00:00O TN2 vai começar falando do que mexe com o seu bolso.
00:03O conflito no Oriente Médio pode afetar a economia aqui do Espírito Santo?
00:08Não é exagero entrar nesse assunto, tá gente?
00:11O barril do petróleo já subiu hoje pela manhã.
00:15Será que então pode ter um aumento nos custos de produção, importação de insumo?
00:20Você sabe, né, que a economia gira.
00:22Esse assunto, inclusive, foi debatido hoje pela Federação do Comércio do Estado
00:26e a gente acompanhou de perto. Vamos ver a reportagem.
00:32No último sábado, o mundo votou os olhos para o Oriente Médio,
00:36depois que os Estados Unidos e Israel lançaram ataques aéreos contra o Irã.
00:41De lá pra cá, o conflito se intensificou, abriu novas frentes e já provocou centenas de mortes.
00:47Inclusive a do líder supremo iraniano Ayatollah Ali Khamenei.
00:51Para o cientista político e especialista em geopolítica,
00:55o que está em jogo vai além do confronto militar.
00:57Envolve o programa nuclear iraniano e a permanência do regime no poder.
01:02Para os Estados Unidos, o que está em jogo é o Irã não possuir uma bomba atômica.
01:06Isso é uma ameaça muito séria, é um problema grave de segurança internacional.
01:12Depois que os Estados Unidos enfrentou o 11 de setembro com ameaça terrorista,
01:17fundamentalista islâmica, o Irã passou a ser o grande representante desse tipo de terror.
01:22Porque o Irã financia muitos grupos terroristas pelo mundo,
01:27continua com um projeto expansionista na região.
01:30Então a questão do programa nuclear, eu diria que é o ponto central,
01:34é isso que está em jogo para os Estados Unidos.
01:36E para Israel também, que é aliado dos Estados Unidos e vive na região mais próxima,
01:40lidando com o problema.
01:42O professor esteve no Espírito Santo para analisar o cenário econômico,
01:47em um evento que reuniu lideranças do comércio capixaba.
01:50O especialista explica que a guerra mexe com uma das commodities mais estratégicas do planeta.
01:55O confronto ali, ou a guerra, ela mexe com uma das commodities mais importantes,
02:01que é o petróleo, que passa pelo Estreito de Hormuz,
02:04onde um quinto do petróleo do mundo tem que passar.
02:06Então é um lugar sensível.
02:09Muitos países estão envolvidos agora pelos ataques do Irã.
02:13Então é uma coisa, não é um choque pequeno de dois, três países.
02:19Tem mais gente envolvida.
02:21O Espírito Santo não mantém relações comerciais com os países envolvidos nesse conflito.
02:26Mas ele negocia com o mundo.
02:27E quando o mundo fica mais caro, seja por conta do petróleo, do dólar ou do frete marítimo,
02:33um Estado portuário como o nosso acaba sentindo.
02:36O impacto não costuma ser imediato, mas ele é estrutural.
02:40Pressiona custos, aumenta incertezas e cedo ou tarde acaba chegando na ponta,
02:45no preço que o consumidor acaba pagando.
02:47Dependendo do tempo desse conflito, a gente pode acompanhar sim um aumento de preços,
02:53porque se eu tenho combustível em alta, eu tenho custos logísticos maiores.
02:58Se eu tenho custos logísticos maiores, eu tenho empresas que passam, de certa forma,
03:03esses preços para o consumidor.
03:05Então pode ser que isso seja impactado sim, não no curto prazo, mas num prazo mais longo.
03:10Mas existe hoje alguma previsão real para o fim desse conflito?
03:14Ou a instabilidade pode se arrastar por tempo indeterminado?
03:18A gente não tem como dizer.
03:20O Trump já falou em alguns dias, depois ele falou em uma semana,
03:24depois ele falou em quatro, cinco semanas,
03:27aí depois ele disse que não tem tempo.
03:29Não está claro.
03:30Acho que nem os Estados Unidos têm isso definido, nem a liderança americana,
03:34o Trump não escolheu o que ele quer fazer, ele está medindo conforme a reação,
03:38a reação dos aliados árabes, a reação dos mercados, o preço do petróleo,
03:45isso impacta a economia americana, impacta a inflação,
03:48politicamente não é isso que ele quer, mas ao mesmo tempo é uma oportunidade
03:51dele resolver a ameaça iraniana.
03:55Então não dá para a gente dizer.
03:57Não acho que é um conflito de meses, talvez no máximo duas semanas,
04:03mas temos que esperar para ver.
04:04Em um mundo interligado, guerras não ficam restritas às fronteiras onde começam.
04:09Elas atravessam oceanos, pressionam mercados e lembram que na economia global,
04:14distância não significa proteção.
04:18E com relação especificamente à gasolina, todos se perguntam como é que vai ser.
04:23Bom, a cotação do barril de petróleo fechou com alta de 6,5%,
04:28mas chegou a disparar 14 pela manhã.
04:30Vamos entender agora, então, na reportagem.
04:35A maior refinaria de petróleo da Arábia Saudita foi fechada nesta segunda-feira,
04:40depois de ser atingida por drones iranianos.
04:43Rastanura tem capacidade para 550 mil barris por dia.
04:48É um terminal de exportação importante.
04:51Por causa dos bombardeios, a produção foi paralisada preventivamente,
04:55em instalações de petróleo e gás de todo o Oriente Médio.
05:00O mundo, claro, vai sofrer os impactos econômicos da guerra.
05:04O risco é de inflação.
05:06A questão é quanto tempo os ataques vão durar.
05:09Um dos prováveis efeitos deve ser sentido nos postos de combustíveis.
05:14Apesar do Brasil ser um grande produtor de petróleo,
05:18se a cotação internacional sobe, a tendência é que, por aqui, também haja pressão.
05:23É uma commodity e a estatal ganha quando o petróleo se valoriza.
05:27Com a atual política de preços, a Petrobras não repassa a alta internacional imediatamente,
05:33mas não deve segurar o aumento por muito tempo.
05:37Nós somos, eventualmente, autossuficientes em petróleo, mas não em gasolina.
05:4320% do que eu uso de gasolina, eu importo.
05:46Se nós abrasileirarmos o preço da gasolina, vai faltar gasolina importada.
05:53Se gasolina e diesel sobem, o frete de produtos encarece e o preço para o consumidor também.
06:00Vai bater em máquinas de produção, vai bater no preço de alimentação,
06:05vai bater no preço também do subproduto de petróleo, em plástico.
06:10Então, isso acaba batendo na economia como um todo.
06:15O mundo se volta para o Estreito de Hormuz, que fica entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Oman.
06:21São 50 quilômetros de largura, por onde passam 20% do consumo global de petróleo.
06:27E é por onde escolam a carga de grandes produtores, como a Arábia Saudita, Iraque e Emirados Árabes.
06:34Ninguém passa pelo Estreito em razão de risco.
06:37O frete da carga fica mais caro e o seguro da carga fica mais caro.
06:42Então, está todo mundo aguardando esse conflito arrefecer.
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