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  • há 4 semanas
Segundo episódio do podcast “Ela Pod, Todas podem”, de A Gazeta. A conversa vai aborda o que acontece depois que a mulher decide romper o silêncio e registrar uma denúncia contra o agressor, discutindo desde os primeiros passos até as medidas de proteção disponíveis.

Com o tema “Da denúncia à proteção: o que acontece depois da mulher romper o silêncio?”, o bate-papo é mediado por Elaine Silva, gerente-executiva de Produto Digital de A Gazeta e coordenadora do Todas Elas. Participam como convidadas a advogada criminalista, presidente da Comissão da Mulher Advogada (CMA) da OAB-ES e secretária da Abracrim Mulher, Layla Freitas, e Natizinha, locutora da Rádio Litoral.

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Transcrição
00:00Quando aconteceu em 2016, eu demorei um ano para conseguir falar sobre.
00:04E nesse um ano foi quando eu desenvolvi a ansiedade, depressão e bulimia.
00:09Então, porque também uma das questões desse relacionamento era a questão de corpo e de comportamento.
00:15E quando eu percebi que eu estava, assim, literalmente entrando no fundo do poço,
00:19eu cheguei a um ponto de que eu sou católica hoje, que eu orava para Deus, para Deus me levar,
00:24porque eu não estava aguentando mais a carga psicológica, sabe?
00:27Eu não conseguia me matar, porque eu tenho uma teoria meio doida na minha cabeça,
00:31que quando a gente vê a morte muito de perto, a gente não consegue encarar ela, sabe?
00:37A gente não consegue... A depressão é o que leva ao suicídio.
00:40Só que eu não conseguia me levar ao suicídio, porque eu já tinha presenciado,
00:43eu já tinha implorado muito para viver.
00:44E aí eu conseguia a vaga para poder fazer essa terapia.
00:48Hoje até eu entrei em contato de novo com a minha antiga psicóloga, que é a Lara,
00:51a gente vai voltar a terapia, né?
00:53Mas foi ela que me fez entender que eu saí da situação de culpada,
00:59que eu me via como culpada, tanto é que depois que aconteceu a minha violência,
01:03eu conseguia conversar com ele de uma forma normal,
01:05porque eu me sentia que eu devia alguma coisa para ele,
01:08que era tipo, ah, eu fiz aquela situação.
01:11Então eu me senti por muito tempo nessa posição.
01:13E muitas mulheres se sentem culpadas.
01:14A maioria.
01:15Porque eles fazem isso.
01:16Sim, faz você se sentir.
01:17O jogo é isso.
01:18O jogo é isso, né?
01:18O jogo é isso, é.
01:19Exatamente.
01:20E aí ela me fez me colocar numa situação de vítima,
01:24de eu entender que eu tinha sido vítima daquilo,
01:26que eu precisava superar aquilo, que eu precisava passar por essa fase.
01:29Tinha horas nas sessões que eu não conseguia falar nada.
01:31Eu ficava em silêncio ela tentando fazer com que eu falar.
01:34Isso quando eu entrei na terapia foi em junho, junho barro julho.
01:38Eu consegui entender isso, graças a Deus, foi até um pouco rápido,
01:42em outubro, novembro, que eu estava muito disposta a querer sair daquela situação
01:46que eu estava me encontrando anteriormente.
01:47É uma dor ainda, entende?
01:49Porque a mulher que foi vítima de violência doméstica a gente nunca esquece, entendeu?
01:54Eu acabei vendo o meu agressor recentemente.
01:57Então, assim, nesse momento eu tive uma crise de pânico.
02:00E, por sorte, meu namorado estava do meu lado, me confortou, me abraçou,
02:04foi pra cá, mas, assim, é uma coisa que nunca vai passar.
02:07E vai passar dez anos ano que vem, que aconteceu comigo.
02:09Eu falo assim, meu Deus, será que isso nunca vai acabar?
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