesel.
03:43E aí você teria que exportar essa gasolina.
03:45Então, é um outro risco que tem
03:47de você ter que colocar esse combustível
03:50a um custo menor.
03:52Há uns anos atrás, falam,
03:53pô, a Petrobras vende mais barato
03:55para fora do país do que dentro do país.
03:57Então, tem questão de imposto e tal,
03:59mas assim, existe um equilíbrio.
04:02Talvez produzir um pouco mais no Brasil
04:04seja importante.
04:05Depender 30% de diesel, talvez seja muito.
04:08Diesel e GLP, o gás de coeficiente de ator,
04:10que é aquele gás de botijão.
04:12Então, isso talvez precisasse achar
04:15um novo ponto de equilíbrio.
04:17A nossa ideia não é produzir
04:19esses derivados tradicionais,
04:21mas produzir combustível marítimo,
04:26eventualmente lubrificantes, asfalto.
04:28Então, seria uma refinaria voltada
04:30para produtos que não dependem
04:33desse modal rodoviário urbano,
04:35que é o que está sendo bastante questionado,
04:38que está em transformação,
04:39a chegada dos carros elétricos,
04:42troca de diesel por gás natural,
04:46o biometano na frota mais pesada,
04:48o aumento de etanol, carros híbridos, flex.
04:51Então, tudo isso é um processo de transformação.
04:54E, por características aqui do petróleo,
04:56a gente vê que é uma oportunidade
04:58fazer uma refinaria com outro conceito.
05:01Então, a gente até pode produzir um pouquinho
05:05desses derivados mais nobres do passado.
05:09Mais clássicos.
05:10Mais clássicos,
05:11que é o que dava a rentabilidade das refinarias.
05:13A gente só fazia refinaria
05:14para produzir diesel, gasolina e carrosinha de aviação.
05:17E a nossa ideia é diferente.
05:20O Brasil tem infraestrutura
05:25para ser desenvolvida ainda,
05:26muita estrada,
05:27precisa de muito asfalto, por exemplo.
05:29O Espírito Santo tem uma região portuária portentosa,
05:33enfim,
05:35os projetos estão,
05:35novos projetos estão acontecendo,
05:37Barra do Riacho,
05:40Porto Central.
05:41Um complexo portuário enorme.
05:42Virou um complexo portuário.
05:44O Espírito Santo é tão fantástico
05:45quanto a pessoa está discutindo outras coisas,
05:47de repente nasce ali na Cruz
05:49um projeto impressionante,
05:52da soma de vários projetos,
05:54alguns existentes, outros.
05:56Então, hoje o Porto de Metame está ali avançando
05:59e tem a área que está na Veport,
06:01que fica entre o Porto de Metame
06:03e o terminal de Aquavé de Barra do Riacho da Petrobras,
06:06mais o Porto Océu.
06:07Então, aquilo forma um conjunto,
06:10é ferrovia que chega ali.
06:11Então, é uma joia,
06:13é um tesouro que o Espírito Santo tem.
06:15Estava assim,
06:16a entrada de Aracuí na Sudênia.
06:18Enfim, tudo isso somado
06:19é uma corrida do ouro.
06:21A micro-refinaria é planejada para qual município?
06:27É na região norte,
06:31nos municípios ali,
06:32que são produtores,
06:33Linhares, Jaguaré e São Mateus.
06:36A ANP hoje,
06:38qual é a infraestrutura dela?
06:40Quais são os ativos?
06:42Onde fica a sede?
06:45Se o senhor puder apresentar a empresa para a gente.
06:47É, a gente tem uma sede um pouco virtual no Rio,
06:50porque é o Rio onde estão as...
06:54Enfim,
06:55onde está a sede da indústria do petróleo brasileiro,
06:57de um modo geral.
06:58Tem as grandes empresas internacionais que estão lá,
07:01estão as empresas independentes também,
07:02a maioria tem sede no Rio.
07:04A Agência Nacional do Petróleo está lá.
07:06A empresa precisa energética,
07:08apressar o petróleo,
07:10uma sede de fornecedores,
07:11as associações,
07:13o IBP,
07:14a nossa ABP,
07:15a Associação dos Produtores Independentes,
07:17a BESPETRO,
07:18então as três principais associações
07:20também estão sediadas no Rio.
07:21Grandes eventos acontecem,
07:23o maior evento tem no Brasil,
07:24a Rio & Gas,
07:25que vai ter agora em setembro.
07:27Então, você...
07:28É um ambiente onde você encontra as pessoas
07:30para fazer negócio.
07:32Mas a gente optou por não ter negócios físicos
07:36no estado do Rio de Janeiro.
07:39Então, nossos negócios estão...
07:40a presença mais por causa desse simbolismo...
07:43Então, a presença,
07:45como algumas outras empresas também,
07:46não tem negócio no Rio,
07:49mas nós temos negócio no Espírito Santo
07:52e na Bahia.
07:53Então, nós temos ativos exploratórios,
07:57áreas que estão sendo estudadas,
07:59visando uma descoberta,
08:02tanto aqui no Espírito Santo
08:03como na Bahia.
08:05E nós tínhamos uma empresa,
08:07Capixaba Energia,
08:07que produzia petróleo no Polo Lagoa Parda
08:11e que nós vendemos
08:13essa empresa no ano passado.
08:16Então, ela continua produzindo...
08:19Em terra, não é isso?
08:19Em terra,
08:21em Linhares.
08:22E a Capixaba Energia
08:24é um dos produtores do estado.
08:25Então, segue a vida,
08:27ela continua como sendo Capixaba Energia.
08:30Porque a gente criou empresas,
08:31a gente é uma espécie de holding
08:33e criou as empresas.
08:35E a gente também tem um direito minerário
08:37para a salgema
08:38em Conceição da Barro.
08:40É mesmo, é verdade.
08:42Então, tem essa...
08:42Tinha esquecido disso.
08:44Tem esse outro...
08:45E o que está faltando
08:46para fazer a exploração,
08:48a Conceição?
08:49Mas o processo é longo.
08:50Como o geólogo diz,
08:51essa coisa tem milhões de anos,
08:53a gente está com pressa
08:53de 10 anos, 5 anos,
08:56mas o ser humano tem pressa.
08:59Então, a gente já fez
09:01o processo de pesquisa,
09:04a fase inicial.
09:06A mineração tem uma fase de pesquisa,
09:10que seria a fase de exploração
09:12no petróleo.
09:14Então, nós...
09:16Claro, a gente tinha muitos relatórios,
09:19mais de 40 postos perforados
09:21na região.
09:22Vários deles atravessaram o sal.
09:25Então, a gente tem muita informação.
09:27A gente coletou mais informações
09:30e protocolamos o relatório de pesquisa
09:31na Agência Nacional de Mineração.
09:34Já vai fazer mais de dois anos.
09:36Tem mais de dois anos,
09:36dois anos e meio.
09:37E esse é um processo muito lento.
09:41Teve alguns comentários,
09:42a gente devolveu.
09:43Então, a gente está na expectativa
09:45da ANM, na Agência Nacional de Mineração,
09:49aprovar o relatório de pesquisa.
09:50E aí, a gente vai passar
09:52para a fase de lavra,
09:53que aí tem um projeto
09:55para explotar,
09:57para produzir o sal
09:58e buscar algum beneficiamento.
10:02É, teria uma espécie de
10:03polo sal químico ali na região.
10:06Eu já ouvi falar disso
10:07muitas vezes no passado.
10:08É isso.
10:08Então, assim, esses nomes estão...
10:10Acho que foram bem plantados
10:12porque eles estão aí vivos.
10:14mas a gente precisa fazê-lo acontecer agora.
10:18Mas é um ativo...
10:20Acho que é a maior jazida, não é isso?
10:22De Salgema?
10:22É, do Brasil conjunto.
10:25Eram 11 áreas que a Petrobras detinha.
10:29A gente tem acesso a duas.
10:34mas nós escolhemos...
10:37Nós participamos de leilão da ANM
10:39e nós optamos pelas áreas
10:42que a gente considerou as que tinham
10:43a melhor combinação
10:45entre o volume de sal
10:47e a, vamos dizer assim,
10:49a licenciabilidade ambiental da área.
10:52Então, foi nossa...
10:54Foi o por...
10:55Por que nós escolhemos essas duas áreas?
10:58E as outras nove?
10:59Tem alguém mais atuando?
11:03Tem outras empresas,
11:04outras áreas atuando.
11:07Tem três áreas dessas 11
11:11que estão lá numa região,
11:14vamos dizer assim,
11:16onde estão populações quilombolas,
11:20mais ao norte.
11:22Então, essas áreas nem foram para o leilão.
11:25Então, das 11, ficaram oito.
11:28Três delas, a Unipar,
11:29que é uma grande empresa
11:30do setor pedroquímico,
11:31que tinha adquirido,
11:32mas, pelo que foi noticiado,
11:34ela devolveu essas áreas.
11:36O processo de devolução é longo
11:38de voltar ao mercado também.
11:39Mas teve alguma dificuldade
11:40com relação à própria característica
11:42das jazidas?
11:43Pelo que eu entendi,
11:45a Unipar é uma empresa
11:46que tem ações em bolsa e tal,
11:47então, elas têm lá as razões.
11:48Eu não estou falando aqui
11:49o nome deles, mas...
11:52Pelo que eu entendi,
11:53eles tinham um projeto
11:55em Camaçari.
11:57Então, eles queriam levar o sal
11:59daqui para a Bahia.
12:02Iam transportar o sal,
12:05assim, como sai a salmoura,
12:07um sal misturado com água.
12:09São volumes muito grandes
12:10que você tem que transportar.
12:11Então, a logística acaba ficando...
12:12Esse sal acaba ficando muito caro.
12:14Como o Brasil está sem
12:17fonte de sal suficiente,
12:19porque lá o desafio de Maceió
12:24está parado lá.
12:25Então, o Brasil está importando
12:27o sal do Chile a um preço alto.
12:31Então, a indústria cloroquímica
12:34está passando por alguns desafios.
12:38Esse assunto me interessa,
12:40me deixa uma série de perguntas
12:43aqui para fazer.
12:45Vamos aqui para a primeira,
12:47principal.
12:48O sal gema,
12:49ele não é o sal usado
12:50para cozinhar.
12:52Não é isso.
12:52Qual é a aplicação exatamente?
12:54O que pode ser feito com ele?
12:56Não, ele é...
12:57Quimicamente,
12:58ele é igual.
12:59Igual, sim.
13:00É uma molécula que tem
13:01o sódio e o cloro.
13:05o que acontece
13:07é que
13:10isso vem com alguma impureza.
13:12Não é um sal
13:13que você bota do mar ali
13:15que você evapora
13:16e fica o sal que...
13:18Então, o sal, de qualquer maneira,
13:19lá é refinado também no mar.
13:21Para você ter um uso humano,
13:24chamar assim,
13:25você teria que refinar demais,
13:26ele perderia a competitividade
13:28para o sal marinho, por exemplo.
13:30Ou áreas que já têm
13:31uma mina de sal
13:33na superfície,
13:35como esses desertos aí
13:37no Chile,
13:40no Atacama e tal.
13:42Tem áreas que são de sal.
13:44Se você pudesse tirar o...
13:46Bolívia, o salário.
13:47Bolívia, lá o salário.
13:48Então, tem muito sal.
13:50É uso em várias indústrias,
13:53que é a indústria cloro-soda,
13:56que é o NACL.
13:59O CL é cloro,
14:02o NACL é o sódio.
14:05Então, essa indústria...
14:07Então, tem linhas que vão para...
14:12Enfim, farmacêutico,
14:15na infraestrutura,
14:16a vertical do saneamento,
14:18que o Brasil também está no marco.
14:19Tem muita coisa para ser feito isso aí.
14:21Então, precisa desses produtos
14:26para purificar,
14:28para garantir a qualidade
14:31da água utilizada.
14:33O cloro, né?
14:34O cloro.
14:34Vem de um processo simples.
14:36É o cloro, patricina, é assim.
14:38Mas o cloro tem seu desafio de transporte.
14:41São duas linhas,
14:42uma linha do sódio e outra do cloro.
14:44Ou a linha do sal mesmo,
14:46do combinado.
14:47Mas tem a possibilidade de você,
14:49de repente,
14:50transformar isso em produtos
14:52mais acabados?
14:53Sim, exatamente.
14:54Então, você vai fazendo,
14:55vai adensando a cadeia produtiva,
14:56criando novas indústrias
14:58e tem um...
15:01Meu sonho,
15:02minha visão,
15:04não é ter um polo petroquímico
15:07de Camaçari,
15:09chamar assim.
15:09Um polo num local só,
15:11um polo de Triunfo,
15:11no Rio Grande do Sul,
15:12um polo de Cubatão,
15:14lá em São Paulo,
15:14mas ter algo espalhado
15:17com vários, vamos dizer,
15:19subpolos
15:20que você possa usar ali
15:23os produtos.
15:24Você tem uma placa
15:28do Brasil, por exemplo,
15:29que demanda,
15:29não esse tipo de produto,
15:31mas a gente pensa em juntar
15:33o gás com sal.
15:36É um projeto que o Rio Grande do Norte
15:39sonhou,
15:40mas gás com sal marinho,
15:41de fazer uma série de produtos.
15:43E eu acho que a gente pode
15:45pensar em desenvolver produtos
15:47usando o que tem aqui
15:49de matéria-prima
15:50e as demandas que já existem
15:53na indústria estabelecida.
15:55Então, você,
15:57parte desses produtos
15:58vai para branqueamento
15:59de celulose.
16:01Então, você começa a ver
16:02o que tem no entorno
16:03e como é que...
16:04Tem todo o mercado.
16:06É, como é que junta
16:07isso tudo.
16:07Então, é um jogo estratégico,
16:10mas o que a gente tem que fazer
16:11é vencer essa etapa inicial
16:14de ter a licença,
16:15ter a licença de...
16:16Licença não,
16:17é o relatório de pesquisa
16:18aprovado.
16:19É um processo longo.
16:20É, os processos
16:22da mineração
16:22são muito longos,
16:25e...
16:26Mas é uma área
16:27que a gente está,
16:29uma área que é de...
16:31Vamos lá para o eucalipto,
16:32pasto,
16:34sem...
16:34Nem, sem...
16:36Sem, vamos dizer assim,
16:38habitação,
16:39sem...
16:39Uma área plana,
16:40uma área...
16:41Então, uma área
16:42mais tranquila, né?
16:43Para...
16:44Certo.
16:45É importante saber
16:46sobre a característica
16:48da área aqui no Espírito Santo,
16:49porque a gente teve
16:50um incidente em Maceió,
16:52né?
16:52Que os bairros
16:54acabaram afundando.
16:56E aqui no Espírito Santo
16:58não tem esse risco.
16:59É uma área livre.
17:00Além de não ter esse risco,
17:02por essa...
17:03Por essa questão
17:05de ser uma área livre,
17:07é...
17:08Existe um aprendizado, né?
17:10Os cuidados
17:10que têm que ser tomados.
17:11Você vai produzindo
17:12o sal,
17:14você injeta água quente,
17:16ele vai derretendo,
17:18misturando o sal
17:19e vai formando uma caverna.
17:21Então, você tem que substituir.
17:23Tem que preencher
17:26essa caverna
17:26à medida que ela se forma.
17:28Tem locais
17:29que essas cavernas
17:30são usadas, por exemplo,
17:31para estocagem de gás natural.
17:34A Holanda,
17:35que é um país que está...
17:36Os países baixos ali,
17:37o próprio nome diz,
17:37eles estão abaixo
17:38do nível do mar
17:41e eles têm
17:42já há 100 anos,
17:44têm
17:45exploração de salgema
17:47numa área que seria,
17:49vamos dizer,
17:50bem sensível.
17:51Mas tem exploração de salgema
17:52e eles estocam
17:53vários produtos,
17:55não só gás,
17:56mas outros produtos
17:58nas cavernas formadas.
17:59É mesmo,
18:00mas como é que é
18:00esse estoque?
18:01É injetado lá?
18:02Como é que funciona?
18:03É,
18:04é como se tivesse um tanque.
18:05Forma como se fosse um tanque,
18:07uma coisa lá embaixo,
18:08uma cisterna ou uma...
18:09Então injeta
18:10e bombeia de volta
18:13quando precisa.
18:15Tem uma experiência,
18:16então,
18:16para evitar esse tipo de problema.
18:18É, tem...
18:19Mesmo que fosse uma área...
18:21É,
18:21assim,
18:23não é...
18:24Vamos dizer assim,
18:25não seria recomendável
18:27fazer
18:28numa área urbana.
18:31Como aconteceu lá em Maceió.
18:33porque lá
18:34começou...
18:35Lá,
18:36assim,
18:37é...
18:38Tem uma lagoa,
18:39acho que é a lagoa de Mundau,
18:41uma das grandes...
18:42É a lagoa,
18:43ainda...
18:43Lagoas,
18:44Então tem uma grande lagoa lá
18:45chamada Mundau,
18:46que fica lá do sul de Maceió.
18:50E isso tudo foi feito
18:52no entorno dessa lagoa.
18:54Entre a lagoa e o mar
18:55tem uma faixinha bem estreita
18:57de areia,
18:58assim...
18:59Então o projeto foi construído
19:01numa...
19:02É...
19:03Numa região
19:05já sensível
19:06lá atrás.
19:07Mas foi nos anos 70.
19:09Então outra...
19:09Outra realidade.
19:10E a população foi crescendo.
19:12Então a cidade cresceu.
19:13Era próximo da cidade,
19:15né?
19:15Ou entrada da cidade,
19:16ou saída,
19:17depende.
19:18Saída sul da cidade.
19:20É uma...
19:21Chama subsidência, né?
19:22Um pequeno afundamento
19:24deu uma...
19:25Deu uma acomodada
19:26e como tinha várias residências lá,
19:29houve isso aí.
19:30Mas não teve nenhuma morte
19:33por causa disso.
19:34Não teve...
19:36Enfim,
19:37teve um incômodo muito grande.
19:38Existem características
19:38muito diferentes, né?
19:40Então a situação é outra época
19:42e o...
19:43Então o licenciamento
19:47é bem diferente hoje.
19:49Então acho que é um...
19:50É um aprendizado.
19:51Foi uma grande batalha
19:52conquistar o direito aqui
19:56de explorar
19:56a jazida de salgema.
19:59É, a gente ainda não...
20:00A gente ainda não...
20:02Vamos dizer assim,
20:02tem teoricamente...
20:02Mas pelo menos já houve, né?
20:04O sinal verde que antes...
20:06É, cheguei para trabalhar aqui
20:07em 99.
20:09Eu...
20:09Enfim, vieram falar comigo
20:10sobre essa questão do salgema,
20:11do Espírito Santo e tal.
20:13Então...
20:13É...
20:14Isso foi uma descoberta
20:16foi nos anos...
20:16Meados dos anos...
20:17Dos anos 1980.
20:20Nos anos 80 do século passado.
20:23Então já vão 40 e...
20:2540...
20:26É que era proibido, não é isso?
20:28Era...
20:28Não, não era proibido, não.
20:29Não tinha alguma relação
20:30com o Nordeste,
20:31com a produção do Rio Grande do Norte?
20:33Sim, é...
20:35Assim...
20:36Houve...
20:37Numa época...
20:39A Petrobras resolveu vender
20:40esses direitos minerários
20:42daqui e de outros locais.
20:43E aí o Estado do Rio Grande do Norte
20:46fez um protesto...
20:48Isso.
20:49Que isso iria destruir
20:50a indústria salineira
20:52lá do Estado.
20:53Mas é outra...
20:55É outra...
20:56É outra realidade.
20:59Então a indústria salineira
21:00continua lá.
21:01O Brasil está importando
21:02sal do Chile.
21:04É mesmo.
21:04Se a indústria salineira
21:05marinha desse conta,
21:07não teria essa nem essa...
21:10Não estaríamos importando
21:11do Chile.
21:12Os chilemos não vão gostar
21:13então desse investimento
21:14aqui no Norte.
21:16Não é...
21:16Mas eles têm outros mercados.
21:18Então acaba que o volume aqui
21:19também não é muito grande.
21:22Então...
21:23É...
21:23Quando você tem um reservatório
21:25no petróleo,
21:26a gente diz,
21:26pô, o petróleo vai durar
21:2625 anos, 30 anos.
21:29Aqui é para durar
21:30centenas de anos.
21:32Então você tem que pensar
21:32diferente.
21:33Você não vai fazer
21:34uma análise econômica
21:35tradicional porque você
21:37vai produzir daqui
21:37a 50 anos,
21:38às vezes não vale nada hoje.
21:39Você bota o preço de hoje,
21:40mas sim.
21:41Então você tem que entender
21:42que é um...
21:43Como na mineração
21:44tem ferro
21:47de 300, 400 anos
21:48de possibilidade de...
21:50Mas ele tem um mercado total.
21:52O mercado aqui também
21:53é limitado.
21:55E qual é a expectativa
21:56de começar a produção?
21:58Não, aí não.
21:58A gente tem que vencer...
22:00Não dá para fazer.
22:01Não, não.
22:01A gente tem que vencer
22:02essas etapas primeiro.
22:05Primeira etapa
22:06é conseguir
22:08aprovação da NM
22:09no relatório de pesquisa.
22:11Então é isso que a gente
22:12está trabalhando agora.
22:13vencer dessa etapa
22:16começando.
22:16Qual é o investimento
22:17necessário?
22:20Depende da planta
22:21que for colocada,
22:22o tamanho da planta.
22:23A gente tem um pensamento
22:25de qual é o menor projeto
22:26que pode ser feito aqui.
22:28Porque o maior
22:29quase não tem limite
22:30para cima.
22:31Mas qual é o menor projeto
22:32que fica de pé?
22:33Então a gente está
22:34trabalhando em módulos
22:36pequenos,
22:37até aprendizado
22:38na indústria do petróleo
22:39também,
22:39de fazer projetos piloto,
22:41que você aprende.
22:43mas é um projeto piloto
22:44que também você pode
22:44ter retorno.
22:46Então você faz
22:47como se fosse
22:47uma pequena,
22:48média empresa
22:48e no caso
22:49você pode ir crescendo.
22:52E não precisa crescer
22:53uma empresa só,
22:54por isso que eu falei,
22:54não vai ficar tudo
22:54num lugar só.
22:55A gente pensar
22:58em utilizar...
22:59Pô, você tem
22:59sinergia com celulose,
23:01essa sinergia vai se dar
23:03em torno de Aracruz,
23:04É a região norte ali.
23:06É, na sul da Bahia,
23:08nordeste de Minas.
23:09Então é um outro tipo
23:11de...
23:13Mas assim,
23:14você concluiu bem,
23:15a gente avançou
23:16porque essas áreas
23:17estavam na mão
23:18da Petrobras,
23:19ficaram anos
23:20da Petrobras
23:21renovando
23:22a licença,
23:24até que
23:25tentou vender,
23:26não deu certo,
23:28aí resolveu
23:30devolver
23:30para a União,
23:31a União leiloou
23:32e está aí nesse...
23:34E agora é uma possibilidade real.
23:36É uma possibilidade.
23:37que os outros
23:38que têm área lá
23:40também estão fazendo
23:41seus movimentos.
23:43E o capital
23:44para investimento
23:44é uma coisa
23:45que atrai naturalmente?
23:47Já existe aí
23:48uma previsão?
23:51É porque toda a indústria,
23:53a gente está no mundo
23:54num processo
23:56de esverdeamento,
23:59descarbonização,
24:00sei lá,
24:01não é só de tirar carbono,
24:04mas de tornar a indústria
24:05mais limpa,
24:06mais sustentável.
24:07Então,
24:08os processos industriais
24:08estão sendo revistos.
24:10E também,
24:11nesse sentido,
24:12não se pensa em fazer
24:13plantas gigantes,
24:15mas plantas modulares.
24:18Então,
24:20como a gente está pensando
24:21na refinaria,
24:22planta modular.
24:23Então,
24:24a gente quer começar
24:25com um módulo,
24:27mas como se fosse
24:28um tipo de lego
24:29que possa crescer.
24:32É um processo longo,
24:34gradual,
24:36mas para a gente
24:37ter passos sustentáveis,
24:39mas o fato é que
24:41essa riqueza
24:43ainda,
24:44a gente espera
24:45que ela seja acessível
24:46para gerar emprego,
24:48renda,
24:49oportunidades aqui
24:50especialmente
24:51para o Espírito Santo.
24:53Por falar em emprego,
24:54qual é a previsão?
24:55É difícil,
24:56porque é um processo
24:58modular.
24:58Essa pergunta sempre vem.
25:00mas mão de obra
25:02que o Brasil
25:03hoje tem um problema
25:04com oferta
25:05de mão de obra.
25:06É verdade.
25:07E esses projetos
25:09eles envolvem,
25:10acredito,
25:11um profissional
25:12muito qualificado.
25:14Tem algum tipo
25:15de preocupação
25:17com isso
25:18ou ainda é muito cedo?
25:19Olha,
25:20eu acho que é cedo
25:22porque as soluções
25:23vêm.
25:28Se de um lado
25:29não tem mão de obra,
25:30as pessoas estão...
25:32E assim,
25:32no Brasil
25:34a estatística
25:35de emprego
25:37ou desemprego
25:38é baseada
25:39em quem está
25:40procurando trabalho.
25:42Então,
25:42se algumas pessoas
25:44ou um grupo
25:45não está procurando trabalho
25:46por razões diversas
25:47ou resolveu empreender,
25:49fazer,
25:50está vivendo a vida,
25:51de alguma forma.
25:54Então,
25:55a gente precisa
25:56atrair pessoas
25:57que se interessem
25:59a desenvolver
26:01e o perfil
26:01hoje é todo diferente.
26:02Tudo muito automatizado,
26:04muito robotizado.
26:08Então,
26:09assim,
26:10o número de...
26:11Na construção
26:12você pode optar
26:13por fazer coisas
26:14já...
26:15Módulo,
26:16você vai...
26:16Os módulos
26:17são feitos
26:19em vários lugares,
26:21podem ser construídos,
26:21de uma maneira...
26:23O que não falta aqui
26:24é a empresa
26:25do setor metal-mecânico
26:25que constrói
26:26suas coisas espetaculares
26:28aqui
26:28nas suas plantas,
26:31nas suas plantas industriais.
26:34Então,
26:36é montar,
26:37é conceber
26:38para crescer.
26:40Normalmente,
26:41tem mais gente
26:42trabalhando na construção,
26:43mas a construção
26:44pode estar em...
26:51operação em si
26:52é um número
26:54menor de...
26:54Tem uma estimativa
26:56de quantas pessoas
26:57são necessárias
26:57para a operação
26:58dos dois projetos?
27:00Pode chegar a quanto?
27:03Inicialmente,
27:03é difícil.
27:04É coisa pequena.
27:06Na operação,
27:07é coisa...
27:08É coisa...
27:10Mesmo no Salgema,
27:11não imaginei
27:12que tivesse um número...
27:13É,
27:14chegaram a falar aí
27:15de muitos milhares
27:16de empregos,
27:17de coisas.
27:18isso,
27:19acho que o número
27:20desse é se desenvolver
27:22tudo,
27:23toda a plenitude,
27:24ter todas as plantas
27:25possíveis.
27:26Então,
27:27acho que é uma célula,
27:28um fractal
27:29para poder
27:31se desenvolver,
27:33fazer a...
27:33Então,
27:36começam as cidades,
27:37as cidades aí
27:38começaram com pouquinha gente,
27:39com uma vilinha,
27:41um negócio assim,
27:42e algumas cidades
27:43viraram, sei lá,
27:44gigantesco,
27:45milhões e milhões
27:45de pessoas.
27:46Então,
27:49acho que essa é uma peça
27:50que vai botar ali
27:5150, 100,
27:52150 pessoas
27:53e, claro,
27:55que influencia já
27:56o entorno,
27:57tem...
27:57Tem os indiretos,
28:00os indiretos,
28:00os por efeito renda,
28:02né?
28:02Tem a capacidade
28:03de criar outro,
28:04de atrair outros projetos,
28:05né?
28:05Exatamente.
28:06Então,
28:07naturalmente,
28:08os projetos aqui
28:09no Espírito Santo,
28:12eles...
28:14Projeto da Renda Marco,
28:15que eu trabalhei
28:15na época como secretário
28:16do projeto da Marco Polo.
28:17Sim,
28:18eu lembro.
28:19Em São Mateus...
28:20Noticiei primeiro
28:22o projeto da Marco Polo.
28:23Opa,
28:24opa,
28:25beleza.
28:25E hoje é uma realidade lá,
28:27Então,
28:27assim,
28:31um lá,
28:32um dirigente lá
28:32comentou que precisava
28:33de gás.
28:34Eu falei,
28:35eu já
28:36te resolve isso
28:38em uma semana.
28:40É como?
28:40onde o gasoduto
28:42passa ao lado
28:43da BR-101
28:43lá em São Mateus.
28:46Tendo gás lá dentro
28:47do gasoduto,
28:48precisava botar
28:49uma...
28:49botar uma válvula lá,
28:52um city gate,
28:53como chama.
28:54Botar ali um sistema
28:55de uma válvula,
28:56que é uma válvula.
28:58Então,
28:58eles têm acesso
29:00ao gás,
29:02criaram uma empresa
29:02grande,
29:03que já ficou,
29:04já cresceu,
29:06e atraiu
29:07outras empresas.
29:09Então,
29:09São Mateus
29:10se transformou
29:11na cultura
29:12do petróleo,
29:13embora tem o agro também,
29:14tem o seu valor,
29:15o turismo,
29:15enfim,
29:16uma série de...
29:17Mas,
29:18a Marco Polo
29:19trouxe outras empresas
29:20não só para São Mateus,
29:21para a região,
29:22porque o cara
29:23é acionista,
29:23conhece,
29:25a empresa não tem nada a ver,
29:26é um fornecedor.
29:28Então,
29:29vira um arranjo
29:30produtivo local
29:32mais espalhado.
29:33Tem uma empresa
29:33para Linhares.
29:34Então,
29:34vai...
29:35vai naturalmente
29:38indo, né?
29:39Bom,
29:39falando aqui,
29:40né,
29:41sobre o
29:42Marcio Félix,
29:43foi secretário
29:44de Estado
29:45do Desenvolvimento
29:46e
29:48também foi
29:49gerente
29:49geral
29:50da unidade
29:51de petróleo,
29:52da unidade
29:52de negócios
29:53da Petrobras
29:54no Espírito Santo.
29:55Tem toda
29:56uma história
29:59aqui
29:59no Estado.
30:01Fala um pouquinho
30:02da sua trajetória
30:02profissional
30:03que a gente conheceu.
30:04Bem,
30:05eu desde pequeno
30:07rodei pelo Brasil.
30:09Então,
30:09com 20 e poucos anos
30:10de idade,
30:11eu já tinha morado
30:12em todas as regiões
30:12do Brasil.
30:13Então,
30:13sempre procurei
30:14ter uma visão
30:15mais sistêmica.
30:17Fiz engenharia eletrônica
30:18na Universidade de Brasília,
30:20na área de telecomunicações.
30:23Aí,
30:23me formei,
30:24não tinham me avisado
30:25que era a tal
30:25da década perdida
30:26dos anos 80.
30:27E acabei
30:29encontrando um emprego
30:30de engenheiro eletrônico
30:32na área de petróleo.
30:33Aí,
30:33fui para uma companhia
30:35multinacional
30:36do Grupo Chulumbergê.
30:37Fui trabalhar em Macaé.
30:39Aí,
30:40entrei no mundo do petróleo
30:41e resolvi...
30:43Fiz o concurso
30:43para a Petrobras.
30:45Entrei,
30:46fiz o curso
30:47de formação
30:47de engenharia de petróleo
30:48lá em Salvador.
30:49Voltei para Macaé,
30:51trabalhei usando Macaé,
30:52trabalhei na sede.
30:54Até que,
30:55em 1999,
30:56tive um convite
30:57fora da caixa
30:58que era para
30:58vir trabalhar
30:59no Espírito Santo,
31:00trabalhar em São Mateus,
31:02num momento
31:03em que estavam
31:05vendendo os ativos,
31:07que Fazenda Alegre
31:08não era inviável
31:09economicamente.
31:11Enfim,
31:12que a produção
31:12tinha ido
31:13para o menor nível
31:14de todos os tempos
31:15lá no ano anterior,
31:16em 1998.
31:17Eu olhei,
31:18estudei um pouco ali
31:19e vi que
31:20tinha uma oportunidade
31:22muito grande
31:22aqui no Espírito Santo,
31:24porque tinha projetos
31:25ainda descobertos
31:25em terra
31:26que não tinham sido
31:28desenvolvidos
31:28na sua produção
31:29e tinha todo o mar
31:30do Espírito Santo
31:32intocado,
31:33praticamente.
31:34Tinha uma plataforma
31:34de cação ali
31:35em Águas Rásas,
31:36perto de São Mateus,
31:38ali no litoral
31:39de São Mateus.
31:40Então,
31:40eu vim
31:41e aí,
31:42enfim,
31:42eu me envolvi
31:44bastante
31:44para entender
31:46o Espírito Santo,
31:47a sociedade,
31:49a população,
31:50de modo geral,
31:51como funciona,
31:52a história,
31:53e aí houve
31:54uma grande
31:55transformação
31:56nesse período.
31:57Até a sede
31:58da Petrobras
31:59aqui,
31:59anos depois.
32:00É.
32:02Aí,
32:02a sede,
32:04então foram
32:04muitos projetos,
32:05foram muitos investimentos
32:06gigantescos
32:07que a Petrobras fez,
32:08de 8 mil,
32:09menos de 9 mil
32:10barris por dia
32:10que estava em 1998,
32:11chegou ao beiroso,
32:12300 mil barris
32:13em poucos anos.
32:15O Espírito Santo
32:15saiu lá de último lugar
32:16no Produtor,
32:17passou a ser o segundo.
32:18e então cresceu
32:20muitos projetos
32:21simultâneos.
32:23Então,
32:23o Espírito Santo
32:24teve um forte
32:26desenvolvimento,
32:28a interação
32:29com outros setores
32:31e através
32:32da área metal-mecânica
32:34acho que deu ganhos
32:36de competitividade.
32:38Os fornecedores daqui
32:39começaram
32:39a entrar mais
32:41no petróleo
32:42Brasil afora,
32:44principalmente
32:44para o lado do Rio,
32:45que é um mercado
32:45muito maior.
32:47Tive a oportunidade
32:48de ser gerente geral
32:48da unidade aqui
32:49no momento
32:50que o Espírito Santo
32:52se tornou o segundo
32:52maior produtor,
32:53que começou a produção
32:54do pré-sal aqui.
32:56Passei seis anos
32:57como gerente geral
32:58de 2003 a 2009,
32:59foi um período
33:00de muitas realizações
33:03e aí eu,
33:04de repente,
33:04fui convidado,
33:07fui chamado
33:08pela Petrobras.
33:09Primeiro,
33:09fui chamado
33:10para ir para a Argentina
33:11e aí eu perguntei
33:12se era um convite,
33:14que era uma promoção
33:15ou se era uma conveniência
33:17da empresa
33:17que queria me dar
33:19um exílio
33:19portenho.
33:21E aí eu acabei
33:23não aceitando
33:23esse convite,
33:24mas depois de uns meses
33:25eu fui convidado
33:27para ser
33:28gerente geral
33:29de novos negócios
33:30da Petrobras,
33:31da área de exploração
33:32e produção.
33:32Fui para o Rio,
33:33mas em menos de um ano
33:35eu fui convidado
33:35para ser secretário
33:37e voltei,
33:38passei mais de três anos
33:39aqui no Espírito Santo.
33:40Falando aqui
33:40sobre a sua atuação,
33:45atualmente,
33:46além de ser
33:47da ENP,
33:49também preside
33:50a Associação Brasileira
33:52dos Produtores Independentes
33:53e queria que falasse
33:55um pouquinho
33:56sobre a associação
33:58e sobre essa produção
33:59de petróleo
34:00por essas empresas.
34:01É,
34:02a associação
34:02que está crescendo,
34:03as empresas independentes
34:06ainda são muito poucas
34:07no Brasil,
34:07comparado com
34:08Estados Unidos
34:10ou Canadá
34:13ou Noruega.
34:14Mesmo Noruega
34:15tem várias empresas
34:15independentes.
34:17As empresas independentes,
34:19cada um tem a sua história,
34:21uma parte delas
34:22em função
34:23de desinvestimento
34:24da Petrobras,
34:24elas nasceram
34:25comprando ativos
34:26da Petrobras,
34:27outras tinham
34:28algum ar exploratório
34:29e tal
34:29e fizeram descobertas
34:31e provaram,
34:32outras compraram
34:33ativos
34:33de outras empresas
34:34que não a Petrobras.
34:35e então
34:37formam um conjunto
34:38de umas 20
34:40empresas,
34:42umas menores,
34:43outras maiores
34:45como a Pri,
34:46a Petro Recôncavo,
34:48Brava Energia,
34:50o Eneva,
34:51então tem empresas
34:52já de um porte
34:54bem maior,
34:56a gente tem associados,
34:58e a gente tem
34:58metade dos associados,
35:00os 20 que são
35:01empresas de operadores
35:02de petróleo
35:03e tem outra metade,
35:04mais outros 20
35:05que são empresas
35:05fornecedoras
35:06de bens e serviços,
35:07então a gente
35:08está presente
35:08em 14 estados
35:11e...
35:12Inclusive aqui
35:12no Espírito Santo,
35:13inclusive aqui
35:13no Espírito Santo
35:14tem algumas
35:15empresas independentes
35:16aqui atuando,
35:17a Imetame
35:18é um exemplo,
35:19a Capixaba Energia,
35:20Mandacaru,
35:23enfim,
35:23tem empresas,
35:24nem todas
35:24são associações,
35:25tem empresas independentes
35:25não são associadas a nós,
35:26a BGM que atua,
35:28a Vipetro,
35:29a SICREST,
35:31tem as empresas
35:32que atuam no mar
35:33também aqui,
35:34a Prio,
35:35a BW,
35:36a própria Brava Energia
35:37que tem o campo de Peruá,
35:40então a gente tem
35:43e tem a Prio
35:44com o campo de Wahoo,
35:45que começou a produzir
35:46agora há poucos meses,
35:47tem ido bem,
35:48e fez a interligação
35:50dos quatro...
35:50É um negócio escandaloso
35:51assim,
35:52uma indústria submarina,
35:54eu vi a maquete
35:55do projeto...
35:56É um mundo submarino,
35:5730 quilômetros de distância,
35:59agora essa descoberta
36:00de Wahoo,
36:01ela foi feita
36:02pela BP,
36:04British Petroleum,
36:06já foi da BP,
36:07da Anadar,
36:07que é uma independente
36:08americana,
36:09isso ficou quase
36:1020 anos adormecido,
36:11não tinha viabilidade
36:13de você instalar
36:13uma plataforma,
36:14você tinha que fazer
36:15um tie-back,
36:16ou seja,
36:16conectar com outra plataforma,
36:18mas aqui só tinha
36:19coisa da Petrobras,
36:20nunca houve,
36:22acho que nem a conversa,
36:23nem o entendimento,
36:26e a Prio foi e montou
36:28uma estrutura
36:29que é de cluster,
36:30de vai juntando coisas
36:31que estão na região,
36:33então estão,
36:34enfim,
36:35dando um bom resultado
36:36aí,
36:38conforme a avaliação
36:39do mercado,
36:39nas ações deles aí,
36:41que tem tido
36:43uma boa aceitação
36:45valorização,
36:47então as empresas
36:48independentes
36:49são uma pequena diversidade,
36:50as empresas
36:51independentes
36:51representam
36:5220% do mercado
36:54de gás
36:54do Brasil,
36:56embora produza
36:57muito menos,
36:58mas o gás
36:59que as independentes
37:00produzem,
37:01o gás vai
37:01para o mercado,
37:03porque a gente tem
37:04uma produção
37:05significativa
37:05em terra também,
37:07em terra você
37:08não vai produzir
37:09para reinjetar,
37:12então você tem
37:13como aproveitar
37:15mais facilmente
37:16o gás,
37:18e as empresas
37:18às vezes
37:19têm a relação
37:19com outras áreas
37:20do gás,
37:22então termoelétrica,
37:24que as pessoas
37:24têm algumas,
37:26outros projetos já,
37:27novos projetos,
37:28terminal de gás
37:30natural
37:30liquefeito,
37:31então tem
37:33possibilidade
37:34de estocagem
37:35de gás
37:35subterrânea
37:36em reservatórios
37:37depletados,
37:39então tem
37:40várias,
37:41captura de carbono,
37:42que é uma coisa
37:43para ajudar
37:44a transição energética,
37:46ajudar a descarbonizar,
37:48dar um equilíbrio
37:48net zero,
37:50você precisa
37:51guardar um pouco
37:52de carbono,
37:54devolver
37:54para um reservatório,
37:55várias coisas
37:56que a indústria,
37:57a indústria
37:58de petróleo,
37:59vamos dizer assim,
38:00e os independentes
38:01são empresas,
38:03algumas são listadas
38:04em bolsa,
38:05mas tem empresas
38:05menores,
38:06enfim,
38:06tem um pouco
38:07de tudo,
38:08então,
38:10que nem você tem
38:10numa cidade,
38:11você tem um
38:12hipermercado,
38:13você tem um,
38:13até tem uma mercearia,
38:15uma lojinha,
38:17mas que funciona
38:18e que dá retorno,
38:21e é necessário,
38:22é importante.
38:23É,
38:23e as indústrias
38:25petrolíferas
38:25independentes
38:26têm um papel
38:27fundamental,
38:28inclusive manter
38:28a atividade econômica
38:29em ativos
38:31que não vinham
38:32sendo explorados.
38:35Exatamente,
38:35e aproveitar
38:36a mão de obra,
38:37toda a infraestrutura
38:39que já estava
38:39instalada ali.
38:40Sim,
38:41manter emprego,
38:41manter a atividade
38:42econômica.
38:43Bom,
38:43vamos sair um pouquinho
38:44aqui do petróleo,
38:45vamos sair um pouquinho
38:46aqui do círculo empresarial,
38:47carreira,
38:48profissão,
38:48vamos falar
38:48sobre o Márcio Félix,
38:51o que você gosta
38:52de fazer,
38:53hobbies,
38:54família,
38:55passatempo?
38:56É,
38:57essa é uma pergunta
38:58não tão usual,
38:59né,
39:00mas eu não tenho
39:02muitos passatempo,
39:04eu gosto de futebol,
39:05gosto de acompanhar
39:06o futebol,
39:07já fui muito mais
39:09ligado,
39:10né?
39:10Está acreditando
39:10no Brasil na Copa?
39:13Estamos pegando fé,
39:14mas devagar,
39:15né?
39:15Devagar.
39:16Eu gosto de viajar.
39:18Viajar é bom demais.
39:19Viajar eu acho
39:20que é uma das melhores
39:21coisas que tem,
39:22se conhecer novos lugares.
39:24Viagem inesquecível.
39:25A natureza ali
39:26em torno de,
39:27você está falando
39:27disso com o Canadense,
39:29em torno de Calgary,
39:30que é uma cidade
39:30voltada ao petróleo
39:31na província de Alberta,
39:33tem lagos lindíssimos,
39:35tem tudo com neve,
39:37eu falando lá
39:38que eu achava bacana
39:39que o pessoal estava,
39:40eu prefiro do Brasil,
39:41prefiro o sol,
39:42né?
39:43mas para uma visita
39:45de poucos dias...
39:46Estava frio lá?
39:47Muito.
39:47Nossa, imagina.
39:50Então,
39:50ver o que é diferente,
39:53mas...
39:54Tive a oportunidade
39:55de trabalhar
39:57dentro da Amazônia,
39:58então isso eu acho que
39:59se conhecia a selva,
40:01eu não iria
40:02em uma viagem turística
40:04para...
40:04Que fora do...
40:06Não era um barco,
40:07não,
40:08uma clareira
40:09no meio da selva.
40:10Passou por um sufoco ali
40:12que foi inesquecível,
40:13é isso?
40:14É, não é nem sufoco,
40:15é uma experiência,
40:17experiência de lidar
40:18com o calor,
40:20é...
40:21O tipo de...
40:23Umidade, né?
40:23A umidade muito elevada,
40:25o tipo de mosquito, né?
40:26Que diz que é por hora,
40:27por horário, né?
40:28E o mosquito, assim,
40:30não...
40:30Ele não te larga, né?
40:31Você botava uma branca comprida
40:34e passava ali
40:35um repelente com...
40:36Era no...
40:36Qual era o rio?
40:38Porque o rio negro
40:38não tem muito mosquito, né?
40:40Não, era no rio Juruá.
40:42Nossa!
40:43Pronto da região
40:43de um estado
40:44chamada Carauari
40:45e uma cidade
40:46de outra
40:46chamada Irunepé,
40:48que fica mais lá
40:49perto do Acre.
40:50E vários outros rios também,
40:52de Menor, Jutaí,
40:54enfim...
40:55Regiões, assim...
40:57Mas o Brasil,
40:59diferente.
41:01Então,
41:01tem vários
41:04locais, assim...
41:05Aqui,
41:05toda vez que eu venho
41:06uma vitória,
41:08eu sinto como se fosse
41:10entrando num outro país.
41:11É mesmo?
41:12Num país, assim,
41:13que a gente fica feliz,
41:15que a gente quer,
41:15que a gente...
41:16Aconchegante,
41:17então, assim...
41:18Acho que a organização,
41:19né?
41:21Então,
41:22o Espírito Santo é um...
41:22Mora no Rio hoje,
41:23não é isso?
41:24Mora no Rio.
41:25É, realmente.
41:25O Rio tem um contraste
41:27muito grande
41:27com o Espírito Santo, né?
41:29E lá não está sendo
41:31bem cuidado, né?
41:32Não está...
41:32Há muito tempo.
41:34É, há muito tempo.
41:35Então,
41:35é um desafio.
41:37E aqui,
41:37cada vez,
41:38está sendo mais bem cuidado.
41:39Não só nas finanças,
41:42na gestão pública,
41:43mas...
41:44Tudo está associado,
41:45mas no ordenamento urbano,
41:48na arquitetura,
41:50na...
41:50Enfim,
41:52na...
41:52Está ficando caro, né?
41:53Está ficando...
41:54Está ficando caro.
41:55Está ficando...
41:56Esse é o problema.
41:57Efeito colateral.
41:58Efeito colateral.
41:59Tem família, né?
42:01Casado,
42:02com dois filhos.
42:03Dois filhos.
42:04Dois filhos.
42:06E...
42:07E...
42:07Já são adultos?
42:09Já, já.
42:09Já são adultos,
42:10já estão aí no mundo.
42:12Seguiram a carreira do pai?
42:13Não.
42:16Ninguém...
42:16É,
42:17um filho fez engenharia,
42:18a filha fez economia,
42:22mas...
42:22É,
42:23chegaram a olhar...
42:23Não fogem muito aí, né?
42:25Não, na carreira...
42:27Engenharia, economia...
42:28mas na atividade é bem diferente, né?
42:31Já formei,
42:31entrei na Petrobras,
42:32depois de um tempo,
42:33ou...
42:34Eu fui num...
42:34Numa época tinha um modinho
42:35chamado reengenharia.
42:36Tudo tem que fazer uma reengenharia.
42:39E aí o pessoal falava assim,
42:40meus colegas de turma
42:41da...
42:42Da universidade falavam assim,
42:44pô, mas você é uma vergonha da turma,
42:45você largou a engenharia eletrônica,
42:46está em petróleo,
42:47você não tem nada a ver.
42:49Aí, num curso assim,
42:50que tinha centenas de pessoas
42:51em um auditório enorme,
42:53ela perguntou,
42:53quem é que trabalha na...
42:55Quem é que trabalha
42:57na mesma área que se formou?
43:01Levantaram a mão,
43:02os gatos pingados levantaram a mão.
43:04Então, você vai se transformando,
43:05vai...
43:06Você vai se adaptando.
43:08Então, eu digo assim,
43:09não é vergonha.
43:10Eu estava assim,
43:11tinha como se fosse uma obrigação
43:12de ser engenheiro eletrônico.
43:16Mas a base que você consegue,
43:18é...
43:19É boa.
43:20E o mundo se transformou muito, né?
43:22Nossa, agora...
43:23Agora, acredito que para o futuro
43:25isso vai ser cada vez mais frequente.
43:27Então, assim,
43:28eu vejo assim,
43:30colegas assim,
43:31muito inteligentes,
43:32muito capazes,
43:33muito...
43:34Mas eles discutem
43:36tipo, como é que vai fazer o negócio?
43:38Então,
43:39como é que vai enfrentar a vida?
43:41Como é que vai se preparar para...
43:44Como é que vai ser a nova geração?
43:46Como é que...
43:48Eu acho que tudo vai se ajustando.
43:50Então, a gente precisa...
43:52Precisa entender.
43:54A gente não pode negar a realidade.
43:57São poucos hobbies, assim, de...
44:00Então, eu não posso parar de trabalhar.
44:02O que é que eu vou fazer?
44:03É a grande paixão.
44:04É.
44:04Grande paixão.
44:05Então, sempre fazer alguma coisa.
44:07E eu vou pensando de formas de evoluir
44:11como dosar energia
44:13para trabalhar e fazer alguma coisa.
44:17Eu não tenho, assim, habilidade manual.
44:19Não tenho...
44:20Sempre fui ruim de fazer uma pipa,
44:24fazer um...
44:25Não sei como...
44:25Você é no Instituto Nacional de Pipa, né?
44:26Pipa, pipa.
44:27Pipa, né?
44:28Eu também...
44:29Eu também nunca tive nenhum tipo de talento.
44:32Minhas pipas saiam cada coisa.
44:33Não.
44:35Voava toda torta.
44:37Comprar pronta, né?
44:38Não, aí...
44:39Mas não tinha, né?
44:41Não tinha.
44:41Não tinha o pronto.
44:42Então, você tinha que ir usar...
44:44Na minha infância, acho que era difícil encontrar pronta.
44:47É difícil.
44:47Hoje em dia...
44:47Papelzinho de seda.
44:49Você comprava, pegava cola, passava aquela linha,
44:52achava um bambu.
44:54Eu costumava...
44:55Quebrava tudo.
44:56Ah, não quero saber de pipa, não.
44:59Mas...
45:01Enfim, são brinquedos, brincadeiras, né?
45:04Que a gente faz e...
45:09Então, é...
45:10Focar a vida.
45:11Isso aí.
45:12Olha, Márcio Félix, muito obrigado, tá?
45:15Pela sua presença.
45:16Ótimo conversar com uma pessoa que tem tanto conhecimento aí na área de petróleo,
45:20conhecimento amplo, né?
45:21Datas, dados, informação.
45:23E que dê certo nos projetos aí da ANP.
45:28Obrigado, Rafael.
45:29Obrigado pela oportunidade.
45:30Parabéns aí pelo podcast.
45:32E...
45:33Eu acho isso.
45:34Tudo tem a sua hora de acontecer.
45:36A gente vai trabalhando, tem que ter fé, tem que...
45:39Não tá na bandeira do Espírito Santo.
45:41Trabalho, bom.
45:41Tem que trabalhar e confiar, né?
45:43Isso aí.
45:43Essa entrevista está disponível nas edições Impresse Digital do Jornal A Tribuna,
45:48no portal Tribuna Online, em nosso canal no YouTube e nos tocadores de podcast.
45:52Tchau, tchau, tchau.
46:10Legenda Adriana Zanotto
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