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00:04Abram alas que o Tá Na Mesa Carnaval 2025 começou e essa série especial, vamos conversar com as
00:11escolas de samba e entender a história que elas vão levar para a Avenida, não é isso mesmo Marcos?
00:17É isso aí, hoje a gente tem o prazer de receber aqui a Chegou o Que Faltava, estou com o
00:21Rafael
00:21Cavalieri e o Wanderson Cesar aqui que vão contar um pouquinho para a gente o que a Chegou o Que
00:26Faltava vai levar para a Avenida esse ano, sejam muito bem-vindos. Obrigado, a gente está sendo uma
00:31honra estar aqui, agradeço pelo convite e vamos de bate-papo né? Nós que agradecemos a presença de
00:37vocês aqui, o Rafael que é o sua função na escola, seu presidente da Chegou o Que Faltava, e você
00:44Wanderson? Eu sou o Carnavalesco, então aqui a gente está com a escola muito bem representada
00:48para trazer de fato essa história que será contada na Avenida, antes disso a gente quer
00:54agradecer ao Fonte Hub que nos abre esse espaço para essas gravações, o Fornada da Casa que mandou
01:00essas esfirras para a gente saborear enquanto conversa, e a Natália Lorencini e a Carolina Zambon
01:07que idealizaram esse projeto aqui para a gente fazer essas gravações. E vamos lá, que história
01:13Chegou o Que Faltava vai levar para a Avenida esse ano?
01:17É, bom, a escola vai levar um enredo intitulado Da Lama Sai Muito Barulho,
01:22que é um enredo que fala um pouco sobre a cultura de Goiabeiras e de como o bairro de Goiabeiras
01:28culturalmente se forma a partir da sua relação com o mangue, da relação humana ali, que é
01:33estabelecida com o manguezal, com esse bioma que é muito importante para a manutenção
01:37da vida, e de que forma tudo ali vai emergir até chegar na figura das paneleiras que é
01:42tão famosa, na panela de barro que é tão famosa. Então a gente, o enredo caminha por aí,
01:47de tentar entender o que é essa comunidade, de como que isso se forja culturalmente
01:52naquele pedacinho de Vitória ali.
01:54E acredito que tenha sido um baita desafio conseguir trazer essa história que é tão
02:01rica e com tantos detalhes, às vezes desconhecidos da grande literatura e do nosso conhecimento
02:07geral. Conta pra gente como foi essa construção desse samba-enredo, dessa história que vocês
02:12vão levar.
02:13Assim, a construção do enredo foi muito gostosa, justamente por isso que você está falando.
02:18Eu já sabia muita coisa, porque já estou há nove anos ali, né? Chegou o que faltava,
02:24com um hiatozinho ali no meio de alguns anos que eu assinei numa outra escola. Então assim,
02:27eu já convivo muito com a galera ali. Tem aquilo que todo mundo já sabe basicamente
02:31sobre as paneleiras, sobre a panela de barro, porque é algo que é muito difundido, né?
02:35Pra cultura do... A ideia daquilo ali como um símbolo da cultura capixaba e tudo mais.
02:41E aí, aos poucos eu fui percebendo que Goiabeiras é uma espécie de microcosmos da
02:45cultura capixaba, porque a panela de barro está ali dentro, ali dentro tem banda de
02:49Congo, ali dentro tem folia de reis, ali dentro tem boi. Então tudo aquilo que é
02:52tido como identidade cultural do Espírito Santo existe dentro do bairro. Então fui
02:56tentando investigar que bairro é esse, que local é esse, que grupo de pessoas é esse
03:03que ao longo da história conseguiu forjar esse local que é quase um mini Espírito Santo
03:09dentro do Espírito Santo. E aí a gente começa a pesquisar, a gente tem uma certa dificuldade
03:13de acesso à informação em relação à história do Espírito Santo, é uma coisa que eu sempre falo
03:17isso, a gente precisa começar a escrever mais, a publicar mais, documentar mais a história
03:22do Espírito Santo. É assim, ao ponto de chegar e descobrir que existe a produção de utensílios
03:29de barro na região de Goiabeiras que podem dar tarde antes do período da colonização.
03:33Então é uma tradição que naquele local em específico é muito, muito, muito, muito
03:37antiga e tudo ali se desenvolve no entorno do fazer da panela de barro. E aí as paneleiras
03:44foram o primeiro fazer tombado pelo IFAN lá em 2003, sabe? Num país gigantesco que é
03:49o Brasil. O Espírito Santo é quem abre o livro dos saberes, é o primeiro fazer tombado,
03:55sabe? Eu acho que pouquíssimas pessoas sabem disso aqui no nosso estado. E a ideia do enredo
04:00é justamente essa, assim, é levar uma versão de Goiabeiras que talvez as pessoas ainda não
04:05conheçam pra avenida. E é interessante que na documentação da panela de barro, das
04:10paneleiras de Goiabeiras, porque também é a panela de barro como é feita lá, né?
04:15Que segue a tradição dali, passada de geração em geração. A gente ouviu há pouco tempo
04:20uma senhora falando que ela é a sétima geração de paneleiras que segue seguindo, não segue
04:27seguindo, que segue fazendo essa arte, né? Ancestral. Exatamente. Você usou um termo muito
04:34interessante agora, que a gente comenta muito isso. Por ser um fazer 100% manual, não
04:38se utiliza nenhuma máquina ou nada disso, sei lá, se ao longo da história foram produzidos
04:445 milhões de panelas, são 5 milhões de panelas diferentes, cada uma é uma. Por mais
04:49que seja feita pela mesma pessoa, pelo mesmo, seguir um mesmo modelo pré-estabelecido, ela
04:55não é 100% igual. Então, aquilo dali é literalmente arte, é arte em essência produzido.
05:00E o interessante é justamente isso, assim, o fazer ele é tombado desde o vale do
05:06mulembar, a figura do barreiro que vai lá retirar o barro no vale do mulembar, a figura
05:11do casqueiro que entra dentro do mangue para tirar o tanino, para fazer a tintura, todo o
05:15processo do fazer da panela, todos os utensílios que são naturais, a pedra do polimento é uma
05:22pedra de rio que elas pegam, a cuiazinha que é feita de uma espéciezinha de cabaça de
05:28coco específica que elas usam para alisar, também é da natureza, a vassourinha para
05:32pintar também é de uma árvore específica da região. Então, assim, tudo é tão específico
05:36que não existe em qualquer outro lugar do universo uma panela que vai sair igual é a
05:40panela de Goiabeiras.
05:41E você disse sobre Goiabeiras representar quase como se fosse um fractal do Espírito
05:46Santo. Vocês vão levar isso para a avenida também? Como que vocês vão... O que você pode
05:51dizer de como vocês vão levar isso para a avenida?
05:53Então, aí entra a piração do carnavalesco, né? Eu tive uma dificuldade enorme para conseguir
05:57dar título para esse enredo. E aí, isso durou mais de um mês durante o processo de pesquisa,
06:03o enredo passou por vários títulos. E tem uma parada que eu sou muito apaixonado, que
06:07é o movimento Mangue Beach Chico Science. Sempre li muito sobre Chico Science, sobre o movimento
06:11Mangue Beach. Aí eu falei assim, quer saber de uma coisa? Mangue, caranguejo, deixa eu dar
06:15uma lida no Manifesto Caranguejo com Cérebro, que é o manifesto que inaugura o Mangue Beach.
06:20E lá tinha essa frase, da lama sai muito barulho. Aí eu falei, opa...
06:23É por aí que eu vou, né?
06:25É, porque eu gosto disso. Eu gosto do título de enredo que instiga. Porque se eu entrego
06:28o que é o enredo no título, as pessoas não vão buscar saber sobre o que é o enredo
06:31da escola. Agora, se eu boto um título que talvez seja enigmático, a galera vai buscar
06:37saber, peraí, sobre o que é o enredo. Porque da lama sai muito barulho e não entrega
06:40tanta coisa do que seria o enredo. E o Mangue Beach tem um conceito, uma filosofia que a
06:45gente também está se inspirando para poder produzir esse enredo, que é a ideia do renovar
06:50a cultura, aproximar a cultura das novas gerações para que a cultura não morra, essa coisa
06:54da denúncia social e tudo isso. Então eu vou me inspirar em Chico Sainz, na filosofia
06:58dele do Mangue Beach, para conseguir dar título para o enredo da escola.
07:03E aí eu parto de um... que eu falo que é um tripé, que eu vou entender o manguezal a
07:08partir da cultura africana, da filosofia africana, de como os povos africanos entendem
07:13o manguezal, a lama, a partir de nanã, a filosofia que eles entendem aquilo dali da
07:18criação do mundo, da memória dos ancestrais, a partir dos indígenas que tiram a materialidade
07:24do mangue, que já catavam caranguejos, já pescavam, já produziam tecilhos de barro
07:28naquela região. E a própria biologia que entende o mangue como local de vida, de potência
07:33de vida, de renovação da vida marinha, que é super importante para a nossa vida.
07:37E a partir do momento que eu entendo o mangue, a partir desse tripé, eu vou entender o que
07:41é a população de goiabeira, os saberes que surgem ali dentro, é o pescador, é a
07:44marisqueira, é a bezedeira que é muito forte, as cantadeiras de roda. E aí a gente passa
07:49para as manifestações de rua, que tem o boi, tem o congo, tem folia de reis, tem
07:54profissão de São Sebastião, então essa é a efervescência da cultura ganhando a rua
07:58de goiabeiras, e a gente finaliza nas paneleiras, todo o fazer da panela de barro, e é o
08:03mesmo barro de onde a gente sai no início do enredo, então é um ciclo que se fecha,
08:07né? A gente sai do barro e volta para o barro.
08:09Maravilha, e é engraçado, você falava mais cedo, onde a gente começar de fato a gravar,
08:12que as características de goiabeiras é como se fosse uma vila, como se fosse uma
08:17pequena, né? Uma cidade de interior, porque é um bairro de fato com poucos prédios,
08:22né? E talvez se tivesse muitos prédios, ia ser pessoas talvez um pouco mais isoladas,
08:26um pouco, muita gente, num espaço pequeno, mas talvez sem tanta interação.
08:30E lá você tem de fato o Mangue, né? Você tem as ruas, você tem muitas casas e uma
08:35população muito... que se manteve lá, famílias e pessoas que continuam morando, vem...
08:42Alto grau de parentesco, né?
08:43Isso, que permanece. Isso certamente deve fazer diferença nessa comunidade, para a escola,
08:47que abraça o tema, que vai junto com vocês. Como é que é essa relação aí, inclusive com
08:54esse ano, né? Desse desfile de vocês.
08:56O legal é isso, assim, desde o momento que a gente divulgou o enredo, divulgou o sinopse,
08:59é o que eu mais tenho escutado. O Rafael usou uma palavra agora muito interessante,
09:02que é pertencimento.
09:03As pessoas se reconhecem na letra do samba, as pessoas se reconhecem no texto do enredo,
09:07porque é muito isso. As relações ali, elas conservam essa relação muito próxima humana
09:14ainda, apesar da globalização, apesar da vida digital e tudo mais.
09:18A galera ali dentro de goiabeiras ainda preserva muito essa relação ali, corpo a corpo,
09:22essa conversa, esse olho no olho. E aí, isso fez total diferença na pesquisa do enredo,
09:27que é um enredo basicamente escrito e criado a partir da memória afetiva daquelas pessoas,
09:32do que eu ouvi daquelas pessoas. E assim, quando eu falo de mangue, é uma galera que cresceu
09:36brincando no mangue, nadando no mangue, sabe? Então assim, elas talvez não tenham a consciência
09:41ecológica da importância do manguezal, mas elas entendem a importância de se preservar
09:46aquilo, sabe? Então assim, a galera vai se identificando muito com isso.
09:49É muito legal, ao longo do processo, tipo assim, a gente esteve sentado com todas as
09:54representações e mais de uma vez a gente sentando, conversando, dialogando com eles,
10:00mas mostrando qual era o caminho que a gente ia seguir, o enredo, e simplesmente assim,
10:07ouvindo dele todas as histórias que, assim, boa parte dessas histórias vão estar no desfile
10:13E vocês nessa hora de montar o samba-enredo, você nos estudos, nas pesquisas, vocês certamente
10:23ouviram falas com perspectivas diferentes da mesma cena, da mesma situação. O que que vocês
10:34aprenderam ou conheceram na construção desse samba-enredo que você fala assim, nossa, isso aqui chamou
10:39minha atenção? Deve ter sido muita coisa, né?
10:43Eu começo.
10:44Cara, teve uma paradinha assim durante a pesquisa que eu achei muito interessante, porque assim,
10:50eu tenho 28 anos, né? Na minha memória afetiva do que eu vejo de televisão, de tudo, a ideia
10:58de que a cultura da culinária, das marisqueiras, tudo isso está muito ligado à região da Ilha
11:03das Caieiras, em São Pedro. E aí, pesquisando, eu descobri que não. A culinária capixaba,
11:08inclusive, há alguns historiadores que defendam que a culinária capixaba foi inventada em
11:12Goiabeiras, a moqueca foi inventada em Goiabeiras, a torta capixaba foi inventada em Goiabeiras,
11:16a cultura de marisqueira, da pesca, naquela região é muito mais antiga do que da região
11:21da Ilha das Caieiras, que hoje recebe esse status, que hoje recebe esses holofotes maiores em relação
11:26a isso, assim. Então, esse pontinho, assim, eu achei muito interessante.
11:30É, eu já vou pro Boi Estrela. Não, eu falo que, assim, é uma manifestação que a gente
11:37até estava brincando que era tão, é tão bom poder levar ele pra avenida, pra essa geração
11:45poder participar, poder conhecer mais. Uma coisa engraçada é que a gente estava comentando
11:50que são 50 anos de Chegou, então todo mundo se esperava que a gente falasse sobre os 50 anos.
11:55só que daí chegou o Wanderson com essa ideia maravilhosa que é dentro dos 50 anos a gente
12:00levar a história do bairro, a história de Goiabeiras. Que querendo ou não, tipo assim,
12:06a Chegou faz parte dessa história de Goiabeiras, é um importante capítulo e a gente tem certeza
12:14que esse ano a gente vai fazer muito barulho, muito barulho.
12:19É, esse lance do Boi Estrela e o Rafael, ele é muito apaixonado por essa manifestação,
12:22porque hoje em dia ela está parada, já tem uns anos que ele está parado, assim,
12:26mas por muito tempo foi uma das principais brincadeiras do período junino da região de Goiabeiras.
12:31Às vezes a gente olha, vê falar de Parintins, o Bumba Meu Boi no Maranhão, né,
12:35mas ali em Goiabeiras também existia um foguedo de boi que tem toda uma particularidade,
12:40o alto do boi de Goiabeiras é totalmente diferente dos outros altos de boi que existem
12:44pelo Brasil, assim, e hoje está parada, mas o Rafael, desde que eu botei a manifestação
12:48do boi na mesa, ele se apaixonou, assim, pelo boi.
12:51Gente, é legal, e legal conhecer essa história, e você disse pertencimento da comunidade de Goiabeiras,
12:57mas olhando, sem torcer para a escola A, B, C ou D, é interessante que o Capixaba
13:04vai poder se ver na avenida, porque todo mundo tem um pouquinho de uma, de um,
13:10ah, minha moqueca é de um jeito, o meu fazer de cirio, meu caranguejo, minha caranguejada
13:15é de um jeito, todo mundo vivenciou isso ou vivencia, e talvez a expectativa de vocês
13:23seja que, de fato, o Capixaba se identifique com isso.
13:26E aí entra aquela nossa pergunta, que momento grandioso é quando a bateria passa e você sente
13:35aquela pulsação da bateria, indo para a arquibancada, indo para os camarotes,
13:40e voltando na vibração de quem está lá.
13:43Para vocês, qual o momento que vai acontecer isso, e se vocês estão empolgados para que isso aconteça,
13:51o que vocês estão preparando para esse momento?
13:54O que vocês podem falar, né?
13:57É, então, eu vou ser sincero que, assim, é claro que a escola posicionada para mim
14:04é o que eu acho que é de mais impactante, é quando você consegue visualizar
14:09que a escola está toda montada, que a escola está preparada,
14:13que dá o sinal verde para passar, e que a gente está sem erro.
14:20Eu acho que essa parte, para mim, como presidente, eu acho que é a mais importante.
14:24Porque, assim, há um preparo, as pessoas não acreditam quando a gente fala que carnaval
14:28não é só aquele período, a gente termina um carnaval e já inicia outro.
14:33Só que quando a gente inicia, normalmente tem a questão do projeto,
14:37a questão do processo de elaboração.
14:40O Wanderson, todo ano, ele fala que ele vai até me denunciar para o Ministério do Trabalho,
14:45porque ele não tira férias.
14:47E a gente, realmente, a gente fica o ano todo trabalhando,
14:49porque é muita gente trabalhando com a gente.
14:52Então, assim, é uma gama de profissionais que é absurdas.
14:57Então, são famílias que dependem da gente o ano inteiro,
15:01e que as pessoas não têm noção de como é esse mundo de uma escola de samba.
15:07Então, além disso, tem os projetos sociais, tem tudo.
15:09Mas o mais importante para mim, como eu disse,
15:12é a escola ali montada, sem erros, e passando linda e perfeitamente.
15:17Cumprindo a proposta que foi pensada,
15:20trabalhada com tanto zelo durante tanto tempo,
15:22e por tanta gente que tudo funciona e saia como vocês.
15:25E principalmente a mão de todos os profissionais ali.
15:28Sim.
15:28E o que a gente fala, né, que o carnaval, ele é um grande espetáculo,
15:33que também, além de lindo e que envolve muito trabalho e tudo mais,
15:37ele também é uma ferramenta de construção de crítica social, cultural,
15:43fortalecimento de cultura, religiões, e ele vem para nos fazer refletir
15:47sobre esses assuntos, né?
15:49E vocês estão contando aqui que vocês vão levar justamente isso para a avenida, né?
15:53Exatamente, exatamente.
15:55Você trouxe um ponto muito interessante,
15:56que é cumprir algo que está na nomenclatura, né?
16:00Ser escola, escola de samba, ser escola, ensinar um pouco também,
16:03usar da festa para a gente poder estar ensinando,
16:06estar passando alguma coisa.
16:08Eu sempre comento muito isso, assim, com o Rafa,
16:11quando a gente define enredo, que é pensar uma história
16:14que possa extrapolar os limites do sambão do povo.
16:16Que é uma história que, de fato, possa passar,
16:19possa ser um desfile inesquecível,
16:21mas não só inesquecível pelo que passou na avenida,
16:23inesquecível pelo que as pessoas aprenderam ali, sabe?
16:26Nesse último carnaval a gente falou do Glória, por exemplo,
16:29e até hoje tem uma galera que fala comigo,
16:31nossa, nunca tinha ouvido falar do Eden Park,
16:33descobri que existiu, porque estava no enredo da Chegou, sabe?
16:36E eu também não sabia, eu descobri que o Eden Park existia
16:38pesquisando para fazer um enredo sobre o Glória.
16:41Não, o Caboclo Bernardo.
16:42O Caboclo Bernardo, foi o...
16:44Até hoje, as escolas convidam a Chegou para falar um pouco sobre isso.
16:49Então, assim, era um herói capixaba, esquecido,
16:51simplesmente esquecido pelo povo, pararam de contar as histórias.
16:54O Caboclo Bernardo, a quantidade de pessoas que ele salvou,
16:57uma única pessoa.
16:59Então, assim, existe a família,
17:03claro, a geração, né?
17:06Mas parou de ser contada a história.
17:08Então, assim, o quanto legal é...
17:10Todo carnaval a gente fala, todo ano a gente fala,
17:13vamos contar uma boa história.
17:15Mas que essa boa história seja impactante para o capixaba
17:18e seja feita para os capixabas.
17:20Tipo assim, poxa, tem várias histórias lindas fora do Estado,
17:23mas aqui também é muito rico de história.
17:26Cara, a gente tem muita, muita coisa ainda para contar.
17:29E a gente espera contar nos próximos anos, né?
17:31É, não, e é como você bem falou,
17:34é a escola, ensinar.
17:35O carnaval, por si só, já é cultura, né?
17:38Eu falo que quem assiste, né?
17:39Eu conheço várias pessoas que não querem desfilar.
17:41Elas querem só assistir, que não é pouco.
17:43Mas, assim, ela não quer fazer parte na vida,
17:45porque ela tem o prazer de ver, de assistir,
17:47de contribuir com a cultura,
17:49sendo aquele que vai lá para acompanhar todas as escolas
17:51e sai de lá até a última escola.
17:53E, de fato, as pessoas são presenteadas,
17:56não só com a beleza, mas com a cultura,
17:59com o conhecimento, com o aprendizado.
18:01Então, de fato, você sai de lá,
18:03pode sair lá de manhã cedo cansado,
18:05mas a cabeça está rica, né?
18:07E cansa o corpo físico,
18:09mas para a alma, para o espírito,
18:11você sai de lá presenteado, de fato,
18:13com cultura, com beleza, com tradição,
18:17com história, com ancestralidade, né?
18:20É demais, realmente.
18:21Sim, eu falo sempre muito isso, assim,
18:23sobre o meu trabalho,
18:24sobre o que eu tento empenhar na escola,
18:26que é a dimensão do encantamento.
18:27Eu acho que a escola de samba,
18:28ela gira muito na dimensão do encantamento.
18:30Então, a partir do momento que a gente encanta o público,
18:33aí tem um pouco daquilo que você falou agora,
18:35da troca com o público, né?
18:37Seja visualmente,
18:38seja pelo que a bateria está fazendo,
18:40seja pelo que a passista está fazendo,
18:42a comissão de frente está fazendo,
18:43quando há o encantamento,
18:45há a troca com o público,
18:46e o público passa a fazer parte daquilo
18:47do que está acontecendo dentro da avenida,
18:50e o desfile deixa de ser só o que está passando na avenida,
18:52e ele passa a arquibancada,
18:54começa a fazer parte,
18:55não fica só aquele desfile frio dentro da avenida
18:57com uma arquibancada apática.
19:00Então, essa dimensão do encantamento
19:02talvez seja o ponto primordial,
19:05assim, quando eu crio um desfile de escola de samba,
19:07acredito que, por exemplo,
19:09o trabalho que os meninos estão fazendo na bateria hoje,
19:11o Jorginho e o Alcino,
19:12é um trabalho surreal,
19:14assim, eles estão preparando as boças,
19:16tudo, está muito legal o trabalho,
19:19assim, e está tudo nessa dimensão do encantamento,
19:21do se encantar, do, sabe,
19:22querer fazer parte,
19:23a troca de energia que acontece ali.
19:25Não, e é muito interessante o ponto que você falou
19:27da questão dos meninos,
19:29dessa preparação,
19:30eles começaram a escolinha de percussão em abril,
19:3470% das pessoas que estão indo hoje para a avenida
19:37são tudo do projeto de escolinha,
19:39de percussão que a gente começou,
19:40e esses 70% basicamente são do bairro.
19:44Que legal.
19:44Então, assim, a gente está fazendo uma formação,
19:47está ensinando um instrumento
19:48para aquela criança,
19:49para aquele adolescente,
19:50e a gente está conseguindo tirar da rua,
19:52que eu acho que é esse o ponto principal.
19:55Tipo assim,
19:55a gente está conseguindo fazer muita coisa pelo bairro.
19:58Isso é muito interessante
20:00e é muito forte,
20:02mostra o poder do carnaval
20:03de transformação social
20:05e fortalecimento de economia,
20:07e, assim,
20:09essa conversa,
20:10ela só despertou
20:12mais curiosidade,
20:13vocês deram alguns spoilers aí
20:15do que a gente pode esperar,
20:17e quem quiser
20:18desfilar com a Chegou que Faltava,
20:20ainda tem
20:22fantasia,
20:23ainda tem vaga,
20:24quem procura,
20:25dá o recado aí,
20:26faz o convite para o pessoal.
20:27Sim,
20:28ainda tem fantasia disponível para venda,
20:30tem ala,
20:31ainda tem algumas poucas composições de alegorias também,
20:35está tudo no Instagram da escola,
20:36chegou oficial,
20:38lá tem o linkzinho
20:38que você acessa direto
20:39no WhatsApp da escola,
20:40e por ali vai ter acesso ao catálogo
20:42com todas as alas comerciais,
20:43pode escolher tranquila
20:44a ala que quiser desfilar,
20:46está tudo numeradinho lá,
20:47quem gosta de desfilar
20:48na frente da escola,
20:49no meio,
20:49no final,
20:50que tem tudo isso,
20:51tem quem gosta de vir depois da bateria,
20:52tem quem gosta antes da bateria,
20:55está tudo ali informadinho,
20:56certinho,
20:57os valores,
20:58desconto para grupos.
20:59E a pessoa que assistir
21:01e que participar
21:02vai se surpreender com o desfile,
21:03vai ter surpresa?
21:06Vai,
21:07vai,
21:08vai,
21:08assim,
21:10eu acho que
21:11o desfile todo é uma surpresa,
21:13esse ano a gente está aguardando
21:14um pouquinho mais as coisas
21:15do que normalmente a gente mostra,
21:18barracão de alegorias hoje
21:19está trancado a sete chaves,
21:20até dia 22 de fevereiro
21:21ele vai estar trancado a sete chaves,
21:25mas é isso,
21:26está tudo na dimensão do encantamento,
21:27eu falo isso,
21:28o dia que o meu projeto
21:29deixar de me encantar,
21:30eu paro de fazer carnaval.
21:31A gente pode dizer que
21:33não só Goiabeiras,
21:35eu falo bastante
21:36da grande Goiabeiras,
21:36que assim,
21:37eu sou barrista,
21:38então,
21:39nasci criado
21:40ali em Goiabeiras,
21:41então,
21:42amo aquele bairro ali
21:42de paixão,
21:45mas,
21:46eu acho que
21:47todo o Espírito Santo
21:48vai se encantar
21:49com o desfile da Chegou,
21:50quando eu falo
21:51que vai se encantar
21:53é porque realmente é,
21:54eu acho que
21:54esse será o maior desfile
21:56de todos os tempos da Chegou,
21:59o maior
22:00e o mais,
22:01plasticamente,
22:02eu acho que falando,
22:03o mais bonito.
22:05Então,
22:05a gente não está
22:06poupando esforços
22:07para que
22:09Goiabeiras se sinta
22:11feliz
22:12e emocionado
22:13com a história
22:13que a gente vai levar,
22:14mas eu acredito que assim,
22:16o Espírito Santo,
22:17em geral,
22:18pelas lentes da TV Gazeta,
22:21vai gostar muito,
22:23vai se apaixonar.
22:24Com certeza.
22:25Gente,
22:26olha,
22:26muito obrigado,
22:27Rafael,
22:27obrigado,
22:27Vanson,
22:28por trazer para a gente
22:29essa história
22:30que vocês vão levar
22:31para a Avenida,
22:32a gente deseja
22:33muito sucesso,
22:34que seja um desfile
22:35magnífico,
22:36que vocês consigam
22:38alcançar o objetivo
22:39que vocês tanto
22:40estão trabalhando
22:41para isso.
22:41Muito obrigado,
22:42de verdade.
22:43E agora,
22:45quem ficou curioso,
22:46assista ao desfile,
22:48participe dos ensaios,
22:49busque,
22:50faça contato com a escola
22:51e fique ligado
22:52porque teremos mais conversas
22:53com as outras escolas.
22:54Tchau, tchau.
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